I Fought The Angels
4 Curses
Notas iniciais
N/A (2): Vocês são foda, já disse isso? ♥ Seus lindos! skjdhgafsd
CAPÍTULO TRÊS — MALDIÇÕES
"Mab!" a voz de Emma ecoou estridente, parecendo reverberar por entre as vidraças manchadas por obtusos raios de sol. "Mab! Preciso de sua ajuda, preciso que mande uma mensagem a Regi--" sua voz aquietou-se e um grande peso pareceu afundar em seu estômago ao observar a solene senhora levantar-se com dificuldade do sofá de couro, seus marejados olhos arregalados. "Mab?" perguntou, incerta. "Que aconteceu?"
"Não consigo..." sussurrou Mab, frustrada, mais para si mesma que propriamente à inesperada visitante que pairava na soleira da porta de seu quarto. "Não consigo alcançá-la!"
Uma sensação de frio latente espalhou-se pelo corpo de Emma e sua visão escureceu um pouco; embora as palavras de Mab soassem fora de contexto a seus ouvidos, o tom agourento de sua voz trêmula era suficiente para agitar a pulsação sangüínea da loira à sua frente. "Que quer dizer?" gaguejou Emma.
"Estive... Estive tentando alcançá-la desde que você retornou sozinha, mas... Não... Não consigo," disse Mab, escondendo o rosto pálido nas mãos enrugadas. Emma não precisava perguntar para saber que se tratava de Regina. "É como se... Como se ela estivesse... Como se estivesse morta..."
Emma ofegou e seu corpo se contorceu involuntariamente devido à dor que praticamente a cegava e a impedia de pensar coerentemente. "Não," disse, fechando as mãos em punhos a fim de conter os tremores que se apoderavam de seus dedos. "Ela não está morta! Você tem de continuar tentando!"
"Emma," disse a senhora, estendendo a mão no ar cegamente de forma convidativa; Emma, por sua vez, meramente a encarou por entre as lágrimas que enuvesciam sua visão. "Enquanto Regina estiver em Wonderland, sim, estará, de certo modo, viva... Mas... Mas se ela... Se ela pisar fora das premissas daquele lugar..."
Os lábios de Emma se entreabriram a fim de protestar a favor de sua esposa; Regina não faria isso, faria?, pensou, mas qualquer palavra morreu em sua garganta, onde um nó se formara desde o momento em que presenciara Cora arrancar o coração de sua esposa e esmagá-lo bem diante de seus olhos; nó este que apenas vinha tornando-se mais e mais dolorido nos últimos momentos.
"Não faz parte da personalidade de Regina desistir assim," disse Mab, desamparada, sacudindo a cabeça negativamente. "Mas, dadas as circunstâncias..." grossas lágrimas escorreram por entre as numerosas rugas de seu rosto.
"Está dizendo que... Regina..." começou Emma; não precisou finalizar para que Mab entendesse onde queria chegar.
"Não sei! Juro que não sei!" exclamou, em meio às lágrimas. "Tudo o que sei é que não consigo alcançá-la!"
Emma sacudiu a cabeça negativamente em incredulidade, e começou a caminhar apressadamente de um lado para o outro. Os passos em ritmo staccato ecoavam de modo agourento nos ouvidos de Mab, despertando-lhe os mais sinistros dos arrepios.
"Faz trinta horas que retornei," disse Emma, de repente, com um novo brilho tingindo-lhe o olhar. "Talvez Regina ainda não tenha adormecido."
"O que já deveria ter ocorrido, à essa altura," disse Mab, desesperançosa.
"Não necessariamente," disse Emma, firmemente.
"Emma," Mab tentou argumentar.
"Não!" exclamou a outra, furiosa. "Você não vai parar de tentar até que tenham se passado 72 horas, entendeu? 72 horas é o tempo máximo que o organismo humano consegue manter-se acordado. Se, ao término desse prazo, você ainda não a tiver alcançado, então... Então..." sua respiração tornara-se subitamente entrecortada. "Então saberemos com certeza."
"Ok," disse Mab, quietamente. "Continuarei tentando."
"Obrigada," disse Emma, decididamente, e girou nos calcanhares, caminhando em direção à porta.
* * * *
A penteadeira repousava magnificamente em meio à grande névoa branca que adornava o ambiente. Na majestosa cadeira à sua frente, descansava a Rainha: olhos cegamente afixados no além, lábios entreabertos e uma melodia docemente infantil reverberando no fundo de sua garganta. Penteava incansavelmente as longas madeixas castahas.
"Regina!" a vozinha aguda mal chegou-lhe aos ouvidos. "Oh, graças adeus!"
