Hunter's Instinct
4 Episódio 4 - Big Fish
Notas iniciais
E agora?
Abraham pusera tudo a perder.
Naquela noite, após se despedirem dos outros amigos, Abraham, Tara e Rick Grimes seguiram a pé na direção do Oceanário de Atlanta. Estando apenas míseros quilômetros distante do terreno do referido Aquário, foi fácil emboscarem alguns errantes para usar suas vísceras, tripas e sangue para se disfarçarem em meio à população de mortos-vivos que costumava vagar por aquelas localidades de Atlanta.
Depois de algumas horas, o trio havia se infiltrado em meio a um grupo terrivelmente grande de errantes que cambaleava alheio à presença dos três humanos vivos ao redor deles, no estacionamento do Aquário da Georgia. Ao enfim alcançarem uma das entradas do prédio, silenciosos e furtivos, Rick foi surpreendido por uma ação incrivelmente estúpida e impensada por parte do soldado ruivo que o acompanhava.
Abraham vira uma espécie de porta entreaberta, mostrando apenas uma fresta de luz azulada para dentro do prédio do Oceanário de Atlanta. Os errantes próximos dele ignoravam aquilo, talvez por não se sentirem atraídos para dentro daquela sala específica do Oceanário, preferindo o ambiente ao ar livre do estacionamento para seguirem em busca de comida. Provavelmente ali dentro não havia nenhuma presença humana, ou alguma fonte de animal vivo que lhes servisse de alimento.
Apesar de Rick Grimes ter exigido dos dois, Abraham e Tara, que não tomassem decisões antes de serem acordadas em conjunto, e apenas o seguissem no mais absoluto silêncio enquanto sondavam o Oceanário por dentro deste seu único terreno externo acessível – tendo em vista que todos os outros estavam fechados por muros e grades altas – Abraham ignorou em totalidade as exigências do policial. Assim que vira uma possibilidade de entrada, correra como um idiota na direção da porta entreaberta, atraindo a atenção dos errantes ao seu redor.
Seguiu-se, obviamente, uma luta sangrenta e arriscada. Por muito pouco, Rick, Tara e Abraham conseguiram adentrar a fresta, quase perdendo suas vidas durante o procedimento. Grimes e a mulher mataram alguns errantes com as armas brancas que portavam, enquanto o soldado usava o máximo de sua força para empurrar a porta de forma que se abrisse.
Estando em uma minoria preocupante, foi surreal que os três realmente tivessem saído daquela situação ilesos. Mas, como Rick já havia previsto, saíram da frigideira para o fogo.
Bastou adentrarem a sala iluminada por parcas luzes ofuscadas no teto, uma espécie de depósito, que segundos depois foram recebidos por um grupo que não queriam atrair.
Rick Grimes sequer tivera tempo para ralhar com o soldado boçal.
A um piscar de olhos, já estavam cercados por seis pessoas fortemente armadas, apontando fuzis, pistolas e revólveres na direção deles. Viu um homem que parecia ser de meia idade, um homem barbudo que aparentava cerca de quarenta anos no máximo, uma mulher bonita, elegante, uma idosa de cabelos brancos tão alvos que lembravam os de Hershel, um homem negro de óculos, e, por último, um homem idoso, negro, de cabelos brancos e muitas sardas no rosto. Aquelas pessoas se aproximavam do trio, deixando claro que estavam em superioridade numérica.
Rick, Abraham e Tara instintivamente haviam mirado no grupo suas armas, sentindo-se acuados. Estando literalmente em um conjunto de pessoas que compreendia a metade de integrantes daqueles que os ameaçavam, Grimes percebera que aquela era uma batalha perdida.
– Boa noite, visitantes – o idoso falou, sonso e sorridente, mantendo sua pistola empunhada na direção da testa de Rick. Cada um dos três tinha dois moradores do Oceanário com mira certeira de suas armas apontadas em cheio para suas cabeças.
– Ao que devemos a honra dessa visita noturna? – o homem sardento continuou. Grimes percebera que ele deveria ser provavelmente o líder daquele grupo, tendo em vista que fora o que se manifestara primeiro.
