How to Love

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Olá gente, tudo bem? Estou de volta (justificativas nas notas finais)! Mais um capítulo fresquinho pra vocês! Espero que gostem. Boa leitura!

Acordo com a minha cabeça latejando. A dor é tão forte que sinto meu estômago se contorcer. A cortina aberta faz com que eu tenha que apertar os olhos para a claridade. Sento na cama e respiro fundo, tentando fazer o quarto parar de girar apenas com a minha força de vontade. Me levanto, lentamente, testando meu equilíbrio. Quando vejo que não vou cair, ando até o banheiro. Fecho a porta e me apoio na pia. Vejo que estou usando uma camisola de algodão, verde clara. Lembro de Jace jogando… Ah, meu Deus! Jace! Nem olhei para o lado antes de levantar. Minha cabeça gira ainda mais rápido quando vejo meu vestido jogado no cesto de roupa suja. Me abaixo, rapidamente, e coloco o conteúdo do meu estômago para fora. Meu corpo inteiro dói com o esforço e eu me levanto. O banheiro parece girar enquanto eu dou descarga e lavo minha boca. Abro a porta do banheiro e me apoio no batente, tentando fazer com que o chão pare de se mexer.

— Acho melhor você se sentar, — a voz de Jace chama minha atenção. Levanto os olhos e o vejo, parado na porta do quarto com um copo de suco na mão. Seu cabelo está desarrumado e ele está com a mesma roupa de ontem. Ele anda em minha direção e estica a mão para mim. Encaro-o, por um momento, sentindo meu corpo corar com a vergonha.

— Obrigada, — murmuro. Minha voz soa estranha. Estico minha mão e aperto a mão dele enquanto ando em direção a cama. Me sento, lentamente, e ele se abaixa na minha frente. Ele coloca um comprimido na minha mão e me entrega o copo de suco.

— Tome, vai ajudar, — ele diz. Seus olhos dourados procuram os meus enquanto eu evito seu rosto. Deus! Acho que nunca mais vou conseguir encará-lo. Como se tivesse lido meus pensamentos, ele coloca dois dedos embaixo do meu queixo, levantando meu rosto. Como ímãs, seus olhos atraem os meus e deixo o ouro me engolir.

— Des-desculpa, — digo. Tomo o suco de laranja e engulo o comprimido. Seus olhos me avaliam enquanto eu me estico e, lentamente, coloco o copo no criado-mudo.

— Desculpa? Por quê?

— Por ontem. Eu… Deus, eu vomitei no seu carro? — fecho os olhos, tentando lembrar. Há alguns momentos que parecem ter sido apagados da minha memória.

— Não, — ele diz. Seus dedos correm pelo meus cabelos e eu abro os olhos, encarando-o. — E não se preocupe com isso. O importante é que você está bem.

— Sim, — digo. Me levanto e ando em direção a janela. A claridade não está me incomodando mais e, quando minha cabeça começa a girar, eu me apoio na parede. — Eu fui tão idiota. Você deve achar que…

— Eu não acho nada. Você nunca havia bebido antes. Não tinha como notar o álcool.

— Você está sendo gentil, — digo, evitando seu olhar. Ele levanta e segura meu braço, suavemente. Sua mão me puxa, virando meu corpo em sua direção.

— Eu estou sendo sincero. Gentil eu vou ser com Tessa, quando eu a ver de novo.

— Ela não sabia, — digo, procurando seus olhos. Posso ver raiva e decepção. Seguro as lágrimas quando penso que ele se sente assim comigo.

— Eu não ligo a mínima para o que ela pensou. Você disse que não queria beber. Ela deveria…

— Ela não fez por mal, — digo. Sinto meu estômago se revirar de novo e coloco a mão em minha barriga. Seus olhos notam meu movimento e me encaram. Vejo quando suas sobrancelhas franzem com preocupação.

— Você deveria comer alguma coisa. Tem um café, descendo a rua, que é muito bom, — ele diz. Aceno com a cabeça e ando até o armário. Pego um shorts preto e uma camiseta azul claro e vou até o banheiro.

