How to Love

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Olá gente, tudo bom? Bom, como prometido, estou de volta! Mais um capítulo fresquinho para vocês. Aproveitem!!

Uma brisa gelada bagunça meu coque. Mais ainda. Lembro que, logo depois que ele foi embora, preparei um chá e sentei na varanda. Não fazia ideia de quanto tempo fiquei alí. Sorrio ao lembrar de seus olhos preocupados, seu corpo musculoso com um sorriso de menino, parado na minha porta. A maneira como ele cuidou de mim. Coloco a xícara na mesa e encosto a cabeça na parede. Devo ter caído no sono. Acordo um tempo depois, com dor no pescoço. Olho em volta e o silêncio me abraça. Levo a xícara até a pia, fechando a porta da varanda. Depois de olhar em volta e constatar que vou precisar lavar louça de manhã, ando até o quarto. Meu celular, no criado-mudo, tem 11 chamadas perdidas. Há 3 do meu pai, 4 da minha mãe e 4 de Simon. Sinto minha cabeça doer e vejo que são 3:40. Diminuo a temperatura do ar e entro embaixo das cobertas, soltando meu cabelo. Abraço o travesseiro e fecho os olhos. Meu sono é tranquilo, sem sonhos. Apenas a escuridão, que me engole assim que eu me ajeito na cama.

Acordo com a luz do sol no meu rosto. Minha cabeça está dolorida e minhas pálpebras pesam. São 9:30 da manhã. Lembro de ter marcado com Jace às 11:00, então decido me levantar. Ando até o banheiro e, depois de lavar o rosto, entro embaixo do chuveiro. Lavo o cabelo, deixando a água relaxar meus músculos. Massageio meu couro cabeludo enquanto passo o shampoo, enxaguando-o em seguida. Demoro o máximo possível. Desligo o chuveiro e me seco. Depois de passar um creme no corpo, penteio meu cabelo, decidindo deixá-lo secar naturalmente. Meus olhos ainda estão levemente inchados e minhas sardas parecem brilhar. Reviro os olhos quando ouço meu estômago roncar. Ligo pra recepção, pedindo alguns pães e uma xícara de café preto. Vou até o armário e, depois de encarar cada peça de roupa, decido usar um shorts branco e uma camiseta verde claro. Coloco uma sandália branca, sem salto, e vou fazer minha maquiagem. A camareira bate na porta e meu estômago ronca novamente. Depois de agradecer e comer todo o café-da-manhã, decido ligar para minha mãe. Ela atende no segundo toque.

— Clarissa, você tem noção da minha preocupação? — ela pergunta antes que eu possa falar qualquer coisa.

— Desculpa, mãe, — digo. Minha voz sai seca, cansada.

— Ah, filha! Como você está?

— Estou bem.

— Filha, não precisa mentir para…

— Não estou mentindo. Eu estou bem. De verdade.

— Seu pai é um cretino, idiota…

— Mãe. Para. Não aguento mais isso, de briga toda hora. Esquece o assunto e pronto, — digo, não querendo falar sobre a possibilidade de ir para o casamento. Penso na reação dela ao saber que eu consegui uma folga para o casamento e não para o aniversário dela.

— Ah, tudo bem. Não está mais aqui quem falou.

— Vamos mudar de assunto?

— Sim, claro. O que você vai fazer hoje? — sorrio com a pergunta.

— Um tour pela cidade, — digo, olhando no relógio e vendo que eram 10:40. — Na verdade, estou atrasada!

— Atrasada para um tour? — ela pergunta. Posso ouvir o sarcasmo na sua voz.

— É um ônibus mãe, daqueles turísticos.

— Na minha época havia um ônibus por hora.

— Bom, eu vou pegar o que passa às 11:00. Então a gente se fala mais tarde, — digo, desligando o telefone após mandar um beijo.

Levanto da cama e corro para o banheiro. Minha cara parece bem melhor, mas ainda há algumas marcas em volta dos meus olhos. O verde parece brilhar após tantas lágrimas. Decido ir sem maquiagem. Respiro fundo, pego a minha bolsa, e desço até a recepção. Onze horas em ponto. Jace está com uma calça bege e uma camiseta branca, encostado contra uma coluna, mexendo no celular. Ando em sua direção e cutuco seu braço. Ele levanta o olhar, seus olhos dourados encontrando os meus. Sorrio, realmente feliz por vê-lo.

