Humans
5 Hell
Notas iniciais

Saltamos para fora do carro.
A primeira coisa que senti abaixo dos meus pés foi um tapete extenso, infinito e verde, meus all stars pisotearam a grama avivada e até um pouco grande que se localizava em frente a um enorme casarão, com o modelo vitoriano. Então, era essa a casa de Jackson. Imponente, enorme e totalmente divergente do que eu pensei para alguém como Percy. Sim, o estereotipo de que ele morava em um apartamento imerso na escuridão, sujo e minúsculo estava na minha mente desde que ele me convidara a conhecer sua residência. Meus pensamentos foram disso para a hipótese de que ele estava me sequestrando quando começamos a nos afastar da cidade. Não me leve à mal, mas não é como se Percy fosse o cara com mais boas intenções nesse mundo, eu sabia bem disso.
— Agora você pode dizer que não esperava isso — Percy, subitamente, surge atrás de mim. Expressei um pequeno salto, evidenciando meu susto, antes de girar para encará-lo jogando a chave do carro no bolso frontal e sorrindo para mim animado.
— Eu realmente não esperava — reverberei um sorriso mínimo, porém com um turbilhão de informações escondidas e desconhecidas, nas quais o desentendimento se aplicava — Você se superou, sendo honesta. Não achei realmente que sua casa fosse uma mansão enorme, que aliás, não parece estar aos pedaços.
Percy riu, um pouco anasalado. Obvio que uma mera distorção não modificou sem timbre, de modo que sua risada ainda continuava aquela coisa bastante esplêndida.
— Morávamos aqui quando papai estava vivo — deu de ombros, esclarecendo — Tyson nunca te trouxe aqui?
Neguei com a cabeça, logo percebendo que a resposta para essa pergunta talvez não tivesse tanta relevância. Era apenas um modo típico que ele estava usando para que o assunto fosse desviado. O jeitinho que todos nós, sem exceção usávamos: acobertar um assunto com outro. E eu não podia o julgá-lo, era algo que éramos programados a fazer, era algo que eu fazia no cotidiano.
— Na verdade, acho que Tyson nunca se interessou em trazer garotas à sua casa. Não as que não fossem para sua cama, na verdade.
Percy crispou os lábios, enquanto revirava os olhos.
— É, meu irmão precisa tomar jeito uma hora ou outra. Irá acontecer, de qualquer modo — Ele deu de ombros.
Assenti, sorrindo fracamente enquanto o esperava ficar ao meu lado para que assim eu desbravasse sua casa. O cheiro fresco dos pinheiros se infiltrava em minhas narinas, e eu fazia questão de inspirá-lo ainda mais ficando logo inebriada. Era como se estivéssemos em uma clareira, as árvores rodeavam todo o terreno e pareciam se encurvar sobre nós, a fim de mais contato. Era desse tipo de natureza que eu gostava — não uma floresta enorme e assemelhada à um labirinto, com direito a mosquitos dilacerando-me como uma carne dada a leões. A grama parecia ser um mar verdejante que tocava o infinito e o ultrapassava, e céus, como eu queria senti-la sob meus pés descalços, absorver cada pontada daquele formigamento leve que causava cocegas na sola de meu pé.
— Ei, ei, ei — exaltei meu tom de voz, sorrindo antes mesmo de partimos em direção à varanda. Percy olhou-me, com os olhos me perguntando se havia algum problema e ao mesmo tempo as órbitas sugavam meu riso sem som para sim — Não é nada demais. Só podemos sentir essa grama sobre nossos pés, não acha?
Percy franziu suas sobrancelhas, como se mal acreditasse nas palavras que adentravam seus ouvidos avida e ligeiramente.
— Você disse mesmo isso?
— Algum problema por acaso, professor Jackson? — Solevei uma de minhas sobrancelhas aloiradas.
— Não! — Ele exclamou, deixando um sorriso incrédulo e afeiçoado crescer em toda sua face. As marcas de expressões leves, porém já um pouco visíveis, se implantaram na região abaixo e ao lado de suas pedras esmeraldinas à medida que o seus lábios se dilatavam — Só não achei que uma mulher fosse pedir isso, somente. Se bem que você é bem estranha.
Maneei minha cabeça, com uma expressão que dizia algo como sério mesmo? mas pouco me importei com as palavras pelo simples fato de que ser taxada como normal era algo que a maioria sofria. E ser normal significava uma vida moldada pela própria sociedade, e não por si mesmo.
— Você é um idiota, Percy — sibilei, abaixando-me para alcançar meus tênis surrados, sujos e com a coloração preta desbotada. Eu não me lembrava quantos anos aquele calçado tinha, mas eu o amava, simplesmente o amava — Apenas tire esse tênis, e sinta a mãe natureza em contato com você — Meus dedos alcançaram o cadarço bege que antigamente já fora branco, logo o desamarrei, tirando um tênis, e refiz o mesmo processo com o all star que estava em meu pé esquerdo. Depois de feito, desfiz-me das minhas meias, enfiando-as dentro do calçado. Segurei cada um com o dedo, aquele típico gesto de mulher segurando os saltos ao sair de uma festa acabada — Pronto?
— Pronto o quê?
Revirei os olhos por sua lerdeza e simultaneamente ao sentir as folhas da grama relando nas solas de meus pés. Eu não tinha conhecimento da explicação, mas eu simplesmente adorava aquela sensação acolhedora que se propagava por todo meu corpo, deixando-me anestesiada por um segundo, totalmente alheia ao mundo que me englobava.
