Hurricane.
3 This Is Not A Birthday. (Part.2)
Notas iniciais
Apertei minhas mãos no joelho, enquanto cruzava minhas pernas, imaginando como estaria meu sorriso naquele momento, ou meu rosto que esquentava cada vez mais.
— Sério, o professor ficou tipo... “Você quer ensinar?” quando ela desmentiu ele na cara dura. — Mia gargalhava olhando para seu parceiro de bebida.
Não era mesmo dificultoso encontrar garotos legais em festas sociais em Mystic Falls, o único problema é que eles eram garotos ricos e universitários. Então provavelmente achavam que éramos calouras do ensino médio que ficariam um pouco “altas” com apenas uma taça de vinho.
— Quando estava no colégio o único professor que tinha medo era Stephen Pirata. — Tom, ou seria Thomas que tinha vindo ver sua família na universidade de Denver, e que tinha um sonho de ser político (só Deus sabe o porquê), disse gargalhando afastando a sua sobremesa quase intocada.
O garoto tinha problema, pensei só por causa daquilo. Quem dispensa mousse de chocolate e maracujá?
— Pirata? Porque? — Indaguei curiosa, os fazendo rir ainda mais, Mia estava bêbada, ou começando a está.
Tom, ou Thomas, eu não peguei seu nome, se virou na cadeira ao meu lado, e piscou com só um olhar.
— Deus! — Guinchei colocando a mão na boca para não gargalhar alto.
O professor de Inglês Avançado fazia realmente aquele lance com o olho direito, principalmente quando estava zangado. Por isso a nossa discussão da aula me veio a mente, e fez minha barriga doer quando segurei o riso, tremendo o corpo como eles.
Erámos um grupo afastado das mesas do salão de jantar, a festa estava no melhor momento, eu diria, a banda não era totalmente horrível, mas o champanhe e o vinho excelente assim como o bufê, e todo aquele clima ameno na noite fresca.
— Exato... — Thomas, ou Tom, falou jogando um dos braços ao redor do encosto da minha cadeira, como se fossemos conhecidos, seu joelho bateu no meu, e notei pela primeira vez, meio parva, que Miah estava com Gabriel, encostados demais, rindo um para o outro, seus olhos flertando com frequência, o que me restava como par do garoto que fazia Advocacia em Denver. Sentir uma necessidade urgente de me afastar, mas ele pegou em meu pulso, me deixando paralisada.
— Anya, é britânico. — disse o garoto como se fosse muito inteligente, e eu devesse o aplaudir.
— Não, vem de Anastácia é grego, mas minha mãe era descendente de alemão. — Disse o corrigindo um pouco baixo, afastando sua mão de mim, e me remexendo na cadeira de modo desconfortável. A proximidade do garoto que devia ter lá uns 20 anos me incomodou como larvas rastejantes.
Talvez o cheiro que vinha do hálito dele me deixasse com anseio também, puro álcool, eu odiava bêbado, já havia visto como o álcool mexia com as pessoas, as mudava. Ou na verdade, apenas tinha medo deles.
— Senhorita Saltzman?
Olhamos para trás automaticamente assim que alguém se aproximou por trás, e falou meu sobrenome com altivez, e firmeza que me assustou, como um professor nos pegando no flagra.
O sorriso do híbrido original, meio vampiro, meio lobisomem, não era um dos melhores, ou talvez eu só visse uma sombra em seus olhos claros que me hipnotizou como uma charada.
— Sim?
Era como se eu tivesse dito... Sou eu, em que posso lhe ajudar? Mas na verdade, pelo tom baixo da minha voz, soava... Por favor, não me devore.
— Carol, disse que você ajudou a organizar o jantar, apenas queria dizer que está tudo fantástico.
Abrir minha boca tentando entender porque ele estava falando comigo. E porque sua expressão estava fechada, ao mesmo tempo em que passava humor, como se estivesse irritado com algo.
Entendi logo que era minha falta de etiqueta, porque assim que me levantei ele meneou a cabeça aprovativamente, como se eu fosse uma boa garota. Era assustador me sentir uma criança, talvez pelo fato dele ser mais velho que Damon e Stefan junto. Tentei me desculpar mentalmente pelo que sentia, pura força do hábito.
