Hunter's Instinct

28 Episódio 28 - Risks


Notas iniciais
Olá, meus queridos e minhas queridas! Venho com um capítulo fresquinho nesse sábado, até bem grandinho, recheado de acontecimentos, surpresas, novidades, ação, drama e mistério! =D Teremos até uma certa conversa entre Cupido e Esquila... AINDA não é hora do "barraco", para as leitoras barraqueiras (hahahaaha), mas é óbvio que ainda haverá discussão entre os dois. A nova trama começa a engrenar com a quase-chegada do grupo de Grimes a Alexandria, apresentação de Aaron bem como a apresentação dos personagens da jornada de Billy Ray! Temos três POVs nesse capítulo, que será dividido entre dois do Caipira 2.0 e um do Caipira 1.0, vulgo, Daryl e Billy! #todascomemora hahahaah! Como não quero dar spoilers nessa "prévia", vou logo aos devidos agradecimentos! Agradeço aos leitores nataliasilveira, Mandy_cat, Catherine Black, marcelammota, Vivi Costa, Lunah Miller, Lux, Filho de Kivi, Giovana Catalani e Aurora, por terem comentado no capítulo anterior! o/ Espero que continuem sempre aqui comigo! Cada opinião faz diferença! Somos agora 81 leitores, 43 favoritações, então faço aquela sugestão de sempre: quem não comentou, que tal comentar e deixar um reviewzinho para a Menta responder? :3 E quem não favoritou, que tal clicar no "adicionar aos favoritos" ali embaixo, hehe? Por fim... Quem gosta da história e realmente se diverte com ela, saiba que eu mais do que apreciaria somar mais uma linda recomendação às minhas 7 maravilhosas homenagens! s2 Dedico este capítulo a todos os meus leitores comentaristas. :) Se eu estivesse escrevendo para o "vácuo", com certeza a história não teria chegado até onde chegou. Beijos e boa leitura!

A ship is always safe at the shore — but that is NOT what it is built for.

Daryl Dixon limpava a faca de caça que havia usado no dia anterior para abrir a pele e retirar as vísceras dos cachorros que encontraram na estrada. Sentado a um canto do celeiro, tinha como companhia mais próxima a amiga Carol Peletier, distraída com o estudo de um mapa do estado da Virgínia.

Rick Grimes, por sua vez, distraía Little Ass Kicker, embalando sua filha para que se acalmasse e dormisse. A noite passada fora difícil para a neném, com toda a correria, raios e trovões do temporal, fora os gritos e a ação de esforço do grupo todo para impedir que os errantes derrubassem as portas do celeiro.

Ou melhor dizendo, de quase todo o grupo.

Annie e Peggy continuaram dormindo, exaustas e fracas como estavam. O estado fatigado delas não era uma dúvida para ninguém, então Dixon imaginava que não haveria nenhuma pessoa no grupo de Grimes que pudesse nutrir rancor pela falta de ação da parte da idosa e da adolescente. Estiveram ferradas no sono o tempo inteiro, dormindo como pedras.

Mas ela não.

Não Mavie.

Na noite anterior, a garota irlandesa dentuça se prontificou a ajudar a todos assim que acordou. Aquele ato de voluntariosa generosidade de fato surpreendeu o arqueiro. Julgava que Mavelle ainda estivesse ressentida com o grupo de Grimes a ponto de sequer se manifestar em uma situação daquela, mas não. A caçadora prontamente se movimentou junto ao grupo contra a ação dos errantes que buscavam invadir o celeiro, surpreendendo-o consideravelmente.

Daryl recordou, por alguns instantes, de um dos momentos da noite que se passara. Mavelle, de olhos fechados, franzindo as sobrancelhas, ainda mal recuperada dos dias de sofrimento na estrada... Jogara todo o peso de seu corpo contra a porta, segurando com toda a firmeza de seus braços a frágil madeira, retumbando contra a voracidade faminta de inúmeros errantes. Subitamente, ela abrira os olhos, e seus olhares se cruzaram.

Por um segundo, Dixon julgou ter visto o olhar típico de Mavie Berry. Aquele jeito irritante e também doce de olhar, presunçoso, travesso e simultaneamente corajoso... Um olhar cúmplice. E não a expressão recente de seus olhos de avelã esverdeado, agora costumeiramente ressabiados, distantes, sem brilho.

– Você deveria tentar conversar com ela – falou de forma quase inaudível Carol Peletier, ao seu lado, como se tivesse lido seus estúpidos e malditos pensamentos. Ao menos, serviu para despertá-lo desses momentos de reflexão que sempre o faziam se sentir idiota ao se ver perdido neles.

– 'Quê'? – retrucou Daryl, sem querer conversar sobre esse assunto.

Sua amiga apenas deu-lhe um olhar curto e direto. Seus olhos azuis claros cintilaram espertos, como se lhe dissesse “não se faça de desentendido”.

Foi aí que, sem aviso, Maggie Greene abriu a porta do celeiro. Atrás dela, surgiram Sasha, Mavie – o que fez o arqueiro sentir uma controversa pontada de alívio –, e um sujeito que o caçador jamais vira na vida.