— Tire logo, Percy! — gritei, rindo, esperando logo para que ele fizesse. Era surpreendente a capacidade de como ele conseguia estar sempre dois passos à frente e às vezes ser a personificação da vagareza. Percy rolou os pedregulhos esverdeados na órbitas antes de encurvar-se para fazer todo aquele procedimento de retirar os sapatos, as meias com a maior lentidão do mundo, enquanto aquele sorriso desafiador se ampliava por toda sua face, como uma afronta visível e cheia de sarcasmo.
— Satisfeita? — Ele jogou o par de tênis por algum lugar da imensidão verde. Seus pés repousaram por fim na relva, e eu juro que vi faíscas se fundindo em um delírio em suas íris, que até se acenderam — Você tem razão, isso é uma sensação, uh, perfeita.
Consenti, esfregando meus pés freneticamente no tapete, transmitindo alguns risos hilários, como se eu fosse uma maluca sem causa, mas no fundo era o que eu era. E eu gostava. Aos poucos, as risadas contagiantes e hipnotizantes de Jackson se mesclam às minhas, formando uma sintonia perfeita e mais do que audível ressonando em nossos ouvidos.
— Ohh — grunhi — Isso é tão bom.
— Quase tão bom do que a nossa noite do chalé — comentou Percy, provavelmente já com aquele expressão sacana se apossando por cada feição de seu rosto — Mas, sejamos sinceros, aquela foi a melhor noite de nossos vidas... — foi apenas o que ele balbuciou, a outra parte se transformou em um murmúrio incompreensível, mas eu poderia deduzir que por aquela feição não era má coisa.
— Como tem tanta certeza? — questionei, parando de ralar meus pés na grama e olhando-o fundo nos olhos, meus olhos acinzentados como um dia de tempestade tentaram sugar cada informação possível e necessária, mas Jackson era muito bom em esconder nos lugares mais obscuros seus pensamentos e sentimentos.
Aquele sorrisinho filho da puta e ao mesmo tão cheio de magnitude fez com que um lado de seus lábios se solevasse para cima infimamente. E era claro que nada que realmente prestasse sairia da sua boca.
— Não é superego, como você provavelmente deve estar matutando nessa cabeça. É só: aprendi a perceber os efeitos que causo nas pessoas, sendo na cama ou não. Em todos os lugares. Você também deveria saber os estragos e milagres que faz.
Estreitei meus olhos, um pouco confusa com as coisas sobrevoando em minha mente. Não em relação à ele — eu tinha em mente que nem um estrago estava implantado em nosso caso — mas sim em tudo isso de acarretar efeitos, coisas e tudo relacionado às pessoas em meu lado. Quer dizer, o que eu cheguei à causar em Atena para que ela fizesse o ato mais efetivo em minha vida de me abandonar em uma cidade sozinha onde a totalidade me odiava plenamente? Realmente, eu não queria estar ciente da resposta, pelo menos por enquanto.
— Então — eu comecei, mordendo os meus lábios, tentando conter a emoção e o prazer em fazer a perguntar naquela mordida até um pouco dosada — O que eu causo em você?
Um silêncio se implantou, e eu pude ver os olhos de Percy ainda suavizados, ainda não demonstrando nada de humano que poderia me fazer chegar à uma conclusão. Suas mãos brincavam com o tecido da calça, bastante entretido em não devolver uma resposta satisfatória pelo menos por enquanto, e apenas tamborilando no jeans de lavagem clara.
— É cedo demais para responder — Ele concluiu. E pela primeira vez naquele momento eu notei uma emoção sua por permissão dele. Jackson havia jorrado aquele afirmação não apenas para mim mas para ele também, como se ele nunca tivesse parado para pensar sobre isso. Então, estávamos estacados no mesmo ponto, afinal.
— Foi o que eu imaginei — falei, sorrindo nervoso e mentindo plenamente. Não. Não era isso que eu havia imaginado, mas era o que eu deveria ter feito. Contrai minhas bochechas, e logo após, mordi seu interior, um pouco desconfortável, contudo, sem deixar transparecer obviamente.
— Está ficando frio, que tal entrarmos?
— Acho que é o que deveríamos fazer, não? Aula de reforço, lembre-se.
Ele sorriu, como se tivesse lembrado somente agora. O clima de uma hora pra outra havia se dissipado, deixando apenas alguns rastros apagados e mal relevantes.
— Annie, estou lembrado. É o meu serviço. Prometi para sua avó que a ajudaria o máximo possível e não sou uma pessoa tão má à ponto de descumprir uma promessa com uma idosa. Eu tenho coração, sabia?
— Sem querer sem enxerida, mas já sendo — sibilei, deixando meus braços caírem e os meus all star colidirem com a parte exterior de minha cocha, num quase imperceptível choque. Meu tom casual tentava reinar em todos os sentidos e eu não tinha dúvidas de que eu estava tendo êxito — quantas promessas mesmo você fez com a minha avó sem mesmo eu saber?
Ele parou para pensar alguns segundos, deixando a cabeça se angular para o lado e seus lábios foram para frente, transformando-se em um biquinho muito lindo, aliás.
