Howsoever

3 Cap. 3 - Kiss me hard before you go.


Notas iniciais
Sofri pra escrever esse, que ficou bem maior que os anteriores. Com quase duas mil palavras, e um título pior que o anterior... Mas a história tá legal, e é só isso que importa.

Tempo depois escutei a porta bater, eles tinham ido. Chequei as horas, eram sete e quinze. Mamãe se atrasou de novo. E me olhei, ainda estava como ontem, de roupa e maquiagem... Procurei forças para levantar e o fiz, caminhando até a porta do quarto rumo ao corredor e depois ao banheiro onde tomei um longo banho.

Mas, falava do verão... Na nossa cidade, Athamira, o verão não era tão quente, arrisco dizer que seja por causa das árvores: era a cidade mais arborizada do país. Mas, não confie em mim, talvez sejam questões geográficas –matéria a qual nunca tive muita afinidade–, como o posicionamento da cidade em relação às linhas imaginárias.

De qualquer forma, era assim. E papai sempre gostou muito do calor, então sempre que chegam as férias de verão, nos deslocamos para qualquer cidade litorânea próxima. Nos últimos dois anos eu não pude ir, é claro, nos últimos dois anos não pude fazer nada: passava todo o meu tempo vago estudando. E estudar, fazer cursinhos e varar noites pareceu valer à pena quando vi meu nome na lista dos aprovados para a UFA. Iria cursar astronomia –o que era loucura, já que uma parte de mim odiava química, e é claro que eu preferiria cursar algo como jornalismo ou cinema, mas primeiro vem a vontade dos meus pais; e sem entrar em detalhes, eles apenas dizem que sabem o que é melhor para mim –isso quase sempre é revoltante. E quase me esqueci de mencionar, mas, esse verão eu iria –seja para onde for o destino–, eu precisava de um tempo com a família.

Após a ducha e depois de me vestir, tinha tempo livre para fazer o que quisesse... E aí... Escolhi aprontar as malas mais cedo –sensato. Suponho que me esqueci de como passar o tempo, das coisas que gostava de fazer; e consequentemente por isso faria apenas o que precisasse ser feito, sem preocupar-me com entretenimentos. Abri todos os armários e gavetas e mexi, remexi, em todos os lugares procurando qualquer coisa que poderia precisar, e agora meu quarto estava tão bagunçado como jamais o vira. Perfeito.

– Talvez mais algumas blusas –disse à mim mesma, cortando o silêncio.

– Ou uma música –insisti, travando uma batalha com aquela ausência de som perturbadora.

Então peguei o notebook próximo do abajur em uma mesinha e fiz tocar a minha maior lista de reprodução. Acredito ter um gosto musical dentro dos padrões. Sem estilos definidos, se o ritmo e letra forem bons e coincidirem com o momento, então eu ouviria sem problemas. Não poderia dizer o mesmo dos livros, gosto de romances e aventura, então peguei três dos que gostava na estante –dois deles já havia lido infinitas vezes e o outro era novo: o havia comprado à algum tempo, mas nunca tive tempo. Também peguei meu diário.

Então, num instante inadequado a música programada para sms tocou: eu tinha em ambas as mãos caixas e roupas, tudo prestes a desabar –pensei que pudesse se tratar de Evanna, que queria saber tudo o que não lembrava sobre ontem. Ainda parada, tentei manter o equilíbrio das coisas enquanto a música tocava.

Kiss me hard before you go

Summertime sadness

I just wanna you to know

That baby, you’re the best…

E eu a sentia ecoar pelo quarto. Me arrepiei e joguei tudo ao chão. Agora, ao ouvi-la e pensar sobre ontem, era fácil me lembrar.

“Você pode me dar seu telefone?... Quero outro beijo... Eu preciso de um beijo para cada um dos dígitos...”

– Merda... –falei sorrindo e correndo até a cama onde estava o celular– Preciso contar á Evanna sobre isso.

Quando fiz o desbloqueio da tela, a mensagem sem identificação me deixou perplexa:

Pouco me lembro de você Meline, mas sei que beija bem. Será que podemos nos encontrar de novo? Ah, e a propósito, tinha uma fita comigo, suponho que seja sua. Meu nome é Mitchel.

