Notas iniciais
Que tal descobrir AGORA??? Então,leiam.... ~ Nie...quem quiser uma trilha sonora para o segundo capítulo eu recomendo Paradise - Coldplay Aproveitem a Fanfic!

Os olhos se abriam lentamente agora. Tudo estava embaçado.

Morto? Não...Afinal reconhecia aquele lugar. Reconhecia as vozes que murmuravam baixinho ao seu redor.

Finalmente quando pode enxergar direito, mesmo meio zonzo, pode ver uma figura alta de cabelos ruivos, de costas para ele e conversando com alguém.

— Renji? — Byakuya arriscou.

— Taichou?! — O rapaz se virou de forma brusca, se ajoelhando ao lado do futon. Ele tinha os cabelos soltos e pareciam estar úmidos. — Finalmente o senhor acordou, pensei que estivesse...estivesse... — Renji não conseguia terminar a frase. — Pelo menos agora você não precisa ir até a Soul Society para buscar a Unohana Taichou, Hisagi — Renji se virou um pouco para trás, no intuito de olhar o rapaz que estava em pé, poucos passos atrás de Renji.

— O que aconteceu? — Byakuya se sentou no futon, levando a mão a testa, demostrando uma leve dor de cabeça.

— O senhor caiu no lago congelado, aqui ao lado do acampamento, Taichou — Renji relatou.

Byakuya relembrou que estavam em missão, afastados do Seireitei. Haviam montado acampamento para descansar naquele fim de tarde, pois a nevasca era forte e os impedia de continuar. O moreno olhou em volta. Estava em sua tenda.

— Eu me lembro de ter caído no lago, mas não de ter me retirado dele — O Taichou fitava os dois rapazes dentro de um olhar intimidador.

O silêncio perdurou por alguns instantes, até Hisagi decidir se pronunciar:

— Renji entrou nas águas gélidas do lago e lhe retirou de lá, Kuchiki Taichou.

Renji olhava para baixo em direção ao chão, dando um leve suspiro. Esperava ouvir um grande sermão de seu Taichou. O ruivo sabia que Byakuya detestava tais atos de heroísmo para salvar sua pele. Ele simplesmente parecia não gostar de ser grato a alguém. Mas Renji não poderia deixa-lo simplesmente morrer por causa de um capricho do próprio Taichou. O que diria a Rukia? O que diria a todos? Preferia escutar um belo sermão agora do que se sentir culpado pelo resto da vida por tê-lo deixado morrer, sem mexer um dedo sequer.

O moreno fechou os olhos por um momento. Pensou em começar o seu discurso orgulhoso para o ruivo, mas lembrou-se dos pensamentos que o cercavam quando estava afundando no lago.

''Este era disposto a matar e morrer por ele. O por que? Ele não sabia, mas tinha consciência disso.''

— Me perdoe Taichou — Renji começo a se defender diante do silêncio — mas eu tinha de fazer alguma coisa, não poderia deixar o senhor simplesmente morrer assim e...

Byakuya fez um gesto para solicitar a palavra, o que fez o ruivo segurar as suas.

— Entendo Renji,- o moreno olhava nos olhos do fukutaichou — reconheço o que fez por mim, e gostaria de lhe agradecer. — o Taichou pode ver os orbes castanhos crescerem em surpresa.

Byakuya tinha consciência de que o ruivo arriscara sua própria vida para salvar a dele. Ele deveria prever essa possibilidade .Sabia que, enquanto o ruivo estivesse a seu lado, ele tentaria todas as possibilidades, e ainda haveria uma esperança, até mesmo...no momento de morte. O moreno sabia, mas nunca deu muita importância a isso, pois sempre imaginou que estivesse sozinho, se acostumou a levar a vida por si só. Por isso detestava tais atos de heroísmo. Mas agora pode perceber que Renji não fazia esse tipo de coisa por obrigação ou para se vangloriar. O verdadeiro por que ele desconhecia, mas gostaria muito de saber.

