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Notas iniciais

O tempo voa.
Mas, você não o percebe se dissipando sobre nossos próprios olhos, e muito menos se importa em aproveitá-lo e vivê-lo com (por) o que realmente têm valor, e importância. Às vezes, infelizmente, eu era assim. Mal me importava com o que realmente valia à pena, e muito menos com os quais mereciam ser respeitados. Por quê? Eu mesma não obtinha tal resposta para tal questionamento ornado de dificuldade, mas, metade da cidade a tinha impregnada na ponta da língua e fazia questão de me lembrar o meu título a cada mísero segundo.
Garota problemática, eles diziam toda a vez em que eu dava às caras em algum lugar que não fosse a minha própria residência, que ultimamente, não tenho utilizado o nome casa para chamá-la. No começo, eu não tinha intenção de ser algo do tipo, como todos nunca têm, era apenas uma forma praxe de tornar a atenção de minha mãe algo concreto, e nada abstrato. Mas, havia coisas na vida em que o sucesso não chega, e ao longo em que as minhas tentativas de requerer minha mãe de volta expandiram-se, o meu intitulado cresceu ainda mais. E o que deveria devolver Atena de volta a mim, a expeliu para bem longe, até que, de fato, ela me dispensasse e me jogasse para a casa de meus avós paternos.
Diferente de Atena, eles transpareciam me amar, mesmo que meu pai nunca de fato tivesse me conhecido, e muito menos soubesse que eu era sua filha. Meus avós eram bondosos, gentis, e muito pacientes para irem e assinarem todos os dias as detenções que estranhamente aumentaram. Sim, meus caros, esta é a vantajosa consequência que você recebe em troca ao transar com seu irresistível e incessante professor de biologia. É... Só o que me fazia querer pular na garganta de minha mãe era um simples fato de ela não ser uma. Mas, bem. Eu deveria aproveitar mais meu tempo, e já que, ela sequer se lembra de minha existência, exceto quanto difamo sua plastificada imagem, eu não passaria um segundo reverberando sua imagem ou qualquer coisa ligada à ela.
Aproveitar a vida sem uma mãe. Aproveitar a vida sem uma mãe. Aproveitar a vida sem uma mãe. É, esse servia como um fajuto mantra, que apesar de esquisito, era a definição de minha vida sob adornos desnecessários.
— Já está acordada, minha querida? — era a voz melódica e fraquejada pelo tempo de minha vó chamando atrás da porta. Apesar de já muito tempo acesa, eu estava aqui na cama, oscilando entre pensamentos e me desviando de arrumar-me e estar pronta para quando Thalia chegasse na pista da rua. Desgrudei minimamente minha cabeça da nuvem fofa que se estendia cujo nome era Ted, meu travesseiro para todas às horas.
— Estou acordada, vó! Mais cinco minutos, eu imploro!
Eu sei, eu sei. Eu havia feito um discurso filosofo e mental sobre como aproveitar cada lacuna do tempo, mas, dude, o sono era arte que nos mantinha em pé para o dia todo, e eu não poderia contrariá-lo. Ao menos não neste momento.
— Na-ni-na-não, Annie! Está quase na hora de Thalia chegar, e a senhorita mal deve ter colocado seus pés para fora da cama. Já houve professor vindo para cá, relatando seus atrasos, querida.
Demorei alguns indecifráveis segundos ou minutos para, por fim, digerir a frase. Quando o sentindo que a permeava penetrou minha mente, meus olhos se ampliaram de imediato, e tudo que minha mente foi xingá-lo ao máximo, enquanto eu soltava alguns burburinhos irritadiços, e solevava minha cabeça, exasperada.
— Como? — minha voz estava elevada às algumas inúmeras oitavas. Pigarrei, voltando ao meu timbre rouco e costumeiro. — Digo, que professor, veio até aqui?
— Ah, um tal de senhor Jackson, querida. Oh, ele é um amor de pessoa, não chego a entender a sua implicância por ele — ela falou, com a voz adocicada, como todas as vezes em que dizia algo. Reverei meus olhos, instantaneamente, ilustrando em meu interior a cena em que eu matava Percy com minhas próprias mãos, e depois, apertava uma última vez sua bunda. — Querida, eu sei que biologia não é lá aquela melhor matéria, é difícil de se esforçar para decorar tais nomes difíceis e complexos. Mas, peço encarecidamente que tente melhorar nas aulas do senhor Jackson. Ele é uma pessoa boa, e veio até aqui para pedir que eu dissesse isso a você. Sabe o quanto é difícil ter professores hoje em dia que se preocupam com os futuros dos alunos, querida? Oh, é tão difícil. Na minha época...
As três últimas palavras foram o suficiente para que eu a interrompesse do futuro outro monólogo que estava prestes a se formar.
— Tudo bem, vovó. Prometo me esforçar ao máximo na aula de biologia. Agora, só mais cinco minutos.
...
— Atrasada — anunciou Thalia, assim que fechei a porta de seu carro Audi preto, e sentei no banco de couro. Seus olhos rodeados por uma camada grossa de delineador recaiam sobre um relógio preto preenchido por tachinhas metálicas, e totalmente, rock n’ roll. — E, para sua sorte, advinha qual é nossa primeira aula do dia?
