I Can Only Look At You
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Novamente agradeço a todos que estejam deixando seus comentários, e elogiando a minha pessoa... Meu médico já até me alertou para tomar mais cuidado com esses leitores que adoram deixar meu nariz sangrando.
Mas não liguem para ele. Continuem assim mesmo, ok? ;)
E claro, agradeço também a todos que estejam lendo, independentemente de estar deixando reviews. (Mas vamos lá, façam um esforço por mim.) ^^
Enfim, vamos ao capítulo.
Eu não fazia à mínima ideia de quanto tempo havia presenciado aquela cena; apenas tenho a nítida noção de que não suportaria nem mais um mísero segundo. O pouco tempo em que meus olhos repousaram sobre as duas pessoas, já foram de uma amargura em demasia. Não, não podia ser possível! – Esbravejava minha consciência.
Contudo, por que mais que eu pensasse estar em um pesadelo horrendo, infelizmente a dor que corroia meu peito era deveras real. Meu coração se comprimia em uma agonia esmagadora, ao imaginar se todas aquelas palavras que soaram um dia tão perfeitas, agora não faziam parte de uma colossal teia de mentiras.
Os sorrisos, suas declarações, as promessas de amor; eram nada mais que uma ilusão. E quando finamente meu orgulho cedera espaço para um sentimento tão forte pelo qual eu nutria por aquele loiro, o destino me derrubara de forma maléfica. Sim, era bom demais pra ser verdade.
Quando senti que minhas pernas já fraquejavam a ponto de não me permitir correr mais, desabei ao chão. Encostei-me ao tronco de uma árvore, e deixei que as lágrimas lavassem a frustração da minha face. Meu estômago revirava de uma maneira nauseante, e meu corpo parecia arder em chamas. Minhas veias pulsavam de ódio, e minha cabeça se assemelhava a uma bomba relógio.
Por uma sorte lamentável, não havia movimento nenhum naquele local. Hora ou outra, alguns carros rondavam por aquelas ruas desertas, mas nada que interferisse no meu cubículo solitário. Naquele momento, a última coisa que eu queria era a presença de alguém. Entretanto, algum ser lá em cima adorava me provar como o universo contrariava tudo o que eu pensava.
- Ei! – Ouvi uma voz chamar-me gentilmente. – Você está bem?
- Saia daqui, eu estou bem. – Falei secamente, sem ao menos encarar o rosto daquela pessoa que se encontrava próximo a mim. – Eu quero ficar sozinho, se não se importa.
- Você não parece estar legal. – Fitou-me longamente com seus olhos acastanhados, enquanto sentava-se ao meu lado. – Sabe, pode contar-me o que aconteceu, se quiser.
- Não seja ridículo. – Deixei escapar uma risada referta de desdém e escárnio. – Eu nem ao menos conheço você.
- Mas eu te conheço. – Disse, deixando-me de olhos atônitos. Como assim ele me conhecia? – Bem, você estuda na mesma escola que eu.
- Humpf! – Revirei os olhos. – Se me conhece, é melhor nem tentar.
- Desculpe, eu só queria ajudar. – Falou o rapaz, tristonho.
- Olhe... – Suspirei. – Se quiser me ajudar, apenas me mostre onde eu acho um ponto de táxi por aqui.
- Claro. – Sorriu de súbito, satisfeito. – Vem comigo.
À passos medianos, nos afastávamos daquelas ruas sombrias. Eu permanecia calado à presença daquele garoto, cujo semblante realmente não me era estranho. Certeza eu tinha que, conhecia de algum lugar aqueles cabelos ruivos alaranjados, e os olhos de um castanho intenso. Provavelmente, como ele mesmo dissera, estudasse no mesmo recinto que eu.
Embora eu me esforçasse, eu não obtinha de forças para pensar em ninguém além de Naruto. Meus pensamentos se afundavam nos vales mais profundos daquela dor que insistia em residir em meu peito. Porém, acima de tudo mantive-me firme. Meu orgulho não permitiria que eu demonstrasse o que vinha a sentir; pelo menos não agora.
Enquanto seguíamos caminhando, o rapaz ainda tentara algumas vezes puxar assunto; mas percebera que não era o melhor momento para se iniciar uma conversa. Seu olhar revelava certa curiosidade sobre mim, entretanto, manteve sua descrição ao perceber minha desolação. O que eu mais necessitava era de ir para casa. Felizmente, ao chegar ao local, encontramos um veículo à disposição.
