How to Love

24 Capítulo 24


Notas iniciais
Olá, meus amores! Tudo bem? Antes de tudo, sigam a conta no Instagram: @chrismarsz Vou postar coisas relacionadas a história e a escrita. Espero que vocês gostem do conteúdo! Em relação a demora, peço mil desculpas. Me enrolei e fiz questão de escrever um cap. mais longo pra vocês. Espero que gostem. Boa leitura!

Meu corpo congela. Valentim me encara surpreso, como se não esperasse que eu abrisse a porta naquele momento. Fico em silêncio, torcendo mentalmente para alguém aparecer e me tirar daquela situação. Após alguns instantes me encarando, ele respira fundo.

— Clarissa, — sua voz soa suave. Tento esconder a surpresa do meu rosto. — Posso conversar com você?

— Não vejo motivo para isso, — murmuro, pensando em alguma desculpa para sair desse lugar.

— Por favor, — ele sussurra. Algo na sua postura, ou na sua voz, quebra alguma barreira dentro de mim. Eu respiro fundo e, indo contra todos os avisos em minha mente, eu deixo ele entrar na sala.

Entro atrás dele e fecho a porta. Só depois de ter feito isso, penso que talvez seja uma má ideia. Tento focar no fato dele não arriscar me machucar dentro de uma empresa que não é dele. Vou até a minha cadeira e me sento. Ele me encara por um segundo e anda até a cadeira do lado oposto da mesa. Depois de se sentar, ele respira fundo mais uma vez. Sinto o suor escorrendo pelas minhas costas.

— Você está bem? — ele pergunta. Sua voz soa tranquila e preocupada ao mesmo tempo. A mistura de sensações me pega de surpresa. Arqueio minha sobrancelha, questionando sua pergunta. — Stephen me falou sobre a invasão no hotel.

— Ah, — murmuro. A imagem dele atirando em Jace, mesmo que em sonho, toma minha mente. Pergunto-me se ele foi responsável pelas fotos.

— Eu jamais faria isso, Clary, — ele diz. Não sei o que me desestabilizou mais. O fato dele ter me chamado de Clary ou o fato dele ter respondido à uma pergunta que eu fiz em minha mente.

— Eu não disse isso, — respondo, desviando o olhar.

— Estava escrito na sua cara, — ele fala. O tom da sua voz se eleva um pouco e eu automaticamente me encolho. — Desculpa.

— O quê? — pergunta, achando que escutei errado. Ele parece transtornado.

— Desculpa. Não quis gritar com você.

— Existe uma primeira vez para tudo, — murmuro. Ele me encara, arqueando uma sobrancelha. Mordo a minha bochecha para não falar mais nada.

Ficamos em silêncio depois disso. Ele observa a sala, os detalhes. Eu observo ele. Sua postura, seus olhos, seu cabelo. Noto como ele envelheceu. Como ele parece carregar preocupações enormes em suas costas. Por um minuto, imagino uma infância na qual ele estava sóbrio. Uma infância em que sua mão não me causava tanta dor. Uma infância sem agressões e xingamentos. Imagino como seria morar numa casa onde meu pai fosse meu maior herói.

— Eu vou falar uma coisa e eu gostaria que você não me interrompesse, — ele diz, de repente. Abro a boca para falar algo, mas seu olhar encontra o meu e eu decido ficar quieta. — Eu sei que, muitas vezes eu fui um monstro. E eu sei que você merecia melhor, — sua voz parece ir sumindo conforme ele fala. Ele se ajeita na cadeira e abre o primeiro botão da camisa, como se sentisse falta de ar. Seguro um sorriso ao notar seu nervosismo. — Eu admito não ter sido um pai exemplar, — ele continua. Arqueio a sobrancelha e ele me lança um olhar voraz. Novamente, seguro um sorriso ao notar o absurdo da situação. — Mas você é minha filha e eu quero te ver bem.

— O que você quer dizer? — pergunto depois de algum tempo, porque ele parece precisar de um incentivo. Ele respira fundo.