— Bom dia, — ele diz. Sua voz rouca causando arrepios pelo meu corpo. Ele sorri, seus olhos brilhando.

— Bom dia! Pronto? — pergunto. Ele acena com a cabeça e eu enlaço meu braço no seu, puxando-o para a porta.

— Você está bem? — ele pergunta. Sua expressão é séria, mas posso ver o divertimento nos seus olhos.

— Sim. Tomei uma decisão na minha vida.

— Enquanto você dormia?

— Entre dormir na varanda e ir para a cama, eu acho, — ele arqueia a sobrancelha.

— Qual é a decisão?

— Eu decidi que, à partir de hoje, eu vou ser feliz. Vou fazer o que eu quiser, me divertir, dançar, desenhar, amar… E não vou me deixar abalar pelas coisas que acontecem na minha família. Eu decidi que eu vou viver minha própria vida, sem ninguém decidir mais nada por mim, — digo. Quando as palavras deixam a minha boca, percebo a simplicidade das coisas. A beleza das coisas. E, enquanto Jace sorri e me guia até o ponto de ônibus, colocando seus óculos escuros, seu braço ainda dado com o meu, me pergunto porque demorei tanto tempo para tomar essa decisão.

— Fico feliz por você, — sua voz demonstra toda a sinceridade que ele sente.

— Obrigada. Por tudo. Se não fosse por você, aparecendo no hotel ontem, eu não teria sido capaz de tomar essa decisão.

— Teria sim. Eu te conheço faz dois dias e já sei que você é uma das pessoas mais fortes que eu conheço, — ele diz. Seus olhos encaram os meus e, naquele momento, sinto que ele pode ver a minha alma. E pela primeira vez, não tenho medo disso.

Andamos até o ponto do ônibus e compramos nossas passagens. Às 11:30, entramos no ônibus e subimos até o segundo andar. Sentamos na última fileira e Jace me mostra o mapa das paradas. Colocamos o fone e ouvimos o tour enquanto o ônibus dirige pela cidade. Às vezes, durante alguns fatos, Jace comenta algo como “isso é um absurdo” ou “realmente, não dá para discordar disso.” Eu olho tudo em volta, apaixonada pelo sentimento de felicidade que enche meu peito. Vejo o Coliseu se aproximando e olho para Jace. Ele, por outro lado, parecia focado em mim. Seus olhos encaram os meus e há um sorriso tímido nos seus lábios.

— Vamos, — ele diz, pegando a minha mão e descendo comigo. Quando paramos, vamos para a fila onde compramos os ingressos para entrar no Coliseu. O anfiteatro é enorme e eu sou incapaz de tirar uma foto que pegue toda a estrutura. Depois de tentar tirar uma foto com o prédio atrás de mim — e falhar — Jace me puxa pela cintura e, com seu braço enorme, tira uma selfie nossa. A foto sai perfeita, com os dois sorrindo.

O tour é razoavelmente curto, mas o lugar é sensacional. Não consigo parar de tirar fotos e observar cada detalhe. Cada fato novo faz meus olhos brilharem e eu visito cada sessão do lugar. Na saída, compramos um sorvete e pegamos outro ônibus. Continuamos o passeio, descendo na Fontana di Trevi. As estátuas são lindas e, depois de caçar duas moedas na minha bolsa, eu e Jace nos viramos de costas e jogamos as moedas na fonte. Ele revira os olhos, rindo, enquanto eu vejo cada detalhe da fonte e tento achar as nossas moedas. Tiramos mais algumas fotos e seguimos para o Fórum Romano. As ruínas são de tirar o fôlego.

— Você já imaginou? Construir isso? Desenhar isso? — pergunto, olhando em volta.

— Deve ter sido incrível, quando estava completo, — Jace diz.

— Sim! Se é incrível agora e está em ruínas, imagina completo.

