Notas iniciais
[Oh Wow Thaynara]: Siiim, demoramos. Semana de provas para ambas, ensaio para mim, e tals. Sorry, meus fantasminhas. [Caiirah Salvatore Lovato]: Mas estamos aí... o/ Apareçam, vaai!

Pov. Drake

'Cause it's a bittersweet symphony, this life

Try to make ends meet

You're a slave to money then you die

I'll take you down the only road I've ever been down

You know the one that takes you to the places

where all the veins meet yeah

No change, I can change

I can change, I can change

But I'm here in my mold

I am here in my mold

But I'm a million different people

from one day to the next

I can't change my mold

No, no, no, no, no ♪ ♫

(Bittersweet Symphony — The Verve)

Sim, era ela.

A garota dos mais incríveis olhos verdes.

Olhos que me deixava perdido, como se estivesse adentrado uma floresta fechada e misteriosa. Olhos que escondiam algo.

Ela escondia algo... Assim como eu.

Soa meio clichê, mas tenho a impressão que tem um passado meio sombrio por trás daqueles olhos.

Estava com a camiseta do AC/DC, calça surrada e o par de vans. Além do skate que ela estava no dia que quase a atropelei.

Era a petulante.

Ela me encarava.

Acho que a garota esperava alguma reação minha.

Eu? Só a olhava, provavelmente com uma cara de idiota.

Depois de alguns segundos, ela revirou os olhos e se virou, na intenção de ir embora.

Só então, acordei.

Estava agindo como um louco.

Peguei na sua mão, na intenção de fazê-la virar para mim.

Ela se arrepiou ao sentir meu toque. Por algum motivo sua reação me agradou.

— Ei... Espera! _ Não sabia o que dizer. Disse a primeira coisa que me veio à cabeça. _ Conhecia minha irmã?

— Hã? _ Disse com o tom perdido.

— Shelby. _ Especifiquei.

— Não! Ela esbarrou em mim. Quase a derrubei. _ Falou, com um tom meio culpado. Então virou-se para trás, onde se encontrava minha irmã e sua nova amiga Natália, e sorriu. _ Estava distraída.

Era mesmo a cara dela.

Ela parecia perder-se em outro mundo, enquanto ouvia musicas no seu fone e andava no skate.

Perdia-se em seu próprio mundo.

— Desculpa. _ Sorri um pouco sem graça. Ela devia achar que eu era um irresponsável. _ Virei por um segundo para comprar o sorvete dela, e no segundo seguinte já não estava mais lá.

Ela, por algum motivo, parecia desconfortável.

Mantinha a cabeça abaixada. Seus cabelos incrivelmente pretos caiam em cascatas ao redor do seu rosto. Eram como cortinas, escondendo-a. Mas, da mesma forma, percebi certo rubor em suas bochechas.

Ela estava corando.

Só então percebi o por que de seu desconforto. Eu ainda segurava sua mão.

Soltei-a subitamente.

— Aliás, me chamo Drake. _ Ofereci minha mão em comprimento.

— Sim, o cara que quase me atropelou. _ Olhava para minha mão, sem apertá-la. Disfarcei, colocando-a no bolso do moletom. _ Chamo-me Molly.

Molly. Gostei!

— Nome bonito. _ Assim como a dona.

Sorriu, envergonhada. Cara, que sorriso mais lindo.

— Obrigada. _ Falou. _ Drake também é um nome interessante. _ Seu tom era cético. Mas tinha um toque de brincadeira.

— Aceito isso como um elogio. _ Brinquei.

Ela riu, disfarçadamente. Olhou para baixo e disse, segurando o riso.

— Acho que os sorvetes estão derretendo.

E só nesse momento percebi que o sorvete já se tornava uma espécie de mingau em minhas mãos. Fiquei envergonhado. Estava agindo como um verdadeiro bobo em sua frente.

Mas estava mesmo querendo sumir com a má impressão que dei na primeira vez que a vi. Joguei-os no lixo.

— Acho que minha irmã esqueceu-se que queria sorvete.

Eu estava feliz que Shel tinha se esquecido da briga com meus pais.

Molly concordou com um aceno. Deu um sorriso de lado.

— Ela é um amor!

