How to Love
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Meu coração bate freneticamente. Posso ouvir meu sangue pulsando pelas minhas veias. O banheiro parece girar e eu sinto meu corpo cair. Um medo gelado me consome e meu corpo treme. Nesse momento, com todo esse pavor, eu me vejo sentada no banheiro como uma pessoa veria um estranho. Eu assisto, de fora, enquanto meu corpo parece entrar em colapso.
Perceber que a sua vida poderia ter acabado é algo particularmente assustador. Saber que alguém havia invadido sua privacidade, tirado fotos suas, observado você em um momento tão vulnerável quanto dormir, é ainda pior. Uma parte do meu cérebro não consegue focar em nenhum pensamento por mais do que alguns segundos. A outra parte suspeita que eu esteja tendo uma crise de ansiedade. Há também uma pequena parte, quase imperceptível, questionando quem é a pessoa por trás das fotos e da mensagem.
Respiro fundo. Meu nome é Clary Fray. Lembro da voz de Magnus na minha infância. Meu melhor amigo é Simon Lewis. Lembro das sessões com diversos psicólogos antes do Magnus. Minha mãe se chama Jocelyn. Magnus perguntava dos abusos que eu sofria com meu pai. Meu nome é Clary Fray. Magnus levava suas mãos até as minhas têmporas. Meu irmão se chama Jonathan. A pressão dos seus dedos parece aliviar a tempestade que ocorre na minha mente. Eu nasci em Nova Iorque. Magnus me entendia e me acalmava. Meu nome é Clary Fray.
—
Fico sentada, contra a porta do banheiro, pelo que parecem horas. O toque do meu celular, no quarto, chama minha atenção. Sinto meu coração acelerar ao pensar em abrir a porta do banheiro.
A porta abre e eu encaro o quarto. Por um momento, achei que pudesse ter sonhado. O celular toca novamente.
Passo por cima das fotos e chego na cama. O nome de Jace brilha na tela. Um frio avassalador toma conta de mim enquanto me pergunto se algo aconteceu com ele. Meus dedos pegam o celular, mas não consigo atender. Parece que o meu cérebro não está se comunicando com meus dedos. Após alguns segundos em silêncio, o aparelho volta a tocar.
Noto que são 9:40. O celular para de tocar. Uma batida na porta.
Meu coração acelera e minhas mãos tremem. Fico parada, ouvindo. Esperando.
— Clary, — a voz de Jace me alcança, me envolve, me puxa. Sinto meu corpo relaxar. — Pelo amor de Deus, abre a porta!
Ele soa cansado. Preocupado. Tenso, talvez? Não consigo dizer.
Não percebo que me movi até parar em frente a porta. Minhas mãos trêmulas encostam na madeira. Na ponta dos pés, me inclino para checar o olho mágico. Jace está parado em frente a porta. Seus cabelos estão desgrenhados, seus olhos estão frios. Minha mão envolve a maçaneta e eu abro a porta. Sinto seu corpo expirar, relaxando. Seus braços me envolvem, me puxando contra si. Ele enterra seu rosto na curva do meu pescoço e respira fundo. Abraço-o de volta, mas não falo nada. Não choro, não grito, não corro. Apenas envolvo-o com meu amor porque sei que ele estava preocupado e precisa disso. Após alguns segundos, ele se afasta.
— O que aconteceu? — ele pergunta. Seus olhos parecem checar meu rosto e corpo, procurando por algum machucado. Demoro um tempo para perceber o que ele está fazendo.
Depois de verificar meu estado físico, seus olhos encontram os meus. Sinto-me exposta. Nua. Nesse exato momento, sinto Jace enquanto ele encara minha alma em sua forma mais crua e quebrada. Enquanto ele encara todos os meus medos e inseguranças. E, quando encaro ele de volta, vejo compreensão e empatia em seus olhos. Transbordando amor. Sinto vontade de chorar, mas nenhuma lágrima vem.
— O que houve, meu amor? — sua voz está mais baixa, suave. Seus olhos permanecem sérios enquanto suas mãos acariciam meus braços, como um pai tentando esquentar um filho que esqueceu de colocar uma jaqueta.
Ele espera. Ele fica em silêncio por tanto tempo que eu esqueço a pergunta. E ele continua esperando. Por mim. E é nesse momento, no meio de medo e preocupação, que eu percebo o quanto eu realmente o amo. É nesse momento em que eu decido ficar. Independente de família, amigos e trabalho. Eu sou completamente dele. E eu vou ficar com ele.
