Hunters Of The Death
6 Proposta inusitada
Notas iniciais
Deveriam ter passado uns vinte minutos desde quando os bandidos haviam saído do prédio e me deixado aqui, ainda amarrada. Eu não podia me dar o luxo de ainda continuar daquele jeito. Tinha que sair daqui, salvar Quirina e partir para encontrar meu irmão que, àquela altura, eu torcia para que ainda estivesse vivo.
Olhei novamente para meus pés e tentei estender umas das pernas. Elas estavam envoltas por uma corda, presas firmemente ao poste, o que poderia significar que talvez não fosse tão difícil me soltar delas. Pelo menos, era o que eu esperava.
Comecei a mover minhas pernas como se distribuísse o peso de meu corpo para cada uma, numa tentativa de afrouxar um pouco a corda. Tornei a esticar a perna direita e percebi que a minha tentativa funcionara. Tentei afastar as pernas para os lados e as fechei novamente, fazendo esse movimento repetidamente. Senti a corda se afrouxar ainda mais. Prendi a corda com a perna esquerda junto à pilastra de madeira enquanto tentava passar a outra perna por cima da corda. Com um pouco de dificuldade, consegui passar a perna para fora do círculo, e depois passei a outra. Chutei a corda para longe senti o alívio de poder mover minhas pernas e um pequeno incômodo ao sentir meu machucado provocado pela foice de um dos Retalhadores latejar.
Agora eu pensava em como me livraria das cordas que prendiam minhas mãos à pilastra. Ouvi um ruído próximo do quarto e meus olhos se voltaram imediatamente para a porta. Esperei para ver se algum deles entrava novamente no quarto. Nada aconteceu. Soltei a respiração e continuei pensando na corda que ainda me mantinha presa aqui. Tentei mover meus pulsos em direções opostas, mas as cordas estavam firmemente amarradas. Fechei os olhos, frustrada, e suspirei pesadamente. Não conseguiria sair dali. Não conseguiria salvar Quirina, nem Mark, e ainda quebraria a promessa que fizera a Elizabeth.
Dei um chute contra a coluna que me prendia e quando olhei para frente, Hans estava recostado à porta.
—- O que pensa que está fazendo? – perguntou ríspido.
—- Não lhe interessa – respondi friamente.
—- Marcos tem razão – ele comentou enquanto andava em minha direção. – Não podemos tirar os olhos de você nem por um minuto.
Quando Hans se aproximou muito de mim, acabei tendo uma reação involuntária. Ergui uma das pernas e dei-lhe um belo chute nas partes íntimas com o joelho. Ele cambaleou e se debruçou de dor.
—- Você é maluca? – perguntou ofegante, recuando alguns passos.
—- Uma forma de prevenção. – dei um sorriso sarcástico.
Hans resmungou algo que não consegui entender. Se agachou e pegou a corda que eu havia retirado de meus pés e percebi imediatamente o que iria fazer. Não ia deixá-lo me amarrar novamente. Permaneci com as pernas afastadas e as mantive presas no chão.
Hans tentou juntar minhas pernas, mas tentei mantê-las imóveis aos seus esforços. Ele suspirou e encarando o chão, disse:
—- Junte as pernas, por favor.
—- Com prazer. – falei, juntando as pernas, mas, antes que se movesse, dei um chute em seu rosto.
Hans gritou de dor. Largou a corda e tampou o rosto com as mãos e, quando vi seu diafragma exposto, juntei as pernas, flexionei e dei um chute bem forte, fazendo-o cair no chão, sem ar. Hans parecia ser bem mais frágil do que aparentava.
Enquanto ele estava debruçado de dor no chão, eu tentei mover novamente as cordas que prendiam minhas mãos. Tentei fazer alguns movimentos com as mãos, de modo que esperava que elas também afrouxassem com o esforço, mas não estava tendo resultados. Tentei tatear alguma coisa afiada presa a madeira e felizmente encontrei. Não sabia o que era, mas era afiado e senti que me cortara nele sem querer. Comecei a friccionar a corda contra o objeto e movi minhas mãos contra ele.
