Notas iniciais
Olá...como estão? Espero que bem. Agradeço a todos os comentários, e a todas (os) que estão acompanhando a fic. Sem mais, segue mais um capítulo. Se houver algum erro, por favor me avisem. Muito obrigada.

==========

Mac tentou segurar as suas emoções da melhor maneira possível e terminou o café da manhã, com Robert. Ao chegarem no distrito, ele entrou no primeiro banheiro masculino que encontrou.

Dentro do local, verificou se não havia mais ninguém e socou a porta de uma das cabines.

Uma camada de suor frio cobriu seu rosto e o ciúmes e a raiva voltaram a esquentar seu sangue e prejudicar seu julgamento. Ele respirou fundo e segurou sua mão, dolorida pela pancada na porta.

Após banhar seu rosto com água abundante, Mac o enxugou com calma, tentando controlar seu nervosismo. Com um suspiro derrotado, ele sacou seu celular e finalmente acionou o número que deveria ter acionado há dois dias.

— Até que enfim você me ligou para dizer que me agradece muito pelo que fiz e que está tudo bem e que você está voltando com a Stella amanhã.

Mac sorriu nervoso ao ouvir as palavras da colega.

— Jo, eu não vou conseguir.

A voz trêmula dele a assustou, e ela recolheu seu tom irônico para prestar apoio a ele.

— O que aconteceu?

Ele mordeu os lábios antes de responder.

— Eu conheci o noivo dela. É o chefe da missão, um super agente do FBI.

Jo retrucou o colega, tentando animá-lo.

— E desde quando McCanna Taylor tem medo do FBI?

Mac deu uma risada curta antes de desabafar.

— Não é isso, Jo...é que eu não quero fazer ela sofrer de novo.

Um silêncio incômodo tomou conta da ligação e Jo aproveitou esses segundos para reorganizar suas ideias e incentivar seu amigo.

— Mas, me diga uma coisa, Mac. Ela ficou incomodada com a sua presença?

— Claro que ficou. Ela me odeia.

Jo não conseguiu conter uma gargalhada, que soou firme e forte nos ouvidos dele.

— Acorda Taylor! Se ela se incomodou, é porque alguma coisa tem.

Mac negou e impediu que a afirmação dita pela colega o influenciasse.

— Não, eu não posso fazer isso. Vou pedir para voltar a Nova Iorque.

A declaração dele irritou Jo, que respondeu prontamente.

— Você enlouqueceu, Taylor? Eu já tenho que aguentar o Sinclair me olhando feio todos os dias por causa do que eu fiz e agora você quer desfazer? Negativo. Se você voltar, seremos dois mortos!

Mac permaneceu em silêncio diante da bronca dela e isso a comoveu. Ela respirou fundo para trazê-lo de volta à missão que eles haviam traçado.

— Como a Stella está? Você conversou com ela?

Um brilho acendeu em seu olhar e um sorriso se abriu ao se lembrar dela.

— Ela está linda. Forte e adorável, como sempre. Eu falei com ela sim, e ela me escorraçou na sala dela. Deixou bem claro que nosso relacionamento será puramente profissional, durante essa missão e não me deixou falar no que aconteceu com a gente. Talvez ela já tenha superado tudo aquilo, encontrou outra pessoa e seguiu em frente. E a minha consciência está me dizendo isso também, para superar e seguir em frente.

— E o que seu coração está dizendo?

Mac segurou um soluço de emoção e as lágrimas banharam seus olhos.

— Que eu devo lutar por ela. – interrompeu, inspirando forte – mas não quero destruir a vida dela novamente.

Jo se comoveu com a declaração de Mac e compreendeu que ele também poderia se machucar profundamente, se estivessem errados sobre os sentimentos de Stella.

— Você ainda tem uma missão a cumprir, Taylor. Esse assassino está solto, colocando as pessoas em perigo. Não há ninguém melhor que você para ajudar nessa investigação. Enquanto isso, você como bom detetive, vai descobrir se ainda tem algum espaço na vida dela. Se positivo, lute por ela. Se negativo, termine a sua missão e volte, de cabeça erguida. Pelo menos, você vai saber que tentou e por motivo maior, não conseguiu.

Ele concordou.

— Você tem razão, Jo. Tenho que cumprir a minha missão, até o fim.

— Esse é o Mac Taylor que eu conheço!

— O Sinclair está pegando duro com você?

