How to Love

22 Capítulo 22


Notas iniciais
Olá meus amores, tudo bem? Bom, sei que demorei horrores para postar, mas é aquela famosa história: fiquei enrolada e o tempo passou voando. Quando vi, já tinham passado três meses. Bom, esse capítulo está fresquinho e longo que é pra compensar vocês! Espero que gostem! Boa leitura!

Acordo com a minha garganta doendo. Estou ofegante e meu corpo está molhado de suor. Os lençóis estão embolados e o alarme do meu celular toca insistentemente. Deslizo meus dedos pelo meu cabelo, desembaraçando-o enquanto tento estabilizar minha respiração. Desligo o alarme e levanto da cama, sentindo um arrepio quando o ar frio bate no meu corpo suado.

Minha mente agitada tenta analisar o sonho de todas as maneiras possíveis. Não consigo imaginar minha mãe permitindo, ou até mesmo se envolvendo, numa história dessas. Ainda assim, a imagem do meu pai com uma arma na mão era muito plausível, o que me dava calafrios. Balanço a cabeça tentando me livrar do sonho. Tenho que lutar contra a vontade de ligar para Jace só para ouvir sua voz.

Ando até o banheiro e entro no chuveiro. A água morna relaxa meus músculos tensos enquanto minha mente tenta focar em outras coisas que não envolvem o pesadelo que eu havia tido. Respiro fundo quando sinto meu coração acelerar e penso em Jace.

Saio do chuveiro, me enrolando numa toalha, e vou até o quarto. Pego uma lingerie vinho e visto-a, voltando ao banheiro. Como não havia lavado o cabelo, decido fazer uma trança. Quando meu penteado está feito, faço uma maquiagem leve que disfarça as olheiras no meu rosto. No quarto, coloco um macacão preto, com detalhes claros na frente, e um sapato preto de salto médio. Me olho no espelho e fico satisfeita com o visual.

Vou até a cozinha e tomo um café preto, extra forte. Assim que termino, vou buscar minha bolsa e meu celular, que acabei esquecendo no quarto. Assim que entro no ambiente, faço uma anotação mental para mandar lavar a roupa e pedir para alguém limpar o quarto.

O caminho para a empresa é tranquilo e sem nenhum trânsito. Chego no estacionamento às 9:15 e vou até minha sala sem ver ninguém conhecido. Assim que abro a porta do meu escritório, penduro minha bolsa e encaro a porta de Jace. Não consigo ouvir nada, mas sinto sua presença. Mordo o lábio e respiro fundo, novamente. Viro-me para a minha mesa e encaro uma pilha de anotações para o contrato. Deus, eu preciso focar nisso, penso.

— Você parece distraída, — sua voz é rouca e baixa. Tão absurdamente familiar que eu sinto vontade de chorar. Meus olhos se voltam para ele e eu vejo o dourado brilhar, se aquecendo ao me ver.

Antes que eu pense e reflita sobre meus movimentos, estou em seus braços. Meu rosto está enterrado na curva do seu pescoço e meus braços envolvem sua cintura. Ele parece surpreso, mas sinto seus músculos relaxarem enquanto ele retribui o abraço.

— Hey, está tudo bem? — ele pergunta. Sua voz soa abafada em meus cabelos, mas eu escuto-o com clareza. Sem saber o que responder, respiro fundo e sinto o cheiro do seu perfume. Eu conhecia aquela fragrância, mas não me lembrava o nome. Era tão masculino, mas ao mesmo tempo era tão suave.

— Sim, — murmuro contra o seu ombro. Minha voz está tão baixa que não sei dizer se ele me ouviu. Nossos pés se movem e eu fico perdida por um segundo até ver que estamos dentro da minha sala, com a porta fechada. Ele se afasta de mim o suficiente para ver meu rosto, mas seus braços continuam me envolvendo.

— O que aconteceu? — ele pergunta, sua voz coberta de preocupação. Por um minuto, não sei do que estamos falando. Mas, quando vejo o corte em seu lábio e um tom de roxo amarelado em seu olho, lembro de tudo.

