Notas iniciais
Depois de mais um mês na sombra, eu reapareço. Primeiro de tudo: eu queria agradecer todos os comentários que vocês estão depositando para a história, sério. Eu estou amando vocês. Também queria dizer que quem é um leitor fantasminha, pode vim para luz, receberei-o com um maior amor. Esse capítulo (que, aliás, é decidada a bad girl que fez uma recomendação perfeita) está dividido em dois. Pelo simples fato de que iria ficar grande demais, e se eu insistisse em colocá-lo no tamanho devido, eu acho que eu demoraria mais ou menos uma duas semanas a mais. E vocês já esperaram de mais, não é? Quase um mês, sendo exata. Considero esse capítulo muito importante para o desenrolar da história, em partes, por mais que ele de início não pareça grande coisa. Mas, não o subestimem, já que haverá um personagem aparecendo pela primeira vez. Não darei spoiler, sem chances. I'm bad, baby. Queria compartilhar uma coisa que me deixou bem feliz: fui convidada para um especial percabeth, pela Mylena, yay! Aliás, alguém aqui já leu uma fanfic dela? Esperem só por esse especial, será muito bom. Minha vida é bem corrida, gente, então eu sei que demoro muito para postar. Já que também tenho outra história. Mas, eu peço que não desistam da história, mesmo que eu demore nunca desistirei, okay? É só uma questão de tempo. Queria compartilhar, que finalmente, achei uma atriz que se encaixasse na Annabeth de Animals, yay! A atriz Elizabeth Olsen, que para quem não sabe, é irmã caçula das gêmeas Olsen. Uma foto dela: (http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://wallpapers111.com/wp-content/uploads/2015/03/Elizabeth-Olsen-Wallpaper-HD-4.jpg&imgrefurl=http://wallpapers111.com/elizabeth-olsen-wallpaper-hd/&h=1800&w=1200&tbnid=EatlcnK0AkMFLM:&zoom=1&docid=Az6sWXbuTnWW_M&ei=BH5XVc7-NYKbNvfvgNgO&tbm=isch&ved=0CDMQMygCMAI) Aproveitem esse capítulo e tentem não odiar vocês-saberão-quem. Enjoy!

Estacada no banco do carro de Percy, parecia difícil me locomover para fora do veículo e não haviam explicações plausíveis para que eu justificasse o inexplicável, então eu estava me dando um ligeiro desconto.

No final das contas, eu até tinha minimamente gostado das aulas extras com Jackson e ainda mais do que vinha logo após. O fato era que mover meus pés afora daquele carro não estava me deixando mais calma ou estabilizada, porque, no dia seguinte, eu seria obrigada a conviver novamente com a minha vida que ultimamente andava pacata demais para os meus termos.

Era por isso que estar com Perseu, por mais perigoso e antiético que isso seja, me fazia me sentir verdadeiramente viva, com o fogo atrofiando os meus sentidos. Do jeitinho que eu sempre deveria me manter.

Ou era isso ou era um cigarro se moldando à minha boca, fazendo uma combinação fodidamente perfeita e que me fazia perder os sentidos no mesmo segundo em que eu tragava, sentindo o deleite preencher cada poro de meu corpo.

Todavia, eu tinha uma promessa não selada se espreitando para cima de mim, me sufocando só de pensar sobre tal. Acredite, não é reconfortante saber que Percy estava sendo bastante amigável com a figura mais maternal que eu estava tendo esses dias, minha avó Rebeca.

─ Está muito pensativa para quem só precisa ir, Chase. Algum problema?

Rouca, lenta e eloquente, a voz dele criou mãos e me arrancou pelos cabelos dos meus devaneios crescentes e cheios da mesmice de sempre. Quer dizer, reverberar a imagem de Jackson pela minha cabeça sem com que eu nem perceba, de fato, já havia se tornado uma mania inconveniente que me fazia ter esforço para erradicá-la ‒ e no fim de tudo, eu não obtinha sucesso algum.

Descolei meus olhos do contorno imenso da local onde eu residia esses últimos meses, e jorrei meu olhar instigante para o dele, um pouco desentendida de sua pergunta repentina.

‒ Uh?

