Hunter's Instinct

16 Episódio 16 - Dirty Secrets


Notas iniciais
Olá a todos os leitores! =D Bom gente, nessa semana que passou voltei as aulas da faculdade e foi difícil arranjar tempo, conciliando estudos e estágio, para escrever na fic. Porém, demorei uns diazinhos a mais do que de costume mas cheguei! Esse capítulo será um POV da Mavie. Acredito que o próximo seja POV do Rick, embora ainda não tenha certeza. Teremos finalmente a revelação de quem era o garotinho que apareceu no fim do "episódio" 14, e... Bem, algumas coisinhas a mais! Algumas coisinhas a mais que vocês aaaaamam ahahahahaha! Dedico este capítulo à Amélia e Renata Dupont, que me deram a terceira e quarta recomendações de H.I.! s2 Amei demais! Cada elogio e incentivo seu é muito precioso, Amélia ^^ você é uma leitora muito atenciosa e me deixa comentários muito completos e maravilhosos de se ler! E Renatinha, uma leitora também muito querida e fofa que me acompanha desde minha fic do Loki =D sempre comentando e dando apoio, e me fazendo muito recompensada por me esforçar tanto para escrever! Muito obrigada de verdade, meninas! o/ Espero que outras leitoras que também estejam agradadas com a fanfic se animem a recomendar! o/ Também quero deixar meus agradecimentos para as leitoras Lunah Miller, Vivi Costa, nataliasilveira, Srta Bitch Grimes, Rosie Santana, Lux, Giovana Catalani e Amélia de novo, por comentarem sempre! :D Fantasminhas, não se acanhem! Respondo a todos os comentários! Assim, sem demorar mais... Fiquem com o capítulo. EU SEI QUE TÁ GRANDE DE NOVO! Não me matem. Mas tá realmente dinâmico... Até porque METADE dele se baseia em certas cenas que cof cof muitas de vocês cof cof vão amar e pirar cof cof vocês sabem porque cof cof HAHAHAHAHA preparem o medidor de temperatura porque esse capítulo vai pegar fogo! E modéstia a parte, tenho que dizer que os roteiristas de TWD andam lendo Hunter's Instinct! Só pode! A Carol reagiu de forma IGUAL a que eu descrevi na fic, se fingindo de boazinha e fraquinha, toda meiga e sorridente, para virar uma espiã... Daryl, Rick e Carol (igual aqui na fic) combinaram de dar um golpe em Alexandria, a única diferença crucial foi que quem fez a proposta na série foi o Rick e aqui foi a Carol... Fora que a Deanna é o Jed versão mulher! Até velha é, gente HAHAHAHAHA! Alexandria tem uma vibe muito parecida com o Aquário da Georgia, e devo dizer que surtei vendo em como minha fic ficou "canon" com a série sem eu nem ter ideia do roteiro que eles seguiriam! Agora, termino essas notas HAHAHAAH espero que gostem do capítulo! Tenho certeza que vão amar certas partes hehehehehe! Beijos e boa leitura!

– Você sabe que perdeu a cabeça*, não é? – perguntou Mavelle Berry, as mãos firmes no volante do caminhão de médio porte. Fazia o caminho de volta, rumando seguidamente a oeste para depois subir levemente ao norte e enfim chegar ao Aquário da Georgia. Ao seu lado, via de relance a rodovia passando, faixas e mais faixas solitárias sem carro algum, cercadas de mato abandonado. Um ou outro Frankie era visível de vez em quando, mas nada que causasse preocupação ao grupo.

A jovem mulher irlandesa, Haywood, Billy Ray e Daryl Dixon haviam escapado por pouco de um ataque massivo de mortos-vivos na Floresta Nacional de Oconee. Cercados de todos os lados, se não fosse pela interferência movida pela rápida esperteza do arqueiro do grupo, nenhum deles provavelmente teria sobrevivido. Agindo como iscas vivas, Daryl e Mavie haviam desviado a atenção dos mortos que cercavam os quatro caçadores pelo norte, matando-os e liberando um caminho de fuga para Billy e Haywood assim que tivessem terminado de eliminar os Frankies malditos em seu encalço.

É claro que Mavelle demorou um pouco para compreender o que o Cupido pretendia. De início, temeu que a estivesse levando para o caminhão e deixando Billy e Haywood para trás. No meio de tanta tensão, Mavie Berry deixou fluir a raiva que já comprimia dentro de si, liberando em cima do caipira da Georgia algumas poucas e boas. O fim de discussão acabou de uma forma controversa, para não dizer inesperada... E ela pôde distrai-lo, recuperar o arco e flecha e correr na direção de Billy Ray e Haywood, com quem estava preocupada.

Não foi sequer necessário acudi-los. Assim que correu rumo ao local onde estavam, os dois surgiram correndo a toda velocidade da trilha livre que ela e Daryl haviam deixado. Entraram os quatro velozmente dentro do caminhão, Mavie Berry responsável pela direção do veículo, Billy ao seu lado – pois Haywood não permitiu que ficasse sozinho com Dixon, prevendo possíveis catástrofes -, e os outros dois na “caçamba” do caminhão.

Enquanto relembrava os últimos acontecimentos, Mavie levou um dos dedos da mão esquerda aos lábios, com uma recordação em especial em mente, e sua mão direita segurava o volante. Moveu-o com leveza para o lado direito, fazendo uma curva suave.

– Eu já pedi desculpas. Fiquei de ovo ‘travessado. Mas você também não precisava desembestiá pro meio daquele mato todo só de raiva – acrescentou um contrito, porém contrariado Billy Ray ao lado de Mavelle. O homem com seus recém feitos quarenta anos agira de forma muito infantil e precipitada naquela tarde. Seus olhos escuros olhavam pela janela ao lado do banco de carona, como se estivesse muito interessado naquela paisagem. O céu já estava escuro no horizonte da estrada, infindável após milhas e milhas de pavimento e asfalto.