— Nada, eu… — minha garganta fica seca e eu não consigo encará-lo. Aqui estou eu, na frente de um homem que está preocupado com a minha segurança, tensa por causa de um sonho. — Não foi nada.

— Amor, olhe para mim, — ele sussurra, levantando meu queixo com a ponta dos seus dedos. — O que aconteceu?

— Eu só… Eu tive um sonho ruim, — sussurro. Seus olhos brilham com algo doce e suave, transbordando amor.

— Você quer falar a respeito?

— Não, — digo. Sinto minha cabeça cair em sua direção e encosto minha testa em seu peito. Seus dedos se enroscam na minha trança e ele apoia seu queixo na minha cabeça. — Sonhei que tinha perdido você, — sussurro.

Ele não diz nada. Apenas se afasta, segurando meu rosto com suas mãos e me encarando. Seus olhos parecem ver minha alma e eu me sinto mais exposta e mais vulnerável do que em qualquer outro momento da minha vida.

— Clary, — ele sussurra. Meu nome soa como um mantra e seus olhos parecem entender exatamente o que eu estou sentindo. Como se ele estivesse no pesadelo comigo e tivesse visto cada detalhe assustador.

— Eu não queria depender tanto de você, do que você pensa ou sente. Isso não pode ser saudável. E tudo está acontecendo tão rápido, — digo. Sinto que estou tagarelando, mas preciso falar tudo que estou pensando. Seus olhos brilham enquanto o dourado se transforma em ouro líquido.

— Clary…

— E eu posso fingir que estou bem, sabe? Com o resto mundo. Não com você. Não há fingimento com você. E minha vida inteira se resume em fingir. Eu finjo que não me importo com o que meu pai fala e faz, finjo que não sinto falta do meu irmão, finjo que estou satisfeita com a minha vida, finjo que não culpo a minha mãe por me distanciar de Jonathan, — respiro fundo, tentando controlar as lágrimas. — Mas não consigo fingir que não me importo com você. Nem por um segundo. Nem se minha vida dependesse disso, — paro de falar, refletindo sobre o que eu acabei de dizer.

Era a mais pura verdade. O silêncio se prolonga e eu me apaixono mais uma vez por Jace enquanto ele me observa. Seus olhos demonstrando um carinho tão inocente. Seus braços me segurando de maneira tão possessiva.

— Queria poder te amar incondicionalmente sem sentir medo disso, — sussurro.

Seus lábios se partem, apenas levemente, e ele solta um suspiro. E, então, sua boca toma a minha. Com amor. Com carinho. Com reverência. Sua língua acaricia a minha e seus lábios massageiam os meus. É aquele tipo de beijo que queima devagar. E era exatamente isso que eu precisava.

Meus dedos se enroscam em suas mechas grossas enquanto suas mãos desenham meu corpo, venerando-o. Meu coração parece martelar meu peito e meus ouvidos zunem com o sangue pulsando em minhas veias. Minhas pernas fraquejam e eu me apoio nele, que me abraça. E então, quando o ar começa a faltar, ele se afasta.

Seus lábios estão inchados e seu rosto está corado de forma suave, aquecendo meu coração. O dourado de seus olhos, mesmo escurecidos, parece iluminar a sala.

— Ah, Clary, — ele murmura, deslizando seus dedos pelo meu rosto em um carinho amoroso. — Eu nunca pensei que fosse possível amar alguém do jeito que eu amo você. Pode ser rápido demais, e provavelmente é, mas eu amo você, — ele diz.

Sua voz soa exasperada, mas seu rosto brilha com a sinceridade de suas palavras. Pela primeira vez, noto que ele se sente tão vulnerável quanto eu e sinto vontade de beijá-lo de novo.

