I Hate Everything About You... Why Do I Love You?
15 Jogaram macumba em mim.
Notas iniciais
POV Drake
~ Sexta-feira, ao anoitecer ~
Sorry that I love you
Sorry for what I do
For everything I'll never be and all that I am
Sorry for the silence, sorry for the violence
Here comes the words that broken my hearts can never stand
It's not you it's me ♪
(Sorry – Clooney)
Preparava-me para dormir, mas minha mente não deixava.
Em um gesto involuntário, toquei meus lábios com as pontas dos dedos.
Ainda conseguia sentir os lábios cheios e naturalmente vermelhos sobre os meus. Eram quentes e macios.
Mas por que eu estava pensando nisso?
Larga de viadagem, Drake Mason. Até parece que nunca beijou uma garota na vida.
Recriminei-me mentalmente.
Qual é! E a Lavigne? Ela era a minha namorada, não é? Uma loira, alta e desejada por todos os garotos da escola.
Eu devia sentir-me privilegiado. Ela foi um dos ápices para que eu me tornasse popular.
O beijo na morena de olhos verdes profundos foi apenas por impulso. Só pode ter sido isso.
Afinal, eu era o garoto mais popular da escola. E namorava a garota igualmente popular. Todos me viam como exemplo, naquela escola.
Pode ser meio clichê, mas era a verdade.
Não posso perder tudo isso. Pois sinto que a escola é o único lugar que tenho controle sobre minha vida.
Um lugar onde posso evitar que me machuquem.
De um jeito um tanto quanto maldoso e manipulável? Talvez.
Mas já basta minha casa e meus pais para me tratarem como lixo.
A escola se tornou o único lugar que posso controlar aqueles que me rodeiam, onde aparento ser forte a todo o momento.
Mas aparece Molly Cartter.
Maldita Molly Cartter.
A garota conseguiu, apenas com aquele olhar, acabar com todo o controle que achei que tinha.
Sinto que me sinto mais forte e mais fraco, tudo ao mesmo tempo, quando estou do lado dela. Como se eu perdesse todo o ar e estivesse respirando um ar totalmente novo.
O que está acontecendo? O que aquela garota terá feito comigo?
Será que estou... Não!
Mas só pode ser isso!
É macumba! E ponto.
~ *.* ~
~ Dia atual ~
We're falling apart
and coming together again and again
We're growing apart
But we pull it together
Pull it together, together again ♪
(Never Say Never – The Fray)
Meus pais haviam me avisado que passariam a semana toda fora, à trabalho.
Não importei-me muito com isso.
Quanto mais tempo longe deles, melhor.
Eu, mesmo que por curto período, teria um tempo livre das brigas e das críticas.
Minha cabeça estava muito cheia ultimamente. E isso seria uma folga.
Minha irmã me pediu para ir para um acampamento da escola, que duraria uma semana também. Ela tinha pedido para nossos pais, e para variar, assinaram e autorização sem ao menos ler a mesma, ou ao menos prestar atenção sobre o que seria.
Mas Shelby parecia feliz. De certa forma, era uma folga para ela também.
Mesmo sendo apenas uma criança, sei que o clima da casa pesava para ela também. Passar um tempo com os amigos e gente que realmente conversava com ela, sem ser um adolescente besta e chato como o irmão, seria bom.
Meus pais foram para essa viagem logo de manhã, sem nem perguntar se precisaríamos de algo.
Apenas foram, sem nem um aviso prévio.
Nada fora do comum.
Isso chateou Shelby, por não terem se despedido dela. Já eu, já tinha acostumado. Quantas vezes, quando mais novo, acordava com alguma babá ou empregada da casa dizendo que eles tinham viajado à trabalho, e que “logo voltariam”.
E assim, eu passava semanas sem notícias dos mesmos.
Minha irmã se animou durante o dia, enquanto eu a ajudava a arrumar o restante da mala dela e tomávamos café da manhã juntos.
Logo, um típico ônibus amarelo cheio de crianças parava em frente a nossa casa.
E a pequena ruiva, com uma blusa de manga longa azul e saia preta longa, com uma mochila simples nas costas, correu até a porta, não sem antes me abraçar forte. Ouviu sermões sobre me ligar caso acontecesse qualquer coisa e entrou no ônibus cumprimentando a professora que a recebia na porta.
Ainda acenou em minha direção, antes de sumir de vista.
E eu estava sozinho naquela casa.
O que poderia acontecer em um fim de semana em uma casa enorme sem a presença de pais ou de algum responsável?
Ah, um café com alguns amigos íntimos?
Peguei meu celular e disquei o número da única pessoa que eu considerava meu amigo de verdade.
No segundo toque, a voz familiar atendeu.
— Fala, cara!
— E aí, Nathan. O que acha de uma festa?
— Claro! Mas onde? _ Sua voz ficou animada.
— Meus pais viajaram, cara! E minha irmã em um acampamento.
— Hum. _ Ele estendeu o recado logo de cara. _ Vamos, então!
Bom... E que o chá com os amigos comece.
E, dependendo de Lavigne, uma festa nada simples.