— É sim... _ A Shel era boa demais para esse planeta. _ Aliás, devo-lhe desculpas pela grosseria na escola. Por quase tê-la atropelado. _ Abaixei a cabeça, culpado. _ Aceita um sorvete como pedido de desculpa?

Ela ficou pensativa por alguns segundos.

— Por que não?! _ Perguntou, como se para si mesmo. Então, sorriu. _ Claro!

Caminhamos até o sorveteiro. Ele sorria olhando-nos. Provavelmente pensava que éramos um casal. E essa ideia me agradava profundamente. Sorri internamente.

— Pode me dar mais dois sorvete, por favor? _ Disse entregando o dinheiro.

— Claro. Qual sabor?

— Flocos. _ Respondemos em uníssono.

Entreolhei-a. Ela tinha um sorriso disfarçado no rosto.

— Cobertura? _ Tornou a perguntar o sorveteiro.

— Morango. _ Novamente em uníssono.

Olhamos um para o outro e rimos com a coincidência.

— Gostos em comum. _ Brinquei. _ Além do gosto por rock. _ Apontei para sua camiseta.

— Sou inteligente. _ E me mostrou a língua.

Ela estava sendo mais espontânea. Gostei disso.

~ *. * ~

~ Horas depois ~

It's not like you to say sorry

I was waiting on a different story

This time I'm mistaken

For handing you a heart worth breaking

And I've been wrong, i've been down

Been to the bottom of every bottle

These five words in my head

Scream "are we having fun yet? " ♪ ♫

(How You Remind Me – Nickelback)

Continuamos conversando por muito tempo. Ainda observava que minha irmã, enquanto conversava com sua amiga, que pela roupa percebi ser fissurada na cantora Demi Lovato.

A menina era pequena, assim como a Shelby, tinha cabelos de tons de loiro mais escuro e olhos castanhos. Parecia uma boa amizade para minha irmã. Sorri olhando-as.

O silêncio tomou conta do ambiente. Eu e a petulante não sabíamos mais o que dizer. Então apenas andávamos um do lado do outro.

— Então... _ Cortou o silêncio. _ E seus pais?

Retraí-me com o assunto. Odiava falar sobre eles. Muitas vezes nem os considerava digno de tal elogio que era a palavra "pais".

— E os seus? _ Rebati.

Ela então olhou para baixo, e sua expressão fechou um pouco. Aparentemente eu não era o único que não gostava de tocar no assunto.

— Entendi... Assunto delicado. _ Respondeu. _ Para ambos.

— Sim... _ Disse. _ Um pouco.

Ia perguntar mais sobre ela. Mas, de repente, quase sou derrubado por algo rosa.

— Amor! _ Gritou a garota. Usava uma roupa meio desproporcional para o ambiente. Vestido justo cheio de glitter, salto alto e uma maquiagem digna de festa. Era Lavigne.

Ela exalava rosa, como sempre. Ela agarra minha cabeça, puxando-me para ela e me beija. Fiquei sem reação!

— Hum... Vou indo. _ Ouvi a voz desconfortável de Molly. Ela estava indo embora. Essa ideia não me agradava.

Lavigne me soltou.

— Melhor mesmo, querida! Está cortando o clima. _ Rebateu Lavigne. _ Segurar vela não é legal.

— Qualquer coisa com você não é legal, Penélope! Preciso sair antes que tanto rosa me deixe cega. _ Fez uma careta de nojo. Tinha um olhar cínico.

A garota mostrou seu lado petulante novamente.

Não aguentei. Tive que rir.

Lavigne olhou-me com raiva. Não gostou que eu risse da piada de Molly contra ela. Queria que eu agisse como seu namorado perfeito, defendendo-a como um príncipe encantado defende a princesa indefesa. Segurei o riso.

— Qual é o seu problema, Drake?

"Você!". Pensei.

— Nada.

— E você? _ Tornou-se a virar para Molly.

Molly revirou os olhos e saiu. Observei-a. Como alguém podia se mostrar tão meiga e se mostrar tão marrenta? Sorri.

Tinha que descobrir mais sobre ela.

Precisava.