— Bem, deixe-me ver — Ele solevou um de seus dedos, para que com ele pudesse contar já que ele estava com as mãos livres ao contrário de mim — Acho que muitas. Mas, sendo rápido e sem rodeios: apenas prometi tornar você uma aluna mais dedicada, dar algumas palavrinhas sobre como festas à noite, ou melhor na madrugada, prejudicam seu desempenho e o principal. Bem, sobre esse acho que você não vai gostar. Tenho certeza, sendo sincero — ele tencionou seus lábios tornando-os uma linha dura e inflexível por instantes. Seus olhos buscaram o meu, sondando toda minha pupila — Eu prometi a sua avó que eu faria de tudo para fazer você parar de fumar cigarro.
E aí, eu engasguei com a maior gloria e elegância de uma dama que não sabia absolutamente nada sobre bons modos. Primeiro de tudo, como diabos vovó havia descoberto que, nas horas vagas, eu tragava nicotina em excesso? Ou melhor, qual era mesmo a relação que Percy tinha a ver com isso? Por que justo ele — meu, abre aspas, professor certinho, fechas aspas, que aliás, também fumava! — para realizar tal missão?
— O quê? — exasperei, sentindo minha garganta se contrair pelo tamanho de aumento que minhas oitavas sofreram. Eu podia já até imaginar meus olhos um pouco grandes e arredondados muito parecidos com os do gato de botas quando o animal resolvia estrelar um drama. Eu poderia sentir minhas bochechas se esquentando, ainda submersa naquela camada que consistia em ainda entender por que diabos Percy havia aceitado tudo aquilo — Por que, pelos quintos dos infernos, você aceitou essas drogas de promessas, Perseu?
Ele fingiu estar englobado em uma bolha de indignação, escancarando sua boca em um “O” perfeito.
— Porque eu concordo com ela, Annie — mas seu tom se torna sério. Oh, céus, eu não sou nenhuma terapeuta para quebrar minha cabeça tentando decifrar a bipolaridade extrema daquele homem.
— Você concorda que eu devo parar de fumar porque minha avó pediu sua ajuda? Simplesmente? Oh, Jackson. Seja menos hipócrita. Preciso te relembrar como você parecia dopado momentaneamente ao fumar ao meu lado em um tronco caído?
— Não, você não precisa — ao contrário de minha voz, a dele carregava uma dose cheia de calmaria — Isso é um assunto sério, Annabeth. Posso ser de tudo menos isso. Não estou aqui para servir de rehab para ninguém e muito menos estou fazendo isso para me dar bem no final. Que fique claro, me importo com você. E isso inclui não deixar que você morra aos trinta com um pulmão de alguém com oitenta anos... e só para deixar claro, depois do que rolou no chalé, não fumei mais.
— Algum motivo em especial?
— Não — Ele negou veemente com a cabeça, tornando-se pedra — Apenas tomei a consciência de que se eu não parar de usufruir de maços e mais maços de cigarros, algo vai parar. Algo mais importante. A minha vida.
Bufei, enfiando meu rosto entre minhas duas mãos, questionando-me internamente se ele estava tendo sucesso absoluto em ignorar aquelas formas cilíndricas que se encaixavam tão bem em nossas bocas, porque era tão difícil. Não havia um dia que meu subconsciente não se alarmasse e implorasse para dar só mais uma tragada no cigarro, só mais uma e nada mais. Quando eu dava por conta, plenamente lúcida, o maço já estava vazio.
— Não é tão fácil assim! — exclamei, sondando o azul claro das madeiras juntadas que formavam a casa de Percy. Eu só não queria encará-lo nesse momento — Parar com uma coisa de uma hora para outra, não tragar mais uma vez. O problema é que não é só mais uma vez. Um clico repetitivo, infinito e reconfortante. Meu pulmão deve estar um lixo, não deve? Afinal, desde os quinzes eu estou nessa vida. Não houve um dia durante esses dois anos em que um cigarro não esteve em minha boca. Não houve um dia em que não senti vontade, em que não senti necessidade de ver e deixar aquela fumaça se encurvar perante mim. Acontece Percy, que nem tudo é como eu quero. Tudo bem, eu finjo 24 horas por dia odiar minha mãe. Finjo vinte e quatro horas por dia não me importar com a ausência dela. Finjo que não faz importância que ela não esteja em minha vida. Finjo que foi fácil vê-la deixando-me para trás.
— E você finge ser dependente do cigarro, e isso você não é.
Eu ri sem humor, como se o que eu tivesse dito fora uma coisa verídica. Mas, não era.
— Sabe o que eu não sou? — eu fiz uma pergunta ao vazio, como se alguém tivesse interessado em responder, na real.
— Estúpida? — a voz aveludada de Percy de repente se tornou tão alcançável, e foi o ponto para que eu pudesse senti-lo encostado em meu corpo, totalmente colado e transmitindo aquela sensação febril. Suas mãos se encaixavam ao redor de minha cintura, e ele estava atrás de mim, sua barriga dura tocando minhas costas.
— Memorável.
— Ok, senhorita drama, a depressão acabou por hoje — Percy sussurrou ao pé do meu ouvido, e eu podia sentir um sorriso esboçando-se em sua face — Hora de conhecer a Sra. O’ Leary.
— Senhora o quê?
— Senhora O’ Leary, Chase — Ele sorriu, parecendo bastante contente ao falar nessa Sra. O’ Lary — Minha cachorra, linda, perfeita e supercarinhosa.
— Tudo bem! Vamos conhecer a Sra. O’ Lary!
— É Leary não Lary — Ele corrigiu, enquanto ao mesmo tempo trabalhava seus dentes em morder o lóbulo de minha orelha de modo sedutor e extasiante, provocando um delicioso e pequeno tremor em todo meu corpo. Eu não preciso dizer que estou sendo irônica, quando na verdade até todos devem ter percebido como eu pareci um telefone vibrando e vagueando pela mesa — Não é um nome tão difícil.