– E eu já falei que vi a porra de um rastro do caralho de um urso pardo naquela trilha! Não enche a porra do saco, Billy, no final eu ajudei a salvar vocês dois da merda que você se meteu, não foi?! – certificou Mavelle, movendo seu rosto irritado para Billy mais uma vez. O caipira do Alabama estava mais intratável do que de costume. Aquela superproteção toda já beirava o limite do insuportável.

– Muito agradecido – escarneceu o sulista. – Por pouco achei que aquele sujeitinho desmilinguido ia tentar te sequestrar para algum canto com ele. Se não tivesse te visto antes daquele bostinha, tinha liberado o trabuco naquela cara feia, muito faceiro – garantiu Billy Ray, um tom rancoroso e perigoso em sua voz quase sempre gentil.

– Você não ia precisar fazer isso – retrucou Mavie, entre dentes. – Se ele fosse desse tipo, eu já teria enfiado uma flecha entre os olhos dele há muito – sentenciou a jovem irlandesa, dando um olhar feio para Billy.

– Sei não. Do mesmo jeito que flechou os tais do Elliot e Orlando? – falou ferinamente Billy Ray, mencionando o momento em que Mavie quase fora estuprada, indefesa, por um dos dois novatos que já haviam virado comida de tubarão. Mavie sentiu uma pontada de fúria em seu peito, e deu apenas um olhar fulminante para Billy sem dizer nada.

– Vá se foder, Billy – ofendeu a garota de cabelos morenos em um sussurro bastante audível, olhando para a estrada, sem mais dar um olhar para o caipira do Alabama. – Além de ingrato com o cara que acabou de salvar sua vida, está sendo um babaca comigo. Talvez a gente devesse tê-lo deixado virar comida de Frankenstein mesmo – revidou a garota irlandesa, furiosa.

Mavelle viu de esguelha o sulista ranger os dentes, passando os dedos pelo olho direito, fechado. Fechou as mãos em punho, e parecia controlar-se para não socar o estofado do banco do caminhão onde estava sentado.

– Me engamelei** aqui. Não foi isso que eu quis dizer... – Billy ia começar, em um pedido de desculpas malfeito, mas Mavelle Berry já não tinha mais paciência.

– E que merda você quis dizer, Billy? O que você quer, camarada?! – perguntou Mavie, enfurecida, voltando o rosto mais uma vez com ímpeto na direção de Billy Ray. O caipira do Alabama respirou fundo, coçando a cabeça, e movimento seu rosto para olhar de frente para a irlandesa.

– Você sabe – o homem falou sério, e seus olhos negros brilharam em uma centelha de algo que Mavelle jamais havia reconhecido em seu olhar. Aflita, ela sentiu seu coração se acelerar um pouco, sem se permitir formar aquela ideia em sua mente.

– Você sabe que eu me preocupo com a sua segurança. Esse grupo não é tão submisso quanto parece. Tem caroço nesse angu, tô te falando – consertou Billy Ray, parecendo dar um sentido mais leve à sua frase, franzindo o cenho depois do olhar assustado em resposta dado a ele por Mavie. – Esse sujeito, o tal do xerife, a “tiçã” samurai... – Billy passou a listar as pessoas de quem desconfiava mais.

– Isso foi meio racista, seu retardado – reparou Mavelle, dando um sorrido enviesado contido, de deboche.

– ...O que importa, é que eu não vou muito com a cara da maior parte dessa gente. Aquela menina, a tal da Greene, e o chinês, o casalzinho, eles eu até confio mais, são gente boa até segunda ordem – refletiu o sulista do Alabama. – A tal da Joãozinho, que o Jed desconfia tanto, também me parece inofensiva. Sua avó gosta muito dela – complementou Billy.

– Eu sei. Carol é bem simpática, proativa, gentil, tem ajudado muito o pessoal. Também gosto bastante dela – atentou a garota irlandesa.

– Você sabe que eu não engulo muito bem as regras do Jed, menina. Tenho o sangue quente demais pra isso, para me fingir de amiguinho da vizinhança sempre. Com alguns até dá. Mas quando vejo gente folgada que nem esse diacho de capiau, que não faz esforço nenhum para interagir e nos ajudar, depois de darmos comida, bebida, teto e condições de vida decente pra ele e seus amigos... Arrogante, mal encarado, que ficou semanas sem tomar banho só ‘pra contrariar e a gente tendo de aturar aquele inhaca azeda disgramada... – Billy reiterou a implicância que tinha com Daryl.

– Eu já sei de tudo isso – retrucou Mavie, suspirando impaciente, não queria entrar no assunto “Daryl Dixon” mais uma vez. Era melhor tirar seus pensamentos dele por um bom tempo. – Eu mesma não sou muito fã das regras, Billy, mas o que a gente pode fazer? Não me sinto bem enganando as pessoas na cara dura. Mas não somos nós que decidimos, como você gosta de lembrar. E elas têm funcionado até agora. Estamos vivos há quase dois anos, desde que tudo isso começou, graças a elas... Certo? – lembrou a garota de dentes grandes.

– Mas que cansa, ô se cansa – pontuou o caipira, passando a mão direita pelo rosto mais uma vez.

– A nossa vida atualmente cansa – ponderou Mavie, olhando um grupo de mortos-vivos decompostos que se arrastavam, sem pernas, no meio da estrada. Desviou o caminhão de forma que pudesse atropelar suas cabeças. – Esse mundo está todo fodido, Billy – ela falou, entristecida, enquanto o caipira do Alabama olhou para ela mais gentil e calmo. – Às vezes eu só queria ter um dia normal... Embora saiba que isso é impossível – comentou Mavie, com sinceridade, lembrando-se de tudo o que vivera até estar ali.

