Hurricane.
4 I'm More Than A Pretty Face.
Notas iniciais
— Me desculpe, eu deveria está lá, deveria ter... — Alaric suspirou fundo, colocando uma mão na testa.
Eu dei um sorriso constrangido sabendo que ele estava com ressaca da noite passada.
— Não precisa se desculpa, estou bem, como Caroline felizmente. — Encarei meus tênis, e me abracei encolhendo-me no degrau da varanda dos Gilbert. — Mas onde você estava? Não o vir chegar ontem à noite.
Era verdade, depois de garantir que Caroline estava bem, a xerife Forbes me levou para o apartamento aonde eu dormi depois da meia noite por ficar acordada esperando Rick, que eu não vir chegando nem quando eram as cinco da madrugada.
— Sinceramente, só me lembro de ir...
Tio Rick não continuou, porque a porta vermelha da casa dos Gilberts se abriu e Jeremy passou com um sorriso, carregando uma bolsa de lona.
Ficamos de pé, e eu apenas estiquei meus lábios em um sorriso seco, sentindo certo peso pela despedida.
— Tá pronto? — Alaric perguntou tirando a bolsa do garoto que assentiu me encarando.
— Não apronte muito. — Avisei subindo os degraus, para abraçá-lo com força. — Odiaria perder a diversão. — Sussurrei em seu ouvido.
Ele riu sem me soltar, nos fazendo balançar em um clima fraternal. Nunca entendi porque não era tão apegada a Elena, mas sim a Jeremy que era meio que um delinquente juvenil, e um amigo nas horas sombrias.
Me afastei, olhando para cima para poder ver seu rosto juvenil, ele era tão alto quanto meu tio, mas, possuía traços de um garoto de dezesseis anos.
Jeremy se afastou, e eu sorrir o vendo se despedir de Bonnie que tinha chegado apresada.
Então, ficamos ali, eu, Elena e Bonnie, vendo o garoto ir embora.
Pensei por longos minutos, o que aconteceria se eu tivesse ido também.
XXXX
No dia seguinte, entrei no Grill, dando um sorriso para Matt que estava começando seu turno depois das aulas.
— O de sempre? — Indagou ele assim que me aproximei de uma mesa que ele limpava.
— Não, hoje só um suco. — Deixei claro colocando alguns pratos sujos na bacia que ele prendia entre seu braço e cintura. — Não estou com fome... Notícias de Jeremy? — Mudei rapidamente o assunto, porque Matt era bem preocupado com tudo, o que era fofo.
— Sim ele se estalou bem, e na nova escola tem uma quadra de baseball. — Contou ele não rejeitando minha ajuda quando o seguir para outra mesa. — Elena acha que não é bom conversamos muito com ele agora, principalmente enquanto ele se adapta em Denver.
Fiz um som de engasgo.
— Tá, tanto faz. — Resolvi não comentar o que realmente achava daquilo.
Mas, pelo olhar de Matt, ele entendia.
— Viu com quem Alaric tá conversando?
Girei meu pescoço, vendo no meio das mesas uma especifica com Tio Rick, e a doutora Fell, rindo e conversando enquanto terminavam seu almoço.
— Isso é bom, Rick anda meio estranho ultimamente. — Segredei para Matt, o seguindo até o bar.
Ele franziu as sobrancelhas não entendendo. Dei de ombros, me sentando em um banco alto.
— Sei lá, apenas meio confuso... — Mordi os lábios ficando pensativa. — Meio distante.
— Já conversou com ele sobre isso? — Matt me indagou preocupado.
Fiz um aceno negativo, vendo que Matt me levava a sério, era tão reconfortante falar com ele que eu me sentia meio na beira do muro quando pensava em como até mesmo Bonnie, e Caroline achavam sobre nós dois juntos, no sentindo romântico da palavra. Ele daria um ótimo namorado, mas... Não merecia alguém tão problemático quanto eu. Eu era muito confusa.
Garantindo que estaria ali para eu conversar se quisesse, esse era Matt Donovan, ele se incumbiu de trazer meu suco.
Fiquei olhando a mesa de Tio Rick depois para ver quando a mulher, que era bem bonita e que eu admitia combinava com ele, fosse embora. Quando aconteceu, fui me sentar com ele.
Mas, Damon chegou primeiro se aproximando do outro lado, esbarrando sem querer na mulher que claramente tinha saído da mesa de Alaric.
— Quem é? — Indagou o vampiro com um olhar malicioso para o amigo, dando uma espiada por sobre o ombro para Meredith, ou suas costas.
— Minha médica. — Disse Rick sem muitas informações, voltando a se sentar, porque era um cavalheiro e havia ficado de pé para se despedir da doutora.
— Uou, qual é o problema dela? — Damon lançou as palavras de modo cômico, chamando com um aceno outro garçom para lhe servir.
— Nenhum. — Garantiu Alaric confuso, e eu já estava a dois passos da mesa.
— Qual é Rick, fato da vida, uma gata daquelas, inteligente, e bonita, tem problema... Não acha ruiva? — Damon me perguntou quando me viu, fazendo Alaric se virar na cadeira para também me ver, Damon sempre sabia quando eu ouvia a conversa dos dois.
