I Couldnt Smile ... But
8 Nothing is what looks
Notas iniciais
[ MinHo POV's]
– TaeMin...
Finalmente havíamos chegado a uma lanchonete. Seus lábios delicados não pronunciavam sequer uma palavra. O sol que se escondia aos poucos deixava sua luz, ainda que tímida, atravessar a janela... Iluminando assim a face do menor, embora não houvesse expressão alguma, seus olhos concentravam-se apenas em mirar o copo de bebida próxima a sua boca. E ver que eles permaneciam sempre tão vazios... Aquela pergunta entalada na minha garganta incomodava-me ainda mais naquele momento.
–Hm?
– Posso perguntar uma coisa? – não havia hesitação em minha voz. Sem dúvida, havia muitas coisas que eu queria perguntar, no entanto aquela seria a única realmente possível de se fazer naquele momento.
–Ah? — Ergueu lentamente a cabeça, olhando por um curto instante meus olhos e logo desviando – Sim.
– Porque faz tanta questão de ficar sozinho? Porque faz o possível para que as pessoas que se aproximam de você se afaste? – o vi morder seu lábio inferior – Quero dizer... Ninguém gosta de ficar só certo?
Não obtive resposta. Diante do silêncio do menor a pergunta impossível de ser feita no momento surgiu entre meus lábios sem meu consentimento.
– Você acha que sua mãe está feliz te vendo assim? – me arrependi, mas já era tarde.
– O que você sabe sobre minha mãe? – seus pequenos olhos se arregalaram, podia imaginar o quanto ele estava assustado, podiam estar passando turbilhões de pensamentos sobre mim. Pensamentos que não condiziam com a realidade. Senti um frio na espinha.
– Nada – tentei fugir do fato de saber que ele se culpava pela morte dela – Eu sei que ela não está com você, não sei o motivo... Mas você acha realmente que agindo dessa forma vai deixá-la feliz? — não sabia se a cada momento me complicava mais.
Seus lábios ficaram trêmulos. A mão antes ocupada agora escondia o resto de seus olhos que não eram cobertos pela longa franja.
– Não quero que mais ninguém sofra por minha causa – sua voz saiu fraca, na verdade quase inaudível.
– Amigos existem justamente pra ajudar, não só pra estar juntos nos momentos de alegria.
– Acontece que... Eu sempre acabo os perdendo por que... – fez uma breve pausa tirando as mãos dos olhos revelando não só uma, mas sim vários rastros molhados formando-se um após o outo em suas bochechas rosadas – E a solidão só aumenta... — disse quase que junto com um soluço.
Em um impulso apertei sua mão entre meus dedos, o castanho contido dentro de seus olhos ficaram confusos, circulando de um lado pro outro sem mirar em um ponto fixo. Só pude observar uma lágrima pesada, que como chumbo, fez um lento percurso chamando minha atenção e levando a me perguntar o que eu estava fazendo? Aquilo se tornara mais importante pra mim do que pude perceber. Um eu que nunca havia aparecido, despertou no momento que conheci esse garoto. Não podia mais negar. Meu coração estava sendo aquecido por um novo sentimento.
– Deixe-me segurar sua mão até que não sinta mais essa solidão – respirei fundo sentindo meu coração reclamar de uma leve dor, minha cabeça tombou e só pude olhar a mesa que se encontrava diante de mim. Não podia voltar mais atrás — E mesmo quando ela acabar me deixe continuar segurando... – Olhei novamente para o seu rosto assustado — Não solte ela nunca TaeMin – era como se todo o sistema responsável por meus pensamentos lúcidos tivesse sido desligado, deixando o músculo pulsante do meu peito tomar o controle de tudo.
Não queria.
– MinHo? – era a primeira vez que dizia meu nome. A forma como sua boca gesticulou tal palavra... Imediatamente parei no intuito de memorizar aquela cena. A cena de seus lábios.
Não queria continuar negando. Se fosse pra tentar mentir para mim mesmo e ter que deixá-lo sofrer sozinho... Eu prefiro... Não. Eu desejo estar ao lado dele.
– Desculpe – pela primeira vez senti o calor de sua mão sendo transmitido a minha.
As pessoas ao redor nos encaravam e cochichavam alguma coisa, senti que devia ir embora... Não por mim. Particularmente não me importava com o que se passava pelas mentes maliciosas dos ali presentes, porém acho que não seria confortável para o menor ficar em um lugar publico enquanto ele... Chorava. Enquanto finalmente deixava o que estava preso em seu coração sair.
– Vamos sair daqui.
Deixei uma quantidade qualquer de dinheiro sobre a mesa, tenho certeza que bem mais que o necessário pela comida que pedimos, e fiz um sinal para o garçom e sai com o loiro, puxando-o novamente.
Andamos calados. Um silêncio bastante incômodo. Eu não sabia o que estava passando na cabeça dele.
