Hunter's Instinct

21 Episódio 21 - Shamrock


Notas iniciais
Oiê meninos e meninas queridos de meu coração! Como eu havia falado, segue agora OUTRO capítulo no mesmo dia! Peço que, por gentileza, comentem em ambos, por favor. Atualizar com regularidade é difícil, ainda mais atualizar com DOIS capítulos no mesmo dia é mais raro ainda! Por favor, deixem a Mentinha feliz com reviews em cada um dos capítulos de hoje. :3 Dedico este capítulo a TODOS os leitores que são fãs da Esquila e do Cupido, e do time imbatível que eles formam. Pois nesse, finalmente, acontecerá o que todos estão esperando. Dito isso, beijos e boa leitura!

Depois de algum tempo, por volta das sete e muitos minutos da noite, Daryl e Mavie decidiram beber na varanda que havia no último andar do hotel Floyd, onde funcionava antes um restaurante.

Haviam mesas do lado de fora para tanto, e ambos se sentaram em cadeiras uma ao lado da outra, separada por uma mesinha com toalha de renda e aquelas frescuras de gente rica que Daryl desprezava. Tinham a vista do rio a frente deles, por trás das madeiras da bancada da varanda. O curso de água corria ligeiro, cheio em função da chuva que continuava a cair, firme.

– Ainda bem que essa roupa já secou – Mavie comentou, aliviada, abrindo a primeira lata de heineken e movendo-a para brindar com Daryl, que grosseiramente já havia bebido um gole sem o gesto educado. – Você reparou que em todos os chalés o encanamento está funcionando? Só aqui dentro que não. Achei um com uma mala com roupas do meu tamanho, inclusive – relatou, animada.

Daryl não respondeu, e continuou a beber, contemplativo. Pegou um cigarro e passou a fumar, algo que muito combinava com uma bebida alcóolica. Mavie, pidona, não hesitou em solicitar um cigarro dele. Fumando e bebendo, ambos deixaram a comida para depois, por um tempo.

– Sabe... Eu vi lá embaixo, perto da grama em volta dos casebres, uns trevos de três folhas. Muitos! – Mavelle contou, ainda alegre. A jovialidade e a sinceridade daquela menina eram características que sempre geravam em Daryl admiração. – Você sabe o que eles significam, não? – ela perguntou.

– Plantas – Dixon grunhiu de volta.

Mavie riu abertamente, enquanto a chuva caía. Daryl viu seu olhar ser movido inevitavelmente para o rosto dela. Sorrindo, ela continuou.

– Não só isso, bobo – a garota morena falou com charme. – Os trevos de três folhas são um dos símbolos da Irlanda. Além da harpa da cerveja Guinness, claro, que é o símbolo oficial. Os trevos se chamam "shamrock", a propósito – ela disse. Terminados os cigarros, ambos começaram a comer.

– Só sei que dizem que essas porras dão sorte – retrucou Daryl, fingindo desinteresse e comendo vorazmente alguns pedaços de salame de uma vez.

– É o que se acredita – a dentuça confirmou. – Além disso, supostamente têm propriedades mágicas... Os leprechauns se escondem neles – brincou a garota. – São os duendes do folclore irlandês.

– Um país que tem folclore sobre duendes, que o símbolo de uma cerveja é o símbolo nacional... Realmente não me parece um lugar muito normal. Considerando que é onde você nasceu, tenho certeza de que não é um lugar normal – debochou o caipira.

– Com certeza não é um lugar "normal"! A Irlanda é maravilhosa – certificou Mavie, olhando para a chuva. – A única coisa que eu não gostava tanto de lá é que chovia quase 365 dias por ano... – disse ela, olhando para a irônica água plúmbea que caía longe da varanda.

– Mas você é mesmo sortuda – continuou Dixon, debochando, agora indo soltar uma piada amarga. – Neste mundo fodido, você e sua avó, duas irlandesas, sobreviveram até agora, inteiras. Se isso não é sorte... – ironizou o caçador.

– É, é mesmo. A conhecida "sorte dos irlandeses" – Mavelle falou, e agora parecia entristecida. Contemplava a chuva, em silêncio, e parou até de comer. Daryl pegou um punhado de amendoins e mastigou, continuando quieto.

– Como você veio parar aqui? Digo, como encontrou a Carol, Rosita, o Rick e tal? – Mavie perguntou, sua voz melancólica enquanto ainda olhava a água caindo por cima do rio.