— Eu amo você, Clarissa. Posso demonstrar isso de uma maneira distorcida, mas você é minha filha e eu amo você, — ele diz. Prendo minha respiração. — Eu sei que fui bruto com você em diversos momentos. Mas eu realmente achei que você sabia o quanto eu te amava.

— Ah, claro. Entre um tapa e um grito, eu via o amor claramente, — respondo. Será que ele acha que eu sou idiota?

— Você sempre me lembrou muito a sua mãe. E é muito difícil criar uma criança que me lembrava tanto o amor da minha vida, que por uma idiotice minha, eu perdi, — ele diz, passando a mão pelos cabelos. Meus olhos enchem de lágrimas e eu me concentro em segurá-las. Nesse momento, meu pai parece um homem de coração partido, que foi endurecido pela vida.

— Tenho que admitir que eu não sabia o que você pensava de mim até eu ser acusado de ter contratado alguém para te ameaçar, — ele diz. Um brilho perigoso passa pelos seus olhos, mas pela primeira vez eu tenho a impressão de não ser o alvo da sua fúria.

— Você está me dizendo que não foi você que espalhou as fotos pelo meu quarto?

— É claro que não! Eu, — ele para, tentando recuperar sua compostura. — Eu jamais colocaria você nessa situação. Posso ameaçar seu namoradinho, ou mandar você voltar para Nova Iorque, mas jamais ameaçaria o seu bem estar dessa maneira.

Eu quero acreditar nele. Realmente quero. Vejo uma essência de sinceridade em seus olhos e tento me convencer de que aquilo realmente existe. Que é real. Mas não importa quantas vezes eu acredite nele, ele sempre me decepciona. E eu não preciso de mais dor na minha vida.

— Seu namorado veio bater na minha porta ontem, — ele diz, encarando a parede atrás de mim, como se estivesse revivendo a cena. — Eu achei que ele quisesse me expulsar do país. Estava pronto para uma outra rodada de socos. E então ele me acusou de ter invadido a sua privacidade. Ele falou de ameaças e fotos, — ele murmura, franzindo as sobrancelhas. — Eu não fazia ideia do que ele estava falando. E eu…

Ele para de falar. O silêncio dura tanto tempo que eu me pergunto se ele está bem. Quando estou prestes a falar algo, ele continua.

— Eu não quero que você pense que eu não me importo. Eu quero que você volte comigo para Nova Iorque. Quero que você trabalhe para mim. Mas eu entendo você querer ficar. E eu sei que eles vão cuidar de você de uma maneira que eu talvez nunca consiga, — ele sussurra. Lágrimas brilham em seus olhos e eu seguro um soluço. Pela primeira vez na minha vida, vejo um amor paterno puro em seus olhos. Sem nenhum interesse. Ele limpa a garganta e desvia o olhar. — Eu já coloquei meus homens a disposição de Stephen, para encontrar o responsável por isso.

Ele se levanta e, automaticamente, eu me levanto com ele. Nossos olhos se encontram e eu dou a volta na mesa, caminhando em direção a porta. Meus dedos envolvem a maçaneta, mas eu não abro a porta.

— Obrigada, — sussurro. Minha voz é tão baixa que me pergunto se falei em voz alta.

— Eu nunca vou desistir de você, Clarissa. Vou fazer tudo que eu puder para te levar de volta para Nova Iorque, — ele diz, me encarando. Seus olhos vão para o chão e ele ajeita seu paletó. — Mas eu reconheço o amor quando o vejo, Clary. E eu te admiro porque, ao contrário de mim, você está lutando por ele.

Sua voz é um sussurro tão baixo que eu acho que imaginei. Quando nossos olhos se encontram, percebo que ele realmente falou isso. Sorrio levemente e vejo a sombra de um sorriso passar pelo seu rosto. O momento acaba rápido demais e logo ele se torna Valentim Morgenstern, o dono de um império. Abro a porta e ele passa por mim. Antes de ir embora, no entanto, ele contorna minha bochecha com a ponta dos seus dedos. Ele se aproxima e, antes que eu me afaste, dá um beijo casto em minha testa. E, como se nada tivesse acontecido, ele sai andando sem olhar para trás.

