Hurricane.

12 An ancient cage.


Notas iniciais
QUERO MUITO PEDIR DESCULPAS PELO HIATUS INDESEJÁVEL, QUE OCORREU PORQUE EU MUDEI DE SETOR NO MEU TRABALHO E PRECISAVA FAZER UM CURSO QUE DUROU ATÉ ESSE SÁBADO. Sorry meus amores, estarei de volta, e já nesse capítulo, darei um presente, um pov que eu fiz para sair um pouco da narração da Anya. Boa leitura!

Respirei fundo sentindo o cheiro diferente que me invadia.

Estava por toda parte e me confortava como um lugar seguro. Tinha cheiro de menta, sol e roupa limpa.

Meus dedos das mãos, e dos pés, se moveram involuntariamente como se aos poucos meu sistema nervoso voltasse a ser ligado.

Logo senti os lençóis tão macios quanto seda debaixo do meu corpo.

Abri lentamente meus olhos, as pálpebras estavam tão pesadas como se eu houvesse acabado de passar rímel, logo percebi que estava deitada de barriga para cima, sobre uma cama macia enorme, e aconchegante, coberta por um edredom de cor marfim que eu nunca tinha visto na vida.

Virei um pouco meu pescoço, até colocar a bochecha em um travesseiro, cujo o perfume inebriante fez meu nariz parecer que ganhará vida.

Com meu cérebro um pouco mais acordado, conseguir ver o quarto amplo e desconhecido que não estava em minha memória naquele instante.

Levantei meu rosto da cama lentamente, franzindo meu cenho demonstrando toda minha confusão por não saber onde estava.

Aos poucos comecei a me sentar naquele colchão macio, sentindo minha coluna doer muito com o movimento como se algo estivesse rasgando minha pele, o edredom caiu, fazendo eu ver que usava apenas meu sutiã preto de bojo, e minha calça jeans de outrora.

Coloquei uma mão sobre a barriga automaticamente, e com um espasmo de dor, um flash veio em minha mente como um susto da memória de uma faca entrando entre minhas costelas. Eu tremi, jogando o edredom para o lado, me sentando em um movimento súbito que me fez ficar tonta, sentir o chão gelado aliviar um pouco minha febre interna.

Me levantei, e girei os olhos pelo quarto, parando quando vir um espelho de corpo todo perto da janela que demostrava que era pelo menos madrugada.

Eu estava muito pálida, até as sardas á cima do vão dos meus seios pareciam ganhar cor na brancura leitosa que se encontrava minha pele.

Uma fina linha rosada se destacava entre a penúltima costela, do lado direto do meu corpo, como se estivesse em processo de ferimento.

Toquei com as pontas dos dedos, lentamente o local, com tanto medo de abrir o ferimento que acabei soluçando. A memória do Rick me fazendo aquilo fez meu coração bater dolorosamente.

— Anya... — A voz de Klaus me trouxe para o presente, eu me virei como um zumbi em sua direção, notando que ele fechava lentamente a porta do quarto.

Uma tontura doentia fez meus joelhos fracos me levarem quase a uma queda. O híbrido já estava lá em um piscar de olhos, com um braço ao redor da minha cintura, e outro no meu ombro, minha respiração saia ofegante dos meus pulmões, em puro pânico. O rosto de Klaus estava perto demais, e sua expressão se transformou em um quadro branco, diferente da última apavorada e irada ao me ver estirada no chão enquanto Elijah me salvava.

As lembranças vieram tão rápido como um relâmpago aparecendo no céu. E como a luz na escuridão, eu me assustei, sentindo meu olhos arregalando-se minimamente com as memórias.

— Você está segura agora. — Ele prometeu roucamente, como se pudesse ouvir meus pensamentos, me levantando devagar, e me guiando novamente para a cama.

Eu mal sentia meus pés tocarem o chão, era como se o híbrido levasse todo meu peso que podia.

— Aonde estou? — Perguntei como uma criança, sentindo os lençóis de seda novamente sob as palmas da minha mão.

— Em minha casa, é claro. — Contou revirando os olhos, me fazendo estranhamente me sentir mais calma por aquele simples gesto desdenhoso.

Klaus sentou-se na beirada da cama, trazendo minhas pernas para cima, as cobrindo novamente com o edredom, afastei os travesseiros lentamente das minhas costas, para poder sentir o estrado de mogno duro, mas reconfortante, como se estivesse ali para me impedi de cair.