– Vim de um acampamento nos arredores de Atlanta. Muita coisa aconteceu desde então – Dixon respondeu, sorumbático. O humor entre eles, antes mais desinibido, fora transformado em um clima de tristeza, lembrando-os de ressentimentos.

– Comigo também – ela disse no mesmo tom, forçando um sorriso. Aquilo moveu um pouco Daryl. Mavie era tão sorridente naturalmente, quando ela precisava forçar alguma emoção positiva é que algo realmente não ia bem.

– Por que veio para a América? – Dixon perguntou, tentando distrai-la.

– Só respondo se você me responder antes – Mavie retrucou, soltando um suspiro. Parecia tentada a forçar que se divertia, um pouco incomodada.

– Ok. – O caçador se rendeu, esticando as pernas para cima de uma cadeira vazia, de costas para a varanda. – Eu e meu irmão encontramos um acampamento em Atlanta que tinha três dos nossos agora: Carol, Glenn e Carl. Com o passar do tempo, Rick veio, tinha se perdido da família, reencontrou o filho e a mulher. Muitos morreram, nós cinco sobrevivemos, e fomos parar em uma fazenda. Lá conhecemos a Maggie... – Daryl subitamente lembrou-se de Beth, mas a face entristecida de Mavie facilmente o distraiu da lembrança.

– ...E alguns outros que se foram ao longo do tempo. Depois vivemos em uma prisão, Little Ass Kicker nasceu – Mavie sorriu para Daryl, adorava o apelido que ele inventara para Judith – e a Michonne veio, e Tyreese e Sasha, e saindo de lá nos perdemos para nos juntarmos de novo... Encontramos Rosita, Abraham e Eugene. Noah veio quando... Quando fomos resgatar Beth. Com muita merda fodida acontecendo para muita gente morrer e foi isso – o arqueiro esclareceu, tentando não se lembrar mais uma maldita vez dos acontecimentos no hospital.

– Essa garota parece ter sido muito importante para você – Mavie falou sobre Beth, com uma curiosa pontada de tristeza em sua voz, mas Daryl não queria entrar naquele assunto. Mavelle já fora quase como uma lembrança viva de Beth Greene para Dixon, mas, depois de algum tempo de convivência e com outros rumos se formando entre eles... Passou a encará-la de uma forma diferente.

– Para todos nós. Ela era da família – Daryl afirmou em tom de quem quer mudar de conversa, porém não sendo menos sincero por isso.

– O seu grupo realmente se cuida muito entre si. Acho isso muito bonito – Mavelle comentou com sua honestidade típica. – Sinto muito por ter perdido tantos de quem gostava. Inclusive seu irmão, sério, lamento muito mesmo – Mavie ofereceu seus pêsames, dando a Daryl um olhar compassivo que ele agradeceu internamente.

– O nome dele era Merle. Mais velho do que eu. Era um filho da puta – Daryl disse com carinho e saudades inegável, tentando disfarçá-los o melhor possível. – O filho da puta mais durão que eu já conheci – ele confessou.

– Que nome legal – Mavie disse, comendo um pouco de batata frita de saquinho, parecendo se animar um pouco. Já haviam bebido muitas cervejas, abrindo as latas da segunda caixa. – Vocês dois, aliás, têm nomes legais – ela comentou.

Daryl soltou outra risada seca, sem sorrir, meneando a cabeça em negativa, como se não acreditasse. Bebeu um gole longo de cerveja, para responder:

– Só você acha isso. Nomes de white trash – ele completou.

– Vocês americanos são muito malucos. Têm preconceito com tudo. Inclusive com seu povo do interior. – A arqueira levantou uma sobrancelha, bufando, e bebendo sua cerveja depois.

– Pelo menos não colocamos uma harpa de cerveja como símbolo do país – Daryl satirizou, sua voz ainda mais rouca pelo álcool. Era duro na queda, e não ficaria bêbado com cerveja, só se bebesse umas trinta latas. Mas já começava a ficar um pouco alto. Não teve como não ficar admirado com a resistência alcóolica de Mavelle, porém. Não eram muitos que conseguiam acompanhá-lo na bebida. E ela nem sequer estava falando enrolado.

– Se bebessem mais, seriam mais felizes. Que nem você, que 'tá enchendo a cara e finalmente aprendeu a conversar! – troçou a irlandesa, rindo, debochando da dificuldade que Daryl tinha em ser socialmente habilidoso.

