Notas iniciais
E aí pessoal!
Mais uma vez aqui, trazendo dessa vez o - provável - penúltimo capitulo da série.
Boa leitura a todos! ^^

Aquela brisa gélida bailava pelos corredores escuros, esvoaçando as cortinas de um azul turquesa intenso e uivando sombriamente ao se chocar com as janelas de vidro da sala. O ambiente estava escassamente claro, sendo iluminado apenas por uma televisão, enquanto todos os outros cômodos se encontravam mergulhados em breu. O aparelho televisor transmitia um romance antigo, provavelmente de meados do século passado, do qual Naruto precisara insistir quase meia hora para me convencer a assistir. Não que essa insistência tivesse adiantado para alguma coisa, pois no final eu não daria a mínima atenção de qualquer forma. Sentia-me adormecer cada vez mais rápido, à medida que um par de mãos dedilhava meu cabelo e deslizavam-se pelos meus braços. Sentir aquele loiro me acariciando daquela forma me fazia esquecer tudo o que estava a minha volta.

Meus olhos se fechavam e meu consciente já se dava por vencido perante a batalha do sono. Porém, algo realmente me forçara a voltar às atenções para o filme. A cena de amor entre o casal principal acabou animando certo loiro, que no momento se encontrava por trás de mim no sofá. Antes que pudesse dar contas, já pude sentir seus lábios mornos marcando meu pescoço, até chegar a minha boca. Felizmente pausei aquele beijo antes que tomasse proporções que dificilmente seriam revertidas a certa altura do campeonato.

-Ei! — Pestanejou manhoso, enquanto tentava voltar às atenções para a minha boca. — Seu chato!

- Calma aí, senhor Romeu! — Me desvencilhei novamente do seu abraço tentador. — Você sabe que não podemos ultrapassar o sinal vermelho.

- Mas nós não iremos, eu prometo.

- É mesmo? Então me explica isso? — Fiz questão de apalpar seu membro, demasiadamente rijo, por cima da calça.

- Ah meu amor, é impossível não ficar assim perto de você. — Senti-o se aproximando de forma perigosa de mim, chegando ao pé do meu ouvido, sussurrando. — Você é gostoso demais, sabia?

- Não faz assim, Naru... — Arfei ao sentir meu lóbulo ser mordiscado sensualmente. — Isso é golpe baixo.

O desgraçado sabia perfeitamente os locais que mais me deixavam vulnerável. Dessa maneira, era quase impossível resistir a tentação de um loiro daqueles querendo fazer loucuras com você na cama. — Me deixa te amar, vai? — Sussurrara de forma rouca novamente.

- Naruto...

A última coisa sã que me lembro ter feito, fora essa pronuncia sôfrega do seu nome. Logo depois aquilo, qualquer movimento foi puramente instintivo. Quando menos me dei conta, já estávamos no seu quarto, sentindo o peso daquele corpo bronzeado por cima do meu. Suas mãos estavam entrelaçadas com as minhas, para sempre deixar claro o sinal de nossa cumplicidade. Aos poucos começava ser penetrado da forma que só ele no mundo sabia fazer; sempre o mais carinhoso possível, pois morria de medo de me machucar. Quando demorava a me acostumar com seu membro dentro de mim, sempre recebia aqueles beijos apaixonantes, dos quais me faziam relaxar a ponto de sentir um prazer imensurável naquele ato. Após ter chegado ao meu auge e o sentir me preenchendo por dentro com seu orgasmo, rolei para o lado, para logo mais tê-lo se aninhando perfeitamente as minhas costas e repousando sua cabeça entre meu pescoço e ombro, depositando alguns selinhos naquele local.

- Não quero me separar mais você, Sasu. Nunca mais. — Disse enquanto me apertava com força, quase como se estivesse pressentindo alguma coisa.

- Eu sei, Naruto. — Repentinamente lembrei-me do mau presságio que tive há alguns dias. — Também não quero.

