Humans
3 Strife
Notas iniciais

Meus pés estavam felinamente se dirigindo ao um local até agora indefinido, sem nenhum rumo, apenas a procura de Percy Jackson, e eu, já estava preparada para fazer um interrogatório que o deixaria o deixaria amedrontado, e com vontade de que seu interrogador seja até um agente do FBI, e não eu. Afinal, eu poderia ser bem mais do que uma simples problemática quando eu queria, e além do mais, persuasão sempre esteve na lista de coisas que me tornava ainda mais impossível. É, talvez o que estava dentro dessa lista negra tenha feito Atena me chutar elegantemente para casa de meus avos, e depois, ter se mudado terminantemente à Atlanta, e pelo menos, isto me livrou parcialmente de ter que ouvir seus monólogos sem causa sobre como um comportamento correto muda o mundo, e que de fato, eu seria apenas mais uma garçonete sendo vítima de apalpadas na bunda caso não mudasse.
Palavras desse patamar até fariam algum mínimo sentido, se não houvesse saído da boca dela, uma mulher que ainda tinha o prazer de carregar o sobrenome de meu pai, um sujeito que mesmo depois de anos desaparecido, e sem dar notícias, ainda assombrava a mente de Atena de maneira nebulosa.
Esgueirar-me de vários ombros ossudos, e até gordos demais de alunos era uma rotineira ação que todos os estudantes de Kvemo High School tinham de realizar todos os dias, mas nem por isso, muitas pessoas não deixavam a irritante e psicótica realização de quase deslocar meu ombro, em um chocar rápido e abundante em uma dor que preenchia meu osso. Levei minha mão ao local atingido, massageando-o, enquanto a menina que havia feito o estrago, praticamente rasteja ao chão com os olhos num pedido sem som de desculpas, assenti, e logo após, a menina miúda, e bochechuda sumiu entre o mar de alunos.
Um tempo depois andando pela vasta imensidão de adolescentes espremidos por corredores de armários vermelhos, vãos para mais caminhos, e anda mais alunos, a dor do meu ombro já não era mais perceptível, de modo que eu poderia girá-lo para frente e para trás discretamente, como eu sempre fazia quando o stress subia para a cabeça, e permeava muitos outros locais. Com minha bolsa um pouco suja de mais em um dos braços (e mesmo assim insubstituível), e vagando em busca de Jackson não havia nenhum fator que me fizesse ter um sequer resquício de felicidade ou até mesmo algum sentimento bom em mim.
Primeiro que a) acordar às sete e meia da manhã já era muito útil para justificar tudo, segundo que b) receber logo na época matinal a doce e bela notícia de que Percy havia elaborado, sem nenhuma concordância minha, uma ida para onde estou morando no momento, e consequentemente, havia tido uma conversa sobre mim com minha avó, e agora, dona Rebecca Chase era mais do que uma fã declarada de Jackson c) agora, eu estava com Thalia Grace mais do que nunca em meu pé d) Tyson, por fontes anônimas — ressalto, seu irmão — já estava ligado no fato em que eu e seu irmão havíamos transado em um chalé, e por último e) hoje era quinta-feira, aula de biologia, e o começo de uma semana cheia de detenções à cumprir. Então, deixemos bem claro que há não apenas uma, mas sim várias justificativas para meu inicial mau humor.
Tyson, como Thalia, já havia se dissipado há muito tempo de meu campo de visão, de modo que eu estava sozinha, visto que os dois são, vendo por um lado, os meus únicos amigos acessíveis num momento que se alastrara por mais tempo do que eu tinha em mente. Já que Reyna, uma garota séria e totalmente subjugada à uma vida simples e dura, teve de se mudar para Detroit, em busca juntamente com seus pais por uma vivência melhor, o que não obtinham em Kvemo Kartli; Silena por outro lado, estava num outro continente, residindo em Londres, e vivendo seu sonho ornado de todos os bens que sua mãe poderia lhe dar, e também seu novo trabalho como modelo — afinal, além de assemelhada com uma princesa da Disney, Silena tinha dotes de moda, e ainda sim, conseguia ser uma das melhores pessoas que tive prazer de ter em minha vida.
Eu sentia falta de ambas, obviamente, e às vezes, eu ouvia o rugir de meu lado excêntrico e nada altruísta ecoar em minha cabeça, negando que o lugar delas era ao meu lado, mesmo sabendo que nada verdade, aonde estavam tudo estava mais elevado.
