Hunters
4 Smells like war
No dia seguinte, Ridley arrumava suas coisas para ir para escola quando Donnie entrou e se apoiou na soleira da porta.
— Filha.
Ela virou em sua direção e sorriu. Mas ele não parecia muito contente, estava mais para... Irritado. E parecia-se muito com Duhann nesse momento. Os traços rudes do rosto, nariz reto, cabelo acobreado e olhos verde-claro. A barba fraca porém, estava pintada de preto.
— Mais más notícias? — ela disse voltando a por os livros na mochila. — Ultimamente só tenho recebido-as.
— Thomas tem algo a ver com esse homem que foi preso?
Direto e frio. Ridley desacelerou os movimentos e engoliu em seco.
— Não — seu tom de voz estava meio desequilibrado. — Claro que não, quer dizer, como ele estaria envolvido nisso?
— Eu não sei, Ridley. Mas você conhece seu primo. Ele não é muito sensato.
Ela assentiu, soltando a respiração e jogando a mochila por sobre o ombro.
— E quanto a tio Duhann?
Donnie deu de ombros, seus olhos estavam sem vida e agora ele aparentava apenas estar sobre estresse.
— A situação está na mesma. A execução acontecerá na sexta.
— Mas, o homem que foi preso...
— Os Anciões não querem enxergar os fatos.
Após dizer isso, ele desejou boa aula para ela e saiu do quarto.
Mal sabia ele que Ridley também não era lá muito sensata. Mas ela esperava que ele acreditasse nela e tirasse a idéia da cabeça de que Thomas estava envolvido nisso. Se Donnie de algum modo descobrisse o que ele fez, iria é claro, descobri-la também.
E as coisas não acabariam nada bem.
Ela desceu as escadas rapidamente e só parou para prestar atenção no noticiário que havia citado a palavra: Mausoléu.
Uma mulher loira estava atualizando as informações do assassinato, dizendo que finalmente haviam descoberto as identidades das vítimas. George e Sara Alfayate.
Ao ouvir isso, Ridley ficou tonta e se apoiou no sofá. Agora ela entendia porque tanta suspense em revelar o nome dos dois. Precisariam de um tempo antes de enfrentar o burburinho mundial. Ela já imaginava as manchetes no jornal e as matérias em sites... O Vice-Presidente dos Estados Unidos e sua mulher são assassinados por zelador de cemitério.
Definitivamente, havia algo de errado na frase, e era a parte do homem aleatório matar pessoas importantíssimas para o país. E Ridley fazia parte dessa enorme bagunça. Ela queria socar a cabeça contra a parede inúmeras vezes até fazer isso tudo sumir.
Agora, Ridley não sabia o que pensar. Sempre teve dúvidas se fora mesmo Duhann que os matou, mas na verdade, não fazia muita diferença para ela. O apoiaria. Era família. Mas por qual motivo matar especificamente Sara e George Alfayate? Será que ele não sabia dos riscos?
Mas talvez ele soubesse. Assim como Ridley sabia quando foi ajudar Thomas a incriminar aquele pobre coitado.
Caminhou até a escola, e quando estava quase chegando, seus olhos começaram a arder e lacrimejar. Droga.
Ela olhou em volta, já esperando pelo Espírito, mas não viu nada. Nenhum animal ou humano por ali. A cabeça começou a doer e as mãos a tremer. Quando os ruídos na mente vieram altos, como se fossem estalos de TV, ela soube que ele estava fazendo isso. Havia uma diferença entre ela sentir sua presença e ele fazer isso de propósito. E no caso, o Espírito a detonava. Não havia nada que tivesse aprendido como caçadora para poder evitar o que acontecia.
Ridley caiu de joelhos e jogou a mochila pesada ao seu lado. Começou a tossir desesperadamente e, quando levou as mãos a boca, viu respingos de sangue nelas.
Ela não conseguia raciocinar, a única coisa que sentia era a mais alucinante e pura dor.
Quando viu uma mão se esticar até ela, achou que fosse um anjo. Não poderia estar mais enganada.
Quando viu quem era, Ridley ignorou a mão que se estendia e se levantou sozinha. Agora tudo o que restava eram pequenos sussurros em sua mente. Os pensamentos dele. Aprendera que os Espíritos tinham pensamentos altos e barulhentos, principalmente por serem mil coisas em um corpo só. Eram essências vivas.
Ela o olhou de modo irritado e, sem pensar, pegou a mochila do chão e lançou com força contra Sawyer. Mas ele apenas a pegou antes de ser atingido.
— Não vai adiantar me bater — falou ele sorrindo.
— O que você quer? — perguntou Ridley puxando a mochila para si. — Por que estava no meu colégio sábado passado?
— Falando com aquela menina simpática — ele lançou-lhe um sorriso malicioso, mas continuou. — Nesse momento, eu apenas quero avisar que uma guerra está vindo. E eles estão vindo atrás de você e os outros importantes.
Ela franzia o cenho enquanto os ventos bagunçavam seu cabelo cor de canela. Ignorou a parte do menina "simpática". Sabia muito bem o que ele queria dizer com isso.
— O que você quer dizer com isso? Quem está atrás de mim?
— Os Demônios. Você sabe que eles são seus parentes distantes, certo? O espírito da caça está no sangue de vocês.
— É. Muito distantes. Strauss, o primeiro, era um bruxo. E seu pai era um Demônio. Essa é a única ligação.
O garoto, Sawyer, deu de ombros, como se não se importasse muito.
— De qualquer modo, eles querem a você e a todos os filhos dos líderes dos clãs.
— Para que? E por que está nos ajudando?
— Por que se eles conseguirem o que querem, vencerão a guerra. E como um soldado fiel, não posso deixar isso acontecer.
***
Ridley suspeitava das palavras que saiam da boca do garoto e, se alguém a visse conversando com um sobrenatural, estaria ferrada. Sawyer disse que as Sirenas, Fadas e Lâmias não se meteriam nesse guerra nem agora, nem nunca. Os Espíritos e Demônios se resolveriam sozinhos, não importa a quantidade de sangue que derramassem.
— Mas por que vocês estão em guerra?
— Alguém matou o vice presidente dos EUA e sua mulher. Eles eram simpatizantes, protegiam os Demônios de qualquer olho fofoqueiro e humano. E eles acham que foram nós que os matamos.
Ridley agradeceu por Espíritos terem uma audição normal. Pois nesse momento, seu coração disparou.
— Por que? — ela tentou manter a voz normal e parecer o menos culpada o possível.
— Porque sempre tivemos uma rixa. Ao longo dos séculos um sempre tentou acabar com o outro. Começou com os ancestrais e agora... isso.
Sawyer a observava com seus olhos nebulosos e impassíveis.
— Então me explique de novo por que estamos tendo essa conversa — ela não tinha certeza se queria ouvir mesmo a resposta.
— Eu pretendo matar você.
Nesse momento, ouve-se um instalo em sua mente. E tudo de repente... escureceu.
Fale com o autor