I Found Angel
6 Esclarecimentos.
Sentimentos humanos. Agora entendo porque os anjos tanto temem vir a Terra. Desde o momento em que cheguei aqui pude perceber que a vida não é fácil, e quando soube que Alex Hearth estava em um hospital, foi então que tudo começou realmente a desabar. Parece que estou dentro de uma montanha-russa. Minhas palavras são absortas, desconexas, confusas e partem ao de encontro ações e emoções que nunca experimentei antes. "Mas que droga está acontecendo?" era o que eu continua a me perguntar. Será que ninguém poderia me ajudar a entender? Desesperada por uma resposta, segui Corin Zayan.
- Você está mais calma agora? — ele me perguntou, enquanto eu me assentava ao lado dele dentro do automóvel.
Apenas assenti com a cabeça, procurando alguma pista do que se tratava dentro de seus olhos.
- Bem, ótimo. — respondeu, sério, enquanto puxava uma espécie de fita e prendeu no banco. — Isso se chama cinto de segurança. Não queremos que aconteça conosco o mesmo que aconteceu com seu protegido, não é mesmo? — continuou, com um sorriso no rosto.
- Deixe de ser estúpido e diga-me o que está acontecendo, senão te deixarei no mesmo estado que está Alex com ou sem cinto. — eu sussurrei encarando-o, e ele percebeu que meu humor já não estava tão angelical.
Ele desviou o olhar e deu a partida no carro. Enquanto nos guiava a caminho do hospital, começou a me explicar:
- Espero que desta vez você preste atenção. Eu me chamo Corin Zayan, e também sou um anjo da guarda. Estou por aqui há dois anos, protegendo uma jovem, e agora, ironicamente, fui enviado a uma missão paralela na qual devo proteger um anjo da guarda chamado Zoey Davis Fiore.
Eu ameacei a protestar, dizer que era um absurdo. Eu não precisava de nenhuma proteção, estava indo muito bem sozinha e aquilo só havia acontecido porque Alex tinha um péssimo hábito de deixar as pessoas plantadas no meio de uma praça, mas ele continuou:
- Não se irrite com a palavra "proteção". O que quis dizer, é que durante as primeiras semanas eu serei seu conselheiro. Ensinarei a você as regras básicas da sociedade em que estamos e como conciliar a missão com seus novos sentimentos. Estarei com você na sua fase de adaptação.
- Prossiga. Quero saber sobre meu protegido. — disse, gesticulando.
- Alex Hearth é um jovem um tanto problemático. — "Oh, sério?", interrompi em pensamento. Achei melhor não esboçar qualquer reação. — Durante a sua vida sofreu com muitas imposições da família tradicional em que nasceu, e como todo todo adolescente passou por um momento de revolta. Largou os estudos e envolveu-se no mundo das drogas e prostituição. Seus pais imediatamente tomaram algumas providencias que ele se submeteu. Internou-se numa clínica de reabilitação e voltou a estudar, mas ainda não é feliz. Pelo contrário. Ele seria capaz de qualquer coisa para conseguir o que quer, sem se importar com nada mais além de si mesmo. É extremamente arrogante. Poucos sabem, mas Alex na verdade está caminhando para o suicídio por causa de Claire, a garota que ele engravidou.
- Ótimo. — eu disse, cruzando os braços tentando organizar na minha mente toda a informação que havia recebido. — E agora, o que eu faço? — falei, observando-o.
- Sei lá. Dê seu jeito. — riu, enquanto pronunciava essas palavras.
- Como assim "dê seu jeito"? Você não vai me ajudar? — bufei
- Chegamos. — ele respondeu, tirando o cinto e saltando do carro.
Eu repeti os mesmos gestos, mas ao fechar a porta, sequer notei que havia deixado a raiva me dominar e batido com tanta força até receber um olhar de reprovação. Me desculpei, e continuei andando ao lado dele.
- Eu disse que iria te ajudar, sim. Mas também tenho minhas responsabilidades com Claire.
- Quem é Claire, no fim das contas?
- Foi ela quem me chamou para o hospital, deixarei você aqui e vou buscá-la. Provavelmente irá conhecê-la ainda hoje. Enquanto isso, tentarei arrumar uma autorização para você fazer uma visita a Alex sem ser interrompida. Vê se não faz nenhuma besteira.
- Uau, ele aproveita uma pergunta minha para dizer que promovo desordem. Você me esclareceu muita coisa agora, hein. Já vi que você como tutor será a mesma coisa que nada. — eu disse, me sentindo uma ingrata, mas já estava estressada demais.
Ele não respondeu, e finalmente chegamos a recepção do hospital. Apenas observei o que ele fazia, mas cansei e resolvi assentar-me para por meus pensamentos em ordem. Eu iria conversar com Alex Hearth. Dessa vez ele não poderia fugir, mas e eu? Será que já deveria dizer que sou um anjo da guarda e irei tentar ajudá-lo da melhor maneira possível?
- Vamos, você pode visitá-lo. Coloquei seu nome na lista. — disse Corin, de repente. Nem havia notado sua aproximação.
Me levantei sem respondê-lo e caminhei lado a lado. Estava pensativa demais para perguntar qualquer coisa. Pegamos um corredor extenso e entramos em uma caixa grande com um espelho. Tinha vários botões com números na parede e suponho que isso devia ser o que chamam de "elevador". Paramos, e a porta se abriu. Enquanto nos dirigíamos para fora, Corin me aconselhou a não dizer que Alex era um protegido em hipótese alguma. Caso dissesse, eu seria obrigada a abrir mão da minha vida no céu, seria condenada a viver eternamente como humana.
- Ótimo. Como vou ajudá-lo agora? — questionei, quase aos prantos. O estresse já estava me consumindo.
- Primeiro engula o choro. Segundo, apenas seja você mesma. — ele disse, batendo e abrindo uma porta de madeira.
"O que ele quer dizer com isso?", pensei.
- Olá, Alex. — colocou o corpo entre o quarto e o lado de fora, se escondendo atrás da porta. Pude ouvir uma resposta fraca vindo lá de dentro. — Eu te trouxe uma visita, quer recebê-la? (...) Ok, ok.
Ele voltou-se para mim e disse, enquanto me empurrava pra dentro:
- Agora é com você.
Não tive tempo de emitir qualquer protesto. Quando vi, já estava frente a frente com Alex Hearth de novo. E agora? O que eu faria? Confesso que a cara dele de sem entender absolutamente nada me confortou, só que o anjo aqui era eu. Eu que estava vendo a sua situação. Ele parecia estar realmente mal. O que eu iria fazer agora? A única coisa que pensei nessa hora foi: "É, agora ferrou."
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