– Gente... Este é o Aaron – começou a esposa de Glenn. – Nos encontramos com ele lá fora. Está sozinho, e o revistamos – garantiu.

A reação de todos foi imediata.

Sem combinar, apenas agindo por meio de movimentos instintivos, o grupo de Rick Grimes fez um cerco em volta do estranho que acabara de adentrar seu local de repouso. Até mesmo Annie e Peggy adotaram posturas defensivas, cada uma colocando as mãos nos coldres nos quais levavam suas armas.

Dixon, sem esperar mais uma palavra, avançou determinado até onde estava o sujeito. Era um homem que devia ter por volta dos trinta e alguns anos, magro, de cabelos curtos e expressão ridiculamente simpática.

O caçador já ficara desconfiado em apenas um olhar.

Assim que alcançou o homem, Dixon revistou-o de cima abaixo, decidido, conferindo se realmente não havia ludibriado as três mulheres. De fato não encontrara nada, mas não se sentiu menos intrigado por isso. Voltou os olhos para os próximos a si, Rosita, Sasha, Mavie, Peggy, Annie e Maggie, confirmando com a cabeça que o homem não tinha nada consigo. Após, buscou o olhar de Rick, afirmando com um meneio de cabeça que o sujeito não apresentava perigo físico.

Ironicamente, para complementar o ar tenso que havia entre todos os presentes, Judith subitamente começou a chorar, ainda amparada pelos braços de seu pai. Rick, com sua expressão mais fria e tenaz, avançou a passos largos até o estranho, após entregar a Carl a bebê.

– É um prazer conhecê-lo – tentou o estranho, com a aproximação do policial. Daryl não retirava os olhos de cada movimento do sujeito, estudando-o como um predador examina uma presa. Um movimento em falso, e uma flecha de sua balestra se cravaria diretamente no crânio daquele filho da puta.

– Disse que ele tinha uma arma? – perguntou o líder do grupo a Maggie, ignorando o gesto de Aaron de lhe estender a mão em vias de cumprimentá-lo.

Greene assentiu, e deu alguns passos na direção de Rick. Entregou-lhe em mãos a pistola de Aaron. Enquanto isso, o grupo assumia uma postura cada vez mais defensiva.

Percebendo a tensão evidente ao redor de todos, Grimes se manifestou, sendo direto e certeiro:

– Você quer alguma coisa? – Rick questionou Aaron, olhando-o com um olhar severo que apresentava clara ameaça.

– Ele tem um acampamento próximo daqui – esclareceu Sasha, finalmente falando, suas sobrancelhas ligeiramente levantadas. – Quer que façamos uma audição para entrar no grupo – complementou.

– Seria bom ter outra palavra para isso – acresceu Aaron, de forma jocosa. – "Audição" parece sugerir que somos algum tipo de grupo de dança. – Sorriu. – Isso é só nas noites de sexta – brincou, tentando fazer graça. Daryl sentiu vontade de lhe dar um soco na cara. Aquela postura simpática, aquele jeito trivial de agir... Tudo aquilo lhe lembrava de péssimas memórias, que envolviam um sujeito idoso e sardento e muitas mentiras.

Em seguida, como o silêncio de desconfiança apenas aumentou, o estranho chamado Aaron meneou a cabeça, constrangido.

– Não é bem um acampamento. É uma comunidade – falou o homem sorridente, olhando para todos ao redor. – Acho que vocês dariam adições valiosas, mas isso não depende de mim. Minha função é convencê-los a ir comigo para casa. – Os olhares descrentes e suspeitosos de todos apenas aumentaram.

– Eu sei, se eu fosse vocês, também não acharia isso uma boa ideia... Não até saber exatamente onde eu estaria me metendo. – O sujeito encarou Mavelle Berry, e a firmeza dos dedos de Daryl, segurando a balestra, apenas se intensificou.

– Mavie, pode entregar minha mochila ao Rick, por favor? – pediu o estranho com gentileza oportuna.

A jovem irlandesa, encarando-o com um olhar que nada revelava, assentiu discretamente. Logo depois, caminhou com rapidez até Rick Grimes, passando-lhe em mãos o objeto em referência.

– Há um envelope no bolso da frente – Aaron continuou tagarelando. – Não há como convencê-los a vir comigo só falando da minha comunidade, por isso as trouxe. – Rick Grimes retirou o conteúdo do envelope, e todos puderam ver que tratavam-se de fotografias.

Aaron continuava a falar, irritando cada vez mais o arqueiro. Um sujeito tão metido a “gente boa”, falastrão assim, não poderia dar em boa coisa. Dixon ouviu o estranho falar sobre a qualidade péssima das fotos, e finalmente o arqueiro o calou, sua voz rouca de agressividade nada escondida.

– Ninguém liga – disse o arqueiro, mordaz.

– Você tem toda razão. – Aaron esperou apenas meio segundo para responder. Pela-saco do caralho. Deve ser um covarde da porra. Alguém deve ter mandado esse babaca para cá porque não aguenta mais ouvir tanto blábláblá. Pensou Dixon, controlando a própria raiva gerada pela desconfiança. Já fazia um tempo que os ânimos de todos estavam tensos, desde o dia anterior, quando descobriram que estavam sendo seguidos. Provavelmente aquilo era obra daquele sujeito, mas com qual intenção era o mistério que não se calava.