— Amor, — ele sussurra.
— Eu…
Não consigo terminar a frase. Não sei o que falar, na verdade. Por isso, meus dedos se enroscam nos dele e eu o guio até o quarto. Paro alguns passos antes da porta e respiro fundo. Jace parece confuso, sua sobrancelha está arqueada e seus olhos fazem diversas perguntas silenciosas. Com um pequeno aceno de cabeça, aponto o quarto. Ele hesita. E então ele entra.
—
Estou usando uma calça jeans escura, uma blusa preta e uma jaqueta de couro azul. O carro tem cheiro de novo. Jace dirige, apertando o volante com ferocidade. Vez ou outra, posso escutar ele respirar fundo.
Lembro da maneira como ele encarou o quarto. Nunca havia visto um homem tão transtornado. Ele olhou em volta, por um segundo, e parou. Ficou parado por bastante tempo. Quando finalmente encontrei minha voz, mostrei a mensagem no espelho do banheiro. Ele parecia prestes a vomitar. Sem falar nada, ele havia pego o celular e estava ligando para alguém. A conversa tinha sido em italiano. Ele me levou até a sala e ficou sentado perto de mim. O mais perto possível. Dois homens chegaram mais tarde. Eles eram seguranças e foram até o quarto, verificar a situação. Jace havia feito mais algumas ligações.
— Eu vou te levar para casa, — ele disse, depois de algum tempo.
Foram as únicas palavras que ele disse para mim desde que mostrei o quarto para ele.
Agora, estamos num carro juntos. Ele está tenso e eu estou enjoada. Ainda assim, reconheço o caminho para a casa dele. Depois de uns vinte minutos, chegamos. Ele desce do carro e eu o sigo para dentro da casa. É exatamente da maneira que eu lembro. Cada detalhe, no mesmo lugar.
— Você está com fome? — ele pergunta, jogando as chaves do carro em um balcão perto da porta da garagem. Sua voz é suave, mas soa distante.
— Não, — murmuro. Ele para. Imediatamente, ele me encara.
— Você deveria comer alguma coisa, Clary, — ele diz. Ele me observa, mas seus olhos estão frios.
— Eu estou bem, — digo. Minha voz soa mais seca do que o esperado. Ele pisca, surpreso. — Não é minha culpa! Não é minha culpa que tem alguém me perseguindo, sabia? — grito. Fico surpresa com a minha reação, mas não consigo controlá-la.
— Eu sei que não…
— Não, não sabe! Se você soubesse, saberia o quão assustada eu estou, — soluço. — Você não estaria me tratando assim.
Minha voz falha e eu desabo. Meu corpo convulsiona diversas vezes, tremendo com os meus soluços. Minhas lágrimas são quentes e grossas. Minha cabeça dói e eu não consigo respirar. Jace me guia até o sofá e me senta, abraçando-me em seguida.
— Shh, vai ficar tudo bem, — ele sussurra contra a minha testa.
Depois de alguns minutos de um choro violento, eu começo a me acalmar. Minha respiração ainda está acelerada e alguns soluços invadem meu corpo esporadicamente, mas não há mais lágrimas.
— Desculpa, — sussurro. Ele me olha. Pela primeira vez desde que ele viu o quarto, seus olhos mostram amor. O dourado me engole e eu me sinto em casa.
— Eu que deveria estar me desculpando, — ele diz. Sua voz é tão suave que me lembra uma carícia. — Não quis te afastar. Só tenho muitas coisas na cabeça, — ele murmura, colocando alguns fios rebeldes atrás da minha orelha.
— Não queria que você tivesse que lidar com isso, — digo. Minha voz é baixa e eu me pergunto se ele me ouviu.
— Não queria que você tivesse que passar por isso, — ele diz, seus olhos cobertos de sinceridade. Então, ele respira fundo e levanta, estendo a mão para mim. — Vamos, você precisa comer alguma coisa.
Ele me leva até a cozinha e, depois de eu convencê-lo a preparar algo rápido, ele esquenta um prato de miojo para mim. Meu estômago fica satisfeito com a refeição e a adrenalina e o medo começam a passar.