Aquilo tudo podia ser completamente estafante. Lembrar que sobreviviam, e não viviam, lembrar das mentiras que eram obrigados a encenar por medidas de segurança impostar por Jed, lembrar da constante luta contra os mortos-vivos e também contra as pessoas que se mostrassem traiçoeiras, cruzando seus caminhos... Aquilo não era vida. Aquilo não era normal.

Ironicamente, o momento de maior normalidade que tivera recentemente fora justamente o mais imprevisível... Perto do caminhão, na Floresta de Oconee, quando deixou seus instintos falarem mais alto e enfim cedeu a um impulso de vontade que reprimia havia semanas.

Sentir o gosto de Daryl fora bom demais, muito além do que poderia imaginar. A forma como seus corpos eram atraídos um pelo outro, pulsando em uma harmonia selvagem, em um prazer doloroso de tão intenso... Ela sabia, por mais que quisesse evitar pensar e sentir aquilo... Que aquele beijo fora apenas o começo.

*****

Ao finalmente chegarem ao Oceanário de Atlanta, Mavelle estacionou o caminhão nos portões de onde haviam saído, guardando a chave consigo assim que abriu o compartimento de carga. No fim das contas, os caçadores haviam conseguido apenas a cobra que ela e Daryl haviam encontrado, e uma marmota perdida no meio do mato que Billy achara antes de ser cercado por carniceiros. Caça escassa, mas teria de servir ao menos por uns três dias.

Ela abriu a caçamba, evitando manter contato ocular com Daryl Dixon. No momento em que seus olhos se cruzaram, fez o máximo de esforço possível para manter uma expressão neutra, dando-lhe um de seus sorrisos casuais e despojados, típicos, embora sentisse um ligeiro retorcer em seu ventre, indesejado, devido aos últimos acontecimentos entre eles dois.

Haywood desceu antes, e o Cupido depois, que, por sua vez, não pareceu ter muita dificuldade em ignorar Mavelle depois de desviar o olhar dos olhos de avelã esverdeado da irlandesa. Ela engoliu em seco, não querendo admitir que aquilo a desagradara um pouco, mas seguiu caminho.

Assim que chegou na porta de entrada daquela parte externa dos jardins do Oceanário, Dakota veio correndo esbaforida, seu rosto em uma expressão de tensão. Já era cerca de oito horas da noite e alguns minutos.

Ela primeiramente deu um abraço longo em Haywood, algo que, reservada como era, não costumava ser de seu feitio. Em seguida, cumprimentou Mavie e Billy, dando a Daryl um aceno de cabeça. Esperou o caçador arqueiro entrar pela porta dupla, que quase a ignorou dando um boa noite seco e insípido, e, depois de alguns segundos, falou a Mavie e Billy.

– Jed está furioso. E vocês sabem como ele fica quando está assim. – A mulher elegante e morena falou, nervosa – disse que queria ver vocês dois assim que chegassem. Imediatamente. Ainda não sei o que aconteceu, mas acho melhor irem logo – Dakota explicou um pouco angustiada, enquanto Haywood a segurava pelos ombros.

Assim que Billy e Mavie seguiram caminho, a irlandesa olhou de esguelha para trás e viu Haywood e Dakota se beijando rapidamente, para a mulher em seguida descansar seu rosto nos ombros do parceiro.

Nenhum dos novatos sabia a respeito dos dois. Apenas os veteranos do Aquário da Georgia reconheciam o homem de meia idade e a mulher de longos cabelos castanhos escuros como um casal. Para evitar mostrar possíveis fraquezas aos novatos, essa era uma das muitas omissões e enganações na quase imensa lista de Jed que todos os habitantes de mais tempo do lugar tinham de levar adiante, até passados os meses de adaptação e ser sentenciada a plena confiança do líder nos novos moradores.

E eis que, seguindo para a ala médica do Oceanário de Atlanta, como haviam sido indicados a fazer por Dakota, Billy e Mavie confrontaram mais um acontecimento inesperado.

Na ala hospitalar do Aquário da Georgia, Jed sentava-se em uma maca, sua postura sempre cortês e desinibida igual ao que costumava encenar. Porém, em seus olhos escuros, Mavie engoliu em seco ao aferir o olhar poderoso e lancinante que seus orbes continham. Sua expressão não revelava nada, mas seu olhar, para quem o conhecia, evidenciava o quanto estava descontente.

E aquilo era sempre muito perigoso.

– Jed? – Billy foi o primeiro a perguntar, ao lado de Mavie.

– O que aconteceu? – questionou a garota irlandesa, preocupada, indo direto ao assunto.

– Carol e Rick descobriram Roger – esclareceu, também muito direto, Jed. Mavelle puxou o ar entre seus dentes salientes, aflita, enquanto Billy soltava um “eita ferro” que não conseguiu conter.

– Mas como isso foi acontecer? – a irlandesa continuou a perguntar. – Não é para esse tipo de coisa que fazemos a programação semanal com tanto cuidado? – a garota morena perguntou, tensa.

– E é por isso que vocês estão aqui. – Os olhos fuzilantes de Jed moveram-se com tanto ímpeto para o rosto de Mavie que ela realmente se sentiu intimidada. – A sua tarefa nesse quesito, Mavelle, era entregar o cronograma de Rick Grimes a Rick Grimes. O que estava contido na agenda dele para o entardecer de hoje? – interrogou o pragmático líder do Aquário da Georgia.

Mavie não hesitou.

– Nada. Ele tinha a tarde livre. Apenas mais patrulhas à noite – disse Mavelle, sabendo que sua memória não lhe falhava. Sabia que com aquilo poderia colocar Billy em uma má situação, mas mentir para o chefe do Oceanário poderia ser ainda pior para os dois.

– E na agenda de Carol, Billy Ray? – questionou o idoso sardento, voltando seus olhos fulminantes para o rosto do homem do sul do Alabama. Mavie podia jurar que vira os dedos de Billy tremerem um pouco, segurando sua espingarda.

