Hunter's Instinct
24 Episódio 24 - Like a Rolling Stone
Notas iniciais
Princess on the steeple and all the pretty people
They're all drinkin', thinkin' that they got it made
Exchangin' all precious gifts, but you better take a diamond ring
You better pawn it, babe!
You used to be so amused
At napoleon in rags and the language that he used
Go to him now, he calls you, you can't refuse
When you ain't got nothing you got nothing to lose
You're invisible now, you got no secrets to conceal
How does it feel?
How does it feel?
To be on your own?
With no direction home?
Like a complete unknown?
Like a rolling stone?
Bob Dylan – Like a Rolling Stone
O sol vespertino de uma tarde silenciosa e mortiça mal iluminava as estradas ultrapassadas pelos pneus já gastos e sujos de terra do carro com sua pintura escura. Esta, ainda mais enegrecida pelo desgaste de percorrer tantos quilômetros seguidos.
Três mulheres dentro do veículo forçavam as vistas para enxergar simultaneamente uma placa ao lado de terras abandonadas, o mato alto crescendo acima do material metálico que mantinha a placa pendurada. Esta dizia, manchada por fuligem, musgo e sujeiras trazidas pelo vento: Bem-vindo a Richmond, Virginia.
Capital do estado da Virginia, Richmond é uma cidade de pequena extensão, tendo meros 160 quilômetros de território, basicamente, e uma população somente mediana...
...Antes de todo aquele horror começar.
– Então finalmente chegamos – Annie Guinness, sentada no banco do carona ao lado de sua neta, Mavelle Berry, que dirigia o veículo, comentou. Sua voz soou tão baixa e sorumbática quanto à paisagem completamente solitária e desgastada que se aproximavam.
Encarando o retrovisor, Mavelle buscou o rosto de Peggy, que olhava pela janela a sua direita, no banco de trás do automóvel, ao passo que movia seu rosto para acompanhar a placa que já haviam ultrapassado.
Era bom ver que ela não mais chorava.
Passaram cerca de vinte e um dias viajando desde que o Aquário da Georgia havia caído no colapso da disputa política entre Rick Grimes e Jed Freeman. Mavie, quieta, ensimesmada e introvertida, algo que jamais fora de seu costume, ocupara-se por todo esse tempo da viagem dirigindo, caçando e mantendo a segurança de sua avó e da adolescente que agora se sentia responsável por proteger.
Peggy passara dias chorando sem intervalos. Ao invés de fazê-lo em algum tipo de comportamento histérico, a garota apenas derramava lágrimas silenciosas, tão silenciosas que apenas um exame cuidadoso de seu rosto poderia demonstrar que ela de fato estava em prantos.
Lágrimas lentas, dolorosas, que pareciam nascer em seus olhos como uma fonte infinita de tristeza. Ainda assim, a menina se esforçava o melhor que podia na única atividade que aprendera a fazer bem, tão bem que chegara a surpreender Mavelle: matar mortos-vivos. Era assim que a garota descontava sua agressividade contida, o único momento em que ela permitia exalar alguma vivacidade, para eliminar de sua frente o símbolo de tudo que a levara a perder os irmãos, o pai, o padrasto e, por fim, sua mãe, em um intervalo de tempo muito curto.
Era impressionante que uma menina tão nova e aparentemente tão frágil ainda conseguisse manter algum vestígio de sanidade.
Annie, sempre solícita para com sua neta, também tentava o seu melhor sempre, cuidando das feridas que as três sofreram por conta da viagem exaustiva, machucados feitos durante fugas, acidentes e situações inusitadas ao longo da estrada. Sempre que conseguia, cozinhava no lugar de Mavie para as três, o que deixava a jovem irlandesa irrequieta.