— Rick...— Comecei a perguntar, mas não conseguir terminar, fechei os olhos para não ver a expressão do híbrido ao responder.

— Damon vai cuidar dele. — Klaus informou, em sua voz tão dura quanto ferro.

Me encolhi, colocando novamente meus dedos na ferida, a dor agora latente como uma queimadura.

— Achei que sangue de vampiro...— Abrir os olhos olhando para baixo, vendo a ferida da facada rosada, não se apagando ainda. — Curasse ferimentos, de modo rápido.

— Ferimentos superficiais. — Foi tudo que Klaus falou, um pouco encurvado para a frente, olhando para a parede, suas mãos apertadas em punhos.

Notei no mesmo segundo, mesmo em meio a tantas coisas, que não estava muita vestida, e corei me encolhendo abaixo do edredom.

— Preciso agradecer a Elijah. — Comentei em um tom sombrio, como um fato na minha lista de tarefas. — E arranchar um lugar pra ficar até saber como salvar Rick de seu...— Engoli em seco, deixando meu corpo escorregar até estar deitada novamente, como se minhas energias estivessem já gastas, virei um pouco para o lado, ignorando a dor que subiu novamente por minha coluna, e coloquei uma palma da mão embaixo da minha bochecha. — Estado.

Klaus se virou por sobre o ombro, levantando as duas sobrancelhas de modo irritado.

— Pode ficar aqui quanto tempo quiser, achei que isso estivesse bem claro quando a coloquei no meu quarto, e quanto a agradecer meu irmão...— Ele riu brevemente de uma forma macia e desdenhosa. — Duvido que ele não possa esperar até amanhã para ouvir seu agradecimentos.

Havia tanta acidez em sua voz que me toquei pela primeira vez que ele estava irritado, e possivelmente comigo.

Levantei meu braço, e toquei em seu ombro, descendo minha mão até o seu pulso com movimentos deliberados, como se tocasse em um animal, e estranhamente me sentir tocando em um felino prestes a saltar.

— O que foi? — Minha voz foi um sussurro temeroso.

Ele se levantou, afastando minha mão de sua pele como se eu o tivesse queimado, o seguir com os olhos pelo quarto, enquanto ele andava de um lado para o outro, seus ombros tensos, suas mãos apertadas em punhos cerrados. Sua mandíbula parecia capaz de quebrar até granito pela forma apertada que estava.

Esperei calmamente ele se libertar. Eu sempre comparei Klaus com uma onda em meio a tempestade, vinha sem avisos, e você só podia torcer para saber fincar os pés em um lugar sólido para se salvar. Sua natureza era selvagem, e cativante, mas, no fundo, eu sentia, e sabia, deveras solitária.

— Interessante você ligar para Elijah quando estava sendo atacada, se eu não estivesse com ele, não nos moveríamos tão rápido. — Ele falava de costas para mim, como se não quisesse desvendar muito do que suas palavras já estavam revelando.

— Ah...— Foi tudo que saiu dos meus lábios quando percebi minha falta com ele.

Suspirei fundo, me encolhendo embaixo do edredom macio, o calor momentaneamente me fazendo ficar sonolenta. Bocejei sem me conter, vendo pela minha visão periférica Klaus se voltar com raiva por achar que eu não estava lhe dando atenção.

— Acho que você nunca se tocou que eu não tenho seu numero de telefone... — Fechei os olhos, me virando para o outro lado, dessa vez a dor foi mais um pulsar leve. — Eu estava tentando ligar para Damon, quando devo ter tocado sem querer no antigo número de Elijah, nem sabia que ele ainda possuía o mesmo número que havia me dado ano passado.

O silêncio se tornou uma brisa fria, que demorou para passar.

Eu apenas fechei os olhos pensando no dia que havia tido, como Alaric havia se transformado em o médio e o monstro, como eu havia lutado com ele de uma forma bastante clínica para uma garota de 18 anos, e como eu sentia minha vida humana e sacal se transformando em alguma coisa fora dos eixos. Como Klaus tinha ficado fora da casa dos Gilbert enquanto Elijah tirava a faca de dentro do meu corpo, tudo aquilo em menos de 24 horas.

Agora eu estava ali, na mansão Mikaelson, no quarto...