Mab bateu as asas com mais força e voou em direção a Regina, pousando em seu ombro. Lágrimas de alívio escorriam por seu rosto minúsculo. "Graças a Deus!" exclamou, exasperada. "Pensei que houvesse cometido alguma loucura!" confessou. Mas não obteve resposta.
Franzindo a testa, tornou a bater as asas e pairou na altura dos olhos de Regina. Estes não pareceram sequer reconhecer sua presença.
"R-Regina?" gaguejou Mab, confusa.
Então, o esforço provando-se extremo para suas pequenas asas, Mab escorregou alguns centímetros no ar, pairando bem na altura do pescoço de Regina, onde, bem no meio de seu decote, pairava a imagem reluzente de um cisne branco. O brilho exalado pelo pequeno pingente não era estranho à pequena forma.
"Não!" lamentou-se Mab, "Não, você não o fez! Regina, sua criatura abissalmente energúmena!"
E abriu os cegos olhos para o teto abobadado do convento.
* * * *
"Regina está viva," disse Mab.
"Então por que você não parece feliz?" perguntou Mary Margaret, desconfiada, embora, de certo modo, ela também não fosse a mais radiante das criaturas.
"Posso falar com Emma em particular?" perguntou a senhora, polidamente.
Mary Margaret cruzou os braços e esticou o corpo. "Não," disse, firmemente, na defensiva. "O que quer que tenha a dizer pode ser compartilhado com todos nós. Somos uma família, afinal."
Emma nem se deu ao trabalho de argumentar: apenas revirou os olhos e envolveu seu braço no de Mab, guiando-a em direção às escadas e ignorando os chamados indignados daquela que descobrira, há poucos dias, ser sua mãe.
* * * *
"Estava certa," disse Mab, por fim, quando ambas já haviam se acomodado no banco de madeira que dava vista ao estupendo lago de Storybrooke. "Regina estava tentando não adormecer."
"Eu sabia! Céus, eu sabia!" exclamou Emma, aliviada, permitindo que duas lágrimas escorressem por seu rosto, mas não que estas ali perdurassem; prontamente enxugou-as com as pontas dos dedos adornados pela luva de couro que aquecia-lhe as vértebras. "Então... O que falou a ela? Disse-lhe que vou voltar para buscá-la? O que ela disse em retorno?"
Mab simplesmente sacudiu a cabeça negativamente, fechando os olhos de modo apologético.
"Não... Não disse nada?" perguntou Emma, sentindo uma grande pontada de dor atingir seu peito.
"Não consegui alcançá-la, Emma," disse Mab, enigmaticamente.
"Mas... Mas você acabou de dizer..." balbuciou Emma.
"Ela não é mais Regina..." continuou a senhora com seu discurso enigmático.
"Que quer dizer?" demandou Emma, franzindo a testa.
"Ela fez... Ela fez uma coisa..." gaguejou Mab, enquanto franzia a testa e considerava em sua mente como organizar as palavras de modo que não fossem chocar a cética mulher a seu lado.
"Desembucha!" esganiçou-se Emma, começando a ficar nervosa. Suas pernas sacudiam-se involuntariamente em rito acelerado e seu corpo era constantemente bombardeado com arrepios que nada tinham a ver com o frio cortante daquela cidadela fictícia.
"Ela lançou uma maldição sobre si própria," disse Mab, quando finalmente decidiu não haver método sutil de organizar a informação.
"Ela fez o quê?" perguntou Emma, estarrecida.
"Ela lançou uma maldição sobre si própria," tornou a dizer. "Uma maldição que apagou suas memórias."
O silêncio se sobrepôs ao ambiente, estendendo-se por mais tempo do que era confortável a ambas as duas. O cérebro de Emma parecia recusar a informação ali exposta.
"C-como... Que... Que isso quer dizer?" perguntou Emma, finalmente, num meio-sussurro.
"Quer dizer que ela se foi."
"Então vamos trazê-la de volta," insistiu.
Mab apenas mordeu o lábio inferior.
"Que foi agora?" perguntou Emma, virando os olhos e derrubando mais duas lágrimas devido ao ato.
"Temo que não seja possível," disse a senhora.
"Como se eu fosse aceitar isso," disse Emma, cruzando os braços em teimosia. "Vou encontrar um jeito!" exclamou, estupefata. "Se encontrei um método de contornar o fato de que a mãe dela esmagou seu coração, então também posso encontrar um jeito de quebrar a maldição que ela lançou sobre si! Eu quebrei a Maldição Negra, pelo amor de Deus!" exclamou, indignada.
"Isso é diferente, Emma," argumentou a senhora.
