How to Love

5 Capítulo 5 - Jace


Notas iniciais
Olá gente, tudo bem? Bom, desculpem a demora! A justificativa vai estar nas notas finais do capítulo. Espero que gostem do capítulo de hoje!

Ela estava linda. Ela era linda. Seus cabelos ruivos estavam soltos e desciam pelas suas costas em pequenas ondas. Suas roupas marcavam seu corpo, delineando todas as suas curvas. Desviei o olhar quando percebi que estava encarando-a. Ela pegou sua bolsa e seu blazer e saiu, fechando a porta atrás de si. Andei ao seu lado, em silêncio, até o elevador.

— O que você quis dizer com ‘dia produtivo’? — pergunto, quebrando o silêncio. Vejo seu corpo relaxar com o assunto e seguro um sorriso.

— Ah, você sabe. Tenho anotado todas as informações, selecionado as coisas importantes para o contrato e para as reuniões. Consegui fazer bastante coisa. E você, como foi seu dia? — ela pergunta, sorrindo. Aperto o botão do elevador antes de responder. Penso no meu dia, nas reuniões que tive, e nos relatórios que eu li.

— Foi um dia corrido, — digo. Ela me encara, seus olhos me analisando. Sinto-me exposto enquanto seus olhos tentam identificar os meus sentimentos. Ela acena com a cabeça e seguimos em silêncio até o primeiro andar.

Depois de alguns segundos, Tessa anda em nossa direção. Seus cabelos castanhos balançam com o movimento dos seus ombros e seus olhos cinzas avaliam cada movimento ao seu redor. Depois de entregar uma pasta para Clary, com o que eu assumo ser seu horário, ela sorri e acena com a cabeça, indo em direção a recepção. Vejo que Will está parado no balcão, esperando-a, e sorrio. Tessa é uma mulher linda que adora brincar com os sentimentos dele. Reviro os olhos quando Will segura-a pela cintura.

— Eles namoram? — Clary pergunta. Percebo que ela também observou a cena.

— É complicado. Ele gosta dela e ela gosta dele, mas…

— Então qual é o problema? — ela me corta, arqueando as sobrancelhas.

— O problema é que ele não admite os sentimentos dele. E ela gosta de outro cara também, então fica nesse vai e volta, — ela levanta as sobrancelhas, surpresa com a minha resposta. Andamos por alguns minutos, saindo do prédio e indo em direção ao estacionamento. Ela parece perdida em pensamentos enquanto entramos no carro.

— Espero que, quando eu gostar de alguém, eu não tenha dúvidas sobre isso, — ela murmura.

— Você quer dizer quando se apaixonar? — pergunto. Sua mente parece voar enquanto ela considera a minha pergunta.

— Sim, creio que sim. Não sei você, mas eu nunca me apaixonei por ninguém. Então espero que, quando acontecer, seja de tirar o fôlego, — ela dá de ombros. Seus olhos verdes parecem oscilar entre verde musgo e verde claro. Ela me olha, esperando uma resposta.

— Eu também, — digo. Ligo o carro e começo a dirigir em direção a cidade. Quando percebo que ela não vai falar mais nada, ligo o rádio. Uma música suave enche o carro, fazendo com que a viagem seja mais relaxante.

O caminho para o hotel é tranquilo. O sol de verão brilha, esquentando o dia. As folhas se movimentam com o vento, enquanto passamos pela estrada que leva à cidade. Pegamos um pouco de trânsito no centro, mas logo estamos na frente do hotel. Clary está com os olhos fechados. Sua expressão é relaxada e seus lábios formam as palavras que Sia canta no rádio. Sorrio. Ela percebe que o carro não está andando e abre os olhos. O verde me engole, fazendo com que eu perca o fôlego.

— Obrigada pela carona, Jace, — ela diz. Sua voz está levemente rouca e sinto uma pontada no meu pau.

— Nos veremos amanhã?

— Sim, claro, — ela diz, sorrindo. — Quer dizer, um homem como você irá, realmente, largar sua Lamborghini por um ônibus turístico?

— Muito engraçado, Clary, — digo enquanto desço do carro. Abro a porta para ela e a conduzo até a entrada do hotel.

— Que cavalheiro, — ela diz, arqueando uma sobrancelha.

— Eu sou Inglês. Tenho que ser um cavalheiro, — digo dando de ombros. Ela me encara, séria. E então ela ri. Sua risada enche meus ouvidos e meu coração. Depois de alguns minutos rindo, ela revira os olhos.

— A gente se vê amanhã, Jace. Às 11:00, pode ser?

