Human Touch

3 Verdades Secretas


Notas iniciais
Olá a todos, espero que estejam todos bem. Demorou, mas saiu. Segue mais um capítulo e já sabem: se houver qualquer erro, por favor me avisem. Só para informar, tenho outra fanfic em andamento, chamada "De Coração Para Coração". Se vcs puderem dar uma olhada...fiquem à vontade e comentem! Boa Leitura!

Mac correu pelo terminal, mostrando sua insígnia para todos os seguranças que tentavam obstruir seu caminho e ao chegar ao destino, viu a porta do finger fechada e os funcionários da companhia aérea finalizando os serviços de embarque.

— Me desculpe senhor, o embarque já está finalizado. – informou a funcionária da companhia aérea.

— Esse é o voo para Nova Orleans? — questionou ofegante.

A funcionária percebeu a movimentação de vários agentes da agência de segurança de transporte e também viu a insígnia na mão dele.

— Tem algum problema nesse voo? Devo impedir que ele decole, senhor?

O ar desapareceu dos pulmões de Mac e por uma fração de segundos, todos os acontecimentos do dia anterior passaram rapidamente por sua mente, congelando seu sangue instantaneamente. Suas pernas cambalearam e ele teve que se apoiar na cadeira, para não desabar no chão. Sua visão escureceu e a última coisa que viu foi um dos agentes correr em sua direção, antes de perder os sentidos.

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Stella apoiou suas duas mãos e testa na parede de azulejos e deixou a água quente dominar seu corpo e relaxar seus músculos. O banho era um dos poucos momentos que ela tinha para se desligar do mundo e focar em si mesma, em sua vida e seu futuro.

Enquanto sua pele sentia e reclamava do líquido aquecido, sua mente a levava para bem longe daquele lugar.

Ser a chefe não era fácil. Ela tinha que manter o foco e a calma, lidar com diversas situações ao mesmo tempo e instruir a equipe. A parte técnica era estressante e demandante, mas a experiência que havia adquirido durante os anos trabalhando em um dos melhores laboratórios de criminalística do país a suportava completamente. O que a chateava era a parte política, a qual só se sujeitava a exercitar quando havia alguma recompensa para seu laboratório.

Seus pensamentos foram interrompidos quando sentiu a mão subir pelas suas costas até seu ombro e o pressionar em uma massagem inesperada. Ela manteve os olhos fechados enquanto as mãos viajaram pelo seu corpo, massageando seus músculos, tão intensamente que tiravam gemidos de dor e alívio de sua boca.

— Você está tão tensa, amor. Sabe, eu tenho um ótimo remédio para isso.

A voz grave soprada em seu ouvido gelou seu sangue e seu corpo se perdeu ao ter que gerenciar o contraste entre o frio interno e o calor externo.

A massagem abandonou seus músculos e se dirigiu ao seu íntimo, causando um toque leve e sensual. Ela respirou fundo e gemeu ao contato, mas seu corpo não reagiu bem a massagem sedutora que estava recebendo.

— Para, Robert. Não temos tempo para isso agora.

— Que pena. – provocou soprando em seu ouvido novamente.

Robert se retirou da área do chuveiro e se escorou na porta do banheiro antes de sair.

— Preparei o seu café. Vou sair em seguida pois tenho que pegar a minha pasta no meu apartamento. A gente se fala depois.

Ele mandou um beijo no ar para ela e se retirou do banheiro.

Stella deu um meio sorriso e voltou seu foco para a água quente que continuava a esquentar sua pele.

Quando sua mente abandonava a parte profissional, inundava seus pensamentos com suas memórias e lembranças.

Os dias que se seguiram a partida de Nova Iorque passaram lentamente e foram difíceis para Stella. Ela se dedicou de corpo e alma ao seu novo trabalho, e durante esse tempo, sua mente se desligava de sua antiga vida. Porém, durante a noite em seu novo apartamento, as lágrimas lhe faziam companhia, juntamente com as taças de vinho.

Ela manteve contato com seus antigos colegas de laboratório, sempre contando as histórias de seu novo emprego e desafios; e também ouvindo as novidades de seu antigo laboratório. O Mac era apenas uma pequena lembrança durante essas conversas e Stella fazia questão de manter dessa forma. Ela não falou mais com ele e ignorou as chamadas que apareceram em seu celular, logo após a sua chegada em Nova Orleans. Após alguns dias, elas cessaram.

