Hurricane.
9 Dark Circle
Notas iniciais

Me perguntei pela décima vez se alguém estaria acordado aquela hora. O vento gelado, do começo do que seria um inverno glorioso, tocou minhas bochechas, enquanto eu mordia os lábios, e apertava minhas mãos com força no pulôver de lã que usava cinza.
Acordei cedo, porque realmente nem dormir direito, meu celular estava repleto de mensagens, de Rick, Elena, Matt, todos que sabiam do planoda noite passada. Havia planejado para aquele dia, começar a sair de fininho do looft, mas, para meu alívio tio Alaric não tinha nem passado a noite.
Voltando-me para o presente, suspirei novamente, vendo os mínimos detalhes.
A porta era tão bonita que eu poderia ficar ali a encarando por mais alguns minutos, me convenci daquilo, tentando controlar meu coração.
Chega, já estava na hora de começar aquilo. Mandei a mim mesma, mentalmente.
Um anseio estranho fez meu corpo soar gelado, de uma maneira quase doente. Tomei um grande fôlego de ar, e uma quantidade alarmante em meu interior de pura coragem para levantar a mão, fechar o punho, e bater na porta com os dedos dobrados.
O som oco produzido me fez dar um pulinho para trás, ciente demais de cada ruído para me assustar até com o farfalhar das árvores.
Não demorou muito, quinze Mississipi, ao total para eu obter resposta.
A porta se abriu com uma força que fez as dobradiças rangerem. Dei outro passo para trás como se sentisse que algo fosse explodir, não o culpava por sua ira.
Klaus estava ali parado do lado de dentro com uma expressão séria, que logo se tornou algo mais sombrio quando seus olhos claros encontraram os meus. Mordi meus lábios mais um pouco, sentindo uma culpa devorar meus ossos, mesmo que minha mente alegasse que eu não tivesse culpa de nada. Só podia ser algum transtorno, me justifiquei.
— Vim pedir desculpas. — Avisei em um sô fôlego tentando passar logo minha visita a sua casa.
Fiquei em silêncio. Nós dois ficamos em silêncio, na verdade. Só ouvimos o som ruidoso de asas de pássaros batendo bem ao longe no jardim bonito, e água do chafariz enquanto ele parecia absorver minhas palavras.
Eu o encarei o máximo que pude, até que um minuto se foi, o que me fez abaixar a cabeça me sentindo um pouco tímida. Estava na verdade muito infeliz por estar pedindo desculpas á ele, afinal, me lembrava de como na noite passada ele havia sido gentil, e encantador. Como havíamos quase nos beijado.
— Pelo o quê? — Ele perguntou um pouco indiferente, como se não quisesse admitir o que havia acontecido entre nós.
Levantei a cabeça olhando para o lado esquerdo vendo o jardim dos Mikaelson se estendendo ao longe, naquele condomínio fechado na parte rica de Mystic Falls. Depois me voltei para ele um pouco mais apática do que gostaria de admitir.
— Podemos caminhar um pouco? — Pedi lentamente gentil, ele levantou uma sobrancelha, esperando quase sadicamentepor mais. — Eu não me sinto bem com você me olhando assim, então não posso simplesmente me explicar quando não sinto oxigênio suficiente para respirar.
Terminei colocando a mão na barriga, entrelaçando meus dedos, tentando ficar calma, e não puramente nervosa como cordas de vilões que ao mero toque cantavam.
Klaus tomou uma golfada de ar, sem sorrir, suas narinas tremeram o que tornou tudo mais difícil, achei por um minuto, quando ele esticou o braço para trás que fecharia a porta na minha cara, e voltaria para dentro, para nunca mais falar comigo.
Prendi a respiração em aguarde.
Ele não fez isso, Klaus na verdade, fechou a porta atrás dele, e se aproximou me fazendo ir mais para trás para lhe dar espaço.