~ *.* ~

Pov. Molly

~ No mesmo dia, pela manhã ~

Strangers waiting

Up and down the boulevard

Their shadows searching in the night

Streetlights people

Living just to find emotion

Hiding somewhere in the night

Working hard to get my fill

Everybody wants a thrill

Payin' anything to roll the dice

Just one more time ♪ ♫

(Don’t Stop Believin’ — Journey)

Se eu soubesse que o dia seria tão ruim não tinha nem levantado da cama.

Mas como minha mãe sempre dizia: “Sempre que estiver tendo um dia ruim, alguém lá fora está tendo um dia pior ainda, então pare e se concentre nas coisas boas.”

O professor, que continuava a me olhar com a cara fechada, mandou-me entrar.

— Está interrompendo minha aula, senhorita. _ Sua voz era irritada. _ Poderia entrar, por favor?

Revirei os olhos e entrei.

Ao passar por ele, entreguei o cartão que devia entregar aos professores.

Ele o observou por alguns momentos.

— Aluna nova, senhorita Cartter... _ Disse lentamente. _ Você não irá se apresentar a turma porque já ocupou bastante da minha aula com seus atrasos.

— Que pena. _ Fui irônica.

Andei para o fundo da sala.

Todos os alunos me encaravam. Bando de curioso.

Ao chegar ao meu lugar, fingi prestar atenção a aula, enquanto desenhava em meu caderno.

Lembro-me de Nova York. Lembrava principalmente dos meus pais e de como foi ao receber a notícia da morte dos mesmos.

Chorei. Chorei por semanas. Isolei-me, mais do que normalmente.

Na verdade, eu esperava que meus pais entrassem em casa a qualquer momento. Imaginando que aquela noticia tinha sido apenas uma brincadeira.

Mas não foi.

Sentia-me perdida, confusa, vazia.

Sentia-me sozinha em meio a milhares de pessoas, e essa dor que o vazio trazia era maior que qualquer dor exterior que era capaz de suportar. Essa dor te sufoca, te destrói, faz com que o ar nos seus pulmões não seja o suficiente para manter de pé o que você chama de vida. Por que na verdade, minha vida era meus pais.

Mas manti-me de pé por eles. Espero que vir para casa da minha tia não tenha sido uma ideia tão ruim.

Voltei à realidade.

De vez em quando pegava alguns alunos virando para o fundo da sala para me olhar. Com certeza eu era a nova atração daquele colégio.

Ignorei-os.

Só esperava a aula acabar. Peguei meu livro O Menino de Pijama Listrado e tornei a lê-lo.

~ *.* ~

I close my eyes

Only for a moment

And the moment's gone

All my dreams

Pass before my eyes, in curiosity

Dust in the wind

All we are is dust in the wind

Same old song

Just a drop of water in an endless sea

All we do

Crumbles to the ground though we refuse to see ♪ ♫

(Dust in the wind – Kansas)

Incrível como quanto mais você quer que o dia passe rápido, mas ele tarda a passar.

As horas demoravam uma eternidade, mas finalmente estava indo para casa.

Não vi o imbecil da moto novamente naquela manhã, nem a gangue de sua namorada.

Ainda bem, pois não estava nem um pouco afim de discutir.

Joguei minha mochila por sobre um dos ombros, coloquei Paramore na playlist do meu celular, ajustei-o nos fones de ouvido, subi no skate e fui em caminho a minha nova casa.

Ao chegar, encontrei a minha tia na cozinha.

— Finalmente sem desencontros, não é? _ Ela tinha um sorriso carinhoso no rosto.

O sorriso de tia Elena era idêntico ao de minha mãe. Um sorriso que era impossível não retribuir.

Diferente do meu, que era, em palavras de minha mãe, um típico sorriso cafajeste, puxado do meu pai.

— Sim, tia. _ Retribui o sorriso.

— Lasanha. Aceita? _ Ela, com um coque frouxo, um vestidinho simples e uma espátula na mão, pergunta.

— Como não?! _ Disse. _ Só vou guardar minhas coisas.

— Okay. _ Disse enquanto arrumava a mesa.

Subi para meu quarto, encostei meu skate na parede, joguei meu celular e minha mochila sobre a cama e procurei alguma roupa confortável para poder me trocar.

Coloquei uma camiseta solta do AC/DC e uma calça surrada qualquer. Perfeito.

Voltei para a cozinha, sentei-me junto a tia Elena e me servi.