Inventar tarefas para cumprir, extenuando seu corpo e mente ao máximo, era a melhor forma de esquecer tudo o que vivenciara, e, ao menos, impedir-se de vivenciar novamente aquela experiência horrenda e caótica mais uma vez em sua mente. Mavie era a líder das três. A caçadora. A patrulheira. A sniper. A motorista. Toda e qualquer posição que pudesse ser inventada para alguma utilidade do grupo saía de sua mente, incansável na tarefa de esquecer-se de si mesma.
E de tudo o que passara.
Não lembre. Olhos na estrada. Mavie falou para si mesma, como se quisesse convencer-se de que tinha pleno controle de suas emoções.
Mas, mais uma vez, por consecutivas vezes seguidas... Fora inevitável.
Dentro dos pensamentos de Mavie, vieram as imagens de memórias dos quase dois anos que vivera dentro do Oceanário de Atlanta.
Ela e sua avó descobrindo a localidade, sendo recepcionadas por Jed, Billy Ray, Haywood e sua esposa que depois faleceria, dois dos filhos do Jed que também morreriam mais tarde, inclusive o pai de Roger. Além deles, havia Buck, e um rapaz adolescente que faleceria em combate com carniceiros, o pequeno neto de Jed e uma idosa que fora amiga de Annie, chamada Violet, paciente de câncer terminal, que morrera pouco depois de seu corpo e mente se renderem à demência produzida pelo tumor em seu cérebro.
Tantos se foram, tantos se perderam ao longo do caminho...
A fisionomia no rosto de Billy Ray se produziu na mente de Mavelle. Seus olhos escuros sempre mostrando um brilho de solidariedade e companheirismo. Aquele que um dia fora seu amigo de todas as horas, e que enlouquecera depois...
...Depois que ela passara a se envolver com Daryl Dixon, um dos novatos do grupo de Rick Grimes.
Clara como água translúcida, a cena na floresta nacional de Nantahala se desenhou como que diante dos olhos da garota morena, como se a visse ocorrendo bem a sua frente, apesar de corresponderem apenas a recordações passadas... E dolorosas.
O primeiro encontro com Rosita, Carol... E Daryl. O colete com asas de anjo. A flecha.
Depois, o “resgate”. Rick, Abraham, Tara. Todos os outros na manhã seguinte. O dia a dia. As caçadas. Daryl salvara sua vida na primeira missão de caça, o teste que o grupo da Georgia havia sido impelido por Jed a montar para saber se o caçador arqueiro valeria a pena ou não.
Ele salvara a vida de Mavie naquele dia. A primeira vez que fizera isso. Ela viria a salvá-lo também depois.
Será que desde o começo tudo não passara de uma pequena parte de um plano maior? Não eram todos eles, afinal, marionetes cada um de seus respectivos líderes? Mavie e os outros, as peças de Jed. Daryl e seu grupo, comandados pelas vontades de Carol e Rick.
Ou seria ele também um dos mandantes? Junto a Glenn, Maggie e Michonne?
A fina ironia de tudo o que acontecera é que, desde o início, não faltaram mentiras, intrigas e omissões... De cada um dos lados da história.
A noite no tanque que uma vez fora das belugas. Uma discussão, e Mavie se feriu acidentalmente. Daryl cuidara de sua mão. Aquilo fora um gesto real ou mais uma das muitas mentiras?
Ela devolvera sua flecha. Muitas provocações vieram depois. O jogo de sedução. A súbita e surpreendente conexão e semelhança impensada entre eles. Os ciúmes e possessividade doentios de Billy cada vez mais fora de controle. Confiar ou não confiar?
E o momento definitivo se dera, enfim, em meio aos trevos de três folhas que cresciam a beira de um rio correndo nas fronteiras do estado da Georgia. Aquilo parecera tão real. Ela lembrava de cada detalhe do olhar intenso daquele homem, e compreendera, em seu íntimo, como algo tão honesto... Visceral.
Tão diferente de Jeffrey.
Para, no fim das contas... Acabar se mostrando uma reprodução do mesmo.