– Vocês estão com os nossos amigos – Rick Grimes respondeu, entre dentes. Não se permitiria sentir-se ameaçado por aqueles estranhos. Sua missão era salvar Daryl, Carol e Rosita, e seria aquilo que ele faria.
E pior para quem tentasse impedi-lo.
– Então ‘ocês encontraram o nosso convite – o homem barbudo respondeu, mostrando um evidente sotaque do Alabama. Estava mais próximo de Abraham, que era logo quem sua espingarda alvejava.
– Convite? Convite?! – o soldado ruivo grunhiu, e antes que Grimes pudesse tentar pará-lo, jogou-se como um animal selvagem na direção do caipira do Alabama. O sulista, com reflexos de lince, atirou aos pés de Abraham, a meio centímetro de atingir alguma parte de seu corpo. Fora de fato proposital.
Acordado de seus instintos de raiva, o soldado olhou para o rosto do caipira, seus olhos mostrando uma expressão menos ensandecida e mais controlada.
– Se você se mover um dedinho só a mais, atiro de novo. – Foi uma ameaça clara.
– Ninguém vai precisar atirar – Rick passou a falar. Levantou os braços em uma posição de rendição. Abraham, em seguida, o encarou com inegável desprezo em suas feições. Tara, confusa e preocupada, seguiu a liderança de Rick sem hesitar.
Os dois retiraram suas armas, inclusive facões e semelhantes, colocando-as a alguns centímetros na frente de onde estavam parados, recuando em seguida. A um pedido do idoso negro, a mulher bonita armada de um revólver se aproximou deles, retirando as armas do chão e as guardando consigo.
Abraham, apesar de seu gênio temperamental e arisco, viu-se sem saída. Demorou alguns segundos, amaldiçoou todos os presentes no Aquário – inclusive Rick e Tara – e depositou suas armas também no chão à sua frente. Foi a vez do caipira do Alabama guarda-las, o que ele fez parecendo deliciado.
– Meu nome é Jed – idoso de sardas se apresentou, com um amplo sorriso falso – estes são Dakota, Haywood, Buck e Annie. – O líder do Oceanário apresentou seu grupo.
– E este é Billy Ray. – Apontou para o caipira do Alabama.
– Rick Grimes. Tara Chambler. Abraham Ford. – A voz do policial estava no mesmo tom que usava antes do apocalipse zumbi, quando negociava com foras da lei.
– É um prazer conhecê-los. – O homem de idade longeva fez uso do mesmo tom polido fingido. – Billy aqui estava mencionando o dardo de tranquilizante que estamos certos de que acharam – Jed passou a explicar. Rick usava do máximo de sua força de vontade para manter sua postura reservada e calma.
– Imaginamos que fosse uma pista proposital – o policial respondeu com um tom de voz frio.
– Imaginaram corretamente – o idoso revidou, o sorriso fixo no rosto de Rick. – É bom ver que seu grupo é composto de pessoas espertas. Gostamos disso. – O tom desinibido do velho apenas deixava aquela conversa com um teor sarcástico ainda pior.
– Onde está Rosita?! – Abraham cobrou, fechando as mãos em punho. Rick temia que ele pudesse tomar mais uma atitude descabida, a terceira da noite.
– Ela está ótima – Dakota respondeu, sua voz suave parecendo soar compreensiva em relação à angústia de Abraham. – Ela quer vê-lo logo – a mulher bela acrescentou, e o soldado a olhou em uma expressão tão ameaçadora que Rick não se surpreendeu ao vê-la tremendo.
– Se vocês acham que isso é algum tipo de piada... – o soldado ruivo tentou ameaça-los, mas Rick o segurou pelo braço. Encararam-se, e, pela troca de olhares que compartilharam, o policial se esforçou para que Abraham compreendesse que deveria apenas ficar quieto.
– Achamos seus amigos na Floresta de Nantahala – Billy Ray voltou a falar, dessa vez. – Eu e Mavie não íamos nem mexer com eles. Nos escondemos nas árvores quando eles chegaram, aí aquela “Joãozinho” pisou em uma armadilha que deixamos pros ursos. – Pelo visto, se referia à Carol Peletier.
