Hunter's Instinct

58 Episódio 58 - Leadership


Notas iniciais
Oiê, meus amores! Hoje teremos capítulo duplo! SIM, CAPÍTULO DUPLO! Porque acabou ficando grande demais. Sei o que vai acontecer no capítulo seguinte e ainda estou escrevendo, portanto, aproveitem que essa semana vai ser dose dupla! Começamos o capítulo com POVs da Maggie Greene, da Hashimoto e do Tucker. Teremos a última grande batalha em Alexandria, na qual o grupo de Rick sairá com uma solução espetacular, porém descobrirão verdades tenebrosas sobre o que os espera adiante. Preparem-se para ver Maggie mitando e exercendo suas capacidades de líder, bem como Padre Gabriel mandando bem (sim), e algumas cenas BEM TENSAS ao final do POV da filha de Hershel. Depois, teremos um POV da Hashimoto, em que ela encontrará o trio Becky, Billy e Tucker, e o destino dos três começa a ser delineado... Se preparem para descobrir os testes de Billy e Becky! Muitas reviravoltas aguardam esses três. Teremos, para terminar o capítulo, um último POVzinho de Tucker. E também maldades da japonesa mais terrível que já existiu no fandom de The Walking Dead, hehehehe! O próximo capítulo terá POV e flashback da Hashimoto, o segundo e penúltimo POV da japa psicopata por aqui. Conhecerão mais do que fez ela ser quem é atualmente, como chegou aos EUA e outras coisitas. Depois, terá um POV da Carol, para fechar o episódio... Se preparem para mais mortes e despedidas! Dedico este e o próximo capítulo ao leitor Filho de Kivi, que passou por um baque pesado recentemente, uma perda familiar sofrida. Estou com você, meu amigo! Ajudarei no que puder! Agradeço aos leitores En Sabah Nur, maritafan, Caçadora, Sami, Filho de Kivi, Joke, ReedusGirl, Vivi Costa, KittyK, marcelammota e Agente Riggs, meus lindos e maravilhosos que comentaram capítulo passado! Anna L, Luna, Kanon e Giovana Catalani, suas lindas, espero por vocês quando puderem comentar nos mais recentes "episódios" lançados! Peço que, por gentileza, comentem nos dois capítulos. Como os dois estão recheados de acontecimentos, vou querer muito saber o que acharam! Beijos e boa leitura!

"— Eu o matei. Foi a primeira vez que fiz isso. Matei, e mataria de novo se fosse preciso. Ele e muitos outros. Como eu sei que vai ser".

Ela abriu seus olhos no meio da noite, avistando somente a luz azulada refletida dos poucos lampiões da rua muito abaixo. A iluminação discreta banhava parcamente seu quarto escurecido, envolto em sombras. Seu marido dormia a seu lado, a sono solto, exausto depois dos últimos eventos devastadores.

Sentindo a pontada na lombar típica daquele mês de gravidez, Maggie Greene se ajeitou no colchão, olhando para o relógio que seu pai havia dado de presente a Glenn Rhee, na cabeceira ao lado da cama. Meia noite e meia.

"— Eu te amo e faria tudo por você. Tudo para te ver bem e segura. Pelo nosso bebê. Mas eu não sou um assassino. Você não é. Nenhum de nós é. Mas isso tudo... Isso tudo está despertando coisas na gente. Coisas que eu não sei se um dia vamos poder consertar".

Maggie passou as mãos pela barriga, por cima da blusa larga de Glenn que vestia para dormir. Sentiu os contornos de seu ventre, estufado pela gestação. Aquele gesto a acalmava um pouco, embora fosse impossível respirar tranquila nos últimos dias. Tentava não lembrar das palavras sinceras e dolorosas de seu esposo, mas elas a perseguiam como assombrações.

"— Sei que faremos de tudo pra manter esse lugar, para construir um local para nosso filho viver feliz, conosco. Para nossos amigos viverem. Mas precisamos ficar atentos... Estamos chegando ao limite".

A filha de Hershel se levantou um pouco brusca, nervosa, e se desequilibrou por um breve instante. Aquela movimentação de supetão acordou Glenn.

— Maggie? — ele perguntou, ainda afetado pelo sono. Piscou os olhos e logo se ergueu na cama, também ansioso.

— Hey — respondeu a jovem mulher, aproximando-se do marido e lhe dando um selinho. — Tenho de me arrumar. Em meia hora começa meu turno de vigia — lembrou.

— Não sei porque você insiste nisso — Glenn Rhee reclamou, sua voz soando doce porém demonstrando insatisfação. — Você precisa descansar. Já está no sexto mês — ralhou com gentileza, segurando a mão da esposa como se tentasse impedí-la de sair.

— Rick conta conosco. Precisamos manter o lugar de pé até eles voltarem. Se eu ficar dentro de casa, podemos correr riscos... Deles se acovardarem. — Ela olhou para fora da janela do quarto, mirando as ruas de Alexandria, desertas aquela hora matutina.