Assim como a boca grande do estranho.

Aaron continuou tagarelando em seu quase monólogo, argumentando sobre a amplitude e a altura dos muros que protegiam sua comunidade, mas os ânimos do grupo de Rick se mantiveram pendentes para a descrença, mais do que para a esperança de que aquilo poderia significar de fato boas novas.

Pudera, depois de tudo o que haviam passado.

Aaron, percebendo que sua estratégia “probatória” não dera certo, parecia agora tentar um discurso de auto-ajuda para convencer a todos. Falava de como o que mais valorizava era o esforço das pessoas, e de como observara por todo esse tempo o grupo de Rick ao longe, e, mesmo percebendo diferenças entre as proximidades que haviam entre os membros, todos acabavam por se ajudar.

– Eu vi que resgataram essas três daquele local destroçado. – O sujeito encarou Mavie, Annie e Peggy, que o olharam de imediato, com atenção. – Não esperava encontrar ninguém naquele lugar depredado, quanto mais pessoas tão bem intencionadas – disse Aaron, sorrindo para as três veteranas do Aquário, e depois para o grupo de Grimes. – Ouvi a conversa de vocês, e o que propôs para elas, Rick Grimes. – O homem encarou Rick diretamente. – Vocês todos, cada um de vocês, são boas pessoas. Acompanhei-os de perto tempo o suficiente para saber disso – assegurou o estranho.

Dixon ouvia suas palavras com atenção, percebendo como seu discurso agora tornara-se algo realmente “puxa-saco”.

– ...Juntos somos fortes. Vocês podem nos fortalecer ainda mais – pareceu concluir Aaron, em uma postura afável, quando Rick decidira se aproximar dele. O sujeito não recuou, apenas continuou a sorrir, ao passo que Grimes, sem aviso, deu-lhe um soco em cheio no rosto.

Já não era sem tempo. Pensou Daryl, um pouco aliviado.

O que se seguiu ao tempo em que Aaron continuou desacordado fora a aproximação de Michonne e de Maggie ao seu corpo caído em meio ao feno. Annie também andara para mais perto do sujeito, encarando-o com atenção, acompanhada de sua neta e da adolescente.

– Para mim, isso parece bom demais para ser verdade – Annie Guinness comentou friamente.

– Tenho a impressão de que já vi esse filme – Mavie Berry fez o comentário de humor negro, com um sorriso amarelo e seus olhos fixos no homem que apanhara de Rick, enquanto Peggy concordava, balançando o rosto. Obviamente, faziam menção a Jed Freeman.

– Entretanto, é verdade que Sasha, Mavie e eu nem o vimos chegar. Poderia ter nos atacado, se assim quisesse – Maggie recordou. Daryl encarou a Greene, e percebeu que parecia duvidosa quanto à postura cética da maioria.

Dixon reparou, com o canto do olho, que Carl mexera na mochila do sujeito e entregara algo a seu pai. Algo que parecia uma pistola de cor espalhafatosa, laranja ou rosa choque. Pelo que Daryl já vira, aquilo parecia uma arma sinalizadora.

Como tudo que é bom costumava durar pouco, Michonne chamou a atenção de todos, ao perceber que Aaron já passava a voltar aos seus sentidos. Mais lenga-lenga do caralho. Pensou o arqueiro, voltando a se irritar e a cercar o estranho.

O homem acordou aos poucos, enquanto Michonne e Maggie o ajudaram a se sentar. Suas primeiras palavras foram elogios ao cruzado de direita de Grimes, o que quase fez Daryl soltar um muxoxo de desdém com os lábios. Realmente já passara um bom tempo junto a pela-sacos desse tipo, e não pretendia voltar a um convívio do gênero. Aaron continuou, simpático, sorridente, afirmando que compreendia a cautela.

– Quantos você tem lá fora? – Rick foi direto na pergunta, sua expressão impassível. – Não finja que não há outros, pois para que outra razão carregaria isso consigo? – Grimes exibiu o sinalizador que encontrara. Dixon viu que Aaron, finalmente, passou a adotar uma postura séria.

O sujeito agia de forma reticente em contar aqueles detalhes. O cerco em volta de Aaron, assim, retornou a mesma atmosfera de apreensão anterior.

Logo, Grimes continuou pressionando o estranho, que teimava em não responder. Tentou convencer a todos dizendo que os números não importavam, uma vez que ninguém acreditaria nele da mesma forma.

– É difícil acreditar em um homem que toma um soco na cara e sorri logo depois – Grimes retrucou, austero.

– E quanto a um amigo que lhes deu aquelas garrafas? – Aaron redarguiu, e Dixon o viu apontar com o queixo na direção das poucas garrafas d’água que ousaram recolher.

