I Fought The Angels

3 A Heart For a Heart


Notas iniciais
N/A: A Ruby shippa Swan Queen, Ela é a capitã do Ship, guys. LSKHDJAHSFD ♥ Espero que gostem.
N/A (2): Cena de Swan Queen no próximo capítilo, dearies. Não se preocupem, não deixarei vocês em abstinência. ♥3 hahaha

CAPÍTULO DOIS UM CORAÇÃO POR OUTRO

Emma caminhava apressadamente pelas ruas de Storybrooke; o destino passava-lhe longe do intelecto este pouco importava, contanto que continuasse a se mover.

"Emma!" chamara Ruby pelo que lhe parecera ser a milésima vez.

"Já lhe disse," resmungou Emma, sem desacelerar o passo. "Não vou desistir."

"Você não está me escutando!" protestou Ruby em tom agudo, puxando a amiga pelo braço, de modo a forçá-la a parar de caminhar.

Emma se virou relutantemente em direção a Ruby, evitando encará-la nos olhos compreensivos; cruzou os braços e manteve o olhar preso no tempo nublado de Storybrooke que combinava perfeitamente com seu estado de espírito.

"Isso não está ajudando," disse Ruby, franzindo a testa de modo apologético. "Correr uma maratona ao redor de Storybrooke não vai trazer Regina de volta."

"Preciso encontrar um jeito!" disse Emma, e algo no peito de Ruby se contorceu ao perceber que a voz de Emma soava estrangulada. Podia apenas imaginar o dilema que se passava dentro da amiga. Ela, melhor do que ninguém, sabia o que era perder seu amor verdadeiro.

"Eu a ajudarei," disse Ruby, apertando levemente o ombro da amiga de modo reconfortante. "Não importa o que seus pais digam, se você diz que a quer de volta, nós a traremos de volta," disse, em tom confiante.

Um nó se formou na garganta de Emma, e ela soltou o ar que nem percebera estar prendendo. "Por que está me ajudando?" perguntou, com a voz tremendo.

"Porque eu sempre soube que você a amava," disse Ruby, simplesmente, como se fosse óbvio.

"Como é?" perguntou Emma, confusa.

Uma risadinha infantil perpassou os lábios pintados de carmim. "Eu sempre soube! Quero dizer, era óbvio demais, a julgar pelo modo como se encaravam. Aliás, sempre achei que tivesse um caso..."

"Não tínhamos," disse Emma, sacudindo a cabeça negativamente e fechando os olhos a fim de conter as lágrimas que formavam-se nos cantos de seus olhos. "Teríamos tido, não fosse eu tão covarde!" exclamou, e cerrou os dentes em frustração. "Se eu não tivesse tentado fugir de meus sentimentos, talvez tudo tivesse sido diferente..."

E era verdade, pensou. Desde o primeiro momento em que seus olhos encontraram-se com os de Regina, ela soube que esta não seria apenas mais uma passante em sua vida. Ao longo do tempo, Emma foi percebendo que Regina seria diferente de todas as outras pessoas as quais já conhecera. Regina era o tipo de mulher que investia contra seu alvo, depois, abandonava-o em sua miséria; então, tornava a investir e abandoná-lo até que nada restasse de sua vítima. De certo modo, a relação de Emma com Regina fora assim desde o princípio. Quando quer que ambas fizessem qualquer progresso para aproximar-se uma da outra, algo as puxava de volta para onde haviam começado. E assim vagavam por entre os abismos do amor e do ódio: num momento, perigosamente perto uma da outra; no outro, perigosamente longe. Até que não houvera mais distância. Até que Regina se entregara a Emma e tudo parecera estar em seu devido lugar. Até que Cora estragara tudo. Até que Regina escapara-lhe por entre os dedos.

"I, I've been waiting for someone like you, but now you are slipping away, oh why, why does fate make us suffer? There's a curse between us, between me and you."

"Emma," chamou Ruby, despertando a loira de seus pensamentos. "Não perca tempo se culpando por aquilo que não foi feito," disse, em simpatia. "O que precisamos fazer agora é encontrar algum jeito de trazer sua esposa de volta para casa. A propósito, já mencionei que estou muito chateada porque você não me escolheu para ser sua madrinha de casamento?" perguntou, comprimindo os lábios numa linha fina a fim de ocultar seu sorriso brincalhão.

O semblante de Emma relaxou um pouco, e uma risada que soou estrangeira a seus próprios ouvidos perpassou-lhe os lábios secos. "Eu... Ruby... Nem tivemos tempo..."

"Eu sei, eu sei," disse a morena, explodindo em gargalhadas esganiçadas. "Estou apenas brincando."

Emma sorriu em agradecimento; estava precisando daquele momento de descontração.

"Vamos," disse Ruby de repente, puxando Emma pela mão. "Sei de alguém que pode nos ajudar a chegar a Wonderland."