— Posso liderá-los junto com Moritz — repetiu Glenn, franzindo as sobrancelhas.

— Vocês precisam de mim também. Não podemos ficar isentos nessa hora. Infelizmente, estamos polarizados, Glenn — afirmou Maggie, olhando fundo nos olhos do esposo. — Ou nós trabalhamos pro nosso lado... Ou vamos acabar ajudando o lado dela. Ficar inerte não é uma opção. Não se quisermos sobreviver — Greene se defendeu com sensatez. Seu filho era sua prioridade, mas não poderia escolher se esconder quieta até o terror passar. Isso poderia significar abrir espaço para a derrota iminente.

Glenn Rhee não parecia convencido, mas parou de insistir. Ergueu-se da cama, e passou ele mesmo a se vestir.

Em poucos momentos, contudo, aquela discussão teve de ser definitivamente interrompida. A filha de Hershel havia notado uma iluminação diferente do lado de fora da janela.

Dos painéis de energia solar localizados muito próximos da casa de Maggie, Glenn, Peggy e Mavie, ela viu surgir o reflexo de algumas luzes repentinas. Vindas do leste e do oeste daquela localização, como ponto de referência.

— Eles chegaram! — Maggie arfou, sentindo seu coração acelerar. Olhou para o marido, decidida porém nervosa. — Corra até Moritz. Eu vou buscar Gabriel. Vamos fazer tudo como combinamos! — Maggie Greene mencionava o plano que delinearam no raiar do dia anterior, depois da última invasão de Alexandria pelos capangas de Hashimoto.

— Eu te encontro no arsenal daqui a meia hora — disse Glenn, seus olhos piscando rápido, agoniados, deixando claro o quanto era difícil para ele se separar da mulher naquele momento perigoso.

— Lembre a todos de suas posições! Por favor, Glenn, você sabe o quanto isso vai ser crucial para que sobrevivam — Maggie pediu, assustada, abraçando e beijando o marido com urgência. Ele correspondeu, apenas anuindo, garantindo que se lembrava do combinado perfeitamente.

— Vou tentar acalmá-los. Eu te amo muito! — Maggie Greene abraçou o marido com mais força ainda, que se abaixou e beijou seu ventre quase com reverência. Como se tentasse passar segurança para seu filho que ainda não nascera.

— Eu te amo. Nos vemos logo — reiterou o ex-entregador de pizzas, levantando-se e beijando sua mulher uma última vez antes de cumprirem suas missões já definidas.

Maggie seguiu Glenn, descendo pelas escadas com rapidez, mas tentando evitar esforços intensos antes que fossem estritamente necessários.

A luz que haviam avistado nos painéis solares de Alexandria fora uma combinação feita com os moradores localizados em prédios e torres próximas, fora dos muros da comunidade. Estavam encarregados de resguardar o perímetro e se certificarem de que o Exército de Wyoming County estava longe. Considerando o reflexo de duas fontes de luz, feitas com espelhos e lanternas próprias, as duas torres de vigia haviam avistado a movimentação hostil e alertaram de prontidão a comunidade.

Era hora de resistir e lutar contra a próxima invasão.

Glenn correu na direção oposta a de Maggie, direto para o arsenal, onde encontraria com Moritz Alvintzi. O casal fora recentemente chocado pela conduta no mínimo surpreendente do ex-palhaço, que, obrigado pelo Exército de Wyoming County a escolher pela vida de Peggy ou de Maggie, acabou protegendo a adolescente da morte.

Greene não o odiava. Tampouco o culpava realmente, pois a situação em que fora colocado era desumana para qualquer um que tivesse alguma consciência justa.

Mas não compreendera a motivação daquela escolha. Nem a forma como ele parecera profundamente abalado com as ameaças contra Peggy. Nem a maneira como correu na direção da adolescente, aliviado ao ver que ela sobrevivera, quando Glenn e Eric atiraram nos soldados de Hashimoto que as faziam reféns.

Ele parecia ter uma proximidade inesperada com a garota. Um carinho impensado. Uma intimidade... Digna de desconfiança.

Maggie e Glenn não tiveram tempo de julgá-lo propriamente ou sequer de discutir o assunto com o sujeito. Não poderiam baní-lo ou considerá-lo um traidor porque escolheu proteger outra pessoa além da líder substituta, uma vez que Peggy também era importante para todos eles. Também era uma cidadã de Alexandria. Mesmo que Maggie Greene estivesse grávida.

Sabiam que teriam de deixar aquilo para depois, e exigir que o membro do comitê político se mantivesse cooperando com eles até terem certeza de que as ameaças haviam cessado. Ao menos por algum período de tempo maior.

Com tais pensamentos em mente, Maggie andou rápida até a casa de Deanna, onde Padre Gabriel logo lhe abriu a porta, mostrando-se solícito e obediente às diretrizes que haviam decidido em conjunto. Maggie Greene lhe deu um aceno de cabeça, aprovando sua nova postura pró-ativa.

— Estão todos aqui? Os outros... — ela logo pôs-se a indagar, mas o Padre a interrompeu.