Percy sorriu com a resposta mais ridícula das resposta e por algum motivo desconhecido desfivelou o cinto que o enlaçava por todo o seu tórax escondido por aquela camiseta esverdeada coberta por um casado de couro antigo que o deixava mais perfeitamente tentador.

Sem nem perceber, eu já estava mordendo meus lábios.

‒ Você está parada olhando para sua casa faz alguns segundos. Estava imóvel e com a mente em outra órbita, provavelmente ‒ explanou Percy, gesticulando com uma das mãos que não estava firmada ao volante do carro, mesmo que este estivesse desligado ‒ Você está bem?

‒ Primeiro essa não é, necessariamente, minha casa, o que me faz chegar à conclusão de que não tenho nenhuma ‒ dou de ombros, no mínimo para tentar mascarar o quanto aquilo fazia estragos estratosféricos em meu coração ‒ Segundo, não estou muito a fim de entrar, me preparar para um sono constante e no outro dia acordar e realizar a mesma rotina intransmutável de sempre.

Percy absorveu as palavras por alguns segundos, comprimindo os lábios inferiores com os superiores, tentando pensar em algo, provavelmente, para falar.

Enquanto isso, eu não conseguia desfocar meus olhos dos seus, fortificando o elo invisível e indestrutível que se formava todas as vezes em que a colisão do acinzentado com o esverdeado acontecia.

‒ O que te faz pensar que essa não é sua casa, Annie?

‒ A pergunta ideal seria: o que te faz sentir que essa não é sua casa. Mas, de qualquer forma, eu não me sinto acoplada a essa nova ‒ engoli a bile crescente que fazia garras arranharem minha garganta ao proferir a palavra tão sórdida ao meu ver ‒ família. Na verdade, não é algo com que eu estou acostumada. Atena sempre deixou claro que seus interesses cobiçosos se resumem em apenas ser uma política de renome. Ela não gosta de ter uma filha.

Era um teor tão fatal que havia influenciado toda a minha vida. Ser uma filha, mas não ser considerava uma não era algo que uma garota de nove anos estava preparada para lidar, quando só queria apenas um colo materno, já que o lado paterno sempre fora uma nebulosa bolha de mentiras e segredos imersos.

Percy olhando-me daquele jeito, totalmente complacente, fez uma pergunta ascender em meus neurônios explosivos.

Por que ele se importava tanto?

Antes que eu tivesse a chance de questioná-lo, seus lábios se escancararam e as palavras tão escolhidas saíram por fim da fresta.

‒ Seus avôs te amam, você deveria se abrir e quem sabe se sentir pelo menos uma vez vivendo em uma casa. Em sua casa. Não sei se é algo que tem relevância, mas eu presenciei os olhos de dona Rebeca arderem em chamas felizes por ouvir que eu ajudaria. Ela estava bastante preocupada com você, pra ser sincero. Então acho que já é a hora de você se permitir a ter uma família.

Eu quis rebater com mais argumentos prontos em minha língua, mas eles simplesmente se esvaíram para a outra dimensão, seja lá onde ela fosse. Meus dedos faziam desenhos abstratos desajeitadamente pela minha jeans que escondia as marcas arroxeadas que ele mesmo havia deixado, e eu estava totalmente deixando translúcida a minha aflição mercurial.

‒ Talvez você tenha razão ‒ murmurei, baixando meus olhos ligeiramente para sondar meus dedos se movendo insanamente. Quando captei Percy, cuja boca se alargava em um sorriso indecifrável, completei ‒ Mas isso não significa que você esteja certo, Jackson. Eu disse talvez.

Aquele riso sem som se mantinha intacto, como um monstro esverdeado à prova de balas em meio à guerra. O frio emplacava toda a rua, aproveitando a penumbra, e eu agradecia por estar pelo menos com aquela blusa quadriculada safando meus braços e estar dentro da camionete de Percy era de imensa ajuda.

‒ Você é tão difícil, Chase ‒ Ele disse, e eu soube que não era apenas uma frase qualquer quando ele sacudiu a cabeça por todos os lados e abandonou a única mão envolta ao volante ‒ Eu gosto disso.