Fecho a porta e me troco, prendendo meu cabelo em um coque e lavando o rosto. Ainda estou meio zonza enquanto escovo os dentes. Vejo meu vestido, novamente, e tento pensar no que aconteceu ontem. Lembro de pedir para Jace dormir comigo, mas não consigo lembrar do que aconteceu antes disso. Minha cabeça parece dar um nó e saio do banheiro respirando fundo. Quando chego na sala, vejo Jace pronto, sentado no sofá. Seus olhos deslizam pelo meu corpo e eu mordo o lábio, tentando controlar minha respiração. Pego a minha bolsa, junto com a chave do quarto e abro a porta, chamando o elevador em seguida. Ele me segue. Entramos no elevador e vejo que ele abre a boca para falar algo. Antes que ele o faça, no entanto, meu celular toca.

— Fray, — digo. Minha dor de cabeça faz com que minha cabeça lateje ainda mais.

— Clary! Tudo bem? — Simon diz, sua voz animada faz com que eu me encolha.

— Tudo, e você?

— Tudo certo! Vi sua mensagem e lembrei da nossa conversa. Daí eu me liguei que você não contou a novidade, — ele diz. Sua maneira rápida de falar faz com que minha cabeça dê voltas enquanto eu tento pensar.

— Novidade?

— Sim! Você disse que tinha novidades, lembra? Tem certeza que está bem, Fray?

— Sim, Simon, eu tenho, — murmuro. — Podemos nos falar depois? Sobre isso?

— Está ocupada?

— Não, estou com dor de cabeça e esse é um assunto que demanda calma.

— Estou curioso! Você não pode me dar nem uma dica? — ele pergunta, rindo. Saio do elevador com Jace logo atrás de mim e vamos andando até o estacionamento.

— Eu, talvez, tenha me demitido, — digo. O silêncio faz com que eu relaxe. Posso sentir quando ele respira fundo.

— Meu Deus, Clary, como assim? Você vai voltar para Nova Iorque? E seu pai? E os caras da Itália? Meu Deus, sua mãe vai surtar! Como isso aconteceu? Seu irmão sabe? Mas…

— Simon, pelo amor de Deus, para de falar por um segundo, — digo, colocando a mão na cabeça.

— Eu só… Tem certeza que você está bem, Fray?

— Eu estou com dor de cabeça. Só isso, — digo.

— É por causa disso? Nossa, seu pai deve estar louco com você!

— Provavelmente.

— Você está bem?

— Simon, se você me perguntar isso mais uma vez…

— Estou perguntando de você. Emocionalmente, — ele diz. Sua voz está mais tranquila e sorrio com isso.

— Não sei. Acho que sim.

— Você vai voltar para Nova Iorque?

— Vou fechar esse contrato. Me comprometi com os Herondales.

— E eles têm sido legais com você? — coro, pensando em tudo que Jace tem feito por mim nos últimos dias.

— Sim, — digo. Entro no carro e Jace fecha a porta para mim.

— Que bom. Pelo menos isso.

— Sim, pelo menos isso.

— Bom, quando você quiser conversar, me ligue. Estarei livre esse final de semana!

— Pode deixar, — murmuro, encostando minha cabeça no banco. Jace liga o carro e sai do estacionamento.

— Te amo, Fray.

— Também te amo, Simon,- digo e desligo o telefone. Respiro fundo e guardo o aparelho na bolsa. Olho para Jace e vejo que seu corpo inteiro está tenso. Sua boca está uma linha fina e seus olhos focam em tudo, menos em mim.