– Na verdade o seu nome também é caipira 'pra porra – Dixon continuou a troça. – "Mavelle" – ele falou, olhando para a chuva e novamente para o rosto de Mavie, que agora comprimia os olhos, pronta para a provocação. – Parece "Maybelle", nome da minha tia velha – o caipira provocou.

– Mavelle significa "passarinho cantor", seu gouger* ignorante – ela replicou. – Foi minha avó quem escolheu – Mavie contou, e Dixon mais uma vez reparou em como Annie e sua neta eram próximas.

– E você? – Daryl voltou ao assunto. – Por que veio parar aqui?

– Por idiotice – Mavelle respondeu, baixando os olhos para a cerveja, contornando a abertura da lata com o indicador da mão direita. – Porque eu estava grávida. E queria ter meu bebê junto ao pai. Mas não foi isso o que aconteceu – a irlandesa confessou, e Daryl ficou tão chocado que derramou cerveja em cima de si mesmo.

Mavie deu um sorriso amarelo. – Não tinha nem um mês de gravidez quando perdi o bebê. E o pai dele se foi logo depois – Mavelle esclareceu.

– Minha avó veio para cá comigo, porque meu pai, prefeito de Galway, cidadão influente, tinha vergonha de ter uma filha de 21 anos recém feitos grávida de um turista que mal conhecia. Minha avó quis me dar apoio. Eu contei para ele da gravidez, e ele me deserdou. Falou para eu ter o meu filho bastardo bem longe da casa dele. Ele me desprezava. Sempre me desprezou, aliás.

– Queria ter tido um filho homem, um advogado, um médico, um político, não uma filha desorientada que canta em pubs e estuda literatura na faculdade. E minha mãe era só uma marionete dele, acatava sua palavra como se fossem leis. – Mavie soltou mais um suspiro, e agora seus olhos revelavam rancor.

Daryl ficou em silêncio, mas logo se manifestou.

– Eu também sinto muito. – Dixon jamais imaginaria que Mavelle poderia ter um passado conturbado. Ela o olhou com um sorriso sem mostrar os dentes, forçadamente simpático. Daryl ficara ainda mais mexido sabendo do passado imprevisível de Mavie, do que só lembrando suas próprias difíceis memórias.

– Com esse chá de climão, acho que é hora do whiskey, então – Mavie brincou, botando de lado a cerveja para procurar algo mais forte. Abriu a garrafa e bebeu um gole no gargalo, saboreando a bebida.

Daryl continuou sério.

– Você não precisa se esforçar tanto, você sabe – Daryl Dixon aconselhou.

– Eu não estou me esforçando, senhor Dixon. Isso é o que eu sou. É assim que eu sei reagir – retrucou ela, tentando encontrar alegria depois de um momento de confissão tão pesada. Bebeu mais um gole, e Daryl decidiu pegar a garrafa ele mesmo.

– Não conhece ressaca não, Esquila? – Dixon falou, levemente surpreso. – Do jeito que você está bebendo, não vai aguentar nem abrir os olhos amanhã.

– Lá na Irlanda, meus amigos católicos diziam que eu era Salmo 91: "Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas tu continuarás de pé" – replicou ela, olhando para Dixon com olhos desafiadores.

Daryl soltou mais uma risada seca, dessa vez quase torcendo os lábios em um sorriso.

– De onde você tira essas... – Dixon comentou. – ...Meu irmão gostaria de você – falou o arqueiro, lembrando de que algo que não faltava a Merle era senso de humor e uma língua afiada. Além do gosto por bebida, cigarros e outras drogas, claro.

– Eu provavelmente gostaria dele também – Mavie respondeu, dando a Daryl agora um sorriso legítimo. Ambos se encararam por algum tempo, tempo um tanto longo demais para ser... Comum.

Acho que já foi o suficiente.

– Bem, eu vou dormir – Daryl cortou a conversa, se levantando, e olhou o relógio de pulso da irlandesa. – É melhor dormir cedo para acordar cedo amanhã – deu o conselho.

– Nããão! – pediu ela em uma voz infantil. – A conversa estava legaaal! – Mavie insistiu, franzindo as sobrancelhas e fazendo uma careta ridiculamente meiga.

– Já falei o suficiente para uma vida inteira, você não cala a porra da boca – retrucou Dixon, um tanto honesto. Mavie Berry sorriu de volta, tentando puxá-lo pela camisa para ficar mais um pouco, quando a contornou. Daryl reagiu de imediato, sensível como era a contato físico, e foi ríspido evitando as mãos dela. Estava alto de bebida, e se desse espaço para Mavelle, sabia muito bem aonde aquilo iria parar.