Mais uma traição. E esta, se não lhe custou à vida, parecia ter levado consigo o pouco de esperança que Mavie ainda nutria.
Algo dentro de si se apagara, e ela não saberia se voltaria a acender novamente. Seu espírito sempre inquieto, questionador e desbravador dera lugar a um silêncio lúgubre, um entorpecimento mental e ao pleno instinto ativo de sobrevivência.
Ela evitava, a todo custo, pensar. Lembrar. Agir era suficiente. Focar apenas no dia. O que tinha de fazer. O que tinha de fazer para não parar de fazer. Para não parar de agir.
Fingia que suas motivações para tanto eram somente a proteção de Annie e de Peggy. Mas não era bem assim. Não era por isso que não parava de agir.
Agir não doía.
– Pare aqui! – Peggy falou, sua voz uma centelha aguda. Rascante, soara como se a garota mal tivesse cordas vocais para utilizar, ainda.
Mal conversaram durante este tempo que passou. Nada além do estritamente necessário para sobreviverem e conseguirem seguir rumo a Richmond. Conversar as levava a pensar. A lembrar. E lembrar era muito, muito doloroso.
– Acho uma boa ideia – Annie concordou, mantendo o tom baixo, porém decidido. – Mal temos combustível para continuar – ela acresceu, direta. – Peggy, já olhou as fotos outra vez? – perguntou a idosa.
Peggy concordou meneando a cabeça e se aproximando dos bancos da frente. Mostrou a Annie e a Mavie a fotografia idêntica a paisagem que viam. Aqueles muros altos certamente pertenciam a Shirewilt Estates, a comunidade onde vivia a família de Noah. Um portão elevado se fazia visível em meio a murada de cor terrosa, e Mavelle respirou fundo, apertando o volante com seus dedos pálidos.
– Vou parar e dar uma olhada rápida. Vocês esperam aqui. Eu aviso se estiver seguro para saírem – falou a garota irlandesa, em tom de ordem. Peggy passou a ela seu arco, antes no banco de trás, e a garota de dentes grandes colocou a aljava nas costas, enquanto se preparava para sair.
Nenhum sinal de carniceiros por perto. A experiência que tivera com locais completamente abandonados do gênero só ensinara algo a Mavie: aquilo poderia ser muito bom... Ou muito ruim.
Assim que destravou as portas, porém, algo a surpreendeu.
Peggy a enganara.
Ao sinal do clique que indicava a liberação das travas, a adolescente abriu a porta mais próxima e desatou em uma corrida desabalada, retirando a pistola negra que tinha do bolso frontal de sua calça jeans, muito mais ligeira do que Mavelle já a vira antes, levando em consideração até os combates que tivera com mortos-vivos.
Rangendo os dentes pela súbita ação inconsequente da garota adolescente, Mavie controlou a própria frustração raivosa e correu o mais rápido que poderia no rastro da menina, que, na vantagem pela surpresa, já se lançava para cima dos altos muros da comunidade em Richmond.
A garota de dentes salientes podia ouvir o som de mais uma porta se abrindo, sabendo que sua avó decidira também seguir as duas. Natural. Não havia mais nada a ser feito agora.
Só podiam esperar que estivessem de fato sozinhas, ou, ao menos... Não fossem recepcionadas por más companhias.
Mavelle não podia gritar, ou corria o risco de atrair atenção indesejada. Assim, olhou para trás, aguardando a aproximação segura de sua avó, e seguiu com ela o mais rápido que pôde no encalço de Peggy.
Mavie se lançou para cima do muro em volta da comunidade, e, com cuidado, puxou sua avó de forma que a idosa pudesse seguramente atravessá-lo sem se machucar. Assim que atravessaram a fronteira para Shirewilt Estates, porém... O previsível se fez real.
Destruição.
Era a única e precisa palavra que definia aquele lugar.