Levantei um de meus dedos, protestando para uma pausa. Minhas mãos pousaram sobre as suas três vezes maiores que faziam um fecho possessivo em minha silhueta.
— Na verdade, é um nome bem estranho para uma cachorra.
— O quê? — Sua voz ressonou totalmente indignada e simultaneamente ao pé do meu ouvido — Você tem noção do que acabou de dizer, Chase?
— Mostre-me logo a senhorita O’ Lary, Percy.
Uma de suas mãos desceram para minha bunda, apertando-a como uma punição. Apenas cerrei meus olhos, nenhum pouco incomodada em senti-lo tocando em mim naquele lugar.
— Sra. O’ Leary!
...
Subindo os três degraus de madeira da varanda, eu capturo uma pelugem negra se esgueirando por de trás de uma cadeira posta rente à cerca da varanda. Depois, o corpo felpudo alinhou suas patinhas dianteiras adiante e as traseiras de forma recuada, e um espreguiço expressivo foi ilustrado pelo bicho. A primeira coisa que percebo em Percy são os cantos de seus lábios se solevando e se moldando à um sorriso que me fazia querer resfolegar. Seus olhos emolduraram a cachorra, adornados de carinho e aconchego, enquanto Sra. O’ Leary não nos percebia, acomodada demais ao seu estado.
— Sra. O’ Leary! — Os lábios de Percy não saem do sorriso, apenas se movem minimamente ao dizer, cheio de entusiasmo, o nome do animal. Sorri, ao me deparar com a rapidez com que a cachorra se pôs de pé, à procura de seu dono. Seus olhos, duas circunferências âmbares, varriam todo o local, tentando achar Jackson. Até que ela o achou, suas patas se movimentam como um raio, e no segundo seguinte, já capturo Sra. O’ Leary saltando em cima de Percy, latindo e balançando o rabo, toda feliz da vida — Wow, garota. Também senti sua falta.
Percy gargalhava à medida que lambidas singelas eram depositadas em seu rosto. Ele tentava virar seu rosto, mas era inútil, já que a labradora negra fazia o possível para fazer um cerco que o impedia de se desvencilhar de seus protótipos de abraço.
— Ela parece ser uma boa garota — comentei — Será que eu posso? — Estiquei meu braço, como uma pergunta silenciosa se eu podia ou não tocá-la.
— Claro.
Consenti, hesitante em prosseguir ou não — mesmo o animal não parecendo nem um pouco ofensivo, e sim algo bem fofo — então, tudo que fiz foi juntar meus lábios para frente e deixar um assobio ecoar em todo o ambiente aberto, chamando a atenção no mesmo instante. Jorrei de felicidade ao vê-la angular a cabecinha em minha direção, deixando Percy de lado, e me encarando com a cabeça caída de lado, como em comerciais. Sra. O’ Leary colou seus olhos em todas as partes de mim, como se procurasse alguma informação que a ajudasse deduzir que eu era uma boa menina.... boa menina parecia até um piada ressonando aos meus ouvidos de forma apologética. Por fim, ao contrário de tudo que imaginei, senti duas patas em minhas cinturas, em um supetão, e quando meu raciocínio voltou de fato, aquela cachorra adorável estava se embalando em mim, como se fosse de sua vontade me englobar ao seu mundo animal.
Levei minhas mãos aos seus pelos aveludados, os sentindo deslizar entre os meus dedos, de tão lisos que eram. Ela parecia transparecer apreciar o carinho, enquanto isso, suas patinhas pisoteavam minha camiseta xadrez vermelha, transbordando de alegria.
— Bom — disse Percy — Parece que ela gosta de você. E muito.
— Sim — eu sorri — Normalmente as pessoas e os animais não gostam de mim. Mas, quando gostam, geralmente nunca param. É como um vício.
Percy riu, exagerado, e dessa vez com um deboche filho da puta que somente ele conseguia esboçar.
— Quem te garante que isso procede, Chase?
— Não me venha falar que eu não te avisei quando estiver inteiramente enfeitiçado por mim e preso aos meus defeitos e poderes fortemente. Não há escape, professor — eu sussurrei, angulando meus olhos rapidamente para sondá-lo profundamente em seus olhos esmeraldinos — Você é uma ótima menina, Sra.! — explanei, ao voltar meu foco ao bichinho peludo, infiltrando meus dedos profundamente em meio aos fios enevoados e obscuros.
— Você realmente está se aprofundando cegamente nisso de superego. Então, façamos nossas apostas.
— Apostas? — deslizei meus dedos para fora da pelugem. A cachorrinha parou o sapateado em mim — Do que você está falando?
— Simples, simples. Você acha que estarei apaixonado por você, no fim. Mas é mais fácil e previsível que você fique, logo, temos uma aposta.
— Uma aposta? — perguntei, elevando uma de minhas sobrancelhas, um pouco hesitante com o rumo que aquilo estava tomando — Há certeza e lucidez nas palavras que saem de sua boca?
— Ah, sim?
Troquei um peso de um pé, para o outro, ainda com a desconfiança nas alturas.
— E se eu ganhar? — ponderei.
Aquele sorriso que escancarava-se infimamente aos lábios de Percy surgiu das cinzas, plenamente sacana e sem intenções de encobrir as pretensões diabólicas que se apossavam gradativamente.
— Você terá o que merece ganhar.