– Vê se para de comer também, já engoliu metade do salame – repreendeu o arqueiro. Mavie, assim que ouviu a frase, fez uma expressão completamente lasciva e debochada, e Daryl já imaginava o que viria. Não esperaria para ver ou ouvir, ou iria querer provar.

– Não é só salame que eu sei engo... – Mavelle iria fazer a piada vulgar, mas Daryl logo tirou das mãos dela a garrafa de whiskey, colocando-a de qualquer jeito em cima da mesa, e puxou a irlandesa pela cintura, ajeitando-a em seus ombros como se fosse um saco de batatas. Em seguida, com a outra mão, pegou o arco da garota, que estava em outra mesa próxima.

What the feck? – Mavie protestava, jogada no ombro livre de Daryl, enquanto o outro ombro dele portava sua balestra. Reclamou durante o caminho inteiro até um casebre na beira do rio, o arqueiro andando rapidamente para evitar tomar mais chuva do que o necessário.

Mavelle estava bem, talvez alta apenas, e seria bom deixá-la um pouco sozinha. Ela sempre se escondia por trás de suas piadas e senso de humor supostamente inabalável, como era típico do irmão mais velho de Daryl, Merle, fazer. Estava habituado com esse tipo de defesa. Talvez ela precisasse de um tempo a sós.

Daryl entrou em um outro casebre vizinho ao de Mavie, depois de deixar uma inconformada menina irlandesa xingando-o em expressões desconhecidas, aconselhando-a a ir tomar um banho e dormir. Aqueles "casebres" eram chalés, na verdade, com um quarto e banheiro apenas. Dixon colocou a cômoda que ali havia na frente da porta, assim como alguns outros móveis. Se algo tentasse entrar ali, ele saberia.

O arqueiro deitou na cama de casal que ali havia, colocando a balestra no chão ao seu lado. Deitou-se em um lado, olhando a chuva cair pela janela que mostrava um pouco do rio e da floresta em volta.

Finalmente, pensou outra vez no que Rick estaria achando daquela demora, algo que ficou repetindo-se em sua cabeça antes de começar a beber e ser distraído por Mavie. Será que algo terrível acontecera no Oceanário? Será que Grimes acharia que ele fora vítima de alguma manobra de Jed? Sem escolha a não ser passar a noite ali, Daryl se sentia preso naquelas perguntas sem respostas, angustiado, tentando achar uma solução para uma situação impossível de se resolver.

Passou muito tempo pensando naquilo, sem conseguir evitar. Até que, surpreso, ouviu batidas leves em sua porta.

Preocupado que algo pudesse ter acontecido com Mavie ou vir a acontecer, o homem se levantou na hora, aproximando-se da janela de forma furtiva. Escondido nas sombras do quarto, olhou pela vidraça e viu, aliviado, que se tratava da Esquila querendo testar sua já pouca paciência.

Daryl empurrou os móveis e abriu a porta para Mavelle entrar, recolocando-os no lugar logo em seguida com a ajuda dela. Ela tinha os cabelos ainda úmidos, pelo visto tomara banho, e usava roupas novas. Exalava um cheiro irritantemente agradável de frescor, algo doce, frutado, um cheiro muito feminino, que trazia ideias impróprias ao imaginário de Dixon. Ela guardou o arco e a aljava de flechas ao lado da balestra de Dixon, assim como sua mochila.

– Que porra você quer? – perguntou Daryl, irritado.

– Posso dormir aqui com você? – Mavie pediu, no auge de seu descaramento, com o rosto limpo e inocente como de uma criança que solicita amparo. Não sorria, apenas exibia um olhar ingênuo e suplicante.

Sem saber como reagir, apenas encarou a garota. Era isso mesmo que ele tinha entendido? Mavie não era muito normal, como poderia saber...

No segundo seguinte, sem esperar resposta, a garota irlandesa se deitou no lado que Daryl não havia usado, de bruços, fechando os olhos, depois de tirar as botas de caça. Dixon passou algum tempo imóvel, tentando compreender aquela situação, mas no fim de tudo desistiu. Estava alto de cerveja e whiskey, e não tinha mais paciência para tudo aquilo.

Resolveu ele mesmo se deitar, sabendo que não havia distância segura possível ali.

