I Don't Know
8 Capítulo 8 - Surpresas Da Noite
Notas iniciais
Por impulso eu tentei me libertar de seus braços, porém foi tarde demais. Seus lábios já estavam colados aos meus e me deixei levar. Não vou negar que estava gostando da coisa. Math, o garoto mais cobiçado, conhecido por geral, lindo e perfeito, estava me beijando. Justo eu, uma garota considerada normal, sem nada demais. Sim, posso dizer que estava com sorte naquela noite. E tudo estava perfeito, exceto pelos assovios e os gritos da Mary e seu “peguete”, Diogo.
– UHUUUUL!!! ISSAÍ AMIGAAAAAA, ARASSOU!!! – Abri levemente os olhos para ver a cena: Ela sentada no colo do Diogo, com uma das mãos em volta do pescoço dele e na outra, um copo vermelho de guaraná. Por incrível que pareça, não, ela não estava bêbada.
– FIU-FIU MATH!!! SE DEU BEM RAPÁ!! MÓ GATA!!! – Berrou Diogo em seguida. Mary não escondeu o ciúmes pelo comentário final, e já roubou um beijo de cinema nele.
Após esses comentários indiscretos, já estava toda vermelha e queria sair daquele lugar o mais cedo possível. Mas, ao mesmo tempo, não queria que aquele beijo terminasse; uma porque eu não sabia o que iria dizer e outra; ele, realmente, beijava muito bem.
Já estava tirando esses pensamentos da cabeça, quando ele tomou uma atitude e finalizou o beijo. Ele estava com um sorriso tão lindo, que me fez, automaticamente, sorrir também. Eu queria conseguir dizer alguma coisa do gênero: “Nossa! Você beija bem.” Ou “Vamos lá fora conversar.” Qualquer coisa que fosse normal para a ocasião, mas só o que consegui dizer foi...
– Então... – “Então”?!?! Que tipo de pessoa eu sou?! Que tipo de pessoa fala isso? Abaixei minha cabeça como um ato de vergonha e repetia na minha cabeça: “Ai, como sou ridícula!”.
Math riu baixo, como se pudesse ler o que tinha dito em pensamentos e simplesmente respondeu:
– Então... Agora podemos ir lá fora... E conversar um pouco... O que acha?
– Para mim parece perfeito! – Uma frase sensata, ufa! – E... Você me pegou de surpresa, hein? – Com louvor, estava melhorando no requisito: Frases de efeito e Conseguir Deixar o Math Encabulado.
– Pois é... Haha. Desculpa... Não queria chegar, chegando assim sabe?... Mas não consegui me segurar... Você está linda hoje... E a primeira coisa que quis fazer quando te vi, foi te pegar de jeito e te beijar... – Ele riu, constrangido — ... Mas foi mal. Eu dei uma gafe...
Fiquei boba de vê-lo falar assim de mim e uma sensação de poder invadiu minhas veias e foi se espalhando pelo corpo. Eu, Julie Silvestre, tinha Matheus Vachelli nas mãos? Impossível. Não cogitava essa ideia em hipótese alguma. Mas quando vi aquele olhar, eu podia perceber que era real. O jeito que ele falava de mim, de um jeito carinhoso, íntimo. Seus olhos castanhos brilhavam ao pronunciar meu nome. Nunca achei que alguém poderia se referir à mim dessa maneira.
Ficamos o resto da festa conversando e rindo dos casos, besteiras que contávamos um para o outro. Nem vimos a hora passar e para mim, estavam apenas eu e ele no deck. Um lugar lindo, com pequenas luzes envolvendo uma árvore seca e algumas estruturas de madeira marrom escura, assim como o chão; vários pufes coloridos e uma mesa de centro em frente à cada dois desses... Um ambiente digno de um jardim de inverno. Quem via, eu, Math e clima entre nós, pensava que nos conhecíamos há tempos. Estávamos em completa sintonia.
Fomos interrompidos quando Mary apareceu. Já descalça, descabelada e a maquiagem borrada, por causa do suor. Seguida por Diogo, que chegou por trás e a abraçou pela cintura.
– Owwwn. Eai, pombinhos? Como vão? Estão tão felizinhos aí. HAHA Uma graça, mas a senhorita aqui precisa ir embora. E se a Juliezinha quiser carona, tem que ser agora. – Não me surpreendeu ela querer ir embora, já era quase uma da manhã!
– Nossa! Não pensei que fosse tão tarde assim! – Disse realmente impressionada.
– Ou tão cedo HAHA – Replicou Diogo, brincando.
– Pois é, querida. Então? Você vai comigo ou su mamis virá te buscar? – Mary simplesmente ignorou a piadinha do “peguete” dela e já foi direta no assunto, acho que estava com presa.
– Então... Duvido que minha mãe vá querer me buscar agora... Acho que vou com você mesmo. – Eu tinha certeza que minha mãe nunca iria me buscar, aliás, ela já estaria no décimo sonho naquela hora da madrugada. Portanto fui ajeitando para me levantar do pufe.
– Ah! Serio mesmo que você irá fazer meu anjo ir embora? Me largar aqui? Sozinho... Sacanagem, hein? – Math estava me surpreendendo cada vez mais. Ele me chamou de anjo e não queria que eu fosse embora. Isso estava ficando cada vez melhor.
– Ela não vai te largar, bobo! Você irá vê-la segunda, terça, quarta, quinta, sexta... Tem muito tempo, relaxa aí fofo – Mary respondeu, rindo.
– Ah... Mas eu a quero hoje, agora, amanhã HAHA Todo dia. – Sério, até essa frase deixou a Mary com os olhos arregalados. Nós nos entre olhamos rapidamente, como quem quer dizer: “Nossa! É isso mesmo?” e já mudei de assunto.
– Gente! Eu estou aqui, tá? Ficam aí disputando por mim, ainda sou uma só, tá? – Nada que uma brincadeirinha para quebrar o gelo.
–E no caso, hoje você é minha, honey! – Mary entendeu minha tentativa de mudar de assunto. — Vamos que meu irmão já está passando aí. E você boy, me mande sms e não demore pra responder, porque sabe? Você demora séculos e... – Intimou o Diogo e encerrou o assunto, deixando o deck.
Ficamos, eu e Math, os observando atravessar a grande porta de vidro que dividia a parte de fora, do salão, quando senti seus braços envolvendo minha cintura e cochichando ao meu ouvido:
– Foi muito bom passar essa noite com você...
Minhas pernas ficaram bambas e meu sorriso apareceu simultaneamente, ele sabia como me amolecer. Vire-me de frente a ele, coloquei meus braços em volta de seu pescoço e o beijei.
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