Fico em silêncio, encarando-o, enquanto ele dirige e estaciona o carro. Nós descemos e entramos num café bem aconchegante. Há algumas cadeiras na calçada, e outras espalhadas dentro do estabelecimento. Há diversas flores, nas mesas e nos balcões, e as janelas iluminam o local. Andamos até uma mesa mais ao fundo do local e nos sentamos. Um garçom, de olhos claros e cabelos escuros, anda na nossa direção e sorri. Ele diz algo em italiano e Jace responde, fazendo o nosso pedido. Prometo a mim mesma que, assim que essa dor de cabeça passar, eu irei começar a estudar italiano. Jace permanece em silêncio, depois que o garçom se afasta, e eu encaro minhas mãos.

— Era seu namorado?

— Oi? — olho para cima e vejo seus olhos, me avaliando.

— Simon. É seu namorado? — ele pergunta. Franzo as sobrancelhas tentando entender como ele havia chegado nessa conclusão.

— Não! Por quê você pensou isso?

— Nada. Apenas… Você disse que o amava, — ele diz, desviando o olhar. Penso em como nós nos beijamos nesses últimos dias.

— Você… Você acha que, se eu tivesse namorando, eu teria me envolvido com você? Deus, que tipo de mulher… Que tipo de pessoa você acha que eu sou? — pergunto. Elevo minha voz, levemente. Seus olhos encaram os meus e parecem travar uma batalha.

— Não, é só…

— Bom, achou errado, — digo assim que o garçom chega. Ele sorri para mim e se afasta quando eu o agradeço.

— Sinto muito, — Jace murmura. — Não quis dizer isso.

Decido ignorar seu comentário e fico em silêncio enquanto comemos. Há um café preto, bem forte, e algumas torradas com geleias. Passo a geleia de morango em uma torrada enquanto reflito sobre tudo que aconteceu. Não me arrependia de ter tomado as decisões que tomei, em relação a empresa. Mas um frio envolve minha barriga quando eu penso em Jace. Estava me deixando levar por ele. Nunca havia permitido um envolvimento, além do profissional, com um chefe. E, em uma semana, havia dormido com Jace. E tido sonhos que não deveriam ser permitidos. Não queria evitá-lo, mas me descobri com medo de me deixar envolver por causa de uma simples pergunta que Simon fez. O que vou fazer depois desses três meses? Voltar para Nova Iorque? Não poderia ficar. Mas não poderia achar que meu pai permitiria que alguém, nos Estados Unidos, me contrate. Teria que me mudar de qualquer jeito. Mas, ao mesmo tempo, estaria longe de tudo. Simon, minha mãe, Luke. Não queria ter que sair do país. E, com isso tudo, voltei a pensar em Jace. Poderia trabalhar na Herondales. Na verdade, seria perfeito. Trabalhar em um lugar que eu sabia ser bem vinda, com pessoas que se importavam. Mas não queria ter que escolher entre Jace e minha família.

— Você está longe, — Jace diz. Sua voz é tão suave que parece uma carícia em minha pele. Meus olhos encontram os seus e deixo o dourado me levar.

— Apenas pensando, — digo.

— Eu sinto muito, de verdade, — ele sussurra. Vejo o arrependimento em seus olhos e uma parte da minha raiva se dissolve feito açúcar em água.

— Eu sei, — digo, por fim. Vejo seus ombros relaxarem e, como uma luz, lembro de ontem. De sua mão me guiando pelo corredor da festa. A maneira como ele apertou o volante quando eu disse que Tessa mentiu. Seus olhos encarando meu corpo. E, por fim, a maneira como ele me puxou contra si e sussurrou em meu ouvido. Sinto-me corar violentamente, o calor se espalhando por todo o meu corpo.

— O que foi? — ele pergunta, notando meu embaraço.

— Meu Deus, eu acabei de lembrar de tudo que eu falei… Meu Deus! — ele sorri, um sorriso amplo que ilumina seu rosto, e dá de ombros.

— Eu sabia que você não lembraria, — ele diz, encostando na cadeira. Fico ainda mais corada quando entendo a referência.

— Oh, meu Deus! Eu… Eu sinto muito. Você deve achar que eu sou…

— Eu entendo. Acredite.

— Você já implorou para transar com seu chefe? — pergunto, arqueando minha sobrancelha. Ele ri.