Abrir novamente os olhos, me virando enquanto puxava um travesseiro, com aquele perfume familiar, para mais perto do meu pescoço, para poder ver o híbrido perdido em seus próprios devaneios.

— Você disse que estou em seu quarto? — Indaguei estupidamente, falando cada palavra pausada, como se eu estivesse tentando me situar da realidade daquele simples fato.

Ele levantou uma sobrancelha, e um sorriso malicioso apareceu em seus lábios antes finos como uma linha.

— Você realmente presta atenção quando está com sono. — Disse sarcasticamente, me fazendo franzi meu cenho. — Podemos escolher um quarto para você amanhã. — Continuou um pouco mais sério, quando meu rosto corado foi minha resposta para aquilo.

Assentir com a cabeça, e olhei á minha frente, vendo o espaço enorme da cama, uma faixa de luz azulada clara do amanhecer passava por uma fresta das portas da varanda.

— Pode ficar aqui hoje, eu acho...— Engoli em seco, feliz de não o encarar quando continuei, tentando esconder meu pânico para aquela suposta proximidade que teríamos. — Que vai ser bom.

Fechando os olhos recitando mentalmente nomes de presidentes mortos, era meu mantra para ficar calma novamente, eu cheguei ao décimo quinto presidente quando ouvir algo, como botinas sendo jogadas do lado da cama, e um edredom sendo arrastado a minha frente.

Abrir os olhos, minimamente mais controlada, vendo Klaus deitado de barriga para cima, o edredom pesado, entre nós, e não em cima dele como eu havia imaginado, formando quase uma parede fofa entre nossos corpos. Sentir uma sensação de desapontamento por aquilo, era tão difícil eu ter contato humano, mesmo que ele não fosse humano, que não me controlei.

Afastei o edredom, vendo como seus ombros ficaram tensos com o barulho, os olhos dele estavam fechados, como se fingisse que dormia. O cobrir o máximo que pude puxar para o lado o edredom, colocando meu queixo em seu ombro, meu pulso em sua peito, ficando o máximo que eu conseguia próxima a seu calor, a sua segurança.

Alguns minutos depois, minutos bem longos, ele relaxou. Me fazendo relaxar a ponto de sentir meu coração se acalmar.

xxxx

Eu acho que não lembro muito bem da última vez que dormi até tão tarde, sempre acordei cedo, preparada para me exercitar, ou meramente fazer algo na minha agenda. Sabia que era tarde pela luz que entrava pelas frestas das cortinas que cobriam as janelas, e a porta de uma varanda.

Me remexi na cama, abrindo os braços como se procurasse alguma coisa, ou alguém, quando sentir o cheiro de Whisky ,soube quem era. Dei um pulo da cama, me sentindo mais que desperta, curada, revigorada, como se tivesse dormido por dias. Olhei para o quarto, virando meu pescoço para todos os lados, procurando Klaus, ele não estava á vista.

Ao pé da cama, em um mini-sofá, daqueles bem antigos que se via em museus e em mansões vitorianas, havia uma roupa limpa, claramente não minhas, pelas cores escuras. Havia também um bilhete, e uma bandeja com uma jarra com suco de laranja e torradas. Franzi o cenho, e tomei um gole escutando atentamente tudo ao meu redor.
Não ouvindo nada, peguei a roupa, preto, sobre preto, e fui em direção ao banheiro, abrir a porta do closset. Havia poucas roupas ali, como se alguém tivesse acabado de se mudar. Roupas claramente de Klaus.

Dei meia-volta, e abrir a outra porta, dando agora de cara com um banheiro branco com porcelanato em cada canto.

Tomei um banho rápido não molhando meu cabelo, sentindo a ferida entre minhas costelas completamente fechada. Assim que desliguei o chuveiro, peguei uma toalha dobrada, acredito que era uma das limpas, e me sequei freneticamente com medo de demorar demais e alguém acabar me procurando.

Tive que usar minhas peças íntimas, e acabei sem alternativa colocando aquela blusa preta, de cola V que mostrava muito o vão dos meus seios. A calça era jeans escura, com botões de cintura alta, tive que dobrar as barras porque era um número maior que eu geralmente usava, as roupas gritavam a imagem Rebekah, e temi que ela me visse com elas. Penteando meus cabelos com um pente que achei em cima da bancada do banheiro, puxei as mangas da blusa, e sair do quarto após colocar aquelas botas muito caras para o meu gosto, eram da Cucci preta, até á cima dos meus joelhos, só Deus sabe quem as doou para mim.