— Que tipo de aposta é essa? — juntei as faixas de pelo — Que tipo de aposta que você escolhe o que eu devo ganhar?
— Parece ser mais legal — Ele deu de ombros — E se eu ganhar, você escolhe o prêmio. Assim não fica injusto, estou sendo bastante prestativo com você esses tempos, não acha?
Revirei meus olhos, para depois fechá-los junto à uma respiração acompanhada de uma mantra parecida com: não matá-lo por ser extremamente invasivo em minha vida.
— Feito ou não? — Impaciente, Percy ergueu suas mãos para que eu pudesse apertá-la. Virei-me, a fim de visualizá-lo por completo. Percebendo o ato, Jackson mordeu os lábios, cheio de resquícios lascivos, e suas esferas verdejantes recaíram sobre minhas pernas, como se elas fossem um espeto de bacon bem apetitoso.
— Que vença o melhor, professor Jackson — ressaltei as duas últimas palavras. A palma de minha mão se chocou contra a sua, selando finalmente a aposta mais insana que ousei fazer em toda minha existência. Definitivamente Percy Jackson era a representação do mistério mais incompreensível e desprovido de sanidade.
— Então, considere-se uma perdedora.
...
O fato de eu não conseguir me manter fixa aos estudos nem por um segundo era insondável. Sentada à mesa enorme de vidro da sala de jantar aparatosa de Percy — onde, abre aspas, estudávamos, fecha aspas —, era como se eu estivesse enjaulada em uma sala de classe, presenciando uma aula de biologia iguais às que eu assistia em Kvemo High School. Jurando com todos os meus dedos descruzados: eu estava realmente tentando me manter focalizado à matéria que Percy me explicava. Sério! Contudo, era meio difícil me manter totalmente evidenciada à tudo aquilo e a todos aqueles nomes científicos que quando jorrados aos montes embaralhavam-se em minha cabeça como um ajuntado de nada.
Ótimo, estávamos aqui há mais ou menos uma hora e tudo que eu sabia fazer era suspirar estagnada, como se a qualquer momento minha vida pudesse ser sugada pela chatice que era biologia.
— Sabe que eu não compreendo, não é?
Percy, cujos olhos estavam recaídos a um livro capa dura toda adornada de dizeres metálicos, jorrou as pedras verdejantes sobre mim.
— Você não pode, quem sabe, ao menos tentar?
O tom inexpressivo de Percy — como se tudo fosse fácil demais — reverberou aos meus ouvidos e a primeira coisa que fiz foi bufar audivelmente justamente para que ele percebesse que de fato eu estava me mergulhando em tentativas falhas de tanto tentar manter-me em atenção ao que ele dizia.
— Eu não consigo — silábica, eu emoldurava todas as minhas palavras à minha boca para que, talvez, ele compreendesse — Não é tão fácil como você deve achar, Perseu.
— Nada é difícil quando você realmente se importa — Ele rebateu, com um sorriso repuxando os cantos dos lábios, totalmente desprovido de humor. Revirei meus olhos, em seguida.
— Continua não sendo tão fácil. Ajudaria também se biologia não fosse uma matéria tão... sem graça, desprovida totalmente de um teor que me faz ter vontade de estudá-la.
— Que tipo de pessoa você é? — Ele quis saber, empurrando o livro que estava à sua frente para lá longe. Observei o objeto indo para um rumo oposto ao nosso — Você é definitivamente uma pessoa tão sinistra. Qual é o aluno que não idolatra a minha matéria? Não se faz mais alunos como os de antigamente.
— Nossa, nossa! — Bati palmas, teatralmente no tempo em que meus lábios caíram para baixo em uma faceta que simbolizava o quanto eu havia ficado tocada com aquele monólogo recheado de uma única coisa: tédio — Realmente o seu discurso exclamativo sobre como, nós, alunos de hoje em dia somos assemelhados à merda me deixou paralisada, em estado de choque. Sinceramente, até minha avó parece ser mais chata quando fala sobre a época dos dinossauros, Jackson.
— É impressionante, às vezes, como eu sinto vontade de te jogar da janela de um prédio com 29 andares.
— Mais sublime do que isso é o meu anseio em te matar a livradas, Jackson — minha face se transmutou em algo fantasmagórico e desprovido de sanidade.
— Isso não me assusta, Chase e se me der licença, vou colocar isso na pia — Com dois copos equilibrados sobre dois pratos, Jackson sumiu pela passagem que dava à cozinha deixando-me sozinha e com cara de paisagem na sua imensa sala de jantar grã-fina. Sondei o vidro, no qual meus dedos dedilhavam, depois que Percy saiu.
Depois, meus olhos viajam para a estante de madeira cappuccino, ficando um pouco surpresa ao encontrar fotos reveladas e intercaladas na parede em que o móvel se apoiava. Depois de levantar da cadeira de madeira com o estofado com textura de folhagem e a recostar à mesa, comecei a levar meus pés as revelações, curiosa demais para barrar minha caminhada até onde eu queria chegar. Em frente ao móvel de coloração escura, posso ver com clareza as inúmeras fotos espalhadas pelo ajuntado de tijolos, cuja cor bege afinava o local já com um pouco de luxo. Eram várias, de Percy.
