Hunter's Instinct

8 Episódio 8 - Respect


Notas iniciais
Oiê, pessoal! Estou pegando fogo ultimamente AHAHAHAHA! Mais uma vez teremos dois capítulos direto, porque dessa vez tivemos um total de 5.853 palavras em um "episódio" só. Assim sendo, dividirei entre o POV do Rick e o POV do Daryl, começando pelo do policial que todos amamos, o mito! Acho que vocês vão gostar especialmente do capítulo seguinte, mas a trama não gira apenas em Mavie e Daryl, foi mal mas a história é mais do que isso AHUAUHSUHSUHE! Então por enquanto esse capítulo trata apenas da visão do Rick a respeito do primeiro mês no Aquário e ele finalmente dando um chega pra lá bem dado no filho, que tem andado muito desaforado ultimamente. Gostaria de agradecer às leitoras Allena Pendragon, Vivi Costa, Lunah Miller, nataliasilveira, Claire Redfield, Giovana Catalani e Babi Prongs, que comentaram no último capítulo! s2 Lindas! Queria agradecer especialmente a Babi, por ser uma amigona, e a Gigi (Giovana hehe) por ter feito o gesto MARAVILHOSO de comentar também em capítulos passados. s2 Amo ter vocês aqui, espero que nunca me abandonem hahahaaha! Espero que continuem gostando da fic, e, quem sabe, recomendem quando assim desejarem! A única coisa que eu realmente peço é que deixem comentários em cada um dos capítulos, porque bem ou mal é um bônus postar dois de uma vez. :) Sejam fofas como eu sou com vocês, please, e me deixem a opinião de vocês em cada um dos episódios. s2 Por último, vou fazer a recomendação que confiram as fics de The Walking Dead da Claire: http://fanfiction.com.br/historia/571513/Not_ready_to_die/ http://fanfiction.com.br/historia/584028/Lost_in_hell/ Beijos e boa leitura!

Os três primeiros dias após um mês de estadia no Aquário da Georgia passaram sem grandes modificações na rotina dos grupos que agora conviviam juntos.

Como o Oceanário se localizava em uma grande cidade, Atlanta, tanto o grupo de Rick Grimes quanto os habitantes já antigos do Aquário tinham bastante trabalho com a limpeza do local, no que se refere às ameaças externas por conta de errantes.

Depois da infecção, cidades grandes como Atlanta e outras capitais, aparentemente, eram lugares infestados de mortos-vivos. Rick Grimes compreendia este fenômeno como devido ao fato de que grandes metrópoles eram naturalmente muito mais populosas do que cidades comuns, e, sendo assim, foram as mais atingidas com o surto da doença, se espalhando mais rápido por entre os seres humanos que habitavam aqueles lugares.

Passadas as primeiras semanas de convivência com Jed e seu grupo, Grimes já era um homem respeitado dentro do Aquário da Georgia. Haywood e Billy Ray contavam com sua ajuda para atividades externas envolvendo principalmente a patrulha do perímetro e cercanias do Oceanário de Atlanta, surpreendidos pelas habilidades do policial, no tocante à proteção dos grupos que agora sobreviviam juntos.

Rick dava boas sugestões para melhorar os muros do Aquário, bem como era imprescindível nas atividades de ronda para garantia de segurança. Fora inclusive o primeiro a reparar em uma falha severa em uma das grades do portão sul, perto de onde ficava a antiga bilheteria do Aquário, e que permitiria a entrada de algum errante que conseguisse se alastrar para dentro da brecha que ali havia.

Em determinada oportunidade, Dakota inclusive comentara com o policial que ele lembrava seu falecido marido, razão pela qual Peggy, sua filha, parecia simpatizar consigo gratuitamente, e, diga-se de passagem, a própria mãe da adolescente também. A médica do Aquário, Annie, lhe parecia grata por suas contribuições diferenciadas, sendo um novo membro de importância ao grupo, e até mesmo Buck, o biólogo marinho tímido e retraído do Oceanário, parecia lidar bem com a presença de Rick.