As quimeras voadoras que me deixavam visivelmente desligada do mundo exterior explodiram imediatamente quando a garota que tomba seu ombro ossudo e sardento no meu é ninguém mais ninguém menos do que Rachel Elizabeth, que hoje, estava no seu maior auge de ser vadia como eu nunca havia visto antes. Péssima pessoa para ter me tirado de minha divagação, mesmo sendo a das mais depreciativas o possível.
— Chase, Chase — a voz entoou perto demais aos meus ouvidos, enquanto, a ruiva sem sal e todos os outros temperos (ruins ou bons) enrolava uma madeixa fogoso entre seus dedos finos e longos. — Não é boa te ver tão cedo de manhã, ainda mais quando a sua cara está a pior possível. Mas, eu devo relevar isto, vendo que, obviamente, uma rebelde sem causa como você nunca deve ter visto algo até parecido com maquiagem.
Um riso sem som permeou radiante o campo de audição de Rachel, com mais cinismo do que um dia eu já pudera expressar.
— Não me leve a mal, Rachel — comecei, com uma indiferença que se apossava em mim todas as vezes em que Dare tentava me rebaixar, sem um mínimo gosto de sucesso dançando em sua boca. Comprimi meus lábios numa linha fina e rigorosa, transparecendo a minha compaixão sempre onipresente em vê-la. — Mas, eu não costume levar à sério comentários vindo de pessoas, como você, completamente sem nenhum nível. Aliás, vejo que está se esforçando com muita garra para impressionar Jason — comentei, contraindo minha boca, sondando a sua saia alguns dedos a menos do que o descente até para mim. — Só... capriche no oral, ouvi alguns murmúrios pelos corredores sobre o quanto você deve melhor neste quesito, se quiser, posso te ajudar, Jason sempre pareceu gostar do meu trabalho nele.
As suas bochechas puxaram todo o sangue de seu rosto, deixando-a com um fundo vermelho e o ruivo das sardas salpicando a cor. Ela guinchou, estridente e fora de si.
— Escute bem, Annabeth: a culpa não é minha que mal consegue segurar seu namorado, e por algum motivo, o deixa escapar por entre os seus dedos, então, pense bem antes de...
— Antes de o quê? Não esqueça, querida, que depois de Jason parar na sua cama, houve uma separação entre eu e ele, então, se ocasionalmente vocês têm algum péssimo sexo, é porque eu me cansei de Jason, e você, enfim o pegou. Agora, me dê licença, há coisas mais importantes em minha vida do que gastar palavras com você.
Ultrapassei-a antes que ela pudesse novamente poluir o mundo abrindo a boa, pisoteando o piso acetinado e bege dos corredores, enfim, rumando à sala de biologia. Afinal, o dia estava apenas dando um início.
∙∙∙
— Atrasada, senhorita Chase — foram estas as palavras de Percy assim que estendi um pé meu ao lado externo da sala de biologia.
Instintivamente, rolei meus olhos, já esperando que eu fosse receber algum aviso ou até mesmo repreensão deste tipo. Então, entrei concretamente na sala de aula, olhando — como sempre — 30 pares de olhos curiosos e cheios de uma reprovação ridícula associaram-se e se metamorfosearam num raio x que praticamente me deixava desnuda, o que era no mínimo entediante, já que isso tudo de chegar atrasadas não só nas aulas de biologia era algo repetente, e mais do que alinhado à normalidade. Devolvi à sonda humana um sorriso que reverberava em cinismo e até mesmo a minha praxe impessoalidade, para rodar em meu próprio eixo, acabando de frente ao quadro extenso que ocupava toda a parede, e entre a mesma e o amontoado de tijolo estava ele, mais fodedor de estruturas do que eu me lembrava ser registrado.
A primeira coisa que me veio à cabeça quando o vi parado e me olhando, instigado, foi como uma camiseta tão sexy e apertada entorno de seus músculos visíveis deveria ser terminantemente proibida, ainda mais para lecionar à um bando de garotas necessitadas de homem — não que esse fosse o meu caso, mas digamos, que vê-lo assim não era nada, nada ruim. Seus cabelos, como de costumeiro, pareciam um ninho beijado e habitados por todos os deuses existentes e mortos, e alguns fios caiam deliciosamente em sua testa, e até mesmo esvoaçavam-se perto de seus olhos verdejantes que rajavam olhares explícitos de algo não muito profissional diante a mim.