Desci os degraus da escadaria branca, odiando o barulho alto que eu fazia, mas também me censurando para não ir embora sem agradecer a gentileza. Assim que terminei aquela escadaria estilo O vento levou dei de cara com a possibilidade de ir embora, a pé mesmo, e fingir que a noite passada não aconteceu, principalmente a parte de eu passar a noite com Klaus, só de lembrar da minha fragilidade, minhas bochechas queimava.

Mas, soando mais corajosa que eu era, joguei meu cabelo vermelho para o lado, enrolando as pontas para o deixar comportado enquanto eu podia ficar sem babyliss, e seguir o cheiro de café preto.

Não foi surpresa ver a mesa de 12 lugares na sala aberta, e o café da manhã sendo posto por uma empregada bonita, e maquiada impecavelmente, mas me surpreendi por ver Elijah tão... casual.

Assim que passei pela porta, ele fez um bom teatro de levantar a cabeça do jornal que lia, deixar de lado o xícara de café, e me lançar um sorriso morno e convidativo.

— Bom dia Anastácia, como se sente? — Sua pergunta era casual, mas seus olhos, avaliativos como duas lentes de uma câmera digna de espiões russos.

Fiquei alguns segundos apenas o encarando em silencio, sentindo seu olhar perscrutar todo meu corpo, como se procurasse alguma marca, ou cheiro já que até seu nariz se franziu minimamente, seus olhos castanhos esverdeados, tão antigos que parecia uma estatua quando franziu as sobrancelhas, criando pequenos vincos entre o nariz.

— Bom dia... — Arranhei minha garganta fazendo minha voz soar mais forte depois. — Estou bem, obrigada. — Mordi meus lábios, e apertei as minhas unhas umas nas outras antes de falar mais. — Obrigada mesmo por ontem, acho que você salvou minha vida.

Ele levantou minimamente uma sobrancelha, e seu lábio se ergueu de leve, fazendo um sorriso estupidamente superior e sábio surgir.

Em seus olhos eu podia ver as palavras que ele não falou.

“Claro que salvei sua vida”.

Invés disso ele falou polidamente educado:

— Estou sempre à disposição. — Ele deixou o jornal do lado do café, e notei que a empregada loira bonita, tinha se retirado, e eu não fazia ideia quando. — Por favor, junte-se a mim no café da manhã.

Olhei para as portas adjacentes, uma dava para o corredor de saída, outra para a cozinha, e uma para uma sala de estar.

— Klaus teve que sair, mas tenho certeza que logo voltará. — Elijah informou indiferente, como se lesse minha mente, que claramente estava à procura do seu irmão.

Corei de leve por ser pega, e voltei a encará-lo, seu sorriso amigável não combinava com seus olhos distantes e pensativos, Elijah era uma contradição forte demais para mim. E minha mente jovem entender.

— Eu preciso resolver algumas coisas... — Acabei dispensando, porque seus olhos estavam me deixando nervosa. — Como pegar algumas coisas no looft, ver um lugar para ficar, saber como meu tio estar... — Suspirei cansada do meu falar rápido e descontrolado, vendo Elijah começar a ficar um pouco mais relaxado, e ironicamente divertido comigo. — Posso usar um telefone para alguém vim me buscar?

Ele levantou as mãos, e cruzou os dedões das duas mãos embaixo do seu rosto, tocando seus polegares no queixo quadrado me analisando.

— Posso te ajudar em tudo isso, depois... — Soltou as mãos e fez um sinal para o café da manhã farto. — De comer um pouco.

Apertei meu maxilar com força, evitando uma onda de raiva por ele não entender que eu estava com pressa, mas me controlei diante da sua maldita polidez.

Suspirei fundo, não sabendo d’aonde veio aquela ira, e acabei assentindo, ao mesmo tempo que me aproximava da mesa. Ele se levantou cavalheirescamente, e acabou afastando uma cadeira para que eu pudesse sentar, claro que era a cadeira ao seu lado, como se dissesse sem palavras que ele sempre ganhava.

Ele mesmo me serviu, lembrando de como eu gostava do meu café, e depois sem falar mais nada, voltou-se para o seu jornal, como se também soubesse que eu curtia o silêncio pela manhã.