Mavie, a garota caçadora do grupo, vinda de fora dos Estados Unidos assim como sua avó, também aparentava simpatizar com o policial. Ela tinha uma personalidade um tanto comunicativa e extrovertida, então não era algo surpreendente, tendo em vista que a jovem mulher era bastante sociável e aberta a conviver com os novatos do Aquário.

Pouco a pouco, Rick reparava que seus amigos escolhiam nichos específicos do Aquário para se relacionar, cientes ou não do plano de Carol. O tipo de coisa que Shane chamaria de “panelinha” em outra vida, quando ele ainda era amigo de Rick Grimes e não o homem enlouquecido pelo apocalipse zumbi que veio a se tornar. Grimes não era contra esse comportamento por parte de seu grupo, acreditando que agir dessa forma tornaria toda a suposta boa convivência entre os dois grupos mais crível e menos fingida.

Glenn e Maggie se davam particularmente bem com Mavelle Berry, a garota morena de dentes salientes, e também com Billy Ray, o sulista do Alabama. Rick imaginava que muito disso poderia se dever ao fato de Mavie lembrar, de certa forma, a figura de Beth. Reparar naquilo o afetara de início, lembrando-se e culpando-se mais uma vez pelos eventos do hospital, mas, ao mesmo tempo, o ajudara a perseverar em seu plano, sabendo que agora mais do que nunca ele não poderia fracassar. Devia isso ao seus amigos, que contavam com sua proteção e liderança.

Tara era particularmente gentil com Peggy, a menina adolescente acabrunhada, de ar melancólico. Era uma garota solitária e esquiva, e talvez por isso mesmo a mulher um tanto alheia ao grupo se condoesse da personalidade dela. Junto a si, vivia grudada com Noah, o integrante mais recente do grupo de Rick, que talvez tenha se afeiçoado à mulher morena por também percebê-la um tanto forasteira ao resto do grupo.

Grimes descobrira com o passar do tempo que o pai de Peggy falecera recentemente, em uma das missões externas do Aquário, e que ela não fora filha única, perdendo desde que o surto da doença dos errantes começara seus outros dois irmãos.

Carol, controlada e imperturbável como era, agia de forma simpática e receptiva com todos, mas parecia preferir a companhia de Annie, a médica idosa do Aquário, que estava em vias de curar completamente sua perna ferida acidentalmente por uma armadilha de ursos. Quando podia, a mulher de cabelos curtos também tinha longas conversas com Jed, o membro do Oceanário naturalmente mais arisco e distante, por justamente exercer a posição de chefia.

Tyreese, Sasha, Rosita e Abraham não estreitaram seus laços com nenhum dos membros do Oceanário, fechados em seus nichos particulares, embora o irmão de Sasha por si só agisse de forma agradável para com o pessoal do Aquário. Eugene, apartado de todos como era, aproximara-se bastante de Buck, o cientista, e Padre Gabriel parecia satisfeito com todos, contudo era mais próximo de Dakota que se provara uma praticante de sua religião.

Michonne, com seu temperamento quieto e observador, agia com neutralidade em relação a todos os liderados por Jed. Passava a maior parte de seu tempo acompanhada ou de Rick, Judith e Carl, ou da companhia dos três, simultaneamente.

Chegava a ser um tanto engraçado reparar nas reservas dos membros do Oceanário para com a mulher samurai, que não pareciam tão à vontade quando em contato com os olhares profundos e desafiadores de Michonne. Até mesmo Mavelle, que não parecia se incomodar com as grosserias de Daryl, ficava bem menos descontraída na companhia da amiga mais próxima de Rick Grimes.

Já Daryl Dixon, o braço direito de Grimes, este parecia sem dúvidas o mais incomodado com a situação de refém. Rick podia perceber a inquietação crescente do amigo, mas sabia que ele não trairia a lealdade do policial e de Carol e manteria o plano até o fim.