Jace sobe comigo e me leva até o banheiro, onde ele tira toda a minha roupa e me dá um banho. Não há nenhuma malícia em seus movimentos e eu agradeço-o com o olhar um milhão de vezes por isso. Depois de me secar e me vestir com uma de suas camisetas brancas, ele me guia até a cama. Eu me deito e ele me cobre, como se estivesse colocando uma criança para dormir. E eu, como uma criança, seguro sua mão.
— Fica comigo, — sussurro.
Ele me encara por um minuto. E, então, ele tira as peças de roupa que estão molhadas, coloca uma calça de moletom folgada, e deita do meu lado. Seus braços me envolvem e eu enterro meu rosto em seu peito. Posso sentir as batidas do seu coração contra a ponta do meu nariz. Suas mãos fazem um carinho suave e tranquilo em meus cabelos. Sinto meu corpo ser tomado pelo cansaço, a adrenalina indo embora lentamente. Deixo seu cheiro me envolver, o calor dos seus braços me proteger.
— Até depois do fim, — ele sussurra e eu sou levada pela escuridão.
—
Acordo com meu estômago roncando. Respiro fundo e sinto o cheiro de Jace. Percebo, no entanto, que eu estou abraçando um travesseiro, sozinha na cama. Sento lentamente, tentando me adaptar à escuridão do quarto. Assim que fico de pé, vou até o banheiro e coloco minha calça jeans. Propriamente vestida, decido ir buscar alguma coisa para comer. Antes de sair do quarto, vejo que o relógio marca 14:40. O corredor até as escadas é curto. Desço as escadas e, antes de entrar na sala, ouço a voz de Jace.
— Eu não acho necessário, — ele diz. Sua voz está tensa e posso imaginá-lo passando a mão pelos cabelos.
— Ela pode ter informações importantes, senhor. Provavelmente, ela conhece quem fez isso, — uma outra voz, mais grossa, diz. Seu sotaque é carregado e ele parece mais velho que Jace.
— Não existe nenhuma outra opção? Não quero que você fique importunando ela com perguntas. Ela já está abalada demais, Angelo, — ele diz. Presto atenção na maneira como ele parece suspirar após sua fala. Uma emoção enorme toma conta de mim enquanto eu me pergunto qual foi a última vez que alguém se preocupou comigo de maneira tão clara.
— Sem problemas, senhor. Eu darei outro jeito de encontrar o responsável, — ele diz. Jace fala mais alguma coisa, mas estou ocupada demais pensando em algo que Angelo disse. E se, de fato, eu conhecer essa pessoa?
— Eu quero ajudar, — digo, entrando na sala. Jace está usando uma camisa azul escura e uma calça social preta. Sua camisa está com as mangas dobradas e os primeiros botões abertos. Seus cabelos estão desgrenhados e seus olhos parecem brilhar. Angelo está usando um terno padrão, preto, com uma camisa branca. Seus olhos cinzas estão calmos e focados, seus cabelos grisalhos perfeitamente alinhados.
— Clary, não é…
— Jace, eu quero ajudar, — digo. Minha voz está rouca por causa do sono, mas eu estou totalmente desperta. Jace parece cansado demais para discutir o assunto. Angelo me analisa e eu foco nele. — Você disse que eu talvez conheça essa pessoa?
— Provavelmente, senhorita, — ele diz, acenando com a cabeça. Respiro fundo e ando até o sofá, onde eu me sento. Olho para Jace e espero ele sentar ao meu lado antes de começar. Angelo senta na poltrona que está ao meu lado e me encara.
— Pode começar, — digo, porque eles parecem precisar do incentivo. Respiro fundo, querendo que tudo isso acabe antes mesmo de ter começado.
Ele olha para Jace uma última vez, como se estivesse pedindo autorização. Depois de um segundo, sinto Jace se mexer ao meu lado e Angelo limpa a garganta.
— Muito bem. A senhorita se lembra de alguém em particular, que chamou sua atenção, nesses últimos dias? — ele pergunta.
— Chamou minha atenção? Como assim?
— Alguém que você possa ter visto em algum lugar, que te lembrou alguém. Ou uma pessoa que você notou em diversos lugares que você frequenta.
— Não, — digo. Penso a respeito por um minuto e lembro do homem no hotel. — Sim! Tem um homem. Ele trabalha no hotel, eu acho, — digo. Os músculos de Jace ficam tensos enquanto Angelo anota alguma coisa em um papel.
— Você poderia descrever esse homem?