— Sim. Os outros grupos foram divididos entre o porão abaixo do arsenal e a casa de Rick. Pontos estratégicos como discutimos — confirmou Gabriel, enquanto Maggie marchava em direção ao porão da casa da antiga mandatária da comunidade.

— Judith está dormindo aqui embaixo, junto dos outros — ele acrescentou, relatando que a bebê de Rick estava segura.

Maggie Greene abriu a porta e sentiu seu coração se partir em diversos pedaços.

Inúmeras crianças de Alexandria sentavam-se ao chão, algumas abraçando os joelhos, outras descontando a agressividade reprimida chutando objetos quebrados, e algumas chorando em silêncio. Judith dormia em um berço colocado a um canto do porão. Uma senhora de meia idade de Alexandria, chamada Sally, cuidava das crianças, tentando conter os mais agitados.

— Pessoal. Vamos fazer algo muito importante agora, tá legal? — Maggie falou, tentando dar tranquilidade e assertividade à sua voz. Pouco a pouco, as crianças escondidas no porão passavam a encará-la.

— Talvez vocês escutem barulhos estranhos vindo lá de cima. Sons altos, assustadores. É normal ter medo. Mas não se precisam se preocupar. Nós, adultos, cuidaremos de tudo — garantiu a líder substituta.

— Eu quero a minha mãe! — reclamou audivelmente Rupert, um garoto espevitado de cerca de nove anos.

— Você logo vai vê-la. Harriet te deixou aqui porque precisa trabalhar. Isso tudo que estamos fazendo é um trabalho. Um trabalho braçal. Para proteger todos nós. Sua mãe, seus amigos, você... — Maggie se aproximou do garoto, abaixando-se um pouco para ficar na altura dele. Os olhos escuros do garoto mergulharam nos verdes de Greene, e ela pôde ver o reflexo de seu filho por nascer naqueles orbes agressivos pelo medo contido. Não. Essa não vai ser a vida dele. Não vamos deixar que seja assim. Logo vai acabar. Pensou, tentando se manter o mais calma possível.

— Eu, Glenn, Padre Gabriel, Eric, Moritz, Peggy, seus pais... Temos todos que trabalhar, por agora. — a jovem mulher passou a mirar os rostos infantis que se encontravam no porão, escondidos em temor como crianças judias foragidas do nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. — Sally ficará com vocês, então sejam bonzinhos com ela e escutem tudo o que ela disser. Antes que vocês percebam, vai ter acabado e verão seus pais de novo, ok? — prometeu Maggie Greene, sabendo que aquela poderia ser uma promessa vazia para algumas daquelas crianças. Ou talvez para todas.

Sabendo estar sem escolhas, as crianças tiveram de concordar. Maggie reparou que algumas haviam parado de chorar, e outras mais agitadas pareciam um tanto mais aliviadas pela distração. Ela respirou fundo, se despediu e subiu as escadas junto com Padre Gabriel.

— Quantos você acha que estão vindo? — indagou baixo, olhando para o homem ao seu lado.

— Não dá para saber. — O Padre engoliu em seco. — Temos de esperar e ter fé de que dará certo. — Gabriel abriu um armário da sala de Deanna Monroe e tirou de lá duas enormes metralhadoras, assim como farta munição.

— Do primeiro andar a visão é boa o suficiente — sugeriu Maggie, olhando dos armamentos para o homem religioso. O padre concordou, em silêncio.

Maggie Greene estava prestes a sair e ir até o arsenal, mas sua mão pareceu congelar antes de tocar a maçaneta. Lembrou dos olhos assustados de Rupert, da morte de Sam e de todas as crianças que Tobin morrera tentando proteger. De suas decapitações em praça pública para aterrorizar a todos os moradores de Alexandria.

Glenn estaria no arsenal, àquela altura. Mas ela não poderia deixá-los. Rick a elegera como uma líder substituta, e ela precisava estar a altura do papel.

Suas prioridades eram seu filho e seu marido. Sabia disso. Mas ela jamais poderia se perdoar, como mãe, como pessoa, como ser humano... Se deixasse aquele lugar desprotegido.

Glenn Rhee era forte. Ela o amava mais do que tudo, mas tinha de confiar que poderia aguentar. Ao menos até estar certa de que era seguro sair novamente, de que aquela casa não seria invadida.

— O que está esperando? Vai logo! — Padre Gabriel disse, seus olhos brilhando pela tensão fatalista. A qualquer momento, poderiam ser invadidos pelo Exército de Wyoming County, a cada segundo mais próximo dos limites da comunidade.

Maggie se aproximou dele e segurou seu braço.

— Eu vou. Mas vamos limpar essa área juntos primeiro. Temos um trabalho a fazer, e só vamos conseguir cumprí-lo... Se trabalharmos juntos. Todos nós.

— Você ficou louca? Você tem que se preservar e salvar seu filho! — Padre Gabriel urgiu, incrédulo.

Maggie Greene apertou seu braço com ainda mais firmeza.

