Hunter's Instinct

18 Episódio 18 - Misfortune


Notas iniciais
Oiê pessoal! o/ Eis que venho com nossa típica atualização semanal, heehehe! Dessa vez o capítulo não tem spoiler algum, podem ler tranquilos. E, para as shippers de plantão, podem ficar exaltadas, porque é POV do Daryl! Teremos uma novidade bombástica no início do capítulo, e devo avisar que as tretas finais entre Aquário x grupo do Rick estão cada vez mais próximas. Agora é ladeira abaixo, e as confusões só vão piorar até terem um fim definitivo! Mais para o fim do capítulo... Sim, tem muito Davie, que eu sei que é disso que o povo gosta HAUAUEHAU! E um final meio novelesco, me desculpem, mas eu acho que vocês vão gostar ainda assim. Prometo que vou tentar ser menos tosca da próxima vez! Dedico este capítulo a Aurora, leitora relativamente nova que vem comentando muito s2 acho que você vai gostar do fato de esse capítulo ser menos pesado emocionalmente que o anterior. EU SEI QUE O CAPÍTULO FICOU GRANDE DE NOVO, MIL PERDÕES! Eu juro que no próximo vou tentar escrever menos. De resto, quero agradecer aos leitores Aurora, Filho de Kivi, Vivi Costa, Lux, Thai Mendes, nataliasilveira e Giovana Catalani! o/ Vocês me fazem feliz e inspirada a escrever cada vez mais. Espero que o número de comentaristas, favoritos e recomendações só suba cada vez mais, heheehe! Dito isso, beijos e boa leitura!

“Crying can bring relief, as long as you don't cry alone.”

~ Anne Frank — The Diary of a Young Girl

Os relógios ainda sequer indicavam o meio-dia, mas muito já havia acontecido. É notável o quanto os acontecimentos, rotineiros ou não, pouco dependem dos segundos, minutos, horas, dias, semanas, enfim, de toda a contagem humana de tempo para de fato ocorrerem.

Tudo o que basta é apenas um momento; um instante determinado, um movimento apenas, e tudo se define novamente.

Tudo havia mudado.

E eles apenas não sabiam disso... Até então.

Como de costume, os moradores do Aquário da Georgia organizavam-se em suas tarefas diárias, entre veteranos e novatos ocupando-se em sua labuta de rotina, tanto para preservar o ambiente aparentemente seguro onde fixaram residência, quanto para evitar que o fardo do caos do mundo externo caísse sobre eles como toneladas insustentáveis de angústia.

Era por volta de onze horas e alguns muito minutos, e Daryl Dixon auxiliava Abraham, Rosita, Haywood e Billy Ray na construção de uma fortificação nos já resistentes muros do Oceanário de Atlanta. O soldado ruivo, influenciado por todo o ensinamento rígido e da dinâmica de grupo aprendidas durante seu tempo no exército norte-americano, tomara a frente do projeto.

Com sua capacidade de liderança enfim se manifestando — agora que Rick adotara uma posição falsamente submissa em relação à Jed -, Abraham se destacara até mais do que Dakota e Haywood. Ainda que a mulher tivesse se formado em arquitetura, e que o homem de meia idade em outros tempos exercesse a profissão de engenheiro.

Naquele momento, dava ordens e sugestões aos envolvidos no trabalho sobre como melhorar a infraestrutura dos novos muros, aceitando também com humildade que surpreendeu a Daryl – devido ao temperamento quase sempre explosivo e presunçoso do homem ruivo -, as opiniões de Haywood a respeito de qual material usar na construção.

Dixon, munido de uma trolha, o instrumento de obras mais conhecido como “pá de pedreiro”, desempenhava a aplicação e o arremate de cimento acima de algumas camadas de tijolos, equilibrando um sobre o outro manualmente.

Era um trabalho cansativo, sujo e braçal; justamente o tipo que o agradava bastante. Não pensava em nada, apenas se focava na tarefa monótona e repetitiva, um tijolo após o outro, uma pá de concreto depois da anterior.

Um tanto longe de si, em outra extremidade do muro que passavam a erguer para fortalecer as defesas onde Rick Grimes descobrira uma falha no muramento, estava Billy Ray, parecendo ainda mais sorumbático do que geralmente aparentava ser na presença de Daryl.

O caçador arqueiro sabia ao que aquilo se devia; já testemunhando as amostras de superproteção e ciúmes excessivos do retardado do Alabama em relação a Esquila, era previsível que Billy estivesse em seus piores humores tendo em vista que a garota irlandesa havia saído muito cedo em uma missão junto a Noah, Glenn e Dakota, e não havia retornado até então.

Haywood, quem os novatos apenas muito recentemente haviam descoberto ser o companheiro da mãe de Peggy, também não parecia muito seguro, mais calado e tenso do que de costume. Apenas Abraham e Rosita pareciam exibir seus humores habituais – que não eram dos melhores, considerando o “cativeiro” junto ao Oceanário de Atlanta e os termos autoritários de Jed para manter sua liderança -, assim como Daryl.

