Hunters
3 A bigger problem
Após correr por dois quarteirões assustada, Ridley pegou um táxi para ir até o cemitério. Observou os grandes pinheiros no caminho e os prédios achatados e vermelhos, todos com ar de biblioteca. Desceu do carro e se agarrou no casaco. O tempo havia esfriado. Ela caminhou pelas lápides até chegar no fim do cemitério, aonde atrás de algumas árvores sem folhas se encontrava o Mausoléu.
Thomas estava de braços cruzados a esperando em frente a grande estrutura negra de pedra.
— Você demorou. — lançou ele a avaliando com aqueles olhos brilhantes.
— Passei no colégio antes... — ela esfregou as mãos ao sentir a brisa gelada de vento. — Então? O que tenho que fazer?
— Eu e os meninos já fizemos a parte difícil. Tudo o que tem que fazer agora é abrir essa porta e gritar por ajuda.
Ridley franziu o cenho. O que ele queria dizer com gritar por ajuda?
—O que quer dizer com isso? Thomas, o que você fez?
O garoto apenas deu um sorriso malicioso.
— Não se preocupe, tomamos cuidado para não deixarmos nenhuma impressão digital na cena do crime.
Ela levou as mãos no rosto e deu um grunhido frustado. O que eles haviam feito?
— Apenas entre. Chame a polícia, tanto faz! Use a sua criatividade, prima.
E com isso ele saiu do local. Ridley olhou em volta. Não havia câmeras no local, e ela não sabia se isso era bom ou ruim. De qualquer modo, ignorou a parte sensata do cérebro que a alertava para dar meia volta e fugir e caminhou até a porta. Era pesada, mas Ridley a abriu com facilidade.
— Socorro! Socorro! — uma voz rasgada e desesperada surgiu. Mas não era a dela.
Ridley deu um gritinho e empurrou o homem que caía em cima dela. Quando fez isso, ele cambaleou para trás e caiu perto dos corpos.
O lugar em si estava escuro, apenas iluminado com a luz de velas. Uma mulher e um homem de aparência importante estava deitados no chão com a garganta e roupas lotadas de sangue. Mortos. O outro homem, um pouco mais velho, usava roupas cinzas e um crachá no peito. Deveria ser o zelador do cemitério. E ele estava completamente perdido.
— Socorro... — ele então murmurou, tentando se levantar.
Então ela entendeu. Thomas e seu grupo haviam jogado e provavelmente drogado o homem ali para que parecesse o culpado. E haviam até implantado a arma do crime, um facão ao lado das vítimas.
Agora Ridley tinha a decisão de livrar o homem inocente da cadeia... mas ao mesmo tempo estaria mandando seu tio para lá.
Ela pegou o celular.
— Alô... — ela disse com a voz trêmula. — Um homem... e dois corpos... Mortos.
Na semana seguinte, era a vez de todos da escola estarem comentando sobre o assassinato.
— Você ouviram? O zelador do cemitério matou aquelas duas pessoas. Deus... eu o via toda vez que ia lá — disse Madison enrolando uma mexa do cabelo liso e negro em seu dedo.
Zoella estremeceu.
— Eu também. Não acredito que é um assassino. Ainda bem que está preso.
— Más notícias — disse Mark entrando na rodinha que elas faziam no meio do corredor. — Ele não está preso ainda. Meu pai disse que ainda há muitos furos no caso e aparentemente o advogado do cara é bom.
Uma onda de mau estar abateu Ridley. O loiro continuou falando.
— Manterão ele no departamento o máximo que conseguirem.
— Mark... — chamou Ridley com a voz fraca. — Seu pai não trabalha no FBI?
— Sim — O garoto assentiu. O que diabos este homem estava fazendo no FBI?!, ela queria poder perguntar. Mas não precisou. — As pessoas que ele matou eram... — então o loiro arregalou os olhos e parou de repente. — Desculpe, não posso falar ainda.
Todas começaram a resmungar. Mark não podia falar muito sobre o pouco que sabia, mas Ridley teria que descobrir.
— Quando irão liberar os nomes? — ela insistiu.
— A qualquer momento. A imprensa do FBI está colocando pressão para eles liberarem logo.
A tensão se aliviou um pouco sobre ela. Foi então que viu a loira passar apressada por eles. Deveria ter aula agora, mas Ridley empurrou Mark que ainda tagarelava e foi em sua direção.
— Ginger! — a garota agarrou seu braço.
— O que? Fale rápido, eu estou atrasada... — Ginger falava com os olhos castanhos elétricos.
