How to move on

2 Capítulo 1- É isso que você recebe


Perto da casa do Gustavo há um beco. Normalmente pessoas drogadas e traficantes ficavam lá. Mas hoje estava vazio; a não ser por duas pessoas espremidas na parede do canto direito. Sabia exatamente quem eram. Gustavo estava usando um tênis da Nike, uma calça jeans clara, uma blusa azul-marinho que dei a ele no seu aniversário, que o ‘encorpava’ mais, uma vez que ele já era bem musculoso, e um boné preto que escondia seu cabelo castanho claro e curto. Nicole (aquela que se faz de minha amiga para dar em cima do Gustavo) estava com seu habitual salto preto de 15 centímetros, sua mini-saia vermelha, que poderia ser confundida com uma calcinha de tão pequena, e sua blusa rosa tomara que caia, que não combinava nada com o resto da roupa. O cabelo pintado de loiro e com pontas vermelhas dela caia sobre seus ombros, enquanto os dois se engoliam no lado mais escuro do beco.

E lá estava eu. Com meu All Star sujo, minha calça jeans cinza escura e velha e minha blusa do Mickey tapada pela minha jaqueta preta. Um trapo, pelo menos no momento. Meu cabelo longo e ondulado, castanho claro, se movia com a brisa sobre meus ombros e eu tinha certeza que meus olhos castanhos ficaram grandes de surpresa. Um segundo depois de ver a cena, comecei a andar até eles. Meus passos longos ecoaram pelo beco e fizeram com que eles se separassem bem quando eu parei em frente a eles. Fiquei encarando os olhos verdes do Gustavo, com meus braços cruzados e meus olhos tentando não me trair e não demonstrar o quão trocada me sentia.

—Não é o que você está pensando. – Ele disse depois do que pareceu uma eternidade.

—Então, isso não é um problema meu, vou indo, beijinhos Gustavo. – Disse Nicole, praticamente correndo pra fora do beco (como se fosse possível em cima daqueles saltos). Não tiro meus olhos de Gustavo nem um segundo.

—‘’Não é o que você está pensando’’? Sério? Não poderia ter pensado em nada melhor? Ah, por favor, ambos sabemos que você é melhor do que isso. — Minha voz soou amarga, decepcionada. — Qual é o problema comigo? Sempre que me acontece uma coisa boa, as pessoas arranjam um jeito de estragar tudo! – Não dei tempo pra ele falar, ele sabia que estava errado e, quanto mais eu falava, mais minha voz ia aumentando. – O que diabo eu fiz pra merecer isso? Você sabia que eu não estava bem! Isso não te dá o direito de pegar qualquer uma! Porra, pelo menos tivesse a decência de me ligar e terminar essa desgraça de namoro!

—Belle, calma, não é pra tanto...

—Não é pra tanto? Sério? Minha avó acaba de morrer e você ta ai pegando essa menina!

—Não era isso...

—Ah, e não ouse me chamar de Belle! Se já não está claro, nós terminamos.

—Não! Isabel, por favor, eu te amo! Me escute… -O desespero em seus olhos me agradou. Interessante...

—Ama tanto que tava engolindo ela praticamente na sua casa, não tinha um lugar menos óbvio, não?

—Amor, me deixa explicar...

Ele tentou pegar meu braço, mas me desviei instintivamente. Isso pareceu magoá-lo. Bom.

— That’s what you get when you let your heart win. — Falei o trecho da música do Paramore que cantávamos sempre, me virei e fui embora com passos rápidos. Senti ele me seguindo e quando sai do beco dei de cara com Nicole que, obviamente, estava escutando a conversa toda. Nem olhei na cara dela e fui a caminho da minha casa. E o desgraçado me deixou ir. Ficou conversando com a menina enquanto um ano de namoro ia embora. Ah, foda-se ele também. Foda-se o mundo.

—O que ela disse em inglês? Eu não entendi. – Ouvi ela perguntando ao Gustavo quando eu estava à uma distância que ela pensava que não eu podia ouvir.

— ‘’ É isso que você recebe quando deixa seu coração ganhar’’. – Eles falaram mais de mim, mas eu estava muito longe para ouvi-los (não que eu me importasse, claro).

Notas finais
"I wonder, how am I supposed to feel when you're not here? 'Cause I burned every bridge I ever built when you were here I still try holdin' on to silly things I never learn Oh, why, all the possibilities I'm sure you've heard?" That's what you get - Paramore