Decidimos parar um pouco e Jace escolhe um lugar para nós almoçarmos. Ele me guia por alguns becos e, antes que eu fale que ele está perdido, o beco se torna uma enorme praça com uma fonte no meio. Não há carros e os restaurantes espalham suas mesas pelo lugar. Vamos até um que é em frente à fonte, onde nos sentamos em uma sombra. As cadeiras e as mesas são pretas, e uma toalha vermelha e branca está colocada. O restaurante parece pequeno e afastado, mas posso sentir o cheiro da comida. Uma brisa suave bagunça meus cabelos e eu tento prendê-los enquanto Jace tenta, disfarçadamente, não rir de mim. Reviro os olhos e uma garçonete aparece.

— Cosa posso aiutarti? — ela diz. Sua voz é suave e seus olhos secam Jace. Mordo o lábio, tentando não sorrir.

— Due penne con salsa di casa, per favore, — Jace responde, sem olhá-la nos olhos. — E una bottiglia di Massolino, — a garota se afasta, levando os cardápios.

Conversamos sobre o passeio enquanto a comida não chega. Quando os nossos pratos chegam, junto com o vinho, sinto meu estômago tremer. O penne está delicioso e o molho é espetacular. Reviro os olhos de prazer ao sentir todos os sabores de pimenta, queijo, tomate, massa, sal e ervas. O vinho é maravilhoso e eu não falo nada até terminar de comer. Quando acabo, Jace sorri e me olha, esperando uma resposta.

— Estava maravilhoso, — digo, limpando a boca com um guardanapo.

— Eu percebi, — ele diz, sorrindo torto e levantando as sobrancelhas.

— Muito engraçado, Jace, — digo. Não consigo evitar rir, no entanto. Ele se junta a mim e, logo, estamos gargalhando. A garçonete vem e pergunta mais alguma coisa. Jace pede a conta em inglês e, quando eu estico a mão para a minha bolsa, ele me impede.

— Você pagou a conta da pizza. Essa é minha, — ele diz. Seus olhos sérios fazem eu sorrir.

— Eu ainda estou te devendo as caronas, — digo.

— A carona. Singular.

— Ainda estou devendo.

— A gente fala disso mais tarde. Estava pensando em irmos para o Vaticano agora. O que acha? — sorrio com a mudança de assunto.

— Tudo bem. Eu pago os ingressos.

— Cuidado, — ele diz rindo e balançando a cabeça. — Eu posso me acostumar com isso.

Depois de deixar uma gorjeta para a garçonete, vamos ao ponto de ônibus e entramos. O trânsito, levemente mais intenso, faz com que a nossa ida para o Vaticano demore um pouco mais. Aproveitamos a vista do segundo andar para conversarmos sobre amenidades. Ele me conta que, quando tinha 5 anos, seu presente de aniversário foi tomar banho de macarrão. Por isso, quando o pai dele disse que estavam mudando a sede para a Itália, ele concordou na hora. Rio do seu jeito inocente de falar, contando que quando eu era pequena, queria entrar em uma máquina de lavar. E ligar ela. Ele arregala os olhos, rindo de mim. Eu dou de ombros. Depois de mais alguns minutos, chegamos no Vaticano. Quando ele se levanta, me levando com ele. Perco o fôlego. A Basílica de São Pedro é inacreditável. Uma praça enorme, em semicírculo, marca a entrada da Basílica. As estátuas dos santos decoram as colunas, enquanto a Basílica é uma estrutura enorme atrás dele. Jace me puxa, fazendo com que a gente, de fato, desça do ônibus. Andamos até a entrada e, Deus, como o lugar era lindo. Antes que eu perceba, abraço Jace. Ele parece surpreso, mas me abraça de volta. Compramos os ingressos, comigo pagando, e entramos. O lugar é sensacional. O tour, incluso no pacote, nos leva até a Capela Sistina. Passamos pela Pietá, uma das estátuas mais incríveis do mundo. Michelangelo criou, em pedra, uma mulher carregando o corpo de seu filho. De acordo com a Igreja, a estátua mostra Maria carregando Jesus. Olho os detalhes, a maneira como as mãos estão formadas, a perfeição de cada membro. Seguimos o tour até a Capela Sistina. Sou obrigada a colocar um pano para cobrir as pernas, já que não é permitido entrar de shorts. Lá dentro, sinto lágrimas encherem meus olhos. O teto é impecável. Perfeito. Cada pintura, cada detalhe. A maneira como as cores parecem brilhar, iluminando a sala. Se dependesse de mim, passaria uma semana alí, olhando para cada obra de arte. Jace pega a minha mão, me puxando. Ouço sua voz sussurrar que o tour está seguindo em frente. Dou uma última olhada nas pinturas e me deixo levar para fora do salão. Retiro o pano que amarrei nas pernas, guardando-o na bolsa. Ainda não acreditava que paguei 5 euros em um pano. Reviro os olhos enquanto andamos em direção à Basílica. Lá, olhamos as pinturas e o tamanho do lugar. O teto é tão alto que não me surpreende as pessoas acharem que essa Basílica era realmente divina. “Um pedaço do céu na Terra.” Uma vez que o tour termina, são 17:20. Fico surpresa em como o tempo passou. Pegamos o ônibus de volta e, antes de me deixar no hotel, Jace me acompanha até um mercadinho. Compro alguns pães, café, chocolate em pó, leite e queijos. Andamos de volta para o hotel e Jace me ajuda a carregar as coisas. Na cobertura, ele pega um copo de água e usa o banheiro.