— Inglês? — chutei, borbulhando de uma esperança para que não fosse ele. Ah, a raiva ainda estava em combustão em meu corpo, e ir para detenção por ter agredido um superior a mim não estava nos planos hoje.
Três estalos foram providos da língua de Thalia, em uma negação avida, com direito a sorrisos sacanas e até mesmo recheados de desaforo.
— Para sua sorte, não. Os horários mudam, às vezes, Chase. Se você prestasse atenção saberia que hoje, dia treze de agosto, o nosso primeiro horário é de biologia. Duas aulas.
— Desculpe-me, miss-estou-amando isso, mas hoje não é o meu dia. Aliás, vamos apenas falar sobre como Jackson além de um irresistível filho da puta, depois do ocorrido, começou a dedicar sua vida exclusivamente para estragar a minha.
— Ok, vamos falar. O que ele fez desta vez? Parou o oral antes que você gozasse?
Ri, plenamente sem humor e expressão.
— Muito engraçada, Grace — Rolei minhas orbitas oculares, exagerando na dosagem de drama. Crispei meus lábios. — Não é nada disso. Se quer saber, aquela foi a única vez...
— Sei. Mas, admita, eu sei que você queria bem mais — ela sugeriu com aquele sorriso safado e obsceno oscilando em seus lábios, e depois, tombou seu ombro um pouco ossudo ao meu. — Posso ser a prima dele, mas sei muito bem, por fontes, é claro, que Jackson nunca foi de brincar no serviço.
Ah, eu sabia muito bem do que as fontes de Thalia falavam — mesmo não estando por dentro sobre quem exatamente elas eram. A magnitude de Percy Jackson, afirmando com toda minha certeza, era algo que o mundo nunca fora capaz de registrar, deixando para trás até mesmo os mais esplendidos deuses banhados ao ouro e da prata. Pois nenhum deles tinham o que meu querido professor de biologia tem.
— Isto não é da sua conta, Grace — acabei por dizer, depois de um tempo indeterminado esboçando uma provável expressão de paisagem. Só esperava eu que minha cara não transparecesse a mentira. Obviamente, apesar daquele orgulho imponente e crescente, eu não era capaz de negar o poder de Jackson, pelo menos não a mim mesma. Em pensamentos trancafiados, e bem enjaulados, como leões famintos e selvagens.
Thalia revirou as orbitas arredondadas e azuladas com tamanho drama, que pensei ver sua cabeça vibrando um pouco, de tamanha tontura que imaginei que a permeava.
— Me diga exatamente como não é de minha conta, Annie — ela exigiu, buscando com os dedos seus óculos escuros num canto obscuro e ainda mais bagunçado de seu carro cujo nome deveria ser buraco negro. — Você, minha melhor amiga, transa com meu primo, e não é da minha conta? — ela encaixa o acessório ao seu rosto, escondendo os raios de um divertimento praxe. — Não, não, Annabeth. Você sabe que apesar de odiar grande parte de minha família sedenta e sugadora de dinheiro, eu me importo com assuntos da mesma. E eu não preciso, de maneira alguma, te relembrar que Percy está incluído com isso. Lide com este fato.
— Vamos com calma, com muita mais calma. Aquilo foi apenas uma situação casual, que rolou com o clima pesado que arcávamos com o tempo, e depois, deixamos nossos sentimentos sexuais oprimidos serem libertos, e por fim, o sexo casual reinou em todos os cantos de um chalé cuja dona, coincidentemente, se chama Afrodite. Fora isso, minha querida, não há mais nada que envolva Jackson e eu. Apenas aluna e professor, como era antes de tudo isto.
Seus lábios pintados por um gloss imperceptível se escancaram em um sorriso irritantemente antiquado e fora de hora. Cerrei meus olhos, aspirando todo o ar possível para conseguir estabilizar minha calma que estava se esvaindo para bem, bem longe de mim. O dia não estava se inicializando de nenhuma maneira boa, e ouvir as piadas de Thalia tão cedo, e ao todo vapor, aguçava minha capacidade de ser mais do que mortífera.
— Só me responda. É fácil. Você quer ou não ele dentro de você mais uma vez?
— Descubra por si só — respondi, jogando meu olhar à verdejante grama que estava ao lado do carro e da calçada, e logo atrás, a casa grande e já envelhecida de vovó. Eu gostava de morar ali, mas a sensação de nunca estar em casa nunca dava um desconto a mim.
— Não será difícil, Annie — falou. O ronco do motor ganhou vida subitamente, e se alastrou por toda a rua, permeando até os vidros erguidos do carro, devido ao ar condicionado em funcionamento. De soslaio, captei Thalia acendendo a chave na ignição, e então, começamos a zarpar avidamente pelas ruas da cidade, aliás, nunca é aconselhável esquecer que Thalia Grace não conhece limites, e derivados.
~
Assim que meus pés tocaram o cimento do asfalto, Thalia Grace já não estava mais comigo. Havia claramente se dissipado rapidamente, e o último rastro seu que fui capaz de sondar fora os cabelos negros como a noite seguindo o compasso de suas passadas, e o borrão preto se perdeu na obscura imensidão de alunos que iam em direção ao prédio da escola.