– Como eu já disse, todos vocês serão importantes na minha comunidade. – O homem não esperou resposta de Grimes. – E isso independe de onde vieram, como se conheceram, pois sei quem são: pessoas de caráter. – Aaron encarou a todos, inclusive as três veteranas do Aquário, por fim. – Mais do que muros, mais do que armas, mais até do que água... As pessoas são o recurso mais importante do mundo – pareceu acabar seu discurso.

– Quantos? – Rick disse apenas, em resposta. Não desistiria, e Daryl lhe dava toda a razão.

– ...Um – enfim confessou Aaron.

Todos se entreolharam a partir de tal revelação. Parecia completamente improvável. O cerco em meio a Aaron apenas se apertou.

Desconfortável, o sujeito voltou a falar:

– Eu posso levá-los. Há espaço para tanto. Estacionei perto, no leste da Ridge Road logo após a rota 16 – garantiu o homem.

Diversos olhares do grupo de Rick Grimes se cruzaram entre si. Aquele não era um cenário tão ruim. Afinal de contas, eram mais de uma dezena de pessoas contra apenas um. Na pior das hipóteses, poderiam fazê-lo de refém.

Daryl continuou atento a cada movimentação de Aaron, dando passos lentos e calculados atrás do sujeito, enquanto observava a conversa entre Rick e Michonne. Pareciam discordar, Rick estava cético, e Michonne, esperançosa.

Por fim, Maggie intercedeu a favor, levantando-se. Michonne, aproveitando a brecha, insistiu.

– Precisamos descobrir o que é isso, afinal – falou a samurai em tom de quem não aceitaria uma recusa.

– Então eu também ajudarei – Glenn Rhee finalmente se manifestou, aproximando-se de Maggie Greene. – Eu vou – voluntariou-se de pronto. – Tem certeza de que quer ir? Não acho que é uma boa ideia... – Rhee tentou aconselhar sua mulher, olhando sua barriga levemente proeminente pela gravidez, e ela anuiu com assertividade.

– Faço questão – insistiu a esposa do asiático para seu marido.

Daryl viu Rick voltar-se para Abraham, chamando-o para acompanhá-los.

– Sim, vou com eles – aceitou o soldado ruivo.

– Rosita? – perguntou Grimes, sugerindo que ela também fosse.

– Ok – a latina assentiu, simplesmente.

Dixon fez mais uma ronda ao redor de Aaron enquanto via Rick entregar mais munição para Glenn. Michonne, Maggie, Abraham e Rosita já caminhavam até a porta do celeiro, enquanto Rhee os seguia.

– Os rádios não funcionam – atentou o policial. – Se não voltarem em 60 minutos, nós iremos atrás de vocês. O que pode ser o que eles querem. – O xerife deu um olhar significativo para Michonne, que o encarou, firme em sua decisão anterior.

Assim que os cinco saíram, Rick olhou para o resto do grupo.

– Se todos ficarmos aqui seremos um alvo – aconselhou o grupo a se dispersar. Daryl concordou, anuindo com a cabeça. Deu um olhar curto e instintivo na direção de Mavie, que mantinha-se parada ao lado de Annie e de Peggy.

– Eu cubro o perímetro – adiantou-se o caçador.

– Achem um lugar com boa visão! – demandou o policial, enquanto Daryl abria as portas do celeiro mais uma vez. Percebia que o grupo o seguia, mas fez questão de esperar até que as três veteranas do Aquário saíssem, acompanhando juntas o resto dos sobreviventes. Por mais que se sentisse um idiota por isso, era melhor se sentir um tolo do que permitir que Mavie, sua avó e a adolescente ficassem em perigo, expostas sozinhas dentro do celeiro.

Não chegamos tão longe... Refletiu o arqueiro, irritado e preocupado.

...Para acabar tudo agora.

*****

Aparentemente, Aaron não mentira.

Conforme as diretrizes que apresentara, Glenn, Maggie, Abraham, Rosita e Michonne de fato encontraram um carro, com a lataria um tanto enferrujada, junto a um trailer RV. Teriam de fato espaço para fazer a tal viagem até a comunidade do estranho, se assim decidissem.

Até mesmo Daryl Dixon, depois de algum tempo de vigília junto ao resto do grupo para se certificar da segurança nos arredores, não encontrara nada além de errantes por perto. De fato tudo parecia ser como o sujeito falara: se quisessem ter atacado o grupo de Grimes, inúmeras oportunidades já haviam surgido.

A única dúvida que restava era se, afinal de contas, tratava-se ou não de uma estratégia para atraí-los para alguma armadilha.

No fim das contas, após o retorno de Glenn e dos outros, o grupo discutiu acaloradamente sobre qual seria o próximo passo. Tentada pela dúvida, a maioria decidiu a favor da exploração. Descobririam, afinal de contas, se a tal Alexandria era mesmo para valer.

Ou se arrependeriam amargamente.

Dixon, preocupado com os rumos que aquilo poderia tomar, não sabia o que decidir internamente, por isso não realmente se manifestou, apenas comentou que continuar no celeiro não seria uma boa ideia... Afinal de contas, o tal grupo de Aaron já sabia que eles ali estavam. E, porra, aquele lugar fedia a merda de cavalo.