Então, como se um botão me ligasse realmente à realidade, percebi a coloração de sua camiseta nem um pouco colaboradora. Verde. Ah, eu conhecia tão bem aquela camiseta, isso era fato. Aliás, como eu poderia esquecê-la? O pano que estava grudado excessivamente aos músculos, e ao sedutor abdômen de Percy era o ajuntado de fios e tecidos mais glorioso que eu pude ver em toda minha vida. E lá estava ele usando-o, com certeza ciente de que alguns flashbacks sobre o ocorrido no chalé estavam permeando sedutoramente em minha mente.
Maldito seja, Perseu Jackson, pensei ao vê-lo revelar duas fileiras dentárias impecavelmente brilhantes e esbranquiçadas em um sorriso benevolente, sob milésimas intenções escondidas. Oh, céus, aquela jeans de lavagem clara delineava a curvatura perfeita de sua bunda e tudo que eu era capaz de exercitar era olhá-la hipnoticamente.
— Algum problema, senhorita?
Pisquei meus olhos sucessivas vezes, tornando ao mundo de fato.
— Não, não... professor — ressaltei a palavra, para por fim, girar meus calcanhares, e rumar à única mesa restante.
Em meio às cabeças nem tanto conhecidas, consegui captar os cabelos lisos e espetados de Thalia, que faziam-lhe cosquinhas no pescoço. Por pura sorte do destino, sua carteira se localizava exatamente ao lado esquerdo de onde eu pretendia me sentar.
— Chase, Chase — ela desenhou as palavras por sua boca, atrevida e nenhum pouco com discrição ao levar seus dois dedos na boca, e chupá-los, obscenamente. — É isso que deseja que Percy faça após enfiar seus dedos grossos e deliciosos, suponho, em você?
Seu tom de voz era solfejado, impossível de ser entendido por outra pessoa, exceto eu. Porém, isso não a livrava de receber ondas de olhares carregados de advertências e indiferença, o que era mais do que contraditório.
Sentei-me, assim, deslizando a bolsa suja e surrada pelo chão da sala sem nenhuma importância.
— Cale a boca, Thalia — sibilei, virando meu rosto milimetricamente, para que ela observasse o esboçar de meus lábios. — Há coisas, que de fato, eu não deveria nunca lhe contar. Você sabe disso, certo?
Um riso surdo saiu pelos seus lábios, dando-me visão de todas as fileiras arcarias perfeitas que ela possuía.
— Não, não sei. Aliás, se passar a fazer isso, o que eu acho plenamente sem coração... Estará, consequentemente quebrando o regulamento de melhores amigas. E isso não é algo que uma melhor amiga deve fazer com a sua outra perfeita melhor amiga, na qual sou eu.
— A-hã — deixei transparecer minha falta de interesse. — E onde está no regulamento: encher a cabeça, o saco, a vida, o tempo de sua melhor amiga reverberando coisas que devem ficar no passado, porque é passado?
Foi a vez de Thalia rolar os olhos, dramaticamente.
— Não existe isso no regulamento, Annie.
Estalei minha língua três seguidas vezes, fazendo mais barulho do que eu desejava. Percy, que estava me dando a visão perfeita de sua bunda — corrigindo, depositando palavras significantes no quadro — virou-se de imediato, já angulando seu rosto exclusivamente para mim, e para Thalia. Retesei todo o meu corpo, não por estar intimidada com seus olhos movendo-se junto às sobrancelhas, as quais se solevavam em um ato masculino, e por céus, eu estava ficando cada vez mais atenta aos seus atos, e logo ficando cada vez mais admirada — não, não, e não. Mas, por sim, estar numa expressão rajada de dúvida e desafio jorrando perante a ele. Suas sobrancelhas logo se ampliaram ainda mais, evidenciando algumas marcas de expressão em sua testa, que serviam de lembrete de algo sempre esquecível: Percy Jackson, meu professor, já tinha lá seus trinta e dois anos. Movimentei meu cenho, disfarçadamente, seguidas vezes, apenas um ato que só Percy teve a percepção de notar.
— Algum problema, Chase?
Eu já sabia que tais palavras escapariam de sua boca, tão maliciosamente, que simultaneamente um sorriso de escárnio dançou em meus lábios sarcasticamente.
— Comigo? — o desentendimento tomou posse de cada membro possível, mesmo ciente de tudo. — Oh, não, não, professor. Eu só estava perguntando para Thalia o que o senhor estava escrevendo na lousa. Minha visão não anda uma das melhores.