— Padre... Que tipo de mãe eu seria, aos olhos de Deus, aos seus olhos, do meu marido, e aos meus próprios... Se eu abandonasse aquelas crianças? — Maggie indicou com o queixo o porão repleto de crianças refugiadas.

Gabriel não soube como discordar. Apenas a fitou em silêncio, sem resposta plausível.

E então eles ouviram a primeira rajada de tiros. Longe, perto dos portões da comunidade.

— Abaixe-se! — O Padre ajudou Maggie a se proteger próxima a uma parede sem janelas por perto, enquanto seus olhos se mantinham fixos em uma delas levemente aberta, na parte da frente da casa.

De súbito, Maggie Greene sentiu o chão tremer, desequilibrando-se por instantes e segurando com ainda mais força no braço de Gabriel. O som, ensurdecedor, gritante, estrondoso, veio depois. Quebrando estilhaços de vidro de janelas consigo.

Berros foram ouvidos nas ruas de Alexandria, indicando que a primeira parte do plano fora um sucesso.

— As minas de proximidade funcionaram — disse Maggie, encarando Gabriel, que confirmou, nervoso. Aquelas explosões estrepitosas só poderiam significar aquilo.

No dia anterior, Maggie, Glenn, Moritz, Eric e Gabriel haviam apresentado aos outros adultos da comunidade — e a Peggy — o plano definido. Era hora de usar o armamento mais raro, perigoso e danoso que dispunham e que havia sido economizado até então: minas que explodiam caso alguém pisasse perto do local onde fossem instaladas.

Desta forma, seriam colocadas em posições calculadas: nos dois maiores bosques de Alexandria, terrenos mais elevados da localidade. Pontos próximos da entrada da comunidade, ao norte e ao sul. Outros seriam postos nas duas praças mais largas, a leste e a oeste do território de Alexandria.

Provavelmente o Exército de Wyoming County tentaria invadir o terreno da mesma maneira como fizeram antes e foram bem sucedidos: pelas quatro direções, em pontos cegos da murada quando poucos vigias pudessem oferecer resistência.

Logo, o encontro com aqueles explosivos seria inevitável, e as consequências... Irreversíveis. O Exército seria obrigado a debandar, podendo disparar outras minas localizadas, ou a recuar.

Portanto, aquela missão fora resguardada aos sobreviventes remanescentes com maior cuidado com armamentos do tipo: Glenn e Moritz, seguindo as posições marcadas em um mapa da comunidade.

Para não despertar suspeitas, os vigias que tinham a tarefa de alertar Alexandria da chegada do grupo em silêncio, por meio do uso de lanternas e espelhos mirados nos painéis solares, foram aconselhados a não atirar, apenas em caso de necessidade. Era preciso manter as aparências de que a invasão não fora premeditada, para que tudo desse certo.

Lembrando do plano, Maggie reparou que foi apenas uma questão de segundos para que mais e mais minas explodissem ao longo de todo o território alexandrino, sons de detonações arrebentando os ouvidos daqueles a nível do solo. O chão não parava de tremer, e seus ouvidos começaram a zunir, ensurdecidos.

Ela ouvia como se fosse um som oco por trás do zumbido; gritos agudos, berros em tom de ordem, e mais explosões ocorrendo em um efeito dominó macabro. Era bom saber que estavam vencendo. Mas ela entendia o que Glenn dissera no dia anterior.

A suposta vitória tinha um gosto amargo.

Gosto de sangue derramado.

Depois de alguns momentos, um silêncio surdo se ergueu pelos restos da comunidade. Poeira entrava por algumas janelas que haviam se estilhaçado pelas explosões. Maggie Greene comprimiu a tosse, pegando uma das metralhadoras de Padre Gabriel e se aproximou de uma das janelas, cuidadosa, para ver o que restara.

Ela sentiu vontade de vomitar.

Membros decepados pelas detonações em massa foram lançados até os telhados mais próximos da praça que havia perto da casa de Deanna. Muitos corpos fulminados estavam caídos pelas ruas, sem braços, sem pernas, sem cabeça, desmembrados de formas diferentes.

A filha de Hershel imediatamente se lembrou das crianças que aquele Exército havia desmembrado em outras invasões. Cabeças e corpos cortados para passar uma mensagem de destruição.

A ironia daquela cena era grotesca. Maggie estava achando difícil respirar, quanto mais mirar a arma contra possíveis sobreviventes.

Mas ela e Padre Gabriel foram forçados a se movimentarem para o lado contrário. A porta que ligava a sala a cozinha havia sido escancarada.

Um homem de cabelos negros e barba espessa suja de sangue avançava trôpego. Suas roupas grossas do Exército americano estavam em farrapos. Ela podia ver uma fratura exposta na altura de seu joelho, junto a um corte profundo sangrando sem parar.

— Malditos sej... — o sujeito começou a praguejar, mas Padre Gabriel já havia atirado por reflexo em seu tórax. O homem caiu de costas ao chão, tossindo sangue. Maggie e Gabriel se aproximaram dele.