Varrendo todas as fotos intimas para mim, consigo soltar um sorriso ao vê-las. Em todas, havia Percy e na maioria delas, ele estava se divertindo com Tyson e com mais outro rapaz bonito e de rosto simétrico, cujos olhos — duas obsidianas — exalavam e empunhavam impacto. Eu não tinha conhecimento de quem era, mas eu podia notar os sorrisos alargados que estavam impregnados em Ty e Perseu. Havia também algumas fotografias de quando ele era mais novo, quase que idêntico ao que era agora, mas de fato muito mais esguio e brincalhão do que eu presenciava no pouco tempo que passo com ele. Desbravando mais, acabei por me deparar com a foto mais singular. Percy, ao que parecia em uma praia na penumbra da noite, de pé e sendo abraçado formidavelmente por uma garota morena, na qual eu poderia colocar a certeza de que era a mais bonita que eu vi em minha vida. Alta, cabelos lisos açoitando o vento e a brisa, sorriso que deveria com certeza desnortear qualquer homem e um rosto fino e desenhado por sabe-se qual divindade.
Ah, eu não era estúpida para não desvendar que aquela garota deveria se tratar de uma ex-namorada de Percy. Principalmente, quando na foto, um riso sem som se espelhava no rosto de Percy como se nunca fosse sucumbir, como se tivesse validade infinita.
— Espreitando minhas coisas, Chase? — Era Jackson, em uma pergunta, surgindo da cozinha sem com que eu ao menos percebesse.
Dei um imperceptível salto, num ato de susto, ao virar e vê-lo ao meu lado, observando tudo que eu fazia.
Dei de ombros.
— Eu não diria espreitando, já que as fotos estão visíveis a todos que puderem vir à sua casa.
— Apenas Tyson vem aqui — explanou Jackson — E além do mais, você não deveria estar tão interessada em minha vida sem graça.
Eu deixei um riso escapar, parcialmente o oscilando com um “sério mesmo” quase em alto-relevo em minha testa.
— Ainda não me convenceu. E falando em convencer, ainda não estou plenamente convencida com esses seus atos de ser, de uma hora pra outra, tão infiltrado em minha vida.
— Não já conversamos sobre isso? — Percy questionou, confuso, enquanto uma de suas mãos se apoiavam à parede.
Mordi meus lábios.
— Não foi o necessário para me deixar satisfeita.
— De qualquer forma, acho que o nosso estudo acaba por aqui, senhorita Chase.
Cerrei meus olhos.
— Tão impessoal agora, não é, Jackson?
— Nem tanto assim — Ele disse em um fio de voz, quase fui incapaz de ouvi-lo. Mas, não importou. Fui embalada completamente pelos seus braços fortes que me firmavam mais contra ele — Nada de perguntas, por favor — Ele se adiantou, quando escancarei minha boca para inquiri-lo, e sua boca cobriu toda a minha, em um selinho momentâneo, portanto, já estávamos movendo-nos um contra outro insanamente e nossas línguas se encostavam, como se nunca tivessem sido separadas.
— Espera aí — Eu o empurrei minimamente, sem quebrar o contato corporal — Não estávamos, sabe, meio que nos matando há segundos atrás?
Percy parou para matutar por breve segundos, e disse:
— Estranhamente, sim. Agora mantenha-se totalmente muda — e dito isso, seus lábios se chocam mais uma vez contra os meus.
O clima obscuro espreitando por todas as árvores que circundavam a casa, a pouca iluminação no local em que estávamos e fogo consumidor que estava sendo injetado aos nossos corpos me lembrava tanto àquela vez no chalé. E só Deus sabe como, mesmo não admitindo nem a mim mesma, queria que uma dose daquilo fosse repetida de novo, só que melhor. E estava acontecendo, pelos quintos do inferno.
Aquilo era fora da bolha da realidade, eu não conseguia não me sentir no céu ao que as mãos de Percy varriam toda a minha pele para si, apertando, alisando e fazendo tudo que estava ao seu alcance, mesmo com todos os panos me cobrindo sendo um empecilho exasperante. E eu não ficava atrás, totalmente focada na atividade de manter-me ocupada beijando-o e descobrindo e redescobrindo como era tocá-lo em lugares que eu não tinha permissão em Kvemo High School e nem em outro local aqui na cidade, sendo sincera. E exatamente esse fator que tornava o que estava rolando nesse exato segundo algo extremamente esplendor. O fato de que, apesar de não ser permitido aos olhos dos outros, nós o fazíamos e eu sentia que não havia nenhum recuo por parte minha e dele, pelo menos não ainda.
— Acho melhor subirmos — a voz, quebrante de estruturas pela rouquidão, de Percy sibilou em sussurros cortantes em meu ouvido, a cada segundo interrompendo sua própria fala para poder fazer loucuras de outro mundo no lóbulo.
Acho melhor subirmos pareceu algo bom ressonando no ar, me dizia que estávamos perto de presenciar e viver uma coesão e explosão de sabores, então, eu assenti, totalmente subjugada a ele, esperando que ele me levasse seja lá onde ele tinha pretensão. E lá estávamos novamente, colidindo-nos enquanto um beijo transbordante em volúpia era efetuado de uma forma bastante eficaz, obrigada. Percy fecha um cerco ao redor de minhas cinturas, suas mãos espalmando minhas costas em um tranco, firmes e disposta a algo que me parecia bastante convidativo. Com um impulso, um salto me faz entrelaçar minhas pernas à sua cintura, como um alicate que o intimava que sair não era possível. Meu tato em contato com os fios negros e macios era alucinante, rápido, desconexo e eu podia sentir que ele estava apreciando demais aquela massagem capilar.