— Então? _ Puxou assunto após alguns segundos em silêncio. _ Gostando da sua nova escola?

— Hum... Sim! _ Tentei parecer animada. Ela já estava fazendo o bastante por mim. Não queria fazer desfeita aos esforços em me aceitar em sua vida.

— Que bom, querida. _ Ela estava realmente feliz por mim. _ Fez alguma amiga?

— Sim, tia. _ Lembrei-me de Jennette. _ Fiz sim.

— Pode trazê-la para cá sempre que quiser, okay? _ Ela tinha um olhar culpado. _ Sei que não estou muito presente.

— Está tudo bem. _ Apressei em dizer. _ Eu passo meu tempo lendo, tia. Não precisa se preocupar.

— Mas, da mesma forma... _ Disse. _ Tem o número do celular do meu escritório escrito em um bilhete em cima da bancada da cozinha, caso precise.

— Claro! _ Tranquilizei-a.

Ela olhou-me agradecida.

Fizemos o resto de nossas refeições em um silêncio agradável. A comida dela estava muito gostosa. Impossível não repetir.

Resolvi puxar assunto.

— Tia, sua comida está deliciosa.

Ela ruborizou com meu elogio.

— Obrigada, querida. _ Disse.

— Ah, eu lavo a louça! _ Ofereci-me.

— Não precisa, Molly. _ Disse. _ Eu lavo.

Neguei veemente.

— Claro que não. _ Sorri. _ Pode ir descansar. Eu lavo.

Ela se rendeu com um sorriso.

— Está bem.

Lembrei que estava a procura de algum lugar calmo.

— Tia, há algum lugar onde eu possa ler por aqui? _ Perguntei. _ Alguma praça?

— Tem sim... _ Respondeu. _ Tem uma no final da esquina amor. Perto do seu colégio, na verdade.

Agradeci. E avisei que ia passar a tarde na mesma, lendo.

Ela aceitou.

Continuamos nossa refeição num clima leve.

~ *.* ~

Since you've gone I've been lost without a trace

I dream at night I can only see your face

I look around but it's you I can't replace

I feel so cold and I long for your embrace

I keep crying baby, baby, please ♪ ♫

(Every Breath You Take – The Police)

Ao fim do almoço, minha tia despediu-se dizendo que ia para o seu quarto.

Mas não sem antes insistir em lavar a louça.

Fui irredutível sobre isso.

Juntei todas as louças sujas e as lavei. Depois de secar e guardar todas as mesmas, voltei para o meu quarto.

Calcei meus queridos vans e peguei uma bolsa pequena com minhas chaves, meu livro e meu celular dentro.

Acho que era tudo que eu precisava.

Tornei a descer, com minha bolsa e meu skate em mãos.

Gritei em despedida, para tia Elena e fui a procura da tal praça.

Encontrei-a logo.

Estava cheia de crianças correndo de lá pra cá e de pais conversando ou correndo atrás dos filhos. Estava rodeado de sorveteiros e de lugares vendendo doces, pipocas e algodão-doce.

Procurei um lugar calmo onde eu poderia ler.

Mas alguém esbarrou em mim.

Era uma garotinha ruivinha, de aparentemente oito anos.

Olhei-a mais atentamente.

Usava um vestidinho simples e parecia procurar alguém.

— Desculpa. _ Disse ao esbarrar em mim.

— Tudo bem. _ Garanti. _ Qual é o seu nome?

— Shelby. E o seu? _ Disse.

— Sou Molly. _ Respondi. _ Está perdida?

—Não... _ Sorriu.

Algo em seu sorriso me surpreendeu. Parecia-me um tanto familiar.

Fiquei atordoada.

—Ali está meu irmão. _ Continuou, apontando para um ponto atrás de si.

Olhei para onde ela apontava.

Realmente não estou com sorte hoje.

Era o imbecil da escola.

Por alguns momentos, meus olhos verde escuro se encontraram com os verde gelo do garoto.

Fiquei sem falas.

Observei-o em silêncio.

Esperei que ele dissesse algo, pois eu mesma não sabia como reagir.

Notas finais
[Oh Wow Thaynara]: Sugestão, elogios, críticas???? [Caiirah Salvatore Lovato]: Aceitamos tuudo! Apareeeçam!