E ele solevou o canto da boca, esboçando aquele sorrisinho de lado que não fazia questão nenhuma de camuflar as segundas, terceiras, quartas, quintas intenções. Mas, pouco me importei pois eu já sabia que não era de seu feitio manter-se na linha e prova disso era como ele era ardente na cama, especificamente dentro de mim.

Devolvi sua expressão, o que foi uma boa arma para ajudar a mascarar os sentimentos melancólicos que a todo custo queriam tomar posse de tudo. Seria uma boa hora para desviar o assunto e esvaziar minha cabeça, afinal. Então, encarnei um lado meu que não era nada difícil de representar quando eu estava tão perto de Percy.

‒ Não sou qualquer uma, professor Jackson. Você sabe, não sabe? Precisa ser um bom menino para me ter.

‒ E o que, necessariamente, eu ganho sendo um bom menino? ‒ Ele questiona, nem um pouco interesseiro, enquanto chamas verdejantes já escurecidas se implantavam por toda sua íris, me fazendo, consequentemente, vibrar.

Sorri de escárnio, mantendo meus olhos em cada traço de sua face feita e refeita mil vezes pelos anjos para que a perfeição fosse um item que Percy tinha o prazer de usar. Sem limites ou hora, o que me fazia, parcialmente, uma subjugada de seus poderes.

‒ Você me terá como uma garota má ‒ reverberei, sedutoramente, descendo com meu tom de voz, evidenciando que eram palavras exclusivas e totalmente destinadas a ele ‒ Você está ciente que elas são as melhores.

‒ Isso foi quente, Chase. Pode repetir?

As palavras saindo de sua boca soaram bastante descontraídas e relaxadas, batendo de contra os meus ouvidos, e fazendo com que meu rosto se contorcesse todo para moldar-se a um riso desprovido de som, que se alastrava intrigantemente por todas minhas feições. Oh, puta merda.

Eu deveria aprender a driblar esses sentimentos e sensações que se ajuntavam sobre mim quando eu estava perto de Percy.

‒ Está brincando, não está? ‒ questionei, mesmo sendo uma pergunta claramente nítida em resposta. Repuxei meus lábios quando notei que, dubiamente, para ele a pergunta não havia sido assim tão esclarecida.

‒ Claro que não, Annie ‒ ele revirou seus olhos, totalmente teatral e seus dedos puxaram meu queixo fino de forma um pouco brutal. E eu apenas suspirei exasperadamente, tentando conter o turbilhão de emoções fora de hora. Era tão frustrante não ter um controle sequer sobre meu corpo nessas horas. Aquele oceano revoltado e único contido em suas esferas oculares se alinharam à tempestade cinzenta dos meus, enquanto ele pronunciava as palavras com toda a calmaria se propagando dentro do local sobre quatro rodas ‒ Acho que eu já te disse que você deveria saber o efeito que causa nas pessoas, se não estou enganado.

Eu me lembrava explicitamente das suas palavras ecoando aos meus ouvidos e eu tinha uma fagulha de certeza de que elas permaneceriam por ali por mais tempo do que realmente deveria. Lembranças férreas que não sairiam tão cedo, e não tinha conhecimento se era um fator que me desintegraria ou me ajudaria a ressurgir das cinzas caso eu relembrá-lo.

‒ Eu me relembro perfeitamente, senhor Jackson ‒ sibilei ‒ Só fique sabendo que foi uma pergunta retórica, logo, não precisava necessariamente de uma resposta, não?

Percy pisca alguns segundos, totalmente com a confusão atrofiando seus neurônios, e eu podia ver completamente através de seus olhos por mais incrível que isso pareça.

‒ Não havia percebido que foi esse tipo de pergunta, de qualquer forma, não sou apto a pensar a essa hora da noite. O que importa é que eu frisei meu recado em sua cabeça, Chase. Estou me sentindo um representante de um país após receber o legado.

‒ Acho que está mais para o ônus ‒ falei, enroscando meus dedos finos e pequenos aos seus longos extensos e grossos ‒ Está na hora de descer ‒ grunhi, ao tempo que eu angulava para o sobrado, não muito apreciativa do destino que seguiria.