''Now there's no point in placing the blame

And you should know I suffer the same

If I lose you

My heart will be broken''

''Agora não tem propósito em estabelecer a culpa,

E você devia saber que eu sofreria o mesmo

Se eu perder você

Meu coração ficará partido''

Renji estava realmente surpreso com a reação do Taichou. Realmente jamais esperaria uma atitude dessa vinda dele. Apesar de que ele andava agindo diferente ultimamente, a começar pelo corte nos cabelos, o que para Renji, o deixou com um semblante mais maduro, apesar de sempre ter achado que os cabelos longos ajudava a selar sua perfeição. O ruivo também percebera olhares curtos, mas cobiçosos vindos de seu superior, mas resolveu deixar isso pra lá, talvez fosse obra de sua imaginação. Ainda não acreditava que o sermão fora dispensado. Agora observava o Taichou e o agradecia mentalmente.

Byakuya olhava para as próprias mãos. Sentia uma onda de frio congelante, que fazia suas mãos tremerem, como se todo seu corpo ainda estivesse molhado pelas águas do lago. Teve a ação espontânea de esfregar as mãos nos braços, indicando que sentia frio.

— Tudo bem, Taichou? — Renji perguntou ao perceber tal ato.

''Não está...',era o que deveria ter respondido, mas ao contrário disto apenas fez um sinal positivo com a cabeça.

— Então vou deixar o senhor descansar... — Renji se levantou — Se precisar de qualquer coisa, a qualquer hora o senhor pode me chamar, sem hesitar — Renji fez uma breve reverência, assim como Hisagi e os dois se retiraram.

Assim que eles saíram, Byakuya e deitou rapidamente no futon, se envolvendo nas cobertas, se encolhendo um pouco, no intuito de se esquentar para que o frio congelante passasse. Sentiu os cabelos úmidos roçarem em seu pescoço, imaginando que talvez essa fosse o por que dele sentir tanto frio. Então ficou quieto, imóvel, esperando que aquela onda de calor chegasse.

A noite chegou e nada do frio que Byakuya sentia passar .Ele sentia que as cobertas transmitiam calor, mas este talvez se desviava do seu corpo, pois ainda sentia um frio imenso. Seu corpo todo tremia cada vez mais.

— Taichou? — Byakuya ouviu o fukutaichou chamar o seu nome, então se virou devagar em direção a ele, sentando-se no futon. Ele percebeu que Hisagi, acompanhado de outro shinigami, ficaram parados conversando baixo á entrada da tenda. Os cabelos soltos do rapaz flutuaram com o vento, seu shihakushou estrava entreaberto na região do peito. Ele não sentia o frio?

— Senhor, me desculpe incomoda-lo, mas eu vim verificar se o senhor está bem antes de me recolher... — o ruivo se ajoelhou na beira do futon — Tudo bem Taichou?

Byakuya não poderia mentir. Era visível que seus lábios tremiam de frio, seu corpo todo estava gelado, não sentia as pontas dos dedos e fora a fraqueza, que dominava seu corpo aos poucos. Isso não era normal.

— Não, não está — o Taichou percebeu que uma feição de preocupação cobriu o rosto do ruivo — Estou sentindo um frio cortante, que nunca passa... — ele se encolheu todo, demostrando o frio que sentia.

Renji ficou pensativo. Depois em um gesto rápido, no qual o moreno não teve tempo de esquivar, o ruivo tocou o rosto do Taichou ,na região das bochechas. O rosto dele estava gelado, assim com suas mãos, que o fukutaichou pode confirmar, ao sem querer, toca-las. Ele tomou uma das mãos do Taichou, a segurando com delicadeza.

— Hm...Com febre eu garanto que o senhor não está... — ele deu um sorrisinho — Está gelado, Taichou.

— O que devemos fazer agora, Renji? — o moreno perguntou.

— Não sei, senhor.

Depois disto se fez alguns minutos de silêncio. O ruivo tinha uma expressão pensativa. O que ele poderia fazer? Ele não era médico, mas teria que pensar em algo para curar seu Taichou. O salvara da morte no lago e agora simplesmente o deixaria morrer de frio? Não, de maneira alguma. Ele coçava a cabeça, usando todo seu raciocínio para chegar a uma solução.

