Notas iniciais
Olha quem apareceu de novo! ╰(*°▽°*)╯ E vamos de fic nova eee Espero que possam curtir. Eu amei escrever ela, uma fic super fofinha com animalzinhos fofos rsrsrsrs Primeira vez escrevendo algo com híbridos, queria testar algo novo como sempre rsrsrs Bora lá, boa leitura :)


Ao abrir os olhos, Yoongi se deparou com um ambiente completamente branco. Estava deitado em uma cama macia, envolto em um cobertor felpudo da mesma tonalidade. A claridade intensa fez seus olhos arderem, forçando-o a piscar várias vezes até se acostumar. Quando finalmente conseguiu focar, percebeu que estava em um quarto. No entanto, o que chamou sua atenção foi a parede de vidro à sua frente, através da qual podia ver outro cômodo idêntico, vazio e silencioso, como se estivesse apenas à espera de um novo ocupante.

Sua boca estava seca, e seus músculos pareciam ter perdido toda a força. Tentou se mover, mas seu próprio corpo se recusava a responder, como se estivesse aprisionado dentro de si mesmo. Com esforço, tentou mexer os pulsos, apenas para sentir algo apertando contra sua pele, parecia uma algema que o mantinha preso à cama, tornando qualquer movimento impossível.

Sem respostas, sem lembranças, permaneceu ali, encarando o teto branco, perdido em um vazio perturbador. Quem era ele? Por que estava ali? Antes que pudesse se aprofundar nessas perguntas, o som da porta se abrindo interrompeu seus pensamentos.

Um homem entrou no quarto. Vestia um jaleco branco e caminhava com passos firmes, embora sua postura levemente curvada sugerisse cansaço ou idade avançada. Seu rosto estava oculto sob uma máscara e uma touca cirúrgica, tornando impossível discernir suas feições. Mas algo na sua presença — talvez o olhar que Yoongi não podia ver, mas sentia — lhe causou um arrepio na espinha.

— Experimento número dez — anunciou o homem, sua voz ressoando no silêncio do quarto.

Yoongi o encarou com curiosidade, sem compreender o significado daquelas palavras. Seu cérebro ainda não as reconhecia, apenas captava os sons dispersos no ar.

— Vou chamá-lo de Min Yoongi — continuou o médico, enquanto verificava seus sinais vitais e anotava tudo em uma prancheta. Seu tom de voz carregava um misto de orgulho e satisfação. — Aparentemente, o experimento foi um sucesso.

Ele sorriu, como se admirasse uma obra concluída, e voltou seu olhar para Yoongi.

— Parabéns, Yoongi. Você é o primeiro de muitos.

As palavras pairaram no ar. Algo dentro de Yoongi se agarrou a elas, como se quisesse entendê-las instintivamente. Então, abriu a boca e repetiu:

— Parabéns, Yoongi. Você é o primeiro de muitos.

A voz que ecoou era sua, mas ao mesmo tempo, soava nova para ele. O gosto das palavras em sua boca era estranho, mas não desagradável.

O médico observou, fascinado, e rapidamente fez mais anotações.

— O aprendizado é bem rápido! — exclamou, empolgado. — Isso é incrível!

— Isso é incrível! — repetiu Yoongi, experimentando a nova frase e associando-a a algo positivo.

O sorriso do médico se alargou. Para ele, aquilo era um sinal promissor. Para Yoongi, era o primeiro vislumbre de um mundo que ainda não compreendia.

Depois de mais algumas anotações, o médico se afastou momentaneamente e voltou com um copo de água e um prato de mingau. Sem pressa, demonstrou a Yoongi como segurar a colher e levar o alimento à boca. O aprendizado foi rápido, talvez rápido demais.

No primeiro instinto, Yoongi tentou pegar o mingau com as mãos, mas a textura pegajosa o fez imediatamente fazer uma careta de nojo, enrugando o nariz em repulsa. Sem precisar de mais incentivo, aceitou a colher e passou a usá-la com naturalidade, assimilando o gesto como se fosse algo que sempre soube fazer.