Ou, ao menos, era o que ele pretendia aparentar.

Quando reparara na preocupação evidente de Billy Ray com Mavelle, Daryl não pôde deixar de inadvertidamente olhar para o relógio de pulso de Rosita, que estava mais perto dele, medindo a construção com uma trena e outros instrumentos de mensura. Reparou que ainda não passara das onze horas, mas sua inquietação apenas piorou.

– Hey. Me ajude a levantar mais isso daqui. – Ela falou baixo ao lado dele, olhando os números marcados na trena. Daryl Dixon não escutara, querendo espantar de sua cabeça pensamentos insensatos.

– Hey! – Rosita falou mais alto, e o caçador olhou rápido para a mulher de marias chiquinhas. – Preste mais atenção no que está fazendo – a mulher latina ralhou de leve, enquanto Dixon ignorou seu tom admoestante. O caipira da Georgia deu alguns passos para o lado, em silêncio, descansando a pá de pedreiro em cima do que já montara, auxiliando a mulher de Abraham a estender mais o comprimento da trena.

Depois que ela fez as medições necessárias e as anotou em um bloco de notas com o maldito logotipo do Aquário da Georgia, escrevendo rápido em uma folha branca com o tal logo em uma marca d’água azul, Dixon voltou-se para trás, percebendo uma presença alheia aos cinco que ali estavam.

Rosita notou-a depois, e abriu um sorriso aliviado.

– Meu turno acabou, então – comentou a mulher de marias chiquinhas, limpando a testa suada, apesar do boné que usava costumeiramente tapá-la consideravelmente da luz intensa do sol.

Daryl viu-a de relance indo até Abraham e o cumprimentando com algum afeto, voltando depois em direção a entrada mais próxima do edifício do Oceanário de Atlanta. Logo em seguida, retornou a focar a atenção na pessoa que acabara de se aproximar.

– Bom dia, Pookie – saudou Carol, com seu típico sorriso fraternal que gostava de lhe agraciar apenas para gracejar dele.

– Hmm – grunhiu Daryl, um tanto fora do humor necessário para ficar a vontade com as brincadeiras da amiga.

– Ah, não, acabei me esquecendo de pegar o material! – falou a mulher de cabelos grisalhos, levando uma das mãos a testa e exibindo um sorriso envergonhado. – Mas eu não sei onde estão as outras pás – ela continuou, falando em um tom bastante audível. Daryl já entendera aonde ela queria chegar, mas sempre ficava estarrecido com a qualidade da atuação de Carol.

No Oceanário, gostava de fazer os ares de atrapalhada, de dona de casa simpática e incapaz de sobreviver por conta própria. Inofensiva.

Fazia parte do jogo que ela, Rick e Daryl haviam decidido seguir, mas aquilo parecia tão fácil, tão natural para ela, que Dixon não conseguia deixar de ficar sempre admirado. Para ele, forçar essa suposta convivência sadia com o grupo do Oceanário de Atlanta era um desafio diário, algo que o exauria, quando tudo o que ele mais queria era mandar todos eles a merda.

Quase todos, embora não quisesse admitir para si mesmo tal verdade.

Em seguida, Daryl apenas observou quieto sua amiga andar até Haywood e explicar ao engenheiro que voltaria em instantes. Pedira licença para que Daryl lhe mostrasse onde estava o restante do material que pegaram, e retornariam de imediato.

Assim, Carol se aproximou novamente dele, ainda voltada na direção de Haywood, e deu ao engenheiro um “até logo” simpático. Em seguida, ambos andaram juntos na direção do prédio do Aquário. Por alguma razão, Carol Peletier precisava arranjar uma situação em que pudessem estar sozinhos.

Pelo visto, tinha algo importante a contar.

Daryl e Carol haviam descido a um depósito no subsolo, fechado hermeticamente para evitar que os errantes, audíveis mesmo com as grossas paredes ao redor deles, avançassem dos terrenos do lado de fora – referentes ao estacionamento do Aquário da Georgia -, para dentro do edifício, e saciassem sua fome com sua carne pulsante.

Ela obviamente sabia onde eram guardados os instrumentos de obra; pegara ela mesma uma das caixas de ferramenta etiquetadas de forma minuciosa, definindo cada uma os instrumentos que guardava. Daryl fizera menção de ajudá-la a retirar a caixa de uma das várias prateleiras do depósito, mas ela apenas fizera uma leve torção dos lábios em resposta, como se realmente aquilo fosse desnecessário.

– O que estamos fazendo aqui? – Daryl Dixon perguntou, antes que a mulher enfim abrisse a boca para lhe dizer o que queria.

– Eu estou... Refletindo sobre algo que vi – falou Carol, mudando totalmente a expressão; antes acolhedora e delicada, agora era um olhar decidido e rígido.

– Você quase me assusta, desse jeito – retrucou o caçador, semicerrando os olhos, usando da intimidade que tinha com a amiga para debochar um pouco dela. – Mudando tanto em um piscar de olhos, você merecia mesmo um Oscar ou um aqueles prêmios dos engomadinhos da televisão – troçou o arqueiro.