— Eu sei que você tem medo de quebrar a cara. Mas acredite em mim, amor. Eu nunca pensei que fosse possível sentir o que eu sinto por você. E só de pensar que você pode ir embora a qualquer momento, — ele sussurra. Seus olhos se fecham, como se ele sentisse dor. — Você não é a única pessoa que tem medo de perder alguém, Clary.

Uma única lágrima escapa dos meus olhos e ele a captura com um de seus dedos. E, sem controlar meus impulsos, envolvo-o em outro abraço. Sinto seus braços tremerem enquanto ele me envolve e me apaixono ainda mais por ele. Por ele se abrir tanto comigo, mesmo que isso o assuste.

— Eu não vou embora, — digo. Minha voz soa abafada contra o seu ombro, mas sei que ele me ouviu. Sei também que é muito cedo para afirmar isso com toda a certeza do mundo. Mas precisava dizer isso porque ele precisava ouvir.

Uma batida na porta nos desperta e eu me afasto do calor do seu corpo. Noto, pela primeira vez, sua roupa. Ele não está usando um terno, como de costume. Sua camisa preta está com as mangas dobradas até o cotovelo e os primeiros botões do colarinho abertos. Sua calça é de um jeans escuro, quase preto. O sapato social dá um toque formal ao visual. Ele parece mais novo com as roupas mais casuais e eu não consigo evitar sorrir. Ele sorri também e abre a porta.

— Clary, querida, — diz o Sr. Herondale enquanto encara um papel. Seus olhos se levantam e param em Jace. Vejo um brilho passar por eles e sinto minhas bochechas esquentarem de maneira vergonhosa. — Desculpe, não quis atrapalhar.

— Já estava de saída, — Jace responde antes que eu me recomponha.

— Na verdade, você poderia ficar, — ele murmura como se estivesse pensando a respeito. Depois de alguns segundos que, para mim, foram extremamente constrangedores, ele continua. — Tenho duas coisas para discutir com você. Mas, pensando bem, Jace precisa visitar alguns vinhedos aqui perto. Porque você não vai com ele e, quando voltarem, você passa no meu escritório para conversarmos?

— Mas… Não seria melhor eu trabalhar no contrato? — pergunto.

— Bom, o Sheik tem um interesse muito grande em pontos turísticos na Europa. E as visitas de Jace são justamente para testar um circuito turístico que pretendemos montar com os vinhedos da região. Acho que seria bom você ir, para falar sobre o assunto com mais propriedade, sabe?

— Sim, claro, — o brilho em seus olhos indicava, claramente, que ele queria que eu fosse para passar mais tempo com Jace. Mas, depois dessa explicação, negar a oferta seria falta de educação. Não consigo evitar sorrir. — Sem problemas.

— Ótimo! Quando voltar, vá até minha sala para conversarmos, — ele diz. Com um pequeno aceno de cabeça, ele se despede de Jace e começa a andar.

— Sr. Herondale, — digo, indo atrás dele.

Jace parece surpreso quando eu passo por ele, mas continua observando a cena enquanto permanece apoiado no batente da porta, com os braços cruzados. Sua postura é tão sensual que me distraio por um segundo.

— Você já deve saber, mas meu pai está em Roma, — digo. Não teria como ele ver o filho naquelas condições e não saber quem havia causado isso. Ele acena para que eu continue. — Eu sei que ele vai tentar ameaçá-lo, e eu sinto muito por isso, mas eu não mudo minha decisão. Nem que eu tenha que trabalhar a distância.

— O que você está dizendo? — ele pergunta. Sinto a tensão exalar de Jace enquanto penso na minha resposta.

— Eu sei que meu pai é um homem muito poderoso e eu não quero que arrisquem a empresa para me manter aqui. O que estou dizendo é que, independente da decisão de vocês, eu vou fechar esse contrato ou eu não me chamo Clary Fray, — digo.

Stephen sorri, seus olhos brilhando de satisfação. Posso sentir algo como orgulho vindo de Jace e sorrio também.

— Fico feliz em ouvir isso, querida, — Stephen murmura, acenando e entrando em sua sala.