— Sim, eu acho. Ele era jovem. Um pouco mais velho que eu, eu acho. Seus cabelos eram claros, quase brancos. E seus olhos eram bem escuros. Ele era alto e ele me lembrava alguém. Eu não tenho certeza de quem, — digo, franzindo a testa ao tentar lembrar.
— Não tem problema. A senhorita está indo muito bem. Sabe o nome desse homem? — Angelo pergunta enquanto continua escrevendo.
— Não. Ele saiu do quarto antes que eu pudesse perguntar, — murmuro.
— Ele estava no seu quarto? — Jace pergunta, seus olhos brilhando de maneira perigosa.
— Sim. Ele que levou o serviço de quarto que eu pedi alguns dias atrás, — digo, tentando me acalmar ao pensar que talvez aquela não tenha sido a primeira vez que ele entrou no meu quarto.
— Muito bem, vou verificar isso imediatamente, — Angelo diz, se levantando. Jace se levanta com ele e um pensamento toma conta de mim.
— Você não acha que meu pai pode ter algo a ver com isso, certo? — pergunto. Há um momento de silêncio que dura tanto tempo que eu acho que ninguém vai me responder. Jace e Angelo se encaram, discutindo silenciosamente o que eles devem me falar. O gesto me irrita e eu me levanto. — Ele é meu pai. Eu mereço saber se ele perdeu totalmente a cabeça ou não, — digo.
— Eu não acho que seu pai tenha participado disso, senhorita, — Angelo diz, limpando a garganta novamente. — Mas, se me permite ser franco, não vou excluí-lo da lista de suspeitos.
— Você acha que ele seria capaz disso? — Jace pergunta. Sua voz é suave, coberta de compreensão. Encaro-o por um segundo e lembro do sonho.
— Sim, — respondo simplesmente. — Eu acho.
Um brilho perigoso toma conta dos olhos de Jace. Noto Angelo acenando, levemente, e anotando mais alguma coisa em seu caderno. Ele se despede de mim e os dois homens vão até a porta. Eu, por outro lado, vou até a cozinha.
Procuro alguma coisa para comer e decido preparar uma salada rápida. Pego as coisas que eu gosto e lavo cada folha. Misturo tudo em uma tigela pequena e procuro um molho. Depois de alguns minutos, encontro um que parece interessante e misturo na salada. Coloco a primeira garfada na boca e tento focar na explosão de sabores ao invés do calafrio que envolve minha coluna. Foco no gosto da rúcula, com o tomate e o molho agridoce. A textura das folhas misturadas com azeite. O gosto de sal.
— Clary, — Jace diz. O som da sua voz me assusta e eu pulo da cadeira, derrubando o garfo sem querer. — Desculpa, — ele murmura. Seus olhos parecem chateados enquanto ele recolhe o garfo e me abraça.
— Eu preciso fazer alguma coisa, Jace, — sussurro, abraçando-o de volta. Enterro meu rosto na curva do seu pescoço e respiro fundo, sentindo cheiro de perfume e suor.
— Amor, você…
— Posso trabalhar no contrato? — pergunto, interrompendo-o. Não preciso da autorização dele, mas pergunto mesmo assim. Ele se afasta, me olhando surpreso. Suas sobrancelhas estão levantadas e seus olhos parecem me avaliar.
— Pode. Por que você quer trabalhar depois de todo esse estresse?
— Minha mente está pregando peças em mim. Não consigo pensar em nada sem que teorias insanas surjam na minha cabeça. Acho que trabalhar pode me distrair, — digo. Um sorriso torto e deliciosamente sensual se forma em seu rosto.
— Há muitas coisas que podem te distrair, — ele ronrona, dando um beijo suave no lóbulo da minha orelha.
— Não podemos esquecer que eu preciso fechar o contrato para salvar a sua empresa, — sussurro.
— Salvar é uma palavra forte, — ele diz, afastando meu cabelo e espalhando beijos pelo meu pescoço. As sensações tomam meu corpo, esquentando o sangue que corre em minhas veias. — E eu tenho certeza que você vai fechar esse contrato.
— Vai ficar um pouco mais difícil se eu não tiver um contrato escrito, você não acha? — pergunto enquanto suas mãos massageiam minhas costas e meus braços. Ele parece pensar a respeito e eu suspiro.
— Eu fecharia qualquer coisa com você, amor, — ele diz, seus lábios tomando os meus em um beijo rápido e quente.
— Isso não me soa muito sensato, — digo, já ofegante.