Não podia negar que durante várias noites sua vontade era de largar tudo e voltar para Nova Iorque, e não somente para big apple, e sim, para os braços dele. Braços aqueles que deveriam estar abraçando outra pessoa, conforme ele havia confessado naquela noite.

Alguns sonhos a levaram de volta àquela parede, sentindo o toque rude e demandante dele, espalhando a excitação por todos os poros de seu corpo, mas quando a realidade chegava, era como se um balde de água fria banhasse seu corpo.

Stella se diminuiu em sua solidão até que um dia cedeu aos inúmeros convites de sua nova equipe, para um happy hour. Ao chegar a mesa onde estavam seus colegas, ela foi apresentada a uma equipe do FBI, despertando uma especial atenção do agente especial Robert Gyles, chefe da equipe.

Após alguns drinques, eles se sentaram em um canto da mesa e embalaram uma agradável conversa, independente dos colegas da equipe que bebiam e se divertiam sem se importarem com o isolamento dos dois.

Robert era um homem alto, moreno e com grandes olhos verdes. Alguns discretos cabelos brancos entregavam a sua experiência, mas também adicionavam um charme em sua aparência. Divorciado e sem filhos, sua carreira nas forças policiais de Luisiana era bastante sólida e respeitada.

Stella se permitiu ser cortejada e flertou com Robert por algumas semanas, até que a conversa eletrônica e de corredor se transformou em algo mais íntimo. Eles engrenaram em um namoro discreto, e decidiram não divulgar o relacionamento aos times imediatamente.

Ele era atencioso e carinhoso; e sempre fizera questão de fazê-la se sentir desejada. Ela gostava de estar em sua companhia e de afundar toda a sua carência nos afagos dele e isso a fazia esquecer um certo marine que conhecia. O problema era que, apesar dela querer investir no relacionamento, seu coração teimava em bater por outro homem.

Após alguns minutos viajando em suas memórias, sua lembrança a alertou sobre uma reunião importante marcada para o horário da manhã. Ela bufou desmotivada e desligou o chuveiro, deixando o banheiro tomado por vapor de água.

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— Mas Mac... — tentou argumentar Danny.

Já fazia alguns minutos que ele tentava explicar a Mac que os procedimentos que havia realizado haviam sido ordenados pela Jo, que era responsável pela investigação. Entretanto, finalmente percebeu que Mac mostrava um semblante cansado e isso poderia ser um dos motivos do comportamento rude e irritante dele.

— Está certo, Mac. Vou fazer isso imediatamente.

Danny pediu licença e se retirou do escritório do Taylor, movimentando a sua cabeça negativamente, desacreditado. Ele iria repassar as instruções novamente com a Jo, para evitar trabalho inútil e repetitivo.

Assim que Danny se retirou de sua sala, Mac resgatou uma pasta de um dos casos em investigação e tentou analisar o material que estava dentro. Sem conseguir se concentrar para passar da segunda linha do relatório, jogou a pasta de volta na mesa e expirou frustrado.

Ele se virou para a grande parede de vidro e guardou suas mãos em seus bolsos, perdendo seu olhar na cidade que pulsava do lado de fora. E quando isso acontecia, o par de esmeraldas iluminava sua mente.

Mac tentou entrar em contato nos dias que seguiram a sua partida, mas ela não respondeu. Seu arrependimento chegou ao ápice no terceiro dia, quando ele não conseguiu levantar da cama para trabalhar. Stella não saía de sua mente e sua indiferença dilacerava seu peito. A única coisa que ele queria fazer era deixar tudo para trás e correr para os braços dela. Mas antes que ele pudesse fazer isso, seu superior interveio e o alertou sobre as consequências do que ele havia feito e do que estava por fazer.

Ele pensou muito nas palavras de Sinclair e mesmo assim tentou contatá-la por inúmeras vezes, mas ela nunca respondeu. Após algum tempo, ele entendeu que talvez seria melhor deixa-la seguir com a sua nova vida. E assim ele parou de tentar contatá-la.

A chegada da detetive Jo Danville trouxe vida nova ao laboratório e Mac conseguiu desviar a sua atenção de Stella. Jo era ex-agente do FBI, o que lhe garantia certa independência e experiência, mas nada que não fizesse Mac deixar de observá-la de perto.