‒ Você tem razão ‒ ele concordou, zarpando seus olhos como raios para o painel de controle, cuja tela apitava incessantemente 21h49min, me fazendo recordar de que eu deveria de arranjar alguma desculpa para minha avó ‒ Está tarde, visto que era apenas uma aula de reforço.

‒ Não faça isso como se estivesse arrependido, professor.

‒ Acredite, eu não estou nenhum pouquinho.

Antes de levar meus pés para fora, encaixei meus lábios ao seus, extremamente cálidos e macios. Eu odiava avidamente admitir, mas o efeito colateral de estar colada a ele era o mais febril possível e um ótimo manto para me esquentar do inverno talvez passageiro que se perpetuava por todos os cantos da cidade. Afinal, o clima era assemelhado a Jackson: imprevisível e totalmente bipolar. Quando a sua língua se chocou contra a minha, recheada daquela volúpia que sempre sentíamos mas que nunca se tornaria praxe, meu estômago se contorceu em um frio reforçado. Como se milhares de mariposas à base de carnificina estivessem cruzando para lá e para cá todo meu organismo.

Beijá-lo era simplesmente algo que deveria estar listado nas sete maravilhas do mundo.

Desatenta à tudo e todos, só percebi que o beijado havia sido desfeito quando ele mordeu meus lábios inferiores, e encaixou os seus em minha bochecha, como um beijo inexplicável de despedida.

‒ Te vejo na escola, Chase ‒ despediu-se, colocando de volta o cinto de segurança.

‒ Não tenho aula com você amanhã, Percy.

Ele sendo a personificação da maldade sexual (num lado totalmente positivo) apenas solevou o canto esquerdo da boca.

‒ Isso não me impede de absolutamente nada ‒ ele concluiu, e eu saltei para fora do carro ‒ Até mais.

Ele esperou que eu pegasse minha bolsa no banco de trás e que eu me direcionasse para a calçada, depois de fechar a porta num baque, e depois saiu cantando os pneus, provavelmente despertando a atenção de todos os meus vizinhos acordados e os que estavam dormindo.

Oscilei sobre a fachada do sobrado, cujo modelo vitoriano se destacava das outras casas que consistiam em apenas um modelo praxe americano. O telhado pontiagudo demarcava o céu, se contrastando contra o manto, cujas estrelas fulgentes cintilavam sem parar. As inúmeras varandas se colidiam com a principal parcialmente, uma acima da outra, enquanto vigas esbranquiçadas as rodeavam e se fundiam ao verde-musgo, coloração da casa.

Pisoteando o piso amadeirado da varanda que me levava a dar de cara com a enorme porta esculpida do alto ao rodapé, por fim, rodei a maçaneta, respirando fundo e jorrando o ar gélido em meus pulmões, já um pouco refém do frio.

Sim, havia sido um dia e tanto.

O primeiro acontecimento já faz meu dia já ser exasperadamente agitado: Perseu havia visitado minha avó, com intuito de me ajudar a ser uma aluna melhor.

Depois, eu havia descoberto que Tyson sabia sobre a cena do chalé, e seu porta-voz havia sido ninguém mais ninguém menos do que Percy, seu irmão. Logo, tive que encarar a aula de biologia, e tentar evitar os olhares confusos, que, abre as aspas, meu professor superético, fecha aspas, lançava-me.

E depois, no fim do horário, Jackson se materializa do meio do nada na sala de canto e depois de uma breve discussão nos beijamos. E depois vou à casa de Percy, sem esquecer o fato de que a mesma se localiza no meio do mato, e lá, a açucarada notícia de que ele havia feito algumas promessas com minha avó adentra os meus ouvidos, deixando-me um pouco desconexa.

De longe, a parte de todos esses episódios que não consigo esquecer, era aquela aposta. Instigante e misteriosamente, ela estava cravada em mim, todas as palavras que lançamos não conseguiam se esvair.

Muito menos a sensação única e extasiante dos nossos corpos se mexendo em sincronia, enquanto urrávamos enlouquecidamente, soberbos pelo prazer.

As luzes do hall de entrada, como de costume, estavam apagadas. O único som que meus ouvidos conseguiam captar era o ruído incessante da televisão. A falta de iluminação me trazia a sensação de que minha visão estava turvada, mas aos poucos, uma rajada amareladas incandescente compenetrou meus olhos, e então, eu estava de fato adentrando a superfície da sala.