– Foi um banzé de cuia e tanto*. Tivemos de desacordá-los com dardos, porque o sujeito da balestra resolveu acertar uma flecha na coitada da Mavie. Acho que a ouviu em cima das árvores, e deve ter pensado que estávamos atrás deles. Algo assim – o caipira resumiu, em suas expressões típicas.
– O que Billy está querendo dizer é que os três estão bem. Tratamos de Carol – Jed adiantou, falando em um tom de voz brando e pausado – ela está em recuperação plena. Annie é uma excelente médica – o idoso apontou para a mulher de cabelos brancos – e cuidou muito bem da amiga de vocês. – O homem de sardas mantinha o olhar mais fixo nos olhos de Rick Grimes do que no rosto dos outros dois.
– Temos uma política que favorece mais as pessoas que se importam – o homem de idade continuou – vocês são bem-vindos aqui. – Sorriu descaradamente.
– Por que nos querem em sua casa? – Rick perguntou, austero.
– Como já explicamos aos seus amigos. – Jed abriu os braços em uma postura calorosa. – Precisamos de mais gente para nos ajudar. É uma via de mão dupla. Vocês nos ajudam, e nós ajudaremos vocês – o líder do Oceanário falou.
– Nós não queremos confusão – Grimes insistiu, mantendo a voz o mais baixa e controlada possível – só queremos levar nossos amigos conosco. Podem ficar com nossas armas – o policial propôs – basta apenas que nos deixem leva-los, e não os importunaremos mais – Rick garantiu, sério.
– Ora, Rick. – Jed sorriu, parecendo quase rir. Os habitantes do Oceanário de Atlanta se entreolharam, parecendo achar graça na reação do policial. Naquele momento específico, Grimes achou quase impossível controlar a própria ira.
– Mas a última coisa que nós queremos é que vocês nos deixem... Tão cedo – o idoso falou, em um tom cordial que apenas confirmou os piores temores de Rick Grimes.
*****
Algumas horas haviam se passado desde que Rick, Tara e Abraham haviam sido cercados pelo grupo de sobreviventes. Caindo no que fora provavelmente uma isca armada pelo próprio grupo do Aquário para que eles entrassem no prédio – a porta entreaberta que atraiu propositadamente a atenção de Abraham –, os três eram os mais novos integrantes sob a custódia de Jed e dos outros.
Daryl, Rosita, Carol, Rick, Tara e Abraham se reuniam no que agora seriam os aposentos de Rick Grimes, sendo deixados à sós depois de algum tempo de vigilância pelo grupo do Oceanário.
O arqueiro ouvira o relato completo de Rick acerca do que acontecera, e fora por pouco que não atingira Abraham com um soco em meio ao seu rosto branco e estúpido. O soldado, em sua impulsividade e ansiedade, pusera tudo a perder. Fora por culpa dele que seus amigos estavam presos junto a eles, também sem escolhas a não ser acatar as vontades do grupo do Aquário da Georgia.
Recordara-se de como se sentira frustrado ao ver Rick e os outros dois sendo levados sob a mira de armas pelo grupo do Aquário para uma das salas maiores, repleta de tanques de diferentes animais marinhos. Lá, Daryl, Rosita e Carol os aguardavam enquanto os habitantes do Oceanário fizeram uma espécie de... Recepção aos três outros novatos. Enquanto esperavam, ansiosos e preocupados, Mavie e Peggy ficaram encarregadas de vigiá-los.
Era bom ver mais alguns de seus amigos outra vez, ainda mais Rick, por quem tinha tamanha consideração e apreço. Mas não naquela situação.
Não imobilizados, sem saída... Presos, como eles estavam.
Jed os apresentara para as duas meninas assim que entraram na sala, e a Esquila, obviamente, parecera animada com mais novos integrantes do grupo. Daryl não se surpreendera com aquilo. Passara a esperar dela todo o tipo de reação que pudesse lhe irritar, algumas mais, outras menos. E aquela era certamente mais uma para a lista.
Rick pareceu se surpreender ao ver a menina tão nova, Peggy, que tinha cerca de 16 anos, fazendo parte daquele grupo. Provavelmente imaginava que Daryl e os outros eram reféns de algum tipo de gangue pós-apocalíptica de bandidos e mercenários bem treinados.