Era ele. Minha fita... Meline?! E qual a parte da ligação ele não entendeu? Eu havia deixado claro, uma ligação! Então minutos depois, os quais eu tive o minucioso cuidado de esperar para não parecer desesperada, ainda frustrada, pus-me a digitar em resposta:

Bom... eu preciso da minha fita de volta. Talvez eu possa marcar algo na sexta, você vem? Aliás, belos nomes.

Enviei. Acho que consegui, pensei jogando o celular longe. Continuei a organizar as coisas, e pouco mais tarde, já de malas prontas, guardava as últimas peças quando achei uma caixinha na qual não mexia há muito tempo.

Aquela era a caixa de fotos da minha irmã. Ela não ficava junto com as outras fotos da família porque, em resumo, papai não mantinha o mesmo carinho com ambas as filhas, se você consegue me entender. Alana não era filha dele. Não que minha mãe o tivesse traído, na verdade, isto fora uma violação e ela não quis abortar. Infelizmente ou não, eu nunca consigo entrar em detalhes, uma vez que me forcei a esquecê-los –e foi um tanto simples, justamente por não tê-los presenciado por muito tempo: fui mandada para a casa de uma tia quando as coisas pioraram.

Flashback ON

– Mas tia, mamãe não pode ficar sozinha, e se ela precisar de ajuda? Está grávida... –dizia em voz chorosa enquanto me afastava de casa levando Peepe-o-gato nos braços.

–Seu pai cuidará dela.

Depois da resposta, pensava em como ele poderia, se não paravam de brigar um segundo. Eu precisaria estar lá pra cuidar dela, também nunca havia gostado de estar com meus primos e tia. E Peepe odiava ter que lhe dar com a cadela Brigite.

Flashback OFF

Foram insuportáveis os tempos que tive que estar com eles naquela casa que tinha presenças tão desagradáveis. Imagino como também deve ter sido difícil para a minha mãe, mas a ainda e constantemente atingida era minha irmã, eu podia ver o quão aquilo era árduo para ela: papai a desprezava. E era assim, desde que começou a sentir a vida sob os pés, a falar e a escrever, sempre recebia em troca olhares severos ou que expressavam nenhuma relevância diante do acontecido. Eu sempre tentei sufocar tais com maior carinho possível, era o que eu sentia olhando aquelas fotos. É claro que minha mãe também a amava muito e estava sempre a protegendo. Talvez por isso Alana sempre estivesse sorrindo...

Guardei as fotos quando ouvi o despertador tocar, já havia se passado muito tempo, era hora de buscar Alana na escola –eu tinha tido posse de algumas tarefas relacionadas a ela enquanto me sobrara tempo, minha mãe nunca teve descanso e criar uma filha sozinha não era fácil. Assim sendo, vesti-me bem e parti a passos rápidos até a escola que não ficava muito longe dali. O horário qual tinha programado para ir ainda me faria estar atrasada, porque hoje ela sairia mais cedo: era o último dia de aula. Costumava ser atenciosa com os horários de Alana desde que me tornei responsável por ela, mas algo me fez esquecer esta vez.

– Ali! –escutei-a gritar– está atrasada. A-t-r-a-s-a-d-a.

Não estava tão quanto ela relevava. Algumas crianças ainda esperavam, então haviam pessoas mais atrasadas que eu. Foi o que eu disse a ela. Mas nunca ganhei uma discussão com ela, e como essa não foi diferente, o valor a pagar era um sorvete. Assim fomos até uma sorveteria. Não até a mais próxima, até aquela perto do parque a qual sempre gostamos de ir. De lá, ela podia ver os patos e tartarugas nadando, e eu os garotos na pista de cooper.

– Vai querer de chocolate? –perguntei como se não soubesse a resposta, "de chocolate e com passas" ela diria.

– De chocolate e também passas. –Ela disse enquanto olhava para o lado e balançava os pés sentada num banco alto demais para si. Previsto.

– Você precisa olhar para as pessoas enquanto fala com elas, Lana.

– Ali, eu não vejo as tartarugas todos os dias como vejo você. Elas têm saudade.