A infinita saudade se transformou em carência e isso acabou o empurrando para os braços de outra mulher. Christine apareceu no momento crítico de vulnerabilidade e o ofereceu carinho e conforto, embalados pela antigas lembranças de seu antigo parceiro de polícia e da tragédia que acontecera com ele.

Os encontros tímidos e regados sob o pretexto do oficial Whitney se aprofundaram e se transformaram em um namoro discreto e estável.

Mesmo assim, no silêncio de seu laboratório, o par de esmeraldas e o sorriso de cristal sempre visitavam a sua mente e lhe trazia a saudade e a angústia de não tê-la por perto.

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Danny bufou ao entrar na cafeteria do laboratório após ser repreendido inesperadamente por seu chefe.

— Nossa, o Mac está um grosso hoje.

Lindsay repôs sua caneca de café de volta a mesa e retrucou.

— Ele deve estar cansado. Vi as olheiras em seu rosto. Deve estar sem dormir.

— Ou a Christine tá dando trabalho para ele. – comentou Hawkes sarcasticamente.

Os detetives soltaram algumas risadas que não passaram despercebidas pela segunda chefe do laboratório.

— Ei, vocês! Mais respeito com o chefe! – repreendeu Jo.

Danny se aproximou e explicou o que havia acontecido.

— Pode deixar, Danny. Eu vou lá falar com ele. E vocês, parem com essas fofocas.

Jo deixou a cafeteria rindo por dentro, e se dirigiu ao escritório do Taylor.

Quando chegou ao escritório de Mac, o encontrou totalmente hipnotizado pela luz do céu refletida nos arranha-céus da ilha.

Ela limpou a garganta com força, para que sua presença fosse notada.

Ele se virou devagar, meio abobalhado e não disse nada.

Jo entrou no escritório, dando um sorriso e movimentando sua cabeça negativamente.

— Até quando você vai deixar ela dominar seus pensamentos assim, Mac?

— Hã? Quem? A Christine?

A detetive Danville soltou uma sonora gargalhada enquanto se sentava confortavelmente na cadeira em frente à mesa dele.

— Ah qual é, Mac. Não, a Stella!

Mac mudou seu semblante para sério e se sentou em sua cadeira.

— Do que você está falando, Jo? Você nem conhece a Stella.

— E nem preciso. Do jeito que o pessoal fala dela, parece que eu a conheço há anos. E a luz que aparece em seus olhos quando alguém fala dela me descreve como deve ter sido arrebatador.

Ele deu um sorriso nervoso e tentou disfarçar.

— Não inventa, Jo. Stella e eu nunca tivemos nada.

— Não? — perguntou surpresa – mas aposto que vocês queriam.

O chefe do laboratório fechou o rosto de vez.

— Você quer me dizer alguma coisa? – perguntou sério, tentando desviar o assunto.

Ela percebeu que ele estava começando a se irritar e se levantou em retirada.

— Quero lhe dizer que eu estou instruindo o Danny no caso Walton e fui eu quem pediu que ele fizesse aqueles testes.

— Ok, Jo – confirmou Mac – já entendi.

Jo parou na porta do escritório e se virou para Mac.

— Por que você não vai atrás dela?

Mac respirou fundo antes de responder.

— Porque não quero me enganar e nem enganar ela.

— Ah, e enganar a Christine você quer?

A pergunta o atingiu como uma flecha pontiaguda e o irritou profundamente.

— A minha vida particular não é da sua conta. Por isso, não se meta. – ordenou Mac usando um tom de voz firme.

Jo mordeu os lábios tentando se conter, mas sem sucesso. Ela realmente não conhecia Stella e nem sabia o que havia acontecido entre os dois, mas sua intuição insistia em instruí-la a tentar empurrar Mac para o precipício que se chamava Stella.

— Esse é o tipo de caso que nunca se resolve Mac. Você acha que fez tudo, que analisou tudo minuciosamente e identificou o culpado. Mas no fim, sempre fica a dúvida se alguma coisa ficou para trás que poderia ter mudado o rumo do caso. E apesar de você fazer de tudo para esquecer, essa dúvida será aquela pequena chama que vai te queimar para o resto da vida. Porque o que nasceu para ser chama, nunca vai virar brasa. Pensa nisso.

