Notas iniciais
[Liandra Salvatore Stonem]: Homenagem à Nathy. Desculpem a demora... Culpa da Dilma, como já sabem. [Oh Wow Thaynara]: Relação de amor ou ódio com os personagens novos?

POV. Justin

~ Domingo, pela manhã ~

I'm strong on the surface

Not all the way through

I've never been perfect

But neither have you ♪

(Linkin Park — Leave Out All The Rest)

Larguei a mala em frente à porta da minha nova casa.

Seattle.

Casa nova. De novo.

Realmente ser filho de pais militares não é nada fácil.

Não que eu esteja reclamando da carreira de sucesso dos meus pais. Longe disso. Mas o trabalho dos mesmos sempre faz com que tenhamos que nos mudar constantemente. E acaba que nunca sei onde será meu novo lar e o que pode me esperar.

Eu tenho 18 anos e desde que eu me lembro minha vida é assim.

Confesso que isso não era nada fácil quando eu era menor, ainda mais por conta das amizades. Eu tinha até certo receio de fazer amigos por não gostar de depois ter que deixá-los para trás.

Nos últimos anos, o que me ajuda a não enlouquecer é o fato de eu ter minha irmã ao meu lado.

Lucy era um ano mais nova que eu, e era muito parecida comigo.

Ambos tínhamos cabelos escuros, como o de nossa mãe. Porém, enquanto eu tinha puxado os verdes misteriosos da nossa mãe, ela tinha puxado os olhos castanhos grandes e expressivos de nosso pai.

Ela parecia que era movida a bateria. Não parava nunca. Ela viveu boa parte da vida dela morando em Londres, estudando em uma escola interna apenas para garotas (ela odiava), mas decidiu que esse ano estudaria em uma escola “normal”.

Nesse ano estudaríamos na mesma série. Eu já deveria ter terminado, mas com tantas mudanças, acabei reprovando o ano. Bom... Fazer o que, não é?

O bom é que eu ficarei de olho nos descarados que ficarem de gracinha para cima de minha irmã.

É inegável que ela é linda. E os olhares sobre a baixinha quando saíamos era prova concreta disso. E eu odeio isso.

Irmão ciumento? Não, só estou cuidando da inocência da minha irmã.

— JUSTIN BROWN, PODERIA AJUDAR? _ A voz da baixinha me despertou de pensamentos homicidas contra alguns garotos.

Olhei em direção a voz e percebo que estou recebendo um olhar mortal de uma Lucy cheia de malas.

Eu fiquei tão pensativo que me esqueci de sair da frente da porta de entrada.

— Foi mal, Lu. _ Dei um sorrisinho de desculpa.

— Só se você levar minhas malas para o quarto. _ Fez um biquinho.

— Chantagista. _ Peguei as malas de suas mãos enquanto ela dava língua e subi as escadas da nova casa.

Ela passou saltitando em minha frente. Gargalhei de seu jeito empivetado e a segui.

É Seattle! Vamos ver o que você me reserva.

~ *.* ~

~ Ao anoitecer ~

Your skin

Oh yeah, your skin and bones

Turn into something beautiful

Do you know?

You know I love you so

You know I love you so ♪

(Yellow – Cold Play)

Nesse momento eu estava jogado na cama do meu novo quarto, olhando o interessante nada do teto.

Estalei a língua, distraidamente.

Amanhã seria meu primeiro dia de aula na escola nova. Um saco.

Na minha opinião, uma das piores partes das diversas mudanças por ano. Eu daria qualquer coisa para não ter que enfrentar essa fatídica parte. Mas, com minha grande sorte, ABSURDA sorte, isso tinha que acontecer no mínimo duas vezes por ano.

E mesmo que já tenha começado o ano letivo, meus pais conseguiram vagas para eu e minha irmã.

Não me pergunte como. Deve ser uma das “ilimitadas” vantagens de ser militar.

Sentei-me na cama e o observei com atenção.

Nada de surpreendente.

O quarto tinha paredes brancas, com móveis em Mogno. Bem a cara da minha mãe. Minha cama era de casal e estava quase que impecavelmente arrumada. Percebo que em cima da cômoda que havia em um dos cantos do quarto havia um mini rádio e um notebook.

O resto minha mãe acabava por deixar por minha conta.

Eu já tinha arrumado minhas coisas nas gavetas do pequeno guarda roupa e organizado CD’s e livros em cima da estante.

Para deixar o quarto com minha cara, pequei uma pasta que havia dentro da minha mala e peguei alguns papéis de dentro do mesmo.

