Howsoever

2 Cap. 2 - Oito, e não nove dígitos.


Notas iniciais
YEAY! Outro capítulo ♥
Torcendo para que a paragrafação do recado não saia ruim, porque, pelo visto não conseguirei arrumar. E dessa vez percebi que não consigo ter nomes bons para os capítulos, e isso é igual a mais ou menos uma escritora meia-tigela.
Enfim, espero que gostem.

Depois de um tempo, me toquei que pouco sabia dançar. E, no entanto, eu estava dançando. Algo em mim sugeria que depois de aquela pergunta ele me abraçaria chamando por um nome qualquer, –e eu o consolaria, que mais poderia fazer?– mas eu não obtive uma palavra durante a música toda. Estou fazendo a minha parte, pensei. Tentei parecer gentil, e cá estou, dançando com um cara obsecado.


Quando a música acabou, eu afrouxei os braços, mas ele continuava firme na minha cintura. Estremeci.

– Mais uma música? –perguntei perplexa, procurando uma justificativa para aquilo.

­– Mais uma. –e pousou a cabeça nos meus ombros, com intimidade.

Quando a próxima música começou a soar, ainda lenta, tomei sua cabeça nos braços e acariciei seus cabelos. Ele não podia ser louco... Parecia mais sensato que qualquer outro cara ainda presente naquele salão. Depois de refletir um pouco, arrisquei:

– Me desculpe, mas não pode me segurar assim se sequer sei seu nome – Um, dois... E parecia que eu não teria uma resposta, apressei-me – O que você tem, ham?


Então ele olhou pra mim.


E estava ali, observando cada centímetro dos meus olhos como se visse algo através. E eu também estava ali, surpresa demais e... perto demais. Meu fôlego, cogitei; o havia perdido. Então começamos devagar –o beijo–, e depois pude sentir aquilo apertar, e se mostrar aos poucos mais forte –até segundos atrás ele parecia vulnerável, e agora isso, eu não tinha ideia de com quem estava; e mesmo assim, mesmo assim... eu estava ali, até certo ponto.


– Você pode me dar seu telefone? –foi o que ouvi depois do beijo, ele parecia sutil.

– Posso, como uma troca. Quero outro beijo –acho que me saí bem quanto a expressão que adotei ao falar isso, no entanto, não foi tão segura quanto eu esperava. Mas detalhes realmente não importaram uma vez que não tive tempo de pensar neles.

E ele me beijou. Mais forte e rápido que o anterior. E de novo, e de novo. Nossa troca nunca teve preço certo, e enquanto pude estive pedindo involuntariamente por mais.

– Não é o suficiente –eu dizia baixinho– Eu preciso de um beijo para cada um dos dígitos, são nove.

– Os números atuais têm oito, não nove dígitos – ele brincava me afagando os cabelos, parecíamos nos conhecer muito bem.

– Se eu quiser, coloco quinhentos números diferentes na merda do papel, e os dou pra você –e ria, lhe dando pequenos beijos.


Parecia segura, mas eu tive medo. Por instantes imaginei uma série de coisas que poderiam acontecer depois... Mas eu não chegaria a tal ponto, não como Evanna costumava fazê-lo: há essas horas ela deveria estar num banheiro qualquer com um cara qualquer. Exatamente como eu, pensei, mas que bom que não estávamos próximos do banheiro.


E ficamos –a noite toda, longe das pessoas e próximos um do outro, aos beijos e toques. Estávamos na extremidade do balcão do bar, onde apoiávamos nossas bebidas, e vez ou outra ele sorria pra mim... Estaria mentindo se dissesse que não gostei daquele sorriso.


* * * *


Muito tempo e bebidas depois, ele caiu aos poucos e exausto, me abraçando. Conclui que estava muito próximo de adormecer –eu também tinha sono, já era tarde. Então haviam alguns problemas: eu não tinha ideia de com quem estava, precisava ir embora e, precisava ter uma outra chance de vê-lo. Olhei em volta, e Marie ainda estava no mesmo lugar, e o evento estava quase no seu fim. Só faltava uma, então mandei um sms para ela, Evanna:


Preciso de você, estou no bar.


Cinco minutos depois ela me retornou com a mensagem pré-estabelecida:


Estou indo.


Cinco, e mais cinco, só então ela chegou. Estranhando, rindo, perguntando-me quem era ele. Ela estava pior que qualquer outra mulher chapada que eu já tera visto; então sequer a respondi, apenas sentei meu novo amigo no banco e rabisquei o recado:

Arrisco que nem se lembrará de mim, mas você pediu meu número.

Espero que me ligue, 98286828.


Fomos para casa de taxi, Rafael, um amigo de Evanna prometeu cuidar do carro dela. E Marie dormiu a viagem, fazendo caretas durante o sono que me fazia dar rizinhos –e o sono me fazia propícia a dar bocejos que interrompiam os risos a todo momento.


Quando cheguei em casa, abri a porta com a minha chave, para não incomodar. Subi para o quarto, e imagino –alguns minutos depois– ter escutado meus pais se levantarem para levar Alana para a escolinha. Mas continuei deitada, escutando as voz dela se queixar que não, não iria ver Charlie de novo, tinha brigado com ele e por isso não suportaria ir para escola hoje.


Queria ir até lá antes que ela saísse, tomá-la no colo e dizer bom dia, mas no momento não tinha forças. Ela era provavelmente a irmã mais fofa que alguém poderia ter, tinha 4 anos e usava vestidos. Uma pessoa não precisa mais do que um vestido de joaninhas para ser especial, eu certa vez disse a ela.


Flashback ON


– Oh, não Alana, você não pode fazer desse vestido o seu favorito apenas porque eu disse isso –disse forçando uma voz chateada, aninhando-a comigo no sofá.


–Eu gosto deste porque sou especial com ele Ali, não enche –e ria aos muitos, ficava corada e ainda mais amável, antes mesmo que pudesse me queixar de novo ela quis saber– Que filme vamos ver hoje? –e antes que eu pudesse pronunciar qualquer resposta, questionou de novo e de novo– Temos pipoca Ali? Será que a mamãe deixaria eu dar pipoca para Peepe-o-gato? Bem, acho que não... –a última frase foi tão carregada de desânimo que me atei a rir descontroladamente.


Flashback OFF


Ah, cheguei a mencionar que era verão?


Notas finais
O que será que verão de haver com a história? MORRAM DE CURIOSIDADE. Tá que não foi um final magnific, mas tá tudo bem.

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