—-

Entro no elevador com o meu coração acelerado. Minhas mãos estão suadas e um frio toma conta da minha barriga. Enquanto encaro o chão, com Jace ao meu lado, percebo que estou nervosa. Como uma adolescente em seu primeiro encontro com o menino que ela gosta. Sorrio com o pensamento.

— Meu pai sabe ser discreto, não? — ele pergunta. Sua voz rouca, tão familiar, me envolve.

— Não faço a mínima ideia do que você está falando, Sr. Herondale, — ronrono, piscando inocentemente.

Ele ri e uma onda de calor toma conta do meu coração conforme o som enche o ambiente. Sorrio e as portas se abrem. Tessa está atrás do balcão da recepção. Seu semblante parece irritado enquanto ela fala com alguém no telefone. Ela nos vê e seu rosto relaxa levemente enquanto ela pisca para mim. Sorrio e acompanho Jace até o estacionamento. Vejo que ele está com o Porsche novamente e reviro os olhos enquanto ele dá de ombros.

Nós entramos no carro ao mesmo tempo e assim que coloco o sinto, ele sai com o carro. O silêncio é confortável, mas eu me sinto inquieta. Bato meus dedos contra minha coxa e o movimento me irrita; decido prender minhas mãos embaixo das pernas. Após alguns instantes, sinto meus dedos formigarem e solto um suspiro. Um barulho abafado chama minha atenção e percebo que Jace está segurando a risada.

— Gostaria de compartilhar a piada? — pergunto. Meu tom irritado me surpreende, mas mantenho a postura.

— Creio que isso acabaria com a graça, — ele murmura. Encaro-o e noto um sorriso torto em seu rosto. Torto e ridiculamente sensual. Me pergunto quantas mulheres caíram de joelhos por esse sorriso e mordo o lábio com irritação.

— Você deveria prestar atenção na direção, — murmuro. Ele parece se divertir mais ainda com a resposta e eu sou obrigada a segurar o sorriso.

— Por mais impressionante que seja, eu consigo rir de você e dirigir ao mesmo tempo, — ele diz. A alegria na sua voz me envolve e eu sorrio, dando um tapa em seu ombro. — Ai! Eu estou dirigindo!

— Cala a boca, — digo, rindo. Ele me acompanha e dá de ombros, como se não pudesse evitar tirar uma com a minha cara.

Antes que eu perceba o que eu estou fazendo, deslizo meus dedos pelo seu cabelo, despenteando-o levemente. Faço um carinho suave nos fios perto da sua nuca e ele sorri.

Ainda com o braço esticado e os dedos entrelaçados nas mechas douradas do seu cabelo, encosto no banco e aprecio a vista. Já tínhamos saído da cidade fazia algum tempo, mas agora estávamos passando por uma pequena estrada cercada por plantações de uva. Sinto meu corpo relaxar, como se tivesse entrado em uma bolha que me protegesse da realidade do lado de fora.

Naquele momento, havia apenas eu e Jace. O silêncio do carro. As plantações. O sol.

— Você parece feliz, — ele sussurra, como uma criança que não quer atrapalhar algo que ele não entende totalmente.

— Sabe quantas pessoas no mundo queriam estar aqui, nesse exato momento? Em Roma, com alguém que você ama. Com essa vista e esse céu azul, — murmuro distraída. Ele me observa sem tirar os olhos da estrada e eu suspiro. — Estou apenas apreciando a minha sorte.

— Teoricamente, estamos em Frascati, — ele diz. Encaro-o, arqueando uma sobrancelha. Ele sorri e balança a cabeça, como se estivesse surpreso. — Você faz eu perder o fôlego às vezes, amor.

— Só às vezes?

— Só, — ele diz, sorrindo.

Depois de algum tempo em silêncio, percebo que ele sai da estrada principal e pega uma via menos movimentada. Seguimos por alguns minutos e ele para o carro numa parada para turistas tirarem fotos. Não consigo ver a vista do carro, mas vejo algumas pessoas animadas com as fotos.