A loira com um uniforme que apenas era um vestido preto, e cola branca voltou, tirando o café frio, e depois trazendo suco fresco. Ela mal me encarou, ou mesmo Elijah, parecia absorta em seu próprio dever, hipnotizada, deduzir, e quis sair correndo.

Cinco minutos, aguentei cinco minutos inteiro, bebericando, e desfarelando com meus dedos algumas torradas, até que não aguentei mais, e arrastei a cadeira para me levantar, foi aí que a campainha soou pela casa, fazendo Elijah sair de sua leitura do jornal sacal que era Mystic tinha, afastar sua própria cadeira, e dizer:

— Com licença, já volto.

Enquanto ele saia, eu girei minha cadeira, assim como meu pescoço para acompanha-lo. Claro que nem esperei dez segundos para o seguir, vendo como sua camisa branca era bem engomada, e seu andar silencioso.

Assim que ele abriu a porta, suspirei de alívio ao ver quem estava ali.

— Bom dia meu Original favorito.

Elijah não pareceu feliz, sinceramente até irritado com o sarcasmo do vampiro na porta, e apenas eu, ás vezes, diga-se de passagem, ficava feliz com a aparição de Damon Salvatore.

— Damon. — O Original sem terno pela manhã, disse, se afastando para o vampiro entrar.

Damon não deu três passos para dentro da mansão, e eu já estava jogada em seus braços, feliz de ver um rosto familiar, porque querendo ou não, Damon sempre seria meu babaca favorito.

— É eu sei, todos me amam. — Ele falou com seu jeito de cafajeste metido a estrela do Rock que sempre me fez revirar os olhos, mas notei como suas mãos na base da minha coluna me trouxeram mais para perto, e como seu peito subiu e desceu, como se suspirasse de alívio. — Acho que já podemos ir. — Disse o vampiro por fim um pouco rouco.

Assentir com a cabeça, apertando-me mais um segundo em torno dele, antes de em afastar, e perguntar ansiosamente:

— E meu tio?

Damon perdeu o jeito insolente, e ficou sombrio.

— Conversamos sobre isso em casa. — Deixou claro, segurando em meu cotovelo para me puxar em direção à porta.

— Acho que não Salvatore. — Comentou Elijah casualmente, colocando uma palma da sua mão na madeira envernizada, empurrando-a com um toque leve para fechá-la. — Fiz uma promessa a Niklaus que garantiria que Anastácia estaria em segurança enquanto ele não estivesse na cidade.

Franzi o cenho, olhando de Damon para o Original sem saber o que seus olhares afiados significavam.

— Tenho certeza que eu posso tirar esse peso dos seus ombros... — Damon barganhou com um sorriso dignamente lascivo que fez um arrepio subir pela minha coluna, e meus pés se mexerem, para meu corpo ficar entre os dois. — Se Klaus quiser Anya viva, então ele deveria estar pelo menos por aqui.

Elijah sorriu, e foi realmente assustador, porque era belo seu sorriso. Não como Klaus que sorriu apenas para ameaçar, ou sugerir. O sorriso de Elijah era um ponto final, uma escuridão sem fim.

— Eu fiz uma promessa. — Ele deu um passo para frente, e eu quase podia tocar sua gravata prata se me movimentasse um centímetro. — Ela não sai do meu radar.

Damon tentou dar um passo para frente, mais o empurrei com o peso do meu corpo para trás, sabia que ele adorava um desafio, principalmente se seu humor estivesse gélido como naquela manhã, e eu via pelos seus olhos mais escuros.

Engoli em seco afastando meus olhos de Damon, e me voltei para o Original.

— E onde está Klaus?

Elijah pareceu se lembrar de que eu estava ali, porque piscou, e parou de encarar o vampiro mais novo, para abaixar o olhar para mim, eles eram realmente homens altos.

— Resolvendo algo com Rebekah.

xxxx

Elijah só me dera aquela explicação, e fez Damon sair da mansão com suas palavras polidamente afiadas, enquanto eu tive que dizer ao vampiro Salvatore tudo que precisava bem ali na porta. A situação foi muito ridícula! Klaus não tinha esse direito. Mas, sinceramente, ele aliviou muito a pressão que eu sentir de não ter saído para resolver todos os problemas que tinha que resolver, foi como se ele intencionalmente quisesse que eu descansasse o quanto podia.

Damon mandou um entregador com uma mala para mim, Elijah vistoriou por alto a mala de rodinhas como se ali estivesse uma porta para Nárnia! Realmente, pensei, ele ligava muito para suas promessas.