Byakuya observava o rapaz em silêncio, tentando em vão, pensar em alguma solução. O frio não o deixava raciocinar o suficiente. O rapaz a sua frente não o deixava raciocinar o suficiente. Ele apenas queria observá-lo, cada feição, cada gesto era capturado pelo moreno. Por mais que sua mente dissesse que ele deveria pensar numa solução, seus olhos desobedeciam, teimando em continuar a observar. Sentia o calor que a mão de Renji transmitia para a sua, que e ainda era segura levemente por ele. O Taichou movimentou os dedos, no intuito de apertar suavemente a mão do ruivo contra a sua e assim a aquecendo por completo.

Ao sentir a movimentação da mão esquerda de Byakuya sobre a sua, o fukutaichou se lembrou que ainda segurava a mão do superior. Seu corpo fervia e sentia-se nervoso, por não conseguir pensar em algo e pelo ultraje de estar ali, segurando uma das mãos alvas do moreno...Mas não queria soltá-la. A pele era tão suave, tinha um formato tão delicado e estava tão quente...O ruivo finalmente raciocinou. A mão segura por ele foi aquecida pelo calor de seu corpo, que estava quente, muito quente. Foi então que teve uma ideia. Seu superior pensaria que ele era louco ou tarado e talvez se recusaria a tal solução, mas teria de tentar.

— É isso... — Renji praticamente sussurrou.

— Isso o que? — Byakuya perguntou curioso.

— Taichou isso parece loucura, mas.. — o ruivo fez uma pausa — O senhor percebeu como a sua mão que eu estou segurando está aquecida? — o fukutaichou sentiu os dedos de Byakuya se movimentarem levemente.

— Sim...

— Então, senhor, eu pensei que se talvez eu o abraçasse...o frio cessaria — Renji terminou com um pouco de dificuldade. Agora teria a confirmação de que seria rejeitado, porém...

— Será? — Byakuya perguntou, desviando o olhar do rapaz. Não era o certo a dizer, mas agiu por impulso e agora estava feito.

— Tenho quase certeza — o ruivo respondeu animadoramente — Só temos de tentar...

Num rápido movimento Renji passou o braço direito por trás do ombros de Byakuya, que moveu o corpo para a direita, inconscientemente dando espaço para o ruivo. O Taichou olhou para fora receoso de que os shinigami a porta da tenda os vissem. O que pensariam deles? Mas ao sentir o jovem tomar o espaço que lhe foi cedido se deitando ao seu lado, sentindo o corpo quente tão próximo ,esqueceu-se do resto completamente. A mão direita de Renji soltou a sua e foi em direção a sua cabeça, guiando-a com delicadeza em direção ao peito tatuado. Byakuya já sentia o calor que o corpo abaixo do seu emanava aquecer o seu corpo lentamente, mas com uma eficácia incrível. O Taichou pousou a mão direita no peito do jovem, e este o aconchegou, trazendo-o mais próximo. Logo, os dois adormeceram.

Passado algum tempo, o ruivo abriu os olhos, fitando Byakuya, que ainda ressonava tranquilamente em seu peito. Sua respiração era leve e seu corpo parecia estar mais aquecido que antes. Ainda era noite e lá fora fazia muito frio. Teve receio de se mexer e acordar o Taichou, mas precisava sair dali, não era correto .O que os outros iriam pensar deles? Não poderia prejudicar seu superior por um capricho seu. Se esquivou do moreno com cuidado, o cobrindo em seguida, para que a temperatura fosse mantida. Ele parecia um anjo enquanto dormia. Renji não resistiu em acarinhar cuidadosamente os cabelos negros de Byakuya.

Após isto, deu uma última olhada para o homem adormecido, com muita relutância, pois o que realmente queria era ainda tê-lo aconchegado em seus braços, sentindo o toque da sua pele, o cheiro...Mas não podia. Por isso achou que era melhor se retirar. Assim, ele deixou a tenda, em direção

a sua, mas feliz por tê-lo tocado, mesmo que aquela fosse a ultima vez.



Notas finais
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