Notas iniciais
E estou de volta com mais um cap! Desta vez no papel de Pedro. Qual será a sua reação após ouvir a conversa? Esperem para ver!

Embora o meu corpo se encontrasse na sala, a minha mente estava a milhares de quilómetros. Não conseguia parar de pensar naquilo que tinha ouvido. Batalha de ideais? Mudar o mundo? E o pior de tudo era que o meu irmão andava metido nisso! Cerrei o punho. Tenho de tentar de tudo para faze-lo mudar! Aquilo era simplesmente inaceitável! Ele tinha uma vida pela frente! Porque a tentaria desperdiçar com ideais idiotas de mudar o mundo? Era simplesmente ridículo!
Foi então que a minha mente desceu á terra. O professor procurava alguém para responder a uma pergunta, e acabou por apontar para mim. O meu corpo parou por completo! Não tinha estado a prestar atenção! E eu não podia responder errado, pois seria mau para a minha imagem! Tremi. Algo assim… Não podia acontecer comigo! Tenho de manter o estatuto de melhor aluno!
O professor fintava-me com olhar interrogativo. Respirei fundo. Tinha de ser. Abri a boca tentando responder á sorte. Mas a sorte estava do meu lado. A rapariga nova antecipou-se e respondeu antes que eu pudesse dizer alguma coisa. A resposta estava correta. Olhei de relance para ela e ela retribuiu-me o olhar. Ela também estava envolvida com o meu irmão, mas o olhar dela fez-me sentir inseguro…
A boca dela abriu-se num sorriso, que me fez ter certeza absoluta. Ela tinha-me visto a ouvir a conversa! E neste momento eu estava nas mãos dela, pois ela podia dizer ao meu irmão e assim o plano para o fazer mudar de ideias iria por água abaixo! Se eu desse um passo em falso… ela acabaria com todos os meus planos! Parece que tinha encontrado uma adversária, com quem não poderia brincar. Até que era interessante!
Levantei o polegar, mostrando que aceitava o seu desafio. Eu iria fazer mudar o meu irmão de ideais, a todo o custo! Mas tinha de ser cuidadoso…
A campainha tocou anunciado o fim das aulas. Fui direto ter com o meu irmão:
–Então vamos?
–Já vou, estou a acabar de pôr os livros na mochila.
Foi então que a minha nova rival interveio, puxando-o para si:
–Então David, não me prometeste levar até a casa?
–Mas depois tenho pouco tempo para apanhar o autocarro!
–Anda lá é rápido!
David encolheu os ombros, derrotado:
–Vamos lá então! Eu chego a tempo mano, não te preocupes!
Quando se afastavam Margarida colocou o dedo na boca como se me mandasse calar. Tentei a toda a força controlar a minha fúria. Ela tinha-me passado a perna outra vez. Tal como pensara, era uma rival á altura.
Há medida que andava tentava pensar numa maneira de chamar o meu irmão á atenção, sem ela perceber. Dei um pontapé, frustrado, na parede da escola, acabando por me magoar. Enquanto me acalmava uma rapariga apareceu á minha frente. Os seus cabelos curtos e negros e os seus olhos sem expressão diziam logo a sua identidade – Sara – a rapariga totalmente apaixonada pelo meu irmão. Toda a gente sabia da sua paixoneta, menos o meu irmão (ignorante como sempre) Tinha tentado dizer-lhe, mas era como falar para as paredes. Ou dizia que era uma brincadeira, ou que eu estava com febre, pois nunca ninguém iria gostar dele. Mas a prova estava á minha frente e falou para mim:
–Aquela rapariga nova namora com o teu irmão?
Suspirei, então era isso. Acenei negativamente com a cabeça. Ela tocou com as mãos no peito:
–Ainda bem! Ele só pode ser de uma pessoa. E essa sou eu!
Era aquilo que eu tinha medo. Sempre gostara de saber o porquê de tanta obsessão pelo meu irmão. Obsessão a níveis críticos! Soube que ela tinha alguns problemas de nervosismo, e houve casos em que ela batera em várias raparigas por estarem a gozar com ela. Mas esses casos diminuíram desde que conheceu o meu irmão. Nunca soube o porquê. E agora tinha o momento ideal. Tentei perguntar:
–Porque gostas tanto do meu irmão?
Ela corou um bocado e encolheu-se respondendo depois numa voz baixa:
–Um dia eu tentei-me cortar com uma tesoura, estava farta de tudo! – Respirou fundo – E então ele apareceu. Tirou-me a tesoura da mão e disse-me para viver a todo o custo, já que me tinham dado uma vida, então devia aproveitá-la. – Sorriu – Desde esse momento eu apaixonei-me cegamente por ele!
Agora compreendo! Parece que o meu irmão também pode ser assim… Olhei o relógio. Estava atrasado! Despedi-me da Sara e desatei a correr. Dei uma olhada para trás. Ela estava em algum tipo de transe, provavelmente lembrando do acontecido. Olhei para o céu. O meu irmão tinha a feito mudar. Embora ela ainda fosse doente, ela queria viver, por ele. Perguntei-me se o meu irmão conseguiria mudar as pessoas do mundo escrevendo o livro. Não era uma ideia má. Abanei a cabeça. Não podia ser. Ele tinha-se metido com as pessoas erradas. Nunca gostei daqueles dois, desde a primeira vez que os vi tinham-me feito tremer, e estava certo. Tinha de parar o meu irmão. Não queria que o mundo mudasse! Ele estava bem assim!
Cheguei ao autocarro e o meu irmão esperava por mim á porta:
–Parece que ainda demoraste mais tempo do que eu! Agora devia ser eu a dar-te um sermão!
Sorri e entramos dentro do autocarro. Sentei-me ao lado da janela e o meu irmão ficou ao meu lado. O autocarro arrancou, e eu olhei pela janela. Pessoas vivendo as suas vidas, garotos a brincar… Depois os montes apareceram, a harmonia reinava. Para quê mudá-la? O mundo estava bem assim! Sei perfeitamente que muitos países se encontram devastados pela guerra. Mas quem somos nós para mudarmos isso? O mundo tinha sido criado assim! Não o devíamos mudar, mas sim protege-lo! Por isso, sempre gostara de todos aqueles que praticavam a justiça. Quem faz crimes deve pagar por eles, mas não devemos decidir logo mudar o mundo! Ideia absolutamente ridícula!
O autocarro parou e saí junto com o meu irmão, caminhando até casa, metido entre os meus pensamentos, até ser interrompido pelo meu irmão:
–Que se passa mano? Tens andado muito em baixo, hoje! Nem respondeste á pergunta do prof! Isso não é normal! Andas apaixonado?
Depois começou aos risos. Entrei na brincadeira, rindo também. Olhei para ele, a Margarida teria dito alguma coisa? Não sabia. O meu irmão era impenetrável! Nunca poderia saber o que vai naquela cabeça!
Entramos em casa, a minha mãe encontrava-se na cozinha e o meu pai no sofá, a ver televisão. David subiu as escadas e entrou no seu quarto. Fiquei parado especado, a olhar para o nada. Foi então que tive uma ideia tão maluca que nem parecia minha! Cheguei á cozinha e disse á minha mãe que não tinha fome, pois tinha comido antes de vir e estava cheio. A minha mãe tentou-me convencer, mas acabou por me deixar, contrariada. Dei-lhe um beijo na bochecha, subi as escadas, entrei no meu quarto e tranquei a porta. Não queria ser incomodado…
Liguei o meu computador. Enquanto ligava fui pensando se seria a melhor decisão. Acabei por me deixar levar. Não queria que o mundo mudasse!
Quando a tela mostrou o ambiente de trabalho, liguei rapidamente o navegador e entrei numa pesquisa árdua. Após uma hora de procura acabei por encontrar o que pretendia. Abri a página. Precisava de completar uma espécie de exame para ver se era bom. Eram várias perguntas sobre cultura geral. Usei todo o meu conhecimento e consegui passar de tudo, havia também alguns quebra-cabeças mais complicados, mas tudo deu certo! A última pergunta foi a que me fez parar. Era um enigma chamado enigma de Einstein e dizia o seguinte:

Há cinco casas com 5 cores diferentes em uma fileira. Em cada casa mora uma pessoa de uma nacionalidade diferente. Os cinco proprietários bebem um certo tipo de bebida, fumam uma determinada marca de charuto e mantém um certo animal de estimação. Nenhum deles tem o mesmo animal, fumam o mesmo cigarro ou bebem a mesma bebida. Outros fatos:

1. O inglês vive na casa vermelha.
2. O sueco tem cachorros como animais de estimação.
3. O dinamarquês bebe chá.
4. A casa verde fica à esquerda imediata da casa branca.
5. O dono da casa verde bebe café.
6. O proprietário que fuma Pall Mall cria pássaros.
7. O dono da casa amarela fuma Dunhill.
8. O proprietário que vive na casa do meio bebe leite.
9. O norueguês vive na primeira casa.
10. O proprietário que fuma Blends vive ao lado do que tem gatos.
11. O proprietário que cria cavalos vive ao lado do que fuma Dunhill.
12. O proprietário que fuma Bluemasters bebe cerveja.
13. O alemão fuma Prince.
14. O norueguês vive ao lado da casa azul.
15. O proprietário que fuma Blends vive ao lado do que bebe água

A questão é: a quem pertence o peixe?

Desesperado tentei ir ver noutro navegador. Era impossível, teria de desistir para fazer isso. Só havia uma maneira, tinha de pedir ajuda ao meu irmão!
Saí do quarto e segui em frente até ao do meu irmão. Bati á porta e pedi-lhe ajuda para resolver o enigma:
–O meu irmão a pedir ajuda? Isso não se vê todos os dias! Mas mostra cá então!
Mostrei-lhe o enigma e ele deu uma risada:
–Já resolvi este enigma á muito tempo! Vou te mostrar os passos:
“Uma dica para resolver o problema é criar um quadro dividido em colunas e linhas: uma coluna para cada casa e 5 linhas para nacionalidade, cor, bebida, cigarro e animal. Vai juntando as informações que tens. E prontos! Quem tem o peixe é o alemão!”
Fiquei parado a olhar para aquilo. Ele resolveu um enigma rapidamente! O meu irmão tinha mais talento do que aparentava!
Agradeci e voltei para o meu quarto. Coloquei a resposta e prontos! Tinha passado! Um bloco a mostrar uma mensagem a perguntar a minha idade, apareceu, coloquei 16 e apareceu a seguinte frase: “Ainda és novo, mas no momento que tiveres os 18 estás contratado, até lá podes ir treinando as tuas capacidades”.
Sorri comigo mesmo. Era exatamente aquilo que eu queria! O mundo tinha de permanecer como estava, e eu iria fazer de tudo para impedir que alguém o mudasse! Naquele momento, estava numa agência que assegurava que a justiça era feita. E iria impedir todos que praticassem a justiça de forma errada! Até o meu irmão, se for necessário!

Notas finais
E então gostaram? Agora a história pode mudar um bocado! O próximo cap será outra vez no papel de David! Até lá não esqueçam de dar o vosso suporte!