– Hã... Eu acho que... Fisioterapia – falou incerto o caipira.

Jed baixou o rosto, dando uma risada sem humor algum. Mavie Berry sentiu um calafrio de tensão subir pela sua espinha.

– E eu me lembro bem, Billy Ray, assim como sabe que tenho meios de provar que estou certo – o idoso levantou um gravador de bolso, mostrando-o para o capiau –, que eu lhe mandei riscar isso e escrever ”fazer jantar — Billy Ray e Carol Peletier”, porque o menino adoeceu subitamente e teria de tomar algumas vacinas por precaução. E havíamos escolhido este horário da fisioterapia de Carol para tanto, quando nenhum dos novatos estaria por perto e ninguém encontraria com Roger. Com meu neto. Antes de ser a hora de conhecê-lo – garantiu com autoridade assustadora o líder do Oceanário de Atlanta.

– Eu... – Billy Ray ia começar a pedir desculpas, parecendo ainda mais atormentado do que já estava depois dos incidentes pesados daquele dia de caça.

– Poupe suas desculpas, Billy Ray. É a primeira vez que um erro grave e estúpido como esse acontece. E, pelo seu próprio bem, eu espero que seja a última. – Os olhos sagazes de Jed pareciam perscrutar a mente do caipira, encarando-o profundamente. – O que não significa que vai sair dessa sem alguma punição. Para que não esqueça – alertou o líder.

– Para o seu próprio bem – falou ele, e a ironia gritante presente em sua voz fez Mavie ficar muito desagradada. Apesar de saber que não poderia fazer nada para ajudar.

– Eles... Eles já sabem quem o Roger é? E... – Mavelle Berry tentou perguntar e desanuviar a pesada tensão entre eles, mas Jed a cortou com a mesma voz fria que usara para Billy Ray.

– Sabem. Eu mesmo expliquei. Mas os dois não são burros. Se posso afirmar, na verdade, são os mais inteligentes desse grupo. Você não poderia ter cometido um erro pior nem que se esforçasse muito, Billy Ray – afirmou com severidade Jed, e Mavie podia imaginar o quão humilhado e envergonhado Billy deveria estar se sentindo.

– Eu farei um pronunciamento hoje, depois do jantar, apresentando Roger aos outros. Serei obrigado a me retratar, e isso vai enfraquecer um pouco nossa posição. Carol e Rick estarão liberados de seus deveres no Aquário até então. Mavelle, você irá cozinhar com Billy – definiu o chefe do Aquário.

– Mas espere... – Billy tentou começar, e Jed o interrompeu mais uma vez.

– Como eu falei, suas ações terão consequências. Mas eu achei uma forma de retomar posicionamento – esclareceu Jed, levantando-se e batendo na porta anexa à ala hospitalar, que levava ao laboratório médico.

Annie saiu de lá, sua expressão tão fria quanto a do líder do Aquário, junto a Peggy, preocupada e assustada, que carregava um choroso e também curioso Roger em seu colo. Depois das duas, com rostos atentos, Carol e Rick seguiram. Aguardaram por todo esse tempo na sala ao lado, pelo visto, para alguma futura decisão de Jed.

– Rick. Pelo que já me esclareceu, você era policial – começou Jed, dando a Grimes um sorriso falso de fazer inveja a atores de Hollywood.

O xerife assentiu com o rosto, estudando os presentes.

– Esta situação desagradável não foi evitada e aconteceu por conta do erro de um membro de meu pessoal – o líder do Oceanário continuou a falar, parecendo desinibido e calmo. – Um erro grave, que pode nos ter feito parecer muito mal na sua visão e na de Carol – riu o idoso, como se conversassem de algum acontecimento constrangedor que todos haviam superado com leveza.

– Já conversamos bastante, e, como compreendeu, tive de ocultar Roger até então por ainda estarmos nos conhecendo. Quando uma visita entra na sua casa pela primeira vez, você não a chama para dormir no seu quarto de primeira, certo? – disse o homem idoso, rindo. – Assim como sei que suas prioridades são sua filha e seu filho, sei que entende que meu neto é o que há de mais precioso para mim. Tem apenas três anos de idade, e é muito frágil para as atividades rotineiras do Aquário. Por isso, tenho toda uma ala reservada apenas para ele e seu crescimento sadio – Jed comentou em um tom tranquilo, mas a ameaça naquelas palavras era implícita. Caso Rick ou Carol ou qualquer outro se aproximasse de Roger... Não haveria perdão.

– Nós compreendemos perfeitamente – assegurou Carol em um dos seus típicos sorrisos meigos.

– Como eu imaginaria – retrucou Jed em sua falsidade exemplar. – Ocorre que já conversei com Billy. Como sua falta foi muito grave e colocou vocês dois, além de mim, Annie, Peggy e meu neto, em uma situação no mínimo desagradável... – o líder do Oceanário falava em um tom monocórdio, impassível. – Precisamos elaborar algum tipo de punição para este ato inédito. Uma sociedade não funciona sem leis e sem poder de polícia, como você sabe muito bem, Rick – Jed se dirigia apenas ao policial, agora – e julgamos que nada melhor do que um policial para elaborar uma punição justa a um ato de imprudência como esse. – O idoso sardento juntou os dedos.

– Imagine se Billy tivesse esquecido de modificar o horário de Carol, caso sua tarefa no caso tivesse sido a de limpar os carniceiros, ou, como vocês falam, os errantes do estacionamento? E fosse para lá sozinha, desacompanhada? Por um deslize, o que será que não poderia acontecer? – esclareceu o idoso com ponderação.

– Portanto, lhe daremos o prazo de um mês para nos apresentar o julgamento deste caso. Quais são as consequências que julga que o ato de Billy deveria trazer, para decidirmos, no fim, como procederemos – Jed espertamente ameaçou Rick justamente no ponto que o impediria de negar.