Desço do carro e Jace segura minha mão. Ele me leva até a beirada e eu perco o fôlego. Cercado por uma área verde belíssima, está um lago enorme. O azul cristalino reflete a luz do sol e as árvores que cercam o lago. Por um minuto, fico em silêncio e aprecio o momento. Jace me olha, sorrindo. Sorrio de volta e envolvo-o em meus braços. Ele me abraça de volta e beija minha testa, apoiando seu queixo em minha cabeça, logo em seguida. Suspiro de encontro ao seu peito e ouço as batidas de seu coração enquanto observo as estradas que levam até o lago.

— Vamos, — Jace murmura após alguns minutos. — Ainda temos que ver muitas coisas incríveis.

Me afasto e pego meu celular. Depois de tirar uma foto do lago, ando com ele até o carro. Ao invés de dirigir em direção ao lago, Jace parece contorná-lo. Logo, não consigo mais vê-lo. O caminho é tranquilo e o sol parece ficar cada vez mais forte. Após alguns instantes, entramos em uma via um pouco mais movimentada. Jace dirige por alguns minutos e uma placa chama minha atenção. Benvenuti ad Ariccia. Logo que passamos a placa, vejo um morro cercado de casas e pequenas vilas. No topo, há algo parecido com um castelo. Jace entra na cidade, subindo o máximo que é permitido e estacionando em frente à um restaurante. Desço do carro e olho em volta. Enquanto Jace confirma se ele pode deixar o carro ali, subo mais um pouco a rua. Ao olhar em volta, vejo o lago em que estávamos por entre os telhados das casas e estabelecimentos da rua. Suspiro com a beleza e tiro algumas fotos.

Braços fortes envolvem minha cintura, me pegando de surpresa. Sinto Jace sorrir atrás de mim e apoio minha cabeça contra o seu ombro. Me viro e encaro-o por um segundo. A luz do sol parece existir para iluminá-lo nesse ângulo. Seus cabelos louros parecem fios de ouro e seus olhos brilham como faróis. Seu maxilar parece ainda mais marcado e os machucados parecem cicatrizes de batalhas. Naquele momento, com suas roupas escuras e seus olhos dourados, Jace me lembra um anjo. Antes que ele se mova, viro meu celular em sua direção e tiro uma foto. A imagem sai espontânea, com uma brisa suave balançando seus cabelos. Sua boca levemente aberta, um protesto silencioso em seus lábios. Seus olhos divertidos, inundados de surpresa. E, para minha surpresa, suas bochechas coradas, demonstrando uma certa vergonha.

Depois de dispensar suas tentativas de ver a foto ou tirar uma minha, deixo-o me guiar pelas ruas da cidade. Ele me fala um pouco sobre o projeto.

— Roma é um dos pontos turísticos mais visitados do mundo, sabia? — ele pergunta, em um ponto da conversa.

— Por causa do Vaticano?

— Em parte. De todo jeito, muitas pessoas vem pra Itália e visitam só Roma. Alguns vão para Milão, Florença, Verona e Veneza. Todas as cidades conhecidas mundialmente, — ele diz, pausando para checar uma mensagem no celular. Depois de guardá-lo no bolso, ele continua. — Mas existem muitos lugares como esse, que são belíssimos e tradicionais, perto dessas cidades, e que não têm 5% dos turistas que Roma tem. Meu pai acha que vale a pena investir nesses lugares, criar parcerias com hotéis, etc.

— E o que você acha? — pergunto enquanto andamos até o topo do morro. Ele parece surpreso, mas sorri.

— Acho que devíamos ter feito isso antes, — ele diz. Sorrio e vou com ele até um dos mirantes.