Paramos em uma parte menos movimentada do centro da cidade, uma praça que, não sei se devido ao horário, estava vazia. Soltei sua mão com receio de ter feito o que não devia. Relutei em virar de fronte ao menor. O lugar era banhado pelas luzes falhas dos postes e estranhamente não havia ruído algum. Conseguia ouvir sua respiração.
“Será que fui precipitado demais?”, “Será que ele está com medo de mim?” era isso que me perguntava a todo instante, no entanto sem resposta.
Pra quem tinha medo dessa tal insanidade chamada amor... Está prestes a mergulhar de cabeça. E aqui estou eu admitindo para mim mesmo que sinto algo por ele... Talvez seja só um sentimento protetor certo? Talvez não seja esse tal de amor.
Não MinHo. Pare de tentar se enganar.
– Sabe... — e por incrível que pareça foi ele que disse a primeira palavra, automaticamente meu corpo se viraria para olhá-lo, contudo o menor me impediu colocando suas mãos em minhas costas – Não. Não vire. Só me escute.
– Tudo bem.
– Você me perguntou porque eu fico sozinho... Se acho que minha mãe está feliz com isso... — sua voz ainda estava trêmula – Desde que ela morreu, eu me mudei várias vezes de escola. Até de cidade. Sabe por quê? — suspirou – Eu fazia um amigo, sabe alguém como você que se aproximava de mim e… Bom eles sempre me perguntaram coisas demais, sempre ficavam preocupados. Sempre acabavam...
– Descobrindo que seu pai bate em você? — senti o tom de raiva indesejado em minha voz. Não era muito difícil de suspeitar disso depois de tudo que eu vi. Vire-me para ele, por mais que o mesmo não quisesse.
– O-o que?
– Como você permite que ele faça uma coisa dessas com você? — segurei seu pulso e o despi da manga que ocultava sua pele, revelando um ponto roxo.
Ele estava assustado, o choro se intensificou e eu sabia que não devia ter tocado no assunto.
– Não é como se eu tivesse escolha. Ele é a única pessoa que eu tenho na vida – rapidamente repôs a manga no lugar e encolheu os ombros.
– Você tem que fazer alguma coisa. — aumentei levemente o tom de voz.
– Não quero ter que me mudar de novo. Não tente intervir igual os outros fizeram... Por mais que eu tente me isolar, vai sempre ter alguém que vai ter pena de mim, não tenha pena de mim – era a primeira vez que dizia algo com firmeza – Só se afaste... Por favor.
O loiro deu alguns passos pra trás, livrando-se da minha mão, antes de virar por completo. Ele tentava a todo custo não chorar mais. E foi se afastando lentamente, estava indo embora.
– Não – seu corpo parou brevemente e logo iniciou a caminhada com dificuldade como se estivesse lutando contra seu intimo que desejava ficar – Dá pra você entender que não a pena alguma aqui? — meu coração estava decidido — Dá para entender que as pessoas simplesmente podem gostar de você? — na verdade ele estava explodindo.
Acho que o que foi dito na lanchonete acabou se perdendo.
– Não é como se eu fosse denunciar seu pai... Sei que isso pode ser bem pior para você – disse tentando raciocinar o que diria em seguida – Eu só não vou deixar mais que ele te toque! – quase gritei, tentando o fazer parar de andar e olhar pra mim – POR FAVOR TAEMIN NÃO ME IGNORA.
Ei o que está acontecendo? Por que esse desespero? Por que essa angústia? Por que essa vontade de chorar? Ele só continuava indo. De cabeça baixa. Nunca tive a sensação de perder nada na minha vida. Não falo apenas de pessoas. Mas agora o que é isso? Sinto como se a pessoa mais importante do mundo estivesse rejeitando-me.
– Não torne as coisas mais difíceis pra mim.
Sua voz surgiu em meio aquele céu sereno, porém sob ele não tinha nada além de sentimentos inquietos. Nossos sentimentos.
[ Joon POV's ]
– TaeYeon fica – disse seco ao notar que a loira se colocava de pé para ir atrás de MinHo.
Eu sei muito bem o motivo que ele teve para sair dali. E sei também que não devia mais intervir em sua vida, o maior já fez muito por mim vindo até aqui mesmo que no fim tenha sido um completo fracasso. Não deixaria aquela loira irritante estragar o que quer que seja que ele tenha ido fazer.
– E quem é que você pensa que é para falar pra eu ficar? — havia um alto teor de ignorância em sua voz.
– Sou amigo do MinHo e essa sua falta de discernimento já está ficando insuportável. — levantei da mesa e fiquei a sua frente.
– Ah Joon, por favor né para de se fingir de bom moço – debochou
– Como é que é?
– A ultima pessoa que o MinHo precisa aqui é você ok?
– Cala essa boca.
– Por quê? Agora está arrependido do que fez?
– Fica quieta! — nossas vozes já ficaram altas o suficiente para chamar a atenção dos outros clientes.