— Parece perfeito, — digo. Ela se vira, entrando no hotel, e eu volto para o carro.

Dirijo rapidamente até em casa. O caminho é silencioso e, em meia hora, estou em casa. Estaciono o carro na garagem e vou direto para o quarto. Lá, tiro a minha roupa e entro no chuveiro. Deus, é a segunda vez que estou tomando um banho frio nesta semana. Não era possível. Ah, Clary, o que você está fazendo comigo? Deixo a água fria relaxar meu corpo enquanto alivio minha ereção com as mãos. Penso em todas as coisas indecentes que quero fazer com ela. Fecho os olhos, imaginando seus cabelos ruivos e seus olhos verdes. Todos os lugares de seu corpo que contém sardas. Sua boca rosada. Gozo em apenas alguns minutos. A água fria parece queimar meu corpo quente. Balanço a cabeça, tentando tirá-la da minha mente. Saio do chuveiro e pego uma toalha. Me seco, deixando a toalha pender do meu quadril. Ando até a cozinha e pego uma garrafa de Whiskey. Sirvo um copo e, em um gole, acabo com o líquido do copo. Sirvo outro copo. A bebida desce queimando pela minha garganta. Perco a conta de quantas vezes enchi o copo. Ouço meu celular tocar no quarto e subo as escadas para atender.

— Herondale, — minha voz soa seca.

— Jace, — Clary responde. Perco o fôlego.

— Clary, — sussurro. Minha voz está rouca.

— Desculpa ligar tão tarde, — ela diz. Posso imaginá-la, sentada em algum lugar, mordendo os lábios. — É que… — sua voz falha. Meus pensamentos depravados são automaticamente substituídos por preocupação.

— Clary, está tudo bem? — pergunto, de repente sóbrio.

— Sim, está. É só que eu tive uma discussão com meu pai, — ela sussurra. — Não sei porque eu liguei pra você, mas, quando eu vi, você já tinha atendido e…

— Hey, tá tudo bem. Não tem problema. Você quer que eu vá pra aí?

— Não, claro que não. Acho que só queria ouvir sua voz. Ou pelo menos alguma voz familiar, — ela murmura.

— Tudo bem então. Se precisar de qualquer coisa, pode me ligar, ok? — pergunto.

— Sim, claro. Obrigada, — ela diz. Sua voz parece triste. Ouço ela respirar fundo antes de desligar.

Fecho os olhos. Está tudo bem, Jace. Ela está bem. Levanto da cama e coloco uma calça jeans e uma camiseta cinza. Desço as escadas e vou até a garagem. Entro no carro e, antes de me dar conta, estou no hotel. Passo direto pela recepção e entro no elevador. Paro para pensar no que estou fazendo quando estou na sua porta. Respiro fundo e bato. Ouço passos e, quando ela abre a porta, meu coração se aperta.

Seus cabelos ruivos estão uma bagunça e seus olhos verdes estão inchados e vermelhos. Ela tem lágrimas nos olhos e seus braços abraçam seu próprio corpo, como se ela estivesse com frio. Ela está com uma regata branca e um shorts preto. As luzes estão acesas e a janela da varanda está aberta. Uma brisa suave entra, balançando seus cabelos. Seus olhos se arregalam levemente ao me ver e, antes que eu possa dizer alguma coisa, seus braços me envolvem e ela me abraça. Seu corpo treme enquanto ela chora no meu ombro. Afundo meu rosto em seu pescoço, respirando fundo e sentindo cheiro de morango. Afago seus cabelos, sussurrando em seu ouvido que tudo irá ficar bem. Puxo-a para o lado, sem quebrar o abraço, para poder fechar a porta. Ela continua soluçando.

— Shhh, está tudo bem. Tudo vai ficar bem, — sussurro. Ela se afasta de mim e eu seco suas lágrimas com meus dedos. Seus olhos parecem ver minha alma enquanto ela tenta estabilizar sua respiração.

— De-Desculpa. Eu não queria ter per-perdido o controle, — ela soluça entre as palavras.

— Hey, relaxa. Está tudo bem, — puxo-a para outro abraço e, quando sinto que ela está mais calma, solto-a. Ela vai até a cozinha e pega um copo de água para ela e outro para mim.

— Desculpa, mas não tenho outra coisa, — ela sussurra, tímida.

— Você não precisa se desculpar por nada, amor, — digo. Ela cora e se senta na cadeira da varanda. Sento na cadeira do seu lado. Ela está mais calma, mas ainda parece chateada.