É possível ver o lago inteiro desse ponto. O céu está limpo e o sol reflete na água, fazendo com que as fotos não saiam tão bem quanto eu gostaria. Jace tira o celular da minha mão e coloca na câmera frontal. Ele se abaixa, colocando seu rosto próximo ao meu, e sorri. Nossos cabelos fazem um contraste incrível de fogo e ouro com a luz do sol. Minhas sardas brilham e, enquanto eu foco em sorrir, Jace pressiona seus lábios na minha bochecha e tira outra foto.

— Nós somos oficialmente um casal meloso, — digo enquanto rio. Ele me devolve o celular e eu o guardo na bolsa. Seu sorriso parece iluminar o mundo e ele dá de ombros.

— Eu consigo pensar em várias coisas melosas que são deliciosas, — ele sussurra contra o meu ouvido. Coro violentamente e ele ri. — Mente suja.

— Eu estava pensando em mel, — murmuro, piscando meus olhos inocentemente. Jace sorri maliciosamente.

— Eu também, — sua voz rouca me deixa excitada e eu considero agarrá-lo no meio da rua. Ele me direciona um meio sorriso, maravilhosamente torto, e eu noto um grupo de mulheres encarando-o.

— Acho que a loira pode desmaiar se você continuar agindo dessa maneira, — digo casualmente. Ele olha para a mulher e sorri, voltando sua atenção para mim.

— Eu apostaria na morena, — ele diz. O sarcasmo escorre pela sua boca e eu sinto meu sangue ferver. Arqueio a sobrancelha, tentando controlar minha reação e ele sorri.

Estou pensando em uma resposta afiada quando sua boca encontra a minha. Ele devora meu suspiro de surpresa e me enfrenta em uma batalha de línguas e dentes. Seus braços me puxam para si enquanto ele me beija de maneira faminta. Nossos lábios parecem sincronizados, trabalhando juntos sob o comando dele. Eu fico totalmente mole em seus braços. Nesse momento, entendo porque os beijos dos filmes são gravados por uma câmera que gira em torno das pessoas. Nesse momento, sinto o mundo parar de girar ao mesmo tempo em que o chão parece vibrar. Meu sangue ferve por um motivo completamente diferente e eu posso ouvir as batidas do meu próprio coração.

Quando Jace finalmente se afasta, estou ofegante e entregue. Ele sorri, de maneira casual. Me pergunto como ele consegue estar tão calmo enquanto eu sou incapaz de andar. Esqueço completamente o grupo que nos observava enquanto Jace me guia para dentro de um restaurante. Eu tropeço duas vezes, mas me recomponho de maneira vitoriosa.

Depois de pedir uma mesa para dois, o garçom nos informa o tempo de espera. Estou prestes a ir até um dos bancos aguardar quando Jace me puxa na direção oposta. Surpresa, eu o sigo. Depois de passarmos por diversas mesas, Jace vira à direita em um corredor menos movimentado. Ele olha em volta diversas vezes, colocando a cabeça para dentro de uma porta aleatória. Ele me puxa para dentro e noto que estamos em um banheiro. Como o restaurante é pequeno, há apenas um banheiro feminino e um masculino, sem cabines separadas. Olho em volta, confusa, enquanto ele tranca a porta.

Quando nossos olhos se encontram, vejo o desejo estampado em seu rosto.

— Não, — digo assim que percebo suas intenções. — Jace! Qualquer um pode tentar entrar…

— É só você ser silenciosa, — ele diz. Sua língua se arrasta em cada palavra e eu sinto meu corpo pegar fogo.

— Eu?

Sem me responder, ele me beija. Sua boca é feroz. Seus lábios são macios e seu gosto é uma mistura de pasta de dente e Jace. Gemo.

— Você, — ele sussurra, como se estivesse provando um ponto.

Ele me vira de costas para si e desce o zíper do meu macacão. Sinto o sua mão deslizar da minha nuca até a base da minha coluna. Seus dedos brincam com a renda da minha calcinha enquanto ele espalha beijos pelo meu pescoço. Mordo o lábio para segurar meus gemidos. E então, a tortura começa.