Um riso sarcástico saiu pelos seus lábios, totalmente rude e cru. Instantaneamente, deixei meu queixo deslizar para baixo, querendo saber qual era a porra do problema dele.
— Então, a senhorita deve providenciar urgentemente um óculos.
Então, ele voltou para sua última forma, e começou a serpentear com a ponta no giz no quadro, ferozmente transcrevendo e contribuindo para uma continua cópia. Sinceramente, biologia nunca esteve tão chata. Principalmente quando, depois de tudo aquilo, por duas semanas, Jackson havia me tratado com a total falta de consciência possível, fingindo ser um benevolente professor, sem notas ruins, brigas, e estranhamente, muitas detenções. Hoje, no começo da aula, a primeira coisa que oscilou em seus olhos foi a coisa mais animalesca do que eu podia pensar que era possível, e depois de gestos e palavras recheadas de segundas e terceiras opções ele voltou a usar comigo seu esquecido tom, no qual ele costumava utilizar antes de tudo isso.
É, depois de todas as evoluções, ainda acreditam em que as mulheres eram o sexo impossível de ser decifrado. Então, neste caso, Percy era o cara mais mulherzinha em que pude ver em toda minha vida, mesmo que ele tivesse me mostrado indiretamente o contrário disso por meios deliciosos.
Bufei, afundando em minha cadeira.
O que poderia ser mais interessante e adornado de o mínimo tédio possível do que oscilar suas unhas pinceladas de preto, já que, eu estava supostamente sem clima para olhar qualquer outra coisa? Isto mesmo, nada.
Foi aí eu que eu senti a coesão de uma bola de papel, com a minha cabeça, raramente. A esfera depois de acertar em cheio meu crânio, pairou sobre a mesa, e antes que eu pudesse me manifestar através de palavras de baixo calão e todos os xingamentos possíveis, senti um pigarreio provido por Thalia. Então, eu sabia bem o que significava.
Desamassei o papel com os nós dos meus dedos chocando-se com a textura proeminente do papel, e logo, a folha estava estendida por minha mesa, e eu mal me importava se alguém fosse ligar, ou até mesmo o x-9 da sala resolvesse dar às caras. A letra de Thalia era mais grande do que a de muitos outros, exclusivamente expressiva e mais grossa e gorda do que um velho policial que só sabia comer rosquinhas.
Não me contive em dar uma imperceptível risada antes de ler o que continha na folha.
“Às vezes eu esqueço de dizer como meu primo é um babaca. Apesar de estar plenamente desligada do mundo, percebi essa sua expressão indignada e depreciada em seu rosto... Argh, eu não acredito que direi essas palavras (que aliás, são única e exclusivamente pertencentes a Si. Este é o papel dela, não o meu). Mas, não fique assim. Percy é meu primo, e eu, mais do que ninguém dessa escola sei da troca repentina de humor dele, e sei ainda mais como é querer enfiar a cara dele para o útero da mãe dele, o fazendo voltar de volta pra lá. O fato é, você não é a única que está prestando atenção nos olhares gulosos que ele lhe lançou, e aliás, fique sabendo que sua cara de derretida foi a melhor.
T, xx.”
Soltei um riso raso ao terminar de ler seu pequeno texto, sentindo alguns turbilhões de mistas emoções, boas e algumas ruins. Quer dizer, o modo como ela dizia essas coisas apesar de excessivamente engraçadas, mostravam como ela era uma grande e amiga, e acima de tudo se importava comigo e me queria bem — e pessoas assim são tudo, menos ubíquas na minha vida. Mas, por um outro lado essencial demais para ser jogado para retaguarda, metade das coisas ditas na pequena e amassada folha de papel não eram verdade, algumas partes. Primeiro, eu estava apenas instigada com a troca de humor de Percy imediata e sem previstos, e não me sentindo mal ou até mesmo me importando; nem um pouco, nem um pouco!
Filei a alça de minha bolsa, jogada antes no chão, e busquei com meus dedos habilidosos algum lápis ou caneta, e quando por fim o achei, o icei para cima, logo o tendo entre os meus dedos, e zarpando palavras rapidamente ao papel.
“Às vezes me esqueço o seu poder onipresente de ser chata, Thalia. Não há nada de errado, little punk, absolutamente nada fora do anormal. Digo, aula de biologia é um saco, e acho que ela está extraviando seus neurônios. Percy NÃO me olhou desse jeito, e eu NÃO fiz cara de derretida... Não me fale em Si, ela faz falta, Grace.