Volto para a minha sala e me sento, refletindo sobre o que acabou de acontecer. Fico pensando a respeito da minha relação com o meu pai. Estou extremamente surpresa com sua atitude e, mesmo estando com medo de quebrar a cara, realmente acredito nele. Não acho que ele tenha participado das fotos. Não acho que ele sequer sabe quem foi.

Minha mente se volta para Jace. Deus, como ele pode ter ido ver meu pai estando completamente sozinho? Preocupação envolve meu corpo ao pensar no que poderia ter acontecido. Tento tirar o sonho da minha cabeça e focar na energia boa que me envolve depois desse momento com meu pai. Alguns minutos se passam e eu ouço uma batida na porta.

Vejo que são cinco para às onze e levanto, pegando meu caderno de anotações e indo até a porta. Encontro Jace no corredor. Seu corpo musculoso está coberto por um terno preto e uma camisa cinza. Ele está usando uma gravata prateada e só de vê-lo, sinto meu coração acelerar. Sorrio para ele, sentindo-me mais leve do que nunca, e ele arqueia uma sobrancelha.

— Tudo bem? — ele pergunta. Seu sotaque causa arrepios em meu corpo e eu suspiro.

— Tudo ótimo, — digo, segurando sua mão e caminhando até a sala de reuniões.

Ele sorri, divertido com o meu comportamento. Ao chegarmos lá, eu solto sua mão e me distancio de tudo. Afasto os pensamentos incertos sobre o meu pai, os pensamentos indecentes sobre Jace, e os pensamentos inseguros sobre mim. Foco no contrato e na empresa. Crio muralhas em volta do meu corpo e da minha mente, deixando minha atenção na reunião. Nós entramos e esperamos alguns minutos. Will, Jem e Tessa já estão na sala. Eles me cumprimentam e Tessa manda uma piscadela para mim. Sinto falta de conversar com ela e decido que, assim que sair da reunião, vou marcar um almoço com ela e Izzy.

Depois de alguns instantes, outras pessoas começam a entrar na sala. Por fim, Stephen chega e se senta na ponta da mesa. Ele acena com a cabeça e eu me levanto, apresentando o novo rascunho do contrato e debatendo os pontos mais fracos e os ajustes que são necessários. Alguns fazem perguntas, outros fazem sugestões. Depois de uma hora, Stephen finaliza a reunião e eu sinto meu corpo tremer com a adrenalina. Havia sido um sucesso! Eu sinto a animação pulsar pelas minhas veias. Noto que, depois de um dia tão incomum e parado como ontem, hoje tem sido bem excepcional. Sorrio e caminho até Tessa. Ela está usando um vestido florido, esverdeado. Ela parece contente em me ver. Antes que eu abra a boca para falar algo, no entanto, Stephen me chama.

— Clary, querida, — ele diz, andando até mim. Sorrio e noto que algumas pessoas lançam olhares curiosos para nós enquanto saem da sala. — Você se importa de ir comigo até a minha sala? Gostaria de conversar com você sobre algo.

— Claro, — respondo imediatamente. Lanço um olhar significativo para Jace que, em resposta, dá um sorriso torto. Depois de acenar para Tessa, sigo Stephen até sua sala.

Ele entra, indo até sua mesa e sentando em sua cadeira. Eu acompanho-o, sentando na cadeira em frente a sua. Ele me analisa por um instante e eu sinto meu corpo tenso. Realmente não quero falar sobre o evento de ontem. Sei que Jace está investigando o ocorrido e, pelo que meu pai disse, ele também está contribuindo para a investigação. Logo, se eu puder manter minha distância e simplesmente esquecer o assunto, me sentiria muito melhor.

Depois de algum tempo em silêncio, ele limpa a garganta. E, como se tivesse lido meus pensamentos, ele não menciona o ocorrido. Pelo contrário. As palavras que saem da sua boca me surpreendem e fazem com que meu estômago seja envolvido por uma sensação de frio que me deixa ansiosa.

— Quero conversar com você sobre duas coisas. A primeira é um jantar, — ele diz, dando de ombros. — A segunda é um emprego permanente na Herondale’s.