Não estava de todo errado, porém. Se Daryl Dixon tinha certeza de algo, nesses dias que passara prisioneiro do Aquário, era de que não devia subestimar aquelas pessoas.
Eram mais do que aparentavam ser.
Após um reencontro caloroso de Rosita, que passou a gritar palavras incompreensíveis em espanhol, e Abraham, que correra para abraça-la, o líder do Aquário da Georgia tentou forçar algum tipo de recepção simpática, como fizera com Dixon e as outras duas mulheres. Rick cumprimentou Daryl e Carol com menos emoção do que o faria se estivessem em liberdade, e o arqueiro tinha certeza de que o policial agora se mergulhava em culpa. Seus planos saíram fora do planejado, e ele com certeza queria carregar toda a responsabilidade por aquilo sozinho.
Assim, naquela conversa noturna, Rick tentara se desculpar pelo ocorrido – o que Abraham, o verdadeiro responsável, não tivera a hombridade de fazer -, e perguntar sugestões de ação. Demorou muito tempo até acreditar que não estavam sendo ouvidos. Pelo visto, a forma como o Aquário lidava com seus “hóspedes” era algo não apenas confuso para Daryl, como também para o amigo.
– Vamos dar um jeito – Dixon respondeu, tentando dar a Grimes alguma certeza. Embora ele mesmo não conseguisse pensar em uma solução plausível.
– Os outros estão bem? – Rosita perguntou, receosa.
– Sim – Tara respondeu, engolindo em seco. Parecia a mais perdida dentre os seis – eles estão seguros, alimentados, aquecidos – ela garantiu.
Daryl Dixon encarou Rick Grimes. Podia ver nos olhos do amigo a preocupação com seus filhos, que ficaram sem o pai por tempo indeterminado.
Precisamos resolver isso.
– Eu tenho uma sugestão – Carol falou baixo, sentada em sua cadeira de rodas. Esperara Abraham, Rosita e Tara saírem do quarto e se recolherem para propor o que pensara.
Sussurrara tão pouco audivelmente que os outros dois remanescentes tiveram de se aproximar mais dela para ouvir. Dixon caminhou para a porta dos aposentos destinados ao uso de Rick, e a abriu em silêncio. Olhou por um bom tempo de um lado a outro, certificando-se de que não havia ninguém lá.
Voltou em silêncio para o resto do grupo, trancando a porta antes. Fez um aceno de cabeça para Carol, que continuou, seus olhos azuis espertos cintilando. Tinha que ser ela mesmo. Daryl pensou, reconhecendo a inteligência da amiga.
– Isso não pode sair daqui de jeito nenhum – ela falou, mas se dirigiu a todos, seus olhos demorando-se mais no rosto de Rick, como se pensasse se ele estaria disposto a fazer o que ela iria recomendar. – Ou podemos estar todos mortos – ela continuou, muito séria.
– Diga – Rick exigiu.
Carol Peletier levantou os olhos para Rick Grimes. Parecia estudá-lo em silêncio. Daryl quase se sentiu aliviado ao perceber que não seria mais o único a ser “vítima” das habilidades incríveis de percepção da mulher de cabelos grisalhos.
– São só oito aqui, Rick. Dois idosos e uma adolescente, dentre eles – ela sussurrava, sua voz entoada tão baixa quanto o sopro de uma leve brisa. – Nós temos certeza. Daryl já revirou o Aquário de cima a baixo – a mulher falou, assertiva.
– Já entendi – Grimes respondeu, parecendo perturbado, e passou a mão no rosto. Baixou os olhos para o chão, piscou algumas vezes, e fez seu gesto típico de esfregar o semblante com uma das mãos outra vez.
– É a única saída que vejo – Carol insistiu, pragmática. Daryl supunha que começava a entender o plano.
– Não podemos colocar os outros em perigo – Rick respondeu.
– Eles não querem nos matar – Daryl disse – mas são perigosos. Alimentam tubarões com carne de errantes. Vai saber o que mais fazem – o arqueiro acrescentou.