Só tentava aconselhá-lo de quando em quando a ser mais amistoso em relação aos seus “anfitriões” para que conquistassem de uma vez a confiança do grupo do Oceanário. A personalidade esquiva e arredia de Daryl, bem como seu ar agressivo e desafiador, era com certeza um dos fatores que poderiam levar a um tremendo atraso na execução da "revolução” que pretendiam contra a liderança de Jed.

Portanto, Rick Grimes sentia-se quase grato ao reparar nas tentativas de aproximação de Mavelle Berry do arqueiro, e à sua personalidade determinada. Daryl a respondia com o máximo de indelicadeza que podia usar sem comprometer a segurança de seu próprio grupo, e aquilo não a desanimava.

Todavia, quando Grimes sugeriu a Dixon que tentasse estabelecer algum tipo de amizade com a garota, a única pessoa do Oceanário, além de Annie, que parecia disposta a se aproximar do caçador, Daryl o encarou como se lhe fizesse um pedido impossível, mas não respondeu nada. A expressão que fizera passara tamanha irritação que parecia que Rick tinha lhe dito que fosse voando até a lua e voltasse.

Mas Rick Grimes não tinha tempo ou cabeça para lidar com qualquer tipo de dificuldade social que Daryl tivesse. Ele teria de superar sozinho suas limitações, pois o policial tinha algo muito mais complicado em mãos para lidar: o comportamento colérico de Carl.

Seu filho parecia revoltadíssimo com a mudança em seu dia a dia. Julgava que Rick viera a tornar-se um fraco depois dos eventos do hospital, desistindo da sua posição de protetor e líder do grupo, como se tivesse de fato abaixado a cabeça para as vontades de Jed, e abandonado sua posição anterior. Assim, preservava-se da companhia do pai, evitando-o sempre que podia.

Como o menino estivera em conflito há pouco tempo, assustadíssimo ao ver com os próprios olhos a capacidade para a barbárie que seu pai detinha dentro de si. Especialmente quando Rick matara o chefe do grupo de vagabundos que Daryl se aliara por uns tempos, mordendo-lhe como uma fera na jugular até a morte, ou a forma como assassinara com frieza sádica o homem que tentara abusar sexualmente de Carl, deste mesmo grupo. Carl não lidara nada bem com aquilo, e Rick Grimes decidira que evitaria mostrar essa porção perversa de si mesmo ao filho.

Para protegê-lo dos efeitos que aquilo poderia criar dentro dele.

Não queria que Carl crescesse para se tornar alguém tão insano e maligno como o Governador, ou que enlouquecesse aos poucos como Shane.

Naquele terceiro dia após o primeiro mês passado no Oceanário de Atlanta, Rick obrigara Carl a descer consigo e cuidar da horta de Annie, esperando que isso pudesse recordá-lo do que o ensinara na prisão, na época em que juntos ajudavam Hershel em suas plantações. Pretendia, com aquilo, trazer-lhe lembranças daquele tempo, e conversar com o menino com alguma intimidade e honestidade.

O garoto passou a maior parte do tempo quieto, dando seguidos olhares de desdém para o pai. Rick controlou a raiva pelos desaforos do filho o melhor que pôde, até que enfim não cedeu mais. Carl insistia que queria ser tratado como adulto, mas não passava de uma criança, de um adolescente. Seu comportamento birrento e irascível só demonstrava isso com clareza.

– Carl. Eu sou seu pai, e você vai me escutar. Quer você queira ou não. Você não pode fugir disso – o policial falou com autoridade, sua voz calma, porém séria – aja com maturidade, se quer ser tratado como um homem – Rick Grimes exigiu, com dignidade.

O garoto tentou fingir não se abalar com a ordem do pai, mas Grimes percebia que ele escutava com atenção.

– Eu gostaria de escutar meu pai. Se ele estiver perdido aí dentro, em algum lugar no meio desse fracote que ele virou – o adolescente respondeu, descaradamente. Fez menção de voltar as costas para Rick, que o puxou com força pelo braço, o forçando a encará-lo diretamente nos olhos.