Passos foram dados. Percy carregava-me com ele, ambos de olhos cerrados, fechados ao mundo lá fora, e eu parei um segundo para me perguntar como ainda não havíamos nos chocado com algum móvel ou até parede. Cambaleando comigo ao seu enlaço, Percy começou a se mover mais rápido acelerando simultaneamente nosso beijo, fazendo chamas ardentes e consumidoras causarem sensações deliciosas em minhas estranhas e por outros caminhos que costumavam a ficar quentes quando o assunto em questão era professor Jackson.
Chego à conclusão que estamos na escada, quando as cochas de Percy se encontram de forma quente com minha intimidade arfo e tudo que fiz foi soltar um suspiro que foi completamente abafado pela língua dele abstruindo a minha de um modo que tudo que eu era capaz de fazer era revirar os olhos em delírio. Beijos. Pegadas. Mordidas. Apalpadas. Era o que resumia o que se passou, até que o glorioso ranger de uma porta é audível e soa como os portões do céu sendo abertos ao compasso que Percy aperta minha bunda rigorosamente. Eu até poderia descrever como era o quarto de Jackson, como ele representava seu mundo nele, e todas essas coisas que até tive uma mínima vontade de descobrir que já havia até se esvaído, mas tudo que consegui esquadrinhar foi o contorno de madeira da cabeceira do móvel que mais parecia necessário naquele cômodo: a cama. Parecia totalmente convidativa, lençóis de linha e marca postos corretamente e prontos para serem bagunçados em um embaraçar de beijos deliciosos e que tinham um efeito mais eficiente do que a nicotina sendo tragada.
Outra coisa que consegui perceber — já que minha percepção para algo que não fosse meu professor estava falha e vaga — fora uma janela de madeira aberta, encarcerando a lua cheia daquele dia, alta e arredondada. Galhos retrocedidos de pinheiros a emolduravam, e bruxuleavam um pouco a iluminação provinda da lua — que não parecia estar aos céus e sim ao nosso lado.
— A propósito, esse é onde durmo todos os dias — Jackson sibilou ao pé do meu ouvido. Sorri, alucinante e antes que eu pudesse responder algo nada plausível, Percy me lançou à cama ferozmente e sem nenhuma delicadeza. O baque entre minhas costas e o colchão da king-size foi tão grande que a madeira rugiu, mas não fez a menor importância, pois Perseu já estava sobre mim, enchendo-me de beijos em todos os lugares possíveis.
— Está sendo ótimo conhecê-lo — sussurrei ao passo que eu desgrudava por um segundo meus lábios dos seus para novamente colá-los com uma voracidade duplicada, faminta para ter aqueles lábios carnudos e pequenos dançando a música que ambos ditávamos de forma ornamental.
Eu poderia parecer louca ao tentar desesperadamente estar plenamente compactuada com ele, sem nenhum mísero centímetro de meu corpo descolado, mas era uma necessidade que berrava em minha cabeça, transformando-a em um terreno íngreme, com o declínio à loucura. As mãos de Percy filavam meus fios, movimentando minha cabeça, e agora ditando o ritmo impecável do nosso juntar de bocas, deixando os fios mais bagunçados do que o possível. Era mais do que excitante tê-lo agarrando-me ao cabelo de forma tão forte, que fazia meus sentidos retrocederem.
Totalmente ensandecida para embalar uma das partes do corpo dele que eu mais adorava, apertei mesmo por cima do jeans a bunda grande e totalmente apetitosa dele, que apesar de não se encaixar em minha mão pelo tamanho, era feita para ela.
— Você é tão tarada, Chase — Ele disse. Nossos lábios se conectam mais uma vez.
— Você já deve saber que ela tem esse poder sobre mim — Degustei-me ainda mais de sua bunda, repuxando um dos cantos de meus lábios, antes de selá-los aos de Percy.
Deixando meus cabelos de lado, Percy começou a tratar de minha blusa xadrez, totalmente agoniado e inquieto para retirá-la sem com que nosso beijo não fosse quebrado. Contudo, seus dedos são ágeis, tirando a peça de pano agilmente para jogá-la em um lugar submerso pela escuridão daquele quarto. Seus dedos se encaixam em minha cintura, acariciando-a por cima da regata branca, enquanto os meus se ocupavam em puxá-lo para mais perto de mim, pousados no cinto. Percy rugiu ao olhar-me fundo nos olhos com aquela imensidão verdejante, agora escurecida pelo desejo flamejante que dominava toda sua íris. Os lábios moldados pelos deuses se encaminharam ao meu pescoço alvo, provavelmente querendo deixá-lo com outra coloração, e eu sorri por talvez no outro dia acordar e me deparar com trilhas vermelhas e inchadas incrustradas em minha pele, berrando que aquela era a marca dele. Minha pele, um pouco sensível já de inicial, é sugada pelos seus dentes, e eu sinto toda a extensão daquele local arder em fogo, atiçando ainda mais o combustível capaz de deixar-me cada vez mais desejando tudo isso. Os beijos rumaram, agora, para meu busto, deixando por onde passava um caminho crepitante que fazia-me tremer da cabeça aos pés. E Percy notava e sorria por saber que aquele era o efeito-colateral por ser a melhor coisa que já haviam inventado na cama.
Filei os cabelos de Percy, os sentindo deslizar entre meus dedos, como as estrelas dançavam no céu: rapidamente. Então, dou-me conta de que Percy poderia estar sem aquela camiseta verde, por mais que ela o deixasse fodidamente atraente. Rodeei sua silhueta, e no seguinte momento girei-nos felinamente, invertendo as posições e pousando-me sobre seu colo, fazendo propositalmente nossas intimidades se encontrarem completamente, proporcionando à ambos uma explosão de desejo incontável.
