How to Love

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Olá gente, tudo bem? Bom, aqui está mais um capítulo fresquinho pra vocês! Espero que gostem! PS: Tem Malec pra vocês, lindezas

Vou até a cozinha e lavo os pratos do dia anterior. Meus lábios parecem queimar. Um sorriso bobo marca meu rosto enquanto eu enxugo e guardo os pratos. Termino de guardar as compras e vou até meu quarto. Meu celular toca e vejo o nome de Simon na tela.

— Simon, — atendo o telefone enquanto me jogo na cama.

— Clarissa Fairchild. Eu espero que você tenha uma ótima explicação para não ter atendido o telefone ontem e não ter me retornado hoje, — sua voz é séria e eu tenho que segurar a risada.

— Eu estava ocupada.

— Não é uma ótima explicação.

— Bom, ontem eu deixei o celular no quarto e não ouvi tocar. Hoje, fui fazer um tour pela cidade, — digo sorrindo.

— Acho que dá para melhorar.

— Simon!

— Tudo bem, tudo bem. Fiquei preocupado. Vi uma chamada perdida sua e depois sua mãe me ligou e contou o que aconteceu. Você está bem?

— Estou ótima, — sorrio. Mordo o lábio pensando na voz rouca de Jace.

— A Itália parece estar te fazendo bem, — ele ri. Reviro os olhos, sorrindo ao notar o quão bem ele me conhece.

— Muito bem.

— Realmente.

— Sim.

— Eu embarco amanhã de noite, — ele diz, mudando de assunto. Posso imaginá-lo balançando a cabeça e sorrindo, seus óculos escorregando para a ponta de seu nariz, seus cachos castanhos caindo em sua testa.

— Já arrumou tudo?

— Sim. Falta só a mala, — ele diz rindo. Sua risada contagiosa se torna uma gargalhada e, logo depois, estamos com falta de ar de tanto rir.

— Estou com saudades, — digo sem pensar.

— Uau, Fray, você tem um coração?

— Muito engraçado, Lewis, — digo sorrindo. — Sei lá. É que eu trabalho tanto. Não percebi quanto tempo faz que a gente riu assim, por coisas bobas.

— Sim, eu sei. Você precisa de férias. Ou, ganhar na loteria. Daí você pede as contas e a gente viaja o mundo. Você com seu caderno de desenhos e eu com o meu violão.

— Nossa, — fecho os olhos. Imagino a gente num banco, em uma praça. Eu desenhando um casal idoso enquanto Simon canta uma música. — Isso seria incrível, — sussurro.

— Seria, — ele diz. Sua voz séria mostra que ele está imaginando, provavelmente, a mesma coisa que eu. — Bom, embora eu ame sonhar acordado, você precisa dormir.

— Sim, senhor.

— Amanhã eu te aviso quando estiver saindo, ok?

— Tudo bem. Te amo.

— Também te amo, — ele diz antes de desligar.

Levanto da cama e vou até o banheiro. Depois de trocar de roupa, colocando uma camisola verde claro, escovo os dentes e vou para a cama. Pego meu celular e vejo uma foto minha e de Jonathan. Digito seu número e espero ele atender. A ligação cai na caixa-postal, como sempre. Reviro os olhos e coloco um alarme para o dia seguinte e apago as luzes, deixando a janela aberta. Abraço o travesseiro e fecho os olhos, sendo engolida por olhos dourados.

—-

Acordo com um barulho insistente. A cortina, semi-aberta, permite que a luz do sol invada o quarto. Uma brisa suave me refresca enquanto eu me sento. Desligo o alarme do celular e me espreguiço. Levanto e ando até o banheiro. Faço a minha higiene matinal e entro no chuveiro. Decido não lavar o cabelo e apenas tomo um banho rápido. Passo um creme no corpo e coloco um shorts jeans e uma camiseta branca. Desço até a recepção e vou tomar café. São 9:30 da manhã e, depois de perguntar para a recepcionista, descubro que o café é servido todo dia, até as 10:00. Ando até um salão com paredes grossas, de pedras, e janelas coloridas. Uma longa mesa contém queijos, pães, ovos, bacon e geleias. Em outra, à direita, há sucos e café. Ando até a mesa e pego um pão, manteiga e uma fatia de queijo. Depois de deixar meu prato em uma mesa, pego um copo de suco de laranja e uma xícara de café. Depois de comer tudo e voltar para o quarto, ligo para Tessa.

— Clary, — ela atende no segundo toque.

— Oi, — digo.