– É sério. – Carol manteve a mesma expressão, guardando a caixa da qual retirara os instrumentos que precisaria para aquela atividade de construção. Daryl puxou-a das mãos dela à contragosto, ao passo que a mulher fez uma expressão levemente impaciente. Dixon colocou a caixa na prateleira, enquanto Carol punha uma de suas mãos na cintura.

– Eu acho que Jed mandou Buck construir uma bomba – confidenciou a mulher de cabelos grisalhos, sua voz soando não mais alta do que um mero sussurro.

– O quê?! – retorquiu Daryl, sua voz rouca incrédula.

– Eu sei que não parece fazer sentido algum – ela falou com urgência, sabendo que já deveriam estar andando de volta ao reparo dos muros, para que não despertassem suspeitas. – Mas eu juro que acho que é um explosivo. Ainda não tive tempo de contar ao Rick – explicou, séria. – Não preciso dizer que você foi a primeira pessoa para quem eu contei isso, certo? – Carol disse, levantando uma sobrancelha.

– Yeah, é claro – revidou Daryl, ainda confuso. – Mas de onde você tirou essa ideia? – insistiu.

– Fui hoje muito cedo ao laboratório anexo ao compartimento médico – esclareceu Carol Peletier com rapidez. – Usei o pretexto de ter feito uma fornada de biscoitos de maçã, os quais Annie muito aprecia, para levá-los para ela, como uma gentileza por todo o sucesso da fisioterapia e cuidados médicos para a cura de minha perna – a mulher falava com ligeireza.

– Era apenas uma desculpa para ver porque Buck e Jed andam tão sumidos. Nem mesmo Eugene anda se juntando tanto a eles, não como antes – Carol comentou, seus olhos fuzilando os de Daryl, como se quisesse saber se ele percebera tal comportamento. Dixon, na verdade, não reparara tão bem nas últimas condutas do idoso filho da puta, mas de fato ele andava menos atuante do que de costume.

– E? – Daryl Dixon questionou com simplicidade.

– Acho que ele não percebeu que eu estava ali. Eu vi de relance, do lado de fora, mas o suficiente para ter certeza pela abertura envidraçada da porta, que ele estava montando algum aparato. Um dispositivo com muitos fios... E com um contador – Carol revelou, seus olhos brilhando em meio à narrativa furtiva. – Tinham alguns metais ali... Não me lembro quais, mas alguns produtos químicos, enfim, eu não sou expert nesse tipo de coisa, mas, ao que tudo indica...

– ...Você acha que era uma bomba caseira – completou o arqueiro, ele mesmo concordando intimamente com a tese da amiga.

– Isso. – Carol respirou fundo, olhando para os lados, tendo certeza de que não havia ninguém por perto. – Eu dei essa olhada rápida, e logo saí de perto. Deu para perceber que a presença de outras pessoas não era bem-vinda ali. A porta estava trancada, inclusive, pude ver pelo trinco – a mulher terminou.

– Acho que precisa contar isso ao Rick – deliberou Daryl, tentando não se mostrar preocupado para acalmar a amiga. Carol era muito inteligente, sensata, perspicaz... Mas quando alguém pisava em seu calo, a coisa não costumava acabar muito bem. Era melhor que todos os três conversassem a respeito e chegassem juntos a uma decisão.

– Só vou conseguir falar com ele de noite – impeliu ela, e Dixon percebeu que ela estava um pouco ansiosa.

– Ninguém vai fazer porra nenhuma hoje – garantiu o homem, segurando um dos ombros de Carol. Ela olhou para a mão dele, suas sobrancelhas se franzindo, percebendo que contato físico não envolvia o tipo de iniciativa comum do arqueiro. Meio sem jeito, o caçador soltou-a, enquanto ela o olhava com aquela expressão irritante, como se ele fosse uma criança que ela pretendia educar.

– Dois do grupo deles saíram naquela tal missão pelo medicamento da menina – lembrou Daryl, enquanto Carol ainda o encarava do mesmo jeito. Pare, porra. Pensou ele, incomodado. – A prioridade de Jed e dos outros é manterem-se unidos sempre, então eles jamais tentariam algum tipo de atentado ou a porcaria de maluquice que fosse sem estarem todos juntos e seguros. Assim ficam mais fortes – falou com sagacidade o caçador.

– Você tem que tomar muito cuidado – Carol aconselhou, seus olhos agora mostrando ainda mais preocupação. – Você sabe que Jed não seria louco de usar um dispositivo assim para explodir algo nas cercanias do Aquário – ela começou.

– Eu entendi – Daryl replicou, tentando cortar a agonia da amiga. – Ele vai usar isso do lado de fora. Eu sei – Dixon assegurou, olhando para Carol como se aquilo não lhe trouxesse o menor vestígio de receio. – E talvez seja comigo, já que sou um dos que mais sai desse inferno – continuou ele. Carol agora segurou em um de seus braços, parecendo genuinamente aflita.