"Todas as maldições podem ser quebradas!" disse Emma, em tom mais alto e bruto do que pretendera.
Mab apenas sacudiu a cabeça negativamente e adicionou, num sussurro: "Nem todas."
Mas Emma sacudiu a cabeça com mais veemência que a senhora, como se isso fosse tornar seu argumento mais correto. "O beijo do verdadeiro amor vai quebrar qualquer maldição! Tudo que tenho a fazer é... É ir lá e beijá-la!"
Mab respirou fundo: quando o ar tornou a evadir seu corpo ancião, este se contorceu num arrepio. "Nós somos feitos de memórias, Emma, todos nós... Se as memórias de Regina estão apagadas, então ela não é mais Regina, o que significa que ela não é ninguém... Regina não existe mais... Só o que restou foi seu corpo... E o corpo de Regina não vai lembrar que ela a ama, de modo que seu beijo não será reconhecido como o beijo do verdadeiro amor."
Mais alguns segundos de silêncio se arrastaram lugubremente, até que Emma explodiu em negação outra vez. "Não! Deve haver algum modo! Preciso falar com ela! Mab, preciso pelo menos tentar! Nunca vou me perdoar se ao menos não tentar!" implorou Emma.
Embora cega para aquele mundo, Mab podia muito bem deduzir a expressão que maculava as feições outrora intactas da loira inquieta a seu lado. Podia, em sua mente, ver claramente o modo como os olhos esmeralda arregalavam-se em desespero. A cena era-lhe estranhamente familiar; lembrava-lhe o momento em que Regina viera até ela reclamar sobre Cora. "É como se ela estivesse me transformando nela," dissera a morena, e seus olhos, bem como sua voz estrangulada, continham toda a dor e a mágoa que lhe foram infligidas nos dias passados. "E meu pai nada fará para me salvar." Oh, que não daria para comunicar a Regina que Emma algo faria para salvá-la!
Então, de repente, algo lhe ocorreu. "Posso levar-lhe até ela!" exclamou Mab, repentinamente.
Emma franziu a testa em confusão.
"Através de seus sonhos," explicou Mab, em resposta à pergunta silenciosa.
Emma soltou uma risada de deboche que soava quase tanto quanto as de Regina, num passado não tão distante. "Você quer me levar até ela através de nossos sonhos?" perguntou, em tom incrédulo. Sim, pensou Mab. Definitivamente como Regina.
"Sim," disse.
"Isso é possível?" perguntou Emma, em tom assustadoramente calmo.
Mab assentiu.
"Por que demônios não me disse antes?" sibilou Emma; outra vez a mente de Mab traçou paralelos entre ambas as personalidades de Emma e Regina.
"Não havia me ocorrido antes, perdoe-me," disse a senhora.
"Não havia lhe ocorrido, sério?" grunhiu Emma, em frustração. "Estive procurando métodos de alcançar Regina desde o momento em que pisei em Storybrooke, e você diz que não havia lhe ocorrido?" exclamou, indignada. "Mab, você era mais intelifente quando na forma de uma criança!"
Uma espécie de um sorriso trêmulo esboçou-se nos lábios maculados pleo tempo.
"Leve-me até ela," ordenou Emma. "Agora."
"Ela não está dormindo agora."
"Então faça com que ela adormeça!" exclamou, agitando as mãos no ar.
"Não posso!" exclamou Mab, na defensiva. "Sou a Fada dos Sonhos, não a Fada do Sono," disse, como se fosse óbvio.
"Então arranje-me uma maldita Fada do Sono!"
Mab ofegou, indignada. "Não há nenhuma restante," disse, cruzando os braços. "O que posso fazer por você é continuar tentando alcançar Regina e avisá-la quando for possível."
"O que, dadas as circunstâncias, pode levar mais dois ou três dias porque a obtusa da minha esposa está tentando se manter acordada, que merda!" exclamou, dando um soco no banco que madeira, que rangeu em protesto.
"Vou mantê-la informada, Emma, não se preocupe," disse Mab, naquilo que imaginava ser um tom tranqüilizador. Mas Emma estava longe de ser tranqüilizada.
"É bom mesmo que o faça," disse Emma, entredentes.
* * * *
"Regina está dormindo," informou a voz entrecortada de Mab pelo telefone.
"Excelente," exclamou Emma, elétrica. "Que tenho de fazer?"
"Adormecer," disse Mab, simplesmente.
"Só isso?" perguntou a loira, incrédula.
"Sim. Apenas isso. Deixe o resto comigo. Apenas feche os olhos."
Emma respirou fundo a fim de tentar acalmar os nervos. Aquela seria uma longa noite.
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