Mas, antes que eu pudesse realmente fazer presença ao cômodo, me posicionei ao lado da parede, minhas mãos espalmando a textura gélida, e eu tentava angular minha cabeça para que as duas figuras não ficassem ciente de que eu já havia chegado.

Meus avôs, com os olhos vidrados na televisão, estavam acomodados ao sofá, enquanto vovó Rebeca repousava sua cabeça cheia de cabelos grisalhos sobre o peito de vovô Richard.

Instantaneamente, um sorriso relampejou sobre mim quando meus olhos esquadrinharam tal imagem tão amorosa e inédita à essa sociedade.

Eu não podia negar o quanto eu os amava, e quanto era grata por tê-los em minha vida. Às vezes, o fato de não aceita-los muito bem como uma família tradicional parecia ser cruel e sórdido.

Talvez eu devesse reconhecer quem, de fato, se importa comigo, e não reverberar quem não se importa.

─ Cheguei ─ anunciei, enquanto meu corpo se movia em direção ao lado sul da sala, onde o sofá permanecia ─ Foi um dia muito longo, aliás.

Vovó Rebeca sofreu um susto no mesmo instante. Desalinhando-se de meu avô, ela envolveu seu coração com as duas mãos, mas logo que me encontrou, sorriu docemente.

─ Annie, querida ─ sua voz doce reverberou, enquanto seu rosto cheio de marcas de expressões e características que acusavam o tempo vivido, se iluminou ─ Achei que nunca chegaria. Estava começando até ficar preocupada com você.

─ Na verdade, quase ligamos para polícia ─ interrompeu o vô Richard, parecendo um pouco desinteressado, já que seus olhos ainda estavam conexos ao aparelho. Não pude deixar de aumentar meu riso sem som, pelo jeito durão e irreversível de meu velho ─ Mas, depois desistimos. Porque, sem ser... Como é que falam mesmo hoje em dia? Ah, sim, lembrei. Na verdade, não lembrei... De qualquer forma, a única coisa que poderia acontecer era você estar em uma festa ou, não sei, passeando com Thalia. Bons tempos quando eu ainda era jovem e poderia curtir minha vida.

Ri, divertindo-me do jeito ranzinza e irredutível que ele portava.

─ Na verdade, eu estava fazendo aula de reforço com o senhor Jackson.

─ Quando você diz senhor Jackson você está falando daquele professor que esteve aqui? Oh, pelos quintos dos infernos, você não poderia ter arranjado um cara com menos cara de cafajeste para dar aula para nossa neta? ─ Ele finalizou, olhando furtivamente pelo rabo de olho dona Rebeca, que o ignorou prontamente.

─ Não seja tolo, Richard ─ ela ralhou, revirando seus olhos acinzentados ─ Fique sabendo que Percy é um rapaz muito centrado e um amor de pessoa, aliás.

─ Ora, pelo que eu saiba, o nome dele é Perseu não Percy.

─ Deixe de ser infantil, meu amor ─ decretou vovó, já visivelmente cansada daquela discussão rotineira que sempre perambulava entre eles, e voltou seu foco à mim ─ E como foi a aula, queria? Aprendeu alguma coisa que possa te ajudar?

Ao adentrar meus ouvidos, as palavras me fazem retrair, de modo que meus ombros se encolheram, e eu abracei meus braços, sentindo a textura um pouco espessa de minha blusa que cobria-me até os pulsos.

─ Estou tentando aprender o conteúdo. Senhor Jackson está bastante prestativo e paciente em todo o processo.

─ Claro que ele está sendo paciente ─ irrompeu, curto e grosso, meu vô. Ele tinha suas sobrancelhas levemente franzidas, como de praxe, moldando ainda mais seu semblante suspeitoso ─ Paciente até que você caia nos encantos dele e bum! Ele já deu o bote perfeito. Você está nas garras dele.

─ Fique tranquilo, meu velho. Nada de obsceno acontecerá.

─ Até porque, Percy age como um profissional ─ acrescentou minha avó, com os olhos que transbordavam de repreensão para meu velho, que no final de contas, estava certo ─ Annie, estou realmente impressionada por você estar correndo atrás do prejuízo.