– Eu acho que ele pode tentar te atingir para desestruturar a mim e ao Rick – ela continuou, os dois agora andando na direção da porta do depósito. – Jed sabe que somos próximos, e compreende que Rick era o líder antigamente. Faço o meu melhor para não desconfiar de mim, mas sem dúvidas de todo o grupo ele está sendo o mais difícil de enganar. – Carol quase suspirou, um pouco assustada.

– Ele que tente. Eu me divertiria bastante dando umas boas porradas na dentadura do vovô escroto – retrucou Daryl, orgulhoso.

– Se ele tentar te atingir, vai conseguir – revidou Carol, parando Daryl no meio do corredor, falando tão baixo que o caçador mal conseguia ouví-la. – Você não compreende a gravidade da situação e a capacidade desse sujeito, Daryl – confessou a mulher, nervosa. – Nem eu consigo prever os movimentos dele. Ele pode ser algo como o Governador – conjecturou Carol, tentando mostrar a proporção do perigo.

– Por que está tão assustada? – surpreendeu-se Daryl Dixon.

– Porque eu me importo com você. Muito – admitiu Carol, aproximando-se do amigo. – Estou cansada de ver como você não liga para si mesmo. Sua falta de zelo consigo – ela o repreendeu, séria.

– Se não quer se cuidar e se preocupar por você mesmo, que seja, mas ao menos saiba que você me atinge com isso – disse a amiga, dando-lhe um sermão inesperado. – Você atinge o Rick. Glenn. Maggie. O nosso grupo. Atinge pessoas do outro grupo inclusive! – soltou a indireta, e agora Daryl ficara impaciente de verdade. Ele proferiu um som de desprezo com a boca, e passou a caminhar a passos largos para longe da amiga.

– Estou falando com você! – Carol disse, muito séria. – Estou tentando te ajudar! – teimou.

– Não pedi sua ajuda – revidou Daryl com brusquidão, sua voz rouca.

– Você não precisa fazê-lo – falou ela, se pondo mais uma vez a frente dele. Estavam quase nos jardins do Oceanário, onde voltariam as tarefas junto aos construtores daquela manhã.

– O que mais você quer falar?! – questionou Daryl, sem paciência.

– Você tem a faca e o queijo nas mãos. Só não jogue fora – Carol disse com sagacidade.

– Mas que porra você está dizendo?! – contestou ele, cada vez mais afoito.

– Aquela menina gosta muito de você – Carol Peletier falou, passando as mãos no rosto como se Daryl fosse uma criança burra que não consegue compreender algo simples. – É claro como água – ela disse, e Dixon ficou ainda mais irritado pela intromissão da parte dela.

– E ela é amada por muitos no grupo dela. Jed nunca teria coragem de colocá-la contra ele mesmo, está entendendo? – Carol explicou. – Ela é uma garota muito boa. Glenn e Maggie já vieram pedir pessoalmente a Rick que a protegessem, caso atitudes... Drásticas, fossem tomadas – a mulher de cabelos grisalhos falava com propriedade.

Não jogue isso fora. Aproveite as armas que têm, é isso que quero dizer. Jed não lhe atingiria, não enquanto você apresentar essa cobertura. E isso nos aproxima do grupo deles também. Impede que se voltem contra nós... Por tabela – esclareceu Carol, enquanto saíam aos jardins. No segundo seguinte, ela já estava novamente com sua expressão de falsa cordialidade, tão bem atuada quanto a de Jed.

– Isso é ridículo – atestou Daryl, por fim, como se fizesse pouco da ideia da amiga.

Mas, infelizmente, como quase sempre... Ela tinha toda a razão.

Daryl percebia o quanto aquela menina irlandesa vinha aos poucos se afeiçoando a ele, provocando-o cada vez mais... Era uma questão de tempo até que suas defesas fossem derrubadas, por mais que não fosse algo procurado pelo caçador.

Afinal de contas, ele era homem, e fazia tempo que não tinha seus limites testados tanto assim. Enquanto aquilo não passasse dali, de algo secreto entre quatro paredes, Dixon não poderia deixar de admitir que seria até um tanto agradável, para não dizer prazeroso... O problema é que, naquele lugar permeado de intrigas, olhos curiosos e repleto de uma guerra fria acirrada... Dificilmente não sairia do controle.

E de fato a última coisa que ele desejava era se envolver emocionalmente com qualquer membro do Aquário que fosse.

Silencioso e turrão, Daryl Dixon passou alguns bons minutos retornando à mesma tarefa que deixara, evitando pensar em tudo aquilo.

Foi então que todos ouviram os ruídos de pneus cantando ao longe, cada vez mais próximos. Abraham, munido de uma grande escada portátil, subiu em alguns degraus e viu o 4x4 escuro no qual saíram Noah, Dakota, Glenn e Mavie naquela manhã. Pelo som que os pneus faziam, o motorista dirigia com rapidez e pressa notáveis.