"Q-quem?" perguntou Emma, confusa, sem dar um passo sequer, o que fez com que Ruby fosse puxada de volta para trás e quase caísse ao chão.

"Ora, não é óbvio?" perguntou, erguendo as sobrancelhas. "O Chapeleiro Louco, é claro."

O rosto de Emma murchou e seus lábios se entreabriram em mortificação. De fato, era óbvio mais óbvio, impossível e, mesmo assim, a idéia não lhe passara nem perto da mente.

"Como não pensei nisso antes?" perguntou, suspirando derrotada, e deixando-se guiar por Ruby.

* * * *

"Espere, Ruby!" disse Emma, puxando a amiga pela mão, forçando-a a parar no meio do caminho outra vez. Ruby ergueu as sobrancelhas em indagação. "Eu... Não sei se ele ficará feliz em me ver."

"Por quê?" perguntou, confusa.

"Nós... Err... Bem... Nós temos um histórico não muito agradável..."

O queixo de Ruby caiu e sua boca se abriu num grande e redondo 'O'. "Emma Swan!" ela exclamou, exasperada. "O que você esteve fazendo? Regina sabe disso?" perguntou, horrorizada.

Emma franziu a testa em confusão; que poderia Regina ter a ver com seu histórico com Jefferson?

"Ohh," disse, quando a compreensão atingiu-lhe duramente contra o rosto. "Não esse tipo de histórico," disse, revirando os olhos. "Tivemos uma briga uma vez..." disse, estreitando os olhos enquanto as memórias pululavam-lhe a mente. "Uma briga física. Quebrei um vaso em sua cabeça... Não acho que o cara vá ficar muito animado em me ver..."

Ruby soltou uma risada aliviada. "Besteira," disse, sacudindo a mão no ar como quem desconsidera uma situação como de pouca importância, e tornou a puxar a amiga pela mão.

* * * *

"Ora, ora," disse Jefferson, logo ao abrir a porta e deparar-se com a figura exausta de Emma em sua soleira. "Vejam só quem se tornou uma crente!" ironizou, em tom perigosamente aveludado.

"Jefferson," cumprimentou Emma, brevemente.

"Eu a convidaria para entrar, mas você sabe que o modo convencional de educação pouco me é de interesse..." disse, de modo casual. Emma revirou os olhos e bufou. "Imagine o meu espanto ao ouvir dizer que você havia retornado a nossa Terra, enquanto eu ainda estava aqui, trancafiado nesta pútrida cidadela!" as palavras saíram em disparate.

"Jefferson, por favor," interrompeu Ruby, erguendo a mão no ar, de modo pacificador. "Precisamos de sua ajuda."

"Sério?" perguntou, sem retirar o olhar do rosto de Emma. "E o que pessoas como vocês poderiam querer com o Chapeleiro Louco?"

Emma e Ruby se entreolharam brevemente.

"Podemos entrar?" perguntou Ruby, timidamente.

Um longo intervalo de silêncio se estendeu pelo ambiente, enquanto Jefferson parecia considerar, em sua mente, se seria inteligente permitir que as damas adentrassem aquilo que considerava seu convém. Por fim, ele abriu a pesada porta de madeira, dando passagem a Ruby e Emma.

Guiou-as rapidamente em direção ao sofá e, com uma reverência teatral, indicou-lhes que sentassem.

"Então... O que querem de minha humilde pessoa?"

Emma cruzou as mãos no colo, respirando fundo e fechando os olhos a fim de acalmar a palpitação acelerada em seu peito. "Preciso que me leve a Wonderland."

Mais alguns segundos de silêncio se passaram, até que este foi quebrado por gargalhadas histéricas que escapavam dos lábios craquelados do Chapeleiro. "Deve estar brincando! Está maluca?"

Emma revirou os olhos, permitindo-se, por um segundo, divertir-se com a ironia de ter sua sanidade mental questionada pelo Chapeleiro Louco.

"Que lhe faz pensar que eu retornaria àquele inferno?" perguntou, contendo um arrepio.

"Jefferson, eu compreendo que Wonderland não seja o sonho dourado de alguém, mas isso é realmente importante..." Emma pediu, esforçando-se ao máximo para ser gentil.

"Sério?" perguntou, cruzando os braços em incredulidade. "O que poderia ser tão importante?"

"Eu... Eu deixei uma coisa lá..." gaguejou Emma.

A testa de Jefferson franziu-se imediatamente. "Você esteve em Wonderland?"

Emma hesitou por alguns momentos; quando, por fim, assentiu, Jefferson explodiu em urros furiosos: "AQUELA BRUXA! AQUELA DESGRAÇADA! Ela me usou! Todo esse tempo, ela sabia como conjurar um portal até Wonderland! Ah, mas é claro que sabia! Como não percebi antes? Ela me usou!"