Tudo poderia ocorrer perfeitamente bem a partir desse último momento. Nós poderíamos manter nossa relação em segredo até nos sentirmos maduros o suficiente para assumir publicamente, para a família e amigos. Haveria algumas desavenças, sim, mas nada que um casal pudesse superar junto. Porém, às vezes se dá entender que o destino sempre nos guarda algo mais maléfico que o fardo que já somos obrigados a carregar. Os dias seguintes ficaram marcados para sempre no resto da minha vida. Infelizmente não posso dizer que tenham sido lembranças maravilhosas e perfeitas. Porém, com toda certeza, seriam inesquecíveis.

(X-X-X)

- Naruto?! — Fora a palavra chamada em som alto e estridente que me fizera acordar naquela manhã, tão assustado quanto uma presa encurralada.

Por alguns segundos tive que encarar uma mulher de longos cabelos vermelhos, da qual já conhecia, parada no limite da porta, ostentando um olhar receoso e enraivecido. Dificilmente daria para distinguir qual dos dois sentimentos estariam mais presentes. Tateei o espaço da cama ao meu lado, procurando desesperadamente pelo corpo de Naruto, que até então não havia acordado para perceber a enorme cilada que nos havíamos metido. Quando o loiro percebera o nível da situação já era tarde. Sua mãe já havia deixado o quarto, carregando no semblante uma expressão terrível de incredulidade, nos deixando com uma cara de quem ainda tinha fé de que aquilo tudo pudesse ser um pesadelo horrível. Contudo, por maior que fossem as súplicas, tudo era bem real.

- Espera aqui, Sasuke! Eu preciso falar com ela.

Antes que eu pudesse arrumar qualquer coisa para falar, Naruto já havia se vestido e partido. Tive que suportar os árduos e agonizantes trinta minutos que ele ficara fora, imaginando milhões de coisas que pudessem estar acontecendo. Maldição! Era justamente por causa daquilo que eu não queria que transássemos na noite passada. Seus pais tinham apenas viajado à uma cidade vizinha e voltariam, no máximo, no horário do almoço. Eu sabia que, depois daquela sensação ruim, algo como isso pudesse vir a acontecer. Mas mesmo assim não consegui evitar.

- Naruto! — Estremeci assim que o vi entrar cabisbaixo pela porta. — O que houve?!

- Eu não tive escolha. — Suspirou como se algo muito ruim tivesse ocorrido. A sua demora para articular as palavras quase faziam meu sangue entrar em ebulição. — Contei tudo a ela.

- E então?!

- Bem, ela está chocada! Não imaginava que o filho fosse gay, sabe?

- Droga! — Como aquilo podia estar acontecendo? — E o que você vai fazer?

- Eu não sei. Mas ela me fez prometer que eu iria contar para o meu pai. — Isso era mau. O pai sempre reage pior.

- Calma. — Repousei sua cabeça sobre meu ombro assim que sua voz começara a embargar. — Vai dar tudo certo!

- Espero que sim.

(X-X-X)

Meus nervos haviam chegado à flor da pele. Em certos momentos eu podia jurar que se eu focasse minha visão em algum objeto por mais de dois segundos, ele explodiria. Minhas pernas já tremulavam de tanto dar meia voltas pelo meu quarto, as unhas das minhas mãos nunca chegaram a um nível tão degradante e meu estômago se encontrava mais embrulhado que papel de presente. Todo esse nervosismo em excesso por uma simples e única razão. Já havia passado praticamente dois dias desde o incidente estrondoso na casa de Naruto, e desde então nem um sinal de vida do loiro. As chamadas para o seu celular eram todas encaminhadas para a caixa postal e as redes sociais de repente não serviam para porcaria alguma. Tudo isso me fazia acreditar que situação na sua casa deveria estar pegando mais fogo que o próprio inferno.