– Com todo o respeito, Jed, não é você o líder do local? – perguntou Rick, munindo-se de cortesia o máximo que podia, pelo que Mavie podia reparar. – Assim sendo, não poderia ter por si só a prerrogativa de fazer as leis? – o policial complementou.

– Mas eu preciso da ajuda de vocês para tanto. – Sorriu falsamente Jed, abrindo os braços. – Como sempre lembro a todos, nós não seríamos nada um sem os outros. Precisamos nos ajudar, Rick. – O homem idoso encarou com o mesmo olhar fulminante que dera a Mavie e Billy Ray o policial do Aquário da Georgia. – Você sabe disso. Como um bom homem da lei – o idoso sardento provocou, dando um último sorriso debochado e simultaneamente cortês para Rick.

Billy continuou calado, olhando Jed com um olhar inescrutável. Peggy, silenciosa, arregalava os olhos para Mavelle, que a encarava com um olhar reconfortante, para que ficasse calma. Roger já não mais chorava e quis se sentar ao lado do avô, abraçando-lhe. Annie continuava com a expressão fria, seus braços cruzados e olhos fixos no líder dos grupos. Carol encarava a todos com seus olhos azuis claros mostrando uma expressão de confusão e aflição, como se não quisesse que os grupos se desentendessem. Rick e Jed se encaravam em silêncio, e Mavelle podia jurar que estava vendo uma espécie de duelo de faroeste.

Ninguém ousava falar nada. A palavra de Jed, na verdade, é que era a lei.

– Se é o que todos querem – falou Rick Grimes, o policial, por fim. – Eu vou ajudar. Não se preocupe, Jed – respondeu com a mesma polidez forçada Rick.

– Sabia que não iria me desapontar – finalizou o idoso sardento, dando a Rick Grimes um sorriso digno de Oscar. Levantou seu neto com suas mãos e braços fortes apesar da idade, e saiu do recinto. – Lembre-se: tem um mês para nos apresentar a “sentença” – o idoso recordou, e seguiu caminho com seu neto no colo.

Tanto Carol quanto Rick deixaram a ala médica, seguidos por Peggy que provavelmente fora em busca de Noah ou da mãe, e ficaram apenas ali Billy, Mavie e Annie.

– Isso não vai acabar bem – previu Annie Guinness, movendo-se para a neta e a abraçando com carinho, enfim demonstrando mais emoção. – Contenha-se o máximo que puder a partir de agora, Billy. Jed não hesitará em lembrar-lhe que não poderá errar duas vezes – a idosa aconselhou o homem do sul, entrando no laboratório e deixando a jovem irlandesa e o caipira do Alabama sozinhos.

– Acho que é melhor irmos cozinhar logo – sugeriu Mavie, buscando desviar da tensão que caía pesada como uma névoa escura naquele repartimento. Billy parecia atordoado, e Mavelle realmente sentiu compaixão pelo amigo.

Jed estava realmente repleto de ira. Quando desagradado dessa forma, as coisas nunca tinham um fim... Pacífico.

Como um líder astuto e intrépido, Jed faria o que fosse preciso para manter a autoridade e o grupo dos moradores anteriores do Oceanário de Atlanta protegido e unido. Para tanto, colocara Rick em uma posição difícil. Obrigá-lo a formular uma sentença de punição para Billy Ray era atar suas mãos; Grimes temeria uma resposta do grupo do Aquário se fosse muito rígido, ao mesmo tempo que tomar uma decisão muito leve apenas evidenciaria cada vez mais sua submissão às vontades de Jed. E aquela decisão, feita na frente do próprio Billy que, em tese, havia anuído com a tarefa agraciada a Rick, mostrava que a união entre o grupo de veteranos não seria facilmente rompida. Billy Ray aceitara ser humilhado na frente do policial para não colocar em risco a autoridade de Jed, e, portanto, a proteção do grupo de veteranos.

Se Rick estivesse planejando contestar a liderança de Jed... Aquilo fora mesmo uma bela rasteira em seus planos.

Mavie temia Jed, mais do que gostava dele. Mas não poderia deixar de se admirar com sua astúcia... Colocado em prova, após acontecer o que ele mais temia... O idoso não só virara o jogo, como se colocara no topo dele e submetera Rick Grimes outra vez.

Por favor, que isso não acabe em guerra. Pensou Mavelle Berry, temerosa, enquanto acompanhava Billy até as cozinhas.

*****

Mais tarde naquela noite, o neto de Jed, Roger, fora apresentado ao restante do grupo. Como Mavie já imaginara, as reações se dividiram em diversos aspectos diferentes. Alguns pareceram chocados e confusos, outros, desconfiados e ainda mais incrédulos, mas o que se poderia dizer que afetou a maioria foi que, novamente, os muros de tensão entre os veteranos do Aquário da Georgia e os novatos pareciam crescer mais altos, depois de um longo processo de derrubada, por ambas as partes.

Mavelle Berry passou os cinco dias seguintes concentrando-se em seus próprios afazeres. Tentara interagir com Abraham e Rosita quando estes estiveram envoltos no procedimento de construção de novos poços para captação de água das chuvas nos jardins ao sul do Aquário, mas sua aproximação não conseguiu passar do estritamente profissional. Padre Gabriel, Eugene, Noah e Tara estiveram alheios a tudo como sempre, o primeiro focado em planejar algumas celebrações religiosas com Dakota, o segundo nos trabalhos científicos com Buck, o terceiro em passar tempo acompanhado de Peggy, e a última, justamente uma das novatas mais próximas de Mavie, fechara-se junto a Sasha, uma das membras mais ariscas e sérias do Oceanário.

Rick, Michonne e seus filhos agiam de forma reservada, porém cortês, como sempre, e até mesmo Glenn e Maggie pareciam um pouco distantes, ensimesmados. Reclusos. Como se uma espécie de linha territorial imaginária fosse afixada entre os veteranos e novatos.

