I Fought The Angels

2 I Fought the Angels


Notas iniciais
N/A: Meus amores, shit just got real! Muitas coisas serão explicadas no decorrer da história e, preciso informá-los, a trama tomará um caminho "inesperado" a partir de agora. Espero que continuem gostando e, mais uma vez, obrigada pelas reviews. ♥

CAPÍTULO UM — LUTEI CONTRA OS ANJOS

"Perdoe-me," e seu corpo enrijecera como pedra. Que estava fazendo?, perguntou-se Emma, ao observar a esposa deixá-la para trás. Tentou mover-se, mas seus membros já não mais respondiam a seus chamados. Estava paralisada. Tentou gritar, mas nenhum som lhe perpassou os lábios.

"Regina, querida," ouviu a voz aveludada da Rainha de Copas, a mãe psicótica de Regina, e os pêlos de sua nuca se arrepiaram. Pela primeira vez desde que aterrissaram naquele lugar, Emma via a Rainha em sua original forma. A semelhança que esta carregava a Regina era assombrosa. Entretanto, em alguns pontos, diferia-se da filha. Sua pele, por exemplo, era branca como a imaculada neve do inverno grotesco; tanto, que dava a impressão de jamais haver sido tocada por um raio de sol sequer. Seus olhos, embora do mesmo fascinante tom castanho-achocolatado dos de Regina, não apresentavam tamanha magnitude e profundidade — não, aqueles olhos eram frios, cruéis e vazios. Os lábios pintados de carmim contorciam-se em um enigmático sorriso enrugado. Ela caminhava com imponência e, ao aproximar-se de Regina, Emma tentara outra vez lutar contra a corrente de magia que imobilizava seu corpo; um instinto protetor fora-lhe despertado repentinamente.

"Pensei que a Srta. Swan houvesse finalmente percebido que você é indigna de seu amor," e tudo que Emma conseguiu pensar foi 'não'. Quis gritar para que Regina não lhe desse ouvidos; se bem conhecia a esposa, esta acreditaria nas palavras impuras da mãe. Tanto esforço da parte de ambas fora requerido para que Regina finalmente se permitisse acreditar que Emma estava ali para trazer seu final feliz, que as palavras que diligentemente perpassavam os lábios de Cora, naquele momento, pareciam quase criminais.

"Ou você mata a população inteira, salvo Emma, ou eles matam você."

Não, pensou, e desejou com todas as forças que lhe restavam que Regina pudesse ouvi-la. Eu não permitirei.

"Que acontecerá quando você cravar seu coração?

"Isso não vai acontecer."

Contudo, soara tão desprovida de confiança que algo no peito de Emma se despedaçou. Estava perdendo-a outra vez. Precisava fazer alguma coisa.

"Definitivamente, Cora, você está me subestimando. Pensa que pode me manipular outra vez?" e o peito da loira encheu-se de orgulho, na medida em que um alívio entorpecente se espalhava por todo seu ser.

Entretanto, muito não tardou para que tal alívio fosse bruscamente substituído pelo pânico compressor de outrora. Enquanto observava as garras de Cora afixarem-se de modo possessivo no coração recém-retirado da caixa de madeira, a respiração de Emma perdeu-se em meio caminho aos pulmões. Seu coração acelerou-se. Não estivesse ela imobilizada, estaria tremendo consideravelmente naquele momento.

"Esta é sua última chance, Regina."

Não permita, por favor, não permita que o faça! Emma implorava em seus pensamentos, embora a quem não soubesse ao certo.

E foi assim que todos seus sonhos se despedaçaram diante de seus olhos. Foi assim que todo seu futuro se transformou em pó. Foi assim que a chance de felicidade lhe escapou por entre os dedos. Foi assim que observou, sem conseguir mexer um músculo, murmurar um som sequer, sua esposa ser roubada, mais uma vez, de seu final feliz.

Por um segundo, a raiva explodiu em Emma com a força de mil cavalos furiosos. Por um segundo, apenas, Emma encontrou-se no mesmo lugar em que a Rainha Má uma vez encontrara-se em seu passado. Naquele breve segundo, Emma percebeu que compreendia. Compreendia completamente as ações de Regina. E, embora já o houvesse feito antes, a perdoava. Perdoava-a por completo.