Pra piorar, a mudança repentina de tempo não ajudava nem um pouco para me manter mais calmo. Há um dia a cidade era mergulhada debaixo de uma chuva de verão torrencial, que insistia em não parar de cair nem por um mísero segundo. Cada gotejar que ecoava pela casa fazia uma veia saltar em minhas têmporas. Porém, o barulho que escutei enquanto tentava ligar para ele novamente me animara tanto quanto me deixara mais nervoso. Assim que escutei a campainha ser tocada, me lancei correr afoito pelos corredores até chegar a porta, onde me dei de cara com um Naruto completamente ensopado.

- Naruto! — Fiquei algum tempo encarando-o. Suas roupas estavam completamente encharcadas, como se tivesse andado horas na chuva, e seus fios dourados de cabelo grudados na testa.

- Vai ficar parado aí me olhando, ou vai me ajudar?

- Vem cá. Eu vou te arrumar algumas roupas.

Como o modelo de nossos corpos se assemelhava muito, não foi difícil encontrar roupas minhas coubessem nele. Logo que se secou devidamente e se vestiu, sentamos na cama do meu quarto. Era facilmente perceptível a maneira como ele estava alterado. Aparentava estar tão nervoso, ou mais, que eu. Seu olhar e sorriso tão radiantes estavam foscos, quase apagados. Vê-lo daquela forma doía de uma forma inexplicável.

- O que houve, Naruto? Eu não consegui falar com você nem uma vez nesses últimos dias. E por que diabos estava encharcado daquele jeito?

- Eu fugi de casa!

- Como?!

- É isso mesmo. Você não faz idéia do inferno que está aquele lugar... Meu pai não quer me aceitar de jeito nenhum, e quase pirou quando eu falei de nós dois.

- Naruto, você não devia ter feito isso. Agir assim sempre piora a situação. — Fiz questão de capturar aqueles olhos teimosos enquanto falava. — Eu sei que você está com medo. Mas eles não vão conseguir separar a gente, não se preocupe.

- Eu queria que fosse assim. — Falou cerrando os punhos.

- E vai ser. Eu já disse, ninguém vai conseguir...

- Você não entende! — Ele me cortara, quase tendo que gritar. Nunca havia o visto daquela forma.

- O que quer dizer?

- Meus pais... Eles já estavam pensando na possibilidade de voltar para Alemanha há alguns dias.

- O quê?!

- Os negócios deles não foram muito bem por aqui; não do modo que imaginavam. Depois dessa confusão toda, meu pai praticamente confirmou nossa ida.

- Você só pode estar brincando comigo!

- Me desculpa, Sasuke! — Senti-o me envolvendo com seus braços, me apertando com muita força. Ele estava chorando. — Eu não quis dizer antes, porque não estava suportando a idéia de te perder. E também, não achei que eles fossem levar isso à frente.

- Você não pode ir! — Eu também não suportei segurar minhas lágrimas por mais muito tempo. Aquilo tinha sido chocante demais.

- E eu não vou! Não vou te perder!

- Mas como?

- Eu já disse, eu não vou voltar mais para casa.

- Naruto, você não pode...

- Por favor, Sasuke. Eu sei que parece loucura, mas não posso deixar que me levem pra longe de você. Apenas confie em mim, está bem?

- Certo.

- Eu só preciso passar na casar de um parente antes. Tenho que pegar algumas coisas minhas.

- Quando eu vou te ver outra vez?

- Amanhã! Eu juro que passo aqui amanhã.

Só seu beijo profundo fora capaz de poder me acalmar naquele momento. Minhas mãos envolvendo sua nuca apertavam-no tão forte, que praticamente era inexistente o espaço entre nós dois. Era um beijo cálido, suave, como se ele realmente estivesse tentando me acalmar. Além do gosto peculiar de nossas bocas, era possível sentir o sabor salgado, proveniente das lágrimas que não queriam deixar de cair. Sim, havia algo mais naquilo. A maneira como ele me segurava, segurando fortemente as barras da minha camisa, era quase como se estivesse se despedindo de mim. E aquela sensação nos fazia derramar mais e mais lágrimas.

- Eu te amo, tá bom? Muito! Não se esquece disso.

- Não vou. Eu também te amo. Demais.