— Devo chegar aí em uns cinco minutos. Pra gente ir alugar o carro. Desculpa, eu esqueci totalmente de ligar para avisar, — ela fala apressada entre uma buzina e outra. Sorrio.

— Sem problemas. Vou te esperar na recepção, — digo andando até o banheiro. Ela murmura alguma coisa e desliga.

Escovo os dentes e passo um perfume e desodorante. Dou uma penteada no cabelo e coloco meus óculos escuros da Ray Ban. Pego a minha bolsa e desço para a recepção. Assim que saio do prédio, vejo um Lexus ES vermelho. Tessa desce do carro e vem em minha direção. Seus cabelos estão presos em um rabo de cavalo e ela usa um vestido curto de alça. O azul claro do vestido realça seus olhos cinzas. Ela usa uma sapatilha branca e há um colar em seu pescoço que chama a minha atenção.

— Isso é um anjo? — pergunto assim que ela me abraça.

— Sim, — ela diz rindo e dando de ombros. — É um anjo mecânico. Herança de família. É meio antiquado, mas me dá sorte.

— Eu amei, — digo indo em direção ao carro.

— Vamos, precisamos escolher um carro digno de você, — seu sotaque americano faz com que eu me sinta tranquila, embora ela fale rapidamente.

— Sim, eu concordo, — digo rindo.

Ela dirige pelas ruas de Roma de maneira rápida e, depois de nos afastarmos um pouco da cidade, em direção ao aeroporto, chegamos no lugar que aluga carros. Um senhor de idade nos atende, pedindo a minha carteira de motorista. Ele fala em italiano com ela e eu mordo o lábio, frustrada. Depois de alguns momentos, ele me entrega um papel e nos direciona a uma sessão com vários carros grandes. Após muita insistência de Tessa, escolho uma BMW 7, conversível.

— Bom, vou dar um jantar em casa, hoje. É para comemorar meu aniversário, que é daqui dois dias, — ela diz sorrindo. — Vou te mandar uma mensagem com o endereço, ok? Eu te vejo lá às 18:30.

— Tudo bem. Eu preciso usar alguma coisa especial?

— Não. Vai bastante gente chique, então se você quiser usar uma roupa mais séria, pode ser. Nada de longo, viu? — ela diz rindo.

Concordo com ela e nos despedimos. Entro no carro e deixo o cheiro de carro novo encher meu nariz. Coloco o endereço do hotel no celular e dirijo tranquilamente até a cidade. Enfrento algum trânsito, mas chego antes do meio-dia. Depois de alguns segundos procurando, encontro a entrada para a garagem do hotel, na rua ao lado. Estaciono o carro e ando até uma lanchonete perto do hotel. Peço um sanduíche vegetariano e um suco de maracujá. O lugar, decorado com centenas de quadros e garrafas de cerveja, é aconchegante e pequeno. Sento-me em um banco e espero minha comida. Alguns minutos depois, uma mulher de cabelos grisalhos e sorriso gentil me traz uma sacola com minha comida. Agradeço e vou até o caixa, onde pego um panfleto e pago a refeição. Ando para o hotel e, quando chego no quarto, como o lanche. O gosto do molho da salada explode em minha boca e eu reviro os olhos de prazer. Tomo meu suco de maracujá e decido tirar um cochilo. Deixo a janela aberta e coloco um viseira, deitando na minha cama. Abraço um travesseiro e, antes que eu perceba, pego no sono.

