Notas iniciais
Caros leitores, preciso informar que a Musa e eu estamos dando um duro danado só pra ver vocês felizes. Hoje ela teve que resumir o capítulo para mim por telefone para que eu bondosamente escrevesse e postasse. Por isso, sintam-se especiais e muito muito amados. Espero que gostem e por favor, não estranhem minha escrita. Pode ter ficado um pouco diferente do estilo da Musa, mas eu fiz o que ela me pediu. Vejo vocês lá em baixo.

Jared parou do outro lado da rua em frente ao grill de comida mexicana, SiSeñor. Ele havia-me “persuadido” a evitar que Ray fosse me buscar em casa usando a ameaça de que Astaroth não se importaria em ter exatamente uma fêmea e que Ray seria algum tipo de diversão sádica. Ray me esperava na outra calçada com as mãos nos bolsos e olhava tudo a sua volta de um jeito meio desconfiado.

Tentei abrir a porta do carro para sair e me encontrar com Ray, mas a porta estava trancada. Virei-me para Jared suspirando pesarosamente, cansada de suas brincadeirinhas do tipo ‘não deixe a Kate sair do carro’, mas ele não me olhou de volta. Pelo menos, não para o meu rosto. Ele encarava minhas pernas de um jeito estranho, como se estivesse preso em algum tipo de transe. O observei por um tempo, pensando na dica de Emma sobre brincar com Jared e fazer dele apenas um corpo, assim como ele fez comigo. Ele ainda encarava minhas pernas, perdido em seus próprios pensamentos.

“São lindas, né?” perguntei.

Olhou-me avaliador de repente, mas não disse nada. Seus olhos desceram dos meus lábios até o meu decote.

“Sabe, devo te agradecer por ter me ajudado a formar esse corpo.” inclinei-me para cima dele, distraindo-o e tentei sensualizar minha voz o máximo possível. Aproveitei o vidro escuro e deslizei minha mão por sua perna até a altura de sua virilha. O canto de sua boca de ergueu. “Modelando-o e enrijecendo-o... É assim que vocês, garotos, gostam, certo?” Agora minha mão vagava por seu peitoral. Olhando-o nos olhos, nossas bocas quase se tocaram.

“Deve ser assim que o Ray gosta,” falei, esticando-me nos colando mais, tentando alcançar o botão de trava das portas. “Pelo menos eu espero que sim, porque ele que vai utilizá-lo agora.” rocei nossos lábios.

Vi o desejo e a raiva brilharem em seus olhos. Não esperei que ele desse qualquer resposta esperta e apertei o botão da trava. Sorri em seus lábios e abri a porta, saindo. Jared piscou como se estivesse saindo de uma hipnose e olhou-me com raiva. Sorri vitoriosa e fechei a porta piscando para ele.

Ajeitei-me e atravessei a rua, mas não ouvi o som do carro se afastando. Ray passou os olhos por mim, mas sem me ver. Meio segundo depois, ele me olhou surpreso, como se só agora estivesse percebendo que era eu que estava parada à sua frente. Engoliu em seco e interrompeu o suspiro com um sorriso.

Naquela noite, eu havia me vestido, ainda que simples, para ‘causar’. Havia posto uma minissaia jeans, uma blusa bege de botões de pérolas, deixando os três primeiros abertos, formando um decote. Por fim, um lindo par de botas country que comprei ainda naquele dia.

“Uau.” Disse Ray avaliando-me mais uma vez. Seus olhos subiram desde minhas pernas até os meus olhos e sorriu gentil.

“Bom?” perguntei dando uma breve olhada em mim mesma, então me aproximei dele.

“Acho que estou com inveja de mim mesmo por estar saindo com você.” Ele disse divertido.

Retribuí o sorriso divertido e aproximei-me mais, encurtando a distância para míseros centímetros e olhou de esguelha para trás, por sobre meus ombros, vendo que Jared ainda estava lá em algum lugar atrás daqueles vidros escuros. Escondi meu sorriso e beijei Raymond. As mãos dele rapidamente se apoderaram de minha cintura assumindo o controle e ele aprofundou o beijo. Foi uma sensação boa, mas eu esperava ter sentido mais prazer. Afastei o pensamento, sabendo que a noite estava apenas começando. Ray me acompanhou até a entrada e abriu a porta para mim. Poucos segundos antes de entrar, olhei novamente para trás e vi que Jared não estava mais lá.

Uma garçonete nos recebeu com um sorriso ensaiado no rosto e nos levou até uma mesa vaga. O lugar estava cheio e eu vi que era bastante popular na cidade. Sentamo-nos de frente um para o outro nos bancos de madeira. A iluminação de lá era casta e a luminária acima de nossas cabeças apontava sua luz diretamente para os guardanapos que ficavam bem no centro da mesa, criando um clima privado no ambiente.

“Você chegou bem?” Ray perguntou simpático, puxando assunto.

“Sim.” Respondi.

“Por que você não me deixou busca-la em casa?”

Pensei por um momento no que eu devia responder. Não consegui pensar em nenhum tipo de desculpa.

“Jared insistiu em me trazer.” Dei de ombros e Ray se remexeu incomodado.