— Quantos sobraram? — ela perguntou, nervosa porém decidida. Tinha o cano da metralhadora frio encostado na testa do soldado.

O homem começou a rir, sua risada entrecortada pela fraqueza que sentia. Estava à beira da morte, depois de sobreviver à explosão e aos tiros do homem de batina.

— Isso não importa. Vocês não entenderam ainda? Como... São... Burros. — O capanga tossiu mais uma vez, sua respiração apnéica. — Vai... Me matar... Padre? — perguntou, com ironia em sua voz frágil pela proximidade de seu fim.

— "O caminho do justo está cercado por todos os lados pelas iniquidades dos egoístas e pela tirania dos perversos. Bendito é aquele que, em nome da caridade e da boa vontade, pastoreia os fracos pelo vale das trevas, pois ele é verdadeiramente o protetor de seus irmãos e o salvador dos filhos perdidos. E Eu atacarei com grande vingança e raiva furiosa aqueles que tentam envenenar e destruir meus irmãos" — Padre Gabriel recitou partes do versículo 25:17, para surpresa de Maggie Greene. Ela o encarou, enquanto o sujeito aproximava-se devagar do homem caído.

— Pulp Fiction, Padre? — O soldado de barba escura riu mais. — É uma morte digna. Vamos lá. Me mate como um Samuel L. Jackson me mataria. Matem a todos. Faltam poucos... Mas não pensem que venceram. — O recruta de Hashimoto tinha um sorriso presunçoso aos lábios, e olhos parecendo mortos ainda com vida. Sem demonstrar emoção.

— O que quer dizer? — Maggie não pôde se conter. Por um momento, afastou a arma de Gabriel do corpo do militar semi-morto.

— É fácil. Se vocês nos matarem a todos... Só vão provar que ela estava certa. O fraco morre, e o forte sobrevive, às custas das mortes alheias. Essa é a única lei do mundo, hoje em dia. Se nos matarem a todos... Vão comprovar nossa ideologia. Serão o novo... — Tossiu outra vez. — Exército de Alexandria. Crias de Ha... Shi... Moto. — O soldado não mais respirou.

Maggie olhou para Gabriel, que ainda fitava o homem morto.

— E você saberá: meu nome é o Senhor quando minha vingança cair sobre ti... — Padre Gabriel arregalou os olhos. Aquela frase ganhara todo um significado agourento, assim como a passagem citada.

Não era a vingança dos justos que eles impingiam contra o Exército, mesmo que vencessem a todos. A vingança era outra. Vinda do lado contrário. Não havia como escapar ao que Hashimoto lhes forçara. Ao que tiveram de fazer para sobreviver.

"Meu nome é o Senhor quando minha vingança cair sobre ti".

Maggie Greene sentiu um arrepio de horror ao pensar novamente na frase que Gabriel falara. Retirou a faca que levava consigo e a cravou na cabeça do soldado caído. Em seguida, alertou ao Padre.

— Vou até Glenn agora. Não escutamos mais nada pelas ruas. — Assim que proferiu tais frases, deu as costas ao religioso, receando o que poderia ser a conclusão de todo esse pavor.

Maggie Greene caminhou pelas ruas de Alexandria com segurança, tapando seu rosto com um lenço, devido ao intenso odor de sangue e carne queimada. Ela tentou não contar, mas sem poder impedir-se a si mesma calculou cerca de quase uma centena de pessoas explodidas naquelas detonações dentro do território.

Foi direto até o arsenal, pisando sem querer em uma cabeça decepada. Quase vomitou outra vez, mas seguiu caminho, depois de liberar o decapitado de sua existência como errante.

Assim que chegou até a casa na qual os armamentos eram guardados, Glenn abriu a porta para ela. Seu marido a empurrou para dentro. Lá, estava sozinho com Olivia, Eric e o pai do garoto assustado, Rupert, que chorava abertamente. Perdera sua esposa naquela última luta, pois na fuga para proteger o arsenal ela fora abatida por um dos soldados que não morrera nas explosões.

Ela abraçou Glenn Rhee, sentindo uma forte vontade de chorar.

Irreprimível.

— Glenn, as ruas estão cobertas... — Seus olhos marejados já deixavam as lágrimas caírem torrencialmente.

— Eu sei. Eu sei. — Ele a abraçou, puxando seu rosto para seus ombros. Podia ver o terror nos olhos do marido. Nos orbes de Olivia. Nas íris de Eric. E no desespero de Bernard, o pai de Rupert.

— O importante é que conseguimos... Certo? — Eric perguntou, inseguro, mas sua fala foi calada de imediato.

Não havia terminado.

O grupo do arsenal foi forçado a se abaixar logo em seguida, quando projéteis destroçaram as janelas próximas. Olivia foi atingida em seu ombro, e Eric, em seu braço direito. Bernard, já abaixado, apenas se jogou ao chão. Glenn e Maggie passaram incólumes dos tiros.

O casal já mirava na direção da porta com suas armas de fogo, que foi imediatamente aberta. Um soldado de Hashimoto adentrou, como um guerreiro suicida, recebendo disparos de todos os lados. Mas, por trás dele, mais dois avançaram, tentando atacar todos os sobreviventes.