A única que ousava cruzar essa linha, com sua amigável simpatia sem igual, era apenas Carol Peletier. Mavelle se sentia aliviada de ver que ao menos uma do grupo era realmente mais desinibida e sociável como ela. Carol tinha realmente habilidades sociais; conseguia ser amiga de todos nos dois grupos, inclusive do membro mais esquivo e arredio de todos: Daryl Dixon.

No quarto dia que se seguiu a revelação do neto de Jed, Mavelle Berry, Haywood, Billy Ray e Daryl, o grupo de sempre, saiu em mais uma missão de caça. Mavie se sentiu levemente ultrajada ao aferir a nada sutil distância que Daryl fazia questão de interpor entre eles. Não a tratava mal mais, da forma ríspida e debochada como era de costume. Mas agia com indiferença, como se a presença da garota fosse tão importante como a de uma formiga.

Um tanto inconformada, a jovem irlandesa prometeu a si mesma que tiraria a desforra por aquilo. O jogo de se fazer de sonsa era a “brincadeira” dela, e não dele. Mavelle sabia que podia mexer com o caçador arqueiro, e colocaria aquilo em prática mais uma vez. Ainda que, estrategicamente, manter a distância entre os grupos, naquele momento, fosse o melhor a se fazer.

Por sua própria segurança.

Logo, chegou mais um dia, o quinto, a contar da notícia sobre Roger, contada a todos os moradores novatos do Oceanário de Atlanta. Naquela noite, Daryl e Mavie teriam dois turnos de ronda sozinhos, um acaso do destino sorteado pelas mãos de Jed. O quanto isso poderia ser apenas uma vicissitude e o quanto era deliberado seria um mistério para Mavelle Berry, e ela preferiria mantê-lo assim. Não precisava de mais conjeturas preocupantes para ocupar-lhe sua já estressada mente.

Estavam ambos, portanto, rondando o perímetro perto dos portões a oeste do Oceanário. Observavam os arredores em uma varanda da construção, que tinha uma vista privilegiada daquele ponto, e privacidade para quem os olhasse debaixo. Apenas uma porta, fechada, sem vidraças, era o que unia aquela área à parte interna do Aquário da Georgia.

Era uma noite escura e de muito frio. A lua nova escondia-se em meio ao breu do céu do início de uma madrugada, e poder-se-ia supor que boa parte dos membros do Aquário já dormiam há muito. Mavie caminhava de um lado, dando o que ela já havia contado como a quadragésima volta naquele percurso, mirando um tiro silencioso em sua arma de estilo franco-atirador no Frankenstein que se aproximava. Daryl, desarmado, conforme as ordens de Jed apenas lhe dava as orientações caso ela deixasse passar algo.

Desde aquele dia na Floresta Nacional de Oconee, não tinham trocado palavras além de saudações. Daryl, na verdade, não falara realmente nada, tendo em vista que costumava responder à palavras e frases inteiras com meros rosnados. Aquilo divertia e, ao mesmo tempo, exasperava Mavelle.

A garota irlandesa mirou para atirar um Frankie que havia ficado preso na abertura entre as grades dos portões oeste e fazia muitos ruídos inconvenientes. Em um tiro certeiro, o morto-vivo parou de estrebuchar, silenciando-se enfim. Ficaram tão quietos quanto a noite, por longos segundos, enquanto não havia viva alma – ou morta – fazendo-se ver por perto.

Mavie abraçou os próprios ombros, colocando a arma ajeitada na bandoleira em suas costas. Usava uma blusa simples de algodão, de estampa xadrez vinho e branca, de mangas de comprimento regular, mas não longas. O tecido era muito fresco para aquela ocasião, e ela já estava tiritando de frio. Batendo os dentes e o queixo, ela não pôde deixar de começar a conversa mole, até para se distrair daquela sensação indesejada:

– Mas está frio pra porra, não? – comentou ela em um tom brando e desinibido. Daryl não respondeu, continuando a caminhar para o outro extremo da varanda. Agiu como se não tivesse escutado nada.

– Será que uma geada se aproxima? Mas não é época, espero que não aconteça. Senão minha avó poderia perder toda a produção – mencionou a horta de Annie, enquanto seguia Dixon com os braços esfregando-se rapidamente entre si, subindo até os ombros para se aquecer.

– Com um vento frio e forte desses, acho que isso poderia ser sinal até de um tornado. Ainda bem que o Aquário... – Mavelle ia continuar a tagarelar, mas Daryl voltou-se para ela de súbito, parando de caminhar, quase fazendo a garota dar de cara com seu peito.

– Se você quer o cacete da jaqueta, pode pedir, e não ficar enchendo meus ouvidos com merda – Daryl Dixon retrucou.

Ah. Voltamos ao “modo Rambo” de sempre. Pensou Mavie, debochada, aferindo a grosseria gratuita.

– Bem, seria bom, muito obrigada por oferecer com tanta delicadeza – ela revidou, debochada, enquanto o caipira da Georgia apenas fez um som rouco com a garganta. Grunhindo de novo. Esse camarada é um homem ou um vira-lata? Perguntou Mavelle para si mesma, começando a se divertir com a companhia.

Daryl despiu a jaqueta, e Mavelle Berry desviou o olhar de seus braços que se contraíam fácil em qualquer movimento simples. Sentindo-se idiota, percebeu que suas maçãs do rosto ficaram mais quentes com aquela visão. Ele entregou a peça de roupa para a garota irlandesa, que vestiu-a de imediato, sentindo-se imediatamente aquecida, encaixando a bandoleira da arma pelas costas e ombros.