Fiquei feliz de ter minhas roupas, e de dentro de algumas peças de roupas, ridiculamente pequenas Damon com suas gracinhas deve ter preparado minha mala, encontrei meu celular, e o carregador. Me sentir conectada com o mundo com aquele pequeno objeto metálico.

Não fiquei surpresa com um papel dobrado nele, em uma caligrafia perfeita e familiar.

“Alaric mandou dizer que sente muito, sério, acho que o cara vai entrar em depressão, e entende que você não quer falar com ele ainda, ligue para mim quando ver a melhor hora para tirarmos você da mansão do Mal.

P.S: Sua coleção de renda é ridiculamente perfeita!”

Engoli em seco imaginando Damon mexendo na minha gaveta de calcinhas, e não foi surpresa nenhuma ele ter colocado as peças menores para eu usar.

POV Elijah

Beleza... Anastácia Saltzman tinha de sobra, não apenas física, notei me inclinando na porta para vê-la tocar nas pequenas tulipas que Klaus tinha deixado em um vazo no seu atelier. Provavelmente para pintar depois. Seus cabelos vermelhos se ajustaram na luz da lareira, com mais brilho e vida do que uma rosa colhida do campo em pleno verão.

Seu nariz reto e pequeno se agitou quando ela cheirou as flores, fechando os olhos para saborear o perfume, notei que até seus cílios eram ruivos, e em suas bochechas pequenas sardas salpicavam na pele de alabastro, seus lábios cor de pêssego se abriram em um sorriso doce e gentil, quando se afastou do vaso das tulipas, e talvez notando pela primeira vez minha presença, ela saltou para longe da mesa, como se tivesse sido pega fazendo algo errado, e me olhou de baixo.

Me forcei a não engoli em seco, quando os olhos verdes da garota humana se alargaram consideravelmente em surpresa por eu estar ali.

— O jantar será servido em meia hora. — Comentei distante, afastando meu terno do dorso, para me aproximar ao mesmo tempo que colocava casualmente minhas mãos no bolso da calça.

— Será adorável. — Sussurrou com uma voz condida, virando a cabeça para não me encarar mais.

Eu estava lhe deixando nervosa, e temerosa, sabia, assim que ouvir seu coração bater mais forte.

Franzi o cenho em desagrado, sabia que não estava deixando-a confortável, todavia, eu também não estava, Klaus teve que ir a procura de Finn com a ajuda de Rebekah, me deixando de babá de uma garota humana que eu havia salvado por consideração a ele. Seu pedido me rendeu a promessa de mantê-la a salvo. E não aceitei muito bem a desculpa do meu irmão dela não ter ninguém naquele exato momento.

Principalmente depois de Damon ter aparecido, para claramente a tirar dali. Uma voz no fundo da minha cabeça zombou das minhas divagações. Se eu, apenas eu quisesse que a garota tivesse ido, ela teria ido, e eu saberia que ela estaria bem. Todavia, não conseguir.

— Você também pinta? — A voz de Anastácia veio de longe, e notei que eu parecia uma estátua viva parado no meio do atelier. Me virei para vê-la encarar o quadro de Klaus.

Uma imagem perfeita de um campo da Espanha que havíamos visitado quando fugíamos de Makiel.

—Não. — Apenas disse, notando os ombros dela ficarem tensos. — E você? — Disse também puxando assunto, coisa que eu detestava.

Ela riu, um riso distinto como sinos de uma celebração e virou minimamente a cabeça de lado para me olhar por sob o ombro, seus olhos verdes cintilando vívidos.

— Não muito bem. — Acabou dizendo, jogando seus cabelos para o lado quando se virou rapidamente, sem perder o riso de uma piada particular sobre suas habilidades artística. — Mas eu toco alguns instrumentos.

Sim, eu sabia, disse mentalmente, vendo ela caminhar em direção ao piano na sala de frente ao atelier. Ela era excepcional no violino, mas não sabia do piano.

— Quer uma bebida? — Ofereci entrando atrás dela, indo direto para a mesinha aonde havia uma garrafa com Bourbon, e copos de cristal.

— Não, obrigada. — Anastácia já tirava a poeira das teclas do piano antigo que meu irmão claramente só havia comprado para enfeitar a mansão. — Que tipo de música você gosto?