– Goste ou não goste das minhas decisões, você ainda me deve respeito! E eu vou exigi-lo de você, e você me obedecerá. Por bem ou por mal. – A voz de Rick Grimes estava gelada, fria, e não enérgica, apesar de sua irritação. Dava a Carl finalmente a repreensão que andava merecendo.

– Meu pai não se subordinaria às vontades de um velho maluco! – Carl reclamou audivelmente, não querendo demonstrar dor pelo forte apertão que Rick lhe dava.

– Seu pai sou eu! – Rick insistiu, soltando o aperto do braço do menino.

– E você vai aceitar o que eu decidir, e seguirá o que o nosso grupo escolher. Nós não estamos aqui para nos submeter a ninguém, e a hora em que você compreenderá isso está cada vez mais perto. – O homem se curvou um pouco, para ficar com o rosto mais perto das faces do filho.

– Eu ainda sou o mesmo homem que o salvou daquele grupo da estrada. O mesmo homem que o salvou de Terminus. Você já deveria confiar em mim, quando Michonne, Daryl, Carol e todos os outros inclusive estão declaradamente do meu lado – ralhou Grimes – mas nem sempre podemos atacar primeiro. Nem sempre o primeiro movimento é o de agredir. – Os olhos do policial cintilavam, furiosos em uma ira gélida. O garoto estava em silêncio, encarando o pai com atenção.

– Há um livro que você gostaria de ler que explica a razão de eu ter levado vocês todos ao Oceanário. De estarmos convivendo aparentemente segundo as leis de Jed e seu grupo. O livro se chama “A Arte da Guerra”, e nele estão contidos muitos provérbios que se aplicariam a esta situação. O que eu diria que se aplica a você neste momento é “Quando o sábio aponta para a Lua, o idiota olha para o dedo” – Rick Grimes falou com assertividade.

– Eu sou o idiota, então?! – Carl retrucou mais baixo, levemente incrédulo.

– Você só será o idiota se quiser – Rick urgiu, sério, segurando os dois ombros do filho com as mãos – você pode acreditar que eu sei o que estou fazendo, e que já sei como devemos agir, e que tudo o que estou fazendo agora, desde a colheita de um mísero tomate até uma conversa de cinco minutos com Jed tem um peso significativo, e vai importar no final.

– Você pode acreditar em mim, e saber que eu estou protegendo todos vocês. Ou você pode continuar agindo como uma criança emburrada, que me evita por estar contrariada. Nem sempre podemos escolher o caminho mais fácil, Carl, ou o mais agradável – Rick falou com propriedade.

– E eu sou seu pai, e tudo o que eu mais amo e prezo nesse mundo é a sua vida e a vida de Judith. Não há nada que eu não faria para protegê-los, e nada que me impediria de mantê-los vivos. Nem que você tivesse que passar um mês achando que eu sou um covarde para se surpreender no final – disse o policial com um sorriso enviesado.

– O final de quê? – perguntou Carl, com a expressão mais branda.

– O final que já está a caminho. Seja paciente e observador. Talvez você perceba os sinais – disse o policial com mistério, enquanto arava a terra da horta.

Carl Grimes olhava para o pai com um ar questionador. Não parecia decidido ainda, mas seu semblante já aparentava mais calma e equilíbrio. A curiosidade que Rick lhe implantara provavelmente seria suficiente para que o garoto parasse de ser insolente, e estudasse com mais cuidado o comportamento tanto do pai quanto do resto do grupo.

Afinal de contas, Carl era o filho de Rick. Filho de peixe, peixinho é.

E Rick Grimes não era nenhum otário, para a infelicidade de Jed.

Notas finais
No gif, pai e filho se acertando novamente. Carl, tome tento, menino, como diz Billy Ray! Seu pai sabe o que faz! Aguardo os reviews, ehehehe! =D