– Curioso. Mas olhe, quando chegarmos vou te ajudar a fazer as malas, e só depois vamos brincar, certo?

– Entendi.

Não consegui conversar muito depois disso, ela estava muito distraída. Apenas terminamos o sorvete e ficamos meia-hora observando o parque não muito longe dali. No momento em que chequei as horas e me dei conta de que era hora de ir, meu celular tocou, era outro sms dele.

Quem é esta sentada ao seu lado na sorveteria?

Olhei para os lados, e lá estava Mitchel encostando-se a uma árvore. Ele sorria. E eu estava inconfortável. Respondi:

Minha irmã. Tem a minha fita com você?

Observei. E embora a sombra da árvore dificultasse, ele estava rindo. Algo em mim então conclui que sim, ele estava com a minha fita.

– Alana, você pode esperar um pouco? Eu já volto, está bem? –disse já me levantando, e ajudando-a com o guardanapo.

– Tá –ela me respondeu, ainda estava focada naquele lago.

Talvez eu nem tenha pensado muito, talvez eu não tivesse certeza, mas eu caminhava me aproximando dele, olhando nos seus olhos. E a única coisa que me veio a mente para dizer foi:

– Pode me entregar? Tenho que voltar, Alana está me esperando. –o vento se tornou mais forte, e então viria a chuva; Desta vez eu não poderia mesmo demorar.

– Está no meu bolso, pegue –parecia sério.

O que ele estava dizendo afinal? Olhei-o com desaprovação. Mas eu entrei naquele jogo. Só porque Alana me espera, disse alto suficiente para que ele me escutasse. Então era só puxar a fita e ir. E eu estava lá, quase a alcançando, quando pude por um instante perceber que ele se movia, e que estava próximo a me tocar. Desisti em seguida, e forcei-me a fitá-lo durante alguns segundos em busca de uma justificativa. Foi quando ele chegou mais perto e tomou a minha cintura. Pude sentir o quão ainda me olhava sério, respirando ofegante como se pudesse me tragar. Me incomodava a maneira como estávamos calados a tanto tempo –antes ele nunca deixara passar dos quatro segundos. Então forcei o corpo tentando escapar, mas foi em vão; tanto porque me encontrava firmemente presa, quanto porque inalar aquela respiração tão quente me fazia querer desistir. Toquei seu rosto e o fiz fechar os olhos, em seguida encostei os nossos lábios, deixei que absorvesse o que quisesse de mim. Tinha para si cada centímetro do meu corpo, como antes; e parecia não medir aonde tocava. Tentei romper, mas ele não me permitira. Quando finalmente percebeu o meu sufoco, diminuiu a força exercida e me permitiu abrir a boca. Eu respirava com dificuldade, e ele ainda mantinha-se firme no lábio superior. Era inconstante: ora forte, ora lento. Eu estive confusa até o ultimo segundo. E antes que pudesse começar a me lamentar por tê-lo deixado fazer o que fez –embora não tivesse chances de evitar– ele me soltou. E sorriu, com um ar menos assustador do que apresentara alguns minutos atrás.

– Aqui, pegue –disse nos meus lábios, me entregando o pano estreito em forma de laço.

Olhei para ele com incerteza, e agarrei a fita, deixando uma de suas mãos livres, a qual segurou meu pulso. Ótimo, porque eu queria aquilo mais uma vez. Mas logo me dei conta da minha demora e, por isso, colidi minha mão no seu rosto o mais forte que consegui e o suficiente para deixar marcas de modo a lhe dizer que não, não poderia fazer de novo. O reflexo dele quanto à situação foi o esperado: ele levou sua mão ao rosto de pressa. Do mesmo modo, acomodei uma de minhas mãos junto à dele, e o presenteei com um pequeno beijo.

– O quê? –ele disse sem entender o que eu havia feito.

– Você pode me ligar mais tarde. –disse fitando-o– Uma ligação. –ressaltei, e lhe dei as costas.

Notas finais
Viram os erros? pois é, eu não revisei. Se acharem podem me avisar pra que eu conserte. Mas voltando ao que interessa... REVIEWSSSS eu quero REVIEWSSSS! Comenta aí... que eu respondo com o maior carinho ♥