A garota dedilhou uma melodia, de modo rápido e sem medo. Com meu copo cheio me aproximei e me sentei ao seu lado, longe o suficiente para não invadir seu espaço pessoal.

Anastácia se virou para ficar de frente para mim naquele banco longo, e esperou ansiosamente eu respondê-la, não entendi direito o porquê dela querer saber, mas seus olhos ávidos não se apagaram, e não quis que o fizesse por minha grosseria.

— Clássico, Blues.— Dei de ombro displicentemente desviando o olhar dela, e tomei um gole da bebida que queimou minimamente minha garganta, amaciando um pouco minhas gengivas que ardiam sempre pela sede.

— Uau, que lista enorme. — Comentou ela suavemente, mordendo os lábios em seguida para não rir.

Quando se virou novamente para me encarar, havia diversão em seus olhos. A música a relaxava, notei porque ela ainda dedilhava algumas notas que eu não conhecia.

— E você? — Rebati, vendo seus dedos construir uma melodia que ao mesmo tempo era lenta, e parecia possuir uma letra. — Que música é essa?

Me voltei para ela, vendo o momento exato que suas bochechas adquiriram um tom rosado.

— É...— Anastácia parou de tocar, e se afastou, como se estivesse envergonhada. — Estou ensaiando uma música para o dia do Karaokê no Grill.

Soltei uma minima risada que não sabia ser possível, já que foi completamente fora do meu controle. Ela revirou os olhos e se voltou corajosamente para o piano.

— Perdoe-me é que você falou de um jeito...— Segurei agora o sorriso, mesmo não perdendo a diversão da situação. —Que parecia que estava treinando para ir a guerra.

Ela suspirou e depois revirou os olhos, ficando irritada.

— Apenas faz tempo que eu não canto, principalmente esse tipo de música. — Acabou desabafando.

— E que tipo de música é? — Tomei outro gole da bebida, evitando encarar demais a veia em seu pescoço que pulsava, mesmo que eu soubesse me controlar, a cheiro do sangue dela era doce demais para um vampiro se aproximar sem ficar tentado.

— R&B e Soul... — Ela suspirou fundo novamente, e colocou as mãos no pescoço, afastando os cabelos completamente, para me encarar e dizer minimamente petulante. — Vou cantar pra você.

Fiquei ereto, esperando, deixando claro que não iria deixar aquele desafio passar, porque em seus olhos havia um quê de desafio. Como se ela soubesse de algo que me incomodaria na música.

Ela relaxou se voltando para o piano, e as notas eram mais pesadas e mais profissionais do que eu imaginaria ser.

Lay your head on my pillow

(Deite sua cabeça em meu travesseiro)

Here you can be yourself

(Aqui você pode ser você mesmo)
No one has to know what you're feeling

(Ninguém precisa saber o que você está sentindo)

No one but me and you

(Ningúem além de mim e você..)

Oficialmente, eu fiquei estranhamente, e ridiculamente envergonhado quando Anastácia começou a cantar. a música era pessoal, e sua voz possuía uma conotação deveras sensual. Como se em cinco segundos, ela houvesse se transformado de uma garota a uma mulher.

Respirei tão fundo que sentir minha garganta arranhar, com o movimento de engoli em seco. Então, Anastácia parou de tocar e cantar de uma maneira nada delicada, se virando no banco para olhar para a porta dupla que estava aberta, não precisei ver para apenas sentir Klaus ali, parado com um rosto petrificado, e uma postura ameaçadora.

Me virei para o encarar, vendo-o oficialmente como minha memória o descrevia.

— Klaus?!

Anastácia suspirou de alívio ao vê-lo e assim como fez com Damon, correu ao encontro do meu irmão e o abraçou pelo pescoço, colando seu corpo no dele, o fazendo se desequilibrar minimamente. Sabia que não era pelo peso singelo da humana.

Klaus respirou fundo nos cabelos dela, a trazendo para cima quando retribuiu o abraço, fazendo seus pés delicados e pequenos balançarem no ar, suas mãos rodeando as costas dela, em proteção. Quando ele fechou os olhos, absorvendo uma paz momentânea, eu desviei o olhar me sentindo um intruso.

Notas finais
Oi pessoal! Gostaram do Ponto de Vista do Elijah? Tinha feito ele no da Anya, mas curti muito o dele. Enfim, logo tem mais. PS: Música cantada pela Anya. Diary- Alicia Keys