- Só pra constar, sou o Yahiko. – Disse, encarando-me com uma expressão meiga em sua face.
- Sasuke. – Falei, mantendo minha expressão fria.
- Se por um acaso você precisar de alguma coisa, me procure na escola.
- Não se preocupe, eu já disse que estou bem.
- Disse mais por precaução.
- Tudo bem... Agora se me der licença, eu preciso ir.
- Até mais então.
Sem dizer mais nada, entrei no carro e pedi ao motorista que seguisse. Meus olhos entristecidos acompanhavam vagamente as ruas ao meu redor, enquanto uma garoa fina já decaía através do céu inteiramente enegrecido. Já não bastava estar em uma depressão profunda, o ambiente a minha volta tinha que colaborar para eu me sentisse pior do que realmente já estava.
Ao chegar a casa, pouca questão fiz de procurar alguém para dar algum sinal de vida. Soquei com força a porta do meu quarto, e arremessei-me a cama. Agachado no canto do coxão, apoiando minhas costas contra a parede gélida, e apertando com força meu travesseiro, larguei mais lágrimas escorrerem meu rosto abaixo.
Estremeci de raiva ao sentir meu celular vibrando, e reparar o nome de Naruto na tela do visor. Aquele cínico ainda tivera coragem de me ligar. Quem sabe, de repente sua prima não fosse tão boa de cama quanto ele prepusera. Agora, como presentinho de consolo, ele vinha a mim tentando salvar o que restara da sua noite. Ele que ligasse a madrugada inteira então.
Mas com certeza aquilo tudo regeria por uma volta. Não iria me dar ao luxo de fingir que estava tudo bem, e deixar que a cadela da sua prima risse as minhas custas, como deveria estar fazendo agora. Não, mas não irá ficar barato mesmo! Naquele instante, eu não fazia ideia do que iria fazer. Mas de uma coisa eu estava inteiro e completamente decidido; eu iria me vingar.
Por fim, não resisti muito àquela febre que incendiava meu corpo. Fiz uso de alguns calmantes que minha mãe despojava em seu estoque de medicamentos, e em questão de minutos já me encontrava dormindo inconscientemente. Acordei apenas noutro dia, com o despertador vociferando ao meu ouvido.
Com absoluta asserção, poderia classificar aquele domingo como um dos piores dias da minha vida. Além de ter de suportar Naruto e Hikaru ligando-me a maior parte do dia, sem encontrar a mínima disposição para falar com ambos, decorri quase todo o tempo inteiro escorraçado em um canto qualquer, chorando feito uma adolescente que teve o coração partido pelo primeiro amor. Em suma verdade, a situação não se diferenciava tanto assim.
Porém, meu ego e orgulho estavam feridos demais para suportar aquilo tudo em silêncio. Então, pela segunda de manhã, enquanto atravessava o portão principal da escola, uma ideia magnífica relampejou em meu consciente. Segui caminhando calmamente, enquanto um sorriso diabólico nascia em meus lábios.
As duas coisas primordiais aconteceram para mim de mão beijada. Avistei a minha frente exatamente as duas pessoas que eu mais precisava. Infelizmente a meretriz da Nako não se fazia presente; uma pena, pois eu queria profundamente que ele contemplasse a cena que em pouco ocorreria.
Quando os olhos azulados daquele loiro recaíram sobre mim, com uma expressão confusa enrustida neles, soube que aquela era a hora. Mas invés de seguir ao seu encontro, desviei meu caminho, andejando até onde o grupo de garotas da nossa sala se amontoava.
Meu coração bombeava num ritmo frenético, e minhas mãos tremulavam um pouco. Eu estava nervoso, mas não me encontrava mais em situação de poder regredir. Meu orgulho agora ansiava por isso, assim como um psicopata necessita da dor alheia.
Quando obtive certeza que Naruto ainda me observava, toquei sutilmente o ombro daquela garota que eu tanto repudiava. E ao me deparar com aqueles olhos verde esmeralda encarando-me admiradamente, não hesitei nem um instante ao afundar nossas bocas num beijo impudico e lascivo.
Ao som de algumas garotas gritando de forma histérica, e metade do pátio com sua atenção direcionada a nós, abandonei Sakura, cuja esta apenas fitava-me de forma perplexa. Caminhei lentamente até onde se encontrava Naruto, que me encarava pasmado, com uma expressão arrasadora em sua face.
- Agora estamos quites, amor. – Sussurrei em seu ouvido, sorrindo debochadamente.
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