“Ele ainda tem te incomodado?”

“Não exatamente. Digo, ele é um idiota, mas é só isso.”

A garçonete estava de volta para pegar nossos pedidos e eu deixei que Raymond pedisse por nós dois. Conversamos banalidades enquanto a garçonete não voltava com nossa comida. Raymond pediu tortillas e me contou sobre sua preferência pela comida mexicana por conta de um tio que é chefe de cozinha no México e ensinou a ele diversos pratos quando ele era mais novo. Mas isso foi o máximo que ele me contou sobre ele. Toda vez que eu perguntava algo sobre sua vida, ele era extremamente breve e sempre mudava o rumo do assunto para mim, fazendo milhares de perguntas.

“Então, o que te trouxe para o Texas? Mais uma das viagens da sua mãe?” ele perguntou inocentemente.

Balancei a cabeça em silêncio. Minha garganta ficou seca e eu senti meus olhos arderem. Há muito tempo que eu não pensava na minha mãe. Era raro falar sobre ela e agora que ela era o foco do assunto, senti-me muito vazia e a tristeza aterradora invadiu-me por dentro. Eu simplesmente não me permitia mais pensar nela, exatamente para evitar esse tipo de tristeza e ao menos com isso Jared havia me ajudado. Ele foi duro comigo no começo, dizendo-me coisas horríveis, mas que eu sabia que era verdade. Agora, eu simplesmente não tinha mais tempo para pensar sobre isso, com toda essa loucura acontecendo e todas as descobertas.

Ray pigarreou interrompendo meus pensamentos e só então eu percebi que nossos pedidos haviam chegado. Sorri sem graça e ele entortou um pouco a boca. Ele não disse, mas seu olhar pedia desculpas. Esqueci o assunto.

“Mas e você? O que te trouxe para o Texas?” perguntei.

“Uma ordem a cumprir.” Ele disse com um sorriso bobo e um dar de ombros.

Fiquei séria de repente e o encarei.

“O que disse?” perguntei.

“Eu disse que tenho uma ordem a cumprir.” Repetiu franzindo o cenho pra mim sem entender.

Sua resposta me fez pensar imediatamente em James. Aquelas foram as exatas palavras que ele disse para mim na tarde que saímos para tomar café.

“Que tipo de ordem?” perguntei.

“Com a minha mãe.” Ele respondeu incerto. Pela sua expressão, ainda tentava compreender a minha.

“Ah,” eu disse. “Certo.” Sorri sem graça e continuei nossa refeição.

No geral, a noite foi boa. Comemos e conversamos. Ele me encheu de perguntas estranhas e muitas delas voltadas para o Jared. Pensei, a princípio, que ele estivesse somente incomodado com a ‘concorrência’, mas depois as coisas ficaram um tanto estranhas. Ignorei. Saímos do restaurante, Jared já estava, do lado de fora do carro, me esperando do outro lado da rua. Ray o encarou com uma expressão carregada e me beijou com um fervor que não estava ali antes. Despediu-se de mim e não saiu de lá até que eu fosse embora com Jared que o cumprimentou com um leve e debochado aceno.

Eu estava distraída observando a rua pela janela do carro. Jared se manteve num silêncio incomum durante metade do percurso. A falta de conversa e provocações fizeram meus pensamentos vagarem novamente voltados para minha mãe. Esforcei-me para não chorar.

“Como foi o encontro?” Jared perguntou sem olhar para mim.

“Foi bom.” Eu disse prendendo as lágrimas. “Embora eu ache que ele esteja se aproximando de mim só porque tem uma queda por você.” Brinquei.

Jared riu baixo.

“Sabe, isso não me surpreende.” Ele disse. “Não é a primeira vez que isso acontece.”

Olhei pra ele que encolheu os ombros.

“Ninguém resiste a um babaca.” Ele piscou pra mim. Revirei os olhos.

Ficamos em silêncio outra vez, o que era estranho.

“Agora é sério, Kate.” Ele disse depois de um tempo. “Você não pode abrir sua vida pra esse cara. Precisa ser mais cuidadosa.”

“Mas eu não fiz nada demais.” Respondi rapidamente em minha defesa. Depois pensei. “Espere. Como sabe disso?”

Ele olhou para mim, mas não respondeu. Virou-se para a rua novamente.

“Você vigiou o meu encontro?” perguntei em compreensão. “JARED! Como pôde?”

“Esse cara é estranho, Kate. Ele precisa ser vigiado.” Ele disse seriamente.

“Assuma, Jared. Você está com ciúmes.”

“Você sabe que está se iludindo em pensar assim. Eu não tenho sentimento algum por você, Katherine. Entenda.”

Olhei para Jared e ele ainda estava sério. Sua expressão não mentia. A frieza em sua voz não parecia afetada e aquilo havia sido realmente convincente. Meu coração se apertou sob suas palavras e mais uma vez tive que conter minha vontade de chorar.

Notas finais
Então, gente? O que acharam? Reviews, Reviews!! É isso que mantém a Musa motivada e não queremos que ela pare, queremos? Fiquei feliz em ver que vocês shipam Katered s2. Musa está com saudades. Até o próximo capítulo. Beijared ~Monique.