Olhei para as minhas unhas, e depois para os meus pés que desciam as escadas da varanda, para virarem à esquerda e começar a caminhada. Eu o sentia ao meu lado como uma sombra magoada, e muito irritada.
— Sinto muito eu ter sido usada como distração ontem à noite... — Mordi os lábios com força novamente, e esperei ele falar algo, claramente ele não ia até acreditar na minha verdade. — Disse a Alaric que foi completamente errado...
— Por quê?— Klaus parou de caminhar, e se virou para mim, suas mãos estavam apertadas em punhos, e seu rosto possuía uma expressão misteriosa, não se abrindo para eu entender o que ele sentia, ou pelo menos nada de bom.
— Como assim? — Unir as sobrancelhas não entendendo sua pergunta.
Ele respirou fundo, e falou ironicamente.
— Porque foi errado usar você contra mim? — Sua voz tinha uma conotação impassível, como se ele estivesse longe de qualquer pensamento que eu pudesse ter sugerido que havia pensado.
Abrir os lábios e depois voltei a fechá-los, era tão óbvio para mim, que ao falar me sentir com medo de está errada.
— Porque o que sentimos por outra pessoa não deve ser usado como uma fraqueza. — Soei meio magoada por ele passar que não sentia nada mais por mim, ele mal piscou, e meu coração se encolheu pela minha descoberta catastrófica da descoberta de eu meramente me importar.Fiquei um pouco irritada comigo mesma. — Eu não estou contra você Klaus, assim como também não estou á favor do que Rick fez com Kol...— Balancei a cabeça negativamente, e voltei a caminhar, sabia que ele ouviria mesmo se eu tivesse a cem metros de distância. — Deixei claro também a Damon que se ele ousar me colocar em uma situação como a de ontem, aonde eu não saiba o que está acontecendo, eu arranco seu sorrisinho idiota. — Terminei em um rosnado, e olhei por sobre o ombro, para poder o ver bem a um passo atrás de mim, me virei um pouco até ficar em sua frente. — Eu sinto muito mesmo por você ter achado que eu estava á favor do plano deles de ajudar sua mãe a matar você e seus irmãos. E sinto muito por ela ter feito isso.
Silêncio, absoluto silêncio entre nós, então como se eu pudesse ver, somente pela forma como seus ombros relaxaram, eu soube que estávamos bem.
— Então está sobre o muro? — Indagou um pouco mais suave, parecendo quase chegando ao estado da diversão com meu nervosismo.
— Pode se dizer que sim. — Dei de ombros, colocando as mãos dentro dos bolsos da minha calça, para voltar a caminhar.
O clima finalmente ficou ameno, ou o quanto dava em cinco minutos de silêncio naquela caminhada.
As casas ao nosso redor se estendiam em mansões antigas, e jardins bem podados, estávamos logo nas calçadas, ignorando os poucos carros que passavam por lá. O cheiro do ar matutino era revigorante.
— Minha mãe me abandonou quando eu fiz treze anos...— As palavras simplesmente saíram como se eu não tivesse pensado nelas, como se alguém estivesse tomando conta da minha boca. — Foi o melhor dia da minha vida.
Sentir Klaus parar de andar, então girei lentamente um pouco os calcanhares, até o ver de lado.
— Meus avós maternos me adotaram, mas não deu muito certo, Rick me salvou. — Sussurrei baixinho sentindo minha garganta se fechar, a forcei fazendo um barulho de pigarro, e depois rir sem humor, olhando o céu azul marinho. — Alaric com todas as suas armas, métodos de luta, era melhor que terapia.
Não olhei Klaus dessa vez, apenas voltei a andar. Como uma andarilha solitária tendo conversas comigo mesmo.
— Minha mãe era uma dona de casa aparentemente feliz, para todos, mas os gritos sempre viam do seu quarto quando meu pai chegava. — Belisquei minha coxa por baixo do pano do bolso, tentando sentir minimamente um pouquinho de dor física para empurrar a mental. — Depois de alguns anos, se tornou insuportável eu só sentir o cheiro de sua embriagues pela casa.