Daryl e Carol andaram até o portão, abrindo-o para o carro assim que chegou. O 4x4 avançou impavidamente pelo terreno, parando em um canto longínquo daquela área.

Dakota abriu a porta do carro, saindo do veículo com uma expressão pesarosa. Daryl tivera certeza que algo de errado havia ocorrido já bem antes, quando ouvira os pneus cantando pelo asfalto, demonstrando que, mais uma vez, o inesperado fora o vencedor daquela missão.

Haywood andou rápido na direção da companheira, que desatou a correr para seus braços. Assim que o engenheiro a abraçou, a mãe de Peggy passou a chorar convulsivamente em seus ombros.

Daryl esperava que não tivessem conseguido os remédios. Era o melhor que poderia ocorrer. Aguardou, seu peito um tanto apertado, enquanto mais duas portas se abriam.

Glenn saiu da porta de trás, seu rosto distorcido em uma máscara de tristeza e abatimento. Dixon ficou mal por ver o amigo tão abalado, mas o que mais o aliviou e, simultaneamente, perturbou, foi ver a última pessoa que saíra do automóvel.

Mavie caminhou devagar, batendo a porta do carro com força desnecessária, seus olhos de avelã esverdeado marejados por lágrimas que ela, orgulhosa como era, não queria derramar na frente de todos, provavelmente.

Seu queixo tremia de leve, seus dentes grandes saindo para fora dos lábios em uma expressão de desalento tão profundo que causou uma controversa pontada no peito do caçador, assim que a viu. Simultaneamente, uma onda de alívio percorreu seu corpo, relaxando seus ombros e músculos distendidos em uma posição sempre alerta.

Mavie estava bem, e voltara.

Glenn foi o primeiro que veio até Daryl, enquanto Mavelle era saudada por um Billy Ray babaca e emotivo que a puxara para um abraço forte. Aquilo desagradou intensamente o caçador arqueiro, mas não poderia se manifestar a respeito sem exaltar todos os ânimos presentes, então se conteve com dificuldades. Dakota e Haywood ainda se abraçavam, enquanto a mulher chorava nos ombros do parceiro.

– Você está ok, cara? – perguntou Daryl para o asiático.

Glenn não respondeu nada por alguns segundos. Baixou os olhos para o chão, depois levantou o rosto para Dixon e falou o que o arqueiro já havia entendido.

– Noah está morto – lamentou o rapaz, seu rosto sempre amigável agora retorcido em plena melancolia. – Foi uma merda, cara – confidenciou o asiático. – Eles... Comeram ele vivo. Comeram a cara dele. – Glenn passou uma das mãos pelo queixo, nervoso e desamparado. Era melhor deixar que entrasse e procurasse Maggie, então foi o que Dixon fez, dando-lhe um tapinha de consolo no ombro e se afastando.

– Eu sei, cara. É uma merda – falou em poucas palavras o caçador, tentando dar o apoio que conseguia, antes de se afastar alguns metros.

– Mas nenhuma delas teve a ver com isso. Foi... Foi azar mesmo – Glenn disse, sua voz exibindo o esmorecimento que estava claro em seu rosto.

– Hey – Daryl falou, voltando-se para o amigo. – Hey. Não foi sua culpa. – Ele se manteve sério, segurando um dos ombros de Glenn. – Não foi culpa de ninguém – sentenciou o arqueiro, ainda que não estivesse presente na cena. Àquela altura, Mavelle, Dakota, Haywood e Billy Ray haviam entrado.

Carol veio andando na direção de Glenn, dando um abraço carinhoso no rapaz, que aceitou, grato. Daryl continuou em silêncio, testemunhando os dois se abraçarem, tentando evitar olhares furtivos para ver onde Mavie se metera. Abraham já se aproximava, e também parecia compadecido.

Assim que o soldado ruivo voltou aos afazeres, Carol e Daryl escoltaram Glenn para dentro do edifício, sendo saudado já no primeiro andar por Maggie. O casal se confortou entre beijos e abraços, enquanto Carol voltou-se para Daryl, dizendo-lhe uma sentença que ele sabia que ela faria de tudo para concretizar:

– Estou farta de ver os nossos morrendo. Isso acaba agora.

*****

O dia se passou da forma mais lenta e amarga possível.

Com a notícia da morte de Noah, Peggy foi acometida por uma crise de choro efervescente, incapaz de ser consolada por ninguém, nem mesmo sua mãe, que fazia seus maiores esforços. Passou minutos gritando até perder a voz que fora por culpa dela que o rapaz falecera, pois fora ela que se deixara ser mordida pelo animal infectado.

Depois disso, passou o resto do dia trancada em seu quarto, saindo apenas para a missa por Noah que Padre Gabriel presidiu, depois de uma sugestão de Dakota, em memória do garoto morto tão precocemente.

A voz aguda da menina gritando “foi minha culpa, tudo culpa minha” ainda ecoava na mente de Dixon até mesmo àquela hora, próximo ao horário do jantar no Oceanário de Atlanta.