— Hm, eu... Bem, — Ridley não sabia exatamente o que iria dizer. — quem era aquele garoto que falava com você no ginásio?
Ginger franziu o cenho mas então deu um sorriso, se lembrando. E era um sorriso um tanto... Suspeito.
— O nome dele é Sawyer Delarge. — ela deu uma olhada rápida para trás. — Tenho que ir agora. Não posso chegar atrasada. De novo.
Do jeito que Ginger falou seu nome, com um sorriso no rosto e olhos esperançosos, parecia gostar dele. Ou até mesmo estar em algum tipo de relacionamento. Ridley ficou parada no meio das paredes de armários azuis metálicos que pareciam que iriam se mover e imprensa-la a qualquer momento. Ela deu um salto ao sentir uma mão em seu ombro. Era Thomas.
— Obrigada, prima — ele parecia sinceramente agradecido. — Será nosso segredo agora.
E então saiu andando. A parte do "será nosso segredo agora", atormentou ainda mais a sua mente. Ele havia dito isso para lembra-la de que não poderia contar a ninguém ou era algum tipo de amaeça? Tudo podia se esperar de seu instável primo. Ela se perguntava se ele sabia no quão frágil o caso se tornara. Mas afinal, no que eles poderiam suspeitar? Havia um homem, pessoas mortas e a arma do crime. Não poderiam simplesmente manda-lo para a cadeia? Humanos.
Os Anciões não demoraram muito para julgar Duhann. Em apenas um dia, ele se transformara em líder de um clã inteiro para um homem morto. O que Thomas (e Ridley) fizera só fez com que adiassem a execução.
Agora, os humanos iriam inspecionar tudo. Ridley já tinha uma noção devido a sua cota de seriados policiais. Procurariam pelo exato tipo de arma do crime, iriam caçar DNA's por todo canto do Mausoléu e checar a hora da morte.
Droga.
Ridley correu até a sala em que Thomas entrara. Bateu na porta de vidro tentando chamar atenção do ruivo que sentava no fundo, mas tudo o que conseguiu fora um olhar zangado do professor. Ela bufou e abriu a porta.
— Thomas, precisamos conversar — agora todos os alunos do terceiro ano a encaravam, mas isso não a incomodava.
— Srta. Redbird... — o professor tentou, irritado, chamar sua atenção, mas ela interrompeu.
Alguém estupidamente perguntara se eles eram irmãos, mas ninguém respondeu.
— É urgente — falou agora encarando Thomas que estava sentado no fundo com uma expressão relaxada.
O garoto se levantou e caminhou até ela.
— Vocês não podem sair assim! — protestou o homem.
Mas tudo o que Thomas fez foi fechar a porta na cara dele.
— O que você quer? — perguntou ainda com aquele ar despreocupado.
Irritada com tanta tranquilidade, ela o puxou para longe da sala e o jogou dentro do banheiro masculino. Havia um garoto com traços japoneses que estava prestes a dizer alguma coisa quando Ridley gritou:
— Para fora!
Ele saiu andando ainda inclinado a protestar. Melhor não, ela pensou.
— Bem, alguém está de mau humor.
Ela checou todas as portas cinzas dos sanitários. Não havia mais ninguém. Então se aproximou dele e começou a falar:
— Estamos ferrados! Você sabe que o FBI checará a hora da morte, certo? Certo?! — mas ela não deixou ele responder. — Aquelas pessoas morreram na terça, Thomas! Não fará o menor sentido o assassino ter reaparecido no local quatro dias depois! E além do mais, irão descobrir que ele estava drogado. E se ele se lembrar de algo?
A expressão dele estava entre tentar manter a pose de durão ou dar um ataque e quebrar o vidro do espelho.
— Você realmente não pensou nisso? — perguntou ela perplexa, diminuindo o tom de voz.
— Como eu ia saber que isso iria parar no FBI?! — Ele explodiu. Agora já não era só o seu cabelo que estava vermelho, mas também seu rosto.
Ridley não se intimidou.
— As pessoas que tio Duhann supostamente matou eram importantes. Teremos que ficar de olho na TV. Mark disse que eles iriam revelar...
— Tem como eles chegarem até nós?
— Se o homem lembrar, sim, claro! — respondeu ela como se ele fosse um demente e voltando a ficar irritada por ele te-la interrompido. — Mas principalmente a mim, já que fui eu quem deu a ligação. E ele me viu, droga!
— Você não deu seu nome. Não tem como chegarem a você só com a sua aparência — Thomas disse categoricamente, como se já tivesse resolvido tudo.
— Não os subestime, Thomas.
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