A, xx”
Embalei o papel, transmutando-o para uma circunferência amassada, e logo a lançando para Thalia. O papel quicou à sua frente, na mesa, e ela o agarrou, abrindo-o. À medida em que seus olhos batiam contra a folha, lendo o que eu havia escrito, um sorriso idiota e de descrença surgia, fazendo-me revirar os olhos.
A resposta veio um minuto depois.
“Primeiro, você não sabe mentir, não para mim. Segundo, sua cara é desmontável, não tem com o que lutar, baby. Terceiro, eu até acreditaria se você cortasse o hábito de olhar sempre para bunda de meu priminho. Contente-se, Chase.
T, xx.”
“Cale a boca! Olhar para a bunda é algo superdivergente do que fazer uma cara estilo sorvete. Aliás, informo a você que essa é a sua cara quando di Ângelo passa na sua frente,
A, xx.”
“Desde quando nossa amizade se tornou tão destrutiva, Annie? Oh, céus. Isso não tem nada a ver com o que esboço quando Nico passa, ou seja, nada. Estamos falando de Jackson, abre aspas, meu primo que te comeu, fecha aspas. Não mude de assunto, por favor. Basta admitir, só isso.
T, xx.”
“A única coisa que tenho de admitir é que eu não fiz nenhuma tarefa, agora, fora isso, não há mais nada, Grace. Desde quando você elevou seu nível de pertinência? Isso está me deixando irritada, sério. Admita você que sempre sonhou com Nico.
A, xx.”
“Isso é um absurdo, minha cara! Eu nunca, grave isso, nunca farei nada do que está em mente com Nico. Foi só apenas uma vez, e eu estava sozinha, carente, e com ele na cabeça. Apenas, nada aditivo. Totalmente diferente do que se trata entre Percy e você.
T, xx.”
“Achamos o problema, não há nada. Sério, Thals. Percy apenas deve ter me adicionado em sua lista mais-uma-aluna-em-minha-cama, e eu não tenho ressentimentos com isso.
A, xx.”
“Percy não é esse tipo de cara, com nenhuma mulher, e muito menos com alunas. Eu sei, ele exala esse jeito badboy de ser, maços de cigarros, olhares sedutores, mas nada é como você pensa.
T, xx.
“Está falando isso como se eu tivesse a fim de algo mais do que uma simples e única cena de sexo ocasional, eu já disse que está tudo bem.
A, xx.”
Amassei a folha, já com impaciência, completamente alheia à aula, apenas buscando respostas de o sentido e o porquê Thalia estava dizendo isso. A folha acertou em cheio sua cabeça.
“Certo então. Apenas me diga o que foi aquela cara aflita quando Jackson te tratou com um desprezo, provavelmente auto defensivo. Esqueci de dizer que o que conheço muito bem? Pois é.
T, xx.”
O ressonar do sinal bateu, indicando o fim das duas aulas de biologia que passaram voando, mal passando percebido aos meus olhos. Levantei rapidamente da cadeira, carregando comigo minha bolsa, e fugindo rapidamente de Thalia, e dos olhares indecifráveis que Percy me jogou quando passei perto da mesa para chegar à porta.
Um porre definia como o resto de dia se seguiu. Alguma nuvem me enjaulava, me tirando do fixo contanto com o mundo interno, e me colocando apenas ao meu. Thalia e nenhum outro veio ao meu encontro, então, felizmente, eu estava sozinha. Pensativamente estranha, e com a felicidade presente ainda sim, mas eu só estava na minha, sem se preocupar com horários a cumprir, ou até mesmo me manter atenta às atividades que os professores passavam no quadro.
Eu só me lembrava dos dois tempos de biologia, e sinceramente, eu era uma otária formada, e com um currículo invejável a idiotas sem causa. Afinal, o que estava acontecendo comigo? O que estava se passando comigo a ponto de eu ter me feito a típica pergunta onipresente jovial? Maldito seja Percy Jackson e também suas habilidades somente agora capazes de me tirar do sério com uma simples e esquisita mudança de humor.