Acordo algum tempo depois, com uma buzina. Tiro a viseira e me levanto, notando que já são 15:20. Vou até o banheiro e encaro meu reflexo. Meu corpo magro, sem muitas curvas. Meu rosto, marcado por sardas. Meus olhos, grandes demais. Meu cabelo… Meu Deus! Tiro a roupa e entro no chuveiro, molhando meu cabelo e massageando a minha cabeça. A água, morna, relaxa meu corpo e desfaz alguns nós. Passo o shampoo e o condicionador, enxaguando em seguida. Passo um sabonete líquido pelo corpo e, quando enxáguo-o, desligo o chuveiro. Enrolo meu cabelo em uma toalha e seco meu corpo com outra. Espalho um creme de morango pelo meu corpo, sorrindo com o cheiro. Coloco uma lingerie preta e vou até o closet. Olho em volta, mordendo o lábio enquanto decido que roupa usar. Pego um vestido azul royal, curto. Jogo o vestido em cima da cama e volto para o banheiro. Depois de tirar a toalha do cabelo e penteá-lo, ligo o secador. Dou uma secada rápida, escovando-o. Antes que ele fique totalmente liso, desligo o secador e começo a fazer alguns cachos. Quando estou satisfeita com o resultado, começo a fazer a maquiagem. Escolho uma sombra marrom, espalhando-a de uma maneira que não chame muita atenção. Passo um lápis preto e um rímel que aumenta meu cílios. Depois de cobrir todas as minhas imperfeições e passar um batom cor de boca, olho no espelho. Sorrio com o meu reflexo. Meus cabelos ruivos parecem brilhar, com cachos caindo em cascatas. Meu rosto está maquiado discretamente e meus olhos estão bem verdes. Vou para o quarto e coloco o vestido. O sutiã, sem alça, fica perfeito com o decote do vestido. Depois de andar de um lado para o outro, decido colocar um sapato de salto médio, nude. A cor faz eu parecer mais alta, além de combinar com o vestido, e eu fico satisfeita. Passo meu perfume favorito, Euphoria, do Calvin Klein. Quando estou pronta, pego uma bolsa nude e coloco meus documentos, algumas notas de dinheiro, meu cartão e meu celular. Olho no relógio e vejo que são 17:15. Reviro os olhos e saio do quarto.

Pergunto a recepcionista se há alguma loja de presente por perto e ela me indica uma, cerca de três quadras para baixo. Mordo o lábio e decido ir de carro. Estaciono na rua do lado, já que na frente da loja era proibido. Entro apressada e fico uns 15 minutos escolhendo. Depois de andar em volta, passando pelo mesmo corredor 3 vezes, paro na sessão de jóias. Vejo uma pulseira de pérolas e sorrio. Escolho a pulseira com uma sensação de que Tessa irá amar. Vou até o caixa e pago 60 euros. Tomara que a comida seja boa, penso enquanto volto para o carro com um embrulho nas mãos. Checo meu celular e vejo a mensagem de Tessa com o endereço. Coloco no Google Maps e vejo que o trajeto demora 40 minutos por causa do trânsito. Olho no relógio e vejo que são 17:45. Sorrio de lado ao ver que irei chegar no horário e começo a dirigir. O trajeto é curto e a quantidade de carro me irrita. A cidade, no entanto, é belíssima. Quando o trânsito diminui, vejo que estou me afastando do centro. Entro em uma rua mais deserta e começo a rezar para estar no lugar certo. Uma fila de carros caros, indo em direção à uma casa enorme, responde às minhas preces. Depois de alguns minutos, chega a minha vez e eu entrego as chaves do carro para o manobrista. Respiro fundo, torcendo para que o meu vestido seja chique o suficiente para a festa.

Sigo o fluxo de convidados, deixando o meu presente com uma assistente e dando meu nome. Entro na casa e vou em direção ao quintal, onde o ‘jantar’ está ocorrendo. A vista da casa tira o meu fôlego. Uma escada de degraus largos leva para uma entrada principal com uma porta enorme de madeira. Há pelo menos três andares e eu me pergunto como uma pessoa pode ser dona de uma casa assim. As paredes são brancas e há diversas luzes no chão, iluminando toda a estrutura da casa. Algumas janelas estão acesas, revelando salas enormes com pinturas maravilhosas. Uma escada, mais discreta, leva para o quintal. O caminho é coberto de flores e me lembra um jardim britânico. Um gramado extenso envolve uma piscina enorme, no fundo da casa. Um vidro grosso cobre a piscina e algumas pessoas estão acomodadas em mesas na área. Uma segunda casa, com uma cozinha exposta, está lotada de cozinheiros e garçons enquanto a comida é preparada. Os convidados estão sendo direcionados para suas respectivas mesas e, enquanto espero a minha vez, noto a decoração. Flores, rosas e brancas, estão em todas as mesas e em arranjos espalhados pelo quintal. Há luzes azuladas por todo lado, dando um efeito de meia-luz para o ambiente que ainda está iluminado pelo sol. Uma varanda da casa principal está acesa e alguns convidados estão lá, conversando. Uma mulher de cabelos pretos e olhos azuis procura meu nome na lista. Seu batom vermelho me intimida e ela sorri forçado enquanto me leva para a mesa.

— Clary, — ouço Tessa gritar. Vejo seus cabelos castanhos presos em um coque bagunçado e seus olhos cinzas-azulados brilharem. Um vestido longo, vinho, marca suas curvas exuberantes. Ela sorri e me abraça.

— Achei que não pudesse vir de longo, — sussurro em seu ouvido. Ela ri alto.