Daryl não se importava de ir, sozinho, conferir se o local era seguro. Mas Grimes e os outros jamais permitiriam isso. Era nesse ponto que residia sua insegurança: uma coisa era expor a si mesmo ao perigo, outra, era que seus amigos, que as pessoas com quem se importava... Que Mavie se arriscasse.

E se fosse tudo uma emboscada?

Angustiado, Daryl Dixon encarava a paisagem noturna passando ao longo das grossas e amplas janelas do trailer RV que Abraham dirigia, com Rosita sentada ao seu lado, no banco do carona. Todos tinham suas armas a postos, naquela noite escura, para, caso qualquer ação saísse fora do planejado, formularem um plano defensivo imediatamente.

Como de praxe, as três veteranas do Aquário se localizavam ao fundo do trailer, dividindo elas mesmas um espaço junto ao chão, por escolha própria.

Carol sentava-se ao lado de Dixon, e parecia ainda mais absorta em seus próprios pensamentos do que ele. Dada a esperteza da mulher, Dixon podia imaginar que ela formulava consigo mesma alguma estratégia astuta caso algo corresse fora do planejado.

Mas a verdade é que, não importasse o que Aaron dissesse, mostrasse ou afirmasse, estavam todos indo rumo ao desconhecido. Mesmo seguindo o carro do estranho, que agora era dirigido por Glenn, no qual estavam Rick, Michonne e o tal homem que os prometia uma comunidade utópica...

...Só saberiam mesmo o que era aquilo, de fato, quando atravessassem os altos portões de Alexandria.

Em meio aos seus pensamentos aflitivos, que Dixon jamais se permitia demonstrar, sempre escondidos sob uma grossa e falsa camada de insensibilidade e indiferença, o arqueiro foi surpreendido com uma súbita freada de Abraham, e alguns gritos e exclamações de surpresa e receio proferidas pelo grupo presente no trailer.

– O que foi isso? – perguntou Carl, ansioso, segurando sua irmã que passou a chorar alto.

– Ali. – A voz de Mavie se fez ouvir, muito atrás. – E ali! – Apontou Berry para outra direção.

O grupo olhou pela janela e percebeu o que os olhos atentos da irlandesa aferiram.

Quem quer que estivesse esperando por Aaron lançara um tiro de seu sinalizador no céu noturno, desenhando um arco inegável em meio à escuridão da noite.

E, na outra direção, na frente da estrada pela qual Abraham dirigia o trailer: uma horda. Imensa. Centenas de corpos podres cambaleavam na direção dos carros, ao passo que Glenn, dirigindo o veículo mais a frente do trailer RV, acelerou loucamente em linha reta.

– DÊ A VOLTA! – gritou Tara, angustiada, para o soldado ruivo.

– Calem todos a boca, eu já sei o que fazer! – Abraham garantiu, fazendo uma curva para a esquerda.

Carol, silenciosa e furtiva como uma sombra, havia se afastado de Daryl. O arqueiro, que se distraíra seguindo as direções apontadas pela garota dentuça, não chegou a perguntar para a mulher de cabelos grisalhos o que pretendia fazer.

Dixon apenas encarou-a, ao longe, conversando rápida em sussurros com Abraham e Rosita. Em questão de segundos, voltou-se para o grupo.

– Vamos seguir o sinalizador. São muitos ali na frente, mais do que podemos controlar, Glenn já se afastou demais – Carol Peletier falou, e Rosita assentiu.

– Olhem por si mesmos. – A companheira de Abraham indicou, e o grupo se encaminhou para o painel dianteiro do trailer, vendo aquela multidão assombrosa de errantes se aproximando cada vez mais.

– Mas e Glenn? – lembrou Maggie, aflita. – E os outros?

– Eles virão atrás de nós. Aaron implorará para que sigam na direção do sinalizador, e perceberão que tivemos de nos afastar. É o nosso único ponto de encontro possível – esclareceu, com racionalidade, Carol. Daryl, mais uma vez, se sentiu assombrado com a capacidade de análise pragmática incrível daquela mulher, até mesmo em uma situação tão imprevisível.

– Eu desço primeiro – avisou Daryl, em tom de ordem. Faria questão de garantir que o terreno em que parariam, por um tempo, era seguro para que todos pudessem sair do trailer.

– Vou junto – decidiu Abraham, com os olhos na estrada. – Rosita, fique de prontidão no volante enquanto descermos – pediu seu companheiro, ao passo que a latina assentiu.

– Eu ajudarei – Tara se ofereceu, muito ansiosa, suas sobrancelhas franzidas, parecendo realmente tensa. Carol se voluntariou em seguida, assim como Carl.

– Sasha, você sobe pelo alçapão, sua mira é limpa até à distância – Daryl orientou a mulher, que concordou. – Atire no que se aproximar do trailer, tudo que puder ver ao longe, nós cobrimos o que estiver mais perto – explanou o arqueiro, enquanto Abraham já havia dirigido estrada de terra adentro, chegando muito perto do ponto onde o sinalizador fora disparado.