– Os nossos não estarão em perigo – Carol mais uma vez urgiu, quase silenciosa – se executarmos o plano bem – ela recomendou – e mantivermos segredo do que pretendemos – acresceu.
– Judith é apenas um bebê. – Rick parecia em dúvidas ainda. Daryl finalmente compreendeu o que Carol sugerira. Mais uma vez, a astúcia da mulher não falhara.
Era a melhor das ideias possíveis.
– Só nós três precisamos saber – a mulher de cabelos curtos falou, certa do que pretendia.
– Não sei se os outros – mencionava Abraham, Rosita e Tara – teriam capacidade de executar esse plano sem... De alguma forma, atrapalhar – ela falou, com sinceridade.
– O que você acha? – Rick perguntou para Daryl, sabendo que ele compreendera.
– Não vejo outra solução – o caçador respondeu, direto – é a única forma de oferecermos resistência, em maioria – Daryl sugeriu.
– Você não pode deixar seus filhos sozinhos. Quero dizer, longe de você. – o arqueiro conjecturou.
– Nós não precisamos matar o grupo – Carol disse – não se colaborarem conosco. A mesma conversa que usaram com a gente – ela tentava convencê-lo.
– Quer apenas tomar as armas deles. Um "motim" contra Jed. – Rick passou a mão no rosto novamente. – Talvez alguns deles até se virem contra o líder, vai saber – comentou o policial.
– Acho difícil – Carol respondeu, com um sorriso discreto. Rick a encarou.
– Eles o veem como nós vemos você – a mulher falou com certa ternura. Daryl deu um tapinha nos ombros de Rick Grimes, mostrando apoio à posição de Carol Peletier.
– É, e olha onde estamos agora – o policial comentou com ironia.
– Juntos – a mulher de cabelos grisalhos continuou defendendo seu ponto.
– Bem... Se é o que querem. Vamos em frente. Falarei com Jed depois de amanhã, para fingir que oferecemos alguma resistência antes de nos submeter à vontade deles. Direi parte da verdade, que o resto de meu grupo esperava minha resposta em no máximo três dias. Fingirei submissão a ele, com a desculpa de que estou preocupado com meus filhos. E então ele buscará conosco os outros restantes. Teremos um número maior do que o deles. Iremos conhece-los com o tempo... Jogaremos o jogo deles, fingiremos alguma aproximação... E, assim que nos derem a brecha... Tomaremos o local de assalto – Grimes resumiu o plano de Carol.
– Requisitará paciência, mas conseguiremos – ela falou, certa.
– Conseguiremos. Teremos de conseguir – Rick retrucou, preocupado.
– Vamos proteger o grupo – Daryl garantiu, enquanto levava Carol para fora dos aposentos do amigo, guiando sua cadeira de rodas.
– Estamos juntos nessa. – Despediu-se de Rick com um aceno de cabeça, retribuído pelo policial, que se sentou em sua cama, parecendo pensativo.
Dixon levou Carol até seu quarto, ambos em silêncio por todo o trajeto. Ensimesmados.
Mas, ao menos, um pouco mais reconfortados.
Pois haviam combinado o plano.
Fingiriam dançar conforme a música de Jed, agindo como se tivessem aceitado seus termos. Tentariam permitir certa união entre os grupos, apenas o suficiente para que os membros do Oceanário – em minoria em relação ao grupo completo de Rick, que era composto de 15 pessoas, quase o dobro do pessoal do Aquário -, relaxasse e se sentisse a vontade perto deles. Por não saberem do que pretendiam, Rosita, Tara e Abraham inclusive agiriam com mais naturalidade. Assim que se abrissem o suficiente, assim que estivessem seguros o suficiente, na primeira brecha do Aquário... Tomariam as armas e fugiriam. Ou até expulsariam o grupo do Oceanário.
Ou, quem sabe, os subjugariam. E os novatos passariam de “peixes pilotos” para se tornarem os novos “tubarões” no Aquário da Georgia.
Pois o bom caçador e o bom pescador sabem... Não é prudente manter um peixe grande em um lago pequeno. Não se deve acuar um animal selvagem.
É apenas uma questão de tempo até que eles se revoltem e clamem pelo território que merecem.

Fale com o autor