I Don't Know
7 Capítulo 7 - Festa
Sete e quinze e nada da Mary chegar, por essa eu já esperava. Só não esperava pelo susto que o Luke me deu chegando de surpresa no meu quarto (aposto que ele pediu pra minha mãe não me avisar que ele tinha chegado), super engraçadão ele.
– Nunca! Eu disse N-U-N-C-A mais faça isso! – Estava praticamente gritando e ele, pateta, rindo da minha cara, pra variar.
– Calma Juliezinha do meu coração! Foi uma brincadeira... Caramba! Ai! Para de me bater. Ai! Você anda malhando? Pára! Ai! Vou contar pra sua mãe!
Merecidos cada um daqueles socos, teria continuado até a morte, mas o celular tocou e era Mary, finalmente, ela tinha chegado.
–Eaê gataaa!! Pronta pra divar?! Estou aqui em baixo, chama o imprestável do Luke, ele vai com “nozes”. – Risos histéricos, ela riu do próprio trocadilho, ninguém merece. Pergunto-me se ela bebeu, mas depois me lembro que ela fica assim mesmo em dia de festa.
Chamei o que tinha sobrado do Luke (HAHAHA), despedi da minha mãe e saí. Chegando lá em baixo vejo um ponto brilhante, e claro, era a Mary. Ela estava com um vestido de paetê prata e um salto, exageradamente, alto. E para completar o figurino um coque clássico.
– Ui! A plebéia vai para uma festa ou ao baile da Família Real? – Luke provoca, ele não gosta que outra pessoa chame mais atenção que ele.
– Ai, please! Sai recalque. Sua inveja bate no meu brilho e te cega, amor – Mary retruca e caí na gargalhada, não pude deixar de rir também. – Deixarei vocês me amando no caminho, vamos logo não quero perder nada dessa party!
Pessoalmente, a Mary estava muito (muito, mesmo!) animada para essa festa. Mas também percebi que ela estava um pouco apreensiva, talvez porque ELA ESTAVA COM ALGUNS DAQUELES PLANOS MALUCOS. Já que o boy que ela estava curtindo iria estar lá também...
– Com o Math, claro! Ele não pode aparecer aqui sem o Math, senão está tudo perdido. – Ela procurava o garoto pela multidão como se estivesse perdida da mãe.
– Mas como você conhece esse garoto? Aliás, como é o nome da criatura, mesmo?
– Diogo... Lobo... Faria. – Disse Mary, pausadamente e enfatizando cada palavra. — Ai! Me derreto só de falar o nome dele. Por amor, ele é um Deus Grego Julie! Sempre está com o seu Love, nunca o viu?
– Primeiro: Quem é meu “Love”? Segundo: Não, nunca o vi com o Math. – Respondi, irritada.
– Viu?! Você mesma sabe quem é seu amorzinho... Math! Olha ele ali! E sabe com quem? Ooooi... Lindo, gato, gostoso Diogo. Quero ver se tu é lobo, mesmo. – Mary cai na risada histericamente. Ainda não creio que ela ri das próprias piadas.
A partir desse momento gostaria de estar morta, que eu tivesse um AVC ou coisa parecida. Não queria presenciar as próximas cenas, não mesmo. A Mary chegou toda, toda no tal de Diogo e, por favor, ele era mesmo muito gato: Porte atlético, um pouco alto, loiro dos olhos verdes. Um verdadeiro Deus Grego, mesmo patamar que Math, que a propósito, estava de matar: Calça jeans escura, camiseta branca de gola “V”, marcando levemente o porte físico impecável dele e um All Star azul. Posso amá-lo, já?
– Sabia que conhecia seu amigo de algum lugar. Matheus, não é? – Disse Mary, indo cumprimentar Math. – A Julie não parava de falar em você! Me descreveu tão detalhadamente que pude reconhecê-lo na hora! – E caiu na risada enquanto eu tentava achar um buraco para enfiar minha cara de tanta vergonha que estava.
– Ah! Que exagero – Sorri constrangida – Eu só terminei o que o Luke já tinha te contado, Mary. Que tinha um novo aluno no meu colégio – Ri constrangida. E tive a coragem de ir cumprimentar o Diogo e, claro, o Math.
– É... Mas acho que ela não é a única que descreve detalhadamente as pessoas... – Diogo insinuou, olhando para Math. O que ele quis dizer com aquilo?
– Ah! Começou já, Digão? Nem disse “oi” pra mina e já quer queimar meu filme? – Math respondeu e veio me dar um beijo na bochecha. E eu, claro, corei.
– Hummm... O Math já te falou da July, Di? Sério, senti um clima agora. – Mary já estava abraçada com o Diogo e ria apoiando a cabeça no ombro dele.
– Não sei por lá, mas por aqui eu senti um clima, gata. – Respondeu Diogo com um sorriso malicioso. Que nojo, minha amiga será “abusada” hoje à noite, pelo visto. E saíram... Como?! Eles saíram e nos deixaram sozinhos aqui. OMG.
– Pelo jeito, vai rolar pra eles. – Disse Math, quebrando o silêncio constrangedor e tirando minha atenção do casal feliz. Até que eles combinam, os dois são super "discretos" e sempre dizem e fazem a coisa errada na hora errada.
– É...Pois é... Eles se conhecem há quanto tempo, mesmo? – Foi a única coisa que consegui dizer. Mas, de fato, estava curiosa, Mary só me falou do Di há algumas semanas, apenas.
– Acho que antes de eu me mudar para o seu colégio. O Digão disse que foi em algum rolê da turma, ele pegou o telefone dela e começaram a se falar desde então. – Math respondeu, mas não estava nem escutando. Estava muito nervosa, e ele, muito calmo. Por que eu estava nervosa? Não tenho motivos para estar nervosa. Será que gosto dele?
– Ah... Entendi... – Procurando algum assunto e nada! Ai! Sou péssima nisso.
– Sabe... Eu sei que a gente não se conhece muito bem... E você parece bem constrangida por alguma razão... – Ele sorriu e pegou minha mão. OMG, ele pegou a minha mão. – Mas eu... Gostei de você. Você é engraçada, é uma aluna aplicada... Fico impressionado de como você fica concentrada na aula. – Ele riu, acho que estava esperando que eu dissesse algo. – Desculpa. Eu fico prestando atenção em você durante a aula. Não tenho culpa se você é bonita, e fica super sexy de óculos. – Não pude deixar essa passar e comecei a rir. Ele riu também.
– Ainda bem que você me disse isso, pois achava estranho você me encarar toda hora. – E ri de novo. – Também acho você uma pessoa bacana.
Depois disso o clima ficou sereno, nossos olhares encontraram-se por algum tempo, sem eu perceber. Como se o tempo parasse e só estivesse nós dois ali. Sei que isso é patético, super meloso e clichê, mas isso existe! Achava que só ocorria nos filmes. Mas nunca tinha me surpreendido tanto com alguém quanto naquele momento.
– Sério, eu não queria que fosse assim, mas não posso esperar... — Math disse por fim, me puxando para mais perto dele.
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