A porta de madeira pintada de azul da sala de música tinha entalhado em auto relevo as palavras “SALA MUSICAL, KVEMO HIGH SCHOOL”, quase todos os dias eu me deparava com ela. Sim, eu — a problemática e nada educada — participava do coral da escola desde que ele havia sido fundado. Não era lá uma coisa que parecia ser minha cara, mas basicamente, era cantar e tocar que me fazia sentir bem. Jamais souberam que de fato Annabeth Chase fazia coral, cantava músicas natalinas ou até mesmo tocava para crianças carentes. Até porque, o coral — apesar de o único escolar — nunca fora um sucesso total, e as únicas pessoas que compareciam às nossas apresentações era dona Rose, a confeiteira mais renomada da cidade, o pastor da igreja, e mais meia dúzia de irmãos.
Mas, eu me sentia tão em fazer parte dele, e não era como eu me importasse com o que os outros pensavam sobre mim.
A sala estava vazia. À esta hora, a maior parte dos que compõe o coral estavam estudando em suas casas, e só chegariam às 20h00m, o horário dos ensaios que aconteciam às terças e quintas (que, por acaso, é hoje). Fui ao piano lindo e fabuloso que ficava ao centro da sala. Sentei-me na banqueta, olhando minimamente às janelas, e através delas o sol ensolarado beijava todo o cômodo, esquentando suavemente meu corpo. Abri o pedaço de madeira que cobria todas as inúmeras teclas, e comecei a tocar para espairecer todos os idiotas dos conflitos internos que me rodeavam.
Eu estava tão submersa nas notas executadas, que a porta se abriu, e mal percebi.
— Eu não sabia que você fazia parte do coral, Annie.
Ao o ouvir falando, imediatamente pausei a melodia, jogando minhas mãos ao meu colo, mas pouco sendo capaz de me virar para trás, encará-lo e perder o controle.
— Há tantas coisas que você e nem ninguém dessa cidade sabem sobre mim, professor — respondi, sendo impessoal demais para que algum outro sentimento aparecesse.
Desci meus olhos às teclas, tentando achar um ponto de descanso aos meus olhos, ou melhor evitar olhá-lo.
— Sei disso — disse Percy. — Só estou surpreso demais em saber que o coral é a sua válvula de escape. Em minha mente, era algo relacionado a cigarros, bebidas... não me leve à mal.
Girei-me, junto com a banqueta, ficando frente a frente a ele, impossibilitada de ficar imersa em não dar às caras. Já logo encontrei duas esmeraldas acesas e verdejantes conectando-se ao meu rosto, sem ao menos pedir permissão para ser tão invasivo ou até mesmo indescritível. Seus braços estavam cruzados, realçando a pose ereta e naturalmente sedutora em que ele se encontrava. Nota mental: muito difícil ser indiferente quando a pessoa é muito bonita, sexy, etc.
Arquejei uma sobrancelha, incrédula.
— Está dizendo que acha que para resolver meus problemas sou apenas capaz de me viciar em drogas lícitas, ou até mais profundo do que isso? — perguntei, escarnia por completo, de modo que segundos depois Percy franziu o cenho, cético.
— O quê? — ele vociferou, dançando em meio ao desentendimento. Sua boca se escancarou junto à sua expressão de ignorância ao que eu dissera. — Está maluca? Eu não disse nada do tipo, Chase.
Sorri, sarcástica demais para acreditar em suas palavras.
— Claro, claro. Apenas me diga qual é a porra do seu problema, Jackson!?
Seus braços se descruzaram rapidamente, e todo aquele fingimento de ser passível deixou Percy, transformando-o um cara cheio de olhares expressivos e fartos de algo irreconhecível.
— Qual é o seu problema, Chase? — a resposta foi revidada de uma forma totalmente inesperada. A lenteza adornava as palavras que saiam irredutivelmente tentadoras de sua boca e eu podia sentir a sequidão que ele usara na sala hoje o permeando. — Aprenda a ser mais comportadinha comigo, princesa problemática. Ou você se esqueceu que eu ainda te tenho na palma da mão?
Solevei-me rapidamente para cima, fuzilando-o com o olhar rapidamente e sem nenhum medo me fazendo de refém. Quem ele pensava que era?
— Do. Que. Você. Está. Falando? — questionei-o, exigindo uma boa explicação com os olhares. Sua mão voou para minha cintura, colidindo meu corpo pequeno ao seu grande. Nossa pele se tocava plenamente, e eu sentia a minha formigar a medida que entrava em contato com ele. Olhei-o, os olhos arregalados, e sem explicação.
— Biologia, Chase. Você ainda está à beira de reprovar.
Dito isso, seus lábios embalaram os meus.
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