— Ah, — murmuro após alguns instantes. Sou incapaz de formular uma frase mais articulada do que isso. Minhas mãos suam e eu respiro fundo.

— Bom, vamos começar com o jantar, — ele diz, checando o calendário da sua mesa. — Os Lightwoods estarão na em casa nesse final de semana e Céline está organizando um jantar para essa sexta. Alec e Izzy não poderão participar, mas Jace estará lá, — ele murmura. Seus olhos não encontram os meus, mas eu entendo o recado. Mordo a bochecha para segurar um sorriso.

— Claro, — digo, porque parece necessário. Um sorriso passa pelo seu rosto enquanto ele volta sua atenção para mim.

— O jantar será às 19:30, na minha casa. Tenho certeza que Jace pode te levar, — ele diz, dispensando o assunto com um aceno de mão.

— Pode contar comigo, — digo.

Começo a pensar em que roupa usar e a ideia de voltar para o hotel faz com que um calafrio desça pela minha coluna. Enquanto eu concentro meus pensamentos na ideia de ter uma jantar íntimo com os pais de Jace, o que faz com que meu coração acelere, Stephen mexe em seu computador. Ele limpa a garganta, trazendo minha atenção para seus olhos azuis.

— Você tem alguma proposta em mente? — ele pergunta. Minha cara deve entregar minha dúvida porque ele completa em seguida. — Sobre um emprego?

— Ah, claro. Quer dizer, não. Não tenho nada em mente, — murmuro. Tento ignorar minha fala atrapalhada e me concentro, me tornando uma mulher de negócios novamente.

— Bom, é mais do que claro que a Herondale’s ganharia muito contratando você, — ele diz. — Você tem um currículo impecável e uma ética brilhante. Nós todos ganharíamos muito com uma funcionária como você.

— Obrigada, — sussurro.

Nunca havia gostado de falar sobre as minhas conquistas. Talvez porque meu pai, que deveria ter reconhecido cada uma delas, nunca tenha se importado. Ou talvez porque minha mãe sempre as achou insignificantes comparado a arte. De qualquer maneira, não me sentia confortável falando do meu currículo fechando negócios pelo mundo. Mesmo que, quando estava fechando um contrato, eu usasse essas conquistas para intimidar as pessoas ao meu redor.

— Financeiramente falando, estamos dispostos a aumentar o salário que você tinha em 20%, — minha boca cai. Valentim podia ser um crápula que não me dava férias, mas ele me pagava bem. Aumentar esse salário nunca passou pela minha cabeça. Stephen ignora meu olhar assustado e continua falando. — Em termos de mudança, nós conseguiremos uma casa provisória para você. A empresa é dona de algumas já, então não seria um problema.

— Provisória? — pergunto. É a única palavra da frase que meu cérebro consegue processar completamente.

— A base oficial da empresa é em Londres. Nós temos essa base na Itália porque estamos investindo em turismo. Embora não tenhamos um plano concreto de datas para voltar para Londres, tudo aqui é teoricamente provisório, — ele dá de ombros. Minha cabeça parece girar.

— Claro, — murmuro. Sinto minhas mãos suarem e enxugo-as no meu macacão.

— Eu sei que é muito para processar, — ele diz de repente. Sua voz é suave e seus olhos são calmos. — Estamos preparando um contrato detalhado para você. Eu só queria que você soubesse que não precisa se preocupar em não ter nenhuma proposta de emprego. Pelo contrário.

— Obrigada, — digo, sentindo a sinceridade se espalhar pelo meu corpo. Sinto vontade de chorar por estar sendo tão bem tratada.

— Espero você amanhã, — ele diz, acenando com a cabeça. Me levanto e sorrio. — Assim que eu tiver o contrato, mandarei ele por email.

— Obrigada, Senhor…

— Ah, antes que você me chame de senhor de novo, gostaria de dizer que a reunião foi incrível. Daqui quinze dias revisaremos mais algumas coisas e aí você fará o contrato final, — ele diz. Sorrio, abertamente, e aceno. Ele pisca para mim e volta sua atenção para o computador.