Sua mão envolve minha bunda sem afastar o macacão. Ele aperta, levemente. Depois, pele contra pele, ele aperta com força. Minhas mãos se apoiam na parede e eu tento focar na minha respiração. Um dos seus braços, que está ao redor da minha cintura, puxa meu quadril para trás fazendo com que eu fique com a bunda empinada. Posso ouvir sua respiração acelerada e sentir o calor do seu braço contra minha barriga.

Seus dedos se aventuram ainda mais para dentro do macacão, tocando-me por cima da calcinha de maneira tão suave que me pergunto se imaginei a sensação. Ele repete o movimento, pressionando o dedo contra a minha entrada já encharcada. Coloco a mão na boca para abafar um gemido. Após massagear minha entrada por alguns segundos, Jace afasta minha calcinha com a ponta dos dedos e me penetra com um deles. Suspiro, arqueando minhas costas e levando meu quadril de encontro a sua mão. Ele geme contra a minha nuca, fazendo um círculo com o seu dedo, me alargando. Os movimentos são lentos e longos, me deixando suada. E, quando estou prestes a implorar, ele me penetra com um segundo dedo. E com um terceiro dedo.

Não consigo pensar. Não sei como estou em pé. O braço que envolvia minha cintura mudou de posição para que sua mão, por cima da minha roupa, massageasse meu clitóris. Seus dedos, rodeados pela minha carne, aceleram o ritmo. Jogo meu corpo para trás, apoiando minhas costas contra o seu peito, e cubro a boca com as duas mãos. Sinto seus lábios chuparem meu pescoço e sinto meu corpo explodir. Meu sexo pulsa e meu corpo convulsiona. Jace é obrigado a me segurar com um de seus braços para que eu não caia.

Quando finalmente paro de gozar, Jace retira sua mão de dentro do meu macacão, ajeitando a calcinha no lugar e fechando o zíper. Ele se vira e anda até a pia. Posso ver seu corpo tenso enquanto ele lambe seus dedos me encarando. Uma pontada de tesão toma conta do meu corpo e eu me surpreendo com o impacto que ele tem em mim. Ele lava as mãos em seguida. Ando até ele e, antes que eu o toque, ele se vira e me segura, mantendo uma certa distância de mim.

— Nós vamos terminar isso depois, — ele diz. Sua voz está absurdamente rouca e eu faço um pequeno bico com a boca ao pensar em seu desconforto.

— Não é justo, — murmuro. Ele me encara e, depois de alguns instantes, sorri. Um sorriso verdadeiro, que reflete em seus olhos.

— Você é tão absurdamente maravilhosa, — Ele me dá um selinho. — Vamos, — ele diz, destrancando a porta e checando se alguém está olhando. Depois de ter certeza, ele me puxa para fora do banheiro. Ninguém parece ter notado a nossa ausência. Quando chegamos na entrada do restaurante, o tempo de espera já acabou e o garçom nos guia até uma mesa.

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O dia passa rapidamente depois do almoço. Nós visitamos mais uma cidade e fomos em três vinhedos diferentes. Provamos queijos, vinhos e azeites de diversos sabores. Tiro várias fotos e prometo a mim mesma que vou desenhar algumas paisagens quando voltar para o hotel. Também quero desenhar a foto que tirei de Jace. Ele parece ter se divertido durante o dia e eu penso no quanto isso me deixa feliz.

O caminho de volta é silencioso e tranquilo. Ao chegarmos em Roma, no entanto, pegamos um pouco de trânsito. Jace parece distraído e eu me pergunto se ele está preocupado com alguma coisa.

— Vamos voltar para a empresa, certo? Para eu falar com seu pai? — pergunto.

— Meu pai foi embora mais cedo. Ele me mandou uma mensagem avisando, — ele diz, focado em trocar de faixa.

— Você vai me deixar no hotel ou vai me levar até a empresa para eu pegar meu carro? — pergunto após alguns minutos pensando no assunto. O caminho que estávamos fazendo servia para qualquer opção.