Havia tanta raiva na minha voz, e tanta dor que eu encolhi meus ombros, tirei minhas mãos dos bolsos e me abracei, ainda andando, ainda evitando parar para o olhar, para sentir sua pena.
— Quando eu fiz doze anos, em uma noite de tempestade, sair do quarto, quando os gritos dela já estavam me cansando... — Bufei me lembrando de como eu só queria que aquilo parasse. — Ele não me viu, não quando eu esfaqueei sua traqueia com um lápis de cor, então... Ele, lançou-me para fora, como se eu fosse feita de pano, quebrou duas costelas minhas. Minha mãe não foi embora nem depois daquilo, ela disse a todos que era um acidente, pediu que eu o perdoasse que ele sentia muito, mesmo quando eu via em seus olhos que não sentia. Descobrir que não era sua filha, por isso toda sua frieza comigo...
Um carro parou do outro lado da rua, e um casal idoso saiu entrando em sua casa entre risadas, e sacos de compras.
— Você fez algo? — Klaus indagou baixinho, mas foi mais como uma afirmativa.
— Ele era banqueiro, um banqueiro que desviava fundos da companhia, e eu descobrir seus podres... — Não quis me gabar, mas soou como se quisesse, um sentimento estranho da lembrança do momento me deixou estranhamente calma, e contente. — O expus, ele foi preso, morreu duas semanas depois que foi preso. Minha mãe ficou aérea... Como se não conseguisse perceber que sua tortura tinha acabado. Ela começou a beber, e ficou um pouco insana... Meus avós a internaram, e depois me adotaram, eu não conseguir aguentar, então, Rick me acolheu e eu não quis nem ao menos, me despedir dela. — Parei de andar, sentei em um banco de ônibus escolar, estava vazio é claro, e havia certas tulipas em um vaso pequeno do lado. Gente rica. Pensei olhando para as plantas, ignorando Klaus ao meu lado. —Soube o que fez com seu pai....
— Padrasto, como o seu. — Seu sorrisinho era agourento, e espinhento, mas, no fundo, dolorido.
— Não... — Balancei negativamente a cabeça. — Pai, mesmo que não de sangue, mas por ser alguém que nos ensinou como sobreviver, afinal, é para isso que eles deviam existir.
Mais silencio enquanto olhávamos a rua a nossa frente, o vai-e-vem monótono de carros passando de lá para cá.
— Sua mãe ainda está internada? — Indagou ele suavemente, muito tempo depois, me fazendo lembrar ainda que estava ali.
— Eu não sei, não busco saber nada sobre ela. — Me estiquei no banco, o máximo que podia, e olhei para o céu aonde o sol já se mostrava bem disposto em seu amarelo alaranjado habitual. — Alaric sempre foi toda a família que eu preciso.
— Mas agora você cresceu, e viu como é ter uma família de verdade. — Klaus sussurrou sombrio, e me sentir sombria também.
Porque claramente, era aquilo que acontecia, eu via o que era amar Alaric fazia comigo. Aceitar seus erros, sua reprovação, e sua falta de diligencia aos meus cuidados.
— Família é muito supervalorizada. — Ele deu um risinho amargurado, que me deu arrepios.
— Talvez, ou talvez, só queremos algo mais que família, lealdade cega, amor incondicional, segurança férrea, por isso você por anos buscou fazer seus híbridos, não é?
Não sei que ousadia me levou a dizer aquilo, mas achei até a minha voz gelada o suficiente para demostrar indiferença no assunto. Sentir a coluna de Klaus tremer, algo quase primitivo se remexeu por minhas palavras. Ele não parecia irritado pelo que eu havia dito, ou com irado, apenas preso na sentença em minhas palavras, como se eu tivesse descoberto uma verdade em suas profundezas sombrias. Um lugar aonde ele havia escondido um pedacinho do seu desejo de não permanecer sozinho.