(X-X-X)

Eu não tinha a mínima disposição para sair do meu quarto. Certamente eu estava com febre, pois sentia meu corpo queimar por dentro. Aquela situação toda tinha me abalado por dentro de uma forma que eu nunca imaginei que aconteceria comigo. Eu amava aquele garoto; amava demais. Mais do que poderia imaginar. E, apenas existindo a possibilidade de poder perdê-lo para sempre, meu mundo já desabava. Meu coração estava apertado, batendo freneticamente todas as vezes que pensava ter alguém tocando a campainha. E cada segundo que se passava sem ter notícias do loiro era tão angustiante quanto uma tortura.

- Sasuke, querido? — Minha mãe adentrava o cômodo, trazendo em mãos um copo d'água e um comprimido para gripe. — Você tem visto aquele seu amigo? Naruto.

- Não muito. — Disse frio, enquanto sentia uma forte pontada ao me lembrar do loiro.

- Que estranho. A mãe dele ligou para cá agora há pouco, perguntando se ele estava por aqui.

- E o que senhora disse? — Um tremendo nó havia descido meu esôfago abaixo.

- Disse que fazia algum tempo que não o via, oras. — Amém!

- Hum... Eu tento ligar pra ele mais tarde.

- Tudo bem. Mas agora descanse. E também não quero você andando descalço pela casa, entendeu?

- Claro, mãe.

Minha total falta de libido para levantar da cama continuava mesmo depois de ter tomado um carregamento de remédios. Simplesmente porque não era uma mera gripe. Estava mais para uma coisa psicológica, do que qualquer doença. E à medida que o tempo se arrastava, eu me sentia ficar cada vez mais quente, junto com o nervosismo que não parava de crescer. Naruto não havia aparecido ainda, o que fazia minha mente cruel imaginar as piores hipóteses possíveis. Mas ao menos eu sabia que seus pais não tinham o achado ainda.

Logo após o relógio da sala ter badalado às cinco da tarde, a campainha soara em seguida. Naquele momento, pouco me importei se estava febril, descalço ou não, eu apenas tinha certeza que dessa vez seria ele. Tinha que ser. Ele havia prometido. Assim que cheguei frente a porta, ofegando pelo tanto que corri até ali e sentindo meu coração pular mais intenso que nunca, estiquei minha mão a maçaneta e abri-a, revelando uma imagem que não era a que eu mais queria ver naquele momento.

- Hikaru? — Ao notar seus olhos ligeiramente lacrimejados, balançando a cabeça negativamente, eu tive certeza do se tratava.

- Eu sinto muito. — Falou embargado, estendendo a mão, oferecendo a mim um papel. Não consegui dizer mais nada. Apenas apanhei a carta que estava em sua mão, lendo a somente para mim.

"A você, Sasuke, só tenho a agradecer, por todos os momentos perfeitos que passei ao teu lado. Nunca irei me perdoar por estar te fazendo ler essa carta, mas digo que nesse momento estou sofrendo tão quanto você. Jamais irei esquecer o que sentia quando nós estávamos juntos, pois foi primeira vez que senti algo tão forte. Não creio que algum dia irei amar alguém da mesma maneira que amei você. Mas se um dia me esquecer, apenas lembre que em todas as noites estarei pensando em você. Cada instante que passei contigo estará gravado para sempre no meu coração. E saiba que não se apagará tão cedo.
Te amarei sempre, pois só tenho olhos para você."

As últimas palavras escritas estavam com a tinta borrada, como se lágrimas tivessem sido derramadas na hora da escrita. Depois de tanta luta, dessa vez eu realmente o tinha perdido. Meu mundo estava caído.

Notas finais
Sei que os pais de Naruto ficaram bastante OOC (fora de contexto). Infelizmente não tive escolha nesse ponto.
...
Sinceramente, estou muito feliz mesmo pela quantidade de pessoas que acompanham e comentam a estória. Muito obrigado mesmo!
E como estamos na reta final, por favor, não deixem de colocar suas opiniões.
Beijão, e até o próximo!