Emma fazia grande esforço mental para acompanhar o raciocínio de Jefferson, mas a tarefa provava-se impossível. "Do que está falando?" perguntou.

"Ora, da desgraçada de Regina, é claro! A maldita! A Rainha Má! A cadela psicótica!"

"Hey!" gritou Emma, mais alto que Jefferson; o ato pegou-o completamente de surpresa, e ele se calou abruptamente. "Sugiro que meça suas palavras! É de minha esposa que você está falando!"

Ruby deu um tapa na própria testa em frustração.

"Sua o quê?" perguntou Jefferson, arregalando os olhos.

"Emma, acho que seria melhor se você evitasse" começou Ruby, mas foi prontamente interrompida pela voz histérica de Jefferson.

"Emma Swan, você tem uma queda pelo Demônio?"

O barulho da agressão ecoou pelo ambiente antes mesmo que Jefferson pudesse sentir a dor: o punho de Emma atingira-o em cheio bem no canto do rosto. Com o impacto, Jefferson se desequilibrou e quase escorregou do sofá para o chão.

Ruby puxou Emma pela jaqueta de couro, fazendo-a sentar-se novamente. "Emma," ela sibilou. "Que demônios deu em você?"

"É assim que você normalmente pede que as pessoas a ajudem? Não é um método muito eficaz, se me permite dizer," disse Jefferson, massageando o olho que já inchava.

"Vai me ajudar ou não?" perguntou Emma, cruzando os braços e enterrando as unhas na fábrica de sua jaqueta, a fim de conter a raiva que a possuía completamente.

"Por que você não pede para que sua adorável esposa conjure um maldito portal a Wonderland, já que ela sabe muito bem como fazê-lo?"

"Porque ela não está aqui agora," respondeu Emma.

"Sério? E onde ela está?" perguntou Jefferson, incrédulo.

Emma cerrou os dentes com força e a dor espelhou-se em seus olhos verde-esmeralda. Ruby ajeitou-se no sofá e franziu a testa.

"Ohhhh!" exclamou Jefferson, quando todas as peças finalmente se encaixaram em sua mente. "OOOOOOOH!" exclamou, maravilhado. "Ela está em Wonderland, não está?" e explodiu em gargalhadas.

"Ruby, ele está pedindo por outro olho roxo!" sibilou Emma, entredentes. Ruby prontamente segurou Emma pelo braço com um aperto de aço. A morena era mais forte do que aparentava, pensou Emma.

"Oh, Regina presa em Wonderland! Justiça, afinal!" exclamou Jefferson, elétrico.

"Não por muito tempo," disse Emma, entredentes. "Vou trazê-la de volta."

"Não vai, não; não se depender de mim," retrucou, simplesmente.

"Como é?" perguntou Emma, tentando libertar-se novamente do aperto de Ruby, que apenas se intensificou mediante aos esforços da loira.

"Não conte comigo para trazer sua maldita esposa de volta. Por mim, ela pode apodrecer naquele lugar," disse, e a raiva, embora contida em sua voz, era evidente. "Agora ela conhece a dor que eu senti! Agora ela sabe o que é enlouquecer por não conseguir encontrar uma saída, um meio de voltar para quem você ama! Ohhh! A vingança é mesmo um prato frio!"

"Jefferson, por favor," começou Ruby, mas foi ignorada.

"Espere... Se ela está em Wonderland... E sabe conjurar um portal... Por que ela não retornou com você?" perguntou Jefferson, quando seu frenesi finalmente passou.

Pela terceira vez naquele dia, o silêncio pareceu comprimir o ambiente.

"Cora..." Emma tentou falar, mas não obteve muito sucesso; sua garganta estava seca.

"Que Cora?"

"A Rainha de Copas," sussurrou Emma. "A mãe de Regina... Ela... Ela arrancou seu coração... Regina está... Está m-morta..."

Jefferson franziu a testa em confusão. "Ela está morta e seu corpo está em Wonderland?"

Emma apenas assentiu. "Ela está morta, mas ainda está viva," disse, sentindo-se completamente estúpida.

"Você não faz o menor sentido."

Outra vez, Emma sentiu como se o destino estivesse debochando de sua cara. Ouvir do Chapeleiro Louco que alguém não faz o menor sentido não é a coisa mais encorajadora do mundo.

"Enquanto Regina estiver em Wonderland, ela estará viva... Porque o tempo ali é congelado..." explicou Emma.

"É claro..." devaneou Jefferson; seu olhar tornara-se vago por alguns segundos. "Eu me lembro!"

"De quê?" indagou Emma.

"Uma vez a Rainha de Copas cortou minha cabeça..." disse, dando de ombros como se ter a cabeça cortada pela Rainha de Copas fosse a coisa mais natural do mundo.