Saio da sala e vou até a minha mesa. Ainda em pé, penso nas coisas que aconteceram hoje. Meu coração parece aquecido com os eventos. Por um momento, esqueço completamente dos eventos de ontem. Lembro apenas do amor de Jace.

E então eu penso em meu pai. Na maneira como ele havia me tratado hoje. Com carinho e com amor. A surpresa e a insegurança estão em cada canto do pensamento. Chego a ficar preocupada em pensar que ele não estava totalmente consciente enquanto falava comigo. Ao mesmo tempo, eu conheço meu pai aéreo e bêbado e ele não é, nem um pouco, tranquilo assim.

Depois da conversa com Stephen, o dia parece voar. Passo algum tempo revendo as anotações da reunião e, às 17:00, escuto uma batida na porta. Jace abre a porta e entra. Seus cabelos louros estão desengonçados e mechas grossas caem em sua testa. Seus olhos dourados, embora cansados, estão acesos. Suas bochechas estão levemente coradas e seus lábios formam um sorriso torto. Há uma pequena mancha amarelada em um dos seus olhos devido a briga com meu pai. Ele me avalia, deslizando seu olhar pelo meu rosto, e sorrindo. Suas mãos estão em seus bolsos e, por um segundo, ele parece mais jovem. Me pego imaginando um Jace adolescente enquanto ele anda até a minha mesa.

— Olá, — ele diz. Sua voz rouca enche a sala e me abraça.

— Oi, — respondo. Levanto da cadeira e dou a volta na mesa. Seus braços me envolvem assim que eu me aproximo dele. — Seu pai me convidou para um jantar.

— É mesmo? — ele pergunta. Seus olhos demonstram diversão enquanto ele franze as sobrancelhas. Sorrio, entrando na brincadeira.

— Sim. Ele até me arranjou uma carona, — digo, dando de ombros. Seu sorriso poderia iluminar o mundo.

— Isso significa que você aceitou? — ele pergunta. Meus olhos encontram os seus e eu vejo um menino pequeno no lugar do homem.

— Depende do cara da carona, — murmuro. O dourado brilha, fazendo com que eu perca o fôlego por um momento.

Há uma pausa. Noto que ele está observando cada movimento meu. Cada detalhe. Sorrio timidamente, me sentindo insegura de repente. Toda vez que ele me olha dessa maneira, me sinto nua. Não no sentido físico, mas num sentido espiritual. Como se ele fosse capaz de ver minha alma e cada cicatriz dela. Como se ele observasse meus pensamentos só de olhar para o meu rosto. Sinto minhas bochechas corarem e vejo a admiração em seus olhos.

Meu coração acelera enquanto ele aproxima seu rosto do meu. Nossos lábios se encontram em um toque suave, gentil. Com uma pequena pressão, nossas bocas começam uma dança sensual de controle. Nossas línguas se encontram e, como se fosse nosso primeiro beijo, há uma pequena explosão dentro de mim. Sinto que meu coração vai sair voando do meu peito e me apoio em seus ombros. Meus dedos se prendem em seus cabelos enquanto suas mãos deslizam pela minha cintura. Embora o beijo seja extremamente quente e apaixonado, não temos pressa. Apenas saboreamos a essência um do outro. Quando o ar começa a faltar, ele se afasta. Nossos olhos se encontram e eu afundo em ouro.

— Vamos, eu vou te levar para casa, — ele sussurra. O sotaque, carregado de desejo, faz com que um arrepio se espalhe pelo meu corpo.

Depois de pegar minhas coisas, apago a luz e saio da sala, encontrando-o no corredor. Andamos até o carro em silêncio. Ele dirige e, quando saímos do estacionamento, decido falar da conversa que tive com meu pai. Noto sua tensão ao mencionar Valentim, mas vejo como sua postura muda de defensiva para curiosa conforme conto o que meu pai fala. Não faço isso só para desabafar, no entanto. Queria questioná-lo. Enquanto ele fica em silêncio, processando a conversa, eu crio coragem para falar o que eu preciso falar.