— Você tem que entender que eu nunca tive um chefe.

— Não está ajudando, — digo, escondendo meu rosto nas minhas mãos.

— Clary, — ele diz, um sorriso ainda brinca em seus lábios.

— Obrigada por não ter, hm, aceitado, — digo, desviando o olhar e corando. Penso em todos os homens que eu conheço e como a maioria teria se aproveitado da situação. — De verdade.

— Claro, — ele diz e vejo suas bochechas corarem. É tão suave que não sei se é real. Sorrio com sua atitude e vejo o garçom trazer a conta. Como Jace está de costas, eu sou mais rápida e pego o papel antes que ele. Ele me encara, surpreso, e ri quando eu entrego meu cartão.

— Essa é por ontem, — sussurro. Ele sorri.

— Eu tenho certeza que vou acabar me acostumando com isso, — ele diz. Rio enquanto dou de ombros. — Vejo que o café melhorou sua dor de cabeça.

— Sim! Obrigada por isso também, — digo. Franzo as sobrancelhas. — Acho que vou ter que pagar todas as contas, pelas próximas duas semanas, pelo menos, para compensar ontem e hoje.

— Eu diria pelas próximas três semanas, — ele diz. Vejo que um sorriso brinca em seus lábios e seus olhos parecem brilhar. Sorrio e aceno.

— Talvez, — digo. Nos levantamos e voltamos para o carro.

O caminho de volta ao hotel é silencioso e tranquilo. Jace estaciona o carro na frente da recepção. Nossos olhos se encontram e, por um minuto, penso em ficar com ele. Vejo seus olhos escurecerem, lentamente, como se o ouro derretido escorresse por sua alma e desse lugar a escuridão do desejo. Sorrio, pensando em como Jace cuidou de mim desde que cheguei. Com Mortmain, com meu irmão, com meu pai, e ontem, com a bebida. Estico a mão e deslizo meus dedos pelo seu rosto. Sua barba por fazer, seus cabelos sedosos, seus lábios grossos. Ele fecha os olhos, sua expressão totalmente relaxada. Sorrio e me inclino, sem que ele perceba. Dou um beijo suave em sua bochecha e, antes que eu perceba o que eu estou fazendo, encosto meus lábios nos seus. É suave, como uma pena, mas aquece meu coração de uma maneira que me deixa alarmada. Me afasto e me deparo com uma imensidão dourada, que me engole. Sorrio, envergonhada, como uma criança que é pega fazendo arte.

— Desculpa. E obrigada por tudo, — digo. Ele me encara, em silêncio, e sorri.

— Se precisar de alguma coisa, me avisa, — ele diz. Sua voz rouca e seu sotaque britânico me abraçam, causando arrepios em meu corpo.

— Você também, — digo e saio do carro. Não olho para trás. Pelo contrário, praticamente corro para o elevador e, depois, para o quarto. Ainda assim, não consigo me afastar do calor que envolve meu coração.

—-

A semana seguinte passou muito rápido. Usei o final de semana para começar a aprender o básico de italiano. Evitei a minha mãe e suas perguntas e contei tudo que aconteceu para Simon entre uma lição e outra. Durante a semana, foquei no contrato e arrumei vários detalhes. Quase não vi Jace, já que havia ficado até mais tarde todos os dias. Decidi focar no Sheik com todas as minhas forças, já que a empresa dependia desse contrato. Fiz diversas anotações e comecei o segundo rascunho do contrato. Meu pai havia ligado duas vezes e eu encarei o celular até que ele parasse de tocar. Não queria falar com ele, embora eu estivesse apenas evitando o problema. Meu irmão não deu mais notícias e eu decidi acreditar, depois da terceira mensagem que mandei, que era por ele estar ocupado. Tessa apareceu na minha sala na segunda e pediu muitas desculpas por sexta. Ela não quis falar, mas tinha certeza que Jace havia conversado com ela. Na quinta, eu decidi chamar ela para almoçar. Ela ficou tão feliz que pensei que ela pudesse chorar. Ela me mostrou um restaurante novo, próximo a empresa, e nós conversamos bastante.