Suas mãos seguram minha cintura, puxando meu corpo de encontro ao seu. Nossas bocas batalham pelo controle. Meu corpo arde de desejo. Pela primeira vez no dia, não estou preocupada e tensa com o ocorrido. Meu corpo responde aos comandos de Jace. Minha mente parece prestes a explodir de paixão. Meu coração voa.
E o celular de Jace toca.
—
Estou sentada no sofá, com alguns papéis espalhados ao meu redor, digitando no meu computador. Jace saiu faz algumas horas para ir até a empresa. Ele deixou três seguranças na casa e, segundo ele, eu ficaria segura. Mesmo sabendo disso, demorei uma hora para conseguir me concentrar no contrato.
Encaro o computador, tentando decidir qual ponto é mais valioso para a empresa e qual ponto é mais valioso para o sheik. Examino cada palavra, avalio cada observação. Faço algumas anotações e continuo escrevendo. Leio mais alguns objetivos dos Herondales e, pela primeira vez na semana, me sinto completamente otimista em relação ao contrato. Quando são 17:20, termino o segundo rascunho. Respiro fundo, satisfeita com o resultado. Tenho certeza que a empresa ficará satisfeita também.
Antes de fechar o computador, abro o calendário. Dezessete de agosto. Seis dias para o meu aniversário. Um mês desde que cheguei aqui. Minha mente gira com a velocidade com que o tempo passou. Balanço a cabeça, tentando afastar a sensação que toma meu peito. Decido checar o preço de voos para Paris. Não sei se vou conseguir encontrar Simon, mas pensar a respeito me distrai. Após alguns instantes, sinto meu estômago roncar.
Vou até a cozinha enquanto reviro os olhos. Paro imediatamente ao notar a presença de uma mulher. Ela tem os cabelos fartos e escuros. Seus olhos são azuis e sua pele é clara. Ela é bem mais velha que eu. Talvez tenha a idade da minha mãe. Ela me encara, após alguns instantes, e sorri.
— Você deve ser a Srta. Fray, — ela diz. Sua voz é suave e calma. Sorrio, entrando na cozinha. — Meu nome é Amatis. Eu trabalho para a família Herondale.
— Ah, — digo. Não sei se devo falar mais alguma coisa.
— A Sra. Herondale achou que você poderia precisar de alguma coisa, — ela fala, seus olhos brilhando com empatia. Sorrio ao pensar em Céline.
— Claro, — sussurro. Depois de alguns instantes, completo. — Ela é uma mulher maravilhosa.
— Realmente. A senhorita precisa de alguma coisa?
— Não, — respondo automaticamente. — Quer dizer, você não precisa se preocupar.
— É meu trabalho, senhorita, — ela diz.
— Ah. Bom, eu estou com fome, — murmuro, sentindo minhas bochechas esquentarem. Ela sorri, satisfeita em poder ajudar.
— A janta está quase pronta. Estou fazendo salmão grelhado com arroz amarelo. Tudo bem para você?
— Deus! Tudo ótimo, — digo, ouvindo meu estômago roncar mais uma vez.
Ela sorri e eu volto para a sala. Checo meu celular e não vejo nenhuma mensagem de Jace. Decido mandar alguma coisa.
Terminei o contrato. Você está bem?
Espero para ver se a mensagem foi entregue. Após alguns minutos encarando o celular, percebo que Amatis está servindo a janta na mesa de jantar. Guardo o celular e levanto, indo até ela.
Após alguns protestos, ela permite que eu ajude-a a levar as coisas até a mesa. Pergunto para ela se Jace irá se juntar a nós e ela diz não saber. Tento esconder a decepção do meu rosto.
— Você poderia comer comigo, — digo. Ela parece surpresa.
— Eu comerei na cozinha, senhorita.
— Não quero comer sozinha, — murmuro. E, para não parecer egoísta, completo. — Você não precisa comer na cozinha.
Ela sorri, surpresa e contente. Após buscar seu prato, ela senta e começa a comer. Passamos alguns minutos em silêncio. Depois, entre a quarta e quinta garfada, pergunto sobre seu trabalho com a família Herondale. Ela sorri imediatamente.