Glenn puxou Maggie para um canto do repositório das armas, protegendo-a dos tiros, mas Olivia foi atingida outra vez, agora em sua perna esquerda. Eric recebeu disparos em ambas as pernas, e Bernard foi fuzilado em diversas partes do corpo, morrendo de imediato.

Um dos soldados avançou para os feridos, e o outro na direção de Glenn e Maggie. Naquela posição desfavorável, Greene tentou atirar mas não conseguiu atingí-lo, pois o sujeito se movia rápido demais. Rhee também havia errado os tiros, atingindo apenas superficialmente o braço do soldado que corria impávido até eles.

O homem corpulento, de quase dois metros de altura, chutou Glenn no rosto, enquanto Maggie Greene gritava, vendo o osso do nariz de seu marido afundar. O descendente de asiáticos parecia zonzo, enquanto o homem lhe chutou em seu abdome com tanta força que o fez soltar um ruído grotesco de refluxo.

Ao ver que o outro soldado remanescente continha os feridos e os desarmava, Maggie apenas pôde gritar enquanto o militar torcia seu braço antes que pudesse recarregar sua arma, arrancando a metralhadora de si. O militar a arrastou pelos cabelos pelo chão, mirando uma pistola com silenciador em sua cabeça.

Glenn tentava se arrastar para ela, mas o segundo militar apenas o espancava, impedindo que se movesse. Por fim, pisou nas costas do descendente de coreanos, que mal conseguia se manter acordado.

— M-Maggie... — Glenn Rhee chamou a esposa, seu rosto manchado de sangue como os corpos explodidos do lado de fora do arsenal.

— Sua vaca prenha maldita... — O capanga do Exército que a arrastava pelos cabelos lhe deu vários tapas ao rosto, com força brutal. Maggie começou a se sentir zonza pela dor.

— ...Acha que pode liderar alguém? Acha que manda em alguma coisa? Sua vagabunda... Eu vou colocar meu pau na sua boca e te obrigar a chupar até o talo. — O homem começou a tirar o cinto com uma só mão, para desespero de Maggie. — E depois de gozar na sua garganta vou arrancar seu filho na faca daí de dentro. E só então vou te deixar morrer, sua putinha nojenta — prometeu o militar de Hashimoto com crueldade ímpar em sua voz perversa.

— MAGGIE! — Glenn berrou, e o outro militar chutou sua boca. Maggie Greene chorou ainda mais, gritando pelo nome do marido.

— Comece a implorar, sua vadia! — Ele a estapeou outra vez, abaixando as calças. — Gosto mais assi... — A porta foi aberta outra vez, e dois disparos precisos foram escutados.

O homem que pretendia estuprar Maggie Greene caiu para trás, tombando contra o corpo que também quedava do outro militar. Suas testas perfuradas por dois tiros acurados.

Peggy Taylor abaixou a arma, olhando preocupada para todos os rostos presentes.

*****

— Chegaram. Os três que flagramos por perto. — A voz de Dupont, clara e grave, lhe alertou assim que entrou no amplo depósito de materiais militares onde ela se encontrava.

— Tucker está com eles, certo? — perguntou Hashimoto, fitando seu oficial com atenção.

— Sim — confirmou o homem loiro.

— Em que estado? — ela questionou, movendo uma peixeira de um lado a outro, quase sonhadoramente. Não havia jeito. Nenhuma lâmina era igual a sua katana. Sem comparações.

— Muito abatido. Aparentemente, o espancaram — confidenciou o oficial líder das missões de espionagem. A japonesa conferiu seu relógio de pulso e viu os ponteiros marcando uma hora e quarenta minutos da madrugada.

— Ótimo. Sinal de que foi rendido — Hashimoto pigarreou, estreitando os olhos enquanto raciocinava rápido. Sabia que seria uma questão de tempo até ter Tucker de volta. Mas o que poderia fazer para passar a mensagem certa ao seu Exército?

Afinal de contas, o único desertor do Exército de Wyoming County que saíra com vida fora aquele patético moleque drogado... Merecia uma punição a altura.

Hashimoto atravessou os corredores térreos, únicos acima do solo da base do Exército que agora governava. Seguiu caminho com Dupont e outros generais até o portão de entrada, mandando baixar a ponte levadiça que Tucker construíra, por cima do fosso. Fosso esse profundo, repleto não de água, mas de uma massiva horda de errantes. Uma imitação da proteção presente em castelos europeus que muito servira para fortificar ainda mais o local já escudado antes da infecção dos rastejantes.

Seus soldados, conhecedores das ordens típicas para uma situação daquelas, já haviam desarmado os dois fugitivos de Alexandria que lhe traziam Tucker e aquele veículo com mantimentos como uma moeda de troca, como ela pôde confirmar em segundos.

— Você é Billy Ray, e você é Rebecca Gable, certo? Já conheci Billy antes. Não sabia que tinha os colhões para tanto — duvidou a líder japonesa, fazendo alguns de seus oficiais soltarem risadas discretas.