— Eu sou a aniversariante e eu posso tudo, — ela sussurra de volta, dando uma piscadela.

— Uau, Clary, — Will diz, me puxando para um abraço. — Você está linda.

— Ah, então essa é a Clary, — ouço alguém dizer. Seus cabelos, castanho escuro com as pontas prateadas, tiram o meu fôlego. Seus olhos escuros parecem dançar enquanto ele me abraça. — Eu sou Jem.

— Prazer, Clary, — digo. Ele sorri e revira os olhos, se afastando de mim. Percebo que ele não está olhando para mim e me viro, sendo engolida por olhos dourados. Jace está usando um terno azul escuro, com uma gravata dourada. Seus cabelos estão penteados e sua barba está feita. Seus olhos brilham, me atraindo. Ele sorri de lado, me abraçando.

— Você está linda, — ele sussurra no meu ouvido. Sua voz rouca causa arrepios por todo o meu corpo e eu sufoco a vontade de jogá-lo contra uma parede e beijá-lo.

— Você não está nada mal, — digo enquanto me afasto. Ele sorri e me leva em direção a mesa.

— Estes são Isabelle e Alec Lightwood, — ele diz, apontando duas pessoas. O homem tem olhos azuis e um cabelo preto. Ele é alto e esbelto. Seguro um sorriso ao pensar em minha mãe dizendo que este homem é “um perigo e um partidão ao mesmo tempo.” A mulher tem olhos escuros e cabelos pretos. A semelhança de sorriso confirma que eles são irmãos. Um vestido vermelho vivo realça cada curva do corpo dela e faz com que eu morda o lábio, frustrada. Ela sorri.

— Jace, eu conheço ela. Vi ela enquanto saía da sua sala, na sexta, lembra? — ela diz. Sua voz doce me enjoa. A lembrança dela saindo do escritório de Jace faz com que eu me pergunte qual a relação deles. — Pode me chamar de Izzy. Este é meu irmão, Alec.

— Prazer, — ele diz, distraído. Seus olhos acendem quando ele vê alguém e se afasta. Jace apenas dá de ombros.

Sento-me em uma das cadeiras e noto que essa é a mesa principal. Todos os convidados parecem querer se aproximar de nós, puxando assunto ou apenas acenando. Jace senta-se ao meu lado e chama um garçom que serve uma taça de champagne para cada um. Ele me encara, seus olhos queimando cada pedaço do meu corpo. Ele está encostado de maneira relaxada na cadeira, seus dedos desenhando a taça em suas mãos. Desvio o olhar quando Alec chega com um homem alto, sorridente.

— Oh, meu Deus! Magnus, — digo levantando e abraçando-o. Seus cabelos espetados e seus olhos puxados são os mesmos da minha infância, quando ele era o meu terapeuta.

— Biscoito, — ele diz, me envolvendo em um abraço apertado. — Você está linda!

— Ah, Magnus, que saudade! Não acredito que a gente está se reencontrando em Roma, — digo rindo. Ele sorri.

— Pois é. Que mundo pequeno, não? Alec, amor, eu era o terapeuta dessa doçura quando ela tinha uns oito anos, — ele diz, envolvendo Alec pela cintura.

— Nossa, que coincidência, — Alec diz, sorrindo. De repente, ele parece muito mais interessado em mim. Depois de me contar que, assim que ele mudou-se para Londres, ele conheceu Alec e decidiu parar de trabalhar como terapeuta, Magnus vai pegar um drinque. Volto a me sentar e reparo no terno roxo dele, sorrindo enquanto me lembro das nossas sessões de terapia.

— Fiquei sabendo que você alugou uma BMW, — Jace diz depois de algum tempo.

— Sim. A Tessa insistiu e eu não pude resistir, — digo.

— Fico feliz. Você não vai beber essa champagne?

— Senhoras e senhores, como mudar de assunto discretamente, — comento rindo. Ele me acompanha e dá de ombros.

— Senhoras e senhores, como evitar uma pergunta, — ele responde. Seus olhos parecem dançar.

— Eu estou dirigindo.

— Está me dizendo que você vai ficar incapacitada com uma taça?

— Claro que não, — digo. Ele arqueia uma sobrancelha.

— Então porque…

— Porque eu tenho medo, — sussurro. Ele me encara. — Meu pai é alcoólatra. Tenho medo de… Eu só bebo vinho, — minha voz é tão baixa que me pergunto se falei isso em voz alta. Seus olhos dourados não estão mais divertidos. Ele me analisa, observando cada movimento meu. Sinto-me exposta.