Ela conta sobre como começou a trabalhar para Stephen assim que ele saiu da casa dos seus pais. Ela tomava conta da casa enquanto ele trabalhava e viajava. Depois de alguns anos, ela foi com ele para uma nova casa, onde ele construiu sua família com Céline. Ela conta como todos ficaram felizes com a gravidez. E ela conta sobre as aventuras de um pequeno Jace. As histórias me enchem de amor e, por um motivo que eu não consigo explicar, sinto vontade de chorar. Imagino um menino pequeno, de cabelos dourados, correndo pela casa e perco o fôlego.
Fico feliz ao pensar em Jace com uma infância perfeita e inocente. Suspiro ao pensar na minha própria história.
Depois de comer, vou com ela até a cozinha e ajudo-a na louça. Ela parece satisfeita comigo, como se eu tivesse passado por um teste. Me pergunto se Jace sabe a quantidade de amor que o cerca.
Depois de falar que ela pode ir descansar, vou até a sala e ligo a televisão. Coloco em um canal de filmes qualquer e checo meu celular. Uma mensagem de Jace aparece.
Estou bem, e você? Devo chegar tarde hoje.
Respondo imediatamente. Ignoro a preocupação e tento focar na TV. Um dos filmes do Star Wars está passando. Automaticamente penso em Simon. A imagem dele, tocando violão, em algum lugar na Espanha alivia a pressão em meu peito. Deito no sofá e fico assistindo o filme. Aproveito o fato de saber as falas do filme para praticar meu italiano.
Algum tempo depois, pego no sono.
—
Sinto braços me envolverem. Em algum lugar distante, sinto cheiro de perfume masculino. Meus braços envolvem o pescoço de Jace e eu me acomodo em seu colo. Pego no sono com o chacoalhar do seu corpo ao me carregar pelas escadas.
—
Acordo com o despertador tocando. São 7:50. O braço de Jace cerca minha cintura enquanto seu rosto está enterrado em meu pescoço. Ele geme e, depois de um minuto, levanta o braço e desliga o despertador.
Me espreguiço e encaro-o. Seus olhos dourados parecem bronze por causa do sono. Seus cabelos estão totalmente desgrenhados. Ele sorri de maneira sensual e eu prendo a respiração. Deus, que homem.
— Bom dia, — ele sussurra. Sua voz rouca me envolve e eu gemo. Vejo suas pupilas dilatarem levemente e sorrio.
— Bom dia, — respondo. Ele me envolve, sua boca encostando no lóbulo da minha orelha.
— Eu trouxe algumas roupas suas ontem, — ele murmura, se afastando. Solto um muxoxo por causa ao sentir a falta do seu calor enquanto observo-o se levantar.
— Obrigada, — digo, me levantando também.
Estou usando as mesmas roupas de ontem e, por um momento, me pergunto como cheguei no quarto. Jace vai até o closet e pega uma pequena mala. Ele coloca a mala em cima da cama e abre o zíper. Vejo diversas peças de roupas e sorrio. Vou até ele e abraço-o, beijando sua bochecha em seguida. Antes que ele possa fazer qualquer coisa, no entanto, pego uma lingerie preta e vou até o banheiro. Fecho a porta e tiro a roupa, entrando no chuveiro em segundos. Escovo os dentes enquanto me enxáguo.
O calor da água remove o cansaço do meu corpo e relaxa meus músculos. Não lavo o cabelo, mas ajeito-o em um coque bagunçado assim que saio do chuveiro. Visto a lingerie e saio do banheiro. Jace está no closet, de cueca. Seu corpo escultural chama minha atenção e eu sinto meu corpo arder de desejo. Desvio o olhar e vou até a mala. Pego um macacão branco, com um cinto preto e olho os sapatos que Jace trouxe.
Sinto o calor de sua mão deslizando da minha nuca até a base da minha coluna enquanto escolho o sapato. Sorrio, sentindo meu corpo inteiro se arrepiar.
— Você é uma tentação, amor, — ele sussurra contra o meu pescoço.
Seu braço envolve minha cintura e sua mão me puxa contra si. Posso senti-lo, contra o meu corpo, e ronrono. Sinto seu sorriso contra a base do meu pescoço. Ele me vira para si e nossas bocas se encontram. O gosto de pasta de dente, misturado com o calor da sua língua, me preenchem. Minhas pernas fraquejam e eu me seguro em seus ombros.
Suas mãos deslizam pelo meu corpo. Enquanto uma de suas mãos mantém meu pescoço imóvel, a outra aperta minha bunda lenta e firmemente. Meu sangue ferve e eu suspiro contra os seus lábios. Meus dedos prendem seus cabelos e deslizam pelo seu torso nu, indo de encontro ao zíper da sua calça. Posso sentir sua ereção pulsando contra minha barriga.