— Pra ser sincero, — Jace diz, deslizando a mão pelo cabelo. Noto que ele está nervoso e seguro um sorriso. — Eu queria que você dormisse em casa. Na minha casa. Mas amanhã eu tenho uma reunião super cedo e imagino que você possa ser uma.. hm… Distração.

— E então? — pergunto novamente quando percebo que ele não respondeu minha pergunta. Ainda assim, sorrio ao imaginar uma vida com Jace, na qual nós podemos acordar juntos todos os dias.

— Vou deixar você no hotel, — ele diz, dando de ombros. Reviro os olhos ao pensar no meu carro, mas tenho certeza que Jace já pensou no assunto.

Quando chegamos no hotel, Jace desliga o carro e me encara. Sorrio, deslizando meu dedo pelo leve inchaço do seu olho. Ele fecha os olhos e sorri enquanto eu desenho sua sobrancelha com a ponta dos meus dedos. Um suspiro suave parte seus lábios e eu vejo o quão cansado ele está.

— Eu convidaria você para subir comigo, mas como você mesmo disse, nós podemos nos distrair, — ronrono. Ele sorri e abre os olhos. O dourado me envolve e me aquece e eu sorrio.

— Eu posso subir com você, se você quiser, — ele sussurra. Lembro do meu pai e um arrepio desce pela minha coluna. Disfarço, sorrindo.

— Você precisa descansar. Eu ficarei bem, — ele abre a boca para falar algo, mas interrompo-o. — Eu prometo ligar se acontecer alguma coisa.

Ele sorri. Seus olhos, preocupados, travam uma batalha. Meu coração fica apertado ao vê-lo tão tenso por minha causa. Inclino meu corpo e beijo-o de maneira suave. Me afasto, rápido demais, e sorrio.

— Obrigada pelo dia, — sussurro. — Eu amo você.

— Eu também amo você. Muito.

Sua voz rouca e suave ao mesmo tempo parece me desejar boa noite. Deslizo meus dedos pelas mechas grossas do seu cabelo e me afasto, abrindo a porta e descendo do carro. Vou até a entrada e aceno para ele, vendo seu carro ligar e sair da entrada do hotel. Passo pela recepção e pego o elevador até a cobertura.

Entro no quarto e o cansaço toma meu corpo. Vou até o banheiro e tiro a roupa, entrando no chuveiro em seguida. Tomo uma ducha rápida e saio, me enrolando na toalha. Coloco um pijama mais quente ao notar que o ar condicionado está bem gelado. Abro a janela do quarto para compensar e deito, sem desfazer a trança do meu cabelo. Coloco o despertador e pego no sono assim que encosto a cabeça no travesseiro.

Às 8:30, acordo com o despertador tocando. Tive uma noite sem sonhos e estou completamente descansada. Desligo o despertador e levanto para ir me vestir. Assim que coloco o pé no chão, sinto um pedaço de papel contra minha pele. Perco o fôlego quando olho em volta. O chão do meu quarto inteiro está coberto de fotos. Fotos do Jace, sozinho. Fotos dele comigo. Fotos de ontem. Fotos da festa de celebração da empresa. Fotos minhas andando com Isabelle. Fotos minhas dormindo, sozinha, no quarto do hotel. Sinto o quarto girar e corro até o banheiro. Lá, vejo uma mensagem clara no espelho, escrita com um dos meus batons.

Você é minha.

Notas finais
E aí, meus amores? O que acharam? Espero que tenham gostado! Eu realmente sinto muito por não ter postado antes. Esse semestre tem sido bem corrido e eu estou me recuperando do maior bloqueio criativo que eu já tive na vida. Como vocês sabem, os comentários de vocês são muito importante para mim porque eu quero seguir isso como profissão. Então, por favor, comentem, favoritem e, se acharem que a fic merece, recomendem! Obrigada por não me abandonarem! Desculpe a demora! Fiquem bem ♥ Beijos, beijos