Antes de se tornar um experimento, Yoongi tinha dezesseis anos. Era apenas um garoto comum, com lembranças, experiências e uma vida própria. No entanto, após a modificação genética — uma fusão irreversível de seu DNA com o de um felino — tudo isso foi apagado. Sua mente foi resetada, deixando para trás apenas ecos distantes de um passado inatingível.

Agora, ele precisava reaprender o mundo do zero, como um recém-nascido. Mas havia uma diferença crucial: seu intelecto estava além dos padrões humanos. Cada nova informação era assimilada com uma velocidade impressionante, como se seu cérebro tivesse sido reprogramado para absorver conhecimento em um ritmo sobre-humano. O que para outros levaria anos, para Yoongi levava apenas minutos. Ele era um experimento bem-sucedido.

Em menos de uma semana, Yoongi já havia dominado tarefas básicas: vestia-se sozinho, comia sem dificuldade e, mais do que simplesmente repetir palavras, agora as compreendia. Seu vocabulário se expandia a cada dia, e sua mente absorvia conhecimento com uma facilidade quase assustadora.

Mas não era apenas a linguagem que ele aprendia. Aos poucos, começou a decifrar algo ainda mais complexo: as expressões faciais daqueles que cuidavam dele. Havia sempre um olhar hesitante, uma mistura de medo, piedade e repulsa. No início, não entendia o motivo. Mas, ao se observar, a resposta parecia óbvia. Ele era diferente.

Nenhuma outra pessoa ali tinha orelhas pontudas sobressaltando-se no topo da cabeça ou um rabo longo e absurdamente peludo, que se movia como se tivesse vida própria. Talvez fosse por isso que olhavam para ele daquela forma. Talvez fosse essa a razão do desconforto nos olhos deles. Yoongi sabia que não era como os outros. O que não sabia era o porquê.

Yoongi percebeu rapidamente que cada palavra que dizia, cada movimento que fazia, era meticulosamente anotado e analisado. O peso constante daqueles olhares o incomodava, como se fosse apenas um objeto de estudo e não uma pessoa. A ideia de estar sempre sendo observado o irritava profundamente.

Foi então que decidiu esconder suas evoluções. Se aqueles cientistas queriam analisá-lo, ele não tornaria a tarefa fácil. Deduziu, com a lógica afiada que desenvolvia rapidamente, que aquelas pessoas não estavam ali para ajudá-lo. Não eram boas. E, definitivamente, não queriam o seu bem.

Certo dia, um dos assistentes que cuidava dele regularmente apareceu com um objeto diferente. Era um tablet, mas Yoongi não sabia disso. O que chamou sua atenção foi o olhar intrigado do rapaz enquanto mexia no aparelho, deslizando os dedos pela tela com fascínio.

A cena despertou sua curiosidade. Todos os dias, aquele homem entrava para examiná-lo e, sem perceber, deixava o objeto sobre a mesinha ao lado da cama. Yoongi fingia ignorá-lo, mas, sempre que podia, lançava olhares disfarçados para a tela preta, tentando compreender por que aquilo parecia tão importante.

Algumas vezes, Yoongi ouvia as pessoas ao seu redor chamando-o de "felino" ou "gato". As palavras eram desconhecidas para ele, mas a repetição insistente o deixava intrigado. O que significavam? O que tinham a ver com ele?

Foi então que percebeu algo interessante: aquele objeto misterioso que o assistente sempre trazia, o qual ele agora sabia que respondia perguntas. O homem digitava palavras na tela, e o dispositivo lhe fornecia respostas quase instantâneas. Aquilo acendeu um alerta em Yoongi. Talvez ali estivessem as respostas que ele tanto buscava. Se queria entender sua existência, precisava daquele objeto.

Mas pegá-lo à força não seria uma opção. Ele já havia notado que aquelas pessoas estranhas reagiam de maneira peculiar quando ele agia de forma fofa. Elas sorriam, faziam sons engraçados e pareciam mais dispostas a lhe dar o que queria, o que, para ele, era irritante. Odiava ser tratado como algo frágil ou adorável, mas, se fosse necessário, ele usaria isso a seu favor.