Aconchegou-se no mesmo lado que deitara, colocando os braços por trás da cabeça em cima do travesseiro. Sequer tirara os sapatos. Tentou fechar os olhos, mas aquilo só o deixava mais inquieto. Esfregou o rosto com as mãos, desistindo de fato, enfim.

E, finalmente, pôs-se a fazer o que há muito queria. O que há muito ambos naquela chácara queriam, e Mavie tivera a iniciativa de provocar.

Daryl, munido novamente daquela sensação que não sentia há anos, despertada mais uma vez durante sua estadia no Aquário da Georgia, sabia que pouco a pouco algo dentro de si acordava. Portanto, voltou-se para encarar o que havia ao seu lado.

Deitada de costas para ele, o arqueiro viu os contornos do corpo mignon de Mavelle Berry, sua cintura fina, a curva bonita e marcada que havia entre seus ombros, sua cintura e seu quadril.

Sem poder resistir, teve de colocar sua mão acima do tecido da blusa que ela usava, na cintura que contemplava. Mavie fez um pequeno estremecimento na hora que sentiu o toque, mas não se manifestou.

A roupa estava levemente molhada pela chuva, mas ela não parecia com frio, o que o caçador atestou assim que passou seus dedos por baixo daquele tecido, sentindo a pele sempre quente dela se aquecer ainda mais, em brasas por conta de seu toque.

Mavelle voltou-se para ele, fazendo com que a mão de Daryl percorresse sua barriga na altura do umbigo, e mais uma vez se alojasse no outro lado de sua cintura. Ela moveu suas mãos que antes estavam na altura de seu rosto para o rosto dele, piscando longamente para o caçador. Acariciou-o de leve em sua bochecha e barba rala, encarando-o por todo o tempo.

– Pare de pensar – Mavie falou, não mais parecendo uma criança que suplica, mas sim uma mulher. Daryl olhou para seus dentes enquanto ela falava, cada vez mais apreciando seu jeito saliente e charmoso de serem, voltando os olhos outra vez para o olhar de avelã esverdeado dela.

Com aquelas palavras, sentia-se cada vez mais impelido ao que desejava. Não via mais uma garota irritante e prepotente. Mavie era uma mulher. Uma mulher linda, que claramente queria o mesmo que ele.

Sentindo-se como que hipnotizado, Dixon respondeu com a voz muito rouca, completamente distraído pelos encantos de Mavelle.

– Não quero pensar, Esquila – debochou uma última vez, antes de puxá-la para si com todo o vigor e vontade febril que a irlandesa o despertava. Daryl não sabia ser gentil, e não queria sê-lo, muito menos naquele momento.

Unidos em um mesmo ritmo, ambos se beijaram com avidez, os lábios colando-se como se precisassem um do outro, como se aquilo também fosse crucial para sobreviverem, para viverem. Entrelaçando seus corpos, Dixon beijava Mavelle enquanto colocava-se acima dela, dominando seu corpo da forma como ele sabia que, agora, não havia nada que pudesse impedi-lo. Arrastou os pulsos dela para cima, forçando-a a elevar os braços no travesseiro, encostando-os no espaldar da cama.

Respirando em um ritmo acelerado, enquanto travava as pernas de Mavelle abaixo de si com os joelhos, Daryl puxou a blusa de Mavie para cima, libertando-a daquele tecido, enquanto ela mesma tentava mover os braços para baixo, ajudando-o a retirar o próprio cinto. Ele empurrou os braços da irlandesa para o lado, quase com violência, enquanto abria os botões da calça que ela usava, levantando sem dificuldades o quadril dela para tirar aquela peça de roupa.

Assim que Mavie jogou para o chão outra peça de roupa, o arqueiro tirou a própria camisa de qualquer jeito, passando a retirar as próprias calças em seguida. A mulher começou a tirar o próprio sutiã, mas o caçador puxou seus braços para cima outra vez, evitando que ela tirasse dele o prazer de deixá-lo antever por seus próprios esforços o corpo pelo qual ardia de desejo.

Segurando os punhos de Mavelle com uma das mãos, a outra abaixo das costas da irlandesa, o homem passou a desatar o fecho daquela peça de roupa, puxando-a para fora sem dificuldades, jogando-a no mesmo local que as outras.