— Ele apenas me olha feio todos os dias e me culpa, caso você faça algo errado ou estrague tudo por aí. Já suportei coisas piores.

O jeito irônico de Jo arrancou uma risada dele.

— Então o noivo é do FBI? Quer que pergunte sobre ele? Faça alguma pesquisa?

— Não, Jo. Por enquanto não. Obrigado por tudo.

— Me liga se precisar de alguma coisa.

Mac agradeceu mais uma vez e encerrou a ligação. Ele se olhou no espelho e deixou que as palavras de Jo tocassem em sua mente novamente. Tinha uma importante missão a cumprir, e ele ia executá-la até o final, da melhor forma que podia, como sempre fez.

O detetive respirou fundo e se preparou para a reunião matinal. Ao checar seu relógio, percebeu que já estava atrasado.

==========

Ele andou apressado pelos corredores e quando percebeu que os agentes ainda tomavam café e conversavam fora da grande sala de reuniões, reduziu a velocidade de seus passos.

Alguns agentes o cumprimentaram e seu olhar logo vasculhou o recinto à procura de Stella. Seu coração batia apertado, ansioso por ser agraciado pela presença dela.

Em apenas alguns minutos, ela apareceu, desfilando pelo corredor. Seu olhar se perdeu no balanço suave dos cachos, que se moviam conforme a velocidade de seus passos. O par de esmeraldas emitiram uma discreto brilho e de repente, os lábios avermelhados se abriram em um belo sorriso.

Seu coração acelerou insuportavelmente com aquela cena e sua boca se abriu, em admiração. Entretanto, quando ela correu para Robert e o abraçou forte, seu coração voltou a bater apertado.

Mac bufou frustrado e se dirigiu à mesa do café, enchendo um copo com a bebida quente.

Jocelyn e Mary, que observavam Mac a distancia, se aproveitaram do momento e se aproximaram dele. Elas se apresentaram e tentaram engrenar uma conversa com o detetive. Desinteressado daquela situação, ele já se preparava para dispensá-las quando se sentiu observado.

Stella o mirou atentamente do canto da sala, e disfarçou quando seu olhar cruzou com o dele.

Ele riu discretamente e começou a conversar com as duas mulheres, demonstrando total interesse e atenção nelas.

Mary, Jocelyn e Mac conversaram alegremente, riram e até se tocaram, empolgados. Disfarçadamente, ele se moveu de forma que podia ver Stella, pelo canto de olho e percebeu que ela os observava ininterruptamente. Após alguns minutos, ele se despediram com beijos e abraços. As amigas deram seus cartões, e fizeram questão de escrever seus telefones pessoais no verso de cada um.

Mac ria intensamente e acompanhou as amigas até a porta do recinto. Dessa posição, ele analisou os cartões e os guardou sem seu bolso.

Quando ele levantou o olhar para ver Stella novamente, ela disfarçou e foi até a mesa do café. Sem hesitar, Mac se aproximou dela.

— Bom dia Stella.

Nervosa, ela pegou uma rosquinha caramelizada e um copo de suco.

— Em Nova Iorque você não comia tanto açúcar assim pela manhã. – provocou.

Stella se virou bruscamente para ele.

— Por que você não vai cuidar da vida das suas amiguinhas, hein?

Furiosa, ela se afastou da mesa do café a passos duros.

Mac riu internamente, se sentindo vitorioso com a clara demonstração de ciúmes de Stella. Ele abocanhou um biscoito e seu copo de café, para enfrentar a reunião matinal.

==========

Todos os agentes estavam reunidos para a reunião convocada por Robert. Finalmente, os times seriam definidos e seguiriam seus trabalhos independentemente, compartilhando as novas informações sobre a investigação nas reuniões de alinhamento.

— Bom dia a todos. Após a apresentação de todos os agentes e suas especialidades, fizemos a divisão dos grupos, que a partir de hoje, deverão seguir com as suas atividades, nos escritórios apropriados, que já estão prontos e aguardando os senhores.

Enquanto Robert explicava as novas divisões, Mac mirava Stella continuamente. Ela percebeu que estava sendo observada e às vezes, desviava seu olhar por alguns segundos para ele.

— Com relação a análise das evidências e o uso do laboratório de criminalística, o time será chefiado pela detetive Bonasera, e seu parceiro será o detetive Mac Taylor.

O último nome dito por ele trouxe Stella de volta à reunião e no instante que ela percebeu o que havia acontecido, deixou escapar um suspiro decepcionado.