No momento seguinte, tudo sobre o qual teve consciência foi de que estava girando. E, então, caía livremente pelo ar.

* * * *

Os olhos verde-esmeralda abriram-se para um céu de tonalidade cinzenta, bem diferente daquele que, dias atrás, ameaçara roubar parte de sua sanidade mental. Aquele céu que de repente pairava sobre si era manchado por inúmeros tons da realidade agourenta que seu coração se recusava a aceitar.

Olhando ao redor, percebeu-se de volta em Storybrooke, diante do poço mágico.

"Emma?" ouviu uma voz aguda soar distante.

Mas não queria, não podia falar com ninguém naquele momento. Precisava voltar. Precisava retornar a Wonderland imediatamente, antes que perdesse Regina de vez.

O barulho de passos secos ecoaram pelo ambiente, despertando a loira de seus devaneios. "Emma!" a voz tornou a soar, dessa vez, mais próxima. "Oh, graças a Deus está tudo bem!"

E um corpo macio colidiu contra o seu, puxando-a para um abraço apertado. Longas madeixas castanhas acariciaram a pele de seus braços, despertando-lhe arrepios.

"Todos estavam tão preocupados! Está tudo bem? O que aconteceu? Onde esteve? Onde está Regina?"

A última pergunta foi o suficiente para fazer com que a loira se desmanchasse em lágrimas, soluços e murmúrios descontínuos.

"Hey, shhh, shhh, está tudo bem," disse Ruby, segurando a amiga pelos ombros a fim de tentar acalmá-la.

"Preciso voltar," Emma conseguiu articular, em meio aos soluços.

"C-como é?" perguntou Ruby, espantada, arregalando os olhos. Claramente, a seu ver, Emma havia perdido a sanidade.

"P-p-preciso voltar," soluçou outra vez, olhando ao redor desamparada, em busca de algo ou alguém que pudesse transportá-la de volta.

"Emma... Está tudo bem?" Ruby tornou a perguntar e, não obtendo resposta, puxou o celular do bolso e discou um número.

* * * *

"DAVID!" o grito agudo de Mary Margaret ecoou pelo apartamento. O som de passos alarmados rapidamente fez-se presente e a cabeça de David brotou da porta do banheiro.

"Que demônios..." ele começou, mas Mary prontamente o interrompeu, escancarando a porta e puxando o marido pelo braço.

"Emma está de volta!"

"O quê?" balbuciou David. Com o puxão de Mary, a escova de dentes que este segurava escapuliu de suas mãos, e o casal cambaleou em direção à porta de saída.

* * * *

"Emma!" exclamou Mary, exasperada, e atirou-se contra a filha, puxando-a para um abraço apertado.

Emma empurrou-a num impulso; posteriormente arrependeu-se, porém, naquele momento, estava cansada de abraços e festejos: estes não poderiam ser mais anacrônicos.

"Estive tão preocupada!" exclamou Mary, como se não tivesse sido praticamente enxotada por sua própria filha. "Oh, querida, que bom que está de volta!"

Ruby lançou um olhar de advertência, que passou despercebido a Mary, porém, não a David.

"Onde está Regina?" perguntou, certeiro.

"Em Wonderland," disse Emma, meramente, levantando o olhar para encará-lo. Sua voz soara mais grave do que o comum; cada nova palavra que murmurava parecia arranhar-lhe a garganta.

Os olhos de Mary se arregalaram e, logo em seguida, fecharam-se numa espécie de alívio.

"Vou voltar para buscá-la," informou Emma, firmemente.

O silêncio que se sobrepôs ao ambiente parecia pesado ao ponto de poder destruí-lo. O coração de Emma batia acelerado contra suas costelas, ameaçando parti-las.

"Está louca!" exclamou Mary, antes que pudesse se conter.

Emma apenas revirou os olhos.

"Emma! Você não pode voltar àquele lugar! Eu não vou permitir! Não quando passei quatro dias pensando que a havia perdido para sempre!"

"Mary," disse Emma, franzindo a testa.

"Não," a morena interrompeu. "Você vai me escutar. Não posso arriscar perdê-la outra vez. Além do mais, é de Regina que estamos falando. Todos os nossos problemas estão resolvidos."