Esperou o momento certo. Assim que o rapaz largou o tablet sobre a mesinha, Yoongi o pegou e o cheirou, fingindo curiosidade ingênua. Depois, ergueu os olhos e sorriu docemente para o assistente, piscando de forma exageradamente adorável.

— Brinquedo? — perguntou, com a voz doce e os olhos brilhando.

Era um ato meticulosamente calculado. Agora, só restava ver se sua performance surtiria efeito.

— Isso não é brinquedo, Yoongi — respondeu o rapaz, todo derretido — mas vou deixar com você, tá bom?

— Eba! Brinquedo! — Yoongi repetiu ainda mais fofo, se odiando por isso, queria mesmo era arranhar a cara do rapaz.

— Que fofo — O rapaz sorriu como bobo — É brinquedo sim… hum, não acho que vá conseguir mexer, então pode brincar com ele um pouco — O rapaz fez carinho na cabeça de Yoongi e então saiu.

— Babaca, cuzão de merda — resmungou Yoongi revirando os olhos, adorava quando alguém falava palavrão perto dele, era o que mais gostava de aprender.

Yoongi observou o objeto em suas mãos, fascinando-se com a superfície lisa e fria. Curioso, sacudiu-o algumas vezes, tentando entender como funcionava. De repente, a tela acendeu, e ele instintivamente fechou os olhos, assustado com o brilho inesperado. Após um momento de hesitação, abriu-os novamente e viu algo familiar na tela: a mesma interface onde o rapaz sempre digitava.

Sem perder tempo, fez como vinha observando. Seus dedos hesitaram sobre o teclado virtual, pois ainda conhecia poucas palavras. Mas havia uma que ouvia o tempo todo.

"Gato."

Assim que pressionou a tecla de busca, várias imagens surgiram na tela. O choque foi imediato.

Ele encarou o pequeno animal felpudo, de orelhas pontudas e rabo peludo. Assim como ele. Mas, ao mesmo tempo, completamente diferente. Enquanto aquele ser era quadrúpede e coberto de pelos, Yoongi se assemelhava a um humano em quase todos os aspectos.

Quanto mais pesquisava, mais absorvia informações. Descobriu que os gatos eram animais domesticados, que viviam ao lado dos humanos há séculos. Aprendeu sobre seus hábitos, seus comportamentos, sua história. Mas em toda a sua pesquisa, não encontrou nada que explicasse o que ele era. Não havia registros de seres como ele, nenhuma menção a híbridos, nenhum humano com características felinas. Isso não fazia sentido.

Mudando de abordagem, Yoongi digitou outra busca. Reproduziu o logo que sempre via nos crachás dos enfermeiros e procurou informações sobre o lugar onde estava. O resultado foi frustrante. Tratava-se de uma clínica comum, sem qualquer menção a experimentos genéticos ou a humanos misturados com animais.

Yoongi franziu o cenho, desconfiado.

Se aquele pequeno objeto podia fornecer tantas respostas, talvez existissem versões maiores e mais avançadas, capazes de revelar a verdade que ele tanto buscava. Ele só precisava encontrá-las.

Durante aquela semana, Yoongi se contentou em explorar as possibilidades que o tablet lhe oferecia. O assistente sempre lhe mostrava joguinhos infantis, tentando entretê-lo, e Yoongi fingia interesse, sorrindo e agindo de forma fofa para manter o rapaz confortável e distraído. Sua estratégia funcionava.

Esperou pacientemente pelo momento certo. Quando percebeu que o assistente já estava completamente à vontade perto dele, agiu. Em um movimento rápido e discreto, pegou o crachá do rapaz e o escondeu. O homem, confuso, acreditou tê-lo perdido em algum lugar e, após procurá-lo sem sucesso, desistiu.

Naquela noite, quando a clínica mergulhou no silêncio, Yoongi finalmente fez seu movimento. Com o coração acelerado, deslizou o crachá pelo leitor ao lado da porta e ouviu um leve bip antes da trava se destrancar. Pela primeira vez, ele saía daquele cômodo.