— Meu pai vai se casar em dois meses, — ela diz. Arregalo os olhos. Encaro-a enquanto ela olha para o céu. O céu está claro, mas o sol parece prestes a se pôr.

— Como assim, se casar?

— Ele estava tendo um caso com sua secretária, Lilly, — ela diz, dando de ombros. Uma lágrima escorre pela sua bochecha. — Ele me ligou hoje, para me contar. Aparentemente, ela é supersticiosa e um vidente disse para ela se casar no mês de setembro. Então eles marcaram a data do casamento para daqui dois meses, dia 17 de setembro, — ela dá de ombros.

— Você não gosta dela? — pergunto.

— Não. Quer dizer, não ligo. Se ele está feliz, então eu não vou me meter. Mas ele não vai esperar eu voltar. Ele marcou o casamento e já está mandando convites, mas eu não vou estar lá.

— Porque não?

— Porque tenho que ficar aqui por três meses, Jace, — ela diz. Seus olhos parecem machucados. Sinto uma pontada no meu peito quando percebo que ela não queria estar aqui.

— Ninguém vai te obrigar a ficar aqui por tanto tempo, — digo seco.

— Meu pai vai. Caso você ainda não tenha notado, eu sou apenas uma funcionária, — ela diz, me encarando.

— No momento, eu sou seu chefe. E eu, com toda a certeza da minha vida, não vou te obrigar a ficar num lugar tão horrível quanto aqui, trabalhando para pessoas que você não conhece, longe da sua família, — digo, me levantando. Ando em direção a porta e, antes de conseguir chegar nela, sua mão segura meu braço.

— Não vá, — ela sussurra. — Desculpa. Eu não quis dizer isso. É só que eu queria que, pelo menos por uma vez, meu pai me amasse o suficiente para me ter perto dele em momentos como esse, — seus olhos procuram os meus e eu suspiro.

— Deus, se ele soubesse a filha que tem, — digo. — É verdade, sabe? Ele te vê como uma “arma secreta”.

— Isso não vem ao ponto, — ela abaixa o olhar.

— Você está certa. Não vem, — digo. Coloco dois dedos em seu queixo, levantando-o. Seus olhos encontram os meus. — Você terá três dias de folga, na época do casamento, para ir para lá. Eu garantirei isso, — digo. Seus olhos se arregalam e ela sorri. Deus, faria de tudo para ver aquele sorriso todos os dias.

— Oh, obrigada Jace, — ela diz e me abraça, beijando minha bochecha. Meu corpo fica tenso e ela cora. Ela abre a boca para dizer algo, mas um barulho alto preenche a sala. Por um momento, não sei o que é. Mas, depois de ver o quão corada ela ficou, percebo que era seu estômago. Rio alto enquanto pego o celular para pedir uma pizza.

Depois de comermos uma pizza inteira e ficarmos conversando sobre amenidades, vi seus olhos verdes assumirem um tom de musgo enquanto ela bocejava. Ela havia me contado que, quando era pequena, seu maior sonho era ser uma desenhista profissional. Com o tempo, ela começou a fazer alguns estágios com seu pai, para ficar mais tempo com ele. Valentim acabou descobrindo que ela era muito boa com contratos e o sonho de desenhista ficou de lado.

— Eu tenho uma dúvida. É mais para uma curiosidade, na verdade, — digo, fechando a caixa de pizza e recolhendo os pratos.

— Como é possível uma pizza de mussarela ser tão boa? — ela diz, sorrindo com os olhos.

— Isso eu sei. Estamos na Itália, — digo, dando de ombros. Ela ri.

— Que dúvida? — ela pergunta.

— Bom, como você faz para fechar todos os contratos?

— Uau! Você quer saber meu segredo? Deveria me preocupar? — ela diz, sorrindo sarcasticamente.

— Talvez, — respondo, entrando na brincadeira.

— Na verdade, não sei, — ela sussurra, séria. Arqueio uma sobrancelha, instigando-a. — É verdade. Acho que tenho muito sucesso porque sempre vejo o contexto do contrato. Eu não estou lidando só com empresas. São seres humanos. E tudo o que eu preciso é que alguém tenha um ponto fraco o suficiente para que eu possa convencê-lo que, independente de lucros, esse contrato é o que ele quer. Por exemplo, um negócio que fechei semana passada em Hong Kong. O contrato em si era uma merda para a empresa. Eles poderiam ter conseguido muito mais se eles tivessem alguém como eu trabalhando com eles. Mas, independente disso, era o que o fundador da empresa queria. “Ter um aliado nos Estados Unidos”. Eu explorei isso, dizendo pro filho do fundador que seu pai estaria animado com o contrato. Não foi nem em uma reunião. Mas ele ouviu, me encarou e, no dia seguinte, assinou o contrato. Não acho que o que eu faço seja correto. Mas eu sou paga para fazer isso, — ela dá de ombros.