"I fought the angels here today. Hope my defeat will end this play."

"Não," disse Emma, sentindo a raiva fazer-se presente outra vez, e um estranho gosto metálico espalhar-se por sua boca. "Você pode parar de falar agora. Não vou permitir que você tente me convencer a deixar minha esposa naquela prisão, só porque é mais conveniente para você e seu povo."

"Sua o quê?" perguntou Mary, arregalando os olhos em choque. O queixo de David caiu e Ruby mordeu os lábios a fim de conter uma risada.

"Emma..." começou David, incerto.

"Everybody knows that I only have myself to blame."

"Minha esposa, e-s-p-o-s-a," Emma soletrou, alteando a voz. Lágrimas começaram a se formar no canto de seus olhos quando lembranças ainda muito jovens pulularam-lhe a mente exaurida.

"Emma... Você se casou? Com... Com Regina?" perguntou Mary, cautelosa.

"Sim, casei," respondeu, brutamente.

"MAS VOCÊ SÓ ESTEVE LONGE POR QUATRO DIAS!" exclamou Mary, sacudindo as mãos no ar para dar ênfase a seu discurso.

"Everybody knows that softly, softly wins the game."

Emma franziu a testa mediante ao fato.

"Você ficaria surpresa se soubesse que a noção de tempo se perde facilmente num lugar onde o mesmo não existe," disse, em contrapartida.

"Mas Emma, quatro dias!" Mary tornou a repetir, indignada.

"Que seja!" explodiu Emma, erguendo as mãos no ar. "Casei-me há dois dias, então, creio que esteja mais do que na hora de termos nossa lua de mel."

Ruby não conseguiu mais conter as gargalhadas; estas espalharam-se pelo ambiente, solitárias, soando completamente fora de sintonia.

"Trust, I'll try to learn again. My words are seldom for the friend."

"ELA É SUA AVÓ, EMMA!" exclamou Mary, repentinamente horrorizada como se o fato houvesse acabado de lhe ocorrer.

"Oh, cale a boca," disse Emma, revirando os olhos. "Apenas cale a boca. Ela não é minha avó. Num passado muito distante, ela foi sua madrasta, mas, por tudo que eu sei, você parou de tratá-la como tal há muito tempo, bem antes de eu haver sequer nascido. Eu não cresci como neta adotiva de Regina, então, não, ela não é minha avó, e nada do que você fale vai mudar a minha decisão de trazer minha esposa de volta para casa."

Mais uma vez, o silêncio se estendeu por alguns segundos, maculado apenas pela respiração ofegante e furiosa de Emma.

"Ela tem um argumento plausível," David foi o primeiro a quebrar o silêncio.

"Knew all the time that they came out, wish I could have them disallowed."

"Aquela bruxa!" explodiu Mary, sem conseguir se conter. "Se ela não tivesse lançado aquela maldição ridícula, nada disso estaria acontecendo! Ela corrompeu minha filha!"

"E você corrompeu sua alma," gritou Emma, fechando as mãos em punhos.

"Perdão?" perguntou Mary, exasperada.

"Everybody knows that we say things we do not mean. Everybody knows that we say things that are unclean."

"Se você não tivesse aberto a boca, Regina teria sido feliz com Daniel, e nada disso estaria acontecendo."

"Ela lhe contou sobre Daniel," disse Mary. Não era uma pergunta; apenas uma constatação flagrante da verdade.

"É claro que contou," disse Emma, incrédula. "Nós nos casamos."

"Trust, I'll try to learn again. My words are seldom for the friend."

"Isso é por causa de Henry?" perguntou Mary, esperançosa. "Você se casou com Regina para conseguir direitos legais sobre ele? Porque, se este foi o caso, você não precisava, tem muitos outros jeitos de conseguir—"

"Eu a amo," disse Emma, intensamente.

Mary fechou os olhos e uma expressão de dor tomou conta de seu rosto. "Era isso que eu temia," admitiu, sacudindo a cabeça em desaprovação. "Você não pode amá-la, Emma. Ela não tem alma," tentou uma última vez.

"Run conversations in my head, write my own scripts to dish the dread."

"Imagine de quem é a culpa," disse Emma, antes mesmo que pudesse se conter.