O tecido de couro era bem confortável, e a jaqueta era muito maior do que seus ombros e sua compleição física, caindo-lhe até os glúteos, deixando apenas antever a ponta de seus dedos no final das mangas longas. Mavie puxou a jaqueta mais para perto de seu corpo, e sentiu o cheiro característico daquele homem, um aroma amadeirado, voraz, forte porém convidativo, úmido... Um cheiro constante de suor, mas incrivelmente agradável. Um perfume naturalmente masculino e vigorosamente sedutor. Foi difícil não fechar os olhos para aspirar fundo.

Mavie teria de tomar banho antes de dormir naquela noite. Seria difícil conseguir adormecer impregnada pelo cheiro de Daryl Dixon.

– Ainda bem que você parou de tremer esse queixo – respondeu Daryl, enquanto Mavelle percebia uma centelha debochada em seus olhos azuis naturalmente semicerrados. – Batendo esses dentões assim fico surpreso que você não tenha roído a própria boca – o arqueiro debochou dela da parte de sua aparência física que mais a deixava complexada. Levantando uma sobrancelha em desafio, Mavie não se deixou levar. Não permitiria que Dixon começasse aquele jogo bipolar de oscilar entre tratá-la bem e sacaneá-la com frequência outra vez.

Mavelle deu uma leve mordida em seu lábio inferior com seus dois dentes salientes. Usou seu melhor olhar lascivo, e percebeu que no mesmo momento tivera sucesso em sua empreitada. Reparou que o arqueiro encarou o movimento, e não com um olhar de repúdio. Aliás, com olhos que lhe diriam algo bem diferente.

Deu um passo para o lado do caçador, que apoiava as costas na parede em uma das extremidades da varanda.

– Você adora tirar uma com os meus dentes. Mas eles não pareceram te incomodar naquele dia, em Oconee – lembrou Mavie, aproximando-se dele de forma cautelosa e sedutora.

– E você se acha muito para uma dentuça que é quase do tamanho da minha jaqueta – troçou Daryl de volta, fingindo desinteresse, como se não tivesse entendido aonde ela queria chegar. Mas, mesmo na fraca luz noturna azulada da varanda, gerada pela energia do Oceanário, ela conseguia ver algo estimulante cintilar nos pequenos olhos daquele homem tão perto de si.

Mavelle, mantendo o mesmo olhar provocante, fez menção de tocar em um dos braços fortes do arqueiro. Enquanto seus dedos mal raspavam a superfície quente e masculina de sua pele, o caçador já havia reagido. Segurou o pulso de Mavie com o punho firme, encarando-a com um olhar perigoso, levando sua mão para longe dele.

Aquilo ficara definitivamente divertido.

– Sabe... – Mavelle falou com uma voz ronronante, enquanto Daryl apenas apertava seu pulso, a mão fechada fincada em sua pele. Ela passou a sentir pequenos espamos de calor naquela parte de sua pele sendo levados pelo seu sangue que viajava rápido por seu corpo. Já não precisava mais daquela jaqueta. Sua temperatura corporal já aquecia-se muito bem com tudo aquilo. Deu alguns passos para perto do arqueiro, seu rosto quase tocando o dele. Seu nariz podia sentir a proximidade do queixo dele, e sua respiração entrecortada batia-lhe à testa. Mavelle não sabia se ele queria lhe dar uns tapas ou agarrá-la. Talvez os dois ao mesmo tempo.

– ...Eu consigo pensar em algo para minha boca fazer em você que meus dentes também não vão incomodar. E que vai nos aquecer sem nenhum de nós precisar de jaqueta – Mavelle Berry falou devassamente, o eufemismo escondendo propostas implicitamente vulgares por trás.

– Você deveria aprender a parar de provocar, Esquila – Daryl respondeu, sua voz saindo em um fio de som rouco, um tom inegável de luxúria perceptível. Afinal de contas, por mais que fosse metido a durão e inatingível... Dixon também era homem.

No segundo seguinte, Mavelle sentiu seu pulso ser levemente retorcido pela mão forte de Daryl, enquanto o homem, atiçado além de sua própria resistência, puxou com a outra mão o corpo dela, pelas costas, contra si, enquanto já arrancava dos ombros dela a bandoleira e a arma que ali havia e deixava-a cair ao chão. Mavelle Berry quase se arrependeu por ter colocado a jaqueta, pois era apenas uma peça de roupa a mais a impedir um contato mais próximo com a pele dele.

No mesmo momento, suas bocas já haviam se encontrado no frenesi de um beijo madente e faminto, no qual ela permitiu seus lábios sôfregos de desejo satisfazerem a pulsão que tinha pelo gosto daquele homem à sua frente. Arfavam com brutalidade, buscando o pouco ar necessário para que se mantivessem ocupados naquela proveitosa tarefa. A mão de Dixon que segurava seu punho já havia soltado aquele pedaço de carne magra e adentrado pela jaqueta que era dele, a qual Mavie vestia no momento, entrando sem desembaraço pelo tecido de algodão da camisa da irlandesa, em busca de pele mais quente, macia e tenra.

Com a outra mão livre, o caçador havia puxado a coxa de Mavelle para cima, dando-lhe um apertão tão forte por cima da calça jeans que provavelmente lhe deixaria marcas roxas no dia seguinte. Deliciada com aquele momento no qual não havia amarras e falsidade alguma, apenas instinto e apetite ferozes, seguiu o movimento, em pleno deleite, gemendo alto. As suas duas pernas enlaçaram o arqueiro pela cintura, enquanto seus braços subiam até seu pescoço, arranhando sua nuca e ombros com garras felinas. Mal paravam para respirar, enquanto seus lábios e línguas se uniam em frêmitos cada vez mais selvagens e prazerosos.