Um corredor longo e escuro se estendia à sua frente. Cada passo era cauteloso, cada movimento calculado para evitar qualquer ruído. Abriu portas ao longo do caminho, investigando o que havia atrás de cada uma. A maioria dava para quartos idênticos ao seu, vazios e impessoais.

Mas então, ao abrir uma porta específica, seus olhos brilharam.

Era uma sala repleta de computadores. As telas brilhavam fracamente na escuridão, exibindo gráficos, dados e informações incompreensíveis à primeira vista. Yoongi não precisava entender tudo naquele momento. Ele sabia apenas uma coisa: ali dentro, estavam as respostas que tanto buscava. E ele não sairia dali sem elas.

Yoongi se sentou diante de um dos computadores, o brilho frio da tela iluminando seu rosto. Seu olhar percorreu as pastas na área de trabalho, cada nome causando um arrepio desconfortável.

"Puppy."

"Little Fox."

"Kitten."

Seu coração acelerou ao ver o último nome. Sem hesitar, clicou.

A pasta se abriu, revelando um arquivo extenso sobre ele. Havia vídeos, áudios, documentos detalhados — tudo catalogado. Cada fase de sua existência naquele lugar estava registrada. Mas algo o incomodou mais do que qualquer outra coisa: não havia absolutamente nada sobre quem ele era antes daquilo. Como se sua vida anterior tivesse sido apagada.

Seus dedos apertaram os punhos da cadeira. A raiva crescia em seu peito.

Continuou lendo. As palavras desconhecidas iam se abrindo em sua mente e sendo compreendidas de forma assustadoramente claras. Encontrou relatórios sobre experimentos que haviam dado errado — outros híbridos que não sobreviveram ao processo. Também descobriu arquivos sobre experimentos futuros, que ainda não haviam despertado. Mas foi ao ler sobre a finalidade dos híbridos que o horror realmente se instalou. Seus olhos varreram as palavras com urgência, sua respiração ficando mais pesada a cada linha.

Eles não eram apenas criações científicas. Eles não estavam ali para pesquisa genética ou avanços médicos. O propósito era muito mais repulsivo. Yoongi foi feito para satisfazer os desejos carnais de humanos sádicos.

O choque fez seu corpo enrijecer. Seu estômago se revirou, e a tela diante dele pareceu girar por um instante. Uma onda de repulsa subiu por sua garganta.

Ele não era um ser vivo para eles. Não era uma pessoa. Era um produto.

Yoongi sentiu um gosto de vômito subir, mas engoliu seco. Seu coração agora batia com um novo propósito. Ele precisava sair dali. Mas não apenas ele. Todos os outros também.

Yoongi continuou vasculhando os arquivos, absorvendo cada informação com rapidez e precisão. O que descobriu a seguir fez seu estômago se revirar ainda mais.

Havia um prazo.

Seu tempo de aprendizado era monitorado. Ele não estava apenas sendo estudado, estava sendo preparado. Quando atingisse vinte e um anos, seria vendido a algum humano, sua existência negociada no submundo da internet, longe dos olhos da sociedade. A população sequer suspeitava que algo assim acontecia. Para o mundo, ele simplesmente não existia.

Seu nome estava em uma ficha, acompanhado de um destino que já haviam decidido. Aos vinte e um, seria considerado “pronto” para seu dono. E Yoongi já sabia exatamente o que aquilo significava.

Seu corpo inteiro se enrijeceu.

A ideia de ser entregue a um desconhecido o enojava. Depois de tudo o que leu, já entendia o que esses "donos" esperavam dele. Seu peito se apertou, um nó subindo pela garganta. Mas ele não tinha tempo para pânico ou desespero.

Se quisesse sair dali, precisava estar preparado.

Passou a noite inteira lendo, pesquisando, absorvendo cada pedaço de informação que pudesse ser útil. Não podia se dar ao luxo de ser ingênuo. Aquele conhecimento era sua única arma. E ele a usaria para lutar.

Notas finais
Um gatinho que fala palavrão... ai deuses rsrsrs Próximo cap veremos nosso doguinho super cute ahhhhhhhhhhhh