– Eu fico no topo do trailer com ela – Mavelle Berry, adiantando-se por trás dos ombros de Eugene e Padre Gabriel, já tinha o arco a postos. Seus olhos entre o verde e o castanho cintilavam, pronta para a ação. – A Peggy pode descer na segunda leva, seguindo vocês do “front”. Ela manda bem – afirmou, enquanto a garota adolescente, com a pistola em mãos, já se aproximava de onde aguardavam Maggie, Annie, Eugene e Padre Gabriel.

Daryl levou meio segundo para assimilar aquilo. Em seguida, apenas concordou com a cabeça, tentando parecer imperturbável.

Assim que as posições foram definidas e Abraham finalmente parou o trailer no que parecia uma viela abandonada — que levaria a um pequeno centro comercial de beira de estrada de uma cidade afastada -, os postos foram devidamente revestidos com seus ocupantes.

Aquele lugar estava também infestado de mortos-vivos, rugindo famintos em meio à escuridão.

Daryl abriu a porta do trailer com um empurrão de seus ombros, sendo seguido por Abraham, Tara, Carl e Carol.

Os cinco se posicionaram de forma a formar um pentágono, cada um protegendo as costas um do outro, enquanto os errantes que perceberam sua presença vinham em sua direção. Eram muitos, e aquele momento poderia mesmo ser o fim, mas Dixon estava certo da competência de seus amigos.

E também da competência de Mavelle.

Flechas da balestra do arqueiro foram zunidas na direção dos corpos podres mais próximos junto a inúmeros tiros certeiros de seus amigos, resultando em uma fileira de dez mortos-vivos já desfalecida antes de sequer chegar metros próxima de Dixon e dos outros.

Daryl deu um olhar rápido para cima do trailer, vendo pela meia luz do luar as silhuetas de Mavelle e Sasha, costas a costas, atirando precisas nos errantes mais afastados. Não demoraria muito, e logo limpariam aquele lugar.

Atentos, determinados e habilidosos, os sobreviventes da linha de frente iam tirando do caminho qualquer ameaça em decomposição à sua sobrevivência. Ninguém errou um tiro, ou uma flecha, até que a segunda linha de ataque desceu. Daryl e os outros já estavam na altura da esquina do que seria uma rua de comércio, quando foram surpreendidos.

Annie, a avó de Mavie, caíra ao chão. Provavelmente tropeçara em algo que não vira no escuro, e agora o errante que tentara matar levara um tiro não em sua caixa craniana, mas em seu ombro esquerdo.

Daryl não sentiu que correu, mas sim que voou.

No segundo seguinte, estava na frente do maldito, cravando-lhe uma flecha com as próprias mãos no centro de sua testa, retirando-a de pronto em seguida. O corpo morto tombou para perto da avó de Mavie, manchando seu rosto com o sangue pútrido que saíra do ferimento causado pela flecha do arqueiro. Simultaneamente a tais ações, sua neta já havia pulado de cima do teto do RV com agilidade primorosa, e se aproximara da idosa, angustiada.

Dixon e Mavie Berry ajudaram a avó de Mavelle a se levantar, que agradeceu com um baixo “obrigada”.

No meio de toda aquela confusão, Sasha continuara no teto do trailer, atirando nos poucos errantes longínquos que restavam, enquanto a linha de frente e os sobreviventes que vieram em seguida já tinham avançado rua comercial adentro. Perto do trailer, restaram somente Rosita ao volante, Sasha acima do veículo, e Dixon, Annie e Mavie parados onde a avó da jovem irlandesa quase tivera um fim horrendo.

A idosa passou a correr na direção da rua, sendo seguida por Daryl e Mavelle, que a acobertavam. Arqueiro e arqueira uniram-se na tarefa de eliminar os mortos-vivos mais próximos, e nenhuma flecha foi desperdiçada. Daryl atingiu um errante na têmpora direita, quando este se aproximava de Mavelle no momento em que ela se ocupava dando cobertura à sua avó, e Mavie atirara uma flecha certeira em um morto-vivo que teria mordido o braço de Dixon por pouco, quando este atentava para um errante que puxara as mangas do casaco da idosa irlandesa. Annie, inclusive, acertara bons tiros, apesar de sua visão prejudicada pela idade e pela fraca luz da noite.

Assim que chegaram na esquina da rua, Annie, Mavie e Daryl foram saudados por Maggie Greene, parada, que esperava por eles, e os certificou de que todos os outros estavam bem e seguros. Deu um curto abraço nos três, e avisou-lhes que estava cuidando do sujeito que esperava por Aaron. Afirmou que era realmente verdade o que o estranho lhes dissera: apenas uma pessoa o aguardava.

– É o namorado dele – comentou Maggie, dando um sorriso solícito. – Acho que torceu a perna, pode até ter quebrado, mas vai ficar bem – disse com seguridade.

– Será um reencontro muito romântico – falou a Greene, abrindo um sorriso ainda mais amplo, encarando agora Daryl. De que porra ela está falando?

– Deixe-me ver como ele está – Annie, cansada pela correria, se prontificou a ajudar o novo estranho com suas habilidades médicas. Greene a guiou até a loja onde o sujeito fora posto para descansar, enquanto Sasha e Rosita vinham com o trailer até aquela rua, parando perto da loja.

