Humanos
4 Adrian
Notas iniciais
Os meus passos ecoavam por toda a base. Verifiquei se a minha máscara estava bem posta. Ajeitei o casaco negro e as luvas da mesma cor. Olhei pelos buracos da máscara. Outras pessoas vestidas com a mesma cor estavam á minha frente, o que me diferenciava deles era a máscara, que era mais extravagante. Sorri. O grupo que eu tinha feito com a intenção de conquistar o mundo. Peões que me fariam sentar em cima do planeta.
Subi um pequeno degrau e dirigindo-me aos meus apoiantes disse com voz forte:
–Caros amigos, esta noite vamos fazer outro feito histórico! Iremos atacar uma pequena base militar a uns quilómetros daqui, pois precisamos de algum armamento e esta base vem mesmo a calhar. – Elevei o punho, o mais alto que podia – Tal como as outras missões, espero não perder ninguém, não quero que façam movimentos sem pensar, e se um companheiro estiver em risco, por muitos que vos custe terão de o deixar, pois não quero mortes desnecessárias – Fiz uma pequena pausa e suspirei, olhei o relógio, estava na hora. Elevei a voz o mais alto que podia — Está na hora do ataque! Que as luzes da glória nos acompanhem!
Todos levantaram as mãos enquanto gritavam o nome que tinha dado para eles- Soul – ou seja, alma, eu era a alma daquele grupo! Dei um sorriso, escondido pela máscara. Tolos! Como podiam ser tão facilmente controlados? Todos os meus apoiantes eram pessoas desempregadas, que entravam por troca de abrigo e comida, ou que tinham um emprego mas que não gostavam do jeito que o mundo estava, ou apenas porque estavam entediados e queriam algo para os animar. Olhei de relance para todos os meus apoiantes, enquanto se preparavam para a luta, eram cinquenta no total, embora fosse pouco, o grupo crescia cada vez mais. Avistei ao longe o capitão da minha guarda, que indicava ordens, todos o chamavam de Sir Royal, ninguém sabia o nome verdadeiro dele. Por muitas vezes o tinham perguntado, mas ele dizia sempre que o seu nome era algo que não necessitava, e se o forçassem a dize-lo ele sairia do grupo, algo que eu não poderia deixar. Era o único que tinha formação militar e que percebia de lutas, dando-lhe assim o nome Sir Royal, por ser como os comandantes das guerras antigas. Todos os outros seguiam as suas ordens, sem questionar. Cada um tinha uma função, vinte, que eram os mais fortes e melhores eram os que iriam atacar diretamente. Outros vinte ficariam mais atrás, prontos para ajudar naquilo que fosse preciso, e os últimos dez ficariam comigo na base para analisar que tudo era feito conforme planejado. Eu sei que como chefe devia ir para o terreno, mas não sabia nada sobre lutar. Era muito melhor em coordenar todas as atividades, e era essa a chave para ganharmos as nossas lutas. Alisei o cabelo, todos me adoravam por ser tão bom em estratégias, sempre fora desde criança, era chamado de o “Reizinho da estratégia”!
Os meus homens saíram apressadamente, todos a mandar gritos de vitória, agarrando nos seus camiões e saindo às buzinadelas e com urros, parecendo até animais selvagens. Desejei-lhes, outra vez, muita sorte, e segui o corredor que se encontrava á minha direita. Cheguei ao final e deparei-me já com os dez prontos a coordenar tudo. As grandes telas acompanhavam cada grupo de homens, as imagens vinham de câmaras implantadas nas suas bagagens, que também estavam implantados com radares, para detetar a presença de inimigos. Sentei-me no meu “trono” a observar os movimentos de cada um, à medida que se aproximavam do destino. Estava prestes a começar! A coordenadora chefe veio ter comigo. Era a única mulher do grupo e por isso era gozada por todos, mas isso não acabava bem. Ela tinha mais força que a maioria dos homens e era me fiel a todo o custo. Perguntei-me a mim mesmo o que aconteceria se eu disse que era um garoto de 16 anos… Provavelmente iriam acabar com tudo, dizendo que tudo não passava de uma palhaçada. Por isso é que mantinha sempre a minha máscara e eles não levantavam objeção. A mulher na minha frente começou a falar:
–Senhor, cada grupo chegou no seu destino. Quando achar a melhor altura pode dar a ordem., para saírem dos camiões.
–Obrigada Alice, mas tu também devias colocar a tua máscara, por mais bonita que sejas, nós trabalhamos discretamente.