Sua reação foi percebida por Robert e pelos outros agentes, que viraram a sua atenção para ela.

— Algum problema, detetive Bonasera?

Ela gaguejou ao tentar responder.

— O time atual do laboratório está completo e apto para analisar as evidências. Acredito que a experiência do detetive Taylor poderia ser usado para os trabalhos em campo.

Mac não se manifestou. Afinal, trabalhar junto dela era tudo que desejava.

— Nós consideramos isso, detetive Bonasera, mas a experiência que vocês dois tem nessa área, inclusive trabalhando juntos em Nova Iorque, pode nos economizar esforços e trazer muitos ganhos na investigação. A não ser que o detetive Taylor tenha outra opinião.

— Eu estou à disposição da equipe. Faço o que for melhor para essa investigação. Ficarei honrado em voltar a trabalhar com a detetive Bonasera.

— Então, esse assunto está resolvido.

Stella ainda tentou argumentar, todavia, não conseguiu vocalizar suas palavras.

— Você tem algo mais a dizer, detetive Bonasera? – questionou Robert.

— Não. Está tudo bem. – concluiu derrotada.

Tomava por uma desconfortável raiva, ela lançou um olhar fulminante para Mac, que apenas respondeu balançando as suas sobrancelhas, a irritando ainda mais.

No término da reunião, Stella saiu apressada da sala principal sem olhar para trás e se trancou em sua sala.

==========

O dia passou lento e moroso para Mac.

Apesar do desagradável café da manhã com o noivo de Stella, a cena de ciúmes e a definição de que seria par dela na missão o fizeram se sentir melhor.

Depois da revelação, a admiração que Taylor desenvolvera por Robert havia se transformado em raiva. Em questão de segundos, ele havia se transformado no maior chato e grudento homem da face da Terra e somado ao fato dele estar com Stella, provocava uma grande vontade de socá-lo bem no meio da cara.

Stella desapareceu do distrito durante todo o dia e Mac então, mergulhou sua atenção nos documentos e nas últimas informações sobre a investigação. Isso fez com que sua mente focasse nas evidências encontradas e parasse de pensar nela e no seu futuro marido.

Robert continuou fazendo a coordenação das ações com os outros agentes e logo notou que Mac havia dedicado todo o seu tempo na análise dos documentos e que nem por um segundo, desviara a sua atenção para as atividades paralelas que ocorriam no distrito.

Assim que encerraram as atividades do dia, os agentes combinaram de se encontrarem em um bar, na saída do distrito. Robert finalizou as conversas com os agentes e se dirigiu a mesa de Mac, para avisá-lo do plano deles para o happy hour.

— Em todo esse tempo que estamos aqui, você é a primeira pessoa que vejo analisando esses papéis com tanta atenção. – disse Robert ao se sentar na cadeira de frente para Mac.

Mac bufou discretamente e levantou sua cabeça para encará-lo.

— Esse é o meu expertise, Robert.

— Tenho que confessar, Taylor. Eu odeio ficar lendo esse monte de informação. Prefiro que alguém faça isso e me passe as instruções para que eu as execute em campo.

Um sorriso amarelo se desenhou no rosto dele e para evitar que sua raiva se manifestasse, Mac voltou a sua atenção aos documentos.

Ignorado por Mac, Robert resgatou seu celular e acionou seu contato favorito.

— Oi, amor, onde você esteve o dia todo?

O conteúdo da conversa chamou a atenção de Mac, que começou a ouví-la disfarçadamente.

— Os agentes vão tomar uma bebida depois do expediente, você quer ir? Ou quer fazer outra coisa?

Os resmungos de Robert indicaram que a conversa não estava indo de acordo com que ele queria.

— Bem, eu vou com eles então, tudo bem? Te ligo quando chegar em casa.

Robert encerrou a ligação e olhou para Mac.

— Combinamos de nos encontrar no bar na saída do distrito. Vamos, Taylor?

Mac verificou o horário em seu relógio e só então percebeu que o expediente já havia se encerrado. Ele fechou as pastas que analisava, arranjou os papéis e os guardou dentro de sua maleta. Ao fechá-la, se levantou e se despediu.

— Agradeço, Robert. Fica para a próxima. Divirtam-se.

— Está bem, Taylor. Boa noite.

Enquanto Robert se preparou para ir ao bar se encontrar com os outros agentes, Mac se preparou para traçar seus próximos passos com relação a Stella.