Por último, faltando apenas mais uma peça de roupa, ele a ajudou a se livrar dela com a mesma habilidade, suas mãos cortando a derme lisa e fervente de Mavie como se fossem rastros de chamas. Ao fim, completamente despida, Mavelle Berry sorria com uma expressão fogosa e sensual de travessura, agraciando-lhe com um sorriso de menina-mulher enquanto ele admirava sua nudez feminina com olhos maravilhados.

Ela era linda. Permitiu-se, em um momento de puro encantamento, explorar com as mãos e lábios o corpo de Mavelle, deliciando-se com cada detalhe, em cada cicatriz de caça, em cada mancha, sardas, sinal e pintas espalhadas pela sua pele branca como a neve.

Fascinado pelos seus dentes salientes que se abriam em um lindo sorriso para ele, somente para ele.

O caçador lançou-se para devorar o corpo dela, enfim, finalmente dele, sem amarras, sem defesas, sem chance de voltar atrás. Beijou-a mais uma vez como se nada mais importasse, nada mais houvesse além de seus dois lábios e línguas, seus corpos e a chuva que testemunhava seu encontro, pelas janelas daquele chalé.

Mavelle moveu suas pernas e seus braços de forma a envolvê-lo, permitindo que se unissem, finalmente, na realização do desejo que há muito ansiavam por concretizar.

Febril de luxúria, o caçador a puxou pelos cabelos e pela nuca para cima de si, colocando-a encaixada em seu colo, beijando seu pescoço, seus ombros, seu tronco e seus seios, enquanto sentia seu corpo, sentia ela por inteiro, contra si, gemendo, tremendo. Ela se amparava nele, segurando suas costas com a mesma firmeza violenta que ele utilizava para apertar cada parte do corpo dela que seus dedos atingissem, ao passo que a irlandesa ondulava em harmonia com cada investida que o arqueiro fazia, reagindo com volúpia voraz a cada mero beijo, mordida, aperto, a cada toque impelido por ele.

Com as mãos na cintura dela, movia-a verticalmente em uma espiral cada vez mais crescente de pleno deleite e prazer acima de si. A irlandesa girava seus quadris languidamente, guiada pelo corpo e braços de Daryl, até que ela subiu seus braços para sua nuca, puxando-o na direção de seus seios, jogando seu pescoço para trás, arqueando seu corpo contra o dele como se fossem um só.

Mavie proferiu um ruído lascivo e agudo que vinha de dentro de seu âmago, franzindo suas sobrancelhas como se aproveitasse cada segundo daquela sensação, deixando-o certo de que alcançara o ápice do prazer.

Tomado pela fera que governava seus atos naquele momento, Daryl a jogou para baixo, ainda unido em seu corpo, puxando mais uma vez os braços da mulher para cima, segurando-os de forma que apenas ele pudesse dominar o entrave entre os corpos.

Em movimentos cada vez mais rápidos, brutos e impetuosos, sem pensar, incapaz de raciocinar ou sentir algo que não fosse o mais onusto deleitamento, ele levantou seu rosto da pele de Mavelle que beijava para enfim chegar ele mesmo ao ápice, grunhindo como o animal que era, tendo apenas vaga consciência de que a mulher que tinha para si o encarava com o olhar mais sensual que já tivera a sorte de vislumbrar em vida.

Passando as mãos pelos braços, ombros e seios de Mavie, ele se jogou para o lado, arfante, tentando respirar. Sentira como se tivesse acabado de morrer, mas, ao mesmo tempo, desde que todo aquele horror dos errantes começara... Jamais se sentira tão vivo.

Jamais se sentira tão bem.

Colocou um dos braços acima dos olhos, seu corpo ainda tentando reajustar os próprios batimentos cardíacos, quando sentiu mãos delicadas e repletas de assanho movendo-se por seu corpo, até a altura de sua virilha. Colocou o braço para baixo e viu o rosto de Mavelle, sustentada em um de seus cotovelos, seu corpo nu de uma beleza entorpecente, enquanto o corpo dele reagia ao que ela fazia.

Mavie tinha seu sorriso mais travesso no rosto, seus olhos cintilando intensamente em uma promessa de luxúria infindável.

Aquela noite ainda estava longe de acabar.

Notas finais
~ Gif by me, no final! E olha que o capítulo pegou fogo mesmo, heheheehe! Com um começo tranquilo, depois revelações emocionantes, e, finalmente... É DISSO QUE O MEU POVO GOSTA! XD *Gouger: brutamontes. Espero que tenham gostado, gente! Aguardo os reviews nos dois capítulos!