— Eu conheci o Will em um bar, — ela disse. Seus olhos pareceram brilhar com a menção do nome dele. — Ele e Jem eram amigos de infância e tinham sido criados juntos, praticamente. Eu havia brigado com meu irmão e estava num lugar muito ruim da minha vida. Daí eu encontrei ele e, a princípio, foi só atração.

— Ele te ofereceu um emprego?

— Não. A gente se viu, conversou, e seguimos a vida. Uma semana depois, eu fui fazer uma entrevista na Herondale’s, em Londres. Quando eu estava saindo da sala, eu trombei com ele.

— E estão juntos até hoje, — eu disse. Lembrei de Jace, falando sobre como ela gosta de outro cara também e pensei em Jem.

— É complicado, — ela murmurou.

Depois disso, nosso almoço seguiu tranquilo. Ela não mencionou mais o nome deles e eu guardei minha curiosidade para mim. No dia seguinte, eu cheguei um pouco mais tarde e acabei trombando com Stephan enquanto ele saía da sala de reuniões. Jace estava logo atrás dele, falando no celular. Seus olhos encontraram os meus e eu corei, lembrando do nosso último encontro. Desço meus olhos por seu terno, feito sob medida, e sua camisa preta. Stephan, assim como o filho, está usando um terno caro e uma camisa preta.

— Ah, querida, — Stephan diz, sorrindo enquanto me cumprimenta. — Ainda bem que nos encontramos. Você estará disponível nesse domingo?

— Domingo? Sim, claro. Precisa de mim aqui na empresa?

— Na verdade, teremos uma festa, — ele diz. Minha cabeça volta, automaticamente, para a festa de sábado. — Para comemorar os 30 anos da empresa. Será na minha casa e todos os funcionários são convidados.

— Ah, — digo, imaginando se meu pai receberia seus funcionários em sua mansão.

— Posso contar com você? — ele pergunta e seus olhos me avaliam, esperando uma resposta. Sorrio e aceno.

— Com certeza, — digo. Ele dá um sorriso leve, que mostra satisfação, e acena com a cabeça. Depois ele se vira e vai em direção ao elevador enquanto eu ando até minha sala. Abro a porta e entro, pendurando minha bolsa e indo em direção à mesa. Jace entra logo atrás de mim, guardando o celular em seu bolso e fechando a porta.

— Olá, — ele diz. Há um sorriso tímido em seus lábios enquanto ele avalia minha roupa. Mordo o lábio, pensando na minha blusa, de renda preta, e no meu terno vinho.

— Oi.

— Você vai na festa? Não consegui ouvir sua resposta, — ele diz, desviando o olhar. Por um momento, penso se ele está mentindo para criar assunto.

— Claro. Eu vou sim, — digo enquanto ligo o computador.

— Ah, — ele diz. — A gente nem conversou essa semana, — ele murmura. Seus olhos procuram os meus e borboletas parecem voar em meu estômago.

— Foi uma semana produtiva, — digo.

— Que bom, — ele diz.

— Sim.

— Clary, — ele sussurra. Meus olhos encontram os seus e eu perco meu fôlego.

— Jace, — sussurro. Ele anda em minha direção, sem desviar os olhos dos meus, e para na minha frente. Eu levanto e desvio do seu corpo, indo até minha bolsa. Pego algumas anotações que estavam nela, tentando ignorar o calor que pulsa em minhas veias. Me viro e vou de encontro com seu corpo.

— Você está me evitando, — ele sussurra. Sua voz rouca faz com que minhas pernas fiquem bambas e eu me seguro em seus braços. Me arrependo assim que sinto seus músculos rígidos por baixo do paletó.

— Não, claro que…

— Clary, — ele diz. Seus dedos seguram meu queixo e levantam meu rosto. O toque é brando, mandando uma onda de calor pelo meu corpo. — Você está me evitando e mentindo para mim?