Casas despedaças, quebradas, saqueadas e incineradas mostravam que o local fora palco alguma vez de algum tipo de invasão avassaladora ou até mesmo de alguma disputa interna que veio a tomar tamanhas proporções. Algo semelhante com o que acontecera com o Aquário, porém, estranhamente, o lugar não parecia habitado por carniceiros.
O cheiro de carne e grama queimada ainda empesteava o ar, mostrando que aquilo não fora feito de fato há muito tempo. O senso de perigo de Mavelle ficava cada vez mais atento e receoso daquele lugar, dando-lhe um estranho pressentimento de que ficar ali não era seguro. Muito além do fato de ser um ambiente insalubre, destroçado e nada convidativo no sentido das aparências daquela comunidade, aquele lugar lhe gritava “vá embora” porque quem fizera aquilo não estava muito longe, uma vez que as queimadas eram claramente recentes...
...E, se não estavam distantes, poderiam querer retornar.
A um vislumbre rápido de seus olhos de caçadora, Mavie viu Peggy escondida atrás de uma árvore, encarando assustada aquela paisagem de depredação. Seus olhos grandes e castanhos estavam arregalados em uma expressão de temor, mas ela percebia a centelha de determinação nos orbes daquela menina. Ela não desistiria enquanto não encontrasse a família de Noah.
Fora por isso que foram parar lá, afinal de contas.
Depois de Atlanta, temendo reencontrar o grupo de Rick Grimes caso viajassem pelas rodovias principais, as três mulheres vagaram pelo extremo leste americano, passando por estradas desconhecidas, de terra e mal pavimentadas, indo pelas cidades de Augusta, Wilmington, Greenville, Norfolko, Newport News até enfim pararem em Richmond, onde nutriram as poucas esperanças de poder viver em uma nova comunidade, onde ainda poderia residir a família do rapaz antes tão querido por Peggy.
E talvez aquilo tudo lhes servisse para apenas um propósito: provar que de fato não havia mais lugar para voltar. Não havia mais casa. Nenhum lar.
Seu lar era a estrada, a labuta diária a luta pela sobrevivência, e os dias contados lentos, entre cadáveres ambulantes mortos por suas mãos e o desafio de fechar os olhos e conseguir acordar, inteiras, sãs e salvas.
Se é que elas ainda poderiam se considerar salvas... Quando no mundo em que viviam só restara a penúria e a solidão. Ainda que juntas, estavam sozinhas, em uma existência incoerente como o fato dos mortos andarem e comerem a carne dos vivos.
– Peggy, vem cá – Mavie falou, sua voz soando lenta, pausada, dolorosa. Estendeu a mão na direção da menina, que pareceu receosa de se aproximar. – Não vou brigar com você. Só não saia correndo sem aviso outra vez – ela pediu, a mão ainda estendida. A adolescente olhou para sua mão e para o rosto da irlandesa mais nova, como se refletindo se deveria ou não ir até ela. – Vamos procurar a casa da família de Noah juntas – garantiu Mavelle Berry.
Peggy saiu de trás da árvore e foi até a avó e neta. O trio circundou as casas da comunidade da família de Noah, que um dia fora esverdeada, próxima a uma ampla floresta ou reserva natural, contida no mapa que Peggy encontrara junto aos antigos pertences do rapaz que era tão próximo de si. Seguiram juntas até alcançar a residência em questão, consultando as fotos que a adolescente guardara, enfim reconhecendo a moradia da família do jovem.
A adolescente deu um rápido olhar para Mavie, que correspondeu. Na mesma posição de combate que as três adotavam, uma dando cobertura a outra, a idosa, a jovem mulher e a adolescente adentraram a casa, sem sequer bater, compreendendo que não havia necessidade pelo estado lastimável da comunidade em questão.
No andar de baixo, não aferiram ruído algum. Porém, tiveram logo de início uma visão tão triste quanto repugnante.