─ E falando em prejuízo ─ meu velho disse, um pouco desgostoso ─, sua mãe ligou. Quer falar com você urgentemente, então, acho que você deveria ligar para ela o mais rápido possível antes que a fera se agite.

─ Pode deixar ─ guinchei ─ Falarei com ela o mais rápido possível. Afinal, quanto mais cedo você vê a morte, mais cedo chega ao céu, logo após.

‒ Tente ser paciente com sua mãe ─ suplicou minha avó ─ Atena anda com a cabeça cheia e aposto que deve estar morrendo de saudades de você.

Consenti, por mais que eu estivesse ciente de que minha futura conversa com dona Atena não seria nada pacífica.

...

Encaixado em minhas mãos, o aparelho celular deslizava pela superfície dos membros, conforme o suor entre os dedos se formava.

Minha cabeça, apoiada à madeira da cabeceira da cama, latejava só de pensar no que poderia se tratar o assunto que Atena queria conversar comigo. Eu tinha em mente que não seria algo com o teor familiar ou até mesmo amigável, então eu buscava a coragem de encarar uma vez por todas a figura mais distante que se mantinha apedrejada.

Cerrei meus olhos por segundos incontáveis, apenas sentindo o metal se colidindo com minha pele. Até que, por fim, minha visão se ampliou e apressadamente, comecei a discar os números.

No quinto toque, ela atendeu.

─ Já estava achando que você não fosse ligar.

─ Por incrível que pareça, essa ideia tentadora não lampejou em minha mente ─ indaguei, devolvendo a acidez cuja dona havia lançado a mim assim que se pronunciou ─ Eu estava bastante curiosa em saber o que você queria comigo depois de dois meses sem contato.

Ela gargalhou, grosseira e era certo de que sua feição se mantinha imutável, sem nenhum sentimento se propagando por aquele rosto infelizmente tão parecido com o meu.

─ Não seja tão dramática, Annabeth. Nós duas sabemos que você não sentiu minha falta.

─ Tem razão ─ dei de ombros, deixando o veneno se apossar pela minha língua ─ Nós duas sabemos que é impossível sentir falta de quem nunca esteve presente.

─ O sórdido ditado. Quem se ausenta demais, um dia deixa de fazer falta ─ ao contrário do que pensei, um bom humor se sobrepôs sobre ela ─ Irei relevar sua forma tão áspera, uma vez que nunca te deixei na pior quando estive um pouco longe.

Foi a minha vez de gargalhar, totalmente desenfreada, e eu estava realmente achando tudo aquilo uma piada de quinta categoria.

─ Dinheiro na minha conta não cobre o fato de que você não sabe e não quer ser uma mãe exemplo, infelizmente. Mas, em controvérsia, você insiste que eu seja a filha perfeita.

─ Não quero que você seja a filha perfeita ─ ela rebateu, e a minha vontade foi de premer aquele botão vermelho, e deixá-la em um vácuo interminável ─ Tudo que já pedi para você foi que não ‒

─ Não manchasse sua imagem? ─ reverberei um riso irônico ─ Que coisa mais século passado, dona Atena ─ estalei minha língua, em falsa negação, absolutamente provocativa.

─ Mas, já me conformei com o fato de que você é incapaz de se comportar como uma dama descente.

Meu rosto fervilhou pelo ódio embalando cada parte do meu corpo conforme eu tentava não perder a calmaria com Atena. Capturei uma imagem antiga que emoldurava Atena e eu, jogada ao meu lado, encima do criado mudo.

Naquela época, eu ainda tinha meus cinco anos de idade, era uma menina um pouco incerta da cabeça mas Atena ainda tinha um mínimo de consideração por mim. Sentada ao colo dela, com um ursinho lilás em mãos, eu sorria mostrando um vão entre meus dentes. Atena, intrigantemente sorridente, enlaçava-me.

Os cabelos escuros e lisos enquadravam seu rosto perfeitamente, o nariz fino e um pouco arrebitado como o meu, as maças das bochechas rosadas na mesma coloração que as minhas e os olhos que não se divergiam em nada dos meus.

Seus lábios eram a única discrepância entre eu e ela. Grossos, avermelhados e com formato digno de uma modelo. Já os meus, eram ligeiramente carnudos, rosados e a prosopopeia de um coração.

Logo, desviei meus olhos daquela imagem, não sabendo nem o real motivo por aquela fotografia estar lá.

─ Não precisa se conformar, mãe. Só precisa me dizer de uma vez por todas o motivo de tanto querer falar comigo.

─ Já que insiste ─ sua voz era longe de ser maleável, curta e grossa ─ Estou me mudando oficialmente para Washington D.C. Aconteceria de uma forma ou outra. Meu emprego e minha vida se passam aqui, e não tenho mais pendencias em Kvemo.

─ Realmente, não faz tanta diferença tê-la por aqui ou não ─ contra-ataquei, já por dentro de que as pendencias se referiam a mim ─ Mais alguma coisa, senhorita?

Pensei que um não seco entraria em meus ouvidos, mas tive que morder o inferior de minha bochecha quando outra coisa saiu de meu celular:

─ Na verdade, sim. Minha mãe passou as informações de que você estava péssima na escola adiante. Você sabe que eu não aprovo isso.

─ O quê? Estar com nota baixa? ─ arqueei minha sobrancelha, mesmo que ela não pudesse visualizar o ato ─ Isso não é novidade, dona Atena.

Um silêncio breve se instalou e até pensei em afastar a aparelho que estava rente aos meus ouvidos. Mas, então, o vácuo de som foi substituído pela voz mecânica de minha mãe.

─ Seja menos inconveniente pelo menos uma vez na vida ─ falsamente, Atena suplicou ─ O que realmente me importa são essas ridículas aulas de reforço que você iniciou hoje mesmo com Percy Jackson. Não é de hoje que te advirto sobre pessoas dessa família. Eu os conheço, e te conheço melhor ainda.

Suspirei, mas isso de nada favoreceu para que minha raiva sucumbisse.

─ O que, diabos, você quer dizer com isso? ─ rosnei.

─ Experimente riscar minimamente minha reputação com suas formas chulas de tentar chamar atenção, e você realmente vai desejar que eu esteja o realmente o mais longe de você. É fato que você cairá nas teias de Perseu, mas quando cair, tenha discrição... Caso contrário, você não será a única que sofrerá as consequências.

Prestes a contestá-la, não fui capaz de concluir minhas intenções pois o som pulsante que indicava que ela havia finalizado a ligação soava aos meus ouvidos.

Totalmente possessa, lancei meu telefone ao leste, especificamente onde aquela foto que estava quebrando minhas estruturas se localizava. Esta, descolou-se de seu lugar fixo, e caiu ao chão, estilhaçando o vidro em pequenas partículas.

Eu queria conter as lágrimas abrasivas de puro desprezo, porém, eu as deixei. Só precisava esvaziar aquela dor toda, como eu não fazia há tempos. Não havia cigarros, nem bebida, nem força para que minha voz entoasse uma música.

Havia apenas meus pensamentos que mandavam Atena Chase e sua imagem perfeitinha para o mais hediondo lugar do inferno.

Notas finais
Quem está odiando Atena levanta a mão? o/ Alguém faz alguma ideia de o porquê Atena ter se mostrado tão ácida, assim? Mandem todas as suas hipóteses, ideias, seus chutes. Acredite, essa ameaça/promessa de Atena fará bastante sentido. Só para esclarecer algumas coisas, eu modifiquei o sobrenome de Atena: deixando-o Chase ao invés de qualquer outro. Todos nós sabemos que Chase é o sobrenome de Frederick, mas aqui em Humans não. Aqui as coisas são v1d4 l0c4. Sim, Percy é tão amorzinho que eu poderia beijá-lo. Mas, he isn't real. Sobre a música desse capítulo, amando. Bang Bang! Estou tão feliz, Humans já está quase atingindo a marca de 100 leitores que estão acompanhando a história. Sério, amo vocês. Comentem, favoritem e até recomendem e deixem-me mais feliz, se for possível. Esse fandom é uma maravilha, hein. Estou dando adeus agora, meus amores. That's all. starkjackson, xx.