Mavie Berry continuava do lado de fora, olhando as estrelas e respirando fundo, recuperando o fôlego, aparentemente. Daryl a olhava de esguelha, sem saber o que falar.

“Você deveria conversar com ela.” A voz de Carol ecoou em sua mente como uma daquelas malditas consciências de desenho animado.

A rua estava repleta de cadáveres devidamente mortos, inanimados, mas Dixon seguiu o olhar de Mavelle, encarando o céu e pôde ver a noite estrelada, indiferente a todo aquele horror que caminhava no mundo. Algumas coisas não mudam...

– Obrigada pelo que fez pela minha avó – foi a vez de Mavie agradecer, enquanto Daryl o havia feito na noite passada. Entretanto, a garota dentuça não olhara para ele.

– Hm-m – Daryl Dixon grunhiu de volta, assentindo. Não teria feito diferente. Seus instintos o guiaram para proteger aquelas duas mulheres.

– Você me ajudou também – disse Daryl, tentando que aquelas palavras tortas soassem como um agradecimento.

Mavie olhou para o chão. Franzia as sobrancelhas, e seu queixo tremeu um pouco. Parecia fragilizada. Confusa.

– Eu espero que você saiba. – Mavelle respirou fundo para continuar. Aparentava se esforçar para dizer aquelas palavras de forma límpida, curta, até ríspida. – Que você não vai mudar o que fez tentando provar alguma coisa. – Ela levantou os olhos para Dixon. Neles, o arqueiro viu, subitamente, em seus orbes de avelã-esverdeado... Medo. Raiva. Decepção.

E até mesmo súplica.

A garota irlandesa parou de encará-lo, e passou por ele, seus olhos olhando em linha reta para a frente, parecendo lacrimejar. Sua postura corporal era firme, decidida, mas Mavelle sempre tivera uma compleição muito honesta, jamais fora boa em esconder o que pretendia e o que sentia.

Seu rosto revelava que iria cair no choro a qualquer momento.

Daryl tivera o impulso de puxar-lhe pela manga do casaco e lhe dar um abraço até que extravasasse toda a dor que ela poderia estar sentindo. Mas não poderia fazer isso. Não tinha esse direito.

Não quando ele sabia que tudo aquilo fora gerado nela por sua causa.

Mavelle entrou em uma das lojas abandonadas e vazias, e fechou a porta.

Daryl caminhou por aquela viela, sozinho, esperando a chegada de Rick Grimes, ele mesmo sentindo sua pulsação acelerada, angustiado.

Sentia-se um inútil.

Você é uma piada, é isso o que você é. A voz de Merle ecoava em seus ouvidos.

Daryl Dixon chutou uma lata de lixo que havia perto de si, fazendo um amassado considerável no alumínio. Colocou a balestra aos ombros, e socou uma parede, derramando sua frustração por meio de sua força física bruta.

Só podia esperar que não tivesse estragado tudo indefinidamente.

*****

Billy Ray piscou os olhos na frente daquela fogueira, ainda atônito, depois de ter passado o dia junto aqueles estranhos. Naquele momento, sentados para jantar em um acampamento improvisado, a menina de traços indígenas cuidava do ferimento que ele fizera, refazendo as bandagens de Billy. O sulista se desvencilhou das mãos dela, avisando que não havia necessidade. A menina, indiferente, apenas se afastou enquanto ele mesmo trocava o curativo.

– Só para não esquecer: você deve me chamar de Becky! – apresentou-se de novo a mulher loira de marias chiquinhas. Tinha olhos amendoados castanhos escuros, muito expressivos, e portava em seu rosto feições alegres, apesar daquela situação. Vestindo um casaco rosa bebê, calças jeans e usando um taco de baseball vermelho e preto como arma, ela era mais uma dentre aqueles quatro estranhos que poderia ser considerada muito... Extravagante.

– Estes são Moritz, meu velhinho lindo. – Piscou ela na direção do sujeito grisalho, que acenou para Billy Ray com cordialidade. – Tej, que na verdade se chama Tejas. – Apontou com o indicador na direção do indiano, que, silencioso, observava a dança das chamas na fogueira.

– E, por fim... – A loira se aproximou da menina indígena, abraçando-a pelo ombro, enquanto a garota sequer manifestou reação. – ...A Aya, que é de fato Aiyana, mas achamos esse apelido mais fofo – brincou a mulher, que parecia se divertir bancando a infantil.

– Eu gravei seus nomes, dona – falou Billy Ray, tentando não demonstrar desinteresse. – Da primeira vez que se apresentaram – lembrou.

– Não custa recordar. Deveria agradecer pela gentileza – retrucou a mulher loira, enquanto Moritz e Tejas conversavam, examinando o mesmo papel que haviam mostrado para Billy no começo do dia.

– ‘Brigado', dona – rebateu Billy Ray, mecanicamente. Sequer olhava para a moça tagarela.

– Não agradeça parecendo que veio de um enterro! – retorquiu ela, com as mãos na cintura, fingindo irritação. Billy não tinha paciência para o joguinho daqueles malucos. Apenas a encarou, seus olhos castanhos escuros mergulhando nos dela, mostrando o quanto estava vazio de emoções em relação a ela.