— Sou Anastácia Saltzman. — Ofereci minha mão para cumprimentá-lo, lembrando que ele era tecnicamente um novo morador de Mystic Falls. Em meu rosto eu tentava passar um sorriso educado na frase, os humanos atrás de mim viviam sem conhecer o terror de saber o que ele era. Fato invejável por mim.
— Klaus Mikaelson. — Disse ele com aquela voz gutural se arrastando como uma cantiga de ninar.
Ele rapidamente segurou minha mão logo em seguida como um bom cavalheiro, e sorriu em resposta de uma forma charmosa que talvez fosse específica de seu lado vampírico, pois todos os vampiros passavam aquele deslumbramento, eu podia ouvir Mia suspirando, porque assim como os outros encarava a cena.
— Carol também disse que você é uma ótima dançarina... Podemos? — Ele fez um aceno sútil para a pista de dança.
— Oh... — Engoli em seco não querendo me afastar da mesa, sentia que não seria uma boa ideia, mas, o que eu falaria? “Não porque tenho medo que você quebre meu pescoço enquanto fazemos uma pirueta.” Mas, aquilo não seria educado na nossa performasse de bons atores. — Claro, porque não.
♫♩♫♩ Eu sou uma fênix na água... Um peixe que aprendeu a voar. E eu sempre fui uma filha.Mas penas foram feitas para o céu
Então eu estou desejando, desejando além. Pela empolgação de chegar. É só que eu prefiro estar causando o caos
Do que deitar na ponta afiada desta faca...♫♩♫♩
Com uma mão nas costas, de modo típico de homens poderosos, fazendo um floreio com a outra para eu ir na frente.
Dei um sorriso meio sem jeito para Tom, ou Thomas, e fui à frente, sentindo Klaus Mikaelson atrás de mim como uma sombra de agouro.
Meu coração bateu mais forte, e eu sabia que ele podia ouvir, respirei fundo constrangida, mordendo os lábios para me controlar, e procurei tio Rick, ou mesmo Damon para poder me tirar daquela enrascada. Ao chegar ao meio da pista fiquei feliz de tocarem algo calmante, e suave.
♫♩♫♩ Com cada pequeno desastre. Eu vou deixar as águas paradas. Me levar para algum lugar real ... ♫♩♫♩
Tentei me concentrar na voz doce da cantora, quando ele sorriu meio cínico, talvez pelas minhas bochechas coradas, quando tocou a base das minhas costas, enquanto eu colocava uma mão em seu ombro, e lhe dava a outra para erguê-la na dele. O único problema é que minha blusa era curta, na base da saia de cós alto, fazendo uma tira de pele á cima do umbigo até as costas, ficar na pele nua. Um calafrio me pinicou e eu afastei meu rosto do dele, para olhar para qualquer lugar.
— Perguntou mesmo para a prefeita sobre mim? — Qualquer assunto seria digno de uma análise profunda, se eu parasse de corar, ou me sentir arrepiada com seus dedos me tocando daquela forma.
— Sim, ela realmente gosta de falar, não é?! — Disse retoricamente, dando um risinho maldoso que fez uma irritação agradável me concentrar um pouco.
Principalmente quando meus pés tinham que seguir os deles. Rodávamo-nos lentamente no mesmo eixo, nada elaborado felizmente, mas estranhamente agradável depois que me acostumei com seu dedão roçando os pelinhos da minha coluna.
♫♩♫♩ Porque eles dizem que lar é onde seu coração está gravado na pedra. É onde você vai quando está sozinho
É onde você vai para descansar seus ossos
Não é apenas onde você deita sua cabeça
Não é apenas onde você faz sua cama
Contanto que estejamos juntos, importa pra onde vamos?
Lar... Lar... ♫♩♫♩
— Você estuda com Stefan? — Ele perguntou quando virei meu rosto para o olhar.
Primeiro erro.
— Sim, e eu não sei onde seus caixões estão. — Falei rapidamente e sinceramente.
Klaus estreitou seus olhos claros, como se não acreditasse no que ouviu, e então respirou fundo como se contasse lentamente até cinco, para depois dar um sorriso amistoso.
— Você parece saber das coisas. — Falou como se provasse alguma teoria sobre mim, via aquilo em seus olhos. — Para uma humana.
— Eu tomo verbena. — Avisei parando de dançar, o que o fez parar também.
— Sim, posso sentir em seus poros. — Rebateu como se não se preocupasse com aquele fato. — Como seu perfume também, girassóis, algodão... — Suas narinas se dilataram, me fazendo prender a respiração. — Orvalho.