A sua cara rapidamente ficou vermelha como um tomate, e logo a tapou com a máscara, escondendo assim os seus olhos azuis e o seu cabelo castanho-claro. A diferença entre idades não era muita, mas ela era adulta, se soubesse que eu era um garoto, provavelmente iria me socar e ir embora nesse momento.
Deixei os pensamentos de lado e dei a ordem a todos para começar o ataque. Ordem rapidamente realizada. Os vinte homens pertencentes ao primeiro grupo saltaram dos camiões e discretamente atacaram a base de todos os lados. Os guardas não esperavam por aquilo e rapidamente foram abatidos por tiros de pistolas lançadas em sua direção. Com os guardas que se encontravam na rua, totalmente aniquilados, dei a ordem para entrar na base. Primeira fase completa. Olhei o radar, em busca de inimigos dentro da base, o radar indica alguns inimigos escondidos em vários locais. Dei rapidamente o comunicado e a localização de cada fonte a cada um. Tiros foram disparados e o radar deixou de apresentar inimigos.
–Muito bem! Agora comecem a retirar todo o armamento para os camiões!
Aquele armamento era impressionante! Embora a base fosse pequena, continha metralhadoras, granadas, equipamentos e etc.
Enquanto os camiões eram recheados com armas, Alice dirige-se a mim:
–Soul, inimigos vêm do norte!
–Quantos?
–Há volta de 50!
Agarrei no microfone e dirigi-me ao 2ºgrupo:
–Inimigos vêm do norte, encontram-se á volta de 50, por isso, cerquem-nos dos quatro lados escondendo-vos e atirem todos ao mesmo tempo, assim que eu der a ordem!
Dei uma olhada nas câmaras. Ao chegarem perto do destino separaram-se, ficando cinco em cada lado, escondidos entre arbustos ou entre algo que os protegesse. Esperei pacientemente ate que os inimigos chegassem até ao ponto onde poderiam ser atingidos por todos. Foi então que finalmente chegaram no sítio. Dei a ordem para dispararem múltiplas vezes. E então várias balas saíram umas atrás das outras. Os inimigos não tiveram tempo de contra atacar. Tombaram no chão sem nem perceber o que lhes tinha atingido. Houve alguns que ficaram de pé e que agarraram na pistola tentando atacar, mas novos tiros foram disparados e acabaram por tombar, caindo de cara na terra.
Felicitei-os, via rádio e disse para retornarem. Não havia inimigos á vista e as armas tinham acabado de serem carregadas para dentro dos camiões. Dei permissão para retornarem. Sorri, tinha conseguido outra vez sem que ninguém morresse. Apos algum tempo retornaram ao esconderijo, entre urros e gritos de vitória. Fui rodeado e celebrado numa roda de pessoas á minha volta, entrei na festa, tendo o cuidado para que a minha máscara não caísse. Alice veio para o pé de mim, fazendo com que todos se afastassem e começassem a sussurrar entre risinhos e provocações. Alice ignorou-os e tirou a máscara, libertando os seus cabelos curtos, deu um sorriso meio atrevido e disse:
–Bom trabalho, capitão! – E sorriu alegremente.
Fiquei parado e balbuciei algumas palavras, saindo dali rapidamente indo de encontro a Sir Royal. O homem forte com os cabelos ruivos virou-se na minha direção aguardando ordens:
–Acho que é a minha deixa deixa-os estar o tempo que quiserem a festejar, já que aqui nunca seremos ouvidos. Depois retornais todos às vossas vidas. Aviso-vos quando nos voltaremos a juntar.
Royal acenou e despediu-se de mim. Saí pela porta dos fundos e dirigi-me até minha casa. Entrei pela janela do meu quarto, ninguém da minha família tinha notado a minha falta, perfeito. Se a minha mãe soubesse o que eu fazia, teria um ataque de coração. Tirei rapidamente a roupa e escondi-a para que ninguém a visse. Fiquei parado a olhar para a máscara. Era totalmente negra, e embora tivesse o espaço para que eu pudesse ver, as pessoas que olhassem não poderiam ver os meus olhos, era uma máscara perfeita! Escondi-a e coloquei-me rapidamente dentro dos lençóis. Olhei as horas. Tinha apenas duas horas para dormir, depois tinha que voltar para as aulas! Faltava pouco tempo para que a minha vida de estudante acabasse e podendo, depois, dedicar-me completamente à conquista do mundo. Dei um riso abafado. Estendi a minha mão em direção á janela, como quem tentasse apanhar a lua. Fechei a mão em torno dela. Iria dominar este mundo! Iria ser o Rei Supremo!
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