How to Love

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Olá gente, tudo bom? Advinha quem voltou??? Eu mesma! Vocês são incríveis e, como prometido, estou de volta com um cap. fresquinho para vocês. Espero que gostem!!

Acordo assustada. Meus olhos pesam e minha boca está seca. Meu corpo está dolorido. Levanto da cama e vou até o banheiro. Meu vestido azul, uma vez lindo, estava extremamente amassado. Minha maquiagem estava borrada e meus olhos coçavam. Passo um lenço demaquilante e tiro o vestido, colocando-o delicadamente no cesto de roupa suja. Lavo o rosto e escovo os dentes, voltando para a cama de calcinha e sutiã. Pego no sono sem ver que horas eram.

O despertador toca às 7:00. Me espreguiço, levantando da cama lentamente. Meus olhos tentam se adaptar à escuridão do quarto enquanto eu saio da cama. Abro a cortina e a claridade me cega. Meus olhos ardem enquanto se adaptam a luz e eu fico parada, observando em silêncio enquanto Roma acorda para mais um dia. O cheiro de pão e uma brisa fresca fazem com que eu sorria. Balanço a cabeça e vou para o banheiro. Tomo um banho rápido, sem lavar o cabelo. Saio do chuveiro e passo um creme no corpo. Depois, vou para o quarto e coloco uma calça social cinza e uma blusa de seda verde escuro. A blusa não tem mangas e seu decote é comportado. A calça faz com que eu pareça mais alta e marca minha cintura. Coloco um sapato preto de salto alto. No banheiro, prendo meu cabelo em um coque bagunçado e passo uma maquiagem leve. Desço para a recepção e tomo um café rápido, sem me preocupar muito com o horário. Quando volto para o quarto, vejo uma mensagem de Simon.

Estou embarcando, Fray. Quando pousar na Espanha, eu te ligo.

Amo você. — XX

Sorrio e decido ligar para a minha mãe. Digito o número do celular dela e espero ela atender.

— Clary, — a voz da minha mãe é sonolenta.

— Te acordei?

— Não. Estava pintando, — ela diz. Posso ouvir a calma em sua voz e me pego sorrindo.

— Fico feliz em ouvir isso, — digo.

— Eu também. E aí? Como foi seu tour?

— Foi ótimo! Ah, mãe, Roma é tão bonita.

— Eu sei, filha. Sabe, eu estava pensando…

— Oh, Deus, — digo sorrindo. Ouço sua risada e balanço a cabeça. Posso imaginá-la, sentada no sofá, com o rosto sujo de tinta, balançando seus cabelos ruivos e sorrindo.

— Estava pensando que você poderia ver um final de semana mais tranquilo e ir até Milão, ou Florença, ou Veneza, — ela diz. Sorrio imediatamente com a ideia.

— Acho uma ótima ideia, — ouço seu sorriso e suspiro. — Estou com saudades.

— Eu também, meu amor.

— Você deveria ir dormir.

— Deveria, — ela diz. Automaticamente, me lembro da noite anterior. Coro e mordo o lábio, imaginando o que teria acontecido se Jace tivesse subido comigo.

— Boa noite, mãe.

— Bom dia, filha, — ela sussurra e desliga.

Ando até o banheiro e escovo os dentes, retocando o batom e ajeitando meu cabelo. Coloco o óculos de sol e vou até a garagem. Lá, vejo meu carro parado próximo a uma coluna. Entro no carro e ajeito o banco. O cheiro de perfume masculino invade meu ser e eu sorrio à toa. Coloco o endereço da empresa no celular e saio, às 8:20. O trajeto é rápido e, em meia hora, chego no estacionamento da empresa. Apresento meu crachá e estaciono o carro em uma sombra. Ando até a entrada principal e vejo Tessa, com a mão na cabeça e uma cara feia.

— Eu estou com a pior ressaca da minha vida, — ela diz, fazendo um bico com a boca. Faço uma cara de dó e ando em direção aos elevadores depois de lhe mandar alguns beijos.