Abrir a boca para dizer que eu sentia muito, que as vezes expunha os meus pensamentos, mas meu celular vibrou alto no bolço da calça, me fazendo suspirar de irritação, eu não fugia de pedir desculpas, ou mesmo uma conversa franca.
Li a mensagem, três vezes pensando o quanto Elena me conhecia bem para não ligar e me contar aquilo em sua voz. Ler era sempre melhor, fazia a gente entender melhor a situação, que era tão espinhenta e complicada que sentia puro bile.
Tremi, não sabendo como demostrar minha preocupação.
— Tudo bem? — Klaus mudou de tom, como se os minutos, quase uma hora de conversa não fosse extremamente pessoal entre nós, como se ele estivesse neutro com a minha expressão claramente pálida.
— Preciso ir para a delegacia. — Foi tudo que eu disse ao ficar de pé, não sabendo se ele me seguiria, ou não.
***
O ar gélido das celas me deu arrepios que fizeram eu me abraçar.
— Vai prender ele? Quando Meredith lhe deu um tiro? — Minha voz era um gemido de horror, e puro terror.
Tio Rick do outro lado da cela, parecia realmente não estar em seu melhor dia, seu rosto estava sem cor, e grandes olheiras arroxadas embaixo do seus olhos, deixava ele com um ar mais velho, e exausto.
— Não, eu não vou, a doutora Fell usou sangue de vampiro para curá-lo, isso é só para segurança. — Elizabeth Forbes, com seu inseparável ar de xerife falou tocando sem consciência sua arma no cinto.
— Foi à doutora Fell que atirou em mim! — Rick disse pela quinta vez, e Damon se aproximou da xerife, com um olhar duro, mas amistoso.
A xerife, mesmo tendo amizade com Damon levantou uma mão o parando, como se dissesse sem palavras para ele não começar.
— Porque avançou nela com uma faca. — A xerife deixou claro que aquela alegação era séria o suficiente para preocupa-la.
— Isso é mentira! — Eu exclamei horrorizada com o nível de estranheza da situação. — Não pode acreditar nela, xerife, Rick nunca a machucaria. — Balancei a cabeça negativamente para enfatizar mais minha incredulidade.
— Eu achei a faca nas coisas dela, muito conveniente ela atirar em mim assim que eu tentei ver o que tinha mais... — Rick tentou dizer.
— Não pode ignorar o fato que ele foi uma das vitimas, o cara foi esfaqueado na casa dos Gilberts, Liz, lembra? — Damon parecia realmente adorável quando queria salvar o amigo de copo, mas usar o “Liz” foi golpe baixo.
A xerife obviamente irritada com a intimidade com que ele demostrava, já que aquele era seu lugar de trabalho, ficou mais séria.
— A doutra Fell acha que os ferimentos podem ser auto infligidos
Olhei pasma para a senhora Forbes, imaginado como ela podia acreditar em tal história.
— Está achando que eu seria idiota de me esfaquear? — Alaric ficou vermelho, e suas palavras saíram como um gruindo de ira. — Eu sou a vitima aqui!
A xerife respirou mais fundo, apertando o osso do nariz com o dedão antes de falar.
— Eu não tenho provas, só um membro do concelho alegando suas teorias, quando você não tem nada, Alaric.
— Provas? Então é isso que precisa? — Damon balançou a cabeça fazendo seus cabelos brilharem como penas de corvo naquela luz fosca. Eu coloquei minhas mãos na cintura entendendo a ideia dele, e ganhando um novo foco. — Então vamos acha-las!
— Não, fica fora disso Damon... — a senhora Forbes deixou claro, falando quase no mesmo tom autoritário que homens poderosos falavam Damon não se abalou. Depois ela se virou para mim com os olhos flamejando de adrenalina, se lembrando de que eu estava ali, ouvindo tudo atentamente. — E você também Anastácia.
Elizabeth Forbes podia mandar em homens abaixo do seu cargo, mas, eu não estava ali para ver minha família atrás das grades.