— Obrigada pelo dia, — digo sem olhá-lo nos olhos. Deus, por quê era tão difícil dar tchau?

— Hey, está tudo bem?

— Sim, claro. Só estou triste que o dia acabou, — eu digo.

— Amanhã Tessa deve levá-la para alugar um carro. Ela me disse algo sobre um jantar, então a gente deve se ver amanhã também, — seus olhos brilham. Sinto uma vontade imensa de me afundar no dourado dos seus olhos, passando as mãos pelos seus cabelos. Mordendo seu lábio inferior. Seus olhos escurecem.

— A gente se vê amanhã então.

— Sim, a gente se vê.

— Obrigada de novo, — digo. A porta está aberta, mas ele não parece pronto para ir embora. Ele respira fundo e se afasta, andando em direção ao elevador. Quando penso que ele realmente vai embora, ele volta. Suas mãos estão nos meus cabelos. Cada uma de um lado do meu rosto. Seus olhos encontram os meus e, por um momento, não há mais nada nesse mundo. Nossos hálitos se misturam e sinto sua testa encostar na minha. Um suspiro sai do meu lábio e ele geme.

— Oh, Deus, — ele murmura, sua voz rouca. Seus olhos se fecham e seus lábios encostam nos meus. O toque é leve, como uma pena. De repente, sua língua pede passagem e minha boca se abre. O beijo ganha força, tornando-se feroz. Nossas línguas batalham pelo controle e, antes que eu perca a coragem, puxo seus cabelos e mordo seu lábio, passando a língua pelo local. Ele geme, me puxando para mais perto. Suas mãos deslizam pelo meu corpo, fazendo eu suspirar. O som das portas do elevador abrindo faz com que ele se afaste. Seus olhos parecem travar uma batalha interna. Ele encosta seus lábios nos meus de novo, mas antes que eu possa aprofundar o beijo, ele se afasta. — Boa noite, — ele sussurra contra os meus lábios. Então, ele entra no elevador e vai embora.

Fecho a porta e me encosto contra ela. Toco meus lábios com as pontas dos dedos, sentindo o calor do beijo de Jace. Antes que eu pense nas consequências, me pego sorrindo. E, quando fecho os olhos, vejo que esse foi o melhor dia da minha vida.

Notas finais
E aí, meus amores, o que acharam?? Espero que tenham gostado! Amei escrever esse capítulo e espero que vocês tenham amado o resultado. Não recebi muitos comentários no cap. passado, mas como eu fiquei um tempo sem postar, acho que pode ser isso! Domingo é meu aniversário, então eu só devo postar lá para quinta da semana que vem, ok? Comentem, favoritem, recomendem... PS: A tradução (do Google Translator) é: — Como posso ajudar? — Dois penes, com molho da casa, por favor. E uma garrafa Massolino (vinho).