Já sem conseguir esperar nenhum instante, livrei-me daquela camiseta que estava mais atrapalhando do que ajudando, e por fim, sinto sua pele totalmente desnuda contra a minha palma, tão macia e crua. Agarrei-me aos seus braços, os apertando com uma força descomunal e Percy não se importa, tudo que faz é depositar suas duas mãos grandes em minha bunda, apalpando-me desenfreadamente enquanto gemidos escapam por minha boca. Minha blusa, em seguida, é a coisa que eu faço questão de me livrar e...
— Seu sutiã é do Bob Esponja ou eu estou totalmente cego? — Percy perguntou, sem cortar o clima, ainda apertando obscenamente minha bunda por cima do jeans.
— Não, você não está cego — Revirei meus olhos, antes de beijá-lo ao mesmo tempo em que eu retrocedia meus braços para trás e me livrava daquela peça infantil mas que era uma das minhas preferidas — Assim está melhor?
Percy assentiu, deixando um sorriso completamente proibido para menores de dezoito anos reverberar aos seus lábios e suas mãos vão de minha bunda a meus seios, os prensando contra a palma de sua mão. Mordi meus lábios, tentando não soltar um gemido que me entregar-me-ia ainda mais a ele, então tudo que fiz foi morder seu ombro, com aquela gostosa pele levemente bronzeada. Percy geme um mesclado de dor e prazer, apertando mais meu seio, como punição e tudo que faço é sorrir, adorando.
— Espere — Eu o barrei, quando seus lábios embalaram meu mamilo. Ele solevou seus olhos aos meus, suas esferas esmeraldinas um pouco raivosas por ter o interrompido — Acalme-se, você não irá se arrepender.
— O quê...?
Sua pergunta foi incompleta, pois no mesmo instante, o empurrei para cama. Suas costas colaram no colchão e eu sai de cima dele, agachando-me na altura de sua ereção pulsante e berrante pulando quase para fora de sua calça.
— Calado, Jackson.
Incrivelmente rápido, desfivelo seu cinto o lançando para o baú inexistente das roupas perdidas, e com sua ajuda, retiro sua calça, umedecendo minha boca ao encontrar seu membro quase rasgando a cueca azul que o evidenciava de forma deliciosa. Em um piscar de olhos, o pano se junta ao mar de panos desconhecido, e eu lambo meus lábios ao encarar, mesmo à luz da lua, aquele membro satisfatoriamente enorme apontando para mim e praticamente implorando para que eu fizesse algo.
Então, eu o fiz. Minha língua, de começo, entrou em contato com a cabecinha do pênis, movimentando-se para lá e para cá, circulando-o e todas essas coisas que eu sabia que o deixavam louco. O que era verídico, pois Percy já estava puxando-me os cabelos, e seus lábios eram repuxados para frente em biquinho ajuntado com sobrancelhas franzidas completando uma cara de apreciação que me deixava ainda mais quente. Meus olhar, focalizam-se ao seu, como uma pergunta silenciosa se estava bom. E tudo que tenho como resposta é suas mãos me empurrando mais para seu membro, fazendo o engolir como uma pequena criancinha engolia um pirulito, obcecada para sugar o sabor para si. Fechei meus olhos, querendo sorrir, enquanto eu sentia aquela extensão que mal cabia em minha boca pulsar contra minhas bochechas, e a cada segundo que passava eu o tinha mais e mais afundado dentro de minha boca.
— Porra, Annie — Ele soltou um grunhido alto, enquanto apertava com toda sua força possível meus cabelos, fazendo a velocidade do sexo oral aumentar gradativamente. Ele ditava o ritmo e eu estava contente por conseguir acompanhá-lo com maestria — Oh, céus.
A satisfação se inflou dentro de mim à medida que eu seguia o que era ditado por ele e ao passo que os gemidos desconexos e já altos de Percy preenchem todo o ajuntar de quatro paredes. Estava rápidos, e céus, eu conseguia senti-lo fervente quase que chegando à um quarto de minha garganta.
Percy parou meu trabalho, para se livrar do resto de minha roupa em segundos rápidos e também para surgir com uma camisinha retirada de sabe-se lá onde. Ele pousa o plástico na cabeça do membro, e o segurando deslizo sobre ele completamente, já o sentindo dentro de mim por completo.
E eu grito de imediato porque é tudo que eu consigo fazer. Suas mãos grudam em minha cintura, e com sua ajuda, comecei com os movimentos vagarosos, apenas o apreciando tão magnifico dentro de mim. Mordi meus lábios, totalmente me apreciando daquelas sensações tão perfeitas que me faziam estar em todos os lugares no mundo em que já quis estar. O prazer recheou nossa conexão que ia aos poucos se tornando rápida como o tempo que era a própria velocidade do mundo. Nossos gemidos tornam-se um só, unidos para expressar unicamente o desejo inacabável que estamos sentindo no momento. Ele apertava-me forte à silhueta, talvez quisesse marcar-me ali também. E eu rebolava furiosamente em seu membro, e à cada estocada eu parecia atingir um êxtase inexplicável.
E quando percebo, o clímax bate à porta e eu não me lembro de ter tão gritado tão alto na minha vida.
Porque o que eu sentia quando eu estava conectada à Percy vinha como um sonho acabado, mas nada verdade o que eu sentia estava vestido de pesadelo perfeito que todos queriam.
Fale com o autor