— Você não manda em mim. — Deixei claro, não me importando em parecer rude, meu tio era a vitima, não merecia passar nenhum segundo á mais ali. Me voltei para tio Rick, e toquei em suas mãos envolta de uma grade áspera de ferro, o encarei com firmeza, e disse séria. — Vou arranchar um advogado, e vamos processar a cidade toda depois que você for inocentado.
— Minha ideia era mais tortura... — Damon sussurrou chateado.
Revirei os olhos, e Alaric assentiu a cabeça para o meu plano diplomático. A senhora Forbes ia falar mais alguma coisa, mas dei as costas saindo daquele túnel abaixo da delegacia.
Meus passos ecoaram no salão bem encerado assim que me vir fora da área das celas, cruzei os braços, sentindo falta de ar, e uma necessidade alarmante de calor. Janelas grandes demostravam que o sol ainda estava alto no céu, e que o inverno só daria as caras no seu tempo próprio, tirando as manhãs gélidas. Eu precisava de um banho quente, e de um café, depois, usar minha cabeça para tirar meu tio daquela enrascada.
— Tá, vamos matar ela, ou não? — Damon sussurrou em meu ouvido, aparecendo com seus passos elegantes do meu lado, e com sua sutileza de vampiro.
— Porque algo tão drástico, quando você pode transformá-la em vampira, como fez com a mãe da Bonnie? — Rebati acidamente, infeliz por não ter chegado do lado de fora, quando as portas só se estendiam a dez passos a minha frente.
Damon levantou uma sobrancelha.
— Deus... — bufou ele revirando os olhos, e abrindo os braços teatralmente em rendição. — Será que todo mundo vai ficar sensível hoje, logo sobre esse assunto, como disse a Elena, eu não tive opção.
— Sempre há uma opção! — Exclamei apontando um dedo em seu peito. — E quando você as toma, sempre fere outra pessoa.
Damon rosnou, depois olhou para os lados, vendo que por ali não havia movimentos, estávamos no saguão da delegacia, pouco movimentada como sempre.
— Elena está a salvo por mim. — Abaixou minha mão de seu peito, apertando meu pulso em sua mão forte, seus olhos azuis estavam mais escuros.
— Diga isso para quem quer ouvir, ah é mesmo... — Bufei imitando seu ar teatral de indiferença. — Só Elena gostaria de ouvir, mas nem ela te dar créditos.
Sentir a adrenalina queimar em minhas veias, quando Damon me empurrou com seu próprio corpo, como se dançássemos, me fazendo dar passos para trás até sentir a parede ao lado da porta de vidro me barrar. Sua cabeça estava baixa, e seu hálito fresco se mesclou ao meu com de chocolate. Seu corpo fazia uma barreira entre meu ar, e entre qualquer saída, e sua ira, era como uma manta encandeceste e perigosa.
— Você anda no limite, eu posso ver... — Damon levantou as costas da sua mão, e os nós do seu dedo tocaram minha bochecha como uma carícia que me fez tremer. Ele era perigoso, e lembrou-me naquele momento daquilo, seu humor era bipolar. — Coisas ruins de mais acontecendo... Mas não ouse ficar me avaliando, ou usando sua língua inteligente para me levar ao meu limite.
Damon apertou um pouco mais meu pulso, e não contive um gemido, nem meu joelho de subir com força, eu o teria acertado, e adoraria o ter feito, mas Klaus, que estava me esperando do lado de fora, apareceu, empurrando com força o vampiro moreno para longe de mim.
— Qual é amigo, vamos com calma, você não quer seu coração em minhas mãos, não é mesmo? — A voz sombria, e completamente etérea do híbrido fez meu estomago despencar, ótimo eu não comeria o dia todo.
Damon levantou as palmas das mãos em rendição, com um olhar que claramente possuía um pouco de medo.
— Tá tudo bem Klaus... Damon e eu só estávamos conversando. — Deixei claro, arrumando minha blusa, e minha postura. — Temos nossos momentos.