— Não estou mentindo, — digo. Ele arqueia uma sobrancelha. — Não estou! Estou apenas tentando manter as coisas profissionais.

— Ah, então é isso?

— Como assim?

— Você está me evitando por que eu sou seu chefe?

— Jace, por favor, — digo, me afastando dele. Não podia me deixar envolver. Não podia me apaixonar por uma pessoa como Jace, que me lembrava tanto meu irmão e meu pai, mas ao mesmo tempo era o completo oposto deles.

— Seja sincera comigo, Clary. É por isso? — seus olhos me encaram, tentando ler minha alma, destruindo todas as muralhas para o meu coração. — Desculpa se eu ultrapassei algum limite, não era minha intenção.

— Você? Eu me ofereci para você, estando completamente bêbada, e você ultrapassou limites?

— Clary, você não precisa ficar pensando nisso. Já passou. Se você quiser que eu me afaste, eu me afasto, — ele diz. Encaro-o, quando ele fala isso, e a ideia de andar na mesma empresa que ele estando afastada dele parece pior do que deixar rolar e ir embora daqui três meses.

— Não! Não é isso…

— Então me diga o que fazer. Eu estou aqui, na sua frente, mas não consigo entender o que você quer. Seus olhos me falam que você quer isso, mas você se afasta toda vez que eu chego perto e…

Empurro-o contra a parede e pressiono meus lábios contra os seus. Minhas mãos, que até então estavam segurando diversas anotações, estão puxando os cabelos grossos e macios dele. Suas mãos me envolvem enquanto nossas línguas travam uma batalha. Meu corpo parece ferver enquanto seus dedos se enroscam no meu cabelo. Ele puxa, levemente, fazendo com que eu incline minha cabeça para trás e dê completo acesso ao meu pescoço. Ele espalha beijos e mordidas e eu deixo um gemido escapar.

— Shh, — ele sussurra contra o lóbulo da minha orelha, dando uma leve mordida em seguida. Suspiro e mordo o lábio, tentando segurar outro gemido.

— Oh, Jace, — murmuro enquanto ele me puxa contra si, andando até algum lugar. Vejo que ele se senta na minha cadeira e me puxa, fazendo com que eu sente em seu colo. Seus braços envolvem minha cintura e eu espalho beijos pelo seu pescoço. Suas mãos me puxam contra si e eu posso sentir sua ereção contra mim. Rebolo, lentamente, e o atrito faz com que eu vire os olhos.

— Oh, Deus, — ele geme e repete o movimento. Estou tão molhada que poderia gozar só com isso. Suas mãos deslizam pelo meu corpo e, de repente, meu casaco parece apertado e sufocante. Ele me ajuda a tirá-lo e o joga no chão.

— Jace, eu, — não consigo terminar a frase. Não consigo sequer lembrar o que estava falando. O toque do telefone me desperta e eu gemo com frustração.

— Deixa tocar, — ele diz, deslizando uma de suas mãos pela minha barriga e seios. Rebolo mais uma vez. O telefone volta a tocar, insistentemente.

— Oh, merda, — eu sussurro. Estico o braço e atendo o telefone. — Fray, — digo. Jace para, por um segundo. Então, um sorriso torto se abre em seu rosto e seus dedos começam a abaixar a alça da minha blusa.

Notas finais
Bom, gente, e aí? Gostaram? Espero que sim! Tenho que admitir que fiquei muito chateada com o capítulo passado. Estava super animada, tinha amado escrever ele, e recebi apenas cinco comentários. Fiquei muito triste e, como estava enrolada com faculdade, acabei deixando a fic de lado. Daí, duas pessoas maravilhosas comentaram e meio que me animaram de novo. Só que, com trabalhos e provas, acabei só achando tempo agora. Espero que tenham amado o capítulo. Por favor, comentem, favoritem e recomendem!! Vou postar outro capítulo logo, logo. Beijos, beijos