Os lábios de Emma se entreabriram em exasperação. "Q-quê? E você está vivo?!"

Jefferson revirou os olhos. "Não, sou um fantasma," disse, a ironia reverberando em sua garganta.

"Quero dizer... Você está fora de Wonderland... E não... Não morreu... Se eu trouxer Regina de volta, será que ela continuaria viva?"

"Nah," disse Jefferson, sacudindo a cabeça. "Ela provavelmente morreria," disse, ainda no mesmo tom casual.

"Mas você acabou de dizer..." exclamou Emma.

"A Rainha de Copas me consertou, mais tarde, com Magia."

Pela primeira vez desde que retornara de Wonderland, Emma sentiu como se pudesse respirar novamente. "Então um jeito de trazê-la de volta à vida com Magia!"

"De certo modo..." disse Jefferson.

"Você sabe de alguma coisa," disse Emma, estreitando o olhar em direção a Jefferson; este apenas riu. "Diga-me o que sabe a respeito!" exigiu.

"E por que eu faria isso?" perguntou, cruzando os braços. "Dê-me uma única razão pela qual eu não deixaria Regina apodrecer naquele lugar!"

"Porque fazê-lo o tornaria igual a ela," disse Ruby, prontamente. "Você não quer ser igual a ela, quer?"

Jefferson manteve-se em silêncio por alguns segundos, enquanto discutia consigo mesmo o melhor a ser feito.

"Bem, uma vez, Regina me manipulou a levá-la até Wonderland. Conjurei um portal de ida e volta, entretanto, estes são diferentes: o número de pessoas a passar por ele deve ser igual ao número de pessoas a voltar... Ela simplesmente me levou porque precisava de alguém para ser deixado para trás... Ela me deixou lá, e trouxe de volta seu pai."

"O pai?" perguntou Emma, confusa. Regina não havia mencionado esta parte, quando lhe contou sua história. Com uma pontada no peito, Emma percebeu que ainda havia muito da história da Rainha Má que ela não conhecia.

"Ela levou um coração até Wonderland e com uma gota de um líquido extraído do Cogumelo Mágico, ela conseguiu trazer seu pai de volta à vida."

Emma ofegou. "Se eu levasse um coração até Wonderland, você acha que eu conseguiria trazer Regina de volta à vida?" perguntou.

"Não tenho certeza," disse Jefferson, dando de ombros. "O coração que Regina usou pertencia a seu pai. Neste caso, temos o corpo de Regina, mas não temos seu coração."

"Mas... Mas... Seria como fazer um transplante, certo?" perguntou Emma, esperançosa, captando o olhar de Ruby. "Quero dizer... Tantas pessoas sobrevivem com o coração de outras... Talvez... Talvez Regina também possa..."

"Precisamos conversar com alguém que entenda de Magia Negra," disse Ruby, sugestivamente.

"Gold," Emma compreendeu instantaneamente. "Mas ele está fora da cidade! Sabe-se lá quanto tempo demorará a retornar! Não posso esperar! Não tenho todo tempo do mundo!"

"Querida, o Tempo não é bem um problema naquele lugar," debochou Jefferson.

Emma respirou fundo a fim de conter a onda de fúria que decaía sobre si. Estava farta de ouvir que o Tempo não era um problema em Wonderland, quando, na realidade, este provava-se novamente ser o maior problema de todos.

"Não posso me dar ao luxo de esperar por Gold," disse Emma, franzindo a testa. "Preciso encontrar um jeito de falar com Regina."

"Quantas viagens você pretende fazer até Wonderland?" perguntou Jefferson, incrédulo.

"Quantas forem necessárias!" disse Emma, prontamente.

"Não conte comigo. Posso até pensar em abrir-lhe um portal até Wonderland... Um portal só de ida, pois este não implica que eu vá junto com você... Não vou arriscar ficar trancafiado naquele lugar outra vez. Se quiser meus serviços, esta é minha condição."

"Um portal só de ida?" perguntou Emma, enquanto considerava a hipótese.

"Exatamente."

"Aceito," disse Emma.

Os olhos de Ruby arregalaram-se de tal modo que deram a impressão de querer saltar de seu rosto. "Emma!" exclamou, exasperada. "Sei que eu disse que ia ajudá-la, mas não posso permitir que você se trancafie em Wonderland por causa de Regina! Quero dizer, pense em sua família! Henry precisa de você!"

"Não, Ruby, você não me entendeu. Eu não vou me trancafiar em Wonderland. Vou arranjar um coração, levá-lo até Wonderland, ressuscitar minha esposa, e convencê-la a abrir um portal de volta até Storybrooke," disse Emma, sorrindo abertamente como se houvesse acabado de traçar o melhor plano do mundo.

"Ok," disse Ruby, incerta. "E como você pretende conseguir um coração?"

O sorriso murchou instantaneamente.