Tentei dar um passo para trás, mas sua mão pesou nas minhas costas, me puxando mais para frente, me prendendo em seu corpo.
— Eu não uso perfume. — Disse sem folego, não sabendo exatamente porque lhe segredei aquilo.
— Isso eu também sinto. — Contou baixinho como um segredo. — Você é fresca como um pôr-do-sol.
♫♩♫♩ Então quando eu estiver pronta para ser corajosa. E meus cortes curados com o tempo. Conforto irá descansar em meus ombros. E vou enterrar meu futuro para trás
Eu sempre irei lhe guardar comigo. Você sempre estará em minha mente. Mas há um brilho nas sombras. Eu nunca saberei se não tentar. Com cada pequeno desastre ... ♫♩♫♩
Ótimo, eu oficialmente sabia que corava, enquanto tinha medo batendo em minhas entranhas. Que tipo de elogio era aqueles?
— Em que posso lhe ajudar senhor Mikaelson? — Perguntei secamente como se estivesse posicionando-me para um ataque. Ou só para a defesa.
— Como sabe de muitas coisas, Anya... — Ele disse meu nome como se saboreasse as sílabas, então deixou nossas mãos que estavam unidas caírem, e eu afastei a minha outra também de seu ombro, só faltava a dele nas minhas costas, mas aquela era o problema, porque me prendia perto de seu peitoral, como se fosse de ferro. — Talvez deva saber que Tyler Lockowood mordeu Caroline Forbes, a filha da prefeita á menos de duas horas atrás, e que deseja meu sangue para curá-la, sabe que meu sangue é o único antidoto para veneno de lobisomem?
Minha boca estava aberta em puro choque. Aquilo era realmente verdade? Olhei ao redor tentando novamente ver alguém familiar para confirmar aquilo.
— Se isso é verdade... — disse sem fôlego, sentindo meu coração se apertar em medo. — O que quer em troca do seu sangue? — Perguntei parvamente como se não pudesse respirar antes de ouvi-lo responder.
Klaus sorriu misterioso fazendo eu ficar sem oxigênio quando não respondeu rápido. A música tocava e eu nunca me esqueceria dela.
♫♩♫♩ Não é apenas onde você faz sua cama
Contanto que estejamos juntos, importa pra onde vamos?
Lar... Lar... Lar ... ♫♩♫♩
XxxX
— Ele quer sua ajuda com o concelho. — Disse para o xerife que tremia pelos gritos de alucinação de Caroline no quarto.
— Mas... — Liz olhou por sobre o ombro, enquanto Matt segurava os braços de Caroline que se debatia e chorava copiosamente. — E de você, o que ele quer? Porque está usando você para dar o recado?
Aquilo parecia uma pergunta que eu não gostaria de responder tão cedo. E infelizmente, tive que dar de ombros enquanto dizia.
— Ele pode me pedi um favor algum dia. — Passei meus dedos na testa que suava, e voltei a encarar Matt que ouvia a conversa.
Eu estava dois passos a ponto de entrar no quarto, mas a xerife estava me barrando, como se fosse para me proteger. Klaus fora vago com o que queria de mim, e aquilo iria me assombrar futuramente, ele parecia um rico avarento, guardando favores de nós por sua ajuda, aquilo, eu sabia.
— Tudo bem, apenas... Que ele salve minha filha. — Liz tremeu engolindo as lágrimas, e eu dei as costas a cena, como se não fosse educado olhá-la naquele estado.
Com presa, sair pelo corredor da casa dos Forbes, e abrir a porta o vendo na varanda.
— Ela concorda. — Garantir sentindo meu coração afundar em pura adrenalina, como se uma bomba, que era Caroline, pudesse explodir se não a desativássemos.
— Ótimo.
Klaus tirou algo do bolso, e eu vir que era uma seringa com sangue, a peguei quando ele me ofereceu, e depois sorriu charmosamente antes de dizer:
— Nós vemos em breve, Anya.
Ignorei seus olhos encarando o piso de madeira, e o sentir desaparecer nas sombras, quando ergui novamente meu rosto, ele sumira.
Voltei para dentro da casa, com a salvação de Caroline nas mãos, imaginado como ela se lembraria daquele aniversário. Porque eu me lembraria antes de dormir, que havia feito um trato com o diabo aquele dia, mesmo que ele parecesse um anjo retratado por fábulas.
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