O homem levantou o corpo dela por seus glúteos e base da coxa, devorando seus lábios com animalidade, enquanto a levou até a parede da varanda, encaixando-a na altura de sua cintura em um pequeno relevo no qual, abaixo do concreto, havia um escapamento de saída de ventilação. Naquele contorno vertical, sentindo suas pernas apoiadas no concreto, Mavie soltou um gemido prazeroso enquanto puxava a pélvis do caçador para perto da sua, cravando suas coxas em seu cóccix, seus corpos tão unidos que suas costas doíam por serem prensadas contra a parede da varanda.

Daryl parou de beijar seus lábios apenas para mordiscar-lhe o queixo, descendo por seu maxilar até seu pescoço, sugando a carne que seus lábios e língua quente encontravam. Mavie apenas se entregava completamente à sensação de regalo entorpecente, como se não conseguisse pensar, como se sequer fosse um ser pensante. Enquanto isso, o caçador tirava decidido a jaqueta que ela havia pegado emprestada, puxando-a decidido pelos braços de Mavie. Assim que ela percebeu o tecido deixando seus braços, reparou também nas mãos audaciosas do homem mais uma vez entrando por sua camisa, dessa vez em sua base, na costura, levantando-a e retirando-a de seu corpo com tanta robustez que fora um gesto quase violento.

Mavelle mal tivera chance de olhar para onde a camisa fora atirada, caída no chão de concreto da varanda, quando o arqueiro puxou seu rabo de cavalo para trás, beijando-a com ainda mais intensidade do que antes, fazendo-a fechar os olhos para concentrar-se apenas naquela sensação de plena torridez. Vestida apenas com um sutiã branco, sua calça jeans e roupas íntimas, Mavie sentiu, seu corpo todo contorcendo-se turgente em um arrepio de prazer, as mãos dele descendo, não mais puxando seu cabelo mas sim apertando seus braços, seus dedos se fincando na sua carne como se tivesse fome dela, enquanto com sua boca voraz ele mordia o músculo sensível que havia em seu ombro esquerdo, relaxando-a e enrijecendo-a ao mesmo tempo. Por fim, as mãos ágeis do arqueiro subiram por sua barriga, para enfim tocarem em seu sutiã, apertando seus seios por cima daquele tecido que agora Mavie maldizia por existir.

Ela levara uma das mãos para os cabelos de Dixon, querendo puxá-los para descarregar todo o afã intenso que sentia, mas ele habilidosamente puxou seu punho, abaixando-o para cima da estrutura em que ela fora colocada sentada, grunhindo como se mantivesse a própria autoridade, enquanto, com os outros dedos, abria sem maiores dificuldades o fecho do sutiã em suas costas. Mavie tinha a leve percepção de estar em uma área pública, onde qualquer um do Aquário poderia abrir a porta por acaso, mas nada daquilo parecia ter importância em sua mente completamente enevoada pela pulsão luxuriosa que a levava por completo.

Seu sutiã também caíra ao longo de suas pernas, indo parar no chão junto às outras vestimentas, quando ela sentiu o contato da língua úmida e sedenta dele contra aquela parte tão sensível de seu corpo, fazendo cada pelo do seu corpo arrepiar-se e eriçar-se com aquele deleite divino. Ouviu-o rosnar contra aquela parte de si, em um som tão sinceramente bestial que ela mesma se sentiu impelida a grunhir de prazer. Com a visão turva, as costas arqueadas de forma a favorecer e ampliar ainda mais aquele contato, impelindo seu peito contra o homem que a levava a loucura, Mavelle não ouviu que alguém se aproximava.

Ela tivera a chance de vislumbrar os olhos de Daryl assim que ele levantou o rosto para encará-la, seus corpos apenas meramente afastados, ainda encaixados entre si apesar das roupas que os atrapalhavam na concretização do que era óbvio que ambos desejavam. Os olhos semicerrados do caçador arqueiro tinham um brilho escurecido, sombrio, predatório... Ameaçador. Como se ali não houvesse mais o homem contido e arisco que ele era, mas uma fera levada por um instinto voraz e devorador, como se quisesse e fosse consumi-la por inteiro. Quisesse ela ou não.

Mas Mavelle Berry adoraria ser devorada.

Subitamente, Mavie escutou o som de passos cadencialmente mais altos. Como se fosse uma presa em fuga contorceu-se para longe dos braços de Dixon e pulou de cima daquele assento improvisado – o relevo que escondia a saída de ventilação anexa àquela varanda -, para por fim vestir-se com a rapidez de uma lebre fugindo de um lince em seu encalço. Daryl apenas continuara no mesmo lugar, parado, como se não compreendesse o que acontecera até então, tentando voltar aos seus sentidos.

No segundo seguinte em que encaixou a bandoleira em seus ombros, depois de vestir a blusa de algodão – não mais vestindo a jaqueta de Daryl, que deixara em cima do concreto da saída de ar –, Sasha e Maggie entraram pela varanda, sendo saudadas com o máximo de inocência cínica que Mavelle conseguiu reunir. O turno dela e de Daryl Dixon havia acabado, e fora por pouco – por muito pouco – que mais surpresas deixaram de aguardar o grupo de moradores do Aquário.

Ela seguiu para fora da sala, respirando fundo, enquanto o homem não parecia ter saído do lugar.

Ele já é grandinho, sabe se virar. Pensou Mavie Berry, vingada e divertida.

Ao chegar aos seus aposentos, depois de caminhar um pouco até alcançá-los, Mavie percebeu que teria de ir ao vestiário feminino, sorrindo lasciva pelo que acabara de acontecer.

Estava pegando fogo, e precisava de uma boa ducha de água fria.

Notas finais
~ Mavie no gif: Ê MENINA ATENTADA! *É uma expressão brasileira também, mas como curiosidade: "gone in the head", vulgo, ter perdido a cabeça, é uma gíria tipicamente irlandesa, e não norte-americana/inglesa/etc. **Se engamelar: gíria caipira que significa "se enrolar". Aguardo reviews! WOAH! Esse final pegou fogo, hein? xP E olha que tem muuuuuuuuito mais ainda...