==========

A inesperada chuva banhou a cidade e os pensamentos de Stella. Sentada no estofado junto à janela, ela observou as gotas de chuva atingirem e escorregarem pelo vidro pelo lado de fora. Pelo lado de dentro, as gotas também escorregavam, na forma de lágrimas sobre o seu rosto.

A presença de Mac a incomodava demais, e ela sentia que o frágil muro que havia construído para isolá-lo de sua vida estava desmoronando. E muito rápido.

Ela se repreendeu pela cena durante a manhã, e se arrependeu de ter respondido daquela forma pois, com certeza, ele percebeu seu sentimento de ciúmes.

Contudo, não podia negar que ficara com ciúmes de Mary e Jocelyn, e de como ele as tratou com tanta atenção. Do interesse que ele demonstrou, do abraço e dos beijos que trocaram. Naquele momento, seu sangue esquentou suas orelhas e sua vontade de voar no pescoço das duas só não foi maior que o controle de sua consciência.

Stella agradeceu a oportunidade que os agentes lhe deram de ficar um tempo sozinha, ao convidar Robert para um drinque no bar. Seus sentimentos estavam confusos, e não havia melhor momento para que tentasse entender o que estava acontecendo e tomar alguma atitude a respeito.

Irritada com a confusão de seus sentimentos, Stella alcançou uma garrafa de vinho refrigerada e encheu a sua taça, até o topo. Arrastando os passos, ela se jogou no sofá e posicionou a garrafa na sua mesa central da sala de estar, para lhe fazer companhia.

Sem cerimônia, ela tomou todo o vinho, e uma sensação de torpor tomou conta de seu corpo. As lágrimas continuaram caindo pelo seu rosto, e logo seu organismo se entregou ao cansaço, a fazendo adormecer no sofá.

==========

O som estridente da campainha irritou os ouvidos de Stella a fazendo despertar de seu cochilo. Seus olhos piscaram com dificuldade e uma dor fina e aguda viajou pela sua cabeça.

Ela reclamou da dor e se sentou no sofá, tentando se recompor.

A campainha soou novamente e atiçou mais sua dor.

— Já vou. – respondeu em baixo tom.

Ao se levantar, seu equilíbrio falhou e ela cambaleou por alguns passos, arrastando seus pés descalços até a porta principal de sua casa.

— Droga, Robert. Achei que você não viesse para cá hoje. – resmungou enquanto caminhou até a porta.

Ao abrí-la, se surpreendeu com quem esperava do lado de fora.

— Mac?

Mac não conseguiu respondê-la imediatamente, pois sua atenção se focou nela.

Seus cachos estavam meio presos, e os soltos estavam bagunçados, formando uma cascata dourada pela cabeça dela. Seu rosto estava corado, seus lábios avermelhados e os olhos, tão verdes quanto as águas mais limpas do oceano. O larga blusa que vestia deslizou pelo ombro, deixando a sedosa pele à mostra. E a calça justa, realçou os contornos perfeitos de suas pernas.

— O que você está fazendo aqui? – insistiu.

Ele gaguejou um pouco antes de responder.

— Desculpe te atrapalhar Stella, mas eu queria te mostrar uma coisa que observei nesses documentos. – explicou mostrando para ela a pasta que carregava nas mãos.

Ela rolou os olhos desacreditada.

— Por favor, Mac...qualquer informação tem que ser apresentada nas reuniões de alinhamento.

— Por favor, Stella. Eu preciso da sua opinião. – interrompeu.

Sua mente e seu coração brigaram por alguns segundos, e ela percebeu que ele estava molhado, por causa da chuva.

Contrariada, ela respirou fundo e se moveu, abrindo totalmente a porta.

— Entra, vai. Você está todo molhado.

Mac pediu licença e entrou na casa. Curioso, ele deslocou seu olhar para todos os lados, tentando registrar todos os detalhes da casa dela. Ao se mover em direção ao sofá, percebeu uma garrafa de vinho, vazia, acompanhada por uma taça e várias pastas do caso, posicionados na mesa de centro da sala de estar.

Stella gesticulou para que ele esperasse e correu buscar uma toalha no lavabo.

— Mac, me dê a sua camisa que vou colocar na secadora de roupa. – disse estendendo a toalha.

— Está tudo bem, Stella. Pode deixar.

— Vamos, em poucos minutos ela estará seca. Se você ficar assim molhado, vai ficar doente. Vamos! – insistiu Stella estendendo seu braço e mão para pegá-la.