—- Ainda bem que tenho outros óculos de reserva – comentou Hans examinando o estado deplorável que seus antigos óculos se encontravam: a armação retorcida e as lentes quebradas.
—- Pare de choramingar, seu idiota! – falei, tentando distraí-lo. – Sorte a sua que eu ainda esteja presa aqui. Ainda.
—- Não podemos pensar em ser legais com você...
—- E desde quando vocês pensaram em ser legais comigo? – interrompi. -- Diga-me! Quase fui estuprada por seu amigo capanga idiota – a lâmina estava quase terminando de cortar as cordas – e eu e minha amiga quase fomos mortas por vocês naquele galpão! Sanguinolentos estúpidos, isso que vocês são! Tiram a vida de pessoas para pegarem o que bem querem delas!
A corda se soltou e puxei as mãos, desprendendo-me do nó. Meus pulsos estavam avermelhados e um filete de sangue escorria pelos meus dedos. Olhei para frente e vi Hans me encarando boquiaberto.
—- C-como você conseguiu?
—- Não lhe interessa. – repeti. – Onde está Quirina?
Hans se levantou e fez menção de correr para a porta, mas consegui ser mais rápida. Peguei-o pelos braços da jaqueta e o virei à força, empurrando-o contra a parede. Fechei a porta com o pé.
—- Me responda: onde está Quirina? O que fizeram com ela? – perguntei irritada, encarando-o da melhor forma que conseguia. Ele era mais alto que eu.
Os olhos azuis de Hans me encaravam surpresos e com medo também. Acho que ele supôs que por eu ser uma garota, não tão alta e nem aparentemente forte, não conseguiria escapar das amarras que me prendiam. Provando o contrário, ele parecia estar assustado do que eu pudesse fazer com ele. Mas eu não faria nada. Não me igualaria a ele e os outros capangas. Eu era mais do que isso.
Tirei minhas mãos de seus ombros. Recuei alguns passos e perguntei novamente:
—- Onde está Quirina?
Hans respirou fundo e disse:
—- Eu não posso lhe responder a essa pergunta.
—- Olha, dessa vez, eu é que estou tentando ser legal com você.
—- Você não colaborou comigo quando eu estava tentando...
—- Ser legal comigo? Você estava tentando assegurar que eu não saísse daqui!
Ele baixou os olhos e ficou um tempo sem dizer nada. Já estava quase desistindo quando Hans me encarou novamente.
—- Eu a levarei até onde sua amiga está.
—- Mesmo? – perguntei desconfiada.
Hans ergueu o rosto e percebi que ele dizia, de alguma forma, a verdade. Ele assentiu lentamente.
—- Siga-me.
Ele caminhou até a porta e a abriu com um estalo. Hesitei em segui-lo de imediato. E se fosse um plano dele para me prender novamente? Eu não poderia me dar ao luxo de confiar totalmente nele. Hans ainda pertencia à gangue de Marcos.
Olhei pelo cômodo e encontrei um objeto familiar. Estava recostado na pilha de armas. Peguei o machado e fiquei feliz em sentir aquele peso familiar em minha mão. Caso Hans tentasse algo, eu teria, agora, como tomar alguma providência, embora não quisesse muito.
—- Você não vem? – parte do rosto de Hans espiava pela porta para dentro do quarto.
—- Estou bem atrás de você – respondi caminhando para fora do quarto.
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A madeira antiga do piso rangia sob nossos passos no patamar superior. Havia dois lances de escadas nos quais os corrimões estavam muito gastos e enferrujados. Hans seguia a minha frente e de vez em quando, percebi que ele olhava por cima do ombro discretamente em minha direção. Talvez fosse uma forma dele se assegurar que eu não o golpearia pelas costas.
—- Eles sabem que está me ajudando? Redlin e Marcos? – perguntei.