— E é isso que você pretende fazer com o Sheik?

— Sim. Quer dizer, não exatamente. A mulher do Sheik faleceu. Cerca de 2 anos atrás, eu acho. E, segundo algumas entrevistas que eu estava assistindo hoje cedo, o seu maior sonho era ver o marido tendo maior controle sobre os pontos turísticos, construindo em outros países. Talvez ele odeie a mulher e não queira saber dos sonhos dela. Mas, se ele quer, então eu posso explorar isso, — ela diz. — O ponto é, você tem que conhecer a pessoa, deixar todas as possibilidades abertas. E sentir, na reunião, qual das possibilidades vai fazer com que você feche o contrato, — ela completa.

— Uau, — digo. Iríamos fechar esse contrato. Tinha certeza disso. Coloco os pratos na pia enquanto ela recolhe algumas coisas.

— Nossa, já é uma hora da manhã, — ela diz, chocada. Seus olhos estão marcados por olheiras profundas e seu cabelo está preso em um coque bagunçado.

— Sim, eu já estou indo, — digo.

— Você mora longe? — ela pergunta. Seus olhos analisam todos os meus movimentos. Respiro fundo, controlando cada reação do meu corpo.

— Não. Uns vinte minutos daqui, nesse horário.

— Ah, — ela murmura.

— O quê?

— Nada.

— Tem certeza? — digo indo até a porta.

— Sim, — ela diz e, para a minha total surpresa, me abraça. — Obrigada por tudo, Jace, — ela sussurra, seu hálito quente contra o meu pescoço. Respiro fundo.

— Se você precisar de qualquer coisa, me avisa, — digo, me afastando. Ela acena com a cabeça, sorrindo. Abrimos a porta e eu chamo o elevador. Quando o elevador chega, lhe dou um beijo rápido na testa e saio, deixando-a na porta.

Vou até o carro e dirijo até em casa. Pego o caminho mais longo, refletindo enquanto escuto Emeli Sandé. Deus, como era possível que Valentim não visse a filha que tinha e o quão maravilhosa ela era. Meu pai havia me avisado. Ele disse que Valentim era um idiota. Embora ele fosse rico e poderoso, além de um forte aliado, ele não tinha muitos valores morais. E ele também me avisou sobre Clary. “Ouvi dizer que ela é uma bela dama.” “Ouvi dizer que ela parece muito com sua mãe, o que é perigoso para qualquer homem solteiro.” Não havia acreditado em nenhuma palavra. Achava que, por maior o sucesso dela em fechar negócios, ela não era nenhuma deusa. E então eu a conheci e vi que, de fato, ela não era uma deusa. Ela era uma mulher normal, que tirava o meu fôlego com cada sorriso. Uma mulher que não fazia a mínima ideia do quão linda ela era. Uma mulher que era humilde e simpática, com um senso de humor maravilhoso. Estacionei o carro na garagem e respirei fundo. Aparentemente, tenho feito muito isso ultimamente. Respirar fundo. Vamos lá, Jace. Você conheceu ela, literalmente, ontem. Vamos parar de agir como um adolescente. Sai do carro e fui pro quarto. Abro o frigobar e tomo uma água. Escovo os dentes, fico só de cueca, e deito na cama. Quando fecho os olhos, sonho com olhos verdes e sardas.

Notas finais
Bom, meus amores, espero que tenham gostado! Sei que demorei muito para postar, mas vou explicar. Tenho 18 anos e acabei de me mudar para Los Angeles para fazer faculdade. Cheguei aqui no dia 18 de agosto e, tenho que admitir, os primeiros meses foram fodas. Tive muita dificuldade, muita saudade da rotina e principalmente da família. Daí, tentei focar nos estudos para me distrair e, quando vi, dois meses (quase 3) tinham se passado desde a última vez que eu postei! Então, espero de verdade que vocês me perdoem e continuem acompanhando essa história. Em relação ao capítulo passado, gostaria de agradecer quem comentou. Fiquei um pouco chateada porque não tive muitos comentários, mas faz parte. Estou de volta agora, e dessa vez é pra ficar! Comentem o que acharam do capítulo!! Favoritem, recomendem se acharem que merece!! Devo postar de novo na sexta! Os horários vão ser meio loucos por causa do fuso (6 horinhas não é fácil). De todo jeito, espero que tenham gostado! Beijos, Beijos