"Emma!" David interveio, em tom de reprimenda.

"Não, não me venha com sermões, David. Você pode ter contribuído para me dar a vida, mas você ainda não é meu pai. Se você me conhecesse pelo menos um pouquinho, você saberia que não vou permitir que nada nem ninguém se meta em meu caminho; não vou desistir até trazer minha esposa de volta."

"And if I speak out loud, I will have to change the rules. For speaking out of bounds, it is practiced by a fool."

Lágrimas silenciosas escorriam pelo rosto de Mary Margaret. David a envolveu num meio abraço enquanto debatia com Emma: "Eu não ia tentar fazer você mudar de idéia, Emma," admitiu. "Está tudo bem. Eu entendo, sério. Você a ama e sempre voltará para ela... Você sempre a salvará... Mas não acho que você tenha o direito de culpar sua mãe pelo que Regina se tornou."

"Seu pai está certo. É tudo culpa de Cora," disse uma voz meio rouca, forasteira ao diálogo.

Os olhos de Emma foram atraídos em direção à fonte da voz desconhecida. Uma mulher idosa caminhava, guiada pela Fada Azul, em direção ao grupo que ali discutia.

"Quem é essa?" perguntou Emma, franzindo a testa em confusão.

"Esta é Mab," disse a Fada Azul. "Minha mãe."

"Mab? Que nem Mab, a Rainha das Fadas?" perguntou, atônita.

A senhora assentiu solenemente e disse: "Sim, eu mesma."

"Mas..." Emma balbuciou, arregalando os olhos. "Mas... Você... Você veio até mim... Você apareceu em meus sonhos e você era menor que uma libélula!"

"Quem é a criança agora, hein?" perguntou Mab, com um sorriso satisfeito.

David e Mary se entreolharam, enquanto o olhar de Ruby perpassava por todas as pessoas ali presentes.

"De qualquer modo," disse Mary, sacudindo a cabeça a fim de espantar as lágrimas e tornando a fixar seu olhar penetrante em Emma. "Como você pretende tirar Regina de Wonderland?"

O rosto cansado de Emma se contorceu em um sorriso de escárnio. "Como é que alguém consegue algo assim, quase impossível? Com Gold, é claro."

"Gold? Gold, de dinheiro?" perguntou Mary, cautelosa, embora, no fundo, já soubesse a resposta. "Alguém, por favor, assegure-me de que ela quer dizer 'dinheiro'," e sua voz atingiu um tom agudo.

"Não, Gold de Rumpelstiltskin, o Senhor das Trevas."

"Não, não, não, não, não! Não mesmo! Não, não, não, não, não! Emma! Perdeu a cabeça? Que demônios está pensando?" perguntou Mary, agora, entrando em pânico.

David postou uma mão sobre o ombro da esposa, apertando-o delicadamente. "Branca," ele disse, tentando acalmá-la.

"Não, nem se atreva a começar," disse Branca, erguendo uma mão a fim de bloquear sua visão do rosto de David. "Pensei que você estivesse comigo, David! É de nossa filha que estamos falando! Ela está querendo arriscar a vida para salvar nossa arqui-inimiga. Você concorda com isso?"

"Sim, eu concordo, porque eu fiz o mesmo por você, e eu o faria novamente quando quer que se provasse necessário, então, como disse, eu compreendo," disse David, firmemente.

Mary o encarava com uma expressão semelhante a de alguém que fora traído.

"Tudo decidido, então," disse Emma, respirando fundo. "Vou atrás de Gold."

"Temo que não vá encontrá-lo," disse Mab, em tom tristonho.

"Como é?" perguntou Emma, arregalando os olhos.

"Gold está fora da cidade."

"O QUÊ?" Mary, David e Emma perguntaram, em uníssono.

"Mas... Mas e a barreira protetora?" perguntou Ruby, confusa.

"Gold encontrou um jeito de burlar isso," informou Mab. "Parece que encontrou um encantamento forte o suficiente que lhe permitiu ultrapassar a barreira sem que perdesse suas memórias. Gold partiu à procura do filho."

A respiração de Emma tornou-se entrecortada outra vez, à medida que a dura realidade despencava sobre si. Lá se ia sua esperança.