Eram pôsteres e alguns dos desenhos que eu fazia quando estava sem nada para fazer.

Em minutos eles já estavam espalhados pelas paredes brancas demais daquele quarto.

Bem melhor!

Voltei a me deitar, até sentir um furacão invadiu meu quarto e se jogou do meu lado.

— A mãe mandou avisar que seu carro já está aí. _ Disse.

— Traduzindo: “Justin, quero carona.” _ Brinquei.

Lucy me deu um tapa, e eu ri.

— Aceito o convite.

— Sua mala. _ A empurrei, quase a derrubando da cama.

— Ei. _ Brigou. _ Você me ama, então pronto.

— Amo. _ Sorri, dando um beijo na bochecha de minha irmã, e a empurrando depois. _ Agora vaza do meu quarto.

— Credo, seu mal humorado. _ Disse, levantando da cama. _ Está precisando de uma namorada, irmão.

E saiu.

Ela vivia dizendo que eu devia namorar. Mas eu nunca me interessei realmente por garota nenhuma.

Claro que já fiquei com algumas garotas.

Mas a maioria era daquelas garotas que só pensam em coisas supérfluas, como o dinheiro que meus pais tinham. E a coisa que eu mais odeio é pessoa esnobe, então logo descartava o relacionamento com esse tipo de garotas.

Clichê? Mas infelizmente, realidade.

Mas, devo admitir. Eu já tive um “primeiro amor”, por assim dizer, mas acho que não conta. Eu tinha uns seis anos. E acho que todo mundo acaba se apaixonando por alguém quando criança, sej por alguma coleguinha, por alguma amiga de irmãos ou até pela professora do jardim. Coisa de criança.

Era aquele típico amor infantil. Ela tinha cinco anos e era uma garotinha pequena com cabelos escuros, cheia de sardas e com um olhar grande e inocente. Vivia agarrada nas pernas da mãe, e com o dedo na boca, vestida com seus vestidinhos claros e cabelos soltos aos ventos.

Mais parecia uma boneca de porcelana.

Mesmo com a minha pouca idade, no auge dos meus seis anos, sentia que devia protegê-la com minha vida. Eu tinha essa necessidade impregnada em meu âmago. Cuidar daquela menina era meu dever.

Lembro que nossas mães eram grandes amigas. E que todo fim de semana íamos para casa da família dela.

Eu ficava brincando com ela por toda tarde. Dividíamos sorvete e eu a balançava no balanço de seu quintal, enquanto ele pedia que eu a balançasse mais forte. Lembro que, às vezes, dava um beijo na ponta de seu nariz, e ela ficava toda vermelha por conta disso. Lembro de ficar vendo-a dormir depois de tanto brincarmos. Eu adorava isso.

Mas, em uns anos, tivemos que sair de Nova York, e nunca mais a vi.

No dia que fui embora, tanto ela quanto eu choramos muito. Mas não tínhamos o que fazer.

Éramos crianças, mas sei que ela foi uma das amizades mais verdadeiras que eu tive, apesar de nem sabermos disso na época.

Será que era possível se apaixonar com seis anos de idade?

Não. Acho que aquela necessidade de cuidar dela era apenas algo fraternal. Como se ela fosse uma irmã.

Eu acho.

Fechei os olhos e tentei dormir. Amanhã seria um dia cheio.

Em meus sonhos, um rosto infantil cheio de sardas.

Sorri, dormindo.

~ *.* ~

~ Segunda pela manhã, no carro ~

I found myself in wonderland

Get back on my feet again

Is this real? Is this pretend?

I'll take a stand until the end ♪

(Alice – Avril Lavigne)

Minha irmã aumentava o som do rádio do meu Honda CR-V preto, enquanto eu acelerava pela estrada até o caminho da escola.

— Chegamos. _ Disse entrando no estacionamento da escola.

— Jura? _ Zoou.

— Cala a boca, Lu.

Ela gargalhou da minha cara. Essa chata.

O estacionamento estava quase vazio, e estávamos atrasados.

A sorte, ou não, é que já tínhamos nossos horários.

Lucy teria aula de Inglês e eu de Álgebra.

— Vou indo. _ Disse ela, despedindo-se com um beijo no meu rosto.

— Até o intervalo. _ Disse bagunçando seu cabelo, recebendo um olhar ameaçador em troca.

Ri e me afastei antes que apanhasse, indo em direção a minha sala.

Haviam algumas pessoas nos corredores. Algumas fugindo da sala, alguns atrasados como eu, alguns se pegando.