—- Não, nem fazem ideia. Deixaram-me aqui para ficar apenas de olho na casa. Certamente vão me matar quando descobrirem. -- ele respondeu despreocupadamente enquanto descíamos as escadas.
—- Quando você diz “matar”, está querendo dizer...
—- Literalmente matar.
Tentei não aparentar surpresa em minha expressão ao caminharmos pelos degraus frágeis e empoeirados. Eu não tinha mais com o que me surpreender com aqueles humanos, e parecia que Hans muito menos. Lembrei-me de como Marcos se divertia falando das mortes que causara entre os Refugiados. Obviamente que eles fariam a mesma coisa novamente, não importando com quem fosse. Mesmo que fosse alguém como Hans.
Chegamos ao andar térreo, no centro de onde, um dia, poderia ter sido a sala de visitas daquela casa. Havia um sofá no canto direito, cujo couro cor de caramelo que o cobria estava rasgado e com manchas de algo vermelho e brilhante. Duas poltronas de tecido estavam no canto esquerdo, ambas com o tecido rasgado e com muita sujeira. Mais armas de grande calibre estavam colocadas sobre uma mesa encostada na janela de vidro quebrado e vedada também por tábuas de madeira.
Hans parou e se virou para mim.
—- Chegamos. – disse.
Olhei por todos os cantos da sala, mas não havia nenhum sinal de que Quirina pudesse estar ali.
—- Está brincando comigo? – perguntei seriamente. -- Onde ela está?
—- Sob seus pés.
Ele indicou o chão onde eu pisava e vi que não era apenas o chão. Era um alçapão, cuja porta estava bem trancada com um cadeado antigo e enferrujado.
—- Muito bem. – falei. -- Onde está a chave?
Hans tateou os bolsos da calça freneticamente, e deu um tapa leve na testa, como se lembrasse de algo repentinamente.
—- Marcos é quem fica com as chaves da porta de entrada, do alçapão e dos depósitos de comida. – seu tom era de alguém que se desculpava.
Xinguei em silêncio. Parecia que aquilo acontecera de propósito, como se Marcos me impedisse de todos os modos que eu conseguisse libertar Quirina.
Mas eu ia conseguir.
Agachei-me e comecei a observar atentamente o cadeado. Toquei-o de leve com as pontas dos dedos e uma fina camada de ferrugem os cobriu. Talvez não fosse possível escapar com ele trancando, mas se eu conseguisse rompê-lo com alguma coisa...
Senti o peso do machado mais forte em minha mão. Era óbvio como eu iria romper o cadeado. Levantei-me e me posicionei. Ergui o machado e golpeei o fecho do cadeado. Nada aconteceu. Golpeei mais uma, duas, três vezes.
—- Isso não vai dar certo – comentou Hans, mas ignorei-o.
Continuei a acertar a lâmina do machado no cadeado, depositando todas as minhas forças em cada golpe. Eu iria conseguir! Depois de muito tempo e golpes, o cadeado se rompeu. Retirei-o e joguei para o lado. Olhei para cima e vi que Hans me encarava boquiaberto.
—- O que foi? – perguntei.
—- Você rompeu um cadeado com um machado! – respondeu incredulamente aprontando para o cadeado no chão.
—- Ele estava enferrujado, isso foi o que facilitou o trabalho. Ou era isso ou eu teria que esperar Marcos chegar com a chave, não é? Ande, me ajude com isso.
Hans se posicionou no lado oposto da onde eu estava perto da porta do alçapão e, juntos, puxamos a porta, jogando-a para trás.
Olhei para dentro da abertura e vi uma pequena escada de madeira vertical cujos últimos degraus sumiam na escuridão. Não parecia ser tão profundo, e senti um forte cheiro de mofo e decomposição quando aproximei meu rosto da abertura. Tentei não pensar muito no que poderia haver ali além de Quirina, e que aquele odor de matéria em decomposição fosse apenas impressão minha.