O corpo da mulher que uma vez fora a mãe de Noah estava estirado no chão, repleto de manchas de sangue, cortado em alguns pontos e chamuscado em outros. Suas roupas empapadas pelo líquido que secara tinham o forte cheiro de carne pútrida de toda a pele dela, e em seus cabelos escuros elas puderam ver um buraco enorme feito por alguma arma humana... Provavelmente um tiro e facadas dadas de muito perto.
Se fosse para apenas executar a mulher, somente um tiro seria suficiente. Por qual razão teria o responsável por aquilo atacado aquela parte da cabeça da mãe do rapaz inúmeras vezes com uma lâmina, abrindo aquele rombo grotesco sem constrangimento algum com a violação que era à integridade do corpo dela?
Mavie só podia pensar em razões doentias... Alguma patologia sádica, alguma loucura por sangue que levaria aquele tipo de atitude cruel... Algo muito mais danoso do que o perigo dos dentes e garras dos mortos-vivos: a maldade humana em sua racionalidade total.
– Aqui não é seguro – Annie falou, sussurrando. A jovem irlandesa percebeu que a avó disfarçava, mas estava muito nervosa.
– Não – Peggy disse, sua voz um fiapo de som, sequer demonstrando emoção. Até mesmo expressar sua tristeza já se tornara algo cansativo demais para ela, exaurida ao limite de todas as suas forças, físicas e psicológicas.
A garota pôs-se a subir, sem cautela alguma, mais uma vez abandonando a posição estratégica de ataque, as escadas que haviam à esquerda da sala. Pelo visto, sabia que os quartos ficavam lá em cima. Devia estar em busca dos irmãos de Noah.
Mavelle e Annie seguiram no encalço da garota adolescente o mais rápido que puderam. Movida por algo além do instinto de sobrevivência, a menina estava muito mais ágil que a avó e sua neta, pois aquilo era a última coisa que restava a ela... A última esperança de Peggy.
Que foi dilacerada em mil pedaços à sua frente, quando um dos irmãos gêmeos de Noah veio correndo em sua direção, com parte da carne de seu outro irmão escorrendo de seus dentes arreganhados.
Peggy soltou algum tipo de som esganiçado que lembrava um animal abatido. Sequer conseguiu reagir quando o morto-vivo quase fechou as mãos em um de seus braços, prestes a puxá-lo para si e abocanhá-lo.
A flecha de Mavie voou pelo último degrau da escada até o meio dos olhos do carniceiro, derrubando-o para trás no mesmo instante. Peggy tinha os lábios trêmulos, o queixo pendente como se não conseguisse recolocá-lo no lugar.
Annie e Mavelle conferiram o segundo andar da casa, encontrando o cadáver de um dos dois irmãos gêmeos de Noah parcialmente devorado, as vísceras para fora, engolidas em um frenesi alimentício por um de seus irmãos transformados em morto-vivo. O garoto tinha o mesmo ferimento em sua cabeça que sua mãe, e Annie cobriu seu corpo morto com um cobertor com estampa da saga “Star Wars”, escondendo a figura deprimente e repelente de seu cadáver.
– Estou muito cansada. Muito cansada – balbuciou Peggy, entrando no quarto que sabia ser de Noah, em razão das fotografias que tinha. A garota sentou-se aos pés da cama dele, e escondeu seu rosto entre os joelhos, que passara a abraçar. Seus cabelos castanhos e ondulados cobriram seu rosto, suas mãos e boa parte de seus braços, e ela parecia ter se fechado em volta de algum tipo de “casca” de dor, entregue ao seu sofrimento interno, fugindo da realidade em volta.
Mavie entrou em seguida, olhando pela janela, e viu, em um muro bastante abaixo da residência da família de Noah, algo pichado com os dizeres: “Wolves não estão longe”.
Um calafrio gelou sua espinha, e ela sabia que aquilo era um sinal de mau agouro.

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