~ *.* ~
~ Na festa ~
You're picture perfect blue
Sunbathing on the moon
Stars shining as your bones illuminate
First kiss just like a drug
Under your influence
You take me over you're the magic in my veins
This must be Love ♪
(Boom Clap – Charli XCX)
A festa já acontecia.
Lavigne, assim que soube, fez o favor de espalhar sobre a festa para metade, se não toda, escola.
Eu estava agora tendo de enfrentar a raiva da loira.
Minutos antes, ela e Molly, que chegou, para minha surpresa com os amigos dela.
Eu, sinceramente, não acreditei que ela viria a uma festa em minha casa.
A loira, como se não se segurasse, a provocou logo que a avistou. Tentei impedir e somente piorei as coisas.
Não pude resistir e olhei para a baixinha dos olhos verdes.
Mesmo com roupas simples, com o jeito roqueiro e básico, ela estava linda. Tão diferente de Lavigne, com seu vestido chamativo e curto.
Nossos olhares se conectaram. E, é claro, Lavigne percebeu.
Tentei me manter neutro. Mas, o jeito que Lavigne falava com ela me desagradava, apesar de Molly não deixar barato.
Não me pergunte por que afirmei que eu tinha chamado-a para a festa. Não sei o motivo.
Aquela garota fazia com que eu agisse de forma incoerente.
Jogaram uma macumba bem forte em mim.
Quando vi, já tinha dito.
E, como a garota é muito educada e doce, recebi um: “Não preciso de sua piedade, Drake”, em resposta.
Como eu disse, doce!
Como um limão.
E agora, Lavigne tinha um olhar digno de filme de terror em minha direção.
— Por que não me defendeu?
— Amor... _ Tentei pensar em algo.
— Pena da órfã, por acaso? _ Destilou veneno.
Senti raiva, mas disfarcei.
— Isso! _ Respondi contra gosto, querendo dar fim ao assunto. _ Deixa ela para lá. Vamos dançar.
Puxei-a para a pista de dança improvisada no centro da sala de estar, mesmo sem a mínima vontade de dançar. Apenas para amansar a fera.
Ela, não perdendo a chance de ser o centro das atenções, logo esqueceu e começou a dançar. Eu apenas acompanhava.
~ *.* ~
I go crazy, crazy, baby, I go crazy
You turn it on
Then you're gone
Yeah you drive me
Crazy, crazy, crazy for you baby
What can I do, honey
I feel like the color blue ♪
(Crazy – Aerosmith)
Lavigne dançava comigo, mesmo que contra a minha vontade.
Ela se grudava a mim.
— Me dar um beijo, amor. _ Sua voz era dengosa. Mas não tinha efeito nenhum em mim. Não como antigamente.
Não antes de...
— Claro! _ Interrompi minha linha de pensamentos, puxando Lavigne para mim e a beijando;
Tentei manter minha mente dispersa o máximo de tempo possível, mas depois de alguns minutos precisei sair.
Olhei para a garota presa ao meu pescoço e falei:
— Vou caçar o Nathan.
— Okay. _ Fez um biquinho.
Sai rapidamente, sem nem olhar.
Finalmente Lavigne tinha me largado.
Ela não havia parado de me beijar havia meia hora.
Não que ela beijasse mal. Ela beijava bem.
Porém havia algo de diferente. Como se a textura e o sabor estivesse errado.
Qual é, Drake. Está parecendo que virou viado, negando beijo de uma mulher bonita como a loira.
Esquece isso. Vamos beber!
Fui até a cozinha, não sem antes ver Molly de relance, numa mesa com os amigos dela.
Ela estava rindo, escorada em um amigo dela, tal de Samuel.
Ela vivia abraçada ou escorada nele.
Esse pensamento me irritou.
Bebi alguns copos, tentando tirar a garota da cabeça.
Será que eles namoravam?
Não!
Ou sim!
Fiquei minutos com essa questão na cabeça.
Eu estava irritado. Minha cabeça doía.
Pus vodca em copo, batendo o copo forte sobre a mesa.
— O que o copo te fez, amigo?
Virei em direção à voz. O garoto alto, da minha altura, da pele morena e dos cabelos curtos, que trajava jeans, camiseta preta, blusa de couro e tênis me olhava.
— Esqueça, Nathan.
— Dor de cotovelo, amigo?
— Até parece.
— Vai saber. Lavigne está na mira de metade da escola.
Foda-se Lavigne.
— Só quero beber, cara! _ Afirmei.
— Então... _ Ele se aproximou, pegou uma garrafa que estava sobre a mesa e passou para mim. _ Comece.
Pegou outra garrafa para ele, e me puxou para sala.
Mesmo que involuntariamente, meu olhar foi em direção a mesa que eu havia visto Molly antes, mas a mesma estava vazia.
Será que ela havia ido embora?
Corri o olhar sobre a sala. E a vi.
Vários homens rodeavam algo. Garrafas eram quebradas, e o barulho era ensurdecedor, e a fumaça quase escondia.
Mas eu vi o cabelo escuro no meio da confusão.
MAS O QUE DIABOS...