Ergui os olhos para Hans e ordenei:
—- Vai à frente.
—- Está com medo, é? – caçoou ele.
—- Não. Apenas não confio em você.
Hans revirou os olhos e começou a descer as escadas. Assim que ele desapareceu na escuridão, comecei a descer as escadas me apoiando nos degraus com apenas uma das mãos enquanto a outra segurava o machado.
O ambiente era extremamente claustrofóbico, não tendo nenhuma abertura por entre as tábuas madeira onde alguma possível corrente de ar pudesse penetrar no local. Também não era muito alto e descobri isso quando bati a cabeça enquanto descia pelo último degrau e levantava a cabeça para tentar visualizar o local com a luz da lanterna que Hans segurava. O odor de mofo estava mais forte e percebi que havia cadáveres de roedores no chão terroso, o que significava que o cheiro de decomposição era proveniente deles. Suspirei mais calma.
Pedi a lanterna para Hans e ele me entregou. Iluminei o chão diante de mim e comecei a caminhar. Hans caminhava um pouco distante atrás de mim. Nossos passos não faziam nenhum barulho naquele chão, que em algumas partes continha água misturada a sangue.
Não senti mais nenhuma movimentação além de mim, e quando olhei para trás e iluminei Hans com a luz da lanterna, ele estava parado e recostado a alguns caixotes de madeira.
—- Por que parou? – perguntei.
Antes que ele respondesse, escutei um ruído próximo de onde eu estava. Virei a lanterna na direção do ruído e ouvi um som de tosse e uma voz fraca perguntou:
—- Luna? É você?
Reconheci aquela voz de imediato.
—- Quirina! – caminhei rapidamente até a direção de sua voz e finalmente a encontrei.
Ela estava encolhida contra a parede, com as mãos para trás do corpo, que supus que estivessem amarradas. Seus cabelos louros estavam desalinhados e com algumas gotas de sangue e o rosto mantinha uma expressão de profundo medo. Seus olhos cinzentos brilharam intensamente quando me viu.
Ajoelhei-me atrás dela e peguei o machado para cortar as cordas que prendiam suas mãos. Assim que a libertei, ela tentou me abraçar, mas por estar tão fraca, apenas desabou sobre mim.
—- Achei que você... não conseguiria... escapar... – soluçou enquanto me abraçava.
—- Mas consegui, não foi? – tentei animá-la. Separamos e a segurei pelos braços. – Eles fizeram algo com você?
—- Não, apenas me jogaram aqui com as mãos amarradas enquanto levavam você para o outro cômodo. Aquele grandalhão, Redlin, disse que se você não sobrevivesse ao interrogatório... – ela engoliu seco. – eles viriam aqui para me matar.
Senti Quirina estremecer por debaixo de meus braços. Abracei-a com mais força, tentando esquecer todas as expectativas negativas que haviam invadido minha mente antes. Quirina estava viva, não tão bem quanto esperava, mas estava viva. E nós duas sairíamos dali. Vivas.
—- Você poderia prosseguir com seu plano – disse uma voz atrás de atrás de mim e notei que havia esquecido que Hans estava ali conosco.
Virei para sua direção e senti Quirina ofegar ao percebê-lo aqui.
—- Você nos impediria de sair daqui? – perguntei.
Hans fez um gesto de negação.
—- Não sou páreo para você.
—- O que ele está fazendo aqui? – sussurrou Quirina assustada, mas Hans conseguiu escutar.
—- Não se preocupe, não farei nada com vocês.
—- Mas você é um bandido.
Ele suspirou pesadamente.
—- Não escolhi ser um deles.
—- Não brinca? – caçoei. – Você combina com eles.
—- O que estou fazendo por vocês é algo que me faz combinar com eles? Se fossem Marcos e Redlin aqui, vocês estariam em situação muito pior!
—- Então por que não os deixa e vai embora, já que não tem nada parecido com eles? – indagou Quirina.