Rick, surpreso com o rumo que os fatos tomaram, passara o dia ensimesmado e reflexivo. Carol se esforçava para agradar a todos, cozinhando biscoitos e tentando dar mimos a ambos os grupos abalados pela perda. Daryl conhecia a amiga, e percebia que por trás de toda a falsa solicitude ela escondia seu pesar.

Tara, que era relativamente próxima ao garoto, chorou muito, sendo consolada por um atônito Eugene. Rosita e Abraham ficaram ainda mais grudados do que de costume, passando todo o “funeral” improvisado do rapaz de mãos dadas. Glenn e Maggie também pareciam muito abalados, especialmente o asiático que recentemente estreitara os laços com o garoto, insistindo para que se sentisse à vontade na sua companhia e com os amigos de Rick Grimes.

Michonne, que até então exibia um comportamento implicitamente maternal com Carl e Judith, passou o dia grudada nos dois, como se temesse que alguma ameaça externa pudesse afetá-los. A perda de pessoas jovens era sempre muito difícil de lidar, não apenas por costumarem serem os indivíduos mais despreparados e inocentes, mas porque era... Antinatural.

Aquela nova realidade era realmente uma espécie de inferno, onde os jovens sucumbiam e os velhos duravam, fadados a lidar com a perda e o sofrimento dos mais novos, que deveriam ser os herdeiros do mundo... Fora assim com Amy, com Sophia, com todas as crianças da prisão...

...Fora assim com Beth.

Daryl sofrera calado ao longo do dia, pensando em como Beth se sacrificara para que o rapaz sobrevivesse, e tudo aquilo fora em vão. Noah dizia que tinha uma família para quem voltar, irmãos gêmeos, céus, ele tinha até mesmo uma namoradinha no Oceanário... E, por um deslize, por um descuido, tivera uma morte hedionda, sofrendo até perder os sentidos.

Nunca mais estaria entre eles e jamais veria sua família de novo.

Maggie uma vez dissera a Daryl, alguns dias depois da perda de Beth, que a menina costumava dizer: “quando nos importamos com as pessoas, a dor é parte do pacote.”

Beth Greene era tão nova, tão ingênua, tão inocente... Mas sabia de algumas coisas.

“Você vai sentir tanto a minha falta quando eu partir, Daryl Dixon.”

Dixon, quando confrontando com este tipo de emoções ambivalentes e desagradáveis, preferia ficar sozinho. Recluso, lidava melhor consigo mesmo, sem a interferência externa de outras pessoas.

Infelizmente, muitos do Oceanário haviam se espalhado ao longo do Aquário, não apenas em suas tarefas rotineiras, mas até mesmo para terem um tempo a sós e em luto pela morte de Noah. Todos os jardins continham ao menos um ou dois dos habitantes do Oceanário de Atlanta, assim como as salas mais isoladas que Daryl conhecia.

Decidira ir a um local que jamais passara mais do que alguns minutos antes. Precisava ficar sozinho com seus pensamentos, ter algum tempo de descanso antes de continuar a arquitetar o mesmo fingimento que ele prometera a Rick e Carol, para conseguirem concretizar o golpe contra os veteranos do Aquário da Georgia.

Já estava tirando um cigarro do maço e abrindo a porta com um pequeno retângulo vertical acima da maçaneta, com o vidro esfumaçado e sujo, quando foi surpreendido.

Na sala que era uma espécie de “creche” do Oceanário, com brinquedos, estantes de livros, cadeiras, mesas e atividades envolvendo biologia marinha e ciências para crianças muito novas, Daryl encontrou uma presença surpreendente, agachada a um canto, as costas tremendo convulsivamente contra uma das estantes baixas, junto a um livro com as folhas viradas para baixo, entreaberto ao seu lado.

Sentada como um filhotinho indefeso, assustado e desamparado, Mavie escondia o rosto nas mãos, e chorava um pranto agudo e abafado.

Daryl Dixon não soube o que o moveu. Soube apenas que esqueceu momentaneamente que Noah morrera, que Tyreese morrera. Esquecera até que Beth morrera. Que Merle morrera. Aquilo tudo se desvaneceu de sua memória, porque Mavie chorava, e parecia desconsolada.

– H-hm. – Pigarreou o caçador, tentando chamar a atenção da menina irlandesa.

Mavelle instantaneamente levantou os olhos das mãos, e, por alguns segundos seu olhar pareceu um mínimo aliviado por ver que quem estava a sua frente era Daryl. Logo depois, seus olhos de avelã esverdeado mostraram uma expressão raivosa.

– O que feck você está fazendo aqui? – perguntou ela, em sua expressão idiomática da Irlanda. Usou as costas das mãos para limpar quase com agressividade seus olhos, parecendo constrangida porque ele a vira chorar.

Daryl seguiu até a estante, e fingiu que olhava os livros, sendo obrigado a se abaixar um pouco.

– Estava procurando algo para ler.– debochou ele, mas Mavie não riu. Sua expressão abrandou um tanto, contudo.

– Você tem um cigarro? – a garota pediu, e Daryl fez que sim com a cabeça.