— Você nunca bebeu nada além de vinho? — ele murmura.

— Não. Nada além de vinho. Minha mãe me ensinou a manter o controle com o vinho, para situações sociais. Não bebo nada além disso. Tenho medo de ficar como ele, sabe? Violenta, — seus olhos escurecem e sinto seu corpo ficar tenso.

— Nossa, vocês dois parecem estar discutindo o destino do mundo, — Tessa grita do outro lado da mesa. Todos riem enquanto eu coro. Jace continua me encarando.

— Nada demais, — respondo depois de algum tempo. Isabelle parece me encarar. De repente a sala começa a girar e as vozes ficam muito altas. Não consigo respirar direito. — Licença, — murmuro antes de sair da mesa e ir em direção ao banheiro.

O lavabo, maior que o banheiro do meu apartamento, contém uma pia de mármore preto e um piso de pedra. O espelho enorme mostra o meu reflexo. O vestido arrumado, os cabelos brilhantes, a maquiagem impecável. E os olhos quebrados. Seguro as lágrimas enquanto lembro dos surtos do meu pai. Sua mão, sempre encontrando uma maneira de me bater. Sua boca, sempre cuspindo veneno. Respiro fundo enquanto meu corpo inteiro treme. Fico alguns segundos assim, apoiada na pia. Quando os espasmos param e minha respiração se acalma, vejo que não derramei nenhuma lágrima. Um sorriso hesitante representa meu orgulho por ter segurado a barra. Ajeito meu vestido e, depois de retocar o batom, saio do banheiro. Assim que eu abro a porta e ando em direção ao quintal, vejo Mortmain. Seus olhos castanhos encontram os meus e ele sorri. Fico paralisada, esperando ele se aproximar. Como um felino que encurrala sua presa, ele anda até mim. Quando seu corpo está perto o suficiente para eu sentir o cheiro de Whiskey em seu bafo, ele sorri.

— Não achei que você pudesse ficar mais bonita, — ele diz. Seus olhos deslizam pelo meu corpo e eu seguro a ânsia de vomitar. — Aparentemente eu me enganei. — Ele dá um passo em minha direção e eu me afasto, indo de encontro a um corpo enorme. Uma mão envolve a minha cintura de maneira protetora.

— Se você dá algum valor ao seu emprego, eu sugiro que você vá embora, — Jace sussurra. Sua voz é rouca e fria, se arrastando em cada palavra. Mortmain fica pálido, se afastando. De repente, ele se vira e corre para a entrada da casa. Sinto minhas pernas ficarem bambas enquanto Jace me puxa para dentro de uma sala. — Eu deixo você sozinha por dois minutos e isso acontece? — suas mãos passam pelo seu cabelo, bagunçando-o, enquanto ele anda de um lado para o outro.

— Desculpe, — sussurro, me encolhendo. Ele para e me encara.

— Por que você está se desculpando?

— Não queria te deixar desse jeito, — digo. Minha voz soa fraca.

— Hey, — ele diz, me puxando para um abraço. Sua testa encosta na minha e seus cílios fazem cócegas em mim. — Você não tem que se desculpar por nada. Você tem que ficar bem e pronto, — ele diz. Suas mãos massageiam meus ombros, me relaxando. Ele se afasta e me encara. Seus olhos procurando os meus. Aceno com a cabeça e ele sorri. Depois de me abraçar novamente, ele me leva para fora da sala. — Pronta?

— Sempre, — digo sorrindo. Andamos juntos de volta à mesa e Tessa sorri ao nos ver.

O jantar é servido às 20:30. Eles servem uma salada Caprese maravilhosa. Depois, eu salivo ao ver o prato de ravioli na minha frente. O molho pesto está delicioso e a massa está perfeita. Como tudo e, quando estou cheia, vejo eles servirem a sobremesa. Antes de realmente comermos o bolo de morango com chocolate, cantamos parabéns para Tessa. Ela sorri e agradece a todos. O bolo, assim como todo o restante, está divino. Devoro até o último pedaço e, quando termino, sorrio de satisfação.

— Deus, vou ter que voltar para a academia desse jeito, — penso em voz alta. Magnus ri alto enquanto Jace se engasga com a champagne. Dou de ombros e tomo um gole de água. As pessoas começam a dançar e eu decido que preciso fazer um pouco de digestão antes de ir embora.