O corredor do terceiro andar está vazio. Enquanto passo por algumas portas, ouço vozes e risadas. Chego na porta da minha sala provisória e o cheiro de perfume masculino chama minha atenção. Sorrio, percebendo que eu sei exatamente de quem é esse perfume. Entro na sala e vejo a pasta aberta, com várias canetas coloridas espalhadas pela mesa. Guardo meus óculos de sol e penduro minha bolsa. Tiro os sapatos e sento na cadeira de couro, cruzando as pernas. Ligo o computador e, depois de respirar fundo, começo a trabalhar.

Estou de pé, com uma caneta de lousa na mão direita e alguns documentos na mão esquerda. Seguro um dos papéis com a boca enquanto escrevo no vidro. Aperto o play de um vídeo em que o Sheik está sendo entrevistado sobre os futuros projetos dele. Anoto alguns pontos principais e pauso o vídeo. Separo os documentos que eu já analisei e olho para as minhas anotações na parede. Há alguns post-its coloridos espalhados e setas que conectam todas as informações. Começo a ler sobre um dos pontos que a Herondale’s quer no contrato e escuto meu estômago roncar. Decido tirar um intervalo e vejo que são 14:20. Desço até o primeiro andar e vejo uma placa que indica o refeitório. Vou andando até lá e vejo que há um grande salão acoplado a recepção do prédio. Há diversas comidas quentes, saladas, e alguns sanduíches prontos. Decido comer uma salada e tomar um suco de morango. Entrego meu cartão e vejo o rapaz, de cerca de 17 anos, corar.

— Você não precisa pagar. As refeições estão inclusas na sua estadia, Srta. Fray, — ele diz, desviando o olhar e devolvendo o cartão. Sorrio, envergonhada, e agradeço.

Sento em uma das mesas e como em silêncio, apreciando cada gole do meu suco. Quando estou satisfeita, levo meu prato até o local de devolução das bandejas e volto para a minha sala. Na saída do refeitório, no entanto, pego uma maçã. Chego na sala e, enquanto como a maçã, mando uma mensagem para Jace:

Eu acredito ser capaz de pagar pelas minhas refeições. — XX

Ele responde em seguida:

Você só foi comer agora?

Sorrio com a resposta, balançando a cabeça.

Sim. Foi um dia… Produtivo

Guardo o celular e volto ao trabalho, jogando o caroço da maçã no lixo. Começo a ler os pontos principais do contrato e apago algumas das minhas anotações, mudando alguns argumentos e favorecendo mais a empresa. Assisto mais algumas entrevistas e leio algumas reportagens. Decido pesquisar mais sobre a esposa falecida do Sheik. Acho uma entrevista de alguns anos atrás. Ambos estão bem elegantes, prestes a entrar em uma festa em Dubai. A mulher não fala nada, mas o que chama minha atenção é o que o Sheik fala. Ao ser questionado sobre o motivo por trás de ter escolhido os negócios como carreira, ele diz: “A vida é feita de escolhas. Eu queria orgulhar meu pai. Escolhi os negócios porque tinha facilidade com os números. Houve uma crise muito grande na região e o petróleo não estava mais vendendo como antes. Fiquei desesperado. E, se não fosse pela minha esposa, eu provavelmente teria desistido de tudo. Ela me mostrou que eu deveria ser apaixonado pelos negócios para que funcionasse. E foi isso que aconteceu. Hoje, eu sou um dos homens mais bem-sucedidos do mundo. E tenho certeza que meu pai está orgulhoso.”