— Somos — Rebecca falou antes. — E queremos participar do seu Exército — disse a garota loira. Não parecia intimidada. A oriental sorriu com a bravura da jovem de cabelos dourados.

Hashimoto reparou que Billy dera a Gable um olhar de esguelha. Como se estivesse preocupado com algo... Com a garota loira, provavelmente. A japonesa estreitou os olhos.

— Vamos conversar sobre isso. — Sorriu mais uma vez, atestando que os olhos de Billy Ray voltaram a fitar Rebecca Gable outra vez. A jovem mulher tentava parecer firme.

Pôde sentir no ar uma tensão entre eles. A líder era ótima em ler as pessoas, suas vontades, suas fraquezas, especialmente. E ali estava a fraqueza de Billy Ray. O que poderia levá-lo a se acovardar.

Restava saber se isso seria recíproco para Rebecca Gable.

Enquanto estudava os dois pombinhos, Hashimoto aguardou até que seus homens e mulheres lhe trouxessem Tucker, amarrado e amordaçado. A japonesa retirou a fita silver tape que lhe calava, olhando com triunfo prazeroso em seus olhos azuis.

— Há quanto tempo, Tucky. Senti sua falta — debochou a chefe do Exército, enquanto o rapaz levantou os olhos para ela. Subitamente, a japonesa sentiu raiva substituir seu regozijo.

Ele não parecia assustado. Tampouco indiferente. Parecia ele próprio munido de uma outra energia... Algo que ela não conseguia reconhecer.

— Eu não. Desejei que você morresse sofrendo a cada segundo — disse o garoto, com uma língua afiada que ela não estava acostumada a aturar procedente da fala de um covarde como ele.

Hashimoto golpeou seu rosto, gerando um som oco ao atingir o maxilar do garoto. Billy Ray e Rebecca Gable piscaram, nervosos com a violência súbita.

Tucker não reclamou. Também não falou outra vez.

— Você sabe porque não corto sua língua — sussurrou Hashimoto, com perversão em sua voz grave. — Mas talvez eu pense duas vezes sobre isso se não quiser se comportar. Não piore as coisas pra você, Tucker — ela falou mais alto. — Você já vai ter que suportar muito... Não queira aumentar seus problemas — ameaçou, enquanto o rapaz apenas baixou a cabeça, como se estivesse resignado. Mas a japonesa desconfiava daquilo. Havia algo de diferente nele. Estava modificado.

— Vocês! — Ela apontou para a jovem loira e para o caipira. — Se querem mesmo fazer parte do Exército... Vamos começar com uma prova. Quero ver quão boa você é, Rebecca. Ainda não lhe testei — comentou a mulher de traços orientais. — Então você vai pegar o seu taco de baseball... — Um dos soldados que havia rendido o trio entregou a Gable a arma. — E espancar o Tucker até desacordá-lo. Quanto mais rápido conseguir fazer, mais terá minha aprovação — garantiu a líder.

Rebecca hesitou por uma fração de segundo, até caminhar na direção do rapaz. Seus olhos escuros pareciam cheios de determinação. Billy Ray, contudo, aparentou maior desconforto. Hashimoto estreitou os olhos, fitando o homem caipira que parecia ter dificuldade em mirar seus olhos nos dela.

Em menos de um minuto, Rebecca Gable havia surrado Tucker Hayes com tamanha brutalidade que o rapaz ficara inconsciente, seu rosto deformado pelo inchaço. Alguns soldados da líder japonesa a aplaudiram, ao fim da demonstração de força.

— Ótimo. Muito bom mesmo — assegurou a mulher oriental, sorrindo para a jovem loira com falsa gentileza. — Mas não acabou por aí. — Rebecca abaixou o taco manchado de sangue de Tucker, a encarando com alguma insegurança.

— Sua última prova para poder se juntar a nós... Vai se dar em um lugar específico para isso. Onde precisaremos testar sua firmeza de espírito. — Hashimoto reparou que a mão de Gable, segurando o taco, tremeu.

— Billy Ray parece muito preocupado com você. Isso é interessante. Sabe, Billy... Esse tipo de angústia no seu rosto... — A japonesa andou até ele. — Nós podemos te livrar disso. Mas só depois de muito treino. — Sorriu com falsidade outra vez. — O que tem a ver com vocês dois. — Mirou os rostos do casal.

— Priah... — Hashimoto chamou uma de suas oficiais, uma mulher alta de cabelos cacheados escuros, compridos e traços indianos em sua face. — Leve os dois para a sala B-3. — Priah assentiu. — Quero que Rebecca veja Billy Ray resistir aos nossos... Métodos. Peguem o taco dela e alguns dos nossos, e desfiram golpes nele. O suficiente para não fazê-lo desmaiar tão rápido. Quero ver até onde ele resiste e luta para se manter de pé. — A jovem com o bastão pareceu prender a respiração, arregalando os olhos.