Naquela tarde, após muito caminharem e depois das devidas apresentações, Billy apenas dissera que estava sozinho, vagando a esmo, tentando chegar ao Alabama, seu estado natal. O grupo, entretanto, convidou-o para uma ideia diferente... Que agora Billy Ray parecia refletir a respeito.

Moritz, o homem de meia idade, mostrara-lhe um folheto impresso, contendo as informações:

“JUNTE-SE AO NOSSO EXÉRCITO.

NA BATALHA CONTRA OS MORTOS-VIVOS, QUANTO MAIS RECRUTAS, MAIS FORTES SOMOS.

GARANTIMOS ABRIGO, COMIDA, MUNIÇÃO, ARMAMENTOS E TREINAMENTO.

WYOMING COUNTY, WEST VIRGINIA”

Abaixo dos estranhos dizeres em caixa alta, um símbolo em japonês fora desenhado. Tejas chegara até a perguntar para Billy se ele saberia reconhecer o que era aquilo, mas o sulista do Alabama não compreendera.

O fato era que aquele papel fora impresso em uma impressora conectada a algum computador. E depois do caos da infecção dos carniceiros, pois, curiosamente, não parecia velho. Era um papel recentemente impresso. Que haviam encontrado horas antes de achar Billy Ray, no bolso de um cadáver ambulante com roupas do exército.

Seria algum tipo de guarnição do exército que sobrevivera? Algo restante das Forças Armadas? Um novo exército, inventado neste novo mundo?

As possibilidades eram infinitas, e os riscos também. Mas Billy Ray não tinha muita escolha, nem objetivos.

Afinal, não tinha ninguém para quem voltar.

– E aí, Caipirão! – soltou alto a mulher loira, mais uma vez, acordando-o de seus pensamentos. Billy olhou para ela, irritado pela coincidência que fora aquelas escolhas de palavras. Havia acabado de pensar em Mavelle Berry.

– Hoje, você pode escolher com quem dormir – ela convidou de forma lasciva. Billy arregalou os olhos, não imaginava que aquele grupo pudesse agir de forma mais controversa do que já agia.

– O quê...? – pôs-se a perguntar, mas foi interrompido.

– É brincadeira! – Becky riu alto, sentando-se entre Billy e o homem grisalho, enquanto Moritz lhe pediu algum silêncio.

Aquilo poderia atrair os errantes ao acampamento, rodeado por linhas amarradas às árvores com latas penduradas, para terem certeza se algo se aproximaria.

– Já passamos dessa fase, nós quatro – continuou, olhando para seu grupo. – Sabe, esse... Fim do mundo muda certos conceitos. Passamos um longo tempo sozinhos. Looongo mesmo. E soziiiinhos mesmo – falou ela, parecendo debochar.

– Hoje em dia Tej e Aya têm um relacionamento estável – comentou, enquanto a índia deitava a cabeça no colo do indiano, que acariciava seus cabelos negros, ainda olhando em silêncio para as chamas.

Billy olhou para os quatro, incrédulo. Que tipo de lunáticos eram?

– Ela tem dezessete anos. E ele tem trinta e cinco. Mas o mundo é outro, hoje em dia... – A mulher loira esgueirou-se na direção do idoso e deu-lhe um beijo sensual na bochecha. Moritz apenas sorriu e acariciou a nuca dela, ainda estudando o folheto do suposto exército. Becky voltou-se para Billy, sorrindo outra vez.

– Em outra época, nós quatro dormimos juntos. Quer dizer, somos heterossexuais, mas trocamos de casais – afirmou a mulher loira, sorrindo. – Hoje em dia dois da gente são compromissados, então eu e meu velhinho buscamos consolo um no outro quando estamos carentes. – Deu uma piscadela para Moritz, que apenas lhe sorriu de volta, seus olhos atentos ao papel.

Onde eu fui amarrar minha égua... Pensou Billy Ray, atarantado.

– Se você estiver a fim, posso dormir junto com você hoje. – Apontou ela para o galho de uma árvore. – Lá em cima. – Sorriu com devassidão.

Billy apenas piscou os olhos, tentando entender que loucura era aquela. Mas, no momento em que tentava raciocinar toda aquela falta de nexo, literalmente todas as linhas amarradas passaram a tremer, as latas tilintando agudas.

Da escuridão, inúmeros carniceiros se aproximaram, seus braços apontando para os vivos, tentando com garras e dentes devorar sua carne macia. Billy arregalou ainda mais seus orbes escuros, e teve a impressão de que todos os carniceiros que perigosamente cercavam o grupo tinham uma marca estranha na testa...

...Algo que o lembrava da forma de um “W”.

Notas finais
~ Gif: os quatro circenses e o confuso Billy Ray! Ou os quatro bizarros e um aleatório... Hehehehe! Não julgue alguém pela primeira impressão, você dificilmente vai acertar em uma tacada. Nem tudo é o que parece de cara, e tenham certeza, leitores, esse é o caso desses quatro excêntricos. Que ainda aparecerão muuuito nessa fanfic! ~ Aguardo reviews!