I Fought The Angels

5 Ghosts of a Past Long Forgotten


Notas iniciais
N/A: Como prometido... ♥ Espero que gostem. E agora a porra ficou séria, com certo visitante que acaba de chegar em Storybrooke...
N/A (2): Obrigada pelas reviews, amores da minha vida. ♥ *-*

CAPÍTULO QUATRO — FANTASMAS DE UM PASSADO HÁ MUITO ESQUECIDO

Um ou dois raios de sol penetravam, insistentemente, a intensa névoa branca que se sobrepunha ao ambiente, dando a este um quê celestial. Olhando ao redor, ainda um pouco aturdida, Emma Swan captou a visão da grande penteadeira de madeira rósea.

Caminhando lentamente até o objeto, seu coração pulsava ansiosamente e sua respiração tornava-se mais e mais entrecortada a cada novo passo dado.

Grandes madeixas castanhas foram primeiramente reconhecidas por seu cérebro hiperativo, seguidas de compridos dedos, pálidos e ossudos, entrelaçados no cabo de uma régia escova de cabelos, a qual parecia brincar solenemente com nós invisíveis ao olho nu.

Soltando o ar que estivera prendendo, Emma aproximou-se da lastimável figura, piscando rapidamente os olhos a fim de livrar-se das lágrimas que turvavam-lhe a visão.

"Gina," sussurrou, sentindo o peito se contrair em dor ante a imagem no grande espelho refletida.

Alguns segundos se arrastaram enquanto ali permaneceu, congelada em seu lugar, apenas mirando a imagem à sua frente. Então, por fim, aproximou-se languidamente e, com cuidado, retirou a majestosa escova das mãos trêmulas e tomou as dores da tarefa de pentear os cachos acastanhados.

Por quanto tempo assim permaneceu, cuidando dos cabelos de sua perdida esposa, Emma não saberia dizer. A noção do tempo esvaía-se facilmente, sendo imediatamente substituída por uma intensa dor que adornava-lhe o peito, ameaçando levá-la ao pico da insanidade.

Ela se foi, as palavras de Mab dançaram de modo agourento em sua mente.

Então vamos trazê-la de volta.

Temo que não seja possível.

Vou encontrar um jeito.

"Vou encontrar um jeito," sussurrou ao pé do ouvido de Regina, postando-lhe um terno beijo nas têmporas. "Não vou desistir de você."

A respiração da morena vacilou ligeiramente por nada mais que uma fração de segundo; o coração de Emma pulou uma batida.

Então, os grandes olhos esmeralda se abriram outra vez para a escuridão noturna de Storybrooke.

* * * *

As grossas gotas de chuva batiam incessantemente sobre a vidraça de seu quarto, impedindo-a de tornar a dormir. Assim, Emma Swan era abandonada a seus pensamentos ilógicos na calada da fria madrugada, enquanto revirava-se incansavelmente na cama, agarrada a um travesseiro e escondendo o rosto no lençol a fim de ocular vergonhosas lágrimas que caíam torrencialmente ao mesmo passo que a chuva lá fora.

Lembranças teimosas pululavam-lhe a mente; via lábios pintados de carmim contorcerem-se em um meio sorriso, olhos cor de chocolate estreitarem-se em desconfiança, uma jaqueta de couro vermelha sendo atirada ao canto enquanto mãos habilidosas desfaziam nós e mais nós das fitas que enlaçavam uma cintura bem definida, adornada por roupas de época. Via dois corpos investirem contra si em um misto de briga e paixão, via cachos dourados a voar para todos os cantos e madeixas acastanhadas a ricochetearem em sua direção, enquanto rolavam pela relva macia. A sensação do corpo latino baqueando suavemente contra o seu, o calor espalhado por todo seu corpo a começar por seu abdômen... E palavras sussurradas cujos significados cravavam-se em sua alma como a verdade absoluta.

Emma Swan sentia falta de Regina Mills. Sentia e, embora a perda ainda fosse-lhe bastante surreal, seu estômago se contorcia em um misto de dor e solidão quando quer que era forçada a se deitar e fechar os olhos.

* * * *

O despertador tocou, estridente, duas ou três vezes, antes que o punho de Emma o socasse, fazendo com que caísse ao chão, onde continuou a berrar, despertando uma mente cansada para a realidade obscura que pairava no ar denso de Storybrooke.

Vestindo-se rapidamente em seus jeans habituais e regata branca amassada, sobreposta por sua marca registrada: a jaqueta de couro, Emma desceu as escadas pulando de dois em dois degraus.

"Bom dia, querida," ouviu Mary Margaret dizer, suavemente, do canto da cozinha, onde tomava sua dose matinal de café preto.

Um resmungo foi tudo o que a morena recebeu em resposta e, antes mesmo que pudesse protestar, Emma já corria porta a fora, sabe-se lá com que propósito. Fechando os olhos a fim de ocultar sua dor, Mary Margaret suspirou e tomou outro gole de seu café.

* * * *

Passos entrecortados ecoavam pela ainda deserta rua de Storybrooke. Uma gargalhada masculina cortava o silêncio e, vez ou outra, palmadinhas amistosas podiam ser ouvidas, mesmo do outro lado da rua.

Emma caminhava apressadamente em direção ao convento. Estava tão distraída, perdida em seus próprios pensamentos e lembranças agourentas, que mal percebeu os dois vultos encapuzados aproximarem-se obliquamente. Apenas quando um corpo maciço esbarrou-se contra o seu e ela quase perdeu o equilíbrio, foi que despencou novamente na realidade e, de má vontade, desculpou-se pelo inconveniente.

"Ora, ora, Srta. Swan," ecoou a voz, teatralmente, ao pé de seu ouvido.

Emma virou-se instantaneamente e, pela primeira vez em toda sua vida, um grande alívio espalhou-se por todo seu corpo ao mirar o rosto do Sr. Gold. Porém, tal alívio, no momento seguinte, esvaiu-se completamente quando seu olhar decaiu sobre a figura estática ao lado do homem.

"Neal?" perguntou, sentindo todo seu rosto se contorcer em linhas de dor e decepção. "Não..." protestou, num gemido fraco, contra a realidade traiçoeira.