— Você não deveria ter ido vê-lo, — digo, encarando a janela. Meu sonho, ainda tão recente, me persegue. Não consigo evitar a preocupação e o medo que tomam meu corpo quando penso no que poderia ter acontecido.

— Eu precisava falar com ele, Clary, — ele murmura. Sinto sua postura mudar novamente. Dessa vez, ele parece desconfortável.

— Você levou algum segurança?

— Eu deixei todos os seguranças em casa, com você, — ele diz. Posso ouvir a culpa em sua voz e respiro fundo.

— E se alguma coisa tivesse acontecido com você? — pergunto. Tento controlar minhas emoções, mas noto que minha voz saiu mais rouca do que o normal.

— Não aconteceu nada…

— Jace…

— …e eu acho que já demonstrei saber cuidar de mim mesmo, — ele completa, ignorando minha interrupção. Encaro-o. Seus olhos nunca deixam a estrada e eu sinto a revolta tomar conta de mim.

— Você acha que isso faz com que tudo esteja bem?

— Clary, por que estamos brigando sobre algo completamente irrelevante? — ele pergunta, exasperado. Mordo o lábio.

— Primeiro, isso não é uma briga, — digo. Isso faz com ele me encare. Seus olhos parecem me desafiar enquanto ele arqueia a sobrancelha. Decido ignorá-lo. — Segundo, isso é completamente relevante.

— Ah! Você poderia me explicar como?

— Eu estava assustada e sozinha, — digo. Ele me olha sem entender. — Ontem. Enquanto você estava visitando meu pai, eu estava preocupada e sozinha. Sei que não posso cobrar nada de você, — digo. Ele abre a boca para falar, mas interrompo-o antes dele começar. — Mas não acho justo que você se arrisque, por qualquer motivo que seja. Você pode não se preocupar consigo mesmo, mas imagina como eu ficaria se algo tivesse acontecido.

Isso parece convencê-lo. Ele fica quieto pela restante da viagem e eu agradeço pelo silêncio. Às 18:15, chegamos na casa dele. Desço do carro e entro na casa. Não espero por ele. O dia estava particularmente excelente, mas não admitiria as atitudes imprudentes dele para me manter segura. E não estava exatamente feliz por ter admitido o quanto eu seria impactada se algo tivesse acontecido. Vou em direção as escadas e sinto sua mão envolver meu braço, me puxando contra si.

— Hey, — ele sussurra. Ele me vira para si, levantando meu rosto com a ponta dos dedos. Nossos olhos se encontram e, como sempre, eu perco o fôlego. — Desculpa.

— Não precisa pedir desculpa, — murmuro.

— Deus, como você é teimosa, — ele diz, passando a mão pelo cabelo. Arqueio minha sobrancelha, prestes a virar de costas e continuar andando. Antes que eu o faça, no entanto, vejo o divertimento passar pelo seu rosto.

— Você está tirando uma com a minha cara, — digo, chocada. Minha indignação é tão grande que eu não tenho reação.

— Não! Não estou, eu prometo, — ele diz. Ainda assim, há um sorriso no canto da sua boca. — É que eu pedi desculpas e eu queria que você aceitasse essas desculpas.

— Porque é um evento raro, — digo, encarando-o. Dessa vez, ele sorri abertamente. Fico com mais raiva ainda ao perceber que eu sou obrigada a segurar um sorriso.

— Porque eu amo você, — ele diz. Seus olhos ficam sérios de repente. — E só de pensar em você fazendo o que eu fiz ontem, eu fico louco.

Não tenho resposta para isso. Apenas encaro-o. E, como se lesse minha mente, ele me pressiona contra a parede e me beija. Um beijo bem diferente do de algum tempo atrás. Esse beijo é aquele que pega fogo rápido. Que explode e te deixa de pernas bambas. Meu corpo se choca contra a parede ao mesmo tempo em que sua língua se choca contra a minha. Nossas mãos estão em todos os lugares enquanto devoramos um ao outro. Sinto meu corpo ser tomado pelo desejo enquanto meu sangue parece ferver. Meu coração bate tão rápido que eu posso escutá-lo. Ele engole meus gemidos e eu engulo seus suspiros.