– Por favor. – Ela estendeu a mão, esperando que ele a oferecesse um. Daryl retirou um cigarro, entregou a garota dentuça, acendendo-o com seu isqueiro. Em seguida, sentou-se ao lado dela, munindo-se ele mesmo de outro.

Mavelle Berry tragou o cigarro e soltou a fumaça com lentidão, de olhos fechados. Parecia mais calma, e Daryl Dixon se sentiu idiota por ficar aliviado ao aferir isso.

Passaram algum tempo em silêncio, cada um fumando seu próprio cigarro, ironicamente dentro de uma creche. Quando terminou o seu, Mavie jogou-o no chão e pisoteou-o com gosto, soltando a tristeza e frustração em agressividade.

– Foi uma merda. Você não tem noção – Mavelle resolveu contar o que ocorrera, seu rosto pouco a pouco ficando muito triste outra vez. Daryl inconscientemente se aproximou dela, também pisando e apagando seu cigarro.

– Nós pegamos a vacina, mas tentamos fugir por um lugar infestado deles. Desses errantes que vocês chamam – ela continuou, seus olhos voltados para a frente, encarando o quadro de um tubarão desenhado de forma infantil, seu queixo voltando a tremer. Daryl queria segurá-lo com os próprios dedos.

– Noah acabou se atrasando, e não conseguimos ajudá-lo... Eu e Glenn fizemos o melhor para arranjar uma saída no teto de uma das salas, e conseguimos salvar Dakota primeiro, mas quando puxei Glenn... Eles já haviam invadido a sala. Foi rápido demais. Eles... Eles comeram a cara dele – Mavelle fez a descrição, entre o choque, a repulsa e o pesar.

– Eu soube – Daryl respondeu, mas a garota continuava apenas olhando para a frente, como se visse a imagem de Noah devorado daquela forma horrível mais uma vez se reproduzindo diante de seus olhos.

– Eu não aguentei. Puxei Glenn, que quase estava se sacrificando por nada, e o empurrei para o lado, já em cima do teto. Mirei uma flecha em Noah... – Mavie falou, as lágrimas já descendo grossas por seus olhos, trazendo um aperto incômodo ao peito de Dixon. – E acertei o pescoço dele. Ele morreu na hora... Eu tive... – Mavelle tentou explicar, enquanto soltou um soluço agudo.

Daryl não conseguiu se segurar mais. Passou um de seus braços pelos ombros da garota, puxando-a para perto de si, enquanto ela escondia o rosto em seu peito, chorando alto mais uma vez.

Sentiu uma das mãos de Mavie enlaçando-o de volta, seu corpo se voltando pouco a pouco para ele, para abraçá-lo. A outra mão da jovem caçadora puxava de leve a camisa dele, como uma criança que é amparada no colo enquanto chora. O aperto em seu peito arrefeceu um pouco, mas ainda se sentia muito incomodado pela tristeza aguda de Mavelle.

– Você fez o certo. Você foi durona. Corajosa – disse Daryl, embalando-a um pouco pelos ombros, enquanto Mavie ainda ficava de olhos fechados, chorando.

– ...Sabe... Eu me esforço tanto. Tanto. Mas às vezes acho que acaba sendo para nada... Não acho que faço a menor diferença... – Mavelle Berry confessava suas angústias, enquanto Dixon se sentia muito desconfortável com a situação, ao mesmo tempo em que não queria sair de perto dela enquanto ela estivesse fragilizada assim.

– ...Está falando merda – disse Dixon com suavidade as palavras brutas.

Mavie deu uma risadinha baixa em meio ao choro, quase um ronco.

– Cuidado com a minha camisa, Esquila. Vai acabar roendo o tecido – falou Daryl com certo carinho inegável, que o deixou ainda mais desconfortável.

– ...Você não sabe o livro que eu achei aqui – comentou Mavie, em um tom novamente mais calmo. Escondia seu rosto no peito de Daryl ainda, sua voz soando um tanto abafada, parecendo tanto descarada quanto inocente fazendo isso. Aquela garota era realmente um caso a parte.

– "Peixes são amigos, não comida"? – perguntou Dixon, tentando aliviar a tensão.

Mavie levantou um pouco a cabeça e deu um sorrisinho.

– Você acabou de parafrasear Procurando Nemo? – ela questionou, incrédula.

Daryl deu de ombros, enquanto ela olhava para ele com desconfiança. Mavie puxou-se ainda mais para perto do corpo dele, ainda abraçada ao caçador, que já não sabia se devia afastá-la de si ou não. Sentia-se muito desajeitado naquela posição.

Ela deixou sua cabeça deitar no ombro dele, que olhava para os contornos de seus cabelos escuros, seus cílios longos, seu nariz pequeno e levemente adunco tão branco quanto as paredes daquela sala, quase. Mavie era mesmo muito bonita, e perceber aquilo mais uma vez apenas o fazia se sentir o mais completo imbecil.