— Isso mesmo. — Damon deu um passo para trás, e depois circulou entre Klaus para sair, não antes de me dar uma piscadela nada inocente. — Vejo que conseguiu um protetor, ruiva. Nos vemos mais tarde.
Ele se foi, e eu respirei fundo, colocando para baixo aquela ira, e medo dentro da minha mente.
Klaus apertava as mãos com força, os nós dos dedos brancos, sua postura tensa, enquanto apertava a mandíbula, com o rosto inexpressivo, como se tentasse entender o que havia feito ao se colocar entre mim e um perigo.
— Obrigada por isso... — Sussurrei sabendo que ele ouviria. — Mas Damon nunca me machucaria.
Klaus riu nada divertido, se virando para me olhar.
— Tem certeza? — Sua sobrancelha levantada.
Assentir com a cabeça.
— Damon apenas está no limite, como todos nós. — Mordi os lábios com força, e suspirei fundo, me encolhendo um pouco quando alguns policiais entraram pela porta de vidro, esperei estarmos novamente sozinhos para continuar a falar. — Obrigada por estar aqui, mas eu preciso ir agora.
Segurei a porta, me preparando para empurrá-la.
— Para onde? — Indagou ele curioso demais para se manter casual.
— Invadir uma casa, quebrar uma fechadura ou duas... — Empurrei a porta, olhando por sobre o ombro, dando um sorriso maroto para o híbrido. — Nada que não consiga fazer sozinha, nos vemos mais tarde, okay?
Esperei ele passar pela porta, seu carro lustroso e caro estava estacionado bem na frente da delegacia, e por algum motivo desconhecido para mim, não havia sequer uma multa no capô.
— Tudo bem, eu preciso mesmo ajudar meus irmãos agora... — Ele suspirou em tédio me fazendo sorrir condescendente. — No Grill as dez?
Não era exatamente um encontro, eu lembrei, mas pensei na hora no que usar, como uma garota de verdade, o que me surpreendeu.
— As dez. — Confirmei aceitando a porta aberta para ele me levar para a casa.
“Panorama”
— Precisamos agir com cautela, muita cautela, eu vou verificar algumas fontes, e você Rebekah, tenta conversar com a prefeita.... — Elijah Mikaelson apontava para a irmã de cabelos loiros, quando parou para ouvir a porta da mansão batendo, quando viu seu irmão mais novo aparecendo, sua seriedade assustaria soldados em um campo de batalha. — Niklaus... Obrigado por se juntar a nós, já que claramente sua vida pessoal é mais importante, do que o fato de estarmos em perigo.
Klaus lhe deu um olhar venenoso, antes de ficar na frente de uma mesa de mogno, e preparar uma dose de Bourbon para ele.
— Vocês ainda estão com medo dessa árvore de carvalho branco, que Rebekah acha que nasceu a cerca de quê? Quinhentos anos? — Klaus bufou se jogando no sofá, com as pernas sendo erguidas logo em seguida para a mesa de centro. — Se isso for verdade, o mais lógico é queimar a cidade toda.
— E fazer todos os nossos inimigos saberem da nossa situação? — Rebekah rebateu inteligentemente fazendo uma expressão temerosa em seu rosto eternamente jovem.
Estranho, pensou o híbrido ironicamente, como ela sempre parecia adorável quando os irmãos estavam unidos. Exceto Kol, e Finn, o primeiro cuidando de um pedido de Klaus, o segundo, ajudando a mãe a achar outra fonte de poder para matá-los.
— Rebekah tem razão, precisamos ser discretos. — Elijah disse, ajeitando impecavelmente sua gravata, e abrindo um botão do terno, para afastá-lo, e colocar sua mão na cintura. — Por isso quero que deixe seus híbridos fora disso, eles chamam muita atenção.
— Ótimo, aí está minha tarefa. — Klaus levantou o copo já pela metade da bebida forte, fazendo um brinde a sua tarefa simples.