Ele geme meu nome como um mantra enquanto eu abro sua calça. Meus dedos envolvem seu membro e eu gemo ao sentir seu calor. Suas mãos contornam meus seios enquanto ele mordisca meu pescoço. Gemo e sinto-o me guiar até a parte livre da cama.
— Jace, — ronrono, arqueando minhas costas enquanto ele me deita. Seu corpo cobre o meu e eu me perco em sensações.
Ele tira minha calcinha leve e tranquilamente, tão devagar que eu gemo um protesto. Seu sorriso torto me irrita e me consome, e seus dedos me tiram do eixo. Sinto a ponta dos seus dedos me atiçar enquanto sua língua me explora sensualmente. Ofego, incapaz de formar palavras. Ele me penetra com dois dedos e eu arqueio minhas costas, abrindo-me, dando-o completo acesso ao meu corpo.
— Clary, Clary, Clary — ele sussurra contra a minha entrada, lambendo e chupando cada pedacinho de mim.
Gemo e contorço-me contra sua boca. Minhas unhas parecem rasgar o lençol quando meus olhos encontram os seus. Ouro líquido escorre de seus olhos, aquecendo meu corpo ao ponto de combustão. Sem nenhum aviso prévio, ele me penetra mais profundamente, atingindo um ponto de prazer que faz com que eu exploda de maneira épica.
— Jace, — grito, deixando meu corpo convulsionar contra seus lábios. Ele engole cada gota minha como se estivesse tomando um elixir.
Estou me recuperando minha respiração quando sua boca toma a minha. Nossas línguas batalham por controle e eu envolvo seu pescoço com meus braços, arranhando suas costas. Mordo seu lábio de maneira sensual, passando a língua pelo local em seguida. Sinto sua ereção pressionar minha entrada e gemo contra a sua boca. Ele se afasta o suficiente para guiar seu membro para dentro de mim.
A pressão, tão familiar, faz com que eu perca o fôlego. Ele me penetra, de maneira controlada, gemendo meu nome. Relaxo meu corpo, acomodando-o completamente. Ele respira fundo, tentando se controlar, e eu sorrio com a delicadeza com a qual ele me trata. Levanto seu rosto até que nossos olhos se encontrem e vejo o dourado praticamente inexistente. O desejo e o amor transbordam pelos seus olhos e eu me sinto linda quando ele começa a se mexer dentro de mim.
Meu corpo responde ao seu imediatamente, abrindo-se para ele. Recebendo-o. Meu prazer cresce e meu sangue ferve. Meu coração bate tão alto que me pergunto se ele consegue escutá-lo. Jace me ama, beijando-me com devoção e chupando meu pescoço. Sinto meu sexo mastigar seu membro enquanto eu alcanço o clímax. Nossos olhos se encontram e nós explodimos juntos, de maneira brilhante.
—
Ainda estou ofegante enquanto coloco um sapato de salto médio. Meu cabelo, com o penteado refeito, combina perfeitamente com o visual do macacão. Jace já está pronto quando eu me levanto. Nós descemos de mãos dadas e, quando chegamos na cozinha, o café já está servido. Não consigo controlar os sorrisos e os olhares que troco com Jace, então fico grata de não ver Amatis. Por um momento, imagino como seria minha vida se eu morasse com ele.
Depois de comermos, vou até a sala e pego meu computador e minha bolsa. Encontro com Jace na garagem e entro no Audi. O cheiro de carro novo me envolve e ele sai com o carro, dirigindo de maneira tranquila até a empresa. O caminho é silencioso e rápido. Às 9:00, Jace estaciona o carro na vaga reservada. Nós entramos juntos e posso sentir alguns olhares em nós. Pela primeira vez, no entanto, não me importo.
Andamos juntos até nossas salas e, antes que eu entre no meu escritório, Jace me dá um beijo quente e sensual que me deixa ofegante. Encaro-o, julgando seu comportamento e amando-o mais ainda. Ele sorri e dá de ombros, entrando em sua própria sala. Reviro os olhos e vou até a minha mesa. Mando o contrato por email para Tessa e verifico tudo até a hora da reunião, às 11:00.
Às 10:30, saio da minha sala para falar com Tessa e dou de cara com Valentim.
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