– Eu estava lendo... Achei que fosse ser até encorajador, mas me identifiquei tanto que meio que foi inevitável não ficar nesse estado. – Ela aparentava confusão. A sinceridade de Mavelle era algo sempre destacado, ainda mais naquele ambiente repleto de pessoas tão falsas.

– O Diário de Anne Frank, ou o Diário de Uma Garota, sabe? A menina judia que escreveu um diário durante a Segunda Guerra Mundial? – Mavie perguntou, e Daryl fingiu que sabia do que ela falava.

– Eu desabei depois de ler uma frase... “I don't think of all the misery, but of the beauty that still remains” – Mavelle confessou. – Eu me esforço tanto para seguir um paradigma parecido… Não só por mim, mas pela minha avó, pelos meus amigos… Mas sempre chega uma hora em que cansa, em que não há como não questionar se tudo o que eu faço são apenas besteiras e que é tudo em vão... – ela explicou, mas Daryl a interrompeu mais uma vez.

– Você só faz besteira mesmo. Mas não é nada em vão – ele admitiu, enquanto Mavie se afastou um pouco e o olhou nos olhos, finalmente. Daryl se sentiu quase desarmado com o olhar que ela lhe dera.

– Eu já falei. Você é a Esquila mais durona que eu conheci – debochou Dixon, enquanto o que parecia ser uma espécie de rubor subia as bochechas de Mavie. Ela estava com uma expressão tão doce e tão pateta que Daryl quase quis rir.

Mavelle abaixou os olhos, e fez mais uma expressão triste. Daryl já não suportava mais aquilo, mas ela se moveu antes que ele fizesse algo. Mavie subiu seu rosto, ajeitando sua postura, e levantando a mão que antes agarrara a camisa do caçador.

– Por que você se importa comigo...? – ela perguntou, mas não houve resposta. Aquilo era demais, ela estava próxima demais para que ele conseguisse pensar. A garota havia aproximado seu rosto do dele, e Daryl mal ouvira o que ela falara. Havia algo de hipnotizante na irlandesa, que o tirava de seus sentidos normais, para o bem ou para o mal. Com uma mão livre o arqueiro puxara o rosto dela para si, beijando-a mais uma vez, tentando drenar a tristeza dela com aquele gesto afoito e sedento.

Como que movida por impulso, Mavelle já não parecia mais tão abatida e esmorecida. Àquele toque do caçador, a garota reagiu instantânea e instintivamente, recuperando os ânimos por conta de um entorpecimento que vencia até mesmo o seu pesar. Mavie o beijara em retribuição, apertando-se ainda mais contra ele, não mais em busca de consolo, ao menos não daquele tipo de consolo que recebera anteriormente.

Daryl puxara as pernas da garota morena para mais perto dele, puxando-as na altura das coxas para cima de seu colo, enquanto Mavie parecia se ajeitar em cima de suas pernas, seus braços envolvendo sua nuca, puxando seu rosto para o dela, como se tivesse fome dos lábios dele.

As mãos ágeis do arqueiro já estavam na cintura da garota, mais uma vez explorando a sedutora derme embaixo de suas roupas, dessa vez abaixando-se pela cintura e adentrando a carne embaixo do fim de suas costas, apertando aquela macia pele com dedos cravados em desejo.

Mas, antes que o animal dentro de si o dominasse por completo, ele finalmente reparou na gravidade do que estavam fazendo. Em atos novamente impensados, Daryl se percebeu em um momento com Mavie que poderia ser flagrado por qualquer um que adentrasse pela porta da “creche”, e perguntas indesejáveis seriam feitas e teriam de ser respondidas.

Com um pouco de brusquidão, Daryl a puxou pelas costelas para o lado, o instinto dentro de si arrependendo-se do gesto assim que seu corpo se afastou do dela, mas sua racionalidade tendo de subjugar sua masculinidade.

Pense, seu imbecil.

– Eu acho que já passa da hora do jantar. Levanta daí – falou o arqueiro com certa rispidez, sem olhar direito para Mavelle.

A garota, parecendo divertida, mas, ao mesmo tempo, um tanto chocada, se levantou e se afastou, como se nada tivesse acontecido, e não tivessem compartilhado um momento tão cúmplice – em vários sentidos – segundos atrás.

O resto da noite se passou no mesmo clima modorrento e fúnebre, embora alguns, como Carol, Jed, Haywood e, agora, Mavie, tentassem o seu melhor para melhorar o astral do grupo.

Quando todos se retiraram para dormir e Daryl já se preparava para descansar em seus aposentos, ouviu batidas em sua porta. Por um segundo imbecil, ficou um pouco animado pensando que poderia ser Mavie, para logo em seguida se recriminar pelo pensamento.

Abriu-a, e viu que Carol Peletier estava parada à sua frente.

– Você tem problemas – a amiga lhe confessou, sussurrando. – Billy Ray e eu estávamos encarregados de limpar a área das crianças hoje, antes do jantar.

Notas finais
~ Gif mashup que eu mesma fiz! É, parzinho, vocês não tem como negar o clima... Aguardo reviews!