— Rebecca. Seu teste é o seguinte: não quero ver você se mover. Nem dizer uma palavra. Apenas assista. Sem tentar interferir. — A mulher oriental fitava Gable por todo o tempo. — Se você conseguir... Considere-se uma de nós. — A japonesa abriu um sorriso enorme para Rebecca, cujas mãos tremeram ainda mais.

Hashimoto deixou os dois serem levados por alguns de seus oficiais, rumando junto ao corpo de Tucker desmaiado e outros soldados até o pátio interno da base de Wyoming County.

Mandou que prendessem os braços de Tucker com correntes, cada uma delas amarradas a dois firmes galhos de árvores, uma na direção esquerda e outra na direita.

Ainda desfalecido, com o corpo pendurado pelos braços amarrados, a japonesa despejou um cantil de água gelada na cabeça do garoto, que acordou, respirando ofegante.

*****

— Boa noite — debochou a líder, enquanto a luz de postes acesos deixava aquela cena manchada não apenas pela vermelhidão do sangue seco de Tucker, quanto pela luminosidade fosca das lâmpadas próximas.

Hayes não a respondeu. Manteve-se em silêncio, apenas lembrando do rosto de seus amigos. Na frente dele, só havia a mulher oriental, mas ele não a enxergava. As suas imagens mentais eram mais fortes do que a nitidez da psicopata.

Hashimoto foi até as costas do garoto, rasgando sua camisa com um corte preciso de sua katana, mal tocando na pele do rapaz. A respiração dele oscilou, sem saber o que esperar.

A japonesa caminhou defronte a Tucker outra vez, sorrindo amplamente. Quase feliz.

— Vamos começar com seu corretivo, meu querido. — A mulher oriental desferiu um tapa grosseiro no rosto de Hayes, que não esboçou reação além de uma careta de dor.

— O CHICOTE! — bradou, esperando que um de seus generais lhe trouxesse o material escolhido para punir Tucker. Uma excelente prova de humilhação. De joelhos. Amarrado em público, para o Exército inteiro enxergar.

Suas costas já estariam abertas quanto Rick Grimes e os outros chegassem até sua base.

Tucker Hayes olhou para trás, comprimindo um suspiro aterrorizado. Tentou se concentrar em Alexandria. Sua casa. Seus amigos.

Ver o rosto do garoto ficar assustado novamente pareceu trazer uma sensação de regozijo para ela.

— Um! — Hashimoto contou, estalando o chicote com brutalidade nas costas do garoto, que urrou de dor. A arma perfurou a pele, entrando fundo e já fazendo o sangue do rapaz escorrer. Ele achou melhor olhar para a frente, para as paredes da base que tanto conhecia.

Tucker ouviu a mulher japonesa mandando que um de seus generais trouxesse todos os oficiais que estivessem em tarefas menores. Fariam fila, e cada um desferiria um golpe em Hayes, quando estivessem organizados. Era uma forma de demonstrar seu poder, e o poder do Exército, que não poderia ser questionado.

A japonesa chicoteava as costas do rapaz em punição, que apenas gritava pela dor. Mas Tucker Hayes estava determinado. Não havia nada pior do que Hashimoto já o fizera passar, e não conseguiria aquilo de novo dele. Ela tirara tudo de si. Sua dignidade, suas esperanças, toda e qualquer motivação que o rapaz poderia ter tido, um dia, para continuar respirando.

Mas alguém lhe ensinara aquilo tudo de novo. Rick e seu grupo. Morgan. Billy. Rebecca.

Carol.

Todos os seus amigos. Todos eles haviam lhe ensinado a verdade que a japonesa tentara lhe esconder até o fim. Ele não era fraco.

Ele era forte.

Eles lhe ensinaram a ter algo que julgara perdido para sempre... A fé de que as coisas, um dia, poderiam ser boas novamente. Agora, tinha vontade de assistir aos treinos de Morgan de manhã. De ajudar Billy Ray a construir um circo para Rebecca. De assistir a amiga loira fazendo acrobacias. De estar presente no dia a dia deles.

De mais uma vez encontrar Carol, e, quem sabe um dia, poder vê-la sorrir feliz de verdade. Se pudesse ajudar.

Tucker tinha, outra vez... Vontade de viver.

E resistiria até o derradeiro fim.

Notas finais
~ Aguardo comentários! Por favor, comentem nos dois capítulos, meus lindos :) capítulo vazio de comentário fica feio demais... :/ ~ Gif maravilhoso da linda Agente Riggs: grimeswork.tumblr.com ~ Acho que as coisas deixaram a situação de Moritz, Maggie, Glenn e Peggy mais em pé de igualdade depois dessa, hehehehehe! Mas não se enganem, ainda vai rolar barraco! E agora? Quem morre? Olivia ou Eric? Hehehehe! ~ PADRE GABRIEL CITANDO SAMUEL L. JACKSON FOI IRRESISTÍVEL! Não consegui, tinha de colocar isso, depois daquele episódio que ele metralha um maluco do Negan depois de citar um salmo AHUAUHHUE!