Hans baixou os olhos.
—- Não é tão fácil assim.
Seus olhos azuis se fixaram em mim, tristes. Eu conseguia compreendê-lo, mas ainda assim, não me sentia confortável em ajudá-lo.
Voltei a encarar Quirina.
—- Não podemos ficar mais tempo aqui. Eles saíram há algum tempo, mas devem voltar logo. Temos que sair daqui agora.
—- Mas Luna, como sairemos daqui a pé? Não sabemos por qual direção eles vão vir e...
—-... eles estão de carro. – completei a frase, desanimada com meu plano antes formulado. Era óbvio que, por mais que tentássemos, não conseguiríamos nos livrar deles a pé enquanto estivessem em um carro. E ainda havia Quirina, que estava fraca demais para correr.
—- Arranjaremos um jeito – tentei encorajar Quirina, que agora mantinha uma expressão de pesar. – Mas precisamos sair daqui agora, de qualquer jeito.
Ela assentiu, e eu sabia que o mesmo pensamento que passava pela minha mente era o mesmo que passava pela dela: novamente, teríamos que contar apenas com a própria sorte a nosso favor.
Ajudei Quirina a se levantar, erguendo-a com cuidado pelos braços e apoiando um deles por cima de meu ombro esquerdo. Como ela era menor que eu, não precisou agachar a cabeça para evitar com que batesse no teto, atitude que fui obrigada a fazer. Prendi o machado em minha perna e com a mão direita livre, ergui a lanterna e vi Hans me encarando por cima dos óculos.
—- Vai voltar atrás com sua decisão e nos impedir de escapar? – perguntei em tom desafiador.
—- Não, -- respondeu. – mas gostaria de lhe fazer uma proposta.
A resposta dele me pegou de surpresa.
—- Uma proposta? O que irá nos propor? Ficarmos aqui e sermos torturadas e depois mortas pelos seus companheiros idiotas? – comecei a caminhar para a entrada do alçapão. – Não, obrigada, prefiro meu plano de ir a pé.
Senti a mão de Hans em meu braço e retesei. Tentei me desvencilhar da mão dele, mas ele apertou mais ainda meu braço. Esperei que ele me largasse, mas ele não o fez.
—- Pode me soltar? – vociferei.
—- Pode me ouvir?-- ele rebateu me fuzilando com o olhar.
—- Não quero ouvir o que um dos homens que faz parte da gangue que planejava nos matar tem a dizer!
—- Está sendo idiota em ignorar algo que é para benefício de vocês!
Percebi o olhar assustado de Quirina indo de mim para Hans. Ele ainda segurava meu braço e percebi que eu havia pegado o machado, pronto para atacá-lo. Suspirei e esperei de forma paciente o que ele tinha a dizer.
—- Eles não têm apenas um carro aqui. – começou. – Existe outro que eles usavam em seus assaltos antes do chefe contratá-los e os presentear com o Hummer. Há muito tempo que ele está inutilizado.
—- Espere um pouco: está dizendo que é para nós roubarmos o carro? – indaguei.
—- Roubar não seria a palavra que eu escolheria, mas sim utilizarmos algo que não usam e lhe fazer útil. Carros não foram inventados para ficarem parados. Vocês poderiam escapar usando ele.
—- Eu não sei dirigir – falei.
—- Tampouco eu. – Quirina respondeu.
—- Eu... poderia dirigir para vocês então.
—- Ainda não entendo. Por que vai nos ajudar a sair daqui? – perguntou Quirina com a voz fraca. – Você vai simplesmente traí-los?
Antes que ele pudesse responder, ouvimos som de disparos há poucos quilômetros de onde estávamos. Depois mais uma saraivadas de disparos se sucederam, cada vez ficando mais próximas de onde estávamos. Quirina arfou e senti um aperto no coração. Aquilo só poderia significar uma coisa.
—- Eles chegaram. – anunciou Hans. – Vocês não têm mais tempo. O que vão fazer?
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