Levanto e puxo Jace pela mão. Seus olhos dourados parecem surpresos enquanto ele me segue até o gramado, onde todos estão dançando. Envolvo seu pescoço com os braços e começo a balançar o corpo levemente. Ele sorri, me acompanhando. Suas mãos estão na minha cintura enquanto dançamos. Seus dedos fazem um carinho suave na minha costela, causando arrepios pelo meu corpo. A música fica mais agitada e logo estamos pulando. Ele me gira, me puxando de volta de encontro ao seu peito. Dou risada enquanto ele tenta mais alguns passos. Ele ri junto comigo e logo estamos todos dançando. Will e Tessa parecem estar em um mundo particular enquanto Jem gira Isabelle. Alec e Magnus se beijam em um canto. O beijo é tão intenso que eu coro. A música fica lenta novamente e encosto a cabeça no ombro de Jace. Posso ouvir seu coração bater e sentir o calor da sua pele através do terno. Imagino como deve ser pegar no sono naquela posição.

— Acho que eu deveria ir, — murmuro sonolenta.

— Eu te levo, — ele diz suavemente, sua mão alisando meus cabelos.

— Não precisa, — digo me afastando. Meus olhos pesam.

— Clary, você não tem a mínima condição de dirigir.

— Eu estou bem…

— Clary, — seu tom é autoritário e seus olhos são sérios.

— Tudo bem, — digo, levantando as mãos em sinal de rendição. — Preciso me despedir de Tessa.

— A gente manda uma mensagem, — ele responde fazendo um sinal para Will, que acena de volta enquanto dança com Tessa. Voltamos para a mesa, onde eu pego a minha bolsa e me despeço de Alec e Magnus. Depois, quando passamos por Isabelle e Jem, acenamos sem atrapalhar a dança. Isabelle manda vários beijos e volta a dançar com Jem.

— Vamos, por aqui, — Jace me guia para uma outra saída.

— Hey, e meu carro?

— Tudo bem, vamos com o seu carro, — ele diz, revirando os olhos. Sorrio satisfeita. Quando chegamos na entrada da casa, Jace diz algo em italiano para o manobrista, que acena e sai andando.

— Eu preciso aprender italiano, — murmuro fazendo um bico. Seus olhos escurecem enquanto ele separa meus lábios com os dedos.

— Eu te ensino, — ele diz. Meu carro chega, me distraindo. Bocejo enquanto sento no assento do passageiro. Jace ajusta o banco e sai dirigindo. — Dorme, está tarde, — ele sussurra. Vejo que são 23:40 e bocejo de novo. Ele estica seu braço, sua mão fazendo um carinho no meu cabelo. Encosto a cabeça na janela e deixo a escuridão me engolir.

— Clary, — ouço uma voz distante me chamar. — Clary.

— Hmm, — murmuro me espreguiçando. Abro os olhos e encaro uma imensidão dourada. Ele sorri enquanto alisa meus cabelos. Sorrio de volta.

— Chegamos, — ele diz. Seus olhos analisam cada movimento meu. — Você consegue subir sozinha ou quer que eu vá com você?

— Isso seria perigoso, — digo, ainda encostada no banco. Seus olhos escurecem, o dourado praticamente inexistente.

— Seria, — ele concorda. Sua voz está rouca.

— Mas seria tão bom, — digo bocejando.

— Seria, — ele concorda novamente. Um sorriso minúsculo aparece, suavizando a expressão de predador do seu rosto.

— Acho que eu vou tentar ir sozinha. Obrigada pela carona, — murmuro, soltando o cinto. — Como que você…

— Não se preocupe com isso, — ele diz.

— Tudo bem, — eu respondo. O sono ofusca o meu raciocínio e eu me inclino, dando um beijo suave em sua bochecha. — Boa noite, — pego a minha bolsa e saio do carro, entrando no hotel em seguida. Não sei como chego no quarto, mas caio na cama sem trocar de roupa e pego no sono assim que tiro os sapatos e abraço o travesseiro.

Notas finais
E aí, meus amores? O que acharam? Bom, o último capítulo quase não teve comentários. Fiquei bem chateada e tal. Eu ía dividir esse capítulo em dois, mas achei melhor publicar assim mesmo. Como esse cap. está longo, eu só vou postar o próximo quando tiver 10 comentários. Ou, se não, só daqui duas semanas :( Obrigada para as pessoas que comentaram. Continuem acompanhando, favoritando, comentando e recomendando. E me falem o que vocês querem que eu escreva!! Obs: Estou super inspirada e não quero parar de postar toda semana, então comentem aí!! Beijos, Beijos