— Essa teoria também serve para homens? — Disse secamente, colocando minha bolsa ao pé da cadeira, e meu suco gelado na mesa enquanto me sentava entre os dois.
— Fale a senhorita, você é bonita, linda na verdade... E, inteligente — Levantou um dedo em riste, me fazendo semicerrar meus olhos em sua direção, como se o tivesse desaprovando suas palavras, seus elogios me constrangiam, nunca fui boa em ouvi-los. — Um pouquinho problemática tenho certeza, mas veja eu... Sou normal, e um pedaço de mal cominho. — Ele disse orgulhoso, me encarando ao se encurvar na mesa, fazendo seu joelho bater no meu, claramente de propósito já que ficava batendo, e batendo em cada palavra.
Fiz uma careta, e revirei os olhos me afastando dele o máximo que podia.
— Isso é muito sexista. — Declarei tomando um gole do suco. — Mas sério tio, ela é boa? No sentido que não vai ser uma louca que vai acabar nos dando trabalho.
Alaric balançou a cabeça negativamente, achando engraçado minha preocupação por sua vida sentimental.
— Não achei nenhum sinal de perigo... — O professor levantou as mãos como quem se rende, claramente falando comigo e o amigo ao mesmo tempo. — A não ser que o ex namorado a chamou de maluca. — Emendou se lembrando.
— É, mas vindo de um ex, não importa. — Damon decretou como se fosse o júri da conversa, e infelizmente Rick concordou.
Revirei novamente os olhos, vendo Dick servi um uísque para Damon, sem pedir, óbvio que era um empregado hipnotizado.
— Do que será que minhas ex me chamam? — Perguntou-se quase mentalmente Alaric, como se falasse para si mesmo.
— De nada, estão mortas. — O vampiro zombou para o meu choque.
— Damon! — Guinchei alarmada.
Ele levantou as mãos em rendição de modo teatral.
— Bem, o ex dela é o legista, então ele é meio morto. — Novamente Alaric falava quase para si mesmo, o que me deixava meio nervosa.
Como ele não podia ter se incomodado com o comentário de Damon?
— Ela namorava o legista? — Perguntei achando estranho, tentando entender um pouco mais Meredith Fell.
Alaric fez um aceno positivo, e Damon perdeu o ar de idiota, depois disse seriamente em um tom baixo.
— Então ele não é mais meio morto, porque tá morto mesmo, assassinado com uma estaca no coração, a xerife encontrou o corpo hoje de manhã.
Ficamos em silêncio absorvendo a informação.
— Ah ótimo, e o dia mal começou. — Peguei minha bolsa, e fiquei de pé, não querendo saber mais nada sobre o assunto. — Nos vemos mais tarde.
Alaric assentiu, e Damon me deu um thauzinho deslavado.
Balancei a cabeça, e como já tinha pagado o suco, sair sem olhar para trás.
Tirei meu celular do bolso, vendo se tinha uma mensagem de Bonnie que estava indo atrás de sua mãe, com Elena, que tinha beijado Damon. Ter salvado a vida de Caroline, ou só ajudado fazia ela se tornar uma bocuda na aula de espanhol.
Parei na praça, tirando minha blusa de flanela preta e branca, arregacei as mangas da blusa de baixo, e amarrei a de flanela na cintura, parando em um banco para sentar um pouco, e poder respirar aquele ar puro enquanto tirava um caderno da bolsa, para poder verificar os panfletos de faculdade que meu orientador havia me dado antes da última aula.
Harvard, Columbus, Cornel, Whitmore...
A última era a mais perto, e estranhamente a que eu mais pensava em ir. Rick havia sido professor ali, com Isobel, e claro, eu havia morado ali em um apartamento no campus saboreando de antemão a vida universitária. Tirando meu notebook da bolsa, eu pesquisei cada faculdade que oferecia Inglês e Literatura. Eu queria ser escritora, e médica antes, mas não lidava muito com sangue depois que havia morado em Mystic Falls. Fiquei mais de duas horas sentada absorta, pesquisando, e escrevendo os prós e os contras de cada uma.
— Harvard? É uma boa opção.
Tomei um susto quando alguém parou na minha frente, barrando meu sol, para pegar um panfleto ao lado do meu banco.
— Senhor Mikaelson? — Perguntei meio pasma, ignorando seu olhar, para averiguar se estávamos sozinhos.
Havia muitas pessoas, jovens, velhos, crianças no parque, ao nosso redor, o que foi acolhedor.
— Pode me chamar de Klaus, sabe... — Garantiu com um sorriso encantador.
Ele se sentou do meu lado, e graças aos panfletos com um espaço pessoal que me deixava respirar, e virou-se um pouco para me olhar. Sua roupa era casual como na noite anterior camisa de algodão com apenas alguns botões no começo da gola, como um Hippie também usava colares, e até mesmo eu podia jurar, um Terço como fieis usariam no catolicismo.
Mordi a ponta do meu lábio inferior, não respondendo, parando de o analisar.
— Quando vai para Universidade? — Perguntou casualmente como se fosse realmente um ser humano curioso, passando por ali, e puxando assunto.