Não quero mais pensar nessa porcaria que eu fiz. Não era minha intenção atingir ele, mas acabou acontecendo.
– Ei não fala assim com ela não! — HyoYeon manifestou-se, entretanto logo dirigi a minha mão em sua direção em sinal que parasse sem nem mesmo tirar os olhos de TaeYeon
– TaeYeon para de ficar tocando nesse assunto tanto quanto você fing-
– Por favor, dá pra vocês pararem com isso? — uma voz autoritária surgiu ao nosso lado – Se querem discutir... Discutam lá fora – o gerente do estabelecimento disse apontando o dedo indicador para a porta.
– Joon seu idiota! Tudo deu errado graças a você! — virou-se
– Como é que é? — disse incrédulo
– É claro. Minha que não é – disse dessa vez mais baixo – Não tive culpa da minha prima problemática ter ficado com você e não com o gayzinho do DongHae – riu sínica enquanto virava a cabeça em minha direção e logo depois continuou a ir até a saída – Vamos Sunny! SeoHyun...
As duas garotas logo levantaram e a seguiram como se focem capachos, e a outra, mesmo sendo ignorada fez o mesmo.
– Ei mocinho... — a mesma voz de antes fez interromper minha intenção de segui-las.
– Ah? — segui para a direção de onde vinha e lá estava o rapaz dessa vez com uma nota em mãos, o que parecia ser a conta. — Ah! – peguei o papel com uma das mãos e olhei rapidamente o valor – E-eu...
– O que?
– Sabe o que é...
.
.
.
E lá estava eu, de avental, uma toca e uma bucha na mão. Lavando pratos. Ok vocês vão pagar por isso.
Apesar de eu achar que isso não seja nada além do merecido...
[ DongHae POV's ]
– O que você quer dizer com isso? — desviei o olhar... Não queria ter que sequer esbarrar em seus orbes naquele momento. Bastava mirá-los que atender aos seus pedidos sempre parecia ser a única alternativa – Ei DongHae fala alguma coisa.
Não conseguia dizer nada, não conseguia dizer o que queria dizer. Isso me frustrava ao extremo. Amava tanto o loiro e sabia que ele não era uma má pessoa. Não mesmo. Porém essa coisa dentro dele que sempre explode, essa falta de autocontrole sobre os atos que passam como um tornado dentro de si e ele executa sem ao menos calcular as consequências. Se ele estava incomodado com algo, ele agia para descontar. Isso me irritava muito. Isso me machucava muito...
– Hae você não quer terminar quer? — arrastou meu queixo delicadamente, forçando-me a encará-lo – Eu fiz aquilo, mas não tive a intenção de te ferir. E-eu não suporto ver outra pessoa te tocando ou até mesmo agindo de uma forma amável demais com você. Não sei o que acontece. Perco o controle. Ninguém pode fazer nada disso com você... Só eu.
Dei um leve tapa na sua mão, afastando-a. Encarei seus olhos de tão perto, como nunca havia feito a não ser para beijá-lo, no entanto não era isso que faria. Sim eu estava me segurando ao máximo. Muito mesmo.
– Já pensou que eu também não gosto disso? — dei um passo pra trás antes que perdesse a firmeza de minha voz – Já pensou se você estivesse no meu lugar e visse seu namorado se jogando pra cima de uma qualquer só pra jogar na cara? Só pra dar a entender “ Eu sou capaz de provocar ciúmes em você também”... — estava pronto pra desabar e chorar tudo que tinha preso, mas me contive – Além do que eu também tenho amigos ok? — suspirei – E não é como se eu fosse sair por ai dando pra eles!
– Hae... – os lábios do loiro estavam prestes a tocar aos meus, sempre fazia a mesma coisa pra tentar acabar com uma briga
– Dá pra você me levar a sério? — sussurrei desviando.
– Ah?
– Levar tudo a sério não é mesmo Lee HyukJae?
– Já pedi desculpas. Perdoe-me ta bom?
– Quer saber... Quando você resolver assumir nosso relacionamento você me procura. Ai sim... — desviei do maior e parei ao seu lado – Ai sim você vai ter o direito de ter ciúmes de mim, mas mesmo assim não essa coisa descontrolada.
Enquanto ele não assumisse para todos que estávamos juntos, não haveria mais nada.
– Hae! Você sabe que eu não posso! — protestou atras de mim.
– É. Mas até hoje nunca me disse o porque.
Continuei andando, mas dessa vez não ouvi mais nada. O loiro havia ficado pra trás sem saber o que dizer.
[ EunHyuk POV's ]
– Droga! – surrei o concreto do prédio ao meu lado.
Fui à direção oposta. Vasculhei meu bolso a procura do celular, ao encontrá-lo logo disquei o número e não demorou muito para que aquela voz surgisse.
– Alô.
– Um problema...
– O que?
– Te encontro na sua casa daqui à uma hora.
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