Paro um minuto, sentada na mesa, com uma caneta em cada mão. “Eu queria orgulhar meu pai.” A frase parece repetir na minha mente. Balanço a cabeça, tentando, em vão, ignorar as semelhanças entre eu e ele. “Tinha facilidade com isso.” A fala dele parece dar nós na minha cabeça. Vou até uma parte limpa da lousa de vidro. Começo a escrever palavras ao redor de todo o quadro com uma caneta preta. Aceitação, amor, orgulho, pai, esposa, paixão. Circulo ‘pai’ e ‘esposa’ de azul. Circulo ‘amor’ e ‘orgulho’ de vermelho. E, por fim, circulo ‘aceitação’ de verde. Todas as informações apontam para essa palavra. A maneira como ele quis orgulhar seu pai. Os objetivos dele como a maior empresa que vende petróleo para o hemisfério Oeste. Como ele lutou para se tornar essa empresa, mesmo com todos os preconceitos em relação ao Oriente Médio. O jeito como ele olhava para a esposa, procurando um sorriso de aprovação. Tudo fazia sentido. Sorri, dando uns pulinhos de felicidade. Isso! Era assim que eu ia fechar o contrato.

Ouço uma batida na porta e ajeito minha roupa, colocando meus sapatos e arrumando meu cabelo. Tessa coloca sua cabeça para dentro da sala com uma cara extremamente séria. Ela aponta com a cabeça, me guiando para a sala do Sr. Herondale. Fico confusa e, quando entro na sala, quase caio no chão. Meu irmão está vestido com um terno totalmente preto e uma gravata cinza-escuro. Seus cabelos louros estão penteados para trás e sua barba está por fazer. Seus olhos verdes escuros, quase pretos, encontram os meus. Ele dá um meio sorriso e arqueia uma sobrancelha.

— Surpresa, — ele diz com nenhuma animação. — Estava com saudades?

— Jonathan? — pergunto, duvidando da minha própria sanidade. — O que você está fazendo aqui?

— Uau, — ele me encara. — Eu esperava uma reação um pouco mais calorosa, — ele diz. Seus olhos brilham e, pela primeira vez, vejo que ele estava sendo sincero em relação às saudades. Corro para os seus braços e sinto-os me envolverem enquanto enterro meu rosto no seu pescoço. — Senti sua falta, Clary, — ele sussurra no meu ouvido para que apenas eu possa ouvi-lo.

— Eu também senti sua falta, — digo, me afastando dele.

— Bom, — ouço Stephan Herondale quebrar o silêncio e lembro da nossa platéia. Olho em volta e vejo que tanto Will, quanto Jace, estão na sala. Will, encostado no sofá, parece interessado em seus próprios sapatos. Jace, apoiado em uma das paredes, parece bravo. Realmente puto com alguma coisa. Tessa, no outro canto da sala, está vermelha. E Stephan, sentado em sua poltrona, nos observa. — Agora que vocês já se encontraram, vamos lhe informar de algumas coisas, Clarissa.

— Sim, claro, — digo, recuperando a compostura. Me afasto levemente do meu irmão, mas permanecemos próximos. Ele me olha de lado e eu seguro um sorriso.

— Seu irmão está aqui para nos informar de algumas mudanças de plano, — ele diz, incerto. Olho para Jonathan, esperando uma resposta. Ele me encara, respirando fundo.

— Primeiramente, eu gostaria de dizer que estava com saudades, — ele diz, sorrindo. Sinto meu sangue gelar.

— O que aconteceu? — pergunto, minha voz baixa.

— Nada, só algumas mudanças de plano, — ele diz, dando de ombro. — Papai decidiu que precisa de você na Índia. Para um contrato.

— Ele prometeu que eu teria férias quando eu voltasse da Itália.

— Ele precisa de você lá agora, Clarissa, — seu tom de voz faz com que eu me encolha. Me repreendendo, como um pai repreende a filha. Sinto meu estômago se revirar.

— Como assim? E o Sheik?

— Bom, como nenhum contrato foi assinado com os Herondales em relação a sua presença na Itália, não há muito o que fazer. Eles terão que achar outra pessoa para fechar o contrato com o Sheik.

— Jonathan…

— Papai já comprou sua passagem, Clarissa.

— Não, — digo. Minha voz, firme e alta, me assusta. Jonathan levanta as sobrancelhas, surpreso com a minha recusa.

— Como assim, não?