— Em alguns meses, seis para ser mais exata, mas gosto de estar preparada. — Dei de ombros, respirando fundo, tentando muito fazer meu coração parar de parecer uma batedeira, olhei para a tela do computador, fingindo que não o sentia ali.
Por favor, ele só está puxando assunto, ele não é o bicho papão... Só talvez o lobo mal. Minha mente diabólica me repreendeu e realmente funcionou.
— Uma garota inteligente, gosto disso. — Elogiou de modo contemplativo, jogando sua perna em cima da outra, não de modo feminino, mas bem masculino, colocando só o calcanhar em cima do joelho.
— Por favor, não me diga que eu sou bonita também e isso é surpreendente, Damon já deixou claro que isso é impossível em uma mulher. — Bronqueei zangada não sabendo d’aonde aquilo havia vindo, eu só não queria ouvir aquele papo sexista de mais ninguém.
Ficando surpresa com minha ousadia, acabei envergonhada, puxando meu short mais para baixo, tentando cobrir o máximo de pele que eu mostrava. Minha roupa era bem moleca.
— Damon parece um idiota. — Disse um pouco arrogante, me fazendo segurar um sorriso ao concordar internamente.
Então, levantei minha cabeça, e o olhei pela primeira vez, havia certa brusquidão ali, como profunda... Solidão. Deus, pensei, que eu não estivesse vendo demais. Estranhamente, pela primeira vez foi ele que abaixou a cabeça, e desviou o olhar.
— Soube que seus híbridos foram embora. — Comentei suavemente.
Sua expressão mudou como se colocasse uma máscara em seu belo rosto antes sem tanto peso.
— Graças a Stefan... — Resmungou com ódio. — Sabia também que ele ameaçou transformar Elena em vampira? — Perguntou não me encarando, mas, voltando a se sentar de frente, cruzando seus dedos, ao mesmo tempo que se inclinava para a frente.
— Sim, ela me contou. — Voltei para o meu notebook vendo que a bateria já estava no vermelho, o desliguei, e o fechei.
— E mesmo assim, ela ainda o ama... O amor é confuso principalmente em vocês, humanos. — Comentou como uma provocação irônica que me fez franzir a testa não entendendo. — Não acha?
Obviamente ele queria que meus neurônios fossem colocados para trabalhar. A indagação e espera era visível em seu rosto ansioso.
— Se ela desistir dele agora, significa que tudo que eles viverão, ou todo o sentimento que ela sentiu algum dia, não significou nada. — Disse calmamente. — Romanticamente eles podem não se gostar algum dia, mas ela sempre vai amá-lo como amigo, ser um ser humano é se desprender do orgulho. Quando não temos mais de cem anos pra viver, é meio imprudente passar ao menos um único dia sem perdoar.
Ele se endireitou rapidamente, como se eu tivesse falado algo que o surpreendeu. O sol batia nos cabelos dele, como um halo fazendo-o parecer quase inofensivo, se não fosse por todo o seu porte de homem que parecia envolver a minha visão, era como olhar para um ponto a frente que não deixava você ver as beiradas.
Meu celular começou a tocar, acabando com o clima. A musiquinha chata me fez abaixar os olhos envergonhada por encará-lo tão fixamente, não que ele passasse por aquilo, mas eu não estava acostumada. Minhas bochechas coraram, e o celular me deu uma desculpa para fingir que eu não tinha conversado quase normalmente com o inimigo de quase todos os meus amigos.
Vir uma foto idiota que Damon havia colocado no meu celular quando adicionou seu número, era basicamente ele mandando um beijinho pra mim, deslizei meu dedão na tela, e atendi rapidamente.
— Fala.
— Ruiva, eu preciso de uma carona, tô no hospital... — A voz rouca dele fez um arrepio subir por minha coluna.
— O que aconteceu? — Perguntei confusa, ciente de que Klaus ouvia tudo.
— Rick não sabe escolher mulheres, é tudo que eu posso dizer...
— Você confrontou a doutora Fell? — Captei rápido o que havia acontecido. — Que idiota Damon, ela não é uma assassina, apenas utiliza sangue de vampiro nos pacientes, eu teria dito se você não tivesse me irritado no almoço.
Virei-me colocando os panfletos na bolsa junto com todo o meu material enquanto prendia o celular entre a bochecha e ombro.
— Ela me envenenou com verbena, eu mal sinto as minhas pernas! Doutora maluca... — Damon resmungou do outro lado, com aquela voz errada de bêbado.
— Eu te encontro. — Avisei desligando o celular, o jogando em seguida também na bolsa, para ficar de pé, e olhar para Klaus que tinha uma sobrancelha levantada passando diversão, e um sorriso zombador nos lábios.
— Como sabe que a doutora utiliza sangue de vampiro? — Ele indagou sem vergonha de ter ouvido a conversa.
— Sei de bastante coisa. — Dei de ombros. — Até logo.
Ele fez um aceno, e eu me virei saindo o mais rápido possível dali para ajudar Damon, o vampiro idiota que tinha que sempre ir atrás do que ninguém o tinha chamado.
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