Ele retirou a sua camisa úmida e entregou à ela, que rapidamente a levou para secar. Quando retornou à sala, Mac havia jogado a toalha sobre seus ombros.

Stella gesticulou para que ele sentasse e quando os efeitos do álcool se fizeram presente em seu organismo novamente, teve que disfarçar.

— Você aceita um café?

— Sim, aceito. Obrigado.

— Vou preparar. Fique à vontade.

Ela se dirigiu para a cozinha e foi observada atenciosamente por ele, através da passagem entre os cômodos. Os dois detetives nada falaram, até que Stella voltou a sala de estar trazendo uma bandeja com o café e alguns petiscos.

O líquido quente com cafeína proporcionou um alívio temporário para o organismo dela, e fez sua mente focar naquele momento.

— O que você queria me mostrar?

Stella se sentou ao lado de Mac no sofá e ele começou a mostrar as evidências e suas anotações, dentro das pastas e até em seu aparelho celular. Abandonando a proteção que havia criado para evitá-lo, ela se deixou levar pela circunstância e interagiu com ele, discutindo, debatendo, criando cenários e linhas de investigação para o caso. Há tempos ela não tinha uma companhia que permitia um debate de investigação naquele nível, onde as ideias fluíam e se complementavam tão perfeitamente.

— Bem observado, Mac. Acho que demos um grande avanço na investigação.

— Sim, e com a sua análise detalhada dos cenários, poderemos até traçar uma estratégia para pegá-lo.

Eles sorriram quando perceberam que a cumplicidade deles ainda permanecia viva.

— É como nos velhos tempos. – comentou Mac.

Stella concordou em silêncio e envergonhada, baixou seu olhar para a sua caneca de café, que segurava em sua mão.

Mac a observou em silêncio por alguns segundos e retirou a caneca da mão dela, chamando a sua atenção para ele.

Ele esperou que ela o olhasse nos olhos para falar.

— Stella, eu sinto muito se eu te machuquei. Sinto muito pelo papelão que fiz aquele dia no bar, na frente de todos. Sinto muito por não ter te escutado e por ter te expulsado do meu apartamento naquele dia.

Ele interrompeu seu discurso e respirou fundo.

— A última coisa que eu queria era fazer você sofrer. – confessou.

A repentina confissão de Mac a pegou desprevenida, e seus sentimentos começaram a aquecer seu sangue.

— Mac, por favor. – suplicou.

— Não, Stella. Eu vivo com esse sentimento de culpa desde o dia que você foi embora porque eu fui extremamente egoísta e estúpido, e eu só vou conseguir seguir em frente se você me perdoar.

Ela não conseguiu segurar a emoção e deixou uma lágrima solitária rolar pelo seu rosto.

— Está tudo bem, Mac. Mas se você precisa ouvir, eu falo. Eu te perdoo.

Mac sorriu aliviado, como se aquelas simples palavras haviam removido uma tonelada de suas costas.

Instintivamente, ele elevou sua mão ao rosto dela e enxugou a lágrima solitária, carinhosamente.

— Vou buscar a sua camisa. – Stella interrompeu a carícia bruscamente e se dirigiu a sua lavanderia.

Mac suspirou decepcionado e andou pelo corredor, até que achou a porta do lavabo. Ele tirou a toalha de seus ombros e a passou uma última vez nos cabelos.

Os passos de Stella ecoaram pelo corredor e quando ele foi avisá-la de que estava no lavabo, ela entrou no cômodo repentinamente. Para evitar que eles se trombassem na porta, Stella colocou a mão no peito dele.

Ao sentir o toque em sua pele, Mac elevou a sua mão e a posicionou sobre a dela, sem tirá-las de seu peito.

O calor do toque dele foi acalentador e ela fechou os olhos com a sensação. Sem hesitar, ele se aproximou lentamente e deixou um beijo doce na face dela.

— Eu nunca deixei de sentir o sabor de seus lábios. – sussurrou Mac no ouvido dela.

A voz rouca causou um arrepio frio no corpo dela, e um gemido discreto soou pela sua garganta.

Motivado pelas reações do corpo dela, Mac moveu seu rosto bem próximo dos lábios dela, onde pode sentir a sua respiração ofegante atingir seus próprios lábios. Receoso, ele esperou que ela o impedisse.

Mas ela não o fez.

Notas finais
Comentem! E pls, me avisem se tiver algum erro...grande abraço e até+!