— Não vou para a Índia. Eu me comprometi com os Herondales. Eles me deram um lugar para dormir, comida e uma sala…

— O mínimo…

— E eu não vou sair daqui sem fechar esse contrato, — termino, ignorando a sua interrupção. Levanto levemente o queixo, arqueando uma sobrancelha. Encaro-o, observando enquanto ele fica vermelho e sua boca se torna uma linha fina. Sabia que eu estava brincando com fogo, mas não ía cair fora. Respiro fundo e mantenho minha posição.

— Você trabalha para os Morgenstern. Não para eles. A sua casa, até o seu maldito carro, pertecem aquela empresa. Você não pode simplesmente negar um contrato, — ele diz. Sua voz baixa causa arrepios em minha espinha.

— Não estou negando um contrato. Estou apenas adiando… — Sua mão agarra meu braço enquanto seus olhos me encaram. Antes que eu possa fazer algo, Will me puxa para trás e Jace empurra Jonathan, entrando na minha frente. Stephan se levanta, batendo na mesa e chamando a atenção de todos.

— Eu não sei, e não quero saber, como seu pai te criou, rapaz. Mas você não vai tocar em ninguém dentro da minha empresa, — seu rosto está vermelho de raiva. Vejo, em seus olhos, como ele conquistou o império que ele conquistou. — Clarissa, você não tem nenhum contrato com a Herondale’s…

— Pai, — Jace diz.

— Não me interrompa, Jace. Faça o que você achar melhor, — ele diz, olhando para mim. — Mas sejam adultos e parem de agir como bárbaros.

— Eu não vou para a Índia. Se papai quiser, eu vou daqui três meses. Mas, agora, eu vou fechar esse contrato, — digo olhando para Stephan. Vejo um brilho em seus olhos e sorrio.

— Você não pode. Você trabalha para o papai e, se ele quiser que você vai para a Índia, você vai, — Jonathan diz, me encarando como se eu fosse louca.

— Ela trabalha para o seu pai. Ela não é uma escrava, — Jace diz.

— Você só diz isso porque quer comer ela, — Jonathan responde com desdém. Não sei como aconteceu. Não sei como cheguei nele tão rápido. Como passei por Will e Jace sem eles verem. Apenas senti minha mão arder ao ir de encontro à bochecha do meu irmão. Ele se afasta, surpreso, enquanto eu o encaro. Meu estômago parece afundar.

— Não se atreva… Não ouse falar assim de mim. Se eu não posso fazer o que eu bem quero nessa merda, só porque eu trabalho para o papai, então eu me demito. Tenho certeza que muitas empresas gostariam de me contratar, — cuspo as palavras, tremendo de raiva. Sinto lágrimas encherem meus olhos enquanto encaro meu irmão. — Estou cansada de ser uma boneca de pano que é jogada de lá para cá, fechando contratos para pessoas que nem ligam para mim, — me viro para o Sr. Herondale. Vejo seus olhos arregalados e sua boca aberta. — Eu vou ficar aqui por três meses e vou fechar o contrato que eu me comprometi em fechar, — digo, tentando não derramar nenhuma lágrima.

— Por que? — Jonathan pergunta. Sua voz fria, sem emoções. Encaro-o de novo.

— Porque em três dias, essas pessoas me trataram melhor do que Valentim jamais tratou. Em três dias, — digo e saio da sala, entrando no meu escritório e batendo a porta. Me tranco no banheiro e vomito tudo que comi no almoço. Meu corpo treme enquanto eu me apoio na parede do banheiro, sentando no chão.

Notas finais
E aí, meus amores? O que acharam? Espero que tenham gostado!! Eu amei escrever esse capítulo. Já estava na hora da Clary tomar as rédeas dessa família, vocês não acham? O cap. ficou meio curto, mas vou tentar fazer o próximo mais longo. Bom, gostaria de agradecer quem comentou! Vocês fizeram meus dias, sabiam? Adoreeeei os comentários e, como prometido, postei depois de 10 :) Devo postar outro cap. no fim de semana, ok? Como disse, ando bem inspirada :) Comentem o que vocês acharam do capítulo e o que vocês querem ver nos próximos! Adoro sugestões... Comentem, favoritem e, se acharem que a fic merece, recomendem! Beijos, beijos