— Oh, meu Deus, — Amatis diz. Nos afastamos a tempo de vê-la cobrir os olhos e correr para a cozinha. Nossos olhos se encontram e, como se não pudéssemos evitar, começamos a rir.

Rimos até chegar no quarto. Rimos até ligar o chuveiro. E depois, paramos. Nossas bocas se ocupam uma da outra e as risadas se tornam suspiros. A diversão vira paixão. E a alegria vira amor.

Depois de jantarmos com uma Amatis bem envergonhada, fomos para cama e conversamos sobre um milhão de coisas. Falamos sobre planos para o futuro, infância e filhos. Falamos de paixões e hobbies. Ele fala de piano e eu falo de desenho. Ele quer uma filha e eu quero um filho. No seu aniversário de cinco anos, ele tomou banho numa banheira de spaghetti. No meu aniversário de cinco anos, eu queria entrar numa máquina de lavar. A conversa fluiu e, depois de algum tempo, eu peguei no sono enquanto ele desenhava meu rosto com a ponta do dedo.

A sexta passa rápido. Passo a maior parte do dia verificando anotações e revendo entrevistas do sheik. No almoço, encontro Tessa e conversamos sobre tudo. Ela me fala de como ela está aceitando mais a relação de Jem com Izzy. E ela me fala de Will. Posso sentir o amor em sua voz. No fim do dia, Jace passa em minha sala e nós vamos até o hotel. Sinto um calafrio me envolver assim que vejo a recepção. Jace sobe comigo e me ajuda a escolher uma roupa adequada para o jantar com sua família. Nós vamos embora rapidamente e eu agradeço mentalmente por ter me livrado da sensação ruim que me envolvia.

Assim que chegamos em sua casa, começo a me arrumar. Depois de tomar um banho longo e lavar o cabelo, coloco um vestido azul. Faço uma maquiagem leve e deixo meu cabelo meio preso, meio solto. Quando estou satisfeita, coloco um salto azul escuro e saio do banheiro. Jace está deitado, usando uma calça social preta e uma camisa cinza escura. As mangas estão arriadas e os dois primeiros botões estão abertos. A visão faz com que meu corpo esquente e eu suspire. Assim que ele me vê, ele senta. Seus olhos deslizam pelo meu corpo, espalhando uma onda de calor por cada pedaço de mim.

Jace levanta e anda até mim. Ele parece prestes a me beijar, mas como se algo tivesse passado pela sua cabeça, ele para e se afasta.

— Vamos, — ele diz, sua voz rouca.

Nós descemos a escada e saímos pela porta da frente. Decidimos ir andando para aproveitar a noite. O céu estrelado e a brisa suave faz com que eu queira sentar ao ar livre e desenhar. Após alguns minutos, chegamos na entrada extraordinária da casa. As escadas são as mesmas da festa de trinta anos, mas não há nenhum fotógrafo. Nós subimos devagar e eu observo o efeito que as luzes acesas tem no exterior da casa.

Jace bate na porta e Céline abre a porta após alguns instantes. Ela está usando um vestido rosa claro, comprido e solto. Seus cabelos estão presos e ela parece radiante em nos ver. Depois de nos cumprimentar, ela nos guia até a sala de estar. Antes que eu consiga observar o ambiente, no entanto, sinto meu coração acelerar. Do outro lado da sala, com um vestido verde escuro e um sorriso enorme no rosto, está minha mãe.

Notas finais
E aí? O que acharam? Espero que tenham gostado!! Me contem nos comentários o que acharam da conversa com Valentim. E essa proposta do Sr. Herondale? Será que ela aceita? Tenho que admitir que esse final pegou até a autora (no caso, eu) de surpresa. O que acharam? Bom, como sempre, não esqueçam de comentar e favoritar. E, se acharem que a fic merece, recomendem! Eu ficaria muito feliz de ver mais uma recomendação para a história :) Não esqueçam de seguir a conta do Instagram (@chrismarsz)! Comentem na foto postada para eu saber quem veio daqui :) Fiquem bem! Obrigada por todo o apoio ♥ Beijos, beijos