Molly estava dançando no meio deles. Sua dança, não pude negar, era sensual, apesar de um tanto trôpega.
Ela estava bêbada. Qual era o problema dela?
Ela queria ser estuprada?
Entreguei, sem olhar, minha garrafa para Nathan, que me olhou sem entender minha atitude, e andei apressadamente para onde Molly estava.
Um dos caras da escola estava para beijá-la. Empurrei todos que estavam no caminho, recebendo protestos em resposta.
Mal cheguei, e já empurrei o cara.
— Fique longe dela. _ Disse com raiva.
Eu já o tinha visto na escola. Adorava pegar todas que caiam em sua rede. Ele me dava nojo.
— Qual é, Drake. _ Seu tom era zombador. _ Já tem a Lavigne. Deixe a gatinha para mim.
Eu juro que eu mataria aquele cara.
— Já falei. _ Minha voz exalava ira._ Fique longe dela. _ Fiquei em frente a ele.
— Relaxa cara. Pode ficar com a garotinha.
Antes que eu pudesse dar um soco, ele saiu.
Olhei para Molly. Sua cara estava fechada.
Eu não fiz nada de errado. Qual era o problema agora?
Ela se virou para sair, e eu, instantaneamente, puxei-a.
E novamente, como havia ocorrido nos últimos dias, ela ficou em minha frente. Senti seu corpo batendo contra o meu.
Ela era tão pequena. Porém exalava força. Ela era surpreendente.
Seu cheiro. Morango, e bebidas.
Quase me esqueci que ela estava bêbada.
Minha mão foi do seu braço para sua cintura, tão pequena.
Eu inspirava devagar, tentando memorizar seu cheiro.
De mais perto, era possível notar pequenas sardinhas em seu rosto. E pequenas, quase imperceptíveis linhas de um verde mais claro em seus olhos.
Sua boca entreaberta. Ainda podia lembrar-me do gosto do mesmo.
Cheguei mais perto. Nossos narizes se tocaram de leve.
Eu vou beijá-la.
Eu quero beijá-la.
Mas antes que eu o fizesse, ela me empurrou.
— O que está fazendo? _ Boa perguntam, pois nem eu sei.
— Eu não... _ Tentava pensar em algo.
— E o príncipe salva a donzela em perigo. _ Surpreendente. Arregalei os olhos, com sua resposta. _ Não preciso que me defenda. Sei me defender sozinha.
E saiu.
Minha intenção nunca foi fazê-la pensar que era frágil. Na verdade, era a pessoa mais forte que já conheci.
Bem mais forte do que eu era. Mas forte do que eu jamais vou ser.
Observei em volta. Ninguém pareceu notar o que tinha acontecido ao nosso redor.
Vantagem de está rodeado de gente bêbada.
Fui em direção a Nathan, que estava numa mesa cheia de gente, e peguei minha garrafa, virando de uma só vez na minha boca.
Ah, ardência. Ah, álcool.
Nathan me olhou, indagando baixinho.
— O que ouve?
— Nada.
A mesa estava com o time da escola, além de Lavigne e suas amigas.
— Tava de papinho com a novata? _ Falou um dos garotos.
Lavigne logo levantou o olhar, já com raiva.
— Só tirei-a de cima da mesa da minha sala. _ Fui rude. _ Não quero quebrar nada. São caros.
As risadas começaram.
Senti-me mal.
— Que nada! _ Um loiro chato falou. _ Você quer é pegar a roqueirinha.
— Claro que não. _ Lavigne exaltou-se.
— Duvido. _ Respondeu o loiro.
— Não estou. _ Respondi.
— Então te desafio a fazer com que ela chore agora... _ Disse. _ Na frente de todos.
E agora?
— Okay, então. _ Levantei-me.
E fui em direção para onde a garota estava com um copo na mão.
Drake, seu imbecil. Não faça isso.
Mas por que eu estou me preocupando com ela? Logo ela esqueceria.
Não é?
Cheguei atrás dela.
— Ei... _ Drake, seu idiota.
Ela virou-se assustada em minha direção.
Os olhos verdes. As sardinhas. A boca vermelha.
— Não acha que chega de ação beneficente por hoje? _ Minha voz quase falhou. Os olhos dela se arregalaram. _ Acho que a órfã já teve sua cota de atenção por hoje.
Os olhos dela ficaram levemente vermelhos.
Senti a raiva dela. Quis puxá-la para mim.
Pessoas que estavam por perto ouviram.
A risada começou. Riam da desgraça alheia.
Senti um impacto forte em meu peito.
O impacto do copo que estava na mão dela contra meu peito. Ela havia jogado o copo com a bebida em mim.
Vi que os meus “amigos” também riam.
Somente Nathan olhava tudo sem entender.
E os amigos de Molly me olhavam com raiva.
— Idiota. _ Sua voz foi firme, apesar de tudo.
Ela virou-se. Não sem antes de eu ver lágrimas rolando em suas bochechas.
E ela saiu correndo.
Estava chovendo do lado de fora.
Drake, você é um lixo.
E corri atrás dela.
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