Ensino Médio. Sempre igual, independente de qual cidade eu esteja.

Sorte que esse é meu último ano.

Que Deus ajude mantendo meus pais em uma só cidade até o fim do ano letivo.

Estava na frente da minha sala. Infelizmente, já estava fechada.

Bati e entreabri a porta em seguida.

Todos os olhares foram em minha direção. Tirei os cabelos do meu olho e os ignorei.

Impressão minha ou ouvi alguns suspiros? E alguns bufos irritados?

Não! Impressão... Eu acho.

— Pois não? _ Disse um professora com cara de sono.

— Justin Brown. _ Sorri. _ Transferido.

— Ah, pode entrar. _ Apontou com os braços moles em direção a sala. _ Pode se sentar em qualquer lugar vago.

Jura? Pensei que poderia sentar no colo de alguém.

Mas em vez de responder, apenas entrei em silêncio e sentei-me em um lugar ao fundo da sala.

A professora, que não parecia nem um pouco disposta a dar aula, levantou-se e começou a falar da “importância da matemática nas nossas vidas”.

E eu abri meu caderno e comecei a desenhar.

— Oi Justin. _ Uma voz um tanto quanto anasalada me distraiu.

E, do nada, pernas brancas “cobertas” com uma saia curta rosa estava sentada sobre o braço da minha mesa.

Olhei para cima. Uma garota de cabelos loiros me olhava mordendo a boca, acho que tentando ser sedutora. Não que ela fosse feia... Nada disso. Mas odeio alguém vir com tanta intimidade sem ao menos me conhecer.

— Oi.

— Você é novo na escola, não é?

— Acho que sim. _ Disse sem vontade.

— Bom... Meu nome é Lavigne. _ Ela remexeu-se sobre o braço da cadeira, provavelmente tentando chamar minha atenção para suas pernas. _ Se precisar de QUALQUER coisa, estou a disposição.

Impressão minha ou houve uma ênfase na palavra "qualquer", quase que maliciosamente?

Escola nova sem uma garota oferecida, não é escola nova.

— Hum... _ Vontade de gritar socorro. _ Okay.

Uma voz na frente da sala chamou a nossa atenção.

— Senhorita Lavigne, para o seu lugar. _ Disse a professora.

Salvo pelo gongo.

— Okay professora. _ Disse a loira com um sorriso falso no rosto. _ Velha chata. _ Continuou baixo.

Levantou-se da mesa e foi em direção a sua, piscando para mim durante o percurso.

Bem vindo a escola nova, Justin Brown.

Revirei os olhos internamente e voltei a desenhar.

~ *.* ~

~ No intervalo ~

I think I've finally found

A better place to start

But no one ever seems to understand ♪

(Gotta Find You – Joe Jonas)

Ando devagar a caminho do refeitório, misturando-me as pessoas no caminho.

Internamente, me escondia da loira da sala, apesar de tentar demonstrar tranquilidade.

Provavelmente minha irmã já estaria no refeitório, já que marcamos de nos encontrar lá. Ela deve está querendo me matar pela demora.

Apresso o passo, para não irritar Lucy ainda mais, mas paro bruscamente quando uma pessoa me chama atenção.

Uma menina baixa de moletom e all star cano longo encontrava-se a alguns passos a minha frente.

Ela não me via, já que eu estava atrás. Mas algo nela me chamou atenção. Algo naqueles cabelos escuros me lembrou alguém.

Sem pensar em nada, cheguei mais perto dela. Ela não notou minha presença.

Ela tinha cheiro de morango. Um cheiro de infância.

Coloquei minhas mãos sobre seu ombro, e senti que ela retraiu-se sobre meu toque. Será que a machuquei?

Antes que eu tirasse a mão e me afastasse, ela virou-se.

Não pode ser.

Aquelas sardinhas eram inegáveis. E os olhos verdes surpresos.

Depois de tanto tempo. Sorri involuntariamente ao reconhecê-la.

Antes que eu tivesse a chance de dizer algo, a baixinha me surpreendeu reconhecendo-me.

— JUSTIN. _ Ela gritou e pulou nos meus braços.

Eu, instantaneamente, segurei-a em meu abraço.

Era a minha amiga de infância.

A bonequinha.

Claro que era a Molly.

A princesinha de porcelana.

Notas finais
[Liandra Salvatore Stonem]: Digam por comentários o que acharam do Justin e da Lucy. Lembrando que a Lucy é uma homenagem à Nathy. [Oh Wow Thaynara]: Recomendações e favoritações são bem vindas.