Mac observou Jo se retirar de seu escritório sem revidar, pois ela tinha razão. A dúvida e a saudade de Stella queimavam em seu peito, e ele sentia que essa chama nunca iria se apagar.

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A noite já havia tomado os céus de Nova Orleans e Stella ainda trabalhava focada em seu escritório. Ela corria suas mãos pelo teclado rapidamente, registrando as últimas informações do caso, no intuito de encerrá-lo naquele dia.

Ao selecionar a opção de salvar, Stella se jogou no encosto da cadeira e expirou forte. Ela levou as mãos aos olhos, os massageando, tentando espantar o cansaço.

O toque de seu celular a fez pular na cadeira de susto e a identificação da chamada causou um sorriso em seu rosto.

— Oi.

— Oi, meu amor. Ainda no escritório?

— Tinha que terminar esse caso, que já se arrastava há dias.

— Ótimo! Já que você terminou, então podemos sair, tomar alguma coisa...e eu posso fazer uma massagem em você...Ein? O que me diz?

Stella considerou o convite, pois a massagem de Robert era a melhor que ela havia experimentado em toda sua vida, mas o cansaço era tanto que não iria aproveitar nem a décima parte de tudo aquilo.

— Não, Robert. Hoje não. Só quero ir para casa dormir.

— Eu posso servir de travesseiro, então.

— Robert, não insista, por favor. – suspirou.

— Está bem, já entendi. Você quer ficar sozinha.

Um breve silêncio tomou a linha telefônica antes que Robert falasse.

— Você vai ficar bem?— perguntou preocupado.

Ela respirou fundo.

— Sim, Robert. Só estou cansada. Só isso.

— Me liga depois, ok? Um beijo.

— Pode deixar. Beijo para você também.

Assim que encerrou a ligação, ela se levantou e desligou seu monitor. Ajeitou algumas pastas que estavam espalhadas pela sua mesa e as empilhou em um canto.

Uma pasta desconhecida apareceu por debaixo das outras, com um post-it amarelo na capa, onde dizia: “Stella, favor assinar esses documentos. Ana. RH”.

Stella voltou a se sentar em sua cadeira e abriu a pasta. Passando os olhos rapidamente pelo conteúdo, percebeu que se tratavam de alguns documentos de sua transferência de Nova Iorque para Nova Orleans. Ela buscou os espaços vazios e os assinou, arrumando os documentos de volta à pasta. Ao colocar a pasta de volta à mesa, alguns papéis caíram no chão. Ela resmungou e se abaixou para pegá-los.

Os papéis caídos no chão estavam dobrados de forma que não era possível ver seu conteúdo. Stella não conteve a sua curiosidade e os abriu.

Ela sorriu orgulhosa quando viu um e-mail de seu antigo chefe Sinclair, a recomendando e traçando inúmeros elogios, sobre sua personalidade, comportamento profissional e experiência. Entretanto, seu sorriso se fechou quando um nome conhecido apareceu no texto.

— O que é isso? – sussurrou.

O e-mail impresso de Sinclair continha o pedido e a decisão de Taylor sobre a sua transferência.

Seus olhos arderam e sua visão se apagou por alguns segundos. Sua cabeça girou por alguns segundos, causando um pequeno enjoo. Ela suspeitava de que Mac já tinha conhecimento dessa oportunidade, mas não esperava que ele tinha feito o pedido e executado a transferência.

— Que canalha! – gritou ofegante.

O fato de que Mac havia armado para mandá-la para longe dele e de Nova Iorque a deixou sem ar e ela viu seu mundo desabar. Mais uma vez.

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Mac experimentou o molho de tomate que borbulhava na panela e o gosto o agradou. A água para cozinhar a massa estava quase fervendo e enquanto esperava, decidiu ralar o queijo parmesão para o acompanhamento.

Antes que ele pudesse alcançar o queijo na geladeira, a campainha o alertou. Ele sorriu e checando seu relógio, se admirou ao perceber que Christine havia chegado bastante adiantada ao horário que combinaram para o jantar.

Ao abrir a porta, o sorriso que tinha abandonou seus lábios instantaneamente.

— Você pode me explicar o que significa isso, Mac? — perguntou Stella mostrando os e-mails impressos de Sinclair em uma das mãos.

Notas finais
Será que o Mac vai dizer o real motivo da transferência dela? Comentem! Grande abraço e até+!