Elijah balançou negativamente a cabeça, de maneira passiva, como se visse o quanto o desleixo era comum quando Klaus pensava em outras coisas.
Como Anastácia Saltzman... Elijah teve uma ideia repentina, o que fez sua expressão séria se abrandar, se iluminar como se um feixe de luz. Klaus e Rebekah se entreolharam não entendendo a mudança repentina do mais velho.
— Rebekah, cuide do que eu lhe pedir com a prefeita Lockwood, e Klaus, não irrite nossos vizinhos Salvatore, por hoje pelo menos. — Elijah tocou em suas abotoaduras de ouro, garantindo que estavam corretas. Ou só evitando olhar para os irmãos. — Eu vou atrás de ajuda.
— Poderíamos saber de quem? — Klaus perguntou não gostando de ver Elijah no controle.
— Sim, mas isso nos faria brigar... — Elijah se encaminhava para a porta, quando parou no batente, e se virou voltando a abotoar seu terno ao mesmo tempo. — E não temos muito tempo.
— Quem o colocou na liderança? — Rebekah indagou para ninguém especificamente, ao ficar de pé e cuidar de sua própria tarefa.
XxxX
Elijah não gostava daquilo, mas era necessário, e infelizmente, ela já estava entrando naquele circulo sombrio que ele havia tentando alertar que era perigoso. Um pouco de um ano atrás, quando havia tentando matar Klaus, havia viajado para Mistic Falls com o sobrenome Elijah Smith, havia achado ajuda naquela criança de lindos olhos verdes, pele pálida, e cabelos vermelhos.
No entanto, um ano era o suficiente para humanos mudarem, e desabrocharem.
Encostado em um carro preto embaixo de uma sombra de uma macieira ele observou a garota que seu irmão estava interessado, olhar ao redor do jardim bem cuidado dos Fell, girando seu pescoço em busca de algo, como se sentisse o olhar do Original sobre si.
Se ela não cheirasse tão inteiramente como uma humana, ele acharia que ela era uma bruxa, tinha uma chama em seu ser, e sua aura era chamativa demais para seu irmão não tentar tocá-la, ou destruí-la. Havia tentado avisá-la na noite do baile dos perigos que se envolver com sua família arrecadava.
Todavia, suas palavras saíram erradas. E naquela manhã quando seu irmão estava subindo pelas paredes, parecendo explodir ela apareceu, o acalmando como um antídoto para sua ira e maldade. Seria aquilo bom ou ruim? Elijah não sabia responder. Klaus merecia aquela chance? Mas quantas chances o híbrido não teve para obter redenção. E quantas pessoas como Anastácia Saltzman ele não havia destruído no caminho.
Elijah não sabia responder, a quantidade era alarmante.
E, Elijah infelizmente admitia que o irmão não era o único, mesmo ele, ou Rebekah que amava incondicionalmente sempre que possível, havia destruído o objeto de seu afeto, ou abandonado por algo mais, mais urgente....
O Original saiu de seus pensamentos quando viu a garota tomar coragem para se esgueirar pela lateral de uma roseira, até encontrar uma escada escondida no tudo da calha, Anya subiu com rapidez e agilidade, seu cabelo caindo em uma trança em suas costas, suas roupas escuras quase o fizeram rir quando Elijah captou o que ela faria.
Invadir uma casa, claramente quando pegou um grampo e sem problemas nenhum abriu a janela da varanda.
Anya tinha uma mente afiada, e uma memoria eidética elevada, ele sabia. Havia a usado quando queria informações sobre a cidade local á um ano atrás, e faria de novo, sentindo uma mínima vergonha interior em seu íntimo, de admitir que não odiaria aquilo por completo.
Sabia que algo estava acontecendo com o tio da garota, e sabia que ela buscava algo naquela casa, o primeiro passo seria ajudá-la, depois, a usá-la, e que Klaus descobrisse aquilo muito tarde.
Ele deu um passo á frente da mansão, ouvindo atentamente os corações ali dentro.
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