Rumei até a passarela de pedras, rodeadas de uma grama regada e semelhante à um estádio de futebol. A voz conhecida que me fez parar antes de prosseguir o meu caminho em direção ao pesadelo adentro estava cansada e resfolegante. Girei em meu próprio eixo, já olhando a postura curvada, mãos nos joelhos, e olhos esmeraldinos expressivos rajando olhares para mim.
— Tyson.
Ele jogou ar aos seus pulmões excessivamente, antes de deixar sua coluna ereta, e ajeitou mais sua mochila aos ombros. Seus cabelos eram curtos, totalmente adversos aos de seus irmãos, que eram livres e esvoaçantes com os ventos. Apesar de muito semelhante ao Jackson, Tyson carregava consigo sua própria beleza instigante. Seus olhos eram bem mais escuros do que o do mais velho Jackson, e seu sorriso era algo mais parecido como olhar para a maresia, límpido e reconfortante quando o seu rotineiro riso sem som sacana não ocupava toda sua expressão. Ah, bem. Não esqueçamos o fato de que além de irredutivelmente irritante, e muito bom em certas coisas, Ty era meu melhor amigo.
— Annie — ele disse. Sua voz ainda estava impassível, mas o esforço por provavelmente ter corrido uma maratona de alguns quilômetros para chegar à escola ainda estava onipresente. Dei um singelo sorriso a ele. — Da próxima vez, por favor, peça à Thalia para que ela crie um pouco de compaixão por pessoas da própria família, e diga também que uma carona todas as manhãs calharia bem, visto que moro ao lado de casa dela.
— Então Thalia estava blefando ao dizer aquele discurso ridículo sobre se importar com a família — sussurrei a mim mesma.
— O quê?
— Nada, nada — gesticulei para que ele erradicasse tais palavras fujonas. — Seu irmão não anda te dando mais carona? — utilizei meu tom mais casual, sem indícios de nenhum interesse.
Tyson revirou os olhos ao ouvir a menção ao sangue de seu sangue, e me ultrapassou brevemente, mas sem antes, grudar sua palma da mão na minha, e me reger à porta dupla de madeira trabalhada.
— Percy? Me dando uma carona? Nada contra mais, isto é muito mais do que impossível. Aliás, não use tal tom como se nunca tivesse... — as palavras foram barradas por ele mesmo. E em seguida, Ty ampliou seus olhos drasticamente.
Parei-o em um supetão, nossas mãos ainda se enroscavam, então o puxei para o escanteio da porta, onde algum arbusto enorme e robusto se localizava. Esgueirei-me entre os galhos pontudos e folhosos da árvore, ouvindo os protestos escandalosos de Ty que ecoavam erradamente aos meus ouvidos. Soltei sua mão, olhando-o séria e adotando toda a minha faceta interrogativa e intimidante que aprendi a usar com o passar dos tempos.
— Thalia ou Bianca? — questionei, oscilando meus olhos fundo no seu vasto território verde escuro encarcerados por duas bolas regadas de cílios.
— Não sei do que você está falando, querida.
— Você sabe muito bem, Jackson. Agora em nome de nossa amizade de dez anos faça o favor de me dizer quem lhe falou sobre você sabe o que, antes que eu o masturbe aqui mesmo.
— Bem, comece — um dos cantos dos lábios de Ty se ergueram, em um sorriso lascivo, e realmente sedutor. Maldito seja ele e toda a genética milagrosa dos Jackson.
Respirei fundo, soltando um suspiro animalesco e resignado, e a cada segundo a minha paciência ia embora, dando-me um singelo “adeus” com uma expressão zombeteira.
Depositei um tapa forte em seu torso forte, duvidando muito que ele fosse o sentir.
— Fale — ditei, autoritário, me aproximando com passos gradativos em sua direção. Tyson recuou minimamente, aquela sua expressão idiota e totalmente desentendida se apossava por cada feição. — Agora, Ty.
Ele ergueu suas mãos, não em redenção, ou algo do nível, e sim, prezando por um segundo antes que eu desse mais algumas passadas e cortasse-lhe a parte mais legal e importante de seu generoso corpo.
— Em minha defesa, eu tenho o total direito de saber o porquê você está prestes a me matar, ou até mesmo em levar a um orgasmo...
— Não farei isto!
— Ok, ok — ele falou, num tom cheio de cuidado, e lento, como se qualquer deslizo o levasse à cova onde Daniel um dia esteve com os leões. — Foi Percy. Ele mesmo quem me disse, agora, não me mate, e infelizmente, não faça a maravilha com suas mãos que só você sabe fazer — ele pareceu pensar um segundo no que havia dito, e depois, estreitou as faixas grossas e delineadas naturalmente de pelo. — Ou melhor o faça.
Dei um sorriso vencedor, por fim, já um pouco com a combustão de fúria neutralmente aliviada — ao menos com Ty. Já que Percy